Estive pensando esses dias sobre o significado de nobreza. Ao contrário do que muitos pintam, não é glória, grandeza, poder, pois tudo isso pode ser tirado; a nobreza parece ser uma estirpe, algo que é genético à alma. Se o nobre age de outra forma, age contra si mesmo, se entristece, não deseja mais viver.
Aquele que tem essa nobreza é humilde, magnânimo e senhor de si e, conforme sua sabedoria, dos justos.
Nada no mundo o interessa, mas ainda age nele, se alegra lá, pois encontra nele a beleza. Sua alma é a de uma criança, pura e sem maldades. Saudável, sem perversões.
Se fosse requerido do nobre a vida, ele a daria, pois ele vai para além de si, não para se engrandecer em uma inesperada reviravolta, mas abraçando o esquecimento, não de modo a escapar de algo, mas em amor ao sublime. Como uma mariposa que se queima por amor ao fogo, ele se extingue no empíreo.
Aquele que tem essa nobreza é humilde, magnânimo e senhor de si e, conforme sua sabedoria, dos justos.
Nada no mundo o interessa, mas ainda age nele, se alegra lá, pois encontra nele a beleza. Sua alma é a de uma criança, pura e sem maldades. Saudável, sem perversões.
Se fosse requerido do nobre a vida, ele a daria, pois ele vai para além de si, não para se engrandecer em uma inesperada reviravolta, mas abraçando o esquecimento, não de modo a escapar de algo, mas em amor ao sublime. Como uma mariposa que se queima por amor ao fogo, ele se extingue no empíreo.
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A Nobre Semente Divina
A respeito da nobreza do homem interior, do espírito, e da inutilidade do homem exterior, a carne, os mestres pagãos Cícero e Sêneca também dizem que nenhuma alma racional está sem Deus: a semente de Deus está dentro de nós. Se tivesse um jardineiro bom, habilidoso e diligente para cuidar dela, prosperaria ainda melhor e cresceria até Deus, de quem é a semente, e o fruto seria como a natureza de Deus. A semente de uma pereira cresce em uma pereira, a de uma nogueira em uma nogueira, a semente de Deus em Deus. Mas se a boa semente tiver um jardineiro tolo ou ruim, então as ervas daninhas crescerão, cobrirão e expulsarão a boa semente, de modo que ela não poderá alcançar a luz e crescer. Mas Orígenes, um grande mestre, diz: "Uma vez que o próprio Deus semeou esta semente, a impregnou e emprenhou, ela pode de fato ser coberta e escondida, mas nunca destruída ou extinta em si mesma; ela brilha e cintila, brilha e queima e se inclina sem cessar em direção a Deus."
- M. Eckhart. O Nobre.
A respeito da nobreza do homem interior, do espírito, e da inutilidade do homem exterior, a carne, os mestres pagãos Cícero e Sêneca também dizem que nenhuma alma racional está sem Deus: a semente de Deus está dentro de nós. Se tivesse um jardineiro bom, habilidoso e diligente para cuidar dela, prosperaria ainda melhor e cresceria até Deus, de quem é a semente, e o fruto seria como a natureza de Deus. A semente de uma pereira cresce em uma pereira, a de uma nogueira em uma nogueira, a semente de Deus em Deus. Mas se a boa semente tiver um jardineiro tolo ou ruim, então as ervas daninhas crescerão, cobrirão e expulsarão a boa semente, de modo que ela não poderá alcançar a luz e crescer. Mas Orígenes, um grande mestre, diz: "Uma vez que o próprio Deus semeou esta semente, a impregnou e emprenhou, ela pode de fato ser coberta e escondida, mas nunca destruída ou extinta em si mesma; ela brilha e cintila, brilha e queima e se inclina sem cessar em direção a Deus."
- M. Eckhart. O Nobre.
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Não admitimos que o Ser-em-si ou a Verdade-em-si são construídos dessa maneira [construídos socialmente], como nossas representações disso o são. Também não os tomamos como concretos, representações, intuições, objetos de intuições, qualquer tipo de objeto, nem nada do tipo, são intangíveis, imediatos e imediáveis – ainda mais pelo social – mas imanentes a todas as coisas – a nadidade mais íntima e a mais exógena são indistintas em seu Mistério (玄).
