O Último Arconte ♄
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Canal dedicado ao estudo de temas tradicionais e reflexões pessoais.
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III. A Igreja enquanto Mãe

Ora, como pode a cabeça vir do corpo quando o contrário é verdadeiro? (Timeu, 73css) A verdade é, o Cristo sempre foi sua cabeça, mas veio ao mundo assim como o mistério oculto veio, através da Igreja, por onde Seus Nomes são revelados, começando por "Sabedoria" e terminando no nome que conclui todos "Cristo". Portanto, não é dizer que Cristo surge da Igreja, mas que o Verbo se manifestou através dela e que ela preexiste toda a criação que Orígenes denomina como "segunda", preexiste as eras (aeons), sendo o meio pelo qual toda semelhança é revelada, é um princípio metafísico, portanto é pura, santa e una, tendo vários membros, o que não divide sua unidade. (São Cipriano de Cartago, Sobre a Unidade da Igreja, 5-6)
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IV. A Igreja enquanto Noiva

Cristo descende para unir à igreja em uma só carne, pois ela é o seu corpo, a fim de que todos os seus membros sejam, consigo e com o Pai, um só Espírito (1Cor 6:16-17; Ef. 5:29-32). Por essa razão, a Igreja é completada pelo Cristo, e não é, por ser preexistente, completa sem ele, pois é também seus membros.
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Naturphilosophie

O homem não nasceu para dissipar sua força na luta contra a fantasia de um mundo imaginado por si, mas sim para exercitar as suas forças em face de um mundo que tem influência sobre si, que lhe faz sentir o seu poder e sobre o qual pode reagir; portanto, entre ele e o mundo não deve existir qualquer abismo, entre ambos deve ser possível o contato e a ação recíproca, pois só assim o homem se torna homem.

- Schelling, Ideias para uma Filosofia da Natureza.
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A Universalidade da Forma Humana

Qualquer ser racional de qualquer outro mundo que foi capaz de atingir o Cosmos deve ser perfeito e universal como os humanos da nossa Terra. [...] Não podem haver monstros racionais, nem homens-cogumelo, nem homens-polvo! Eu não posso dizer que o que encontraremos na realidade [para além do sistema solar] -- alguma similaridade formal ou outro aspecto da beleza -- mas que será belo, não tenho dúvidas.


- Ivan Yefremov, Сердце Змеи (O Coração da Serpente)
A Sacralidade da Forma Humana

Todas as religiões verdadeiras têm uma única origem, que em termos macrocósmicos é o próprio universo, onde "os céus declaram a glória de Deus e a terra anuncia a obra de Suas mãos", e em termos microcósmicos, a natureza "teomórfica" do Homem, "feito de modo admirável e maravilhoso" à imagem e semelhança de Deus.


- Charles Upton, The System of the Antichrist, 2.
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Yefremov sobre a Universalidade da Forma Humana

"A anatomia e fisiologia do homem
, a única criatura com um cérebro capaz de pensamento racional na Terra, não foi o resultado de um capricho acidental da Natureza.

[...]

Diferente de outros animais, a beleza dos seres humanos consiste, além de sua perfeição física, em sua universalidade, [sendo essa beleza] aperfeiçoada pela atividade de sua mente e nobreza de espírito.

[...]

O estágio mais alto do desenvolvimento de todos os seres racionais deve alcançar um estado de entendimento mútuo. A mente de um ser inteligente reflete as leis que governam todo o Universo. Nesse sentido que o homem é um microcosmo. A razão, não importa onde é encontrada, inevitavelmente será baseada na lógica matemática ou dialética. Não pode haver outro processo inteiramente diferente, assim como o homem não pode existir fora da sociedade ou da Natureza."

- Ivan Yefremov, Сердце Змеи (O Coração da Serpente)
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Forwarded from Alexandria Apócrifa
20. A Alma, sendo um Fogo Brilhante, pelo poder do Pai, permanece Imortal, é Senhora da Vida, e preenche os muitos recessos do seio do Mundo.

22. Pois não foi na matéria que o Fogo que está no Primeiro Além [de tudo], encerrou seu Poder Ativo, mas na Mente; pois o Formador do Mundo Ígneo é a Mente da mente.


