Um Exemplo de Stasis
Uma das questões mais polêmicas de seu pensamento — a transmigração — ilustra o caráter estático do mesmo ao qual me refiro.
Guénon distingue Ser e Existência. O Ser, em si, está no não-Ser e é, portanto, imanifesto. A manifestação é a manifestação do Ser e seus estados, que se dá no que ele denomina "Existência".
Esses estados do Ser são manifestações do Ser entendido em sua pluralidade, pois interage com a existência também enquanto seres. Cada um desses seres terá, em si, todas as possibilidades de manifestação, algumas possuem sucessão entre si, outras não. Nesse sentido, cada possui cada manifestação do Ser total, que são como planos horizontais que recebem indefinidas linhas verticais (os seres). Essa sucessão não é uma sucessão temporal, mas uma sucessão lógica, pois a sucessão temporal está presente em algumas modalidades dos estados do Ser; no estado humano, em sua modalidade grosseira/corpórea apenas.
Sendo a passagem de um estado para outro, o sujeito dessa passagem sendo este ou aquele ser, a "passagem" só se dá do ponto de vista do estado, mas não do ser que se manifesta, na perspectiva deste, a sucessão é algo que nunca pode estar no futuro ou no passado, na anterioridade ou na posterioridade, pois essas relações não são supostas da relação entre ser e estado, mas entre um estado individual e outro estado. Por essa razão, não há sentido o "retorno". Seria redundância.
Assim conclui, aparentemente em contradição com os dados tradicionais. Uma visão madura de sua obra não buscará mais essa polêmica, mas entenderá a retidão dessa concepção, que, por ser estática, não poderia chegar, sendo honesta a si mesma, a outra conclusão.
Uma das questões mais polêmicas de seu pensamento — a transmigração — ilustra o caráter estático do mesmo ao qual me refiro.
Guénon distingue Ser e Existência. O Ser, em si, está no não-Ser e é, portanto, imanifesto. A manifestação é a manifestação do Ser e seus estados, que se dá no que ele denomina "Existência".
Esses estados do Ser são manifestações do Ser entendido em sua pluralidade, pois interage com a existência também enquanto seres. Cada um desses seres terá, em si, todas as possibilidades de manifestação, algumas possuem sucessão entre si, outras não. Nesse sentido, cada possui cada manifestação do Ser total, que são como planos horizontais que recebem indefinidas linhas verticais (os seres). Essa sucessão não é uma sucessão temporal, mas uma sucessão lógica, pois a sucessão temporal está presente em algumas modalidades dos estados do Ser; no estado humano, em sua modalidade grosseira/corpórea apenas.
Sendo a passagem de um estado para outro, o sujeito dessa passagem sendo este ou aquele ser, a "passagem" só se dá do ponto de vista do estado, mas não do ser que se manifesta, na perspectiva deste, a sucessão é algo que nunca pode estar no futuro ou no passado, na anterioridade ou na posterioridade, pois essas relações não são supostas da relação entre ser e estado, mas entre um estado individual e outro estado. Por essa razão, não há sentido o "retorno". Seria redundância.
Assim conclui, aparentemente em contradição com os dados tradicionais. Uma visão madura de sua obra não buscará mais essa polêmica, mas entenderá a retidão dessa concepção, que, por ser estática, não poderia chegar, sendo honesta a si mesma, a outra conclusão.
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AMON E O CORPO
I - Período Amarnita
Atem, no período Amarnita (Akhenaton) é Uno e criador de todas as coisas por meio de si (creatio ex et in Deo). Todas as coisas são, portanto, manifestações e transformações do Sol (Atem).
I - Período Amarnita
Atem, no período Amarnita (Akhenaton) é Uno e criador de todas as coisas por meio de si (creatio ex et in Deo). Todas as coisas são, portanto, manifestações e transformações do Sol (Atem).
Tu és o Único, mas há um milhão de vidas em ti, Para fazê-las viver.
A visão dos teus raios
É um sopro de vida para os seus narizes. (Hino Curto Amarnita a Atem)
Você cria milhões de formas (hprw) sozinho,
Cidades, vilas, campos,
Estradas e rios. (Grande Hino Amarnita a Atem)
II - O Coração (Ba) de Todas as Coisas
Posteriormente, suas características de Unidade, traduzidas no sentido de solitude e primazia, serão atribuídas a Amum, o Deus Único, é o Ba de todas as coisas.
