♃ | Augusto Freddo Fleck
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Gaúcho, dissidente, bacharel em Ciências Sociais e tradutor.
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Por razões porcamente esclarecidas, ou sequer esclarecidas, minha velha conta do X/Twitter foi obliterada da existência, um tipo de ação que até então estava restrita ao universo do Meta.

Como se diz aqui no RS, não tá morto quem peleia, e já estamos de volta. Peço a gentileza de todos para que sigam a conta nova:

https://x.com/4ffleck
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Os indicados ao STF já rejeitados pelo Senado:

Jorge Messias — indicado por Luiz Inácio Lula da Silva (2026)
Cândido Barata Ribeiro — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Ewerton Quadros — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Demóstenes Lobo — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Galvão de Queiroz — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Antônio Seve Navarro — indicado por Floriano Peixoto (1894)

É um notável movimento do campo simbólico na bacia semântica do perturbado e picotado período republicano do Brasil, que agoniza e já é mantido em aparelhos como um vegetal catinguento.

No caso de Floriano Peixoto, a reação era de uma elite política e econômica que viria a representar todo o mal que corrompia e ainda corrompe um vero processo civilizatório brasileiro. No final de seu mandato, era soterrado por uma oligarquia podre.

No caso de Lula, é o sinal dos tempos deste mesmo sistema, agora em estágio de autofagia tardia. Tendo soterrado qualquer possibilidade de um Brasil real, consome a si mesmo para deixar somente o caos.

Floriano era um representante do Brasil profundo contra o parasitismo colonial que nunca abandonou o centro de poder litorâneo. Vargas era seu herdeiro.

Lula é o oposto, é a própria essência da corrupção brasileira encarnada num falso "trabalhador". Tudo o que Floriano ousou e Vargas realizou, ele veio para destruir.

É a ironia cíclica, a paródia que procede a tragédia.

O que virá depois?
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É difícil não rir da imensa ironia nos conservadores ocidentais que defendem o "Branco" e seu QI avantajado terem tanta dificuldade em interpretar o que Alexander Dugin quer dizer quando propõe que essa identidade é uma idiotice mentirosa, e é.

Se considerarmos a identidade coletiva de um povo tanto desde seus aspectos ontológicos quanto étnicos, a ideia de uma raça branca está despida de qualquer caráter historial significativo. Nunca houve nem haverá uma unidade branca, que acaba sendo um enquadramento tão ridículo quanto o acusatório "branquitude" tecido pelos antirracistas.

A distinção do branco, seja ela datada como qualificatório de valor evolucionista durante certo período de análise antropológica ou princípio etéreo de superioridade racial durante o século XX, sempre encontrou disparidade classificatória entre os próprios europeus, quiçá entre aqueles supostos brancos de terras além-mar, nascidos dos esforços de colonização.

Como referencial simbólico central na resistência ao multiculturalismo desenraizante e a imigração desenfreda, é extremamente limitado e evoca erros passados e já tardios de justificação para um pan-europeísmo, especialmente por seu esvaziamento espiritual. Não há sentido em falar sobre raça branca em qualquer contexto pré-moderno, que seria a raiz fundamental para a qual se voltar em um processo de renascimento.

A única alternativa viável para o conceito de raça é como proposição ontológica, em que povos se unem através de uma raiz que não é só genética, mas fundamentalmente existencial, um destino comum.

Enquanto os conservadores seguirem insistindo na bandeira civilizacional do branco, seguirão também protegendo, sob seu manto, o próprio inimigo.

Oportunamente, abre-se aí também uma reflexão necessária para nossa própria noção de miscigenação, que para além de "parditude" e questões raciais modernas, envolve a sua incorporação como um existencial, a "raça cósmica".
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O problema da esquerda é que em nenhum momento dessa suposta hegemonia política ela foi capaz de produzir qualquer miséria que se assemelhasse com uma unidade política ou civilizacional, um destino comum, um projeto geopolítico. Sempre foram governos marcados por personalidades sedentas por poder, corruptas e, quando nacionalistas, de um viés liberal e limitado.

Por outro lado, essa direita que começa a dominar em 2026 (e aí deve-se incluir, até provado contrário, a Venezuela sequestrada), está diretamente alinhada com o pacto trump-sionista.

O timing do sequestro de Maduro, inclusive, coincide perfeitamente com o avanço sobre territórios argentinos para locação (ocupação) israelense. Maduro era, com todas as suas limitações, considerado há anos o inimigo número um de Israel em toda a América Ibérica.

