Templo Shaolin 🏔
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Ontologias do oriente
E de forma geral estudos sobre arte tradicional, simbolismo, filosofia e religiões.
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"Demônios também nascem da crueldade humana"
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Literatura e compaixão
— Prof. Olavo de Carvalho

"O que interessa não são as regras morais, mas a percepção moral. Porque as regras são fáceis de você aprender. Qualquer imbecil decora os Dez Mandamentos. O problema da moral, já dizia Santo Tomás de Aquino, é que as regras são sempre gerais e universais ao passo que as situações humanas são sempre particulares e concretas. De modo que as regras não se ajustam exatamente a nenhuma situação concreta. Então na teoria o sujeito sabe tudo o que é certo e na vida faz tudo o que é errado. Como a moral não é uma disciplina teórica, ou seja, destinada a ensinar o que é bom e mau apenas em teoria, mas visa melhorar a conduta das pessoas, então o que interessa não são as regras, mas o desenvolvimento da percepção moral.

Como se desenvolve a percepção moral? Exatamente pelos meios através dos quais se desenvolve o domínio da língua portuguesa: através da literatura de imaginação, que amplia o seu imaginário para que você compreenda as diferentes situações humanas e se humanize no processo, aprendendo a julgar as coisas com humanidade, compaixão e sentimento de justiça.

A literatura de ficção é um elemento fundamental da formação moral das pessoas. Por quê? Porque ao longo da sua vida você vai atravessar um número muito limitado de situações e essas situações nem sempre serão muito significativas, mas na literatura de ficção está exemplificada toda a gama de situações humanas possíveis. E note bem: depois de você ler muita literatura, você vai perceber o que percebeu Northrop Frye, o grande crítico canadense: os grandes modelos esquemáticos de todas as situações humanas já estão dados na Bíblia. E estão mesmo.

Então você pode dizer: 'Então por que o cara não lê somente a Bíblia?'. Muito simples, meu filho. Na Bíblia esses modelos estão de forma demasiadamente esquemática e compacta. Também não serve. Conheço gente, esses pastores protestantes do Brasil, que ficam lendo a Bíblia o dia inteiro, e então vão para a TV e ficam xingando uns aos outros de adúlteros e ladrões. Essa é a moral deles. E o que é isso? Falta de sensibilidade moral. O cara sabe a regra certa mas não compreende as situações reais da vida. O cara assiste ao filme 'O grito do silêncio' e vê o bebê chorando de dor ao ser retalhado no útero e mesmo assim não percebe que o bebê é um ser humano que sente as coisas como ele.

Compaixão significa sentir junto com o outro. E é através da imaginação que você desenvolve a compaixão. E esta é a regra básica da moral: "Ama a teu próximo como a ti mesmo'".
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"É indispensável não sentir atração por qualquer coisa. Assim, quando virdes os Buddhas, com todas as suas marcas de perfeição, vindo ao vosso encontro, ou que tenhais toda sorte de visões agradáveis, que isso não vos entranhe em nenhum estado de espírito particular."

HUANG PO, Conversações

Pintura: Thangka: Mil Budas (Sahasrabuddha). Tradição: Budista Tibetana. Técnica/Meio: Pigmentos minerais e ouro sobre pergaminho de algodão.
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Forwarded from San’s Anthology🎅🎄 (San 🌲❄️☃️)
“[...] a feminidade é um elemento necessário de toda espiritualidade [...] É o que prova — se era necessária uma prova — o papel místico da Virgem-Mãe.” (Frithjof Schuon)
Forwarded from Luiz Carlos Pauletti
De início, é necessário, conhecer o fim ao qual se deve tender, ou o seu destino definitivo, e tomar depois uma determinação; tomada a determinação ter-se-á, em seguida, o espirito tranquilo e calmo; tranquilo e calmo o espírito, gozar-se-à a seguir dêsse repouso inalterável que nada pode turvar; atingido o gozo dêsse repouso inalterável e que nada pode turvar, poder-se-á, então, meditar e formar um juizo sóbre a essência das coisas; meditado e formado um juízo sóbre a essência das coisas, atingir-se-á o estado de aperfeiçoamento desejado. Os sêres da natureza têm uma causa e um efeito: as ações humanas têm um princípio e consequências: conhecer as causas e os efeitos, os princípios e as consequências consiste em aproximar-se bem perto do método racional com o qual se atinge a perfeição,