- Citação de um artigo que estou escrevendo, de nome "Irrealismo Heróico".
- Citação de um artigo que estou escrevendo, de nome "Irrealismo Heróico".
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Eu acredito que o trabalho intelectual religioso consciente, se for retirado do movimento, torna-se seco, e o espírito da oposição religiosa se rompe com o movimento. A oposição se torna uma consciência de pensamento amaldiçoada, como algo reacionário e engessado, atrapalhando a resistência e a consciência em si, bases da ideologia e linha da revolução islâmica.
- Ayatollah Ali Khamenei. Cela n. 14, IV.
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[...] depois de todo martírio,
o alvor da cândida manhã,
triunfará como sabor de maravilha.
Alguns breves lampejos a mais
e estarei liberto,
arrebatado,
pela ilusão envolvente do amor.
A vida eterna
surge como abstração diante de mim,
observo do esplendor mais elevado,
e meus olhos encontram somente a ti.
Ó Sol, tu deves desvanecer
sob a colina;
naquela penumbra umbrática
que irá trazer-te de volta
ao teu fervor dos primórdios.
Ó, então atira em meu coração, amor,
atire até que eu me eleve,
até que extasiado pelo sono,
ainda ame!
Sinto a pulsação peripatética
de uma juventude que já não se encontra
e que transforma meu sangue
em bálsamo e éter!
Com fé e desejo,
eu vivo as auroras:
e tomado pelo êxtase sagrado,
me desprendo dessa vida a cada anoitecer.
-- Último Hino à Noite.
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Nάρκη τοῦ σώματος - A Torpeza do Corpo
- Plotino. Enn. I. 6.8
Que aquele que for capaz vá e siga [a beleza] interiormente, deixando de fora o alcance de seus olhos, não se permitindo retornar ao esplendor dos corpos que antes viu. Pois quando vir beleza nos corpos, não deve correr atrás deles, mas reconhecer que são imagens, vestígios e sombras, e fugir em direção àquilo de que são imagens. Pois se alguém corre em direção à imagem, querendo agarrá-la como algo verdadeiro, como alguém que quer agarrar um belo reflexo na água – como conta certa história, insinuando algo mais, de forma enigmática, creio eu, que então cai na água e desaparece – da mesma forma, quem se apega a corpos belos e não os larga mergulha, não com o corpo, mas com a alma, nas profundezas, onde não há alegria para o intelecto, e onde permanece, cego no Hades, acompanhado por sombras por onde quer que se volte. Seria mais sensato dizer: 'fujamos para nossa amada pátria'.
- Plotino. Enn. I. 6.8
Dois mitos são referenciados aí, o retorno de Ulisses a Ítaca que é o retorno à pátria espiritual, ao lugar hyperurânico, e o mito de Narciso. Νάρκισσος vem de Nάρκη, que significa torpor, daí a palavra "narcótico". No mito, se refere ao estado em que o amante de si se encontrava ao desejar o que não podia ter. Ulisses, por sua vez, rejeitou, também, o desejo que podia ser alcançado, mas que da mesma forma entorpecia, no episódio dos lotophagoi, para depois consumar seu desejo com a bela Penélope, em Ítaca. Portanto o corpo entorpece, mas a vida filosófica voltada para si, liberta.
Falamos então da beleza narcótica, que entorpece:
- Hom. Od. VIII, 94-7.
Falemos da beleza que rejuvenesce:
- Hom. Il. VI, 228-37.
É uma pequena porção, o uma breve parte de nossa atenção, que deve ser dedicada à beleza corpórea. Assim ela nos dará grande força, para que possamos tornar à nossa pátria. Porém se bebes dela de mais, se se inunda pelo prazer corpóreo, o vinho melífluo entorpece, te tira as forças, te leva ao sono.
Mas quem quer que comesse do fruto doce como o mel (μελιηδέα) do lótos,
já não mais queria se comunicar (ἀπαγγεῖλαι) nem voltar [à nau],
mas desejava ficar ali mesmo no meio dos homens Lotophagoi (ἀνδράσι Λωτοφάγοισι)
mastigando o lótos, permanecer (μενέμεν) e esquecer (λαθέσθαι) o retorno (νόστου).
