Chá com elas 🍃
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Criei este espaço para compartilhar com vocês reflexões, inquietações e provocações, para movermos juntas - corpo, pensamentos e potências de si, no mundo. Conteúdos que entrecruzam autoconhecimento, sabedorias do corpo e dança.
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Venho sentindo forte o desejo de nutrir novamente esse espaço-tempo para escrita, das tantas coisas que faço diariamente, uma das maiores saudades, é desse lugar de compartilhamento que foi potência de vida em mim há alguns anos atrás, para além da dança, uma outra forma de dar vazão para o que me atravessa sempre foi escrever, e esse é o motivo maior de ter retomado esse projeto!

O último texto que compartilhei foi há 3 anos atrás, a vida por aqui mudou muito. O corpo já não é mais o mesmo, algumas questões caminharam, se transformaram, outras morreram, outras continuam alí me olhando de longe, e para outras, ainda não há espaço seguro para desenterrar.

Atravesso (com diagnóstico preciso) 1 ano e 4 meses a perimenopausa precoce - um lugar obscuro e muito solitário. Mas já vinha sentindo os sintomas há bem mais tempo, cerca de 2 anos. Compartilho isso porque, muito desse processo, que foi um sobressalto em mim, precisa encontrar espaço para se assentar no corpo, dar nome, lugar, cheiro, cor, movimento…

Estou no processo de formação em SE Somatic Experiencing, e muito desse mergulho pode espirrar por aqui também.

Sou mãe, iniciei esse grupo no telegram durante a gestação e o puerpério, Marina já está com 5 anos, cada dia é um mergulho diferente nos sentidos, sensações, emoções, a maternidade em algum momento virá passear por aqui.

E a dança, em seus mais diversos convites, também virá nos convidar pra bailar, nesse baile da vida - que é intenso, provocativo, pedagógico, e que pode ser profundamente orgânico e bonito.

Se você chegou até aqui, se esse convite ressoou em você, seja muit
o bem vinda!
Estou de volta por aqui,
Os textos compartilhados serão frutos de atravessamentos do momento e estado atual. Sem agendamentos, sem ideias programadas anteriormente, mas experiências de si, daqui praí, em tempo real.

Hoje uma palavra/ação tem percorrido meu corpo e pensamentos - SustentAR. Ela só aparece agora em forma de reflexão mais profunda, mas habita a minha existência e de todas nós diariamente em alguma medida.

Sustentar uma postura - física, relacional e emocional, sustentar uma proposta, sustentar um combinado, sustentar um posicionamento, sustentar uma imagem, sustentar uma rotina…

O que você tem sustentado por aí?

Me parece que estamos a sustentar tanta coisa ao mesmo tempo, que quando penso nessa ação, em muitas camadas da minha existência - pesa, cansa, até falta um pouco o ar. Talvez porque, sustentar para mim, venha associada a algo que demanda de uma certa força. Uma força pra existir, pra continuar. porque sabemos que: “É preciso estar atento e forte” para estar aqui e agora, como já diziam Caetano e Gil.

Você tem sustentado algo que lhe parece pesado demais?

Fico a pensar, que acho que sustentar pesa, quando não há sustentação que não seja a sua própria. Quando vivenciamos sozinhos os acontecimentos. Sustentação aqui pode ser um apoio, um sustentáculo que bem escorado te permite a possibilidade de sustentar aquilo que é necessário, e embora o peso permaneça, quando tem suporte, quando tem uma base mais larga para sustentar, torna-se mais possível continuar de pé. Faz sentido?

E quando olho pra essa palavra/ação por esse viés, me lembro da importância da vida coletiva, do chão firme para aterrar e da construção da segurança no próprio corpo e no entorno que nos rodeia, para continuarmos nossa caminhada, seja lá para onde quer que estejamos indo.

Como andam os espaços de segurança no seu corpo, no seu entorno?

Se esse espaço estiver bem apertado, ou se for inexistente atualmente, te convido a fechar os olhos e trazer pro corpo uma lembrança de um momento em que se sentiu muito segura, muito amparada, muito acolhida e respeitada e ficar com essa memória e toda expansão boa que ela puder te trazer, pelo tempo que for suficiente. Se nenhuma lembrança chegar, te convido a imaginar algo que poderia te trazer esse estado de segurança (como disse Christine Greiner em uma palestra: “toda ficção, no corpo é real”). É sempre possível criarmos mundo para existir e construir potência de si onde aparentemente não há.

Se você chegou até aqui comigo, no fim deste leitura, desejo que de alguma forma tenha movimentado algo em você, e te convido a fazer uma xícara de chá e desfrutar agora, da sua própria companhia.

Até a próxima semana!
Hoje em algum momento da manhã Marina me pediu colo, parei tudo o que estava fazendo e acolhi aquele desejo, ela ficou alí em silêncio encostadinha, após um tempo comecei a sentir o coraçãozinho dela pulsar, tão pequeno e tão forte, me lembrei que temos a estranha mania de ouvir o coração um do outro aqui em casa, deitamos sobre o peito e ficamos ali por tempo suficiente e depois reproduzimos o som do que ouvimos - “Hoje está - tum    tum    tum… o seu está - tátátátá…. ou tumtum tumtum tumtum….” Me lembrei que pouco tempo atrás falávamos que estava mais pra guitarra, ou mais para piano… (tentei me lembrar quando foi que paramos de fazer essa analogia, mas não consegui, as coisas nos escapam sem que percebamos). Cada vez que praticamos e nutrimos esse estado de presença fico a pensar na potência e fragilidade de ser corpo no mundo. Ao mesmo tempo que sinto alegria em viver aquele momento sinto junto o medo de um dia não poder ouvir mais aqueles pulsares, e fico a contemplar, registrar e esticar ao máximo esse lugar de encontro.

Neste momento juntas, teve toque de pele com pele, teve identificação de texturas diferentes “esse tecido, não é só tecido, ele tem uns pelinhos mamãe, olha, mas é bem macio”, teve entrega de peso, confiança, por um tempo ela cantarolou como quem nina a si mesma, depois enquanto ainda cantarolava deu batidinhas de mão nas minhas costas, me ninando também, ali de coração com coração coladinho, com tanta presença, num momento tão raro (ela está crescendo) chorei.

Educar é uma missão tão desafiadora e Marina uma criança tão cheia de autoridade de si, permeada por um tanto de resistências, que na firmeza da nossa relação sobra menos espaço do que eu gostaria para essa troca tão genuína do dia a dia. Mas hoje eu só quis contemplar a beleza daquele momento de puro amor. 

Dar e receber amor demanda disponibilidade, entrega, confiança, tempo, espaço, mas andamos ocupados demais para ser o que viemos ser - humanos.

O dia das mães está chegando, por aqui já vai ser o sexto ano que comemoro esse dia, contando o período gestacional. E o meu convite pra hoje é que possamos, assim como Marina de 5 anos -  a nos dar colo, enquanto também damos colo pro outro. Que possamos cantarolar vibrando as cordas vocais e ativando o sistema nervoso enquanto compartilhamos vida com o outro. Que não nos abandonemos e nem abandonemos o outro. Que possamos existir em potência nas relações. Que o cuidado seja esse de carne e osso, toque, olho no olho, que nos deixemos ser vistas enquanto olhamos de volta.

Feliz dia das mães, pra você e pra todas as madres que te rodeiam!

Até a próxima semana.