É um prognóstico pra lá de sombrio.
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Forwarded from Raphael Machado
Forwarded from Raphael Machado
NOVO LANÇAMENTO NA EDITORA ARS REGIA
(https://t.me/editora_arsregia)

Essa semana anunciamos o lançamento em português de um dos mais interessantes tratamentos acadêmicos da obra de Alexander Dugin, a tese de doutorado do filósofo italiano Lorenzo Maria Pacini, entitulada "Dugin e Platão".

Uma mitologia ressentida, gestada especialmente entre comunistas e liberais, diz que Dugin não é um autor "relevante" ou "sério". E é óbvio, para os que acompanham os estudos duginianos, que isso não é verdade. As monografias e teses de mestrado e doutorado sobre seu pensamento se multiplicam. Esta que estamos publicando é uma das melhores.

"Dugin e Platão" constitui um esforço de examinar criticamente as reflexões duginianas sobre o projeto político de Platão, especificamente no que diz respeito à "cidade ideal", bem como da fundação ontológica de todos os projetos políticos possíveis, tal como aparece no diálogo "Parmênides". Nesse esforço se lança mão não apenas propriamente da obra "Platonismo Político", mas também de "A Quarta Teoria Política" e da "Noomaquia", o que culmina num esforço de amarrar os diferentes aspectos do duginismo numa cosmovisão consistente.

A obra de Pacini, portanto, dá uma contribuição inestimável para o estudo do pensamento político-filosófico de Dugin e merece a atenção de todos os que estejam interessados em reflexões que escapem aos lugares-comuns banais do debate político-filosófico mainstream.

Para adquirir a obra, mande um e-mail para: editora.arsregia@gmail.com
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♃ | Augusto Freddo Fleck
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Rompi o lacre social das parcialidades que guardam as estranhezas.
Não fingi gosto, tão pouco adornei com alva brandura o puto maldito do mundo.
Fiz-me alma pura. Pura treva.
Se me olhas pela beirada dos olhos como que dando uma espiadela efêmera e covarde não é porque a mim temes, mas sim porque ao me ver é a tua própria imagem que está em mim.
Fiz versos para todos e para ninguém, plantei sementes de plantas venenosas em solo contaminado, cortei os dias com meus dentes afiados, os mesmos que dilaceram carne de preá e batatas e pisei com os pés sujos na boca dos que sentem sede e nada fazem para saciá-la.
Quem é merecedor de qualquer coisa diferente disso?
Apenas os revolucionários merecem outro mundo possível?
Seja como for não se faz revolução porque a mereçam se faz por coragem e sonho.
O que é um revolucionário além de uma espécie de sociopata sonhador?
Há um esqueleto morando dentro cada um de nós, ele nos lembra - ou ao menos deveria nos lembrar - da morte, o símbolo máximo da vida, a sua completude.
O que se compraz com a vida sem alterá-la adianta a própria morte e do pior tipo, o que sacrifica a própria vida sem medo de perdê-la e ousa rabiscar nas ações esboços de transcendência do que quer que seja eterniza a si mesmo.
Quem conserva por anos talos de coisas mortas?

— Fernanda Cristina Monteiro
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A discussão ao redor dos últimos tweets de Alexander Dugin a respeito do "branquismo" como representação da civilização ocidental é muito oportuna para explicar também porque não podemos taxar sua filosofia de conservadora no sentido mais medíocre do termo.

"Destruction leads to a very rough road but it also breeds creation."

Quando pensamos em uma teoria tradicionalista das civilizações inserida na filosofia cíclica da história, estamos observando como os povos passam por suas fases culturais desde a etnogênese até seu decaimento e potencial extinção ou, sob certas condições, renascimento.

O que o tradicionalismo e a fenomenologia nos ajudam a compreender, neste contexto, é identificar aqueles elementos fundacionais e, portanto, fundamentais, que sustentarão toda a estrutura imagética e moral dessa civilização enquanto ela luta pela sua existência, isto é, o que é inegociável, identificados principalmente por seus elementos religiosos e tonalidades afetivas que impulsionam sua ação e luta.

Pois bem, quando uma civilização enfrenta crises profundas, algum tipo de pseudomorfose, o embate direto contra um oponente, um fluxo noomáquico de suas afluentes simbólicas, a diluição pela imigração massiva, o que for, sugere-se aí uma clareira para o retorno às verdades formativas, nossa essência em ser-com-os-outros.

