Me ensine o amor como se fosse uma nova língua, que eu estaria milhões de terras distante de ser fluente. Sei que busco amor nos lugares errados, que meus pecados ainda vão engolir muita gente. Por isso não me encare com esses olhos de quem costuma amar com frequência, de quem sempre soube o beabá das coisas todas. Me ensine o amor como matemática básica, como se eu tivesse esquecido como faz adição. Me mostre o sentimento como fórmula de bhaskara, diga passo a passo como resolver a equação. Me fale do filo, da ordem, da classe, do sistema. Descreva átomos, os nêutrons, recite-me o amor como um poema. Mostre a geografia exata de cada planalto existente na sua boca, pois sei que meu furacão de pensamento ainda levaria toda a cidade abaixo; meu vazio sugaria toda a boa alma que você possui eventualmente, e a mim sobraria tudo que já nasceu quebrado, um pouco de espírito e um resto de gente. Porque nunca soube onde o mundo esconde os desesperados, ou por qual das bandas andam os eternos deprimentes. Amor sempre foi algo que fiz de errado, um produto que existiu sem contato com reagente. Pois me conte como se fosse montar uma oração, pontuando exatamente onde se encontra o verbo amar. E quem sabe depois de tanto conhecer esse tão tenso coração, talvez um dia eu também tenha capacidade de ensinar.
Eu li em algum lugar, alguma vez, em algum momento, alguma coisa que dizia algo sobre o amor. Eu li em algum lugar, alguma vez, em algum momento, que seria rápido, sem notar, sem roteiro, e quando eu menos esperasse, pluft, dor. Eu vi num filme meio ruim e numa música tosca que se eu só fosse eu... difícil demais. Eu li em algum lugar, alguma vez, em algum momento, que todo mundo é meio sozinho, agora o que a gente faz com isso é que eu não me lembro. Não sei se saio por ai falando aos sete ventos, ou conto sete ondas em sete pedidos lentos. Não sei se te digo tudo que eu penso, que acho nosso lance esquisito. Como eu disse, eu li em algum lugar, alguma vez, em algum momento, que falas ensaiadas não revelam sentimentos. O que é engraçado porque seguimos tão bem nosso roteiro que apresentar por aí seria fácil demais, não é? Só pela graça do espetáculo que seria. Eu li, deve ter sido num site, ou numa peça contemporânea escrita por jovens adultos frustrados, que tem amor que vira performance boa demais pra deixar acabar, mesmo que a gente sinta o mesmo que comer um punhado de isopor.