♃ | Augusto Freddo Fleck
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Gaúcho, dissidente, bacharel em Ciências Sociais e tradutor.
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Cada dia estou mais convencido de que a memeficação do discurso será parte do processo de seu retorno ao mito.

Conforme o meme dilui as possibilidades de concatenação coerente do arcabouço simbólico racionalista e preenche os espaços, a superposição das possibilidades verbais marcará o retorno dos deuses e um novo momento noomaquico de distinção.
Forwarded from Voz da Nova Resistência
"O pensamento filosófico retorna sempre ao início mítico."

- Vicente Ferreira da Silva
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Forwarded from Voz da Nova Resistência
Frankenstein; ou, O Prometeu Pós-Moderno
📝 Por Augusto Freddo Fleck

Releitura cinematográfica de uma das obras mais clássicas do horror gótico, o Frankenstein de Guillermo del Toro foi ansiosamente aguardado por entusiastas do gênero ao combinar uma narrativa celebrada com um diretor e roteirista consagrado em sua arte. Mergulhemos então na essência desta nova adaptação e indaguemos sobre o que suas particularidades revelam sobre como o imaginário deste mundo olharia hoje para o mito prometeico de Mary Shelley.

🔗 https://novaresistencia.org/2025/11/12/frankenstein-ou-o-prometeu-pos-moderno/
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Hegel não utiliza, em Fenomenologia do Espírito, o conceito específico de "moral" para a díade Mestre e Escravo. Antes, sua análise se baseia numa ideia fundamental de "caminho" como parte do eixo dialético que ocupa toda a sua obra.

Contudo, não é um erro vital tratar de uma decorrência moral destas posições. A questão é que Hegel utiliza primordialmente o conceito como forma de lidar com uma emergência de autoconsciência. O Mestre e o Escravo são, de certo modo, essências pré-conscientes de um "Eu" que são dois, e desta guerra fundamental surgirá um Eu fundacional e um Eu que se torna um Outro inconsciente e submetido.

Posto assim, a análise hegeliana não é outra coisa que uma interpretação historial do momento noomáquico. Seus dois Eus são, no grande isomorfismo das identidades simbólicas, os regimes diurno e noturno da imagem se manifestando. O fato do resultado fundamental ser uma distinção aponta para a predominância de um gesto diurno, onde a autoconsciência assume a posição do Mestre diante da Morte, e o Escravo se torna uma força dependente no plano de fundo.

Pela própria lógica dialética, que é um reflexo do pensamento cíclico espiralado, a posição do Mestre e do Escravo sofre uma reviravolta pela tendência decadente do primeiro e a clareira se abre para o "esforço" do Escravo ascendente. É dessa lógica principial que Marx extrairá a luta de classes, apesar desta operar sob uma égide teleológica amplamente distinta.

A síntese hegeliana é finalmente um processo de reconhecimento mútuo dessas esferas da consciência, ou logoi. Esse reconhecimento, enfim, só pode ser realizado pela lógica verbal sintética do noturno dramático — o logos dionisíaco, que aparentemente reside ocluso e suprimido pela força diurna, mas das forças noturnas é a única capaz de reconhecer a luz transcendente e a escuridão abissal para reintegrá-las.

Hegel é a síntese da filosofia Ocidental precisamente porque discorre sobre todo o seu vagaroso processo de descida desde os fundamentos diurnos dominantes para a esfera de uma era dramaticamente dionisíaca que se inaugura, ou como descenso contínuo para a indiferenciação ou como realização em comunhão.
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Hegel e o Salto Platônico
📝 Por Aleksandr Dugin

Em 14 de novembro de 1831, faleceu o maior filósofo romântico na história mundial do pensamento, Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). Se Platão foi o filósofo do começo, então Hegel e Nietzsche foram os filósofos do fim. Nesse sentido, Hegel foi o filósofo da síntese.

🔗 https://novaresistencia.org/2025/11/14/hegel-e-o-salto-platonico/
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As IAs serão os novos daimons.
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No dia de hoje, completa-se um ano desde a partida de Elizeu Gasparini.

Elizeu Gasparini era um camarada do Espírito Santo, sendo membro da ANR há anos. Além de advogado, Gasparini era campeão estadual de levantamento olímpico e lutador de MMA.

Nobre, honrado, de bom coração e sempre de bom humor, o camarada Gasparini era um defensor aguerrido da ideia clássica de que todo patriota, além de intelectual, deve ser também um atleta.

Era um digníssimo representante de nosso ideal revolucionário, que toma como ponto de partida, precisamente, a transformação revolucionária do próprio homem, em seu interior, em sua consciência e em seu corpo, para que a guerra externa não seja senão o transbordar da guerra interior, com a vitória sobre o inimigo exterior sendo consequência do triunfo do homem sobre os vícios.

