♃ | Augusto Freddo Fleck
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Gaúcho, dissidente, bacharel em Ciências Sociais e tradutor.
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Algo que deveria fazer o cérebro da direita conservadora trumpófila pifar, mas pra isso ela precisaria, de fato, usar o cérebro:

Entre os regimes da América Ibérica, a Venezuela de Maduro era o mais conservador em medidas efetivas, muito mais do que a Argentina de Milei, o Brasil de Bolsonaro, etc.

Entender como essa aparente contradição na verdade revela perfeitamente as motivações existenciais dos atores seria um passo importante para solidificar uma posição mais autêntica e legitimamente patriótica.

O que acontece na verdade é a revelação ainda mais clara dessa direita brasileira como sendo 100% norte-americana, usando o nacionalismo como proxy.
Marco Rubio disse hoje que está pouco se lixando para a ONU. O sequestro de Maduro corrobora isso.

Novamente, sabemos que soberania é força, e que força não é apenas militar, mas política, cultural, social. É preciso mobilizar um povo na direção da soberania, ou não se tem nada. Não se pode dar abertura para revoluções coloridas e generais vendilhões. A questão é: temos isso aqui? É óbvio que não. A Nova República apodrece e é prato cheio para o caos.

Outros podem fazer o mesmo que os EUA? Talvez, mas é necessário. Na Rússia, na China, no Oriente Médio, na África. Não se pode continuar o jogo internacional e agir sob os panos; as coisas estão mudando, o pano está sendo arrancado pelos próprios ianques.
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Puta merda, tem neocon literalmente invocando o conceito de "guerra justa" pra justificar a prisão de Maduro pelos EUA. Essa gente não cansa de inventar razões pra lamber bolas norte-americanas.
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Cada dia que passa incomodamos mais alguma autoridade ou instituição internacional.

Que orgulho fazer parte da Nova Resistência e da Associação Nova Roma, guardiões da Verdade do Brasil que vem aí.
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O sionismo representa, fundamentalmente, o epicentro escatológico de um mundo moderno que descende em si mesmo e espirala em direção aos abismos antifrásicos do imaginário.

O sionismo é uma imanentização da escatologia, de modo semelhante com que a utopia imanentiza o paradisismo e a conspiralogia substitui a teologia.

As polaridades são invertidas e neste processo o espelhamento primariamente devolve um ponto cego do mundo afirmando a si mesmo.

Assim é que a "traição sagrada" se consolida como ascese da implosão e o messianismo é atomizado num coletivismo étnico divino.

Claro, essa imanentização é composta por um elemento sutil de projeção das sombras.

Se é papel do rei-filósofo retornar à caverna com a luz transcendente para libertar os demais, o rabino-filósofo da imanência não retorna de lugar algum. Sua jornada de "ascese" é ao posto de emanador das sombras, a única "verdade" que há.

Resta ainda a questão de Al-Aqsa, é claro.

Fala-se muito sobre sua destruição e a construção forçada do Terceiro Templo, do mesmo modo forçoso com que o próprio estado de Israel foi construído. No entanto, vide a história de Sabbatai Zevi, não é de todo estranho supor que o plano seja a própria perversão da mesquita como o templo, mais uma vez apelando para a inversão da narrativa mítica para uma estrutura de imanência sincrônica.
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Devemos formar pessoas sóbrias e pacientes, que não se desesperem diante do pior dos horrores nem se emocionem por qualquer coisinha. Pessimismo intelectual, otimismo da vontade.

— Antonio Gramsci
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Lewis Hamilton, em entrevista recente, disse que espera muito que os líderes africanos se unam para "tomar a África" de volta dos europeus e expulsá-los. Esse é um ótimo exemplo de análise que exige contexto do autor. Explico:

Em sentido estrito, Hamilton exprime uma opinião que poderia ser considerada bastante alinhada com os princípios de uma soberania alternativa ao pós-modernismo liberal.

Mas Hamilton é o filho querido e porta-voz do falso identitarismo, abraçando toda e qualquer pauta pós-moderna como um verdadeiro outdoor ambulante. Focando ainda especificamente na ideia implicada na expressão "tomar de volta" a África, caímos num ponto interessante sobre a distinção entre uma teoria dos grandes espaços que pense a soberania do espaço africano e um discurso "decolonial" do ressentimento.

Vejam, qualquer pessoa que esteja mais ou menos inserida na proposta dissidente de uma quarta teoria política, uma política ontológica e pragmática, a ideia de uma "África para os africanos" que expulse os últimos vestígios de domínio colonial do continente é absolutamente bela e moral.

O mesmo direito que europeus tem de se revoltar contra a crise migratória que vivem tem os africanos em desejar a partida daqueles que os subjugam. Mas há uma nuance importante a ser considerada desde um falso discurso soberanista decolonial que não é outra coisa se não um artifício liberal.

O problema surge quando esse discurso se maquia de algum devaneio pseudo-reconstrucionista de uma identidade africana — ou até mesmo no nosso caso, latino-americana — pré-colonial.

Isso simplesmente não existe.

A África antes da colonização era um território vasto e disputado por uma miríade de identidades e formações civilizatórias. Qualquer ideia de pan-africanismo existe como um projeto de resistência posterior e que implica uma visão geopolítica mais ampla sem a homogeneização cultural de seus povos.

É aí que a dissidência, ao meu ver, se separa integralmente do pensamento decolonial. Enquanto aquele reconhece a decadência moderna da Europa e seus erros espalhados pelo mundo, ela também reconhece que no interior de muitos desses erros — entre os quais está a colonização como uma forma pervertida e decaída da conquista — emergem novas possibilidades existenciais para novos povos, que englobam aspectos de suas diversas afluentes simbólicas conforme suas assimetrias históricas.

