As Melancolias da Modernidade 1/2
Jalal al-e Ahmad, em seu Gharbzadegi, cap. X, aponta a três tipos de melancolia que sofre o homem ocidentalizado. Apesar de falar no contexto iraniano, isso bem se aplica a toda sociedade moderna. Trata-se de uma etapa regressiva das mesmas, onde nos exaltamos para preencher nosso vazio.
Jalal al-e Ahmad, em seu Gharbzadegi, cap. X, aponta a três tipos de melancolia que sofre o homem ocidentalizado. Apesar de falar no contexto iraniano, isso bem se aplica a toda sociedade moderna. Trata-se de uma etapa regressiva das mesmas, onde nos exaltamos para preencher nosso vazio.
A melancolia da grandiosidade. Todo homem comum é levado a enxergar sua própria grandeza naquelas grandezas que lhe são (falsamente) associadas: na grandeza das manifestações nacionalistas, nas celebrações extravagantes, nos arcos do triunfo adornados com tapetes, nas joias do Banco Nacional, nos arreios dos cavalos, nos uniformes finos de seus cavaleiros, nas borlas dos comandantes do exército, nos enormes edifícios, nas barragens ainda maiores (muito já se falou sobre as imensas quantias do capital nacional desperdiçadas em sua construção) e, em suma, tudo o que é um deleite para os olhos, é um deleite para o homem comum, e assim ele se considera grande.
As Melancolias da Modernidade 2/2
A melancolia de glorificar o passado remoto da nação. Embora decorra da melancolia da grandiosidade, tem mais a ver com o ouvido. É o tipo de melancolia que mais se ouve manifestar: uma autoglorificação tola, com inúmeras referências a Dario, Ciro e Rustam, o tipo de coisa que jorra de todos os rádios do país e, de lá, preenche nossas publicações. Essa melancolia serve para preencher o ouvido. Já viu um jovem trabalhador cansado caminhando por uma viela deserta numa noite escura? Geralmente, ele canta para si mesmo porque tem medo de ficar sozinho. Ele preenche os próprios ouvidos com a própria voz e, assim, dissipa o medo. O rádio cumpre exatamente a mesma função. Você o ouve ligado em todo lugar, só para fazer barulho, para preencher o ouvido.
A melancolia da perseguição constante. Você cria um novo inimigo imaginário para o povo indefeso todos os dias; você enche o rádio e as publicações com notícias sobre ele para assustar as pessoas e reduzi-las cada vez mais a um estado de ansiedade e preocupação. Você as faz sentir gratas pelo que têm. Essa perseguição constante assume inúmeras formas. Um dia, uma rede do partido Tudeh é exposta; no dia seguinte, uma guerra contra o ópio é lançada, depois uma guerra contra a heroína; então a situação no Bahrein se agrava, ou a disputa com o Iraque sobre o Shatt al-'Arab, depois um sequestro, depois o medo da SAVAK que eles semeiam nos corações das pessoas.
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O Filósofo e o Fado
— Zósimo de Panópolis. Sobre a Letra Ômega. 6.
Hesíodo conta sobre Prometeu aconselhando Epimeteu: "Oq ue os homens consideram uma felicidade [eudaemonia] maior que todas as outras?" "uma formosa mulher", ele responde, "junto com muita riqueza". E ele [Prometeu] diz: "não aceitar um presente de Zeus Olimpiano, mais mandá-lo de volta", ensinando ao seu irmão através da filosofia a rejeitar os presentes de Zeus, isto é, do Fado [Heimarmene].
— Zósimo de Panópolis. Sobre a Letra Ômega. 6.
