O Escudo de Aquiles forjado por Hephaistos
Eis vai-se aos foles, Vira-os ao fogo, e ordena-lhes que operem.
Eles em vinte forjas respiravam, Ora com sopro lento, ora apressado,
Segundo o que há na mente e quer o artista.
[...]
Sólido forma o escudo, ornado e vário De orla alvíssima e triple, donde argênteo
Boldrié pende, e lâminas tem cinco. Com dedáleo primor, divino engenho,
Insculpiu nele os céus e o mar e a terra; Nele as constelações, do pólo engastes,
Orion valente, as Híadas, as Pleias,
A Ursa que o vulgo domina Plaustro,
A só que não se lava no Oceano.
Duas cidades povoou.
[...]
Completo alçando o arnês, à mãe de Aquiles
O deus o oferta; ao gavião parelha,
Toma as Vulcânias coruscantes armas,
Do alto nevoso Olimpo se despenha.
Homero, Ilíada, XVIII
Eis vai-se aos foles, Vira-os ao fogo, e ordena-lhes que operem.
Eles em vinte forjas respiravam, Ora com sopro lento, ora apressado,
Segundo o que há na mente e quer o artista.
[...]
Sólido forma o escudo, ornado e vário De orla alvíssima e triple, donde argênteo
Boldrié pende, e lâminas tem cinco. Com dedáleo primor, divino engenho,
Insculpiu nele os céus e o mar e a terra; Nele as constelações, do pólo engastes,
Orion valente, as Híadas, as Pleias,
A Ursa que o vulgo domina Plaustro,
A só que não se lava no Oceano.
Duas cidades povoou.
[...]
Completo alçando o arnês, à mãe de Aquiles
O deus o oferta; ao gavião parelha,
Toma as Vulcânias coruscantes armas,
Do alto nevoso Olimpo se despenha.
Homero, Ilíada, XVIII
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Os poetas e a República - Razão da Expulsão - Parte 1
A seguir Platão critica essa visão, afirmando que os poetas são imitadores. Coloca 4 sujeitos nesse livro, o Demiurgo, aquele que fabrica as formas naturais; o fabricador (ποιητής), aquele que, tendo em mente as formas naturais e conhecendo seu funcionamento, as fabrica na matéria; os imitadores, que imitam a obra dos fabricadores através da arte (como é o caso do artista que pinta um carpinteiro e suas obras, desconhecendo a carpintaria); os que fazem uso dos objetos fabricados.
O flautista faz uso da flauta, portanto detém o conhecimento do que é a flauta e de para o que é a flauta. Ele então, como um mensageiro (ἄγγελος), informa o fabricante de como a flauta fabricada é boa para ele, este, tendo a crença no fabricante de que a flauta feita desse ou daquele jeito é boa, fabrica de acordo com isso. Se o flautista realmente conhecer, o fabricante de flautas terá uma crença verdadeira (πίστιν ὀρθήν) e será assim indiretamente iluminado pelo luz do conhecimento através do flautista, assim como, em Kallipolis (pólis da República de Platão), o governado é iluminado pelo governante.
O imitador não teria lugar nessa polis, pois não seria de forma alguma iluminado pela luz do Sol do conhecimento, mas teria seu saber todo baseado nas impressões das formas sensíveis.
A seguir Platão critica essa visão, afirmando que os poetas são imitadores. Coloca 4 sujeitos nesse livro, o Demiurgo, aquele que fabrica as formas naturais; o fabricador (ποιητής), aquele que, tendo em mente as formas naturais e conhecendo seu funcionamento, as fabrica na matéria; os imitadores, que imitam a obra dos fabricadores através da arte (como é o caso do artista que pinta um carpinteiro e suas obras, desconhecendo a carpintaria); os que fazem uso dos objetos fabricados.
