É simplesmente isso. Ou talvez nós sejamos o maestro, e nosso espírito esteja tão ralo quanto o sangue de uma geração onde os descendentes não mais se parecem em nada com os ascendentes. O futuro foi cancelado e a grandeza banida ao passado. As manifestações disso no presente se dão em forma de doença e loucura, mas mesmo elas nunca levam a nada.
Talvez alguém com espírito forte, que não se deixe determinar pelas amarras do fado moderno, possa fazer esse futuro banido do horizonte acontecer... E se o fizer, o fará em seus próprios termos.
Talvez alguém com espírito forte, que não se deixe determinar pelas amarras do fado moderno, possa fazer esse futuro banido do horizonte acontecer... E se o fizer, o fará em seus próprios termos.
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Estagnação
– Solaire.
Este é um lugar verdadeiramente estranho, o fluxo do tempo está estagnado (convoluto, congestionado), se considerarmos que existem lendas (heróis) de mais de 100 anos atrás. Como é terrivelmente instável, várias coisas em breve sairão do alinhamento. Não sei por quanto tempo os mundos de você e eu permanecerão sobrepostos”
– Solaire.
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É muito curioso como isso também se aplica ao mundo real. Nos livramos de nossa ideologia do progresso.
O futuro nos é sombrio, o "mundo livre" não cumpriu com suas promessas e a vida está cada dia mais insuportável. As utopias, tanto a socialista quanto a liberal, estão desacreditadas. Não temos mais futuro, temos apenas uma sensação de que algo está errado com o presente, mas que não é possível fazer nada para mudar isso.
O passado não está mais desacreditado, posto como superado. Nós retornamos a ele e buscamos nossa verdade lá, seja no passado liberal do sec XIX, seja no passado medieval, seja na antiguidade. Tudo se faz presente. Os mundos se empilham um encima do outro, não na materialidade, pois toda criatividade foi banida de lá pelo realismo capitalista (a ideologia de que alternativas ao modelo atual não funcionam), mas em nossas mentes. O homem de hoje não vive apenas em seu mundo, mas em diversos mundos ao mesmo tempo, as coisas estão empilhadas como objetos no fim de um rio interrompido.
Talvez o desabamento desse dique seja mais uma esperança que algo que devemos temer... mas isso depende de pautarmos sua demolição.
O futuro nos é sombrio, o "mundo livre" não cumpriu com suas promessas e a vida está cada dia mais insuportável. As utopias, tanto a socialista quanto a liberal, estão desacreditadas. Não temos mais futuro, temos apenas uma sensação de que algo está errado com o presente, mas que não é possível fazer nada para mudar isso.
O passado não está mais desacreditado, posto como superado. Nós retornamos a ele e buscamos nossa verdade lá, seja no passado liberal do sec XIX, seja no passado medieval, seja na antiguidade. Tudo se faz presente. Os mundos se empilham um encima do outro, não na materialidade, pois toda criatividade foi banida de lá pelo realismo capitalista (a ideologia de que alternativas ao modelo atual não funcionam), mas em nossas mentes. O homem de hoje não vive apenas em seu mundo, mas em diversos mundos ao mesmo tempo, as coisas estão empilhadas como objetos no fim de um rio interrompido.
Talvez o desabamento desse dique seja mais uma esperança que algo que devemos temer... mas isso depende de pautarmos sua demolição.
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A Compaixão é natural ao coração do santo. Não há santidade sem compaixão.
— Santo Isaque, o Sírio
É um coração que arde de caridade por toda a criação — pelos homens, pelas aves, pelos animais, pelos demônios — por todas as criaturas. Aquele que possui tal coração não consegue ver ou sequer lembrar-se de uma criatura sem que seus olhos se encham de lágrimas, por causa da imensa compaixão que toma seu coração: um coração amolecido, que já não suporta ver ou saber, mesmo por outros, que qualquer sofrimento, até a menor dor, seja infligido a uma criatura. É por isso que tal homem jamais deixa de rezar também pelos animais, pelos inimigos da Verdade e por aqueles que lhe fazem o mal, para que sejam guardados e purificados. Ele rezará até mesmo pelos répteis, movido pela infinita piedade que reina nos corações daqueles que estão se unindo a Deus.
— Santo Isaque, o Sírio
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A compaixão para com as criaturas também faz parte do maior mandamento, o mandamento que contém em si todos os outros: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento" (Mt. 22:37), pois Deus se encontra presente em todas as criaturas, e as essências, as razões (os logoi) das criaturas estão todos na Sabedoria Divina, e lá são um. Deus amou essa imagem de Si desde o Princípio.