_ Oráculos dos Caldeus 1:20;22

43. Ohrmazd moldou as formas de suas criaturas a partir de sua Essência, da Existência da Luz, na forma de Fogo: Brilhante, Branca, Redonda e distinta.


_ Bundahishn 1:43
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Ἀλήθεια

Conhecer é lembrar, lembrar-se é desvelar o encoberto, nada nasce e nada morre, mas é recolhido e manifesto. O esquecimento (Λήθη) é o velado, o não-esquecimento (α-Λήθη) é o que foi desvelado. Essa é a Deusa (θεα) que iluminou Parmênides, o profeta da Verdade (Ἀλήθεια).
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Hino Órfico a Mnemosyne (Memória)

Invoco Mnemosyne, leito de Zeus, rainha / que gerou as Musas sagradas, santas, de vozes claras / sempre afastada do esquecimento maligno e nocivo à mente / conservando todo o intelecto, habitando junto às almas dos mortais / fortemente poderosa, fazendo crescer o raciocínio dos mortais / dulcíssima, amante da vigília, recordando tudo / do que cada um continuamente deposita com a mente no peito; / sem jamais desviar, despertando o pensamento em todos./ Mas tu, bem-aventurada deusa, desperta a memória nos iniciados/ dos santos ritos, e afasta deles o esquecimento.
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Λίμνη Μνημοσύνη (O Lago de Mnemosyne)

Encontrarás à esquerda das moradas de Hades uma fonte,
e junto dela um cipreste branco erguido;
não te aproximes em nada dessa fonte.
Mas encontrarás outra, da lagoa de Mnemosyne,
de onde flui água fria; guardiões estão diante dela.
Dize: “Sou filho da Terra e do Céu estrelado; porém, a mim pertence uma linhagem celeste — saibam disso também vós mesmos. Com sede estou, seca, e pereço. Mas concedei-me logo água fria que flui da lagoa de Mnemosyne.”
E eles te darão de beber da divina fonte,
e então tu reinarás entre os heróis com os outros iniciados.
Este é o túmulo de Mnemosyne [… pois quando estiveres para morrer,
… escreve isto…
… envolto em escuridão].


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Tábuas Órficas Áureas
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Mnemosyne e o Oráculo de Trofônio

[O suplicante] é levado pelos sacerdotes, não imediatamente ao oráculo, mas a fontes de água muito próximas umas das outras. Ali, ele deve beber água chamada água do Lete (Esquecimento), para que se esqueça de tudo o que esteve pensando até então, e depois bebe de outra água, a água de Mnemósine (Memória), que o faz lembrar-se do que vê após sua descida... Após sua ascensão do [oráculo de] Trofônio, o consulente é novamente conduzido pelos sacerdotes, que o colocam em uma cadeira chamada cadeira de Mnemósine (Memória), que fica não muito longe do santuário, e lhe perguntam, quando estiver sentado ali, tudo o que viu ou aprendeu. Após obterem essas informações, eles o confiam aos seus parentes.

- Pausânias, Descrição da Grécia XI, 39:3.
Mnemosyne e a imortalidade do Tempo

[Apolônio de Tiana] costumava cantar um hino dirigido a Mnemosyne (Memória), na qual se diz que tudo se desgasta e murcha com o tempo, enquanto o tempo em si nunca envelhece, mas permanece imortal por causa da memória.

- Filostrato, A Vida de Apolônio de Tiana, I, 14
Amizade...

é o desejo que coisas boas voltado para alguém, por causa da pessoa, a quem se dedica o amor, juntamente com o igual desejo da outra pessoa"

- Cícero, De Amicitia, VI

não é senão a suprema harmonia de todas as coisas, divinas ou humanas, com benevolência e caridade ... é benevolência (bem querer) e reciprocidade (redamare).