"A palavra Ba está exclusiva e inequivocamente relacionada ao paradigma da manifestação. Pode-se até dizer que é o termo egípcio para "manifestação". Ba se refere a um poder oculto que anima um objeto visível, por exemplo, a presença divina residindo em uma estátua de culto, e se refere inversamente a um fenômeno perceptível, por exemplo, o vento, como o "Ba", ou seja, a manifestação de uma divindade invisível, o deus Shu". J. Assmann, Thinking the One in Egyptian Theology.
Jâmblico entenderá Amum como o intelecto demiúrgico, que, como anteriormente explicado, cria por meio da magia. Ao mesmo tempo, atribuirá as qualidades demiúrgicas de aperfeiçoamento e harmonização a Ptah.
Posteriormente, suas características de Unidade, traduzidas no sentido de solitude e primazia, serão atribuídas a Amum, o Deus Único, é o Ba de todas as coisas.
O Único que criou o que é.
O ilustre Ba dos deuses e dos humanos.
"A palavra Ba está exclusiva e inequivocamente relacionada ao paradigma da manifestação. Pode-se até dizer que é o termo egípcio para "manifestação". Ba se refere a um poder oculto que anima um objeto visível, por exemplo, a presença divina residindo em uma estátua de culto, e se refere inversamente a um fenômeno perceptível, por exemplo, o vento, como o "Ba", ou seja, a manifestação de uma divindade invisível, o deus Shu". J. Assmann, Thinking the One in Egyptian Theology.
Salve, aquele que se transforma em milhões,
Cujo comprimento e largura são ilimitados!
Poder em prontidão, que deu à luz a si mesmo,
Uraeus com grande chama;
Grande da magia com forma secreta,
Ba secreto, a quem se demonstra respeito. (Hino a Amon-Ra)
Eu sou Atum, eu que estava sozinho;
Eu sou Rá em sua primeira aparição.
Eu sou o Grande Deus, autogerador,
Que moldou seus nomes, senhor dos deuses,
De quem ninguém se aproxima entre os deuses.
Eu era ontem, eu sei o amanhã. O campo de batalha dos deuses foi criado quando eu falei. Eu sei o nome daquele Grande Deus que nele está.
[...]
Eu sou aquela grande Fênix que está em Heliópolis.
- O Livro dos Mortos, VII.
Jâmblico entenderá Amum como o intelecto demiúrgico, que, como anteriormente explicado, cria por meio da magia. Ao mesmo tempo, atribuirá as qualidades demiúrgicas de aperfeiçoamento e harmonização a Ptah.
O intelecto demiúrgico, que é o curador da verdade e da sabedoria, descendo de geração em geração e conduzindo o poder das razões ocultas à luz, é chamado na língua egípcia de Amon, mas em consequência de aperfeiçoar todas as coisas com veracidade e artificialmente, ele é chamado de Ptah. (Jâmblico, D.M. VIII, 3).
III - Ptah, o Corpo e o Mundo
Amum é o coração de todas as coisas, aquele que está oculto mas vem a se revelar por meio de seus nomes feitos em palavras. Essa revelação se dá tanto nos Neteru quanto no Mundo. Em sua função criativa, é dito que Amum é incriado, mas cria a si mesmo, afirmação aparentemente paradoxal, mas que se o mundo for entendido como em Amum e de Amum, é resolvida.
Re é sua face luminosa e revelada, Ptah é a imanência de Amum, seu corpo.
O corpo muitas vezes é referenciado como terra e, como mostrado acima, associado a Ptah; terra aqui não deve ser entendido em sentido elemental ou topográfico, mas no sentido de corpo, por isso é associado a Ele. Ele é descrito tanto astrologicamente quanto topograficamente, de modo que todo o mundo é o Corpo de Amum.
Esse corpo é principial às diversas criaturas mortais.