O mandamento diz "acima de todas as criaturas". O Mestre Eckhart diz que devemos nos esvaziar das criaturas. Porém, amar as criaturas para além de suas qualidades, para além dos pecados, para além das debilidades, lembrar-se dessa bondade inerente às essência é lembrar-se de Deus. Assim, o perdão faz parte do amor a Deus acima das criaturas, pois para além do mal que elas vos fazem, ou a outros, está o amor divino no princípio, que ab-roga toda a corrupção e todo o mal.
O mandamento diz "acima de todas as criaturas". O Mestre Eckhart diz que devemos nos esvaziar das criaturas. Porém, amar as criaturas para além de suas qualidades, para além dos pecados, para além das debilidades, lembrar-se dessa bondade inerente às essência é lembrar-se de Deus. Assim, o perdão faz parte do amor a Deus acima das criaturas, pois para além do mal que elas vos fazem, ou a outros, está o amor divino no princípio, que ab-roga toda a corrupção e todo o mal.
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A máquina [a modernidade e sua técnica] não deve ser destruída, mas deve ser colocada a serviço do homem tradicional.
- Jalal al-e Ahmad. Gharbzadegi. VI.
O terceiro caminho – do qual não há como escapar – é colocar esse gênio de volta na garrafa. É controlá-lo, domá-lo como um animal de tração.
A máquina deve naturalmente nos servir como um trampolim, para que possamos ficar em pé sobre ela e saltar ainda mais longe com o seu impulso. É preciso ter a máquina; é preciso construí-la. Mas não se deve permanecer escravizado a ela; não se deve cair em sua armadilha.
A máquina é um meio, não um fim. O fim é abolir a pobreza e colocar o bem-estar material e espiritual ao alcance de todos.
- Jalal al-e Ahmad. Gharbzadegi. VI.
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As Melancolias da Modernidade 1/2
Jalal al-e Ahmad, em seu Gharbzadegi, cap. X, aponta a três tipos de melancolia que sofre o homem ocidentalizado. Apesar de falar no contexto iraniano, isso bem se aplica a toda sociedade moderna. Trata-se de uma etapa regressiva das mesmas, onde nos exaltamos para preencher nosso vazio.
Jalal al-e Ahmad, em seu Gharbzadegi, cap. X, aponta a três tipos de melancolia que sofre o homem ocidentalizado. Apesar de falar no contexto iraniano, isso bem se aplica a toda sociedade moderna. Trata-se de uma etapa regressiva das mesmas, onde nos exaltamos para preencher nosso vazio.
A melancolia da grandiosidade. Todo homem comum é levado a enxergar sua própria grandeza naquelas grandezas que lhe são (falsamente) associadas: na grandeza das manifestações nacionalistas, nas celebrações extravagantes, nos arcos do triunfo adornados com tapetes, nas joias do Banco Nacional, nos arreios dos cavalos, nos uniformes finos de seus cavaleiros, nas borlas dos comandantes do exército, nos enormes edifícios, nas barragens ainda maiores (muito já se falou sobre as imensas quantias do capital nacional desperdiçadas em sua construção) e, em suma, tudo o que é um deleite para os olhos, é um deleite para o homem comum, e assim ele se considera grande.
As Melancolias da Modernidade 2/2
A melancolia de glorificar o passado remoto da nação. Embora decorra da melancolia da grandiosidade, tem mais a ver com o ouvido. É o tipo de melancolia que mais se ouve manifestar: uma autoglorificação tola, com inúmeras referências a Dario, Ciro e Rustam, o tipo de coisa que jorra de todos os rádios do país e, de lá, preenche nossas publicações. Essa melancolia serve para preencher o ouvido. Já viu um jovem trabalhador cansado caminhando por uma viela deserta numa noite escura? Geralmente, ele canta para si mesmo porque tem medo de ficar sozinho. Ele preenche os próprios ouvidos com a própria voz e, assim, dissipa o medo. O rádio cumpre exatamente a mesma função. Você o ouve ligado em todo lugar, só para fazer barulho, para preencher o ouvido.
A melancolia da perseguição constante. Você cria um novo inimigo imaginário para o povo indefeso todos os dias; você enche o rádio e as publicações com notícias sobre ele para assustar as pessoas e reduzi-las cada vez mais a um estado de ansiedade e preocupação. Você as faz sentir gratas pelo que têm. Essa perseguição constante assume inúmeras formas. Um dia, uma rede do partido Tudeh é exposta; no dia seguinte, uma guerra contra o ópio é lançada, depois uma guerra contra a heroína; então a situação no Bahrein se agrava, ou a disputa com o Iraque sobre o Shatt al-'Arab, depois um sequestro, depois o medo da SAVAK que eles semeiam nos corações das pessoas.
