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A piada e o riso não são crimes.

A piada só funciona porque quem ouve entende que aquilo não é uma declaração de verdade, nem um juízo sério de valor — é uma construção absurda, provocativa, muitas vezes exagerada.

Justamente por isso, provoca o riso.

Quem ri de uma piada reconhece o seu caráter simbólico e ficcional. Sabe que não está diante de um manifesto ou de um ataque, mas de um jogo de linguagem que nos permite rir de nós mesmos, do mundo e até das contradições mais duras da vida.

Quem se ofende com uma piada, por outro lado, não ri — e não a reproduz.

E está em seu direito.

Mas o incômodo individual não pode se tornar um instrumento de censura coletiva.

Nos dois casos, a vida segue.

O riso não é um crime, e o humor não é uma arma.

Criminalizar a piada é confundir linguagem com intenção, arte com agressão, comédia com crime, e ficção com realidade.

É esquecer que o humor é uma das expressões mais antigas da liberdade — e também uma das primeiras a serem atacadas quando ela começa a desaparecer.
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O DESTINO BÍBLICO DO IRÃ: O Irã segundo as profecias bíblicas.

Créditos
Material produzido por:
Além da Sabedoria (canal Youtube)
https://www.youtube.com/@AlemdaSabedoriaa
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O que é um Aiatolá?

Produção:
Estranha História - Canal criado por Henrique Caldeira (doutor em História/UFMG)

Link: https://www.youtube.com/@henriquecaldeira

Resumo 1/2:

O vídeo explica o que é um aiatolá (آية الله, ayatul‑Lah) dentro do islamismo xiita duodecimano (اثنا عشرية, Ithnāʾashariyya).

O título “aiatolá” significa literalmente “sinal de D'us” (do árabe آية, ayah = sinal, e الله, Allah = D'us).

Principais pontos abordados:

O aiatolá é um clérigo xiita de alto escalão reconhecido por amplo domínio em jurisprudência islâmica (sharia) e teologia xiita.

Diferencia-se do xeque, pois o título é conferido por aclamação de outros clérigos ou por reconhecimento por mérito acadêmico, muitas vezes exigindo descendência direta do Profeta Maomé.

No sistema político iraniano e de outras repúblicas teocráticas xiitas, o aiatolá exerce autoridade religiosa e política: nomeia líderes das Forças Armadas, presidente do Judiciário, membros do Conselho dos Guardiões e pode cassar o presidente.
Resumo 2/2:

Figuras históricas e contemporâneas destacadas no vídeo:

Rūḥollāh Mūsavī Khomeynī ( روح‌الله موسوي خميني): também conhecido como aiatolá Khomeini.

Foi o líder espiritual e político da Revolução Iraniana de 1979, tornando-se o primeiro Líder Supremo do Irã até sua morte em 3 de junho de 1989.

Ali Khamenei ( علي خامنئي ): sucedeu Khomeini em 4 de junho de 1989 como Líder Supremo.

Exerce controle sobre os poderes políticos, judiciais e militares no Irã e desempenha papel central nas decisões internacionais.
 
Ali al‑Husaini al‑Sistani ( علي الحسني السيستاني ): grande aiatolá no Iraque e figura proeminente após 2003, líder espiritual e fonte de emulação dentro do seminário em Najaf.

O vídeo também menciona o papel dos aiatolás na difusão do xiismo duodecimano, que segue a crença nos doze imãs, e o empenho desses líderes religiosos tanto em ensino quanto em política.
Mapa Visual da Hierarquia Clerical Xiita (اثنا عشرية)
1/9) BRICS, CIPS, UnionPay e Poder: Os 4 Eixos da Ascensão Chinesa

1º Rússia migra para sistemas alternativos

Com as sanções impostas pelo Ocidente em 2022, a Rússia foi desconectada do sistema financeiro global dominado pelo SWIFT.

Como resposta, intensificou o uso de seu sistema próprio, o SPFS (Sistema de Transferência de Mensagens Financeiras), promovendo sua integração ao CIPS, o sistema chinês equivalente ao SWIFT, desde março daquele ano.