O corpo divino descrito tem em cada parte um princípio dos fenômenos naturais, porém isso não exclui as criaturas oriundas desses princípios do corpo. Essa não exclusão se dá em dois níveis: (i) A vida de todas as coisas é divina, e enquanto é plural por habitar cada um de nós é um "membro" de Amum, como foi citado: "Seus membros são o sopro da vida para cada nariz", alegoria parecida com os membros da Igreja em Paulo, já explicada por nós. (ii) Todas as coisas são transformações divinas, apesar de distintas de Amum.
Amum é o coração de todas as coisas, aquele que está oculto mas vem a se revelar por meio de seus nomes feitos em palavras. Essa revelação se dá tanto nos Neteru quanto no Mundo. Em sua função criativa, é dito que Amum é incriado, mas cria a si mesmo, afirmação aparentemente paradoxal, mas que se o mundo for entendido como em Amum e de Amum, é resolvida.
Ele está oculto para deuses e homens, e Ele é um mistério para Suas criaturas. Nenhum homem sabe como conhecê-Lo — Seu nome permanece oculto; Seu nome é um mistério para Seus filhos. Seus nomes são inumeráveis, são múltiplos e ninguém conhece seu número — Deus é a verdade e Ele vive pela verdade e se alimenta dela. Ele é o rei da verdade e estabeleceu a terra sobre ela - Deus é vida e por meio dele só, o homem vive. Ele dá vida ao homem, Ele sopra o fôlego da vida em suas narinas — Deus é pai e mãe, pai dos pais e mãe das mães. Ele gera, mas nunca foi gerado; Ele produz, mas nunca foi produzido; Ele gerou a si mesmo e produziu a si mesmo. Ele cria, mas nunca foi criado; Ele é o criador de sua própria forma e o modelador de seu próprio corpo — o próprio Deus é existência, Ele perdura sem aumento ou diminuição, Ele se multiplica milhões de vezes e é múltiplo em formas e em membros — Deus fez o universo e criou tudo o que nele existe; Ele é o Criador do que está neste mundo, do que foi, do que é e do que será. Ele é o Criador dos céus e da terra, do abismo, das águas e das montanhas. Deus estendeu os céus e fundou a terra — o que seu coração (Ba) concebeu imediatamente aconteceu, e quando ele falou, aconteceu e permanece para sempre — Deus é o pai dos deuses; Ele formou os homens e formou os deuses. (Hino ao Deus Uno; Amum)
Re é sua face luminosa e revelada, Ptah é a imanência de Amum, seu corpo.
Todos os deuses são três:
Amon, Re e Ptah; não há ninguém como eles.
Aquele que esconde seu nome como Amon,
ele é Re (o sol) na (visão dos) rostos,
seu corpo é Ptah (a terra).
O corpo muitas vezes é referenciado como terra e, como mostrado acima, associado a Ptah; terra aqui não deve ser entendido em sentido elemental ou topográfico, mas no sentido de corpo, por isso é associado a Ele. Ele é descrito tanto astrologicamente quanto topograficamente, de modo que todo o mundo é o Corpo de Amum.
Sua pele é a luz, seu sopro é o "fogo da vida",
todas as pedras preciosas estão unidas em seu corpo.
Seus membros são o sopro da vida para cada nariz,
inalar você traz vida.
Seu paladar é o Nilo,
as pessoas se ungem com o brilho do seu olho-de-luz (...)
Ir e vir é possível quando você aparece
como deus da terra. (Hino de Ramesses III)
Pois é do seu nariz que vem o ar
e da sua boca que vem o dilúvio.
A "árvore da vida" cresce sobre você,
você torna a terra verde, para que os deuses tenham mais do que o suficiente,
assim como os seres humanos e os animais.
É a sua luz que os faz ver.
Quando você se põe, a escuridão vem.
Seus olhos criam luz (...)
Seu olho direito é o sol,
seu olho esquerdo é a lua. (Hino a Ptah)
Esse corpo é principial às diversas criaturas mortais.
Pelo meu olho eu chorei. E das minhas lágrimas surgiram os homens (Hino a Amum)
O corpo divino descrito tem em cada parte um princípio dos fenômenos naturais, porém isso não exclui as criaturas oriundas desses princípios do corpo. Essa não exclusão se dá em dois níveis: (i) A vida de todas as coisas é divina, e enquanto é plural por habitar cada um de nós é um "membro" de Amum, como foi citado: "Seus membros são o sopro da vida para cada nariz", alegoria parecida com os membros da Igreja em Paulo, já explicada por nós. (ii) Todas as coisas são transformações divinas, apesar de distintas de Amum.