- Hom. Od. VIII, 94-7.
Falemos da beleza que rejuvenesce:
Mas antes que eu te dê o vinho doce como o mel (μελιηδέα οἶνον),
para que o ofereças primeiro a Zeus, o pai, e aos outros imortais,
primeiro, e depois tu mesmo te beneficiarás, se o beberes.
Pois ao homem fatigado (Ἀνδρὶ δὲ κεκμηῶτι), o vinho aumenta a força grande ,
para que possas suportar a fadiga em teus anos e proteger os teus.
- Hom. Il. VI, 228-37.
É uma pequena porção, o uma breve parte de nossa atenção, que deve ser dedicada à beleza corpórea. Assim ela nos dará grande força, para que possamos tornar à nossa pátria. Porém se bebes dela de mais, se se inunda pelo prazer corpóreo, o vinho melífluo entorpece, te tira as forças, te leva ao sono.
A Coroa do Desejo
- Dionisíaca. X.
Jacinto representa a saudade, o amigo que se foi e cuja memória permanece, por isso traduzi πόθου por saudade. As pétalas da flor de Jacinto escrevem "AI", as dores de Apolo.
A coroa do desejo/saudade é resultado da trança entre essas duas flores. Pois quem se apaixona e não tem acesso ao objeto amado, padece pelo torpor e pela saudade.
Para ambos, havia uma disputa encantadora;
e no meio estava o impetuoso Eros,
Hermes alado, contencioso (ἐναγώνιος),
entrelaçando o narciso com o jacinto, a grinalda do desejo/saudade (στέμμα πόθου).
- Dionisíaca. X.
Jacinto representa a saudade, o amigo que se foi e cuja memória permanece, por isso traduzi πόθου por saudade. As pétalas da flor de Jacinto escrevem "AI", as dores de Apolo.
A coroa do desejo/saudade é resultado da trança entre essas duas flores. Pois quem se apaixona e não tem acesso ao objeto amado, padece pelo torpor e pela saudade.
É a boa lembrança que entristece. É o vinho que dá forças, mas que entorpece. Talvez esse seja o significado da maravilhosa guirlanda metade florida e metade murcha, como descrita por Affonso Lopes de Souza em seu Romance de Amadis, XVI; essa guirlanda só floresce completamente quando posta na cabeça do amado. Assim o amor só pode ser completamente realizado quando se tem o objeto amado de forma plena, o que não se encontra no corpo, como o Divino Platão mesmo instruiu em seu Fedro; mesmo entre duas almas, o amor só se realiza em tua completa vitalidade quando além do corpo, quando alado.
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Dioniso inspira os navegantes
- Hino Homérico a Dioniso, 7:55ss.
[Dioniso disse:] "Coragem, divino Hekator, ao meu ânimo (θυμῷ) agradável.
sou eu Dioníso Trovejante (εριβρομος), ao qual gerou a mãe
Cadmeia Sêmele a Dios (Διòς; Zeus) em amizade unida (ἐν φιλότητι μιγεῖσα)."
Ave, rebento de Sêmele de bela face/olhos (εὐώπιδος); nem jamais, é possível de ti esquecendo, ornar (κοσμῆσαι) um doce canto.
- Hino Homérico a Dioniso, 7:55ss.
A Divindade do Nous - Platão
- Alcebíades I. 133c.
Sócrates. Temos, então, a dizer que há algo mais divino do que esta parte da alma, acerca da qual é o saber e o pensar? [i.e do Nous]
Alcebíades. Não temos.
SO. A esta parte, pois, ela se assemelha ao deus; e alguém, olhando para isto e conhecendo todo o divino — tanto o deus como a inteligência — desse modo mais plenamente conheceria também a si mesmo.
AL. Assim parece.
SO. Será, então, que, assim como há espelhos mais claros, mais puros e mais brilhantes do que o espelho dentro do olho, assim também o Deus é mais puro e mais luminoso do que o melhor que há em nossa alma?
AL. Assim parece, ó Sócrates.
SO. Olhando, pois, para o Deus, usaríamos aquele belíssimo espelho também quanto às coisas humanas, em direção à virtude da alma, e assim veríamos e conheceríamos a nós mesmos do modo mais pleno.
- Alcebíades I. 133c.
