O Último Arconte ♄
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A Devoção e Ascensão de Nekhepso

[A devoção dos antigos reis à astrologia] era tão entusiástica e inabalável que eles deixaram a esfera terrena e caminharam pelos céus, associando-se às almas celestiais e às mentes divinas e santas. Nekhepso é testemunha disso quando diz:

Parecia que eu caminhava pelo éter da meia-noite,
e uma voz do céu ecoava ao meu redor,
e então o manto escuro cobriu minha carne,
trazendo a escuridão da noite…


e assim em diante.

— Vettius Valens. Antologias, VI, 1.

Imagem: Faraó da 26ª Dinastia do período Saíta, a qual Nekhepso pertenceu.
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A Devoção e Ascensão de Nekhepso [A devoção dos antigos reis à astrologia] era tão entusiástica e inabalável que eles deixaram a esfera terrena e caminharam pelos céus, associando-se às almas celestiais e às mentes divinas e santas. Nekhepso é testemunha…
Não é tão importante o elogio de Valens à astrologia quanto o conteúdo do texto citado. Provavelmente, esse texto é oriundo de um obra ou inscrição do primeiro século ou anterior — Valens é do século II — e possui paralelos interessantes com textos herméticos, como a noção de "voz", transcendência aos astros e sentidos sendo relacionáveis com o C.H. I e o manto escuro ser relacionável ao "Negro Perfeito" (to teleian melan), dentre outras semelhanças menores.

Não sabemos de onde são esses versos, mas certamente são importantes, confirmado pelo que Valens diz depois, que a astrologia seria uma arte abençoada e superior às outras, pois ele usa essa instância para validar a própria arte, como se ela fosse caminho para essa transcendência. A astrologia diz respeito aos movimentos dos astros e sua influência nos homens, o que inclui os vícios relacionados aos mesmos, ela seria, aqui, medicina para a alma, junto à filosofia, como diz o texto "afim de que a filosofia e a magia sejam nutrissem a alma, e que a medicina curasse o corpo quando ele é afligido por algum mal" (Kore Kosmou, 68); assim como a fisiologia é o conhecimento do corpo e a medicina (também chamada de fisiologia) é a aplicação desse conhecimento, a astrologia prática teria como fim último curar a alma, não necessariamente através das operações mágicas que Zósimo condena, justamente por dizerem respeito não à alma mas ao corpo ou sínolo, e essa cura seria feita através da ascensão pelas esferas até essa região etérea, qualificada pela morte do corpo/recolhimento dos sentidos ("manto escuro que cobre a carne") e vitalidade da alma (Valens diz "Como diz o divino Orfeu: 'A alma do homem radica no éter.' e 'Quando absorvemos o ar, colhemos a alma divina.'" [Antologias. IX. 1]), em oposição à situação onde nos encontramos, onde os sentidos são vivos e a alma é morta.
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Especulação sobre o significado do Pentalfa (Pentagrama) no Testamento de Salomão.
Bem-aventurados os que estão embriagados com o teu amor e que reconhecem, em si, o brilho de Deus 1/3

Doravante, cessarei as palavras. Uma coisa transfigurou tudo: Aquele em cujo lugar nada pode satisfazer. Compreenda, meu irmão, este mistério que é a vida dos seres celestiais e a nossa como a deles na eternidade. Sejamos atormentados pelo amor ao Belo: este é o objetivo de todo o nosso trabalho. Bem-aventurados os que estão embriagados com o teu amor, ó meu Deus: por meio da sua embriaguez em Ti, são tomados pela loucura e ignoram as suas necessidades anteriores. Prove e veja, meu irmão, a doçura do nosso bom Pai, quão agradável Ele é! Mas para aqueles que não a experimentaram, as palavras jamais a revelarão. Aquele que é a própria doçura, adoça e sacia em Si mesmo aqueles que O amam. Ele se alegra em Si mesmo e os alegra nEle. Ele é a própria beleza do seu Ser e os transfigura à imagem da sua beleza pela sua revelação neles.


— Mar João Saba. Cartas. VII.
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Bem-aventurados os que estão embriagados com o teu amor e que reconhecem, em si, o brilho de Deus 2/3

Ele próprio é o banquete de casamento e a alegre câmara nupcial: vendo-O em si mesmos, regozijam-se grandemente. Ele aparece neles de dentro deles mesmos e os maravilha com a Sua beleza. Bem-aventurada a alma que se reconhece como um espelho, e, contemplando-se atentamente, vê o brilho Daquele que está oculto a todos. Aquele que disse na montanha: "Ninguém pode ver-Me e continuar vivo", é visto neste lugar. E aqueles que O veem vivem para sempre. Ó nosso Deus, que amor é o Teu, que aqueles que provaram a Sua grande doçura se tornam inimigos de todos os prazeres.


— Mar João Saba. Cartas. VII.
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Bem-aventurados os que estão embriagados com o teu amor e que reconhecem, em si, o brilho de Deus 3/3

Todos os que, por amor a Ele, se privaram de tudo, receberam estas coisas dEle para seu deleite. Todos os que beberam absinto e fel no conflito consigo mesmos, para moldar sua vontade à vontade do Criador, tornam-se, assim, hóspedes na casa do Pai. Como disse o vidente: “Cristo é a sua mesa, da qual são sustentados pelo Pai”.³ Visto que o alimento se apodreceu em suas bocas por causa das lágrimas e dos suspiros, agora eles consomem a Deus com grande e sincera alegria. E porque, na embriaguez do seu amor, desprezaram o desejo fétido, a beleza da sua visão, mais desejável do que tudo, verdadeiramente se manifesta neles, e o desejo perverso logo se dissipa.


— Mar João Saba. Cartas. XI
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Bem-aventurada a alma que se reconhece como um espelho, e, contemplando-se atentamente, vê o brilho Daquele que está oculto a todos.
O espelho é importante tanto para Mar João como para Mar Isaque de NIneveh. Parece um tropo recorrente nos padres siríacos. Mas de onde será que isso vem? Não sei a resposta, mas posso apontar um texto de Zósimo de Panópolis que explica o significado de espelho e que pode ter influenciado esse símbolo.
O Espelho no texto siríaco de Zósimo.

[Alexandre, o Grande] Ele tinha em sua casa uma espécie de espelho que, segundo ele, era uma proteção contra todos os males; e suas palavras são verdadeiras, pois ninguém jamais será exposto a males e batalhas como as que ele teve que suportar. Seus sucessores, os reis, inferiores a ele, o veneravam e adquiriram esse espelho, que colocaram em suas casas como um talismã. Esse espelho, quando um homem se olha nele, sugere a ele a ideia de examinar a si mesmo e se purificar da cabeça aos pés.”

“O espelho foi então levado aos sacerdotes, ao templo chamado As Sete Portas. Esses espelhos foram feitos em tamanho real para mostrar aos homens que eles precisavam se purificar. Tudo isso foi apresentado como um mistério, como expliquei a você (mulher!) no livro chamado O Círculo dos Sacerdotes. “O espelho não foi colocado ali para que um homem se contemplasse fisicamente nele; pois, assim que se afastava do espelho, perdia instantaneamente toda a memória de sua própria imagem. O que era então esse espelho? Escute. “O espelho representa o espírito divino; quando uma mulher olha para ele, vê as vergonhas dentro de si e as expulsa; faz com que suas manchas desapareçam e permanece irrepreensível. Quando purificada, ela imita e toma o Espírito Santo como seu modelo; ela mesma se torna espírito; possui calma e constantemente se refere àquele estado superior, onde se conhece (a Deus) e onde se é conhecido por Ele.” Tendo se tornado imaculada (sem sombra de dúvida), ela se livra de de seus próprios laços e daqueles que compartilha com seu corpo, e ela (ascende) em direção ao Onipotente. O que, de fato, diz a palavra filosófica? Conhece-te a ti mesmo. Ela aponta, portanto, para o espelho espiritual e intelectual. Onde, então, está esse espelho, senão no espírito divino e primordial (do Pai)? “A menos que se diga que é o princípio dos princípios, o filho de Deus, o Verbo, aquele cujos pensamentos e sentimentos também procedem do Espírito Santo. Tal, ó mulher!, é a explicação do espelho.”

Quando um homem olha para ele e se vê refletido, desvia o rosto de tudo o que se chama deuses e demônios e, unindo-se ao Espírito Santo, torna-se um homem perfeito; vê Deus que está nele, por meio da mediação deste Espírito Santo. Este espelho está colocado acima dos Sete Portões, no lado ocidental, de modo que quem nele olha vê o Oriente, onde brilha a luz intelectual, que está acima do véu. É por isso que também está colocado no lado sul, acima de todos os portões que correspondem aos Sete Céus, acima deste mundo visível, acima das Doze Casas e das Plêiades, que são o mundo dos treze. Acima deles existe este Olho dos sentidos invisíveis, este Olho do espírito, que está presente ali e em todos os lugares. Ali se vê este espírito perfeito, em cujo poder tudo se encontra, de agora até a morte.” Relatamos isso porque fomos levados a isso ao falar do espelho de electrum, isto é, o espelho da mente. “Essas moedas que Alexandre espalhou pela terra, aqueles que as encontram as usam para o mesmo propósito, gravando nelas a imagem de Alexandre a cavalo. Eles as penduram em si mesmos, como amuletos. Outros, quando as encontram, gravam (palavra apagada) e prata, e as penduram em si mesmos, etc.”

— Zósimo de Panópolis, Sobre o Electrum. In CMA II, livre XIII (De Zosime).
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Especulação sobre o significado do Pentalfa (Pentagrama) no Testamento de Salomão.
Electrum é uma liga de ouro (Sol) e prata (Lua), é um dos objetivos da Obra, o anel de Salomão é tido como feito de Electrum, o que combina muito com o símbolo do pentalfa.
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O Espelho no texto siríaco de Zósimo. [Alexandre, o Grande] Ele tinha em sua casa uma espécie de espelho que, segundo ele, era uma proteção contra todos os males; e suas palavras são verdadeiras, pois ninguém jamais será exposto a males e batalhas como as…
Sobre o último parágrafo.

Os sete portões são os sete planetas e suas regências a serem superadas pelo iniciado, cada um relacionado a um metal e a um vício, como veremos a seguir e no Primeiro Livro do Corpus Hermeticum de nome Poimandres.

O espelho posto ao ocidente que reflete o que está ao Oriente significa que ao irmos às mais escuras trevas da Agnose (pois Deus é incognoscível, não podemos ter gnosis dele, mas apenas agnosis, desconhecimento, isso pseudo-Dionísio chama de "Treva Santa", cf. Theol. Myst.) temos a visão de Deus, associada à Luz e ao Oriente, direção da qual o Sol nasce e para qual o cristão reza.

O véu é o Firmamento.

"Lado Sul" quer dizer lugar mais alto. No Egito, o Alto Egito está no Sul. Capricórnio, a constelação mais distante do zodíaco, rege o Sul.

Sete Céus quer dizer os Céus regidos pelos planetas em questão.

Doze Casas quer dizer os Doze Signos do Zodíaco.

Suspeito que o Olho possa ter alguma referência ao Wedjat egípcio. Hórus é o Deus de Dois Olhos, onde é dito que o direito representa o Sol e o esquerdo a Lua. Nesse sentido, o olho seria Sol e Lua, Ouro e Prata, Electrum.

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Sete Portões

É também o que revelam a doutrina dos persas e a iniciação mitríaca praticada entre eles. Uma figura representa as duas órbitas celestes, uma fixa, e a outra destinada aos planetas, e a passagem da alma através deles. Eis a figura: uma escada de sete portas, tendo no alto uma oitava [nosso "lado sul"?]. A primeira é de chumbo, a segunda de estanho, a terceira de bronze, a quarta de ferro, a quinta de uma liga, a sexta de prata, a sétima de ouro. A primeira é atribuída a Crono, simbolizando pelo chumbo a lentidão deste astro; a segunda a Afrodite, comparando com ela o brilho e a moleza do estanho; a terceira a Zeus, com base de bronze e sólida; a quarta a Hermes, porque o ferro como Hermes são considerados rígidos para todos os trabalhos, úteis ao comércio, de uma resistência a toda prova; a quinta, proveniente de uma liga, desigual e variada, a Ares; a sexta, de prata, à lua, e a sétima, de ouro, ao sol, cujas cores imita.


— Celso. In Orígenes, Contra Celso, VI, 2.
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Purificação pelo Fogo do Juízo

[Deus] queima mas não consome aqueles nos quais não há matéria que exija esta destruição, mas destrói e consome os que construíram, como se diz em sentido figurado, “com madeira, feno ou palha” (1Cor 3,12), o edifício de suas ações, palavras e pensamentos. As divinas escrituras dizem que o Senhor visitará “como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavadeiros” (Ml 3,2) cada um daqueles que precisam, por causa da mistura por assim dizer de uma malícia perversa decorrente do vício — precisam, digo, do fogo para purificar as almas misturadas com bronze, estanho, chumbo. Eis o que qualquer pessoa pode aprender do profeta Ezequiel (cf. Ez 22,18). [...] Deus age como benfeitor daqueles que precisam de provação e de fogo, e é o que o profeta Isaías atestará na sentença contra uma nação pecadora: “Como tens carvões de fogo, senta-te sobre eles, pois serão um socorro para ti” (Is 47,14-15).


— Orígenes. Contra Celso. V. 15.
Caminho a Deus através de Sua Glória

À medida que o homem se torna perfeito em seu relacionamento com Deus, mais próximo Ele O seguirá. No mundo da verdade, Ele lhe mostrará Sua face, não a face de Sua essência. Quanto mais os justos avançam em direção à visão dEle, mais enxergam uma imagem enigmática, como um reflexo em um espelho. Ali, porém, verão a revelação da verdade.


— Santo Isaque, o Sírio. In A. J. Wensinck. Mystical Treatises by Isaac of Nineveh, XLV.
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Tornar-se o Trono Sagrado do Rei

Quando todos os reis te reverenciarão e todas as línguas te louvarão porque te tornaste o trono sagrado do Rei, o Rei eterno? Quando verás em ti os novos céus proclamando em ti o “Santo” do Oculto, na ordem de suas fileiras? Quando verás dentro de ti o espelho da Luz Daquele que tudo vê, para que possas ver nele as coisas que são Dele e examinar nele tudo o que te pertence? Quando teu coração se tornará a arca do Senhor, o Rei de Israel, e dele serão ouvidas as palavras de Deus e a revelação de seus mistérios, para que todos os filhos da tua casa se tornem seus profetas proclamando seu louvor, e ao som de seu clamor, muros estrangeiros sejam derrubados e as fileiras dos inimigos pereçam?


— Mar João Saba, Carta XV
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Anotações minhas sobre os siríacos.
O Fim Espiritual da Alquimia...

Mas se fores impuro, não trabalharás bem, não compreenderás e não ouvirás os outros (filósofos)... Sabe que serás provado nas coisas espirituais e corporais, até que alcances a perfeição, adquirindo a paciência com a pureza e o amor (da Arte); então encontrarás (o objeto de teu desejo), abandonando as artes corporais. Portanto, não deixes de meditar e de trabalhar, e compreenderás.


— Zósimo. Sobre o Ferro (Letra Kappa)
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O Fim Espiritual da Alquimia... Mas se fores impuro, não trabalharás bem, não compreenderás e não ouvirás os outros (filósofos)... Sabe que serás provado nas coisas espirituais e corporais, até que alcances a perfeição, adquirindo a paciência com a pureza…
... é devido à Unidade das coisas de cima e das coisas de baixo em uma Única Essência.

Este é o divino e grande mistério, o objeto da busca; pois isto é o Todo [to pan]. Duas naturezas, (mas) uma única essência; pois uma atrai a outra e uma domina a outra. Esta é a água argêntea, o hermafrodita, aquilo que foge sem cessar, aquilo que se apressa em direção às realidades que lhe são próprias, a água divina, que todos ignoraram e cuja natureza é difícil de conceber. Com efeito, ela não é nem um metal, nem uma água sempre em movimento, nem um corpo (sólido), pois não se pode apreendê-la. Isto é o Todo em todas as coisas; pois ela possui ao mesmo tempo vida e espírito, e tem um poder destruidor. Aquele que a compreende possui tanto o ouro quanto a prata. Sua virtude permanece oculta, mas ela é dedicada a Erótilo.


— Sobre a Lima

Pois este elemento capital eles chamaram, em seus escritos obscuros, de ‘a pedra que não é uma pedra’, aquela que é incognoscível e conhecida por todos, aquela que é indigna de honra e muitíssimo honrada, aquela que não é um presente e ao mesmo tempo é um dom divino.


— Sobre a Lima

A composição das águas, o movimento, o aumento, a remoção e a restituição da natureza corporal, a separação do espírito do corpo e a fixação do espírito no corpo; operações que não resultam da adição de naturezas estranhas extraídas de fora, mas que são devidas à natureza própria e única, agindo sobre si mesma, derivada de uma única espécie.


— Visões
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