IV- Considerações e Conclusão
Os hinos citados são um recorte de diversos períodos, não representam uma teologia concisa, mas visam dar ao leitor notícia de certas ideias como enunciadas por alguns acadêmicos.
São tentadoras as associações com o conteúdo do Corpus Hermeticum. Sabemos que os assuntos se comunicam, mas não podemos traçar qualquer influência direta, sendo aconselhado ao leitor se manter no nível puramente especulativo.
Enfim, do que foi dito é possível abstrair (conclusivamente e especulativamente) alguns pontos:
1. A Unidade do Princípio.
2. O caráter oculto do que se encontra nessa unidade antes do ato criativo.
3. Que o que se encontra oculto, de certa forma, é conteúdo essencial (Ba) daquilo que se manifesta.
4. Há múltiplos nomes divinos ocultos na unidade, dos quais alguns serão revelados, ocasionando o fenômeno da multiplicidade tanto de Amum quanto das processões dele.
5. Amum é o Princípio Oculto. Re é a Revelação. Ptah é o topos e sustentáculo daquilo que se revela.
6. Amum tem um corpo, Deus tem um corpo, e esse corpo é o mundo.
7. Esse corpo é, de certa forma, principial aos homens e demais criaturas.
8. O mundo, portanto, é o ícone da Divindade.
Os hinos citados são um recorte de diversos períodos, não representam uma teologia concisa, mas visam dar ao leitor notícia de certas ideias como enunciadas por alguns acadêmicos.
São tentadoras as associações com o conteúdo do Corpus Hermeticum. Sabemos que os assuntos se comunicam, mas não podemos traçar qualquer influência direta, sendo aconselhado ao leitor se manter no nível puramente especulativo.
Enfim, do que foi dito é possível abstrair (conclusivamente e especulativamente) alguns pontos:
1. A Unidade do Princípio.
2. O caráter oculto do que se encontra nessa unidade antes do ato criativo.
3. Que o que se encontra oculto, de certa forma, é conteúdo essencial (Ba) daquilo que se manifesta.
4. Há múltiplos nomes divinos ocultos na unidade, dos quais alguns serão revelados, ocasionando o fenômeno da multiplicidade tanto de Amum quanto das processões dele.
5. Amum é o Princípio Oculto. Re é a Revelação. Ptah é o topos e sustentáculo daquilo que se revela.
6. Amum tem um corpo, Deus tem um corpo, e esse corpo é o mundo.
7. Esse corpo é, de certa forma, principial aos homens e demais criaturas.
8. O mundo, portanto, é o ícone da Divindade.
AMON E O CORPO
Sumário
I - Período Amarnita
II - O Coração (Ba) de Todas as Coisas
III - Ptah, o Corpo e o Mundo
IV - Considerações e Conclusão
Bibliografia
(Os hinos que citei genericamente podem ser encontrados aqui)
J. Assmann, Thinking the One in Egyptian Theology.
Matthews e Benjamin, Old Testament Parallels.
J. H. Breasted. Development of Religion and Thought in Ancient Egypt.
Sumário
I - Período Amarnita
II - O Coração (Ba) de Todas as Coisas
III - Ptah, o Corpo e o Mundo
IV - Considerações e Conclusão
Bibliografia
(Os hinos que citei genericamente podem ser encontrados aqui)
J. Assmann, Thinking the One in Egyptian Theology.
Matthews e Benjamin, Old Testament Parallels.