Para o decolonial, por outro lado, tudo (sem hipérbole, é tudo mesmo) que chega da Europa para outros continentes é uma chaga que deve ser apagada. É o ressentimento vitimista das esquerdas pós-modernas afrancesadas que vivem de um fetichismo antropológico pelos povos autóctones. Ironicamente, seus conceitos são emprestados do pensamento europeu masoquista e travestidos de reconstrucionismo quimérico e materialista das cosmovisões locais. É o mesmo tipo de gente que, paradoxalmente, acha um absurdo que europeus sejam contra migrações em massa.

Então é importante que se saiba que a África que pode "retomar" seu território é uma África bastante plural, profundamente influenciada e formada pela herança europeia sem se subjugar a esta, e que se abraçar esse caminho saberá que o faz através de um esforço geopolítico mais amplo de resistência.

O mesmo pode ser dito da América, naturalmente.
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Trump, falastrão que é, anunciou a vitória na guerra contra o Irã. Só faltou combinar com os iranianos que continuam bombardeando a região, neste exato momento.

Surpreende? Não. O presidente norte-americano traz esse elemento de canastrice sincera para o cenário geopolítico, que abre certas oportunidades escancarando o que sempre foi o caráter dos EUA. Neste sentido, ele é útil.

Isso, naturalmente, não é um elogio a Trump, apenas uma constatação de quem procura no caos uma escada.
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Um século depois da República de Weimar, o Brasil descende em sua própria República de Neymar:

Apatia, jogatina e putaria.
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Quando essa figura realizou aquela denúncia em vídeo sobre a exploração de menores, eu inicialmente elogiei e desconfiei das críticas excessivas porque me pareciam aquele tipo de ataque programado pra colocar o tema sob o tapete. Conforme as coisas se desenvolveram e esse apoio da mídia se manifestou, os primeiros sinais de alerta se acenderam.

Depois, suas manifestações e campanhas recheadas de simbologia esotérica pesada que deixavam até dúvidas se ele era já um agente declarado ou apenas um peão útil de forças obscuras.

Mas sua resposta extremamente evasiva e condescendente sobre a "Lei Felca" e agora essa emergência como símbolo midiático do cuidado com saúde mental e perigos do ambiente digital, sendo ele mesmo uma figura claramente limítrofe e com históricos questionáveis, só fortalece a convicção de que Felca, é, de fato, um agente de subversão através de uma máscara de empatia.

Não me surpreenderia que aparecessem ligações mais ou menos diretas com Israel e o sionismo, visto que essa é uma prática bastante típica da sua ideologia, baseada na infiltração através da traição redentora.

Ele me recorda em muito o problema com as caridades e ações da tal Martina Oliveira, que sob a máscara da caridade acaba vendendo um universo de perversidade e devassidão que atraem cada vez mais jovens desavisados.
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Uma noite em tempos imemoriais, o homem despertou e viu a si mesmo: Constatou que estava nu sob o cosmos, desabrigado em seu próprio corpo. Todas as coisas se dissolveram diante de seu pensamento inquisidor, espanto sobre espanto, horror sobre horror desdobraram-se em sua mente.

— Peter Wessel Zapffe
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Com o compromisso de Washington com a segurança do Golfo reduzido a birras transacionais e tuítes do presidente, a Grã-Bretanha apresenta-se como o confiável “equilibrador externo” numa região que outrora dominou por meio de navios de guerra e cartógrafos.

No entanto, essa postura esconde um vazio profundo. A estratégia da “Grã-Bretanha Global” é, em essência, uma tentativa de conquistar os aliados de Trump e suplantar a influência em declínio dos EUA, apostando que as elites do Golfo preferirão o mal conhecido de Londres ao abraço incerto de Pequim ou Moscou.

https://www.youtube.com/watch?v=iqsNr3Psh5M
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Por razões porcamente esclarecidas, ou sequer esclarecidas, minha velha conta do X/Twitter foi obliterada da existência, um tipo de ação que até então estava restrita ao universo do Meta.

Como se diz aqui no RS, não tá morto quem peleia, e já estamos de volta. Peço a gentileza de todos para que sigam a conta nova:

https://x.com/4ffleck
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Os indicados ao STF já rejeitados pelo Senado:

Jorge Messias — indicado por Luiz Inácio Lula da Silva (2026)
Cândido Barata Ribeiro — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Ewerton Quadros — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Demóstenes Lobo — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Galvão de Queiroz — indicado por Floriano Peixoto (1894)
Antônio Seve Navarro — indicado por Floriano Peixoto (1894)

É um notável movimento do campo simbólico na bacia semântica do perturbado e picotado período republicano do Brasil, que agoniza e já é mantido em aparelhos como um vegetal catinguento.

No caso de Floriano Peixoto, a reação era de uma elite política e econômica que viria a representar todo o mal que corrompia e ainda corrompe um vero processo civilizatório brasileiro. No final de seu mandato, era soterrado por uma oligarquia podre.

No caso de Lula, é o sinal dos tempos deste mesmo sistema, agora em estágio de autofagia tardia. Tendo soterrado qualquer possibilidade de um Brasil real, consome a si mesmo para deixar somente o caos.

Floriano era um representante do Brasil profundo contra o parasitismo colonial que nunca abandonou o centro de poder litorâneo. Vargas era seu herdeiro.

Lula é o oposto, é a própria essência da corrupção brasileira encarnada num falso "trabalhador". Tudo o que Floriano ousou e Vargas realizou, ele veio para destruir.

É a ironia cíclica, a paródia que procede a tragédia.

O que virá depois?
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