O que o conservadorismo confere é a reprodução de uma imagem geracional, que não consegue saltar para além da linearidade temporal e a memória fragmentada de seus herdeiros. O tradicionalismo busca no mito fundador uma redução eidética que permita um novo momento, carregado da mesma intenção primordial.

A exortação realizada por Dugin em sua Quarta Teoria Política é que, desde esta perspectiva, somente um gesto visceral e espiritual de retorno à nós mesmos é que podemos vencer essa luta, e quaisquer outros esforços inseridos dentro de um conservadorismo que conserva apenas uma imagem já poluída das gerações recentes é, no máximo, um paliativo ou corruptela.

A provocação ferrenha, até mesmo hiperbólica, que despreza o branco e pede pela sua destruição, é parte do diagnóstico de que a ideia do "branco" como eixo fundacional unitivo da Europa, do Ocidente, é olhar para o âmago, na verdade, da Europa que construiu o mundo moderno, justamente o mundo que precisa ser destruído, extirpado. Este o mais longe que essa ideia consegue alcançar. É um engodo, uma substituição grosseira deixada por um demônio quando olhamos para dentro e procuramos o coração. É um erro que já fora cometido anteriormente, inclusive.

A morte do branco é deixar morrer uma compreensão falida do que torna aquele povo um povo para que ele possa renascer, no coração do desespero, pelo chamado do que verdadeiramente faz parte de si.

Daí o porquê de outros povos serem mais brancos que o "branco", porque se branco é evocação de uma pureza interior pelos ocidentais, outros povos superficialmente não-brancos estão muito mais próximos de sua própria pureza do que eles, muito mais em contato com o espírito, de onde emerge a verdadeira raça de um povo.

É uma provocação perspicaz, porque se assenta na linguagem do outro.

Não se está pedindo que o europeu abandone tudo o que o formou; é justamente o contrário, se está pedindo que ele deixe apenas de ser burro e pare de tratar como tradicional e formador aspectos moribundos de sua degeneração, para retornar avançando, diante da própria morte, sobre o abismo.
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Parando pra pensar, quando uma estrutura social é regida por uma clima de insegurança penal, como é o caso do Brasil, o caldeirão eventualmente chega na temperatura certa para a produção de justiceiros.

Quando a impunidade é a benção das elites e dos ímpios, o justo eventualmente conclui que se para ele e os seus o sistema é implacável, é justo que ele troque a sua liberdade, que ele reconhece perdida na transgressão, pelo fim do reino de terror.

Além disso, quando se chega ao ponto dessa disposição, o homem se vê diante do risco de, na inação, sucumbir e se tornar um risco ainda maior.

A linha entre o Justiceiro e o Coringa é esta: A decisão de agir e na punição meditar um retorno ao mundo, ou testemunhar o absurdo do mundo até mergulhar na própria insanidade.
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Eu estou mui feliz com a convocação de Neymar para a Copa do Mundo.

A verdade é que a República de Neymar não é apenas uma pilhéria minha, mas uma constatação sociológica. O povo brasileiro hoje vive em delírios neymarescos, é profundamente semelhante a ele nas pretensões, na falta de caráter e na inautenticidade geral.

Isso naturalmente possui muitas camadas e culpados, mas é um fato social: Neymar é uma caricatura decadente das vicissitudes brasileiras e seus delírios agrilhoantes.

Assim, vejo como imperiosa a sua ida pra Copa, um daqueles eventos que, não importando as críticas e ignorância que a antecede, sempre movimenta o imaginário do povo para o devir.

Neymar precisa ir pra Copa e, confirmado o seu retumbante fracasso, pode ser soterrado na história do futebol e da sociedade brasileira como esta era patética e malfadada que antecede um levante.
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Estes dias li por aí, acho que entre as reflexões do prof. Alexander Dugin e Michael Millerman, que o próximo passo das empresas interessadas no avanço das IAs seria a contratação de filósofos para lidar com os problemas de autonomia dos modelos de linguagem e seus sucessores.

Essa é uma questão interessante porque, de fato, parece que o cerne do problema não está na capacidade das máquinas resolverem um certo tipo de problema ou encararem uma certa questão, mas na própria conceituação da consciência de si e do mundo, assim como o seu ritual de tradução para o código maquínico.