Le Ta Hio - O Livro do Grande Estudo
Chang'e (嫦娥), a Deusa Chinesa da Lua. 🌑

​A história de Chang'e e do Coelho de Jade é uma das lendas mais populares da mitologia chinesa, intimamente ligada ao festival do meio outono ou festival da lua, zhōngqiū jié

​Chang'e era a esposa de Hou Yi, um arqueiro lendário que salvou a Terra ao abater nove dos dez sóis que a queimavam. ​Como recompensa, Hou Yi recebeu o elixir da imortalidade de uma deusa, mas ele não o bebeu imediatamente, pois não queria a vida eterna sem sua amada esposa.

​A lenda tem algumas variações, mas a mais comum diz que, para evitar que um aprendiz ganancioso roubasse o elixir, Chang'e o bebeu inteiro.

​Ao ingerir o elixir, ela se tornou imortal e flutuou até a lua, onde vive desde então como a Deusa da Lua no Palácio da Fria Lua (Guanghan Gong).

​O Coelho de Jade (Yù Tù) é seu único companheiro na lua e é reverenciado por sua abnegação, em outra versão da lenda, ele se sacrificou para alimentar um homem faminto e foi recompensado com a imortalidade na lua.

​A pintura é uma peça de arte mitológica chinesa, celebrando uma das divindades mais importantes do panteão popular chinês.
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"O Kshatriya - o tipo 'cavaleiro' - tem uma inteligência aguçada, mas está mais voltada para a ação e a análise do que para a contemplação e a síntese; sua força reside especialmente em seu caráter; ele compensa a agressividade de sua energia por sua generosidade e por sua natureza apaixonada por sua nobreza, autocontrole e grandeza de alma. Para esse tipo humano é a ação que é “real”, pois é pela ação que as coisas são determinadas, modificadas e ordenadas; sem ação não há virtude, nem honra, nem glória. Em outras palavras, o kshatriya acredita na eficácia da ação e não no destino de uma determinada situação: ele despreza a tirania da fatalidade e pensa apenas em determinar sua ordem, em esclarecer um caos, em cortar nós górdios."
— Frithjof Schuon, em "O Significado das Castas".

"O protótipo do kshatriya não é o do homem animalesco que deseja guerra para aplacar suas emoções, seu ego ou por um vago ideal de vitória. Muita gente altamente emotiva adora a estética da guerra, da luta, do conflito e da agressão simplesmente por fraqueza.

O dharma do kshatriya não é a guerra. É a nobre proteção dos mais fracos e seus modos de vida: brâmanes, vaishiyas e shudras. Se o sujeito é um kshatriya por motivos egoístas, ele é na verdade um bárbaro. Onde está o kshatriyata de pessoas que não querem proteger ninguém?

Então o kshatriya, acumulando poder por meio do dharma, se pergunta, enfim, caso possa agir: nesta sociedade, quem são os brâmanes, quem são os vaishyas, quem são os shudras? Como protegê-los e remover os obstáculos para que eles realizem seus próprios dharmas?

O kshatriya, quando vai à guerra, não é para proteger vagos ideais. Ele vai à guerra para proteger as demais castas, que estão com seus dharmas impedidos e não têm força, dada sua natureza, para enfrentar os inimigos.

O kshatriya não pode oprimir os demais protótipos com seus valores, obrigando todos a serem kshatriyas, isso é uma perversão. É preciso entender que cada protótipo segue seu karma e sua guna. O kshatriya tem de proteger inclusive o shudra, para que este realize seu dharma de shudra".


— Don Giulio

Pintura: "Jason and his Teacher", Maxfield Parrish.
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Forwarded from Hexis Aristokratika
"Se você quer despertar toda a humanidade, então desperte a si mesmo por inteiro. Se você quer eliminar o sofrimento do mundo, então elimine tudo o que é obscuro e negativo em você. De fato, o maior presente que você tem a oferecer é a sua própria autotransformação."

~ Lao Tzu
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A arte budista deriva da arte hindu em virtude de uma espécie de transmutação alquímica que, por assim dizer, "liqüefez" a mitologia cósmica da Índia, transformando em imagens de estados de alma.