A conexão entre SPFS e CIPS simboliza o surgimento de uma nova malha transacional fora da órbita do Ocidente, construída para operar independentemente do dólar e da infraestrutura financeira euro-americana.
2/9) 2º China apoiando a Rússia economicamente

A China rapidamente ocupou o vácuo deixado pelas empresas ocidentais na Rússia.

Até o fim de 2023, mais de um terço das transações bilaterais sino-russas passaram a ser realizadas em yuan, fortalecendo a moeda chinesa como alternativa ao dólar em ambientes hostis às sanções.

Além disso, a UnionPay, rede de cartões chinesa, integrou-se ao sistema Mir, o equivalente russo à Mastercard e Visa.

Isso permitiu aos cidadãos russos continuar realizando pagamentos internacionais mesmo após o bloqueio das bandeiras ocidentais, consolidando um ambiente financeiro bilateral resiliente às sanções euro-americanas e potencialmente ameaçador para a hegemonia do dólar.
3/9) 3º BRICS e alternativas ao dólar

Rússia e China lideram, dentro dos BRICS, o desenvolvimento de mecanismos paralelos ao dólar e ao SWIFT.

Iniciativas como o BRICS Pay e o BRICS Bridge — este último proposto por Putin em 2024 e baseado em blockchain — buscam reorganizar o sistema monetário global em bases multipolares.

Curiosamente, nem China nem Rússia compareceram à Cúpula do BRICS realizada no Brasil, preferindo tratar o anfitrião como proxy diplomático.

Essa ausência não foi casual:

expressa a estratégia de manter o protagonismo concentrado em Pequim e Moscou, enquanto países como o Brasil funcionam como fachada de pluralidade e neutralidade.
4/9) 4º Motivação geopolítica

As sanções ocidentais não apenas isolaram a Rússia: empurraram-na para os braços da China.

Esse movimento acelerou uma dependência assimétrica, transformando Moscou em peça do tabuleiro geoeconômico chinês.

Xi Jinping, por sua vez, tem utilizado os BRICS, a guerra na Ucrânia e a fragilidade do dólar como vetores indiretos para pavimentar sua ambição de hegemonia financeira.

Mais que uma reação ao cerco do Ocidente, o que se delineia é um projeto sistêmico: a construção de uma nova ordem financeira global, descentralizada dos EUA, mas subordinada à infraestrutura tecnológica, comercial e monetária da China.
5/9) O elo brasileiro: interesses ocultos por trás da narrativa oficial

Neste contexto, o Brasil não é apenas um espectador.

Empresas brasileiras com capital híbrido e conexões internacionais já se posicionam para lucrar com essa nova arquitetura global.

Um exemplo pouco debatido é a participação da Rede Globo, através de sua fatia de 33% na Stone, empresa de meios de pagamento que firmou parceria com a UnionPay no Brasil.
6/9) Paradoxalmente, a Globo — que se apresenta como bastião da democracia e defensora da soberania nacional — não pode revelar abertamente seu interesse comercial na ruptura com os EUA.

Ao mesmo tempo, tenta instrumentalizar os chamados “bolsonaristas” como massa de manobra para pressionar o governo com ameaças de sanções, inclusive promovendo narrativas que sugerem risco de isolamento internacional do Brasil.

O silêncio midiático sobre o papel da UnionPay, da BRICS Pay e da nova infraestrutura financeira global é sintomático: quem realmente lucra com a reconfiguração em curso prefere agir nos bastidores, escondendo-se atrás de discursos geopolíticos que condenam a guerra, mas omitem seus dividendos.

A guerra como catalisador de uma nova arquitetura de poder

A guerra na Ucrânia, longe de ser apenas um conflito territorial, tornou-se laboratório geoeconômico.
7/9) A Rússia, pressionada, se tornou o terreno fértil para testar estruturas paralelas ao sistema financeiro dominado pelo Ocidente — todas com assinatura chinesa.