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O Filósofo e o Fado
— Zósimo de Panópolis. Sobre a Letra Ômega. 6.
Hesíodo conta sobre Prometeu aconselhando Epimeteu: "Oq ue os homens consideram uma felicidade [eudaemonia] maior que todas as outras?" "uma formosa mulher", ele responde, "junto com muita riqueza". E ele [Prometeu] diz: "não aceitar um presente de Zeus Olimpiano, mais mandá-lo de volta", ensinando ao seu irmão através da filosofia a rejeitar os presentes de Zeus, isto é, do Fado [Heimarmene].
— Zósimo de Panópolis. Sobre a Letra Ômega. 6.
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
Nossa inteligência diz: o Filho de Deus, que pode tudo e que se torna tudo assim que desejar, se manifesta como quer a cada um. Jesus Cristo se uniu a Adão e o retornou ao Paraíso, onde os mortos viviam anteriormente. Ele apareceu aos homens privados de toda força, tendo se tornado um homem (ele mesmo), sujeito a sofrimentos e espancamentos. (No entanto) tendo secretamente despojado seu próprio caráter mortal, ele não sentia (em verdade) qualquer sofrimento; e ele pareceu pisotear a morte e a expulsou do presente e até o fim do mundo, tudo isso em segredo. Assim, despojado das aparências, ele aconselhou os seus a trocar, secretamente, seu espírito com aquele de Adão dentro deles, a espancá-lo e a matá-lo; este homem cego foi levado à rivalizar com o homem espiritual e luminoso: é assim que eles matam seu próprio Adão.
_ Zósimos de Panópolis
O Mandamento da Paternidade no Hermetismo
— Corpus Hermeticum. II:17.
Porém o outro título [de Deus] é o de Pai, também por causa da feitoria de todas as coisas; pois o fazer é do Pai. Por isso, a procriação é a maior e a mais piedosa solicitude na vida para os sábios, e o maior infortúnio e impiedade é que alguém sem filho dentre os seres humanos deixe a vida, e esse seja condenado pelos daimones depois da morte. Porém sua punição é esta: que a alma do sem filho seja condenada, não tendo nem a característica sexual de homem nem de mulher, como o que é execrado abaixo do Sol. Portanto, ó Asclépio, não regozijes com nenhum ser sem filho; pelo contrário, porém, apieda-te da infelicidade, sabendo como a condenação permanece lá. Quantas e tantas coisas sejam ditas, ó Asclépio, é apenas um prognóstico da natureza de todas as coisas.
— Corpus Hermeticum. II:17.
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Eu disse: “Recebi uma incumbência, e você recebeu uma incumbência. Eu tenho uma missão religiosa a cumprir, enquanto você pode realizar qualquer que seja a sua obrigação oficial. O máximo que você pode fazer é me condenar à morte, e eu me preparei para isso. Então, com o que você está me assustando?”
-Ayatollah Ali Khamenei, Cela n. 14.
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Upei 2 calls sobre hermetismo. Leitura e exposição do Corpus Hermeticum I: Poimandres.
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Lembrança de Deus através das Coisas 1/3
- Tuhaf al-Uqul. II.
"E de toda coisa criamos dois pares, para que talvez vos lembreis (ou reflitais)." (51:49). [...]
[O Criador] criou véus entre as criaturas para que elas percebessem que não há véus entre elas e Ele...
Os pensamentos não alcançam Sua essência (ذات; dhat) e os entendimentos não compreendem Sua quintessência (كُنْهُهُ; kunhuhu)...
As ferramentas limitam-se apenas a si mesmas. A instrumentalidade refere-se aos seus semelhantes. As ações são encontradas nas próprias coisas. Os aparelhos revelam sua necessidade. A oposição revela o oposto. Os pares referem-se aos seus semelhantes...
Como eram coisas separadas, referiam-se ao seu separador. Como variavam, referiam-se ao originador da sua variação. O Criador é óbvio para as mentes através das coisas. Ele escondeu-se da vista através delas. As coisas provaram que o Criador é mais exaltado do que se pode perceber através dos pensamentos. Elas provaram as lições. As evidências foram extraídas delas.
- Tuhaf al-Uqul. II.