J. H. Breasted. Development of Religion and Thought in Ancient Egypt.
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A Vitória sobre Apep
Volta! Vai! Vai embora! Tu caíste, foste expulso e retrocedeste, ó ʿApep. A Grande Enéade que está em Heliópolis te expulsa, Hórus repeliu tua fúria, Seth tornou teu momento de ação impotente. Ísis te repele, Néftis te corta, a Grande Enéade que está na proa do barco de Rê te expulsa, Seth te apunhalou no pescoço, os Filhos de Hórus cravaram suas lanças em ti, aqueles deuses que guardam as portas dos portais misteriosos te repelem, sua rajada de fogo sai contra ti em fogo. Vai embora na rajada de chamas que sai de suas bocas, cai e rasteja para longe, ʿApep [...] Seu Ba foi aniquilado, seu Sheut (sombra) foi destruído, pois você foi destinado ao Olho flamejante de Hórus; ele terá poder sobre você, ele o devorará completamente. Sê aniquilado, ó Apep! Ele te traspassou, te fez voltar, te destruiu, te aniquilou.
-- Os Livros da Derrubada de Apep, 23-24
Volta! Vai! Vai embora! Tu caíste, foste expulso e retrocedeste, ó ʿApep. A Grande Enéade que está em Heliópolis te expulsa, Hórus repeliu tua fúria, Seth tornou teu momento de ação impotente. Ísis te repele, Néftis te corta, a Grande Enéade que está na proa do barco de Rê te expulsa, Seth te apunhalou no pescoço, os Filhos de Hórus cravaram suas lanças em ti, aqueles deuses que guardam as portas dos portais misteriosos te repelem, sua rajada de fogo sai contra ti em fogo. Vai embora na rajada de chamas que sai de suas bocas, cai e rasteja para longe, ʿApep [...] Seu Ba foi aniquilado, seu Sheut (sombra) foi destruído, pois você foi destinado ao Olho flamejante de Hórus; ele terá poder sobre você, ele o devorará completamente. Sê aniquilado, ó Apep! Ele te traspassou, te fez voltar, te destruiu, te aniquilou.
-- Os Livros da Derrubada de Apep, 23-24
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Osíris e Set eram de fato irmãos e nasceram da mesma semente. Não há, contudo, entre eles, uma única e mesma relação que entre almas e corpos. Pois não é congruente para as almas nascerem na Terra, dos pais de alguém, mas sim fluírem de uma única fonte. Mas a natureza do mundo concede duas fontes; uma de fato sendo luminosa, mas a outra obscura e sem luz. E uma espalha seus fluxos da terra, como se tivesse suas raízes abaixo, e salta de cavernas terrenas, a fim de oferecer violência à lei divina. Mas a outra está suspensa no fundo do céu. E é enviada de lá, de fato, com o propósito de adornar o lote terreno.
-- Sinésio de Cirene, Da Providência.
Imagem: Horus e Set coroando Ramesses III
-- Sinésio de Cirene, Da Providência.
Imagem: Horus e Set coroando Ramesses III
Eros como Unidade
'Quem é então Eros?', perguntei; 'Ele é mortal?' 'Não.' 'O que é então?' 'Como no caso anterior, ele não é mortal nem imortal, mas um meio-termo entre os dois.' 'O que é ele, Diotima?' 'Ele é um Grande Daemon e, como todos os daemons, é intermediário entre o divino e o mortal.' 'E qual', eu disse, 'é o seu poder?' 'Ele interpreta', ela respondeu, 'entre deuses e homens, transmitindo e levando aos deuses as preces e sacrifícios dos homens, e aos homens as ordens e respostas dos deuses; ele é o mediador que atravessa o abismo que os divide e, portanto, nele tudo está unido, e por meio dele as artes do profeta e do sacerdote, seus sacrifícios, mistérios e encantos, e toda profecia e encantamento, encontram seu caminho.
-- Platão, Simpósio.
'Quem é então Eros?', perguntei; 'Ele é mortal?' 'Não.' 'O que é então?' 'Como no caso anterior, ele não é mortal nem imortal, mas um meio-termo entre os dois.' 'O que é ele, Diotima?' 'Ele é um Grande Daemon e, como todos os daemons, é intermediário entre o divino e o mortal.' 'E qual', eu disse, 'é o seu poder?' 'Ele interpreta', ela respondeu, 'entre deuses e homens, transmitindo e levando aos deuses as preces e sacrifícios dos homens, e aos homens as ordens e respostas dos deuses; ele é o mediador que atravessa o abismo que os divide e, portanto, nele tudo está unido, e por meio dele as artes do profeta e do sacerdote, seus sacrifícios, mistérios e encantos, e toda profecia e encantamento, encontram seu caminho.