Enquanto isso, a China não apenas observa o tabuleiro — ela o desenha - principalmente curando o antigo inimigo dos EUA de sua ferida mortal.

E, nesse desenho, o Brasil corre o risco de ser mais instrumento do que agente, servindo a interesses que, apesar de mascarados por bandeiras nacionais ou ideológicas, operam em sintonia com a ascensão silenciosa, mas meticulosa, do yuan como novo epicentro do sistema monetário global.
8/9) Se, de fato, Putin e Xi não estivessem liderando o movimento, como sugerem certas leituras midiáticas que buscam diluir responsabilidades ou descentralizar o protagonismo, eles não apenas teriam comparecido à Cúpula do BRICS no Brasil — ainda que por protocolo diplomático — como também teriam desmontado toda a estrutura construída, ou no mínimo, interrompido negociações estratégicas como a expansão da UnionPay com parceiros como a Stone no Brasil.
9/9) Ao contrário, a ausência dos dois líderes evidencia uma estratégia sofisticada: manter o controle da nova ordem em curso, delegando a vitrine aos países intermediários, enquanto concentram o poder de decisão nas capitais de Moscou e Pequim.

Essa arquitetura não se desfaz porque não é acidental.

Ela é intencional, metódica e gradual — exatamente como se espera de uma mudança sistêmica no eixo do poder global, capitaneada pela China, com o apoio midiático e ideológico de atores que se declaram defensores da soberania e da democracia, mas que, na prática, atuam em sinergia com os interesses de Pequim na consolidação de uma nova ordem global — sem o dólar, mas sob liderança chinesa e seu aparato de controle.
A Precisão Cirúrgica de J.R. Guzzo: Uma Lição de Síntese Jornalística

O trecho destacado do mestre J.R. Guzzo exemplifica aquilo que distingue o grande jornalismo da mera informação:

a capacidade de condensar complexidades geopolíticas em uma única frase reveladora.

A Anatomia de uma Frase Perfeita

Em apenas dezesseis palavras, Guzzo constrói um díptico devastador:

Primeiro painel:

"EUA aplicaram sanções ao Brasil"

- fato objetivo, incontestável.

Segundo painel:

"a reação oficial brasileira é um hino contra a razão"

- juízo valorativo de precisão cirúrgica.

A genialidade está na economia verbal aliada à densidade conceitual.

Onde outros precisariam de parágrafos para explicar a inadequação da resposta diplomática brasileira, Guzzo resolve tudo com uma metáfora musical devastadora:

"hino contra a razão".

O Poder da Síntese Intelectual

A expressão "hino contra a razão" é jornalismo literário no seu melhor:

transforma a análise política em imagem poética sem perder a precisão crítica.

É Voltaire encontrando Ruy Barbosa - a ironia francesa temperada pela solenidade brasileira.

A Tradição da Grande Crônica Política

Guzzo inscreve-se na linhagem dos cronistas-analistas que fazem da observação política uma arte:

a mesma tradição de um Machado de Assis comentando a política imperial, ou um Nelson Rodrigues dissecando as neuroses nacionais.

O Legado da Lucidez

Em tempos de jornalismo inflamado e análises prolixas, a concisão de Guzzo é quase subversiva.

Ele nos lembra que a verdadeira força da palavra escrita não está no volume, mas na precisão do diagnóstico.

"EUA aplicaram sanções ao Brasil e a reação oficial brasileira é um hino contra a razão."


Esse trecho ficará como exemplo de como o grande jornalismo transforma a observação política em literatura - sem deixar de ser, rigorosamente, jornalismo.

Uma verdadeira aula de estilo em dezesseis palavras.

J. R. Guzzo (José Roberto Dias Guzzo), São Paulo, 10 de julho de 1943 — São Paulo, 2 de agosto de 2025 - que sua memória seja uma benção.
1/25) CBDCs Centralizadas e a Nova Ordem Digital: E-CNY, Drex e a Estratégia Global da BSN

Introdução: O Abandono do Blockchain e Suas Implicações

Em agosto de 2025, uma notícia surpreendeu o mercado financeiro brasileiro: o Banco Central anunciou que o Drex, a moeda digital brasileira, seria lançado sem tecnologia blockchain.

