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41/64) Com a ajuda russa, que rapidamente tomou conta da situação, as tropas georgianas foram rapidamente rechaçadas do território, onde a Rússia rapidamente chegou quase à Capital georgiana Tbilisi (RODRIGO FERNÁNDEZ, 2008).

A Abecásia aproveitou a movimentação e entrou no conflito.

Depois do conflito a Rússia reconheceu as duas províncias como estados independentes.

A Rússia aproveitou o conflito para dar sinais de força e influência na região.

O conflito serviu para demonstrar o desejo russo de reconhecimento no sistema internacional e para expressão de suas capacidades nesta nova ordem (FREIRE, 2008).⤵️
42/64) Nesse sentido:

"Com esta ação militar, Moscovo[Moscou] pretende travar o alargamento da NATO[OTAN] fazer recuar a presença ocidental na área da CEI, e deixar um sinal de aviso às antigas repúblicas quanto ao seu poder, influência e capacidade de ação [...] a Rússia conseguiu, com a intervenção na Geórgia, ganhos em diferentes níveis: em nível local, com o enfraquecimento da república georgiana, uma dupla vitória face a um apoio ocidental que não se materializou como Tbilissi esperava; [...]regional, com Moscovo[Moscou] a reafirmar-se na área e a sublinhar o seu envolvimento em matérias de interesse estratégico; nível internacional, demonstrando que a política de contenção face ao Ocidente não é mera retórica (FREIRE, 2008, p.53)".⤵️
43/64) Apesar da CEI(Comunidade dos Estados Independentes) não ser um bloco de muita eficiência, resultado de sua atuação ser mais no sentido da formalidades, não deixou de ser um instrumento capaz de delimitar o espaço ex-soviético que a Rússia tentava preservar.

Mesmo através da CEI, onde a Rússia não tinha capacidade de interromper os desejos de ex-sátelites, como a Geórgia e a Ucrânia, de fazerem parte da OTAN ou UE, Moscou, com a invasão à Geórgia, pretendeu mostrar sua oposição ao Ocidente, validar a CEI, e também dar sinais de que tem força, influência e algum peso ideológico.

Dessa forma, a Rússia remarca sua posição de liderança no espaço do bloco.

Ações que resultam numa forma de demarcação da zona de influência russa(FREIRE, 2008).⤵️
44/64) Na primeira década do Século XXI, a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão começaram uma parceria para uma união aduaneira, avançando e criando a UEE(União Econômica Eurasiana).

A intenção é que a UEE seja gradualmente integrada pelos membros das antigas repúblicas soviéticas, reforçando assim a presença da Rússia nesta região(VISENTINI, 2015).

Ainda com vistas na manutenção do seu soft power regional.

Contudo, mesmo assim a Geórgia se mantinha firme no desejo de aliar-se ao Ocidente.

Após a intervenção ocidental na Geórgia, motivada pelas Revoluções Coloridas, restou à Rússia atuar de outra maneira, com a força.⤵️
45/64) Em 2008, com a invasão à Geórgia, a Rússia apresenta uma nova forma de tentar manter seus interesses, desta vez com um pensamento político baseado na "Real Politik", deixando à amostra, para sua antiga zona de influência e para o Ocidente, seu desejo de ser ouvida e ter sua área de interesse respeitada.

Assim, a partir de 2008, a Rússia passa a enxergar o mundo como multipolar, reivindicando participação fundamental no cenário internacional(FREIRE, 2008).⤵️
46/64) AS CRISES NA UCRÂNIA

O Caso da Ucrânia tem uma dinâmica mais complexa de entender porque além do ocorrido nas chamadas Revoluções coloridas, a Ucrânia está bem ligada à Rússia, além do mais, tem uma posição geoestratégica importante para a Rússia.

Segundo Segrillo(2014), originalmente, russos, bielorrussos e ucranianos eram um povo só, no chamado Estado Kievano (dos séculos IX ao XII).