-- Platão, Simpósio.
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A Unidade Imanente
Tendo dividido com razão cada um dos membros e, ao mesmo tempo, as partes, e tendo concordado que todas essas coisas são aquele único [ser que está sendo dividido], ele refuta zombando que foi forçado a dizer monstruosidades — tanto que o Uno é múltiplas [coisas] e infinitos, quanto que as múltiplas coisas são Uma [coisa] só.
-- Platão. Fílebo, 14e
Tendo dividido com razão cada um dos membros e, ao mesmo tempo, as partes, e tendo concordado que todas essas coisas são aquele único [ser que está sendo dividido], ele refuta zombando que foi forçado a dizer monstruosidades — tanto que o Uno é múltiplas [coisas] e infinitos, quanto que as múltiplas coisas são Uma [coisa] só.
-- Platão. Fílebo, 14e
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Legislar Verdadeiramente é Conhecer e Educar Através das Leis - 1/4
concordamos quanto a ser lei o descobrimento do que é. — Parece que sim. [...] quem, possuindo ciência, distribui sobre a terra as sementes? — O fazendeiro. — S: E este distribui as sementes dignas a cada terra? — Sim. — O fazendeiro, portanto, é um bom distribuidor destas e as leis e distribuições dele sobre estas são corretas. — Sim. [...] As leis do pastor, portanto, são as melhores para as ovelhas. — Sim. — As do boiadeiro para os bois. — Sim. — E as leis de quem são as melhores para as almas dos homens? Não são as reais? Dize. — Digo que sim, certamente.
-- Minos 317d-318b
concordamos quanto a ser lei o descobrimento do que é. — Parece que sim. [...] quem, possuindo ciência, distribui sobre a terra as sementes? — O fazendeiro. — S: E este distribui as sementes dignas a cada terra? — Sim. — O fazendeiro, portanto, é um bom distribuidor destas e as leis e distribuições dele sobre estas são corretas. — Sim. [...] As leis do pastor, portanto, são as melhores para as ovelhas. — Sim. — As do boiadeiro para os bois. — Sim. — E as leis de quem são as melhores para as almas dos homens? Não são as reais? Dize. — Digo que sim, certamente.
-- Minos 317d-318b
Legislar Verdadeiramente é Conhecer e Educar Através das Leis - 2/4
As melodias [de Mársias e Olímpio] com aulo são diviníssimas, e sozinhas movem e revelam os que estão em necessidade dos deuses; e ainda também agora só elas são remanescentes porque são divinas. — Estas coisas são assim mesmo. — Mas quem dos antigos reis é dito ter vindo a ser bom legislador, do qual ainda também agora os costumes legais permanecem porque são divinos?
-- 318b-c
As melodias [de Mársias e Olímpio] com aulo são diviníssimas, e sozinhas movem e revelam os que estão em necessidade dos deuses; e ainda também agora só elas são remanescentes porque são divinas. — Estas coisas são assim mesmo. — Mas quem dos antigos reis é dito ter vindo a ser bom legislador, do qual ainda também agora os costumes legais permanecem porque são divinos?
-- 318b-c
Legislar Verdadeiramente é Conhecer e Educar Através das Leis - 3/4
[Hesíodo diz: Minos era] “o qual vinha a ser o mais real dos reis mortais / e era senhor da maioria dos vizinhos humanos, / possuindo o cetro de Zeus: e, por isso, reinava sobre cidades”. Também este diz ser o cetro de Zeus nada mais do que a educação de Zeus, com a qual conduzia Creta.
-- 320d
[Hesíodo diz: Minos era] “o qual vinha a ser o mais real dos reis mortais / e era senhor da maioria dos vizinhos humanos, / possuindo o cetro de Zeus: e, por isso, reinava sobre cidades”. Também este diz ser o cetro de Zeus nada mais do que a educação de Zeus, com a qual conduzia Creta.
-- 320d
Legislar Verdadeiramente é Conhecer e Educar Através das Leis - 4/4
[Minos] era bom, legal e, o que precisamente dizíamos nos discursos de antes, bom distribuidor, este é o maior sinal: suas leis são imóveis, na medida em que são do que descobriu bem a verdade do que é em relação à administração da cidade.