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
Nossa inteligência diz: o Filho de Deus, que pode tudo e que se torna tudo assim que desejar, se manifesta como quer a cada um. Jesus Cristo se uniu a Adão e o retornou ao Paraíso, onde os mortos viviam anteriormente. Ele apareceu aos homens privados de toda força, tendo se tornado um homem (ele mesmo), sujeito a sofrimentos e espancamentos. (No entanto) tendo secretamente despojado seu próprio caráter mortal, ele não sentia (em verdade) qualquer sofrimento; e ele pareceu pisotear a morte e a expulsou do presente e até o fim do mundo, tudo isso em segredo. Assim, despojado das aparências, ele aconselhou os seus a trocar, secretamente, seu espírito com aquele de Adão dentro deles, a espancá-lo e a matá-lo; este homem cego foi levado à rivalizar com o homem espiritual e luminoso: é assim que eles matam seu próprio Adão.
_ Zósimos de Panópolis
O Mandamento da Paternidade no Hermetismo
— Corpus Hermeticum. II:17.
Porém o outro título [de Deus] é o de Pai, também por causa da feitoria de todas as coisas; pois o fazer é do Pai. Por isso, a procriação é a maior e a mais piedosa solicitude na vida para os sábios, e o maior infortúnio e impiedade é que alguém sem filho dentre os seres humanos deixe a vida, e esse seja condenado pelos daimones depois da morte. Porém sua punição é esta: que a alma do sem filho seja condenada, não tendo nem a característica sexual de homem nem de mulher, como o que é execrado abaixo do Sol. Portanto, ó Asclépio, não regozijes com nenhum ser sem filho; pelo contrário, porém, apieda-te da infelicidade, sabendo como a condenação permanece lá. Quantas e tantas coisas sejam ditas, ó Asclépio, é apenas um prognóstico da natureza de todas as coisas.
— Corpus Hermeticum. II:17.
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Eu disse: “Recebi uma incumbência, e você recebeu uma incumbência. Eu tenho uma missão religiosa a cumprir, enquanto você pode realizar qualquer que seja a sua obrigação oficial. O máximo que você pode fazer é me condenar à morte, e eu me preparei para isso. Então, com o que você está me assustando?”
-Ayatollah Ali Khamenei, Cela n. 14.
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Upei 2 calls sobre hermetismo. Leitura e exposição do Corpus Hermeticum I: Poimandres.
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Lembrança de Deus através das Coisas 1/3
- Tuhaf al-Uqul. II.
"E de toda coisa criamos dois pares, para que talvez vos lembreis (ou reflitais)." (51:49). [...]
[O Criador] criou véus entre as criaturas para que elas percebessem que não há véus entre elas e Ele...
Os pensamentos não alcançam Sua essência (ذات; dhat) e os entendimentos não compreendem Sua quintessência (كُنْهُهُ; kunhuhu)...
As ferramentas limitam-se apenas a si mesmas. A instrumentalidade refere-se aos seus semelhantes. As ações são encontradas nas próprias coisas. Os aparelhos revelam sua necessidade. A oposição revela o oposto. Os pares referem-se aos seus semelhantes...
Como eram coisas separadas, referiam-se ao seu separador. Como variavam, referiam-se ao originador da sua variação. O Criador é óbvio para as mentes através das coisas. Ele escondeu-se da vista através delas. As coisas provaram que o Criador é mais exaltado do que se pode perceber através dos pensamentos. Elas provaram as lições. As evidências foram extraídas delas.
- Tuhaf al-Uqul. II.
Lembrança de Deus através das Coisas 2/3
Anteriormente é dito que:
- ibid.
Não há negação na crença nas descrições do Senhor. Não há crença pura sem descartar totalmente a negação. Provar uma parte do antropomorfismo prova o todo. A crença total na unicidade de Allah não materializa parte da negação. A declaração é a negação da rejeição. A sinceridade não pode ser alcançada se houver qualquer quantidade de negação. Tudo o que é encontrado em uma matéria criada é inexistente para o criador dessa matéria.