Seu nome não só inspirou diversas iniciativas esportivas e marciais ao redor do país, como também foi recentemente eternizado no Centro de Treinamentos de sua cidade. Que Elizeu Gasparini inspire a cada um de nós a lutar contra o inimigo interior e triunfar sobre o exterior todos os dias.

Camarada Elizeu Gasparini,
PRESENTE! PRESENTE! PRESENTE!
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Forwarded from Voz da Nova Resistência
A Associação Nova Roma manifesta seu pesar pelo falecimento, em 22 de novembro, de Natália Braga Costa Pimenta, dirigente do Partido da Causa Operária (PCO) e vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal).

Filha de Rui Costa Pimenta, Natália dedicou 28 anos de sua vida à militância política. Sua atuação foi decisiva na formação de uma nova geração de militantes e na consolidação da presença do PCO no movimento estudantil brasileiro, especialmente na Universidade de São Paulo. Polemista incansável, defendeu até seus últimos dias a soberania brasileira, o direito palestino de existir e a classe trabalhadora, ao passo em que combatia a internacionalização da Amazônia, o identitarismo e o sectarismo.

Assim como não se pode pensar em sua vida à parte da política, o mesmo se pode dizer de sua morte: a militante enfrentava leucemia mieloide aguda, patologia que vem sendo tratada nos Estados Unidos com o medicamento Revumenib, sob os típicos preços obscenos dos fármacos inovadores patenteados no país. Apesar de o Revumenib ainda não estar registrado no Brasil, Natália tinha direito constitucional subjetivo a recebê-lo, nos termos do Tema n.º 6 do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, a liminar que pediu o acesso ao medicamento foi desprovida em primeira instância judicial. Mesmo após a decisão ser reformada em sede recursal, sua execução foi condicionada a seguimentos burocráticos que duraram semanas preciosas. Após uma vida inteira de resistência ao neoliberalismo, Natália sucumbiu a suas ramificações: a austeridade, a ineficiência e o sucateamento. O remédio nunca chegou.

Natália Pimenta deixa para trás pai, marido, dois filhos, dois irmãos e incontáveis companheiros de luta. Permanece seu testemunho de dedicação integral à justiça social e à amizade entre os povos. Seu legado será marcado pelo exemplo de rigor organizativo, brilhantismo teórico, capacidade de liderança e poder argumentativo.
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Uma das melhores maneiras de compreender a razão de ciência viver entre duas dimensões opostas, sendo uma a de Ídolo Simbólico da Modernidade e a outra um Caminho de Conhecimento é, efetivamente, estudar algum "campo" científico.

Veja a Física, por exemplo. Tu sai da escola com uma noção relativamente generalista e precisa de conceitos como Força, Energia, Luz, Gravidade, etc. No entanto, quanto mais se aproxima desses conceitos em suas discussões proeminentes, é fácil perceber como nenhum desses conceitos é trivial ou está determinado.

De fato, muitas coisas desde o conceito de luz, energia, partículas, até espaço-tempo, dizem mais respeito a modelos matemáticos e descritivos do que uma ontologia física. A cúpula aberta da ciência continua sendo um campo fascinante para quem realmente vive esse chamado, ainda que ela pudesse ser mais aberta a correções, especialmente de amplitude disciplinar.

Por outro lado, a catedral da ciência é um modelo em decadência, que progressivamente perde espaço e potência diante dos novos afluentes simbólicos que buscam capturar ou recapturar espaços perdidos na bacia semântica dos imaginários.
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O homem é igual ao cavalo
Quando é bom, já nasce pronto
Mas a vida é que dá o pealo
Para deixar de ser potro

O cavalo se ajeita no freio
E o homem na luta em que passa
Um se conhece em rodeio
E o outro, na causa em que abraça

— Mano Lima
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Quando dois indivíduos se amam, eles se tornam livres do Leviatã, eles criam um espaço que ele não pode controlar. Eros sempre triunfará, como verdadeiro mensageiro dos Deuses, sobre todas as criações titânicas.

— Ernst Jünger
É verdade, e corresponde a um elemento central da relação de gênero. O ferimento, seja ele por batalha, por serviço pesado ou o que for, corresponde a um afirmador da ação através da marca deixada por um mundo que é adversário e adversidade.

A doença, por outro lado, é um indicador recôndito de incapacitação, e sua cura responde, ou respondia tradicionalmente, ao reino das estranhas operações medicinais, produto do reino abissal dos mistérios naturais dominado pela mulher.