De outra parte, este processo, promoveu ao mesmo tempo uma "cristalização" do elemento mais sutil da arte hindu, ou seja, da qualidade quase espiritual atribuída ao corpo humano enobrecido pela dança sagrada, clarificado pelos métodos iogues e como que saturado de uma consciência não limitada pela mente. Esta qualidade condensa-se, de forma incomparável, na imagem sagrada do Buda, que absorve toda a beatitude espiritual inerente à arte milenar da Índia, tomando-se o tema central, em tomo do qual gravitam todas as outras imagens. O corpo do Buda e o lótus, duas formas tomadas da arte hindu, expressam o mesmo: a imensa calma do Espírito consciente

Em algumas representações do paraíso budista, o trono de lótus do tathâgata emerge de um lago que, como Agni, nasce das águas primordiais. Ao lado da imagem humana do Bem-Aventura do, o lótus toma-se o principal tema da arte búdica que, de certa forma, está inteiramente contida entre estes dois pólos. A forma do lótus expressa, de uma maneira direta, "impessoal" e sintética, o que a forma humana do Buda manifesta de um modo mais "pessoal" e complexo. Além disso, esta forma humana, por sua simetria e plenitude estática, aproxima-se da forma do lótus; recordemos, aqui, que o Buda é chamado mani padmê, "a jóia no lótus"


— Titus Burckhardt
A arte sagrada no oriente e no ocidente
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Soneto para celebrar o Natal 🎄
— Olavo de Carvalho

Desejo a todos um santo e feliz Natal! <3
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Dos cinco movimentos da metafísica chinesa o fogo é relacionado a tudo que é visto, claro, exposto e verdadeiro. As intenções serão claras e qualquer intenção escondida será exposta. O regente  de 2026 é o puro fogo que ilumina os quatro cantos da terra.

Ano do Cavalo de Fogo
17 de Fevereiro
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Segundo a lenda do zodíaco, o imperador de jade organizou uma corrida para decidir quais animais fariam parte do calendário. O cavalo estava prestes a chegar em sexto lugar, mas a serpente, que estava escondida em seu casco, deu um bote na última hora. O susto fez o cavalo recuar, permitindo que a serpente passasse à frente. Assim, ele ficou com a 7ª posição.

​Na China antiga, o cavalo era o motor do progresso. Ele simbolizava a velocidade, a persistência e a ascensão social.

Na mitologia chinesa, o qianlima era um cavalo alado capaz de percorrer mil léguas em um único dia. Ele se tornou uma metáfora para talentos brilhantes que muitas vezes passam despercebidos por governantes medíocres.

​Existe um mito fascinante sobre a origem da seda, onde uma jovem se funde com a pele de um cavalo mágico, transformando-se na deusa do bicho-da-seda. Isso liga o animal não apenas à guerra e transporte, mas à criação e economia.

O Cavalo no Bazi (Wu - 午)  representa o mês de Junho e o horário das 11h às 13h. É o momento em que o Sol está no ponto mais alto e o elemento Fogo atinge seu brilho máximo sendo assim o auge do fogo 

​Embora o cavalo seja considerado um signo de natureza Yang (ativo, expansivo, quente), ele contém dentro de si sementes de energia Yin. No bazi, dizemos que ele é o ponto de virada, quando o calor chega ao máximo, a primeira sombra do frio (Yin) começa a nascer.

​O Cavalo é uma das quatro flores de pêssego (tao hua). Ter o cavalo como pilar no mapa pode indicar carisma e beleza . Ele confere à pessoa um magnetismo natural que atrai os outros.

​Se você nasceu em um ano, mês, dia ou hora do cavalo, sua energia pode ser marcada por essa necessidade de liberdade e pela capacidade de "galopar" em direção aos seus objetivos com uma paixão que poucos outros signos conseguem igualar.

Fontes: The Jade Emperor: A Chinese Zodiac Myth. Handbook of Chinese Mythology 
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​O Despertar do Cavalo de Fogo

Na mitologia chinesa, quando os velhos padrões do mundo já não conseguiam mais se sustentar, um ser chamado Dragão-Cavalo — Longma 龙马 — emergia das águas do Rio Amarelo.

​Com escamas de dragão e a velocidade de um cavalo, ele carregava em seu dorso um novo mapa cósmico: um sinal de que o Céu estava pronto para reescrever o que se tornara rígido, injusto ou desequilibrado.

​Ele surge quando os sistemas endurecem, quando o poder se desconecta da vida e quando a velha ordem precisa abrir caminho para a verdade. Nos textos mais antigos, sua chegada marca uma mudança no destino — o fim de uma era e o início de outra.