Anteriormente é dito que:
Os intelectos reconhecem a existência Dele. A concepção prova Sua afirmação. Seus presságios são Suas evidências contra Seus servos. Quando Allah criou as criaturas, Ele colocou um véu entre elas e Ele. Sua distinção prova que Ele é diferente delas. A prova de que Ele é livre da materialidade é o fato de Ele ter criado as criaturas a partir de materiais. Os materiais são evidências da necessidade das criaturas. A prova de que Ele é o primeiro é o fato de Ele ter originado as criaturas. Toda substância originada é incapaz de originar outras.
- ibid.
Lembrança de Deus através das Coisas 3/3
Parece ser estabelecido dois tipos de relação nesse texto, uma é a relação que há entre as criaturas, outra é a que há entre a criatura e o Criador. É dito que o véu que existe entre entre as criaturas não existe entre Deus e elas. O texto diz que há um véu entre elas e Ele. Esses véus não são o mesmo tipo de véu, o primeiro se refere aos entes que admitem semelhança e diferença, ora, Deus não as admite, logo, inexiste esse véu. Por outro lado, o véu é entre elas e Ele, nessa ordem. As criaturas velam Deus, a "diferença" que existe entre as criaturas e Deus não se dá porque são comparáveis, já que quando dois são comparáveis, dois são limitados... pois é dito que não é outro senão Deus, nenhum ao seu lado. Deus é incomparável, não comporta diferença... mas a criatura sim. A diferença está nela, a semelhança está nela, são categoriais de seres limitados, mas Deus, Deus inadmite negação. Se negamos a finitude sob o nome "Infinito", o corpo sob o nome "Incorpóreo", na Realidade, não negamos nada, apenas afirmamos que Deus não pode ser comportado. Em termos plotinianos, estaríamos negando o nao-Ser (me on).
O texto procede em dizer sobre o conhecimento de Deus pelas criaturas. Esse conhecimento é uma lembrança (dhikr), uma lembrança oriunda do que no esoterismo xiita é contemplado do Pacto de al-Ast (7:172), o testemunho de Deus pelos filhos de Adão. Essa relação de lembrança não compete ao intelecto, mas ao coração (al-qalb; cf. 22:46), porém o intelecto o auxilia ao conceber imagens de Deus, que o lembram não por semelhança, mas pela intuição deixada no coração.
Parece ser estabelecido dois tipos de relação nesse texto, uma é a relação que há entre as criaturas, outra é a que há entre a criatura e o Criador. É dito que o véu que existe entre entre as criaturas não existe entre Deus e elas. O texto diz que há um véu entre elas e Ele. Esses véus não são o mesmo tipo de véu, o primeiro se refere aos entes que admitem semelhança e diferença, ora, Deus não as admite, logo, inexiste esse véu. Por outro lado, o véu é entre elas e Ele, nessa ordem. As criaturas velam Deus, a "diferença" que existe entre as criaturas e Deus não se dá porque são comparáveis, já que quando dois são comparáveis, dois são limitados... pois é dito que não é outro senão Deus, nenhum ao seu lado. Deus é incomparável, não comporta diferença... mas a criatura sim. A diferença está nela, a semelhança está nela, são categoriais de seres limitados, mas Deus, Deus inadmite negação. Se negamos a finitude sob o nome "Infinito", o corpo sob o nome "Incorpóreo", na Realidade, não negamos nada, apenas afirmamos que Deus não pode ser comportado. Em termos plotinianos, estaríamos negando o nao-Ser (me on).
O texto procede em dizer sobre o conhecimento de Deus pelas criaturas. Esse conhecimento é uma lembrança (dhikr), uma lembrança oriunda do que no esoterismo xiita é contemplado do Pacto de al-Ast (7:172), o testemunho de Deus pelos filhos de Adão. Essa relação de lembrança não compete ao intelecto, mas ao coração (al-qalb; cf. 22:46), porém o intelecto o auxilia ao conceber imagens de Deus, que o lembram não por semelhança, mas pela intuição deixada no coração.
Jesus é como o Sol, a Igreja como a Lua, esta ilumina o mundo sombrio, mas o Santo é iluminado diretamente pelo Sol.