Esta decisão, revelada durante o evento Blockchain Rio 2025, aproxima drasticamente o modelo brasileiro do e-CNY chinês e levanta questões fundamentais sobre o futuro das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e seu papel em uma nova ordem digital global liderada pela China.
2/25) O Drex: Da Promessa Blockchain à Realidade Centralizada

A Mudança de Paradigma

O Drex começou como uma promessa ambiciosa: seria a "moeda digital mais inovadora do mundo", utilizando blockchain permissionada, contratos inteligentes e um ecossistema interoperável.

No entanto, a realidade se mostrou diferente.

A decisão de abandonar o blockchain foi justificada pelo Banco Central com base em "desafios técnicos, como escalabilidade, e preocupações com privacidade dos usuários".

Na prática, esta mudança transforma o Drex de uma CBDC inovadora para um sistema centralizado tradicional, similar ao modelo bancário atual, mas em formato digital.
3/25) Riscos da Centralização

Sem blockchain, o Drex perde características fundamentais que garantiriam maior transparência e limitariam o controle estatal excessivo:

Ausência de transparência: Não há auditabilidade pública das transações

Controle estatal total: Capacidade de congelar contas, monitorar transações e modificar saldos unilateralmente

Ponto único de falha: Dependência total da infraestrutura do Banco Central

Falta de descentralização: Sistema completamente sujeito a pressões políticas

O código publicado em 2023 no GitHub já havia revelado funcionalidades controversas, como congelamento de contas, gerando críticas por sugerir controle estatal excessivo.
4/25) O E-CNY Chinês: Modelo de Referência para CBDCs Centralizadas

Arquitetura e Funcionamento

O yuan digital chinês (e-CNY) nunca pretendeu ser uma blockchain descentralizada.
Desde o início, foi projetado como um sistema centralizado operado pelo Banco Popular da China (PBOC), funcionando através de um modelo de duas camadas:

Primeira camada: PBOC emite a moeda digital

Segunda camada: Bancos comerciais e provedores de pagamento distribuem aos usuários

"Anonimato Controlável"

Uma característica central do e-CNY é o conceito de "anonimato controlável", que permite:

Privacidade limitada para transações pequenas

Monitoramento total para transações maiores

Rastreabilidade completa pelas autoridades governamentais

Identificação obrigatória para todas as carteiras digitais

Performance Sem Limites

Uma vantagem significativa do modelo centralizado é a ausência de limitações de throughput – número de transações que um sistema pode processar por segundo (TPS - Transactions Per Second).

Enquanto Bitcoin processa ~7 transações por segundo e Ethereum ~15 TPS, o e-CNY pode processar milhares ou milhões de transações simultaneamente, limitado apenas pela infraestrutura de servidores.
5/25) Semelhanças Alarmantes: Drex e e-CNY

A convergência entre os modelos brasileiro e chinês é notável:

Arquitetura Técnica Idêntica

Sistemas centralizados: Ambos abandonaram blockchain distribuído

Controle governamental total: Bancos centrais mantêm supervisão absoluta

Modelo de distribuição: Sistema de duas camadas via instituições autorizadas

Performance otimizada: Sem limitações de throughput de blockchain

Capacidades de Vigilância Similares

Monitoramento em tempo real: Todas as transações são rastreáveis

"Anonimato controlável": Privacidade condicionada ao valor da transação

Controle de capital: Capacidade de implementar restrições instantâneas

Compliance forçado: Impossibilidade de transações anônimas

Diferenças Contextuais

A principal diferença reside na transparência inicial:

a China sempre foi explícita sobre seu modelo de controle estatal, enquanto o Brasil mudou drasticamente de direção durante o desenvolvimento, abandonando promessas de transparência e descentralização.