Repito, o meme é o retorno ao simbólico.
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♃ | Augusto Freddo Fleck
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As forças vivas desenvolvidas pelo espírito na história e a ação destas forças sobre a marcha e progresso das sociedades são fatos suscetíveis de observação exterior, fatos reais e concretos. Mas como estes fatos se ligam ao espírito e são precisamente criações do espírito, resulta daí que, conquanto possam ser observados exteriormente em seus efeitos objetivos, todavia só podem ser devidamente apreciados em face dos nossos próprios estados de alma; quer dizer: sendo consideradas à luz das operações de nossa atividade psíquica e como através do espelho de nossa própria consciência. Trata-se, por conseguinte, ainda aí, de introspecção. É bem certo que de introspecção indireta. Mas esta depende da introspecção direta. Nem se poderia conceber o contrário. E deste modo, tratando-se dos fatos psíquicos, quer na esfera da consciência individual, quer na esfera da consciência coletiva; quer considerando, cada um, as operações da própria consciência, quer considerando as operações de consciências estranhas, o método próprio para a elaboração do conhecimento é sempre a observação interior ou a introspecção. E quanto à história em particular, pode dizer-se que é uma espécie de introspecção organizada e sistemática. Por onde se vê que na filosofia, quer seja esta considerada em seu sentido restrito, como ciência do espírito, quer em seu sentido mais amplo, como solução ou tentativa de solução do problema da universal existência — de toda a forma, a verdade fundamental, a verdade que é o centro de todo o trabalho do espírito e o princípio mesmo do método, é ainda e será talvez sempre, a que se encerra no velho preceito socrático: Conhece-te a ti mesmo.

— Raimundo de Farias Brito
♃ | Augusto Freddo Fleck
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O novo trailer d'A Odisséia de Christopher Nolan foi recebido com certas reticências por aparentes escolhas estéticas e históricas do diretor. Já existia um descontentamento por conta de algumas escalações, como a superestimada Zendaya para interpretar a deusa Atena, mas a impressão que o primeiro trailer oficial passa é de que Nolan realmente atingiu uma espécie de platô estético do qual ele não mais consegue escapar, isso mais ou menos desde A Origem, de 15 anos atrás.

A discussão sobre acuidade histórica é relevante porque vivemos um momento bastante sensível sobre a manipulação de elementos étnicos e identitários em geral, com grandes questões sendo postas sobre as contradições nas escolhas feitas pela grande indústria midiática sobre o que deve ser respeitado e o que é manipulado e triturado até não restar nem embarcação nem Teseu.

Além disso, os filmes de Nolan sempre foram caracterizados por uma relação com forte "realismo" na abordagem dos seus temas e períodos, indo às minúcias de conceituações científicas, por exemplo, em Interestelar. Mas a verdade é que quando falamos de realismo histórico, dentro de obras como A Odisséia, o conceito que melhor se adequa é a de uma necessária observação do historial, isto é, a fundação existencial de um dado contexto histórico. Neste tipo de empreitada, é preciso citar o excelente trabalho realizado por Robert Eggers com mito e folclore, ao explorar tanto a fidelidade material dos períodos históricos quanto suas tonalidades existenciais/espirituais.

No caso de Nolan, a impressão que o trailer passa é de que ele não foi capaz de captar nenhuma das coisas. Além das caracterizações materiais estarem ora mais parecidas com um episódio de Game of Thrones e ora parecerem saídas de sua trilogia do Batman (como o Agamemnon na imagem), a sua imagética desbotada que rememora sempre um certo niilismo contemporâneo em nenhum momento consegue nos fazer sentir que estamos na Grécia Antiga, o que filmes como A Guerra de Tróia (1961) e Ulysses (1954) faziam com muita competência e menos recursos.

Além disso, preocupa que recentemente Nolan tenha reproduzido em entrevista um clichê hermenêutico da relação humana com os deuses, em que estes seriam apenas os recursos que uma sociedade ainda sem ciência teriam para lidar com o mundo fenomênico. Aproximadamente 100 anos de Antropologia e Ciência da Religião já seriam suficientes para desmantelar um discurso tão pedante, mas podemos ir até as fontes originais e ver que esse simplismo não se sustenta de forma alguma.

Se por realismo se entende a ideia de que o real é só aquilo que percebemos sob a lente ôntica da modernidade e pós-modernidade no século XXI, A Odisséia corre o risco de ser uma das caracterizações mais irreais possíveis do épico grego, seja em sua dimensão mítica, seja em sua materialidade histórica.
Estimadas e respeitadas todas as suas crenças, descrenças, convicções, dúvidas e/ou ceticismos, desejo a todos uma feliz noite de Natal! Que ela seja um momento para celebrar a vida e o amor entre os seus e também por aqueles que não estão mais aqui, mas sempre estarão conosco.

Abençoados sejam!
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A passagem de ano é sempre significativa e carrega consigo um reencantamento da experiência humana. Qualquer um de nós, ao meditar sobre esse momento, percebe o peso dessa tonalidade afetiva especial dos novos começos.

Nossa missão é, portanto, não permitir que ela se apague já nas primeiras horas do novo ciclo, mas aproveitar, especialmente no primeiro dia do ano, seu potencial contemplativo e fortificante.

Desejo a todos uma aprazível despedida de 2025, com a queima daquilo que precisa ser purificado e a preservação daquilo que foi importante. Estimo ainda um auspicioso 2026 a todos, com as bençãos divinas e as intuições para a vitória.
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