- São Beda. h. In Gen. I.
Assim como naquele firmamento que já fora chamado céu, Deus ordena que luzes surjam para que “elas façam separação entre o dia e a noite”, assim também isso pode acontecer em nós, se tão somente formos zelosos em sermos chamados e feitos céu. Teremos em nós luzes que nos iluminarão, a saber, Cristo e sua Igreja. Pois ele mesmo é “a luz do mundo” que também ilumina a Igreja com sua luz. Pois assim como se diz que a lua recebe a luz do sol para que a noite também possa ser iluminada por ela, assim também a Igreja, quando a luz de Cristo é recebida, ilumina todos aqueles que vivem na noite da ignorância. Mas se alguém progride nisso a ponto de já se tornar “filho do dia”, de modo que “ande honestamente no dia”, como “filho do dia e filho da luz”, essa pessoa é iluminada pelo próprio Cristo, assim como o dia é iluminado pelo sol.
- São Beda. h. In Gen. I.
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Os Dois Reinos 1/2
— João 18:36ss.
Jesus respondeu:
Meu reino não é deste mundo
Se meu reino fosse deste mundo,
meus súditos teriam combatido
para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas meu reino não é daqui.
[...]
Respondeu Jesus [a Pilatos]:
Tu o dizes, eu sou rei
e para isto vim ao mundo:
para dar testemunho (martyreso) da Verdade
Quem é da Verdade escuta minha vós
[...]
Os judeus responderam- lhe: "Nós temos uma lei e, conforme essa Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus".
[...]
Disso Pilatos aos judeus: "eis o vosso rei". Eles gritavam: "À morte! À morte! Crucifica-o"". Disse-lhes Pilatos: "Crucificarei o vosso rei?!" Os chefes dos sacerdotes responderam: "Não temos outro rei a não ser César!" ["O seu sangue caia sobre nós e nossos filhos. Mt. 27:25]. Então Pilatos o entregou para ser crucificado.
[...]
[Os judeus a Pilatos] "Não escrevas 'rei dos judeus', mas 'este homem disse: Eu sou o rei dos judeus'". Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi".
— João 18:36ss.
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Os Dois Reinos 2/2
A questão do reino na paixão é clara: há dois reinos, um deste mundo e um de outro mundo. O reino de César e o reino dos Céus. "Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus" (Mt 22:21) tem um significado dúplice:
1. Este mundo é o mundo das trevas, o diabo é seu príncipe, tudo o que é adquirido daqui deve ser abandonado para que alguém entre no reino dos Céus. Por isso o rico não pode herdá-lo, pois teria de dar aos pobres todas as suas posses, despir-se delas.
2. Por outro lado, toda foi constituída por Deus (Rm. 13:1), também, Pilatos reconheceu a monarquia de Cristo, o centurião reconheceu que o Cristo era um justo, o Filho de Deus. A autoridade secular, que preside a Terra, quando é orientada pelo a autoridade espiritual, se torna parte da economia da salvação e providencial. Por conta disso, ao justo governante é devida obediência, assim como ao Cristo.
Os romanos, enquanto gentios, reconheceram o Filho de Deus, os judeus, enquanto povos da Lei, não o reconheceram, e deram sua lealdade a César, ao César que persegue o justo, ao diabo. Por essa razão, o sangue recaiu apenas sob os judeus, que foram isentos da efetivação dessa maldição por nascimento, pois o Cristo falou "Senhor, perdoa-os, pois não sabem o que fazem" (Lc 23:34). Porém, essa pena recai a todos aqueles que se dão ao mundo e perseguem os justos, pois se tornam servos do diabo e membros da sinagoga de Satanás.
A questão do reino na paixão é clara: há dois reinos, um deste mundo e um de outro mundo. O reino de César e o reino dos Céus. "Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus" (Mt 22:21) tem um significado dúplice:
1. Este mundo é o mundo das trevas, o diabo é seu príncipe, tudo o que é adquirido daqui deve ser abandonado para que alguém entre no reino dos Céus. Por isso o rico não pode herdá-lo, pois teria de dar aos pobres todas as suas posses, despir-se delas.