O flautista faz uso da flauta, portanto detém o conhecimento do que é a flauta e de para o que é a flauta. Ele então, como um mensageiro (ἄγγελος), informa o fabricante de como a flauta fabricada é boa para ele, este, tendo a crença no fabricante de que a flauta feita desse ou daquele jeito é boa, fabrica de acordo com isso. Se o flautista realmente conhecer, o fabricante de flautas terá uma crença verdadeira (πίστιν ὀρθήν) e será assim indiretamente iluminado pelo luz do conhecimento através do flautista, assim como, em Kallipolis (pólis da República de Platão), o governado é iluminado pelo governante.
O imitador não teria lugar nessa polis, pois não seria de forma alguma iluminado pela luz do Sol do conhecimento, mas teria seu saber todo baseado nas impressões das formas sensíveis.
Os poetas e a República - O Verdadeiro Poeta - Parte 2
"Poeta" é um termo ambíguo, ao mesmo tempo que denota "Homero", também denota um "feitor", assim, aquele que fabrica flautas é chamado "αὐλοποιός".
Platão faz um jogo de palavras que me parece proposital nessa livro. Pois nos dogmas apresentados do Simpósio, do Fedro e do Íon, onde o poeta é inspirado por um mensageiro (ἄγγελος; angelos, anjo; assim como o utilizador é o ἄγγελος do fabricante de flautas) e então revela as verdades divinas em suas palavras, certamente não está limitado à sensibilidade, mas o conteúdo de sua mania, que é loucura para os artistas imitativos, é análogo à crença dos fabricantes de flautas nos flautistas. Essas crenças constituem os dogmas e os ritos dos homens.
"Poeta" é um termo ambíguo, ao mesmo tempo que denota "Homero", também denota um "feitor", assim, aquele que fabrica flautas é chamado "αὐλοποιός".
Platão faz um jogo de palavras que me parece proposital nessa livro. Pois nos dogmas apresentados do Simpósio, do Fedro e do Íon, onde o poeta é inspirado por um mensageiro (ἄγγελος; angelos, anjo; assim como o utilizador é o ἄγγελος do fabricante de flautas) e então revela as verdades divinas em suas palavras, certamente não está limitado à sensibilidade, mas o conteúdo de sua mania, que é loucura para os artistas imitativos, é análogo à crença dos fabricantes de flautas nos flautistas. Essas crenças constituem os dogmas e os ritos dos homens.
Os poetas e a República - O Demiurgo - Parte 3
No Timeu, interessantemente, o Demiurgo é tido como o Fabricador do Mundo. Desempenha essa fabricação observando o Paradigma por meio do qual plasmará todas as coisas.
No livro em questão da República, Platão deixará implícito que o demiurgo só pode sê-lo no que tange ao que existe, mas que, mesmo aquilo que existe, é aparência. Uma fração daquilo que é completo. Assim são não só as coisas sensíveis, mas também as ideias naturais nas mentes dos artesãos mundanos fabricadas pelo Demiurgo. E que, nesse sentido, serão imitação da imitação.
No Timeu, interessantemente, o Demiurgo é tido como o Fabricador do Mundo. Desempenha essa fabricação observando o Paradigma por meio do qual plasmará todas as coisas.
No livro em questão da República, Platão deixará implícito que o demiurgo só pode sê-lo no que tange ao que existe, mas que, mesmo aquilo que existe, é aparência. Uma fração daquilo que é completo. Assim são não só as coisas sensíveis, mas também as ideias naturais nas mentes dos artesãos mundanos fabricadas pelo Demiurgo. E que, nesse sentido, serão imitação da imitação.
Os Poetas e a República - Conclusão
A passagem em questão não deve ser interpretada conforme sua aparência, mas seu conteúdo comunica com diversas outras ideias presentes na obra platônica.
Episteme e Doxa são respectivamente atribuídas ao utilizador e ao fabricador. Sendo o utilizador o conhecer não só porque sabe do funcionamento do objeto, mas da "utilidade para que o destinou a natureza ou o artífice" (601d), ou seja, a finalidade/completude do objeto.
São analogáveis, enquanto conhecer e crente, ao governante e governado. O poeta, o profeta ou o místico inspirado que tem ciência daquilo que canta ou desvela, é um conhecedor, e portanto, um filósofo, mas também um demiurgo, pois este conhece sua obra.
A passagem em questão não deve ser interpretada conforme sua aparência, mas seu conteúdo comunica com diversas outras ideias presentes na obra platônica.
Episteme e Doxa são respectivamente atribuídas ao utilizador e ao fabricador. Sendo o utilizador o conhecer não só porque sabe do funcionamento do objeto, mas da "utilidade para que o destinou a natureza ou o artífice" (601d), ou seja, a finalidade/completude do objeto.
São analogáveis, enquanto conhecer e crente, ao governante e governado. O poeta, o profeta ou o místico inspirado que tem ciência daquilo que canta ou desvela, é um conhecedor, e portanto, um filósofo, mas também um demiurgo, pois este conhece sua obra.
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Kosmokrator
No ícone de pentecostes, há no centro, mas abaixo, uma figura desconhecida, um rei, desprovido de auréola, com doze pergaminhos. Esse rei é o mundo [Rei Kosmos ], que será ceifado pelos doze apóstolos, que se dirigirão a doze nações (a todas as nações do mundo).
Essa figura parece predatar o cristianismo, como no íconeque enviei aqui anteriormente retratando o escudo de Aquiles, estando Helios no centro. O título Kosmokrator também se aplica a Alexandre.
No ícone de pentecostes, há no centro, mas abaixo, uma figura desconhecida, um rei, desprovido de auréola, com doze pergaminhos. Esse rei é o mundo [
Essa figura parece predatar o cristianismo, como no ícone
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Dioniso, o Intelecto Universal
Se há uma Alma do Mundo e ela é perfeita, certamente é dotada de Nous, donde supomos a existência de um Intelecto do Mundo. Esse Intelecto é o meio termo entre o Nous do Zeus Demiurgo e as almas, que participam nele para participarem nesse Intelecto.
É Dioniso Kardiaeus, cujo corpo fora espalhado pelos titãs, como o intelecto é entre as almas, mas o coração está na coxa de Zeus, sendo meio termo entre Ele e o que está em seus pés. A mulher que o portou se chama Hipta, mesmo nome que se dá à Alma do Mundo.
Se há uma Alma do Mundo e ela é perfeita, certamente é dotada de Nous, donde supomos a existência de um Intelecto do Mundo. Esse Intelecto é o meio termo entre o Nous do Zeus Demiurgo e as almas, que participam nele para participarem nesse Intelecto.
É Dioniso Kardiaeus, cujo corpo fora espalhado pelos titãs, como o intelecto é entre as almas, mas o coração está na coxa de Zeus, sendo meio termo entre Ele e o que está em seus pés. A mulher que o portou se chama Hipta, mesmo nome que se dá à Alma do Mundo.
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A forma sem forma é forma verdadeira. A forma verdadeira não vem dos frutos de práticas ou caridade realizadas enquanto se debruça sobre as aparências. Ela vem do retorno à pureza e simplicidade prístinas, esquecendo objetos e acabando com sentimentos. Quando você encontra a forma verdadeira, cada ação, cada quietude, é realidade natural; você espontaneamente alcança a aceitação da verdade da não originação.
-- Liu Yiming, Comentário em Wuzhen Pian.
-- Liu Yiming, Comentário em Wuzhen Pian.
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HYPERBOREA E ATLANTIS
Sumário:
Introdução
I. Apontamentos astronômicos
II. Thule
III. Hyperborea
IV. Atlântis
Bônus: A Irlanda
Introdução
O assunto ciclos cósmicos foi imensamente prostituído por grupos modernos e que, sob o entusiasmo por civilizações antigas, cambiou seu significado simbólico por um corpóreo e profano. A redescoberta do tema se deve ao ocultista Fabre d'Olivet em sua obra Histoire Philosophique du Genre Humain, que de maneira mais ou menos profana, repopularizou o assunto. Aqui trataremos de termos básicos da geografia ligada a esse tema e explanaremos - na medida do possível e de nosso entendimento - sua origem textual e seu significado.
Sumário:
Introdução
I. Apontamentos astronômicos
II. Thule
III. Hyperborea
IV. Atlântis
Bônus: A Irlanda
Introdução
O assunto ciclos cósmicos foi imensamente prostituído por grupos modernos e que, sob o entusiasmo por civilizações antigas, cambiou seu significado simbólico por um corpóreo e profano. A redescoberta do tema se deve ao ocultista Fabre d'Olivet em sua obra Histoire Philosophique du Genre Humain, que de maneira mais ou menos profana, repopularizou o assunto. Aqui trataremos de termos básicos da geografia ligada a esse tema e explanaremos - na medida do possível e de nosso entendimento - sua origem textual e seu significado.
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HYPERBOREA E ATLANTIS: I. Apontamentos astronômicos
A fim de que o simbolismo seja compreendido, precisamos olhar para o céu e ver a movimentação do Sol. Nasce ao leste e morre ao oeste, porém, para além do ciclo diário, possui um ciclo anual. No solstício de verão, ao meio dia, no hemisfério norte, acima da linha do Equador, está acima da cabeça no observador ao meio dia; porém, no solstício de inverno, está o mais ao norte possível, nascendo mais ao norte e se ponto mais ao norte. Por essa razão, a hyperborea é o lar de Apollo Hyperboreos.
Quando ao norte, as noites são mais longas e é inverno. Conforme caminhamos ao norte, mais as noites ficam longas. Isso sempre foi sabido, mas notoriamente anotado por Euclides em sua obra "Fenômenos".
O norte é então relacionado ao frio e à escuridão, é a direção de Bóreas, o vento norte invernal. Paradoxalmente, é relacionado com o Sol, pois para lá, no Inverno, ele se esconde.
Se se estiver no polo norte, no solstício de verão é sempre dia, nos equinócios, sempre crepúsculo/alvorada, onde o sol se põe lentamente ao decorrer do ano até desaparecer, descendendo até o solstício de inverso, quando volta a ascender. Um dia é, portanto, um ano. Por isso Hyperborea é tida como uma terra perene ou semi-perene.
A fim de que o simbolismo seja compreendido, precisamos olhar para o céu e ver a movimentação do Sol. Nasce ao leste e morre ao oeste, porém, para além do ciclo diário, possui um ciclo anual. No solstício de verão, ao meio dia, no hemisfério norte, acima da linha do Equador, está acima da cabeça no observador ao meio dia; porém, no solstício de inverno, está o mais ao norte possível, nascendo mais ao norte e se ponto mais ao norte. Por essa razão, a hyperborea é o lar de Apollo Hyperboreos.
Quando ao norte, as noites são mais longas e é inverno. Conforme caminhamos ao norte, mais as noites ficam longas. Isso sempre foi sabido, mas notoriamente anotado por Euclides em sua obra "Fenômenos".
O norte é então relacionado ao frio e à escuridão, é a direção de Bóreas, o vento norte invernal. Paradoxalmente, é relacionado com o Sol, pois para lá, no Inverno, ele se esconde.
Se se estiver no polo norte, no solstício de verão é sempre dia, nos equinócios, sempre crepúsculo/alvorada, onde o sol se põe lentamente ao decorrer do ano até desaparecer, descendendo até o solstício de inverso, quando volta a ascender. Um dia é, portanto, um ano. Por isso Hyperborea é tida como uma terra perene ou semi-perene.
HYPERBOREA E ATLANTIS: II. Thule
A origem escrita do termo é traçada de Ctesias de Cnidos (sec. V a.C), por meio de uma citação de Sérvio, o Gramático. Das especulações etimológicas, as que nos chamam a atenção são aquelas que visam traçar esta palavra de alguma fenícia ou cartaginesa cujo significado é “trevas”, “escuridão”.
É utilizado para se referir a uma ilha ao extremo norte, no Mar Crônida, que Phytheas de Massália supostamente teria visitado. Apesar do termo poder ser utilizado para se referir à Hyperborea, não se trata da terra referida por Phytheas, pois nesta terra, a noite dura duas ou três horas, em Hyperborea não há noite.
René Guénon em seus artigos presentes no livro "Ciclos Cósmicos e Formas Tradicionais", aponta que Thule pode ser referir tanto a Atlantis, quanto a Hyperborea, desde que se trate de uma terra ou ilha ao norte.
A origem escrita do termo é traçada de Ctesias de Cnidos (sec. V a.C), por meio de uma citação de Sérvio, o Gramático. Das especulações etimológicas, as que nos chamam a atenção são aquelas que visam traçar esta palavra de alguma fenícia ou cartaginesa cujo significado é “trevas”, “escuridão”.
É utilizado para se referir a uma ilha ao extremo norte, no Mar Crônida, que Phytheas de Massália supostamente teria visitado. Apesar do termo poder ser utilizado para se referir à Hyperborea, não se trata da terra referida por Phytheas, pois nesta terra, a noite dura duas ou três horas, em Hyperborea não há noite.
René Guénon em seus artigos presentes no livro "Ciclos Cósmicos e Formas Tradicionais", aponta que Thule pode ser referir tanto a Atlantis, quanto a Hyperborea, desde que se trate de uma terra ou ilha ao norte.
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HYPERBOREA E ATLANTIS: III. Hyperborea
O nome significa o que está para além ou para cima de Bóreas, o nome Bóreas pode vir do proto-eslávico *gora, que significa "montanha", se referindo à "montanha de Bóreas", ou às montanhas da Trácia, ao norte da Grécia.
Quer dizer especificamente uma terra polar ao extremo norte, hoje gélida e inóspita, mas onde lar de um povo divino, os hyperboreos, correspondentes à raça de ouro de Hesíodo. Um povo cujos corpos eram sutis e não conheciam a corrupção, mas manifestavam limpidamente toda a sabedoria divina, em microcósmo.
A idade de ouro acaba quando o Sol está no horizonte, onde o homem perene toca tem seu primeiro contato com o Devir, começando a Era de Prata. Na Era de Bronze, já é inverso e Hyperborea é inabitada. O homem agora conhece o Sol como nascendo ao leste e morrendo ao oeste diariamente, conhece, portanto, geração e corrupção.
O nome significa o que está para além ou para cima de Bóreas, o nome Bóreas pode vir do proto-eslávico *gora, que significa "montanha", se referindo à "montanha de Bóreas", ou às montanhas da Trácia, ao norte da Grécia.
Quer dizer especificamente uma terra polar ao extremo norte, hoje gélida e inóspita, mas onde lar de um povo divino, os hyperboreos, correspondentes à raça de ouro de Hesíodo. Um povo cujos corpos eram sutis e não conheciam a corrupção, mas manifestavam limpidamente toda a sabedoria divina, em microcósmo.
A idade de ouro acaba quando o Sol está no horizonte, onde o homem perene toca tem seu primeiro contato com o Devir, começando a Era de Prata. Na Era de Bronze, já é inverso e Hyperborea é inabitada. O homem agora conhece o Sol como nascendo ao leste e morrendo ao oeste diariamente, conhece, portanto, geração e corrupção.
HYPERBOREA E ATLANTIS: IV. Atlantis
Diz respeito à terra dos filhos de Atlas, que específicamente se localiza ao oeste, após as colunas de Herakles (estreito de Gibraltar). Porém o termo pode ser utilizado de forma extensa para podermos falar de duas Atlanteis, uma setentrional (ao norte) e outro meridional (ao oeste).
Quando falamos de uma Thule Atlântida, só falamos a respeito da setentrional, atribuída à idade da Prata, mas não confundida com Hyperborea, que neste caso, se refere apenas à Era de Ouro. Essa Atlantis é situada no mar crônica e na Era do Bronze é obscurecida, sendo regida pela tirania crônica, da qual escapam, de acordo com Diodoro Sículo, os Olimpianos.
A Atlantis meridional é a que Platão elabora em Crítias. Ela é correspondente à Era do Bronze e é lar de um povo marcial e violento, como Proclo nota no início de seu comentário ao Timeu. Trata-se de época análoga à antedeluviana do Antigo Testamento, sendo o povo violento e que domina as artes, como o Atlântes aqui, os Cainitas lá, apesar de que estes possuem uma conotação muito mais negativa no mito hebreu que os Atlântes no mito """Egípcio""" (grego kek).
Após sua queda por dilúvio, seus sobreviventes emigram para o leste.
Diz respeito à terra dos filhos de Atlas, que específicamente se localiza ao oeste, após as colunas de Herakles (estreito de Gibraltar). Porém o termo pode ser utilizado de forma extensa para podermos falar de duas Atlanteis, uma setentrional (ao norte) e outro meridional (ao oeste).
Quando falamos de uma Thule Atlântida, só falamos a respeito da setentrional, atribuída à idade da Prata, mas não confundida com Hyperborea, que neste caso, se refere apenas à Era de Ouro. Essa Atlantis é situada no mar crônica e na Era do Bronze é obscurecida, sendo regida pela tirania crônica, da qual escapam, de acordo com Diodoro Sículo, os Olimpianos.
A Atlantis meridional é a que Platão elabora em Crítias. Ela é correspondente à Era do Bronze e é lar de um povo marcial e violento, como Proclo nota no início de seu comentário ao Timeu. Trata-se de época análoga à antedeluviana do Antigo Testamento, sendo o povo violento e que domina as artes, como o Atlântes aqui, os Cainitas lá, apesar de que estes possuem uma conotação muito mais negativa no mito hebreu que os Atlântes no mito """Egípcio""" (grego kek).
Após sua queda por dilúvio, seus sobreviventes emigram para o leste.
HYPERBOREA E ATLANTIS: Bônus: A Irlanda
É clássica candidata para ser Thule, porém tem outro símbolo, também interessante. É uma ilha que representa um paraíso na terra ou imagem do Éden, pois teria sido uma transferência do Éden do sudeste ao noroeste após a queda do homem, sendo como um espelho daquilo que teria nesse paraíso. É uma terra extremamente fértil, onde não nascem (de acordo com o mito) cobras e outras pragas. É, porém, de certa forma, mais indigna que o Éden, que representa a perfeição terrena e não precisa de cultivo (característica da era de bronze), enquanto a Irlanda precisa. Apenas no reinado de Lugh, o Thuatha De meio-fomoriano responsável pelos ciclos sazonais, através dos fomorianos, foi possível a descoberta da agricultura pelos Thuatha De.
É clássica candidata para ser Thule, porém tem outro símbolo, também interessante. É uma ilha que representa um paraíso na terra ou imagem do Éden, pois teria sido uma transferência do Éden do sudeste ao noroeste após a queda do homem, sendo como um espelho daquilo que teria nesse paraíso. É uma terra extremamente fértil, onde não nascem (de acordo com o mito) cobras e outras pragas. É, porém, de certa forma, mais indigna que o Éden, que representa a perfeição terrena e não precisa de cultivo (característica da era de bronze), enquanto a Irlanda precisa. Apenas no reinado de Lugh, o Thuatha De meio-fomoriano responsável pelos ciclos sazonais, através dos fomorianos, foi possível a descoberta da agricultura pelos Thuatha De.
A Imortalidade a ser buscada
"Se fores estudar a imortalidade, estude a imortalidade celestial. Apenas o Elixir Dourado vale a pena."
- Zhang Boduan, Wuzhen Pian.
"Se renascerdes na roda que gira [i.e. samsara ] sem [ter em si] confusão [i.e. ser sujeito a ilusão ], então serás [um] imortal divino [神仙, semelhante a 天仙 imortal celestial ]."
- Yuan Shi Wu Liang Du Ren Shang Pin Miao Jing, 53
"Se fores estudar a imortalidade, estude a imortalidade celestial. Apenas o Elixir Dourado vale a pena."
- Zhang Boduan, Wuzhen Pian.
"Se renascerdes na roda que gira [
- Yuan Shi Wu Liang Du Ren Shang Pin Miao Jing, 53
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Roman de la Rose
Texto importantíssimo para a então esquecida e valiosíssima literatura medieval. O poema canta um sonho onde o protagonista prossegue por diversos níveis de um claustro (o jardim murado), até encontrar, em seu seio, a flor que procurava, sede de toda a Beleza, que, enfim, o liberta do sonho.
- Roman de la Rose, Guilherme de Lorris, o Sermão do Gênio.
Texto importantíssimo para a então esquecida e valiosíssima literatura medieval. O poema canta um sonho onde o protagonista prossegue por diversos níveis de um claustro (o jardim murado), até encontrar, em seu seio, a flor que procurava, sede de toda a Beleza, que, enfim, o liberta do sonho.
[...] apesar de meus inimigos [...] colhi a flor da bela roseira frondosa. E então conquistei minha brilhante flor amarela. Neste dia despertei.
- Roman de la Rose, Guilherme de Lorris, o Sermão do Gênio.
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Fé e Gnosis
Pistis e Gnosis é uma dicotomia geralmente traçada por estudantes dos frutos do vigoroso pensamento alexandrino que abarcou cristãos, hermetistas, platonistas e gnósticos na antiguidade tardia.
Colocam, de um lado, aquele que conhece a Deus, o gnóstico, e do outro, aquele que meramente acredita em Deus e espera por Sua Graça, o fiel. Daí julgam que, pelo conhecer ser superior ao crer, o primeiro supera o segundo e que, portanto, as tradições "písticas" são inferiores às "gnósticas".
Trata-se de um julgamento pautado em aparências. Para os platônicos que, seguindo os oráculos de Juliano, o Caldeu, e seu filho, e o que Platão afirma n'As Leis, a Fé é aquilo que se tem por quem estamos comungados com, e justamente por isso é uma virtude preciosíssima, pois é unitiva. Não só está unido o que crê, mas, e é nesse sentido que Platão e seus discípulos expõem, eminentemente aquele que tem absoluta confiança e amor ao seu amado, sendo nutrido pela verdade nesse processo, é um verdadeiro enlace.
Por outro lado, pseudo-Dionísio rebaixa a Gnosis e proclama uma Agnosis, um supraconhecimento, aqui, a gnosis está equacionada com a Theoria ou Iluminação do Homem pelas Energias Divinas, de maneira que a Fé, em sua realização final estará para além disso, sendo a Gnosis preparação para ela.
Agostinho entenderá a Fé de maneira dupla: primeiro em seu ato principal, o ato de crer, ultimamente da mesma forma que Marcus, sendo o termo médio entre o ato de Fé e a Fé mesma o conhecimento. Define isso ao comentar Paulo quando este fala que enquanto no corpo, devemos caminhar não pela visão, mas pela fé (2Cor 5:6-7), dizendo que esta fé dita por Paulo é princípio para a iluminação/theoria (Com. em João XXII, 2 c/c XXXIV, 7)
Muitos também dizem, erroneamente, que Fé se trata de sentimentalismo ou de um aspecto infrarracional ou até mesmo racional-teológico e que não toca o nível suprarracional ou metafísico, a estes contrastamos Diadoco de Photike, que, em suas definições, define Fé (pistis) como conhecimento apatético de Deus; e conhecimento como perder ciência de si através da ida para Deus em êxtase. Ainda, diz que a Fé é energizada pelo amor (ágape) e nutrida pela Theoria (Do conhecimento espiritual e discriminação, 7-8). Concepções que necessariamente extrapolam esses dois níveis, como expôs também J. Borella em sua obra Amour et vérité: La voie chrétienne de la charité.
Pistis e Gnosis é uma dicotomia geralmente traçada por estudantes dos frutos do vigoroso pensamento alexandrino que abarcou cristãos, hermetistas, platonistas e gnósticos na antiguidade tardia.
Colocam, de um lado, aquele que conhece a Deus, o gnóstico, e do outro, aquele que meramente acredita em Deus e espera por Sua Graça, o fiel. Daí julgam que, pelo conhecer ser superior ao crer, o primeiro supera o segundo e que, portanto, as tradições "písticas" são inferiores às "gnósticas".
Trata-se de um julgamento pautado em aparências. Para os platônicos que, seguindo os oráculos de Juliano, o Caldeu, e seu filho, e o que Platão afirma n'As Leis, a Fé é aquilo que se tem por quem estamos comungados com, e justamente por isso é uma virtude preciosíssima, pois é unitiva. Não só está unido o que crê, mas, e é nesse sentido que Platão e seus discípulos expõem, eminentemente aquele que tem absoluta confiança e amor ao seu amado, sendo nutrido pela verdade nesse processo, é um verdadeiro enlace.
Por outro lado, pseudo-Dionísio rebaixa a Gnosis e proclama uma Agnosis, um supraconhecimento, aqui, a gnosis está equacionada com a Theoria ou Iluminação do Homem pelas Energias Divinas, de maneira que a Fé, em sua realização final estará para além disso, sendo a Gnosis preparação para ela.
Aquele que não conhece a verdade não pode verdadeiramente ter Fé; pois, naturalmente, a verdade precede a Fé (i.e em uma perspectiva ascencional, a verdade [aletheia] é inferior à Fé). (Marcus Eremita, Sobre a Lei Espiritual, 110)
Os primeiros de todos os obstáculos é a ignorância; em seguida a falta de Fé. (Marcus Eremita, Sobre aqueles que creem ser justos pela obras, 105)
Agostinho entenderá a Fé de maneira dupla: primeiro em seu ato principal, o ato de crer, ultimamente da mesma forma que Marcus, sendo o termo médio entre o ato de Fé e a Fé mesma o conhecimento. Define isso ao comentar Paulo quando este fala que enquanto no corpo, devemos caminhar não pela visão, mas pela fé (2Cor 5:6-7), dizendo que esta fé dita por Paulo é princípio para a iluminação/theoria (Com. em João XXII, 2 c/c XXXIV, 7)
Muitos também dizem, erroneamente, que Fé se trata de sentimentalismo ou de um aspecto infrarracional ou até mesmo racional-teológico e que não toca o nível suprarracional ou metafísico, a estes contrastamos Diadoco de Photike, que, em suas definições, define Fé (pistis) como conhecimento apatético de Deus; e conhecimento como perder ciência de si através da ida para Deus em êxtase. Ainda, diz que a Fé é energizada pelo amor (ágape) e nutrida pela Theoria (Do conhecimento espiritual e discriminação, 7-8). Concepções que necessariamente extrapolam esses dois níveis, como expôs também J. Borella em sua obra Amour et vérité: La voie chrétienne de la charité.
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[Os anjos] são nossos professores, assim como são uns dos outros; pois os inferiores são ensinados por aqueles que os supervisionam e possuem mais luz, e assim cada ordem é iluminada desde a de cima até aquela [ordem] que possui a Santíssima Trindade como Mestre. E além disso, esta primeira ordem em si diz abertamente que não é instruída por si mesma, mas tem Jesus, o Mediador, como seu Mestre, de Quem recebe e então transmite para aqueles abaixo dela.
- Santo Isaque, o Sírio. Hom. 28.
- Santo Isaque, o Sírio. Hom. 28.
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