​A energia do Cavalo de Fogo não trata da destruição pela destruição: trata-se de limpar o que já não serve mais.
​É a força que rompe o medo, a estagnação e as estruturas herdadas, abrindo espaço para que a justiça, o fôlego e novas possibilidades floresçam.

​Ao entrarmos neste novo ano, corremos ao lado do Cavalo de Fogo.
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​"Quando corpo e mente estão em paz, todas as coisas aparecem como são: perfeitas, completas, nada lhes faltando."


Eihei Dōgen
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Forwarded from Hexis Aristokratika
"Uma mulher deve ter quatro qualificações: virtude, carinho, beleza e esforço. A virtude não exige brilhantismo, mas apenas a atenção íntima; o carinho não precisa ser excepcional ou aguçado nas palavras, mas sincero; a beleza não requer formas ou faces perfeitas, mas apenas dedicação e cuidado com o corpo; e por fim, o esforço não é trabalhar mais, ou melhor, que outros, mas fazer oque é necessário."

~ Ban Zhao
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Lodovico Buglio  de nome chinês Li Leisi (1606–1682) nascido em 26/01/1606 em Mineo, Itália e falecido em 07/10/1682 Pequim, China.

Lodovico Buglio foi um matemático, teólogo jesuíta siciliano e o primeiro missionário católico em Sichuan. Como parte do esforço para cultivar um clero chinês nativo, ele traduziu para o chinês o Missal Romano, o Breviário, o Ritual e as Partes 1 e 3 da Summa Theologica.

Sua tradução da Summa Theologica de São Tomás de Aquino foi um marco, pois tentava explicar conceitos filosóficos ocidentais usando a terminologia acadêmica chinesa da época.

​Ele viveu tempos turbulentos na China, passando da transição da dinastia Ming para a Qing, e chegou a ser preso durante as perseguições aos cristãos.

O sonho de Buglio era criar um "clero nativo"; ele entendia que a igreja só criaria raízes se falasse a língua e entendesse a filosofia local.
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Forwarded from Padaria Perene | 🍞
“Li” (tradução: "Rito", termo confucionista) é composto de cinco esforços fundamentais, cinco atitudes indispensáveis: em primeiro lugar, a retificação dos nomes, ou o cuidado extremo no uso das palavras. Se as palavras não significarem o que elas têm que significar, é impossível que o ser humano se comporte de maneira adequada, retificação dos nomes significa garantir que, na literatura, exista um uso constante de certas palavras com um significado muito preciso, de modo a permitir que, na mente da maior parte das pessoas, esse significado esteja incluído, por assim dizer, no núcleo semântico dessas palavras. Uma série de desordens na sociedade humana deriva do mal uso da palavra, uma série de conflitos interpessoais deriva simplesmente de conflitos de palavra, de duas ou mais pessoas usarem a mesma palavra com sentidos completamente diferentes. Confúcio diz que a primeira coisa para que se desenvolva a sensibilidade humana é conhecer as palavras, conhecer o significado próprio de cada uma delas, e as usar sempre nesse sentido.

— Prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto
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"
Muitos poetas não são poetas pela mesma razão por que muitos religiosos não são santos: jamais conseguiram ser eles próprios. Nunca chegam a ser o particular poeta ou o particular monge que Deus destinara que fossem. Nunca se tornam o homem ou o artista que todas as circunstâncias da sua vida individual pediam.

Desperdiçam os anos da sua existência em inúteis esforços para ser algum outro poeta, algum outro santo. Por numerosas e absurdas razões, jugam-se obrigados a tornar-se um qualquer outro que morreu há duzentos anos e viveu em circunstâncias completamente diferentes das suas. Esgotam o espírito e o corpo num inútil esforço para ter os sentimentos de um outro ou escrever os poemas de um outro ou possuir a santidade de um outro. Pode haver um forte egoísmo em seguir os outros. Há quem -- demasiado preguiçoso para pensar em algo de melhor -- se apresse em valorizar-se imitando o que já goza popularidade. Tal pressa é a ruína tanto de santos como dos artistas. Desejam um êxito rápido e têm tal pressa de o alcançar que não arranjam tempo para serem conformes a si próprios. E, quando essa mania os domina, explicam que semelhante pressa é uma espécie de personalidade."

Thomas Merton. Sementes de
Contemplação
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