2. Por outro lado, toda foi constituída por Deus (Rm. 13:1), também, Pilatos reconheceu a monarquia de Cristo, o centurião reconheceu que o Cristo era um justo, o Filho de Deus. A autoridade secular, que preside a Terra, quando é orientada pelo a autoridade espiritual, se torna parte da economia da salvação e providencial. Por conta disso, ao justo governante é devida obediência, assim como ao Cristo.
Os romanos, enquanto gentios, reconheceram o Filho de Deus, os judeus, enquanto povos da Lei, não o reconheceram, e deram sua lealdade a César, ao César que persegue o justo, ao diabo. Por essa razão, o sangue recaiu apenas sob os judeus, que foram isentos da efetivação dessa maldição por nascimento, pois o Cristo falou "Senhor, perdoa-os, pois não sabem o que fazem" (Lc 23:34). Porém, essa pena recai a todos aqueles que se dão ao mundo e perseguem os justos, pois se tornam servos do diabo e membros da sinagoga de Satanás.
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Dia e Noite — Fyodor Tyutchev
Sobre o arcano mundo dos espíritos,
E sobre o abismo inominado,
Um áureo manto foi lançado
Pela alta vontade dos deuses.
O dia — este fulgente véu dourado —,
Que anima os filhos desta terra,
E à alma enferma alívio encerra,
Amigo é dos homens e dos deuses.
Mas o dia esmorece — chega a noite;
E ela, do mundo fatal e escuro,
Arranca o véu sagrado e puro,
E o lança ao longe, em brusco açoite.
E o abismo então nos é revelado,
Com seus terrores e neblinas,
Sem mais fronteiras que nos definam —
Eis por que a noite infunde espanto.
Sobre o arcano mundo dos espíritos,
E sobre o abismo inominado,
Um áureo manto foi lançado
Pela alta vontade dos deuses.
O dia — este fulgente véu dourado —,
Que anima os filhos desta terra,
E à alma enferma alívio encerra,
Amigo é dos homens e dos deuses.
Mas o dia esmorece — chega a noite;
E ela, do mundo fatal e escuro,
Arranca o véu sagrado e puro,
E o lança ao longe, em brusco açoite.
E o abismo então nos é revelado,
Com seus terrores e neblinas,
Sem mais fronteiras que nos definam —
Eis por que a noite infunde espanto.
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Simulacro e Simulação
— Baudrillard. Simulacros e Simulação. I.
A representação deriva do princípio da equivalência entre o signo e o real (mesmo que essa equivalência seja utópica, é um axioma fundamental). A simulação, ao contrário, deriva da utopia do princípio da equivalência, da negação radical do signo como valor, do signo como reversão e sentença de morte de toda referência. Enquanto a representação tenta absorver a simulação interpretando-a como uma falsa representação, a simulação envolve toda a estrutura da própria representação como um simulacro.
Tais seriam as fases sucessivas da imagem:
- é o reflexo de uma realidade profunda;
- mascara e desnatura uma realidade profunda;
- mascara a ausência de uma realidade profunda;
- não tem relação alguma com qualquer realidade: é seu próprio simulacro puro.
— Baudrillard. Simulacros e Simulação. I.
Assim como foi percebido pelos pós-estruturalistas que a linguagem constitui nossa percepção da realidade, a narrativa também a constitui. O elo entre o real e sua representação que caracteriza um bom discurso é constantemente rompido. O discurso se torna alienado da realidade, ele só informa sobre si mesmo, ele constitui uma nova "realidade" enquanto o gesto de apontar ao real a contradizer esse discurso-simulacro — este por vezes é hipersticioso — tem um efeito retórico cada vez menor.
A razão escapa por nossos dedos em uma frequência cada vez maior.
A razão escapa por nossos dedos em uma frequência cada vez maior.