Nos séculos XIII-XV, ao longo do domínio mongol na região, os três povos foram se diferenciando e, depois disso, os rumos de ucranianos e russos foram bem diferentes(Angelo segrillo especial para a Folha - 2014).

O começo do grande império russo se tem na Ucrânia, ou como antes chamada, Rus de Kiev, sendo o Berço histórico russo na Idade Média.

O nome Ucrânia, inclusive, significa fronteira, que tem sua origem na palavra Krajina, onde também houve disputas territoriais com poloneses, austríacos e turcos (VISENTINE, 2015).

No século XVIII, no reinado de Catarina a Grande, a Rússia e a Prússia, hoje Alemanha, invadem a Polônia pela primeira vez e dividem seu território. ⤵️
47/64) Nesse mesmo período a Rússia passa a dominar o que é hoje a Bielorrússia, Moldávia, os Bálticos e volta a dominar também a Ucrânia (AMAL, 2017).

Com relação a Ucrânia há uma divisão, ou um “problema histórico” como cita Visentini (2015), em outro sentido.

Uma parte da Ucrânia esteve há muito tempo sob domínio do Império Austro-húngaro, portanto, protestante e Ocidental, e outra parte católica ortodoxa.

Outra questão a ser mencionada é a importância da Ucrânia para a Rússia.

Um motivo é que há a Grande Planície Europeia que se estende desde o litoral ocidental da França até os Montes Urais na Rússia.

Todo esse percurso pode ser facilmente percorrido sem ter que cruzar fronteiras naturais tais como rios, montanhas ou desertos, facilitando assim a penetração no território russo.⤵️
48/64) Nos últimos 500 anos a Rússia sofreu várias invasões advindas dessa região.

Os poloneses em 1605, os suecos em 1707, os franceses de Napoleão em 1812 e os Alemães na Primeira Guerra Mundial (AMAL, 2017).

Um outro motivo dessa grande importância é o acesso ao Mar Negro (DIAS, 2015).

Os portos da Rússia nesta região ficam muito tempo congelados.

Dessa forma, o Porto de Sebastopol, na Península da Crimeia tem importância vital para os interesses russos.

Sendo a Península da Crimeia a única saída russa com águas quente todo o ano.

Sem contar que a península tem uma posição estratégica para controle do Mar Negro e saída para o Mediterrâneo pelo Estreito de Bósforo (AMAL, 2017).⤵️
49/64) Em 2004, depois de uma eleição acirrada, Viktor Yanukovych ganhou as eleições com margem de 3% a mais que o seu concorrente Yushchenco (ORTEGA, 2009).

Da mesma forma que o Ocidente se envolveu no caso da Geórgia, fizera também na Ucrânia.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa(OSCE) denunciou que houve falsificação de votos, intimidações de eleitores e o chamado carrossel, onde se transportava eleitores de um lado ao outro para votarem várias vezes.

ONGs ocidentais também se envolveram nos protestos pós eleição e novas eleições foram feitas, desta vez com a vitória de Yushchenco, com 52% dos votos (ORTEGA, 2009).

Assim como na Geórgia, a Rússia primeiro seguiu usando a questão enérgica como forma de pressão na Ucrânia (FREIRE, 2008).

Em 2010, em novas eleições, desta vez sem que houvesse críticas, volta ao poder Yanukovych.

O então Presidente desistiu e seguiu uma política de aproximação direta com a Rússia, o que fez com que em novembro de 2013 houvesse manifestações, dessa vez os protestos eram para pressionar o Presidente a ter uma maior aproximação com a União Europeia (DIAS, 2015).

Depois de 3 meses de conflitos, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014, Yanukovych e seus opositores assinaram um acordo com intermédio da UE, que visava colocar fim no conflito (DIAS, 2015).⤵️
50/64) Em 2004, depois de uma eleição acirrada, Viktor Yanukovych ganhou as eleições com margem de 3% a mais que o seu concorrente Yushchenco (ORTