Upei 2 calls sobre hermetismo. Leitura e exposição do Corpus Hermeticum I: Poimandres.
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Lembrança de Deus através das Coisas 1/3
- Tuhaf al-Uqul. II.
"E de toda coisa criamos dois pares, para que talvez vos lembreis (ou reflitais)." (51:49). [...]
[O Criador] criou véus entre as criaturas para que elas percebessem que não há véus entre elas e Ele...
Os pensamentos não alcançam Sua essência (ذات; dhat) e os entendimentos não compreendem Sua quintessência (كُنْهُهُ; kunhuhu)...
As ferramentas limitam-se apenas a si mesmas. A instrumentalidade refere-se aos seus semelhantes. As ações são encontradas nas próprias coisas. Os aparelhos revelam sua necessidade. A oposição revela o oposto. Os pares referem-se aos seus semelhantes...
Como eram coisas separadas, referiam-se ao seu separador. Como variavam, referiam-se ao originador da sua variação. O Criador é óbvio para as mentes através das coisas. Ele escondeu-se da vista através delas. As coisas provaram que o Criador é mais exaltado do que se pode perceber através dos pensamentos. Elas provaram as lições. As evidências foram extraídas delas.
- Tuhaf al-Uqul. II.
Lembrança de Deus através das Coisas 2/3
Anteriormente é dito que:
- ibid.
Não há negação na crença nas descrições do Senhor. Não há crença pura sem descartar totalmente a negação. Provar uma parte do antropomorfismo prova o todo. A crença total na unicidade de Allah não materializa parte da negação. A declaração é a negação da rejeição. A sinceridade não pode ser alcançada se houver qualquer quantidade de negação. Tudo o que é encontrado em uma matéria criada é inexistente para o criador dessa matéria.
Anteriormente é dito que:
Os intelectos reconhecem a existência Dele. A concepção prova Sua afirmação. Seus presságios são Suas evidências contra Seus servos. Quando Allah criou as criaturas, Ele colocou um véu entre elas e Ele. Sua distinção prova que Ele é diferente delas. A prova de que Ele é livre da materialidade é o fato de Ele ter criado as criaturas a partir de materiais. Os materiais são evidências da necessidade das criaturas. A prova de que Ele é o primeiro é o fato de Ele ter originado as criaturas. Toda substância originada é incapaz de originar outras.
- ibid.
Lembrança de Deus através das Coisas 3/3
Parece ser estabelecido dois tipos de relação nesse texto, uma é a relação que há entre as criaturas, outra é a que há entre a criatura e o Criador. É dito que o véu que existe entre entre as criaturas não existe entre Deus e elas. O texto diz que há um véu entre elas e Ele. Esses véus não são o mesmo tipo de véu, o primeiro se refere aos entes que admitem semelhança e diferença, ora, Deus não as admite, logo, inexiste esse véu. Por outro lado, o véu é entre elas e Ele, nessa ordem. As criaturas velam Deus, a "diferença" que existe entre as criaturas e Deus não se dá porque são comparáveis, já que quando dois são comparáveis, dois são limitados... pois é dito que não é outro senão Deus, nenhum ao seu lado. Deus é incomparável, não comporta diferença... mas a criatura sim. A diferença está nela, a semelhança está nela, são categoriais de seres limitados, mas Deus, Deus inadmite negação. Se negamos a finitude sob o nome "Infinito", o corpo sob o nome "Incorpóreo", na Realidade, não negamos nada, apenas afirmamos que Deus não pode ser comportado. Em termos plotinianos, estaríamos negando o nao-Ser (me on).
O texto procede em dizer sobre o conhecimento de Deus pelas criaturas. Esse conhecimento é uma lembrança (dhikr), uma lembrança oriunda do que no esoterismo xiita é contemplado do Pacto de al-Ast (7:172), o testemunho de Deus pelos filhos de Adão. Essa relação de lembrança não compete ao intelecto, mas ao coração (al-qalb; cf. 22:46), porém o intelecto o auxilia ao conceber imagens de Deus, que o lembram não por semelhança, mas pela intuição deixada no coração.
Parece ser estabelecido dois tipos de relação nesse texto, uma é a relação que há entre as criaturas, outra é a que há entre a criatura e o Criador. É dito que o véu que existe entre entre as criaturas não existe entre Deus e elas. O texto diz que há um véu entre elas e Ele. Esses véus não são o mesmo tipo de véu, o primeiro se refere aos entes que admitem semelhança e diferença, ora, Deus não as admite, logo, inexiste esse véu. Por outro lado, o véu é entre elas e Ele, nessa ordem. As criaturas velam Deus, a "diferença" que existe entre as criaturas e Deus não se dá porque são comparáveis, já que quando dois são comparáveis, dois são limitados... pois é dito que não é outro senão Deus, nenhum ao seu lado. Deus é incomparável, não comporta diferença... mas a criatura sim. A diferença está nela, a semelhança está nela, são categoriais de seres limitados, mas Deus, Deus inadmite negação. Se negamos a finitude sob o nome "Infinito", o corpo sob o nome "Incorpóreo", na Realidade, não negamos nada, apenas afirmamos que Deus não pode ser comportado. Em termos plotinianos, estaríamos negando o nao-Ser (me on).
O texto procede em dizer sobre o conhecimento de Deus pelas criaturas. Esse conhecimento é uma lembrança (dhikr), uma lembrança oriunda do que no esoterismo xiita é contemplado do Pacto de al-Ast (7:172), o testemunho de Deus pelos filhos de Adão. Essa relação de lembrança não compete ao intelecto, mas ao coração (al-qalb; cf. 22:46), porém o intelecto o auxilia ao conceber imagens de Deus, que o lembram não por semelhança, mas pela intuição deixada no coração.
Jesus é como o Sol, a Igreja como a Lua, esta ilumina o mundo sombrio, mas o Santo é iluminado diretamente pelo Sol.
- São Beda. h. In Gen. I.
Assim como naquele firmamento que já fora chamado céu, Deus ordena que luzes surjam para que “elas façam separação entre o dia e a noite”, assim também isso pode acontecer em nós, se tão somente formos zelosos em sermos chamados e feitos céu. Teremos em nós luzes que nos iluminarão, a saber, Cristo e sua Igreja. Pois ele mesmo é “a luz do mundo” que também ilumina a Igreja com sua luz. Pois assim como se diz que a lua recebe a luz do sol para que a noite também possa ser iluminada por ela, assim também a Igreja, quando a luz de Cristo é recebida, ilumina todos aqueles que vivem na noite da ignorância. Mas se alguém progride nisso a ponto de já se tornar “filho do dia”, de modo que “ande honestamente no dia”, como “filho do dia e filho da luz”, essa pessoa é iluminada pelo próprio Cristo, assim como o dia é iluminado pelo sol.
- São Beda. h. In Gen. I.
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Os Dois Reinos 1/2
— João 18:36ss.
Jesus respondeu:
Meu reino não é deste mundo
Se meu reino fosse deste mundo,
meus súditos teriam combatido
para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas meu reino não é daqui.
[...]
Respondeu Jesus [a Pilatos]:
Tu o dizes, eu sou rei
e para isto vim ao mundo:
para dar testemunho (martyreso) da Verdade
Quem é da Verdade escuta minha vós
[...]
Os judeus responderam- lhe: "Nós temos uma lei e, conforme essa Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus".
[...]
Disso Pilatos aos judeus: "eis o vosso rei". Eles gritavam: "À morte! À morte! Crucifica-o"". Disse-lhes Pilatos: "Crucificarei o vosso rei?!" Os chefes dos sacerdotes responderam: "Não temos outro rei a não ser César!" ["O seu sangue caia sobre nós e nossos filhos. Mt. 27:25]. Então Pilatos o entregou para ser crucificado.
[...]
[Os judeus a Pilatos] "Não escrevas 'rei dos judeus', mas 'este homem disse: Eu sou o rei dos judeus'". Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi".
— João 18:36ss.
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Os Dois Reinos 2/2
A questão do reino na paixão é clara: há dois reinos, um deste mundo e um de outro mundo. O reino de César e o reino dos Céus. "Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus" (Mt 22:21) tem um significado dúplice:
1. Este mundo é o mundo das trevas, o diabo é seu príncipe, tudo o que é adquirido daqui deve ser abandonado para que alguém entre no reino dos Céus. Por isso o rico não pode herdá-lo, pois teria de dar aos pobres todas as suas posses, despir-se delas.
2. Por outro lado, toda foi constituída por Deus (Rm. 13:1), também, Pilatos reconheceu a monarquia de Cristo, o centurião reconheceu que o Cristo era um justo, o Filho de Deus. A autoridade secular, que preside a Terra, quando é orientada pelo a autoridade espiritual, se torna parte da economia da salvação e providencial. Por conta disso, ao justo governante é devida obediência, assim como ao Cristo.
Os romanos, enquanto gentios, reconheceram o Filho de Deus, os judeus, enquanto povos da Lei, não o reconheceram, e deram sua lealdade a César, ao César que persegue o justo, ao diabo. Por essa razão, o sangue recaiu apenas sob os judeus, que foram isentos da efetivação dessa maldição por nascimento, pois o Cristo falou "Senhor, perdoa-os, pois não sabem o que fazem" (Lc 23:34). Porém, essa pena recai a todos aqueles que se dão ao mundo e perseguem os justos, pois se tornam servos do diabo e membros da sinagoga de Satanás.
A questão do reino na paixão é clara: há dois reinos, um deste mundo e um de outro mundo. O reino de César e o reino dos Céus. "Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus" (Mt 22:21) tem um significado dúplice:
1. Este mundo é o mundo das trevas, o diabo é seu príncipe, tudo o que é adquirido daqui deve ser abandonado para que alguém entre no reino dos Céus. Por isso o rico não pode herdá-lo, pois teria de dar aos pobres todas as suas posses, despir-se delas.
2. Por outro lado, toda foi constituída por Deus (Rm. 13:1), também, Pilatos reconheceu a monarquia de Cristo, o centurião reconheceu que o Cristo era um justo, o Filho de Deus. A autoridade secular, que preside a Terra, quando é orientada pelo a autoridade espiritual, se torna parte da economia da salvação e providencial. Por conta disso, ao justo governante é devida obediência, assim como ao Cristo.
Os romanos, enquanto gentios, reconheceram o Filho de Deus, os judeus, enquanto povos da Lei, não o reconheceram, e deram sua lealdade a César, ao César que persegue o justo, ao diabo. Por essa razão, o sangue recaiu apenas sob os judeus, que foram isentos da efetivação dessa maldição por nascimento, pois o Cristo falou "Senhor, perdoa-os, pois não sabem o que fazem" (Lc 23:34). Porém, essa pena recai a todos aqueles que se dão ao mundo e perseguem os justos, pois se tornam servos do diabo e membros da sinagoga de Satanás.
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Dia e Noite — Fyodor Tyutchev
Sobre o arcano mundo dos espíritos,
E sobre o abismo inominado,
Um áureo manto foi lançado
Pela alta vontade dos deuses.
O dia — este fulgente véu dourado —,
Que anima os filhos desta terra,
E à alma enferma alívio encerra,
Amigo é dos homens e dos deuses.
Mas o dia esmorece — chega a noite;
E ela, do mundo fatal e escuro,
Arranca o véu sagrado e puro,
E o lança ao longe, em brusco açoite.
E o abismo então nos é revelado,
Com seus terrores e neblinas,
Sem mais fronteiras que nos definam —
Eis por que a noite infunde espanto.
Sobre o arcano mundo dos espíritos,
E sobre o abismo inominado,
Um áureo manto foi lançado
Pela alta vontade dos deuses.
O dia — este fulgente véu dourado —,
Que anima os filhos desta terra,
E à alma enferma alívio encerra,
Amigo é dos homens e dos deuses.
Mas o dia esmorece — chega a noite;
E ela, do mundo fatal e escuro,
Arranca o véu sagrado e puro,
E o lança ao longe, em brusco açoite.
E o abismo então nos é revelado,
Com seus terrores e neblinas,
Sem mais fronteiras que nos definam —
Eis por que a noite infunde espanto.
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Simulacro e Simulação
— Baudrillard. Simulacros e Simulação. I.
A representação deriva do princípio da equivalência entre o signo e o real (mesmo que essa equivalência seja utópica, é um axioma fundamental). A simulação, ao contrário, deriva da utopia do princípio da equivalência, da negação radical do signo como valor, do signo como reversão e sentença de morte de toda referência. Enquanto a representação tenta absorver a simulação interpretando-a como uma falsa representação, a simulação envolve toda a estrutura da própria representação como um simulacro.
Tais seriam as fases sucessivas da imagem:
- é o reflexo de uma realidade profunda;
- mascara e desnatura uma realidade profunda;
- mascara a ausência de uma realidade profunda;
- não tem relação alguma com qualquer realidade: é seu próprio simulacro puro.
— Baudrillard. Simulacros e Simulação. I.
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Assim como foi percebido pelos pós-estruturalistas que a linguagem constitui nossa percepção da realidade, a narrativa também a constitui. O elo entre o real e sua representação que caracteriza um bom discurso é constantemente rompido. O discurso se torna alienado da realidade, ele só informa sobre si mesmo, ele constitui uma nova "realidade" enquanto o gesto de apontar ao real a contradizer esse discurso-simulacro — este por vezes é hipersticioso — tem um efeito retórico cada vez menor.
A razão escapa por nossos dedos em uma frequência cada vez maior.
A razão escapa por nossos dedos em uma frequência cada vez maior.
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A primavera da velhice
Imam Khomeini.
Ordibehesht 1366 AHS.
Abril/Maio, 1987.
Chegou a primavera — inicio a juventude após a velhice
Sento-me ao lado da amada e desfruto do fruto da minha vida
Retorno ao jardim de flores, misturo-me com flores e botões
À margem do jardim, acaricio o rosto da amada de face lunar
Um dia deixo para trás o outono e sua palidez/amarelecimento
Pois no jardim chega notícia da amada de face rosada
Minhas penas e asas caíram em Dey (inverno) por causa da separação da amada
Em Farvardin (primavera), lembrando a união com ela, recupero asas e penas
No outono, havia descido sobre esta ruína
Quando veio a primavera, estou pronto para voar rumo à união com ela
Se o copeiro derramar uma gota do cálice sobre os amantes
Se derramar por embriaguez, arrancarei o véu de seu rosto
Imam Khomeini.
Ordibehesht 1366 AHS.
Abril/Maio, 1987.
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Assim, cooperando a filosofia [Wissenschaft] e o senso comum para provocar a queda da metafísica, presenciou-se o estranho espetáculo de uma nação culta sem metafísica – como um templo ricamente ornamentado em outros aspectos, mas sem um santo dos santos. A teologia, que em tempos passados fora a guardiã dos mistérios especulativos e da metafísica (embora esta lhe fosse subordinada), havia abandonado essa ciência em troca de sentimentos, do que era popularmente considerado factual e da erudição histórica.
— G. Hegel. Primeiro Prefácio à Ciência da Lógica.
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Forwarded from Hexis Aristokratika
"O poeta... é o homem da metáfora: enquanto o filósofo se interessa apenas pela verdade do significado, para além dos signos e dos nomes, e o sofista manipula signos vazios... o poeta brinca com a multiplicidade dos significados."
~ Jacques Derrida
~ Jacques Derrida
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Forwarded from Hexis Aristokratika
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, pra sempre, à margem de nós mesmos."
~ Fernando Pessoa
~ Fernando Pessoa
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A Devoção e Ascensão de Nekhepso
— Vettius Valens. Antologias, VI, 1.
Imagem: Faraó da 26ª Dinastia do período Saíta, a qual Nekhepso pertenceu.