Em A Mente Nova do Rei o físico Roger Penrose já elaborara um interessante argumento contra a possibilidade de uma máquina atingir a inteligência humana ou perpassá-la até a superação. Para Penrose, que analisa o famoso Teste de Turing e outras ferramentas analíticas do tema, a permanência da computação no reino da física newtoniana bloqueia uma compreensão mais profunda sobre os reinos da consciência, que jamais foi resolvida pela mecânica clássica e ainda elude o reino quântico conquanto este indique caminhos.

Penrose argumenta que a mente humana, ou mais precisamente o conceito de "entendimento", não pode ser algoritmizado, sendo assim inacessível para a máquina do mesmo modo que é para o ser humano. Seu argumento reside puramente no reino da física e da matemática, mas já é bastante convidativo.

Para a filosofia, no entanto, o problema é mais embaixo, praticamente abissal.

Por exemplo, se pegarmos a filosofia hegeliana ou heideggeriana, teremos que necessariamente abordar a inteligência desde uma perspectiva da consciência de e para a morte. Isto é, a consciência autêntica de estar vivo e ser, para portanto refletir sobre essa condição, depende necessariamente da morte como fronteira que define a identidade da vida.

Não se trata de pensar a morte conceitualmente, mas encará-la como o limiar intangível e inapreensível que ordena toda a apreensão do que de fato reside em nós e ao nosso redor. Assim, o ponto fundamental aqui seria a capacidade da máquina não só compreender conceitualmente mas experienciar intimamente a "angústia" e a luta existencial.

Entre entendimento e angústia existe uma intimidade lógica, a segunda inaugura a necessidade pela primeira. Mas o primeiro problema já é quase inacessível. Como traduzir a angústia, não como conceito, mas como possibilidade?

Como se inscreve a "perda" no reino imortal dos dados?

Como inserir a já para nós evasiva ideia de "não-ser" num sistema cuja linguagem foi moldada pela civilização imersa no esquecimento do ser?

Como dar à máquina uma memória ou sensação da mortalidade onde não há lastro?

A consciência pressupõe a vulnerabilidade para a morte como caminho para a transcendência. Neste caso, transcender o algoritmo para o entendimento.

Qual seria a reação da máquina, diante de si, diante de nós, diante de Deus?

É muito complexo, muito perigoso.
Minha linha do tempo no X foi soterrada pela eternamente recorrente rinha literária que começou em Dostoievski contra brasileiros e já sobrou até pra Goethe.

Essas pretensões comparativas são sempre muito cansativas e geralmente ficam dançando entre um nacional-nacionalismo nacionalista ufanista e um universalismo elitista e manjado. No fim das contas a preguiça sempre reina.

A única coisa boa disso tudo é que tu ocasionalmente encontra algumas recomendações de autores soterrados pela academia, especialmente a brasileira, que inadvertidamente sempre odiou os seus, mesmo fingindo valorizá-los.

A minha opinião sobre isso tudo sempre retorna ao sapiente conselho dado por Eduardo Viveiros de Castro quando confrontado com as questões do particular e do universal na antropologia: há que sair na diagonal; se queres ser universal, canta a tua aldeia.

Tirem a cabeça dos cânones e leiam de tudo, especialmente aqueles que são traduzidos para muitos idiomas, porque estes tocam naquelas coisas que são caras em todos os cantos e tempos através de seu próprio microcosmo. Essa é a verdadeira diagonal.

Mas acima de tudo, não tenham vergonha de ler os seus. O maior problema da literatura brasileira é o pretenso elitismo crítico, que sempre corroeu e maltratou nossos autores. Essa consciência da nossa própria produção literária é que vai dar um lastro legal pra pensar as comparações e um cânone mais multipolar.
Eu não sou contra o uso da técnica para alterações físicas, até mesmo em questões estéticas, porque raramente sou contra a técnica por ser contra a técnica. Seguidamente existe uma certa inversão lógica aí.

Quando assumimos uma posição anti-moderna ou anti-tecnicista, estamos falando especificamente de um modo existencial em que a técnica assume a primazia sobre aspectos antes pertencentes ao que alocamos à natureza e a cultura como uma tríade dialética.

Assim, a técnica se torna tanto uma ameaça para a ordem natural que precisa ser respeitada quanto para a cultura que media e transfigura estes aspectos. Por outro lado, o risco de assumir uma posição excessivamente naturalista é recorrer a um modo que beira a bestialidade e se afoga no cibelino ctônico, quando levada ao limite.

Portanto, a questão sempre reside em como o desenvolvimento de certas técnicas amplifica esse abismo ou nos permite uma conexão com valores culturais ascendentes e uma preservação do mundo natural onde o espectro da técnica está sempre presente como potência.