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A Divindade do Nous - Aristóteles
Quando ele inquire se é um Deus ou uma parte divina do homem, se refere à doutrina sobre o Daemon pessoal. A associação com a palavra eudaemonia (felicidade) é no mínimo tentadora.
- Arist. Nic. Eth. X, 7.
Se a felicidade é atividade conforme à virtude, será razoável que ela esteja
também em concordância com a mais alta virtude; e essa será a do que existe de melhor em nós. Seja o intelecto ou outra coisa que que é essa parte que é dita ser nosso governante natural e guia e inteligir as coisas nobres e divinas, seja ele também divino ou apenas o elemento mais divino em nós, sua atividade em acordo com sua própria virtude será eudaemonia completa/perfeita. Que essa atividade é contemplativa/iluminativa (teorética), já dizemos. [...]
Quando ele inquire se é um Deus ou uma parte divina do homem, se refere à doutrina sobre o Daemon pessoal. A associação com a palavra eudaemonia (felicidade) é no mínimo tentadora.
[... a contemplação/theoria] parece ser a única [atividade] que é amada por si mesma, pois dela nada decorre além da própria contemplação, ao passo que das atividades práticas sempre tiramos maior ou menor proveito, à parte da ação.
[...]
a atividade da razão, que é contemplativa, tanto parece ser superior e mais valiosa pela sua seriedade como não visar a nenhum fim além de si mesma e possuir o seu prazer próprio (o qual, por sua vez, intensifica a atividade), e a auto-suficiência, os lazeres, a isenção de fadiga (na medida em que isso é possível ao homem), e todas as demais qualidades que são atribuídas ao homem sumamente feliz são, evidentemente, as que se relacionam com essa atividade, segue-se que essa será a felicidade completa do homem, se ele tiver uma existência completa quanto à duração (pois nenhum dos atributos da felicidade é incompleto).
Mas uma tal vida é inacessível ao homem, pois não será na medida em que é homem que ele viverá assim, mas na medida em que possui em si algo de divino; e tanto quanto esse elemento é superior à nossa natureza composta, o é também a sua atividade ao exercício da outra espécie de virtude.
Se, portanto, o nous é divino em comparação com o homem, a vida conforme o nous é divina em comparação com a vida humana. Mas não devemos seguir os que nos aconselham a ocupar-nos com coisas humanas, visto que somos homens, e com coisas mortais, visto que somos mortais; mas, na medida em que isso for possível, procuremos tornar-nos imortais e envidar todos os esforços para viver de acordo com o que há de melhor em nós; porque, ainda que seja pequeno quanto ao lugar que ocupa, supera a tudo o mais pelo poder e pelo valor.
- Arist. Nic. Eth. X, 7.
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A Divindade do Nous - Aristóteles
Arist. Nic. Eth. X, 7.
Reflexão Completa.
Se, portanto, o nous é divino em comparação com o homem, a vida conforme o nous é divina em comparação com a vida humana. Mas não devemos seguir os que nos aconselham a ocupar-nos com coisas humanas, visto que somos homens, e com coisas mortais, visto que somos mortais; mas, na medida em que isso for possível, procuremos tornar-nos imortais e envidar todos os esforços para viver de acordo com o que há de melhor em nós; porque, ainda que seja pequeno quanto ao lugar que ocupa, supera a tudo o mais pelo poder e pelo valor.
Arist. Nic. Eth. X, 7.
Reflexão Completa.
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A Consumação das Eras / A Synteleia dos Aeons
- Livro de São Hieroteu, IV. Atribuído a Estevão bar Shudayli.
Todas essas doutrinas, que são desconhecidas até mesmo para os anjos, eu revelei a você, meu filho, embora eu seja desprezado pelos homens por causa disso. Saiba, então, que toda a natureza se confundirá com o Pai, que nada perecerá ou será destruído, mas tudo retornará, será santificado, unido e confundido. Assim, Deus será tudo em todos. Até mesmo o inferno passará e os condenados retornarão. Todas as ordens e distinções cessarão. Deus passará, Cristo deixará de existir e o Espírito não será mais chamado de espírito. Apenas a essência permanecerá.
- Livro de São Hieroteu, IV. Atribuído a Estevão bar Shudayli.
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