- De Inventione Rhetorica, II, 55
A Geração das Musas

Na Pléria gerou-as [as Musas], da união do Pai Crônida, Mnemosyne, rainha nas colinas de Eleutera, para oblívio de males e pausa de aflições.
[...]
Nove filhas nascidas do grande Zeus: Kleio, Euterpe, Thaleia, Melpomene, Terpsichore, Erato, Polymnia, Ouranie e Kalliope, que dentre todas vem a frente. Ela é que acompanha os reis venerados. A quem honram as virgens do grande Zeus e dentre reis sustentados por Zeus vêem nascer, elas lhe vertem sobre a língua o doce orvalho e palavras de mel fluem de sua boca.


Teogonia, 53ss
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Anamnesis e a forma Humana

"Aquela [alma] que jamais viu a verdade não chegará a esta forma [σχῆμα] [humana]. É necessário que o homem compreenda aquilo que é dito segundo a forma (εἶδος), indo de muitas percepções (αἰσθήσεων) para uma só, reunida pelo raciocínio: isso é a reminiscência daquelas coisas que a nossa alma outrora viu ao acompanhar o deus, desprezando aquilo que agora dizemos ser, e erguendo-se para o que verdadeiramente é. Por isso, com justiça, somente o pensamento do filósofo se alça com asas: pois ele está sempre, conforme sua capacidade, em memória daquelas coisas com as quais também o Deus, sendo Deus, está.”


- Fedro 249b–c
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Mas o Intelecto paternal não aceita a aspiração dela [da alma] até que ela tenha saído de seu estado de esquecimento e pronunciado o Logos, recuperando a Memória do Símbolo paterno puro.

- Oráculos Caldeus, 164
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Quanto aos estados de não manifestação, é evidente que, não estando sujeito à forma nem a nenhuma outra condição de um modo qualquer de existência manifesta, eles são essencialmente extraindividuais; podemos dizer que constituem o que há de verdadeiramente universal em cada ser, constituindo, portanto, aquilo pelo qual todo ser se liga, em tudo o que é, a seu princípio metafísica e transcendente, ligação sem a qual não teria senão uma existência totalmente contingente e, no fundo, puramente ilusória.

- René Guénon, Estados Múltiplos do Ser, 3.
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Guénon propõe tanto uma continuidade entre um estado e outro mediante o prolongamento da individualidade ou ao menos de suas modalidades, mas eminentemente propõe a continuidade entre os estados de manifestação mediante o imanifesto. Entre o estado "anterior" e o "posterior", só há continuidade naquilo que é inefável, em sua perspectiva.
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Esses estados de não manifestação são de certa forma semelhante à noção akbariana de عين ثابتة (‘ayn thābita). عين (‘ayn) se traduz por "olho" ou "fonte" e derivando da mesma raiz عَيَّنَ (‘ayyana), encontramos o sentido de "determinado", "apontado", "alocado". É traduzido como "ente", mas aqui significa o ente enquanto eternamente conhecido por Allah e por isso é constante, fixo, imutável, permanente (ثابتة, thābita).

O termo é utilizado para entes encontrados fora da existência, o que também é verdade para o que Guénon disse, pois os estados de não manifestação não estão contidos na Existência Universal. Eles também são utilizados filosoficamente como unificadores dos múltiplos estados encontrados na manifestação, o que me faz desconfiar que Guénon estava pensando nisso quando propôs essa teoria.
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[A escrita] proporcionará esquecimento nas almas dos que aprendem, pela negligência da Memória, visto que, confiando na escrita, do lado de fora por meio de sinais alheios, e não de dentro por si mesmos, recordar-se-ão (αὑτῶν ἀναμιμνῃσκομένους). Portanto, encontraste não um remédio para a Memória, mas um para a lembrança (οὔκουν μνήμης ἀλλὰ ὑπομνήσεως φάρμακον ηὗρες). E aos alunos proporcionas uma aparência de sabedoria, não a verdade. Pois, tornando-se ouvintes frequentes contigo, sem ensino, parecerão oniscientes, sendo na verdade ignorantes.

— Fedro 275a
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Hermes: O outro Deus será engendrado filho de Deus, o todo no Todo, composto completamente de todas as potências

Tat: Falas em enigma para mim, ó pai, e não como um pai que dialoga com um filho

Hermes: Esse tipo de coisa, ó filho, não é ensinado, mas quando se quer, por Deus é lembrado (αναμιμνησκεται)
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