[...] não te parecem os cidadãos cretenses de Minos e Radamante usarem as leis mais antigas? — Parecem. — Estes, portanto, vieram a ser os melhores legisladores dentre os antigos: distribuidores e pastores de homens, como também Homero dizia ser pastor de tropas o bom general.
-- 321b-c
[Minos] era bom, legal e, o que precisamente dizíamos nos discursos de antes, bom distribuidor, este é o maior sinal: suas leis são imóveis, na medida em que são do que descobriu bem a verdade do que é em relação à administração da cidade.
[...] não te parecem os cidadãos cretenses de Minos e Radamante usarem as leis mais antigas? — Parecem. — Estes, portanto, vieram a ser os melhores legisladores dentre os antigos: distribuidores e pastores de homens, como também Homero dizia ser pastor de tropas o bom general.
-- 321b-c
É bom saber que Lei [νόμος], distribuir [νέμω] e Minos [Μίνως] eram palavras tidas como de mesma etimologia pelos Gregos.
Assim, o curso do mundo triunfa sobre o que constitui a virtude em oposição a ele; triunfa sobre a virtude para a qual a abstração sem essência é a essência. No entanto, não triunfa sobre algo real, mas sobre o produzir de diferenças que não são nenhumas; sobre discursos pomposos a respeito do bem supremo da humanidade, e de sua opressão; e a respeito do sacrifício pelo bem, e do mau uso dos dons. Semelhantes essências e fins ideais desmoronam como palavras ocas que exaltam o coração e deixam a razão vazia; edificam, mas nada constroem. Declamações que só enunciam este conteúdo determinado: o indivíduo que pretende agir por fins tão nobres e leva adiante discursos tão excelentes, vale para si como uma essência excelente. Tudo isso não passa de uma intumescência, que faz sua cabeça e a dos outros ficarem grandes, mas grandes por uma oca flatulência. +
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A virtude antiga tinha significação segura e determinada, porque tinha uma base, rica de conteúdo, na substância de um povo, e se propunha como fim, um bem efetivo já existente. Não se revoltava contra a efetividade como se fosse uma perversão universal e contra um curso do mundo. Mas a virtude de que se trata aqui é uma que está fora da substância, uma virtude carente de essência - uma virtude somente da representação e das palavras, privada daquele conteúdo substancial.
-- G.W.F. Hegel. A Fenomenologia do Espírito, 360.
-- G.W.F. Hegel. A Fenomenologia do Espírito, 360.
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[Os demônios] em seus movimentos contra nós nos impedem de cumprir o que é possível e nos forçam a cumprir o impossível:
Impedem o enfermo de dar graças em sua dor e em ser paciente ao receber seus serviços.
Eles exortam os fracos a jejuarem
E aqueles que estão sobrecarregados a cantarem os salmos em pé.
-- Evágrio Pôntico. Praktikos, 40.
Impedem o enfermo de dar graças em sua dor e em ser paciente ao receber seus serviços.
Eles exortam os fracos a jejuarem
E aqueles que estão sobrecarregados a cantarem os salmos em pé.
-- Evágrio Pôntico. Praktikos, 40.
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Salmos
"O principiante recite os Salmos; o que progride leia os Provérbios e o Eclesiastes; o perfeito interprete o livro de Jó." (Texto presente em alguns manuscritos do Praktikos de Evágrio Pôntico)
"A pessoa reza levantando as mãos para o céu, juntamente com os olhos e a mente. Ela imagina conceitos divinos, as coisas boas do Céu, os exércitos dos anjos santos, as residências dos santos e, em resumo, reúne em sua mente tudo o que ouviu nas Sagradas Escrituras." (Simeão Neoteólogo. Sobre a Oração e Nepsis; obs. Salmos se rezava em pé)
"A Salmodia pertence à sabedoria multiforme; A oração é o prelúdio do conhecimento imaterial e uniforme."
"A Salmodia acalma as paixões e põe fim à desarmonia do corpo; A oração desperta o nous para ativar sua própria atividade." (Ev. Sobre a Oração, 85, 83)
Uma grande coisa - orar sem distração; uma coisa ainda maior - cantar salmos sem distração. (Ev. Praktikos, 69)
"O principiante recite os Salmos; o que progride leia os Provérbios e o Eclesiastes; o perfeito interprete o livro de Jó." (Texto presente em alguns manuscritos do Praktikos de Evágrio Pôntico)
"A pessoa reza levantando as mãos para o céu, juntamente com os olhos e a mente. Ela imagina conceitos divinos, as coisas boas do Céu, os exércitos dos anjos santos, as residências dos santos e, em resumo, reúne em sua mente tudo o que ouviu nas Sagradas Escrituras." (Simeão Neoteólogo. Sobre a Oração e Nepsis; obs. Salmos se rezava em pé)
"A Salmodia pertence à sabedoria multiforme; A oração é o prelúdio do conhecimento imaterial e uniforme."
"A Salmodia acalma as paixões e põe fim à desarmonia do corpo; A oração desperta o nous para ativar sua própria atividade." (Ev. Sobre a Oração, 85, 83)
Uma grande coisa - orar sem distração; uma coisa ainda maior - cantar salmos sem distração. (Ev. Praktikos, 69)
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Evágrio — Máximas em ordem alfabética (Γνῶμαι κατ᾿ ἀλφάβητον) — Extratos
Se queres conhecer a Deus, deves primeiro conhecer a si mesmo.
Da vida irracional um demônio é guia.
A nobreza (εὐγένεια) da alma se mostra em sua Eutonia (εὐτονίας; em seu bom tom, boa tensão, bem equilibrada, harmônica).
O devoto é aquele que não fala de si.
[O] Templo de Deus (ἱερὸν θεοῦ) é um homem irrepreensível (sem pecados; ἀνεπίληπτος).
O estrangeiro (ξένος) e o pobre (πένης) são o colírio de Deus.
Aquele que o recebe (o colírio? os pobres e estrangeiros? a pobreza e o fato de ser estrangeiro? o texto lê αὐτὸν, está no singular, o latino lê ipsos, plural) terá sua visão restaurada.
O Pináculo da Alma — contemplação (θεωρία) verdadeira (ἀληθής)
Alma Pura — Deus depois de Deus (μετὰ θεὸν θεός).
Se queres conhecer a Deus, deves primeiro conhecer a si mesmo.
Da vida irracional um demônio é guia.
A nobreza (εὐγένεια) da alma se mostra em sua Eutonia (εὐτονίας; em seu bom tom, boa tensão, bem equilibrada, harmônica).
O devoto é aquele que não fala de si.
[O] Templo de Deus (ἱερὸν θεοῦ) é um homem irrepreensível (sem pecados; ἀνεπίληπτος).
O estrangeiro (ξένος) e o pobre (πένης) são o colírio de Deus.
Aquele que o recebe (o colírio? os pobres e estrangeiros? a pobreza e o fato de ser estrangeiro? o texto lê αὐτὸν, está no singular, o latino lê ipsos, plural) terá sua visão restaurada.
O Pináculo da Alma — contemplação (θεωρία) verdadeira (ἀληθής)
Alma Pura — Deus depois de Deus (μετὰ θεὸν θεός).
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Ó trevas, afastem-se dele. Ó Luz, traga a Luz a mim. Ó pShai, que estava nas águas primordiais, traga a Luz a mim. (PDM. XIV, 30ss)
Da luz... uma palavra santa (λόγος ἅγιος) atacou a Natureza, e um fogo puro saltou da natureza úmida (ὑδρãς φύσεως) acima para o alto. [...]
Aquela luz — disse Poimandres — sou eu, Nous, o teu Deus, o que é anterior à natureza úmida manifesta da escuridão. (C.H. I)
pShai, Pai dos pais de todos os Neteru (PDM. II, 21)
Da luz... uma palavra santa (λόγος ἅγιος) atacou a Natureza, e um fogo puro saltou da natureza úmida (ὑδρãς φύσεως) acima para o alto. [...]
Aquela luz — disse Poimandres — sou eu, Nous, o teu Deus, o que é anterior à natureza úmida manifesta da escuridão. (C.H. I)
pShai, Pai dos pais de todos os Neteru (PDM. II, 21)
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