O Último Arconte
[A devoção dos antigos reis à astrologia] era tão entusiástica e inabalável que eles deixaram a esfera terrena e caminharam pelos céus, associando-se às almas celestiais e às mentes divinas e santas. Nekhepso é testemunha disso quando diz:
Parecia que eu caminhava pelo éter da meia-noite,
e uma voz do céu ecoava ao meu redor,
e então o manto escuro cobriu minha carne,
trazendo a escuridão da noite…
e assim em diante.
— Vettius Valens. Antologias, VI, 1.
Imagem: Faraó da 26ª Dinastia do período Saíta, a qual Nekhepso pertenceu.
O Último Arconte
O Último Arconte ♄
A Devoção e Ascensão de Nekhepso [A devoção dos antigos reis à astrologia] era tão entusiástica e inabalável que eles deixaram a esfera terrena e caminharam pelos céus, associando-se às almas celestiais e às mentes divinas e santas. Nekhepso é testemunha…
Não é tão importante o elogio de Valens à astrologia quanto o conteúdo do texto citado. Provavelmente, esse texto é oriundo de um obra ou inscrição do primeiro século ou anterior — Valens é do século II — e possui paralelos interessantes com textos herméticos, como a noção de "voz", transcendência aos astros e sentidos sendo relacionáveis com o C.H. I e o manto escuro ser relacionável ao "Negro Perfeito" (to teleian melan), dentre outras semelhanças menores.
Não sabemos de onde são esses versos, mas certamente são importantes, confirmado pelo que Valens diz depois, que a astrologia seria uma arte abençoada e superior às outras, pois ele usa essa instância para validar a própria arte, como se ela fosse caminho para essa transcendência. A astrologia diz respeito aos movimentos dos astros e sua influência nos homens, o que inclui os vícios relacionados aos mesmos, ela seria, aqui, medicina para a alma, junto à filosofia, como diz o texto "afim de que a filosofia e a magia sejam nutrissem a alma, e que a medicina curasse o corpo quando ele é afligido por algum mal" (Kore Kosmou, 68); assim como a fisiologia é o conhecimento do corpo e a medicina (também chamada de fisiologia) é a aplicação desse conhecimento, a astrologia prática teria como fim último curar a alma, não necessariamente através das operações mágicas que Zósimo condena, justamente por dizerem respeito não à alma mas ao corpo ou sínolo, e essa cura seria feita através da ascensão pelas esferas até essa região etérea, qualificada pela morte do corpo/recolhimento dos sentidos ("manto escuro que cobre a carne") e vitalidade da alma (Valens diz "Como diz o divino Orfeu: 'A alma do homem radica no éter.' e 'Quando absorvemos o ar, colhemos a alma divina.'" [Antologias. IX. 1]), em oposição à situação onde nos encontramos, onde os sentidos são vivos e a alma é morta.
O Último Arconte
Não sabemos de onde são esses versos, mas certamente são importantes, confirmado pelo que Valens diz depois, que a astrologia seria uma arte abençoada e superior às outras, pois ele usa essa instância para validar a própria arte, como se ela fosse caminho para essa transcendência. A astrologia diz respeito aos movimentos dos astros e sua influência nos homens, o que inclui os vícios relacionados aos mesmos, ela seria, aqui, medicina para a alma, junto à filosofia, como diz o texto "afim de que a filosofia e a magia sejam nutrissem a alma, e que a medicina curasse o corpo quando ele é afligido por algum mal" (Kore Kosmou, 68); assim como a fisiologia é o conhecimento do corpo e a medicina (também chamada de fisiologia) é a aplicação desse conhecimento, a astrologia prática teria como fim último curar a alma, não necessariamente através das operações mágicas que Zósimo condena, justamente por dizerem respeito não à alma mas ao corpo ou sínolo, e essa cura seria feita através da ascensão pelas esferas até essa região etérea, qualificada pela morte do corpo/recolhimento dos sentidos ("manto escuro que cobre a carne") e vitalidade da alma (Valens diz "Como diz o divino Orfeu: 'A alma do homem radica no éter.' e 'Quando absorvemos o ar, colhemos a alma divina.'" [Antologias. IX. 1]), em oposição à situação onde nos encontramos, onde os sentidos são vivos e a alma é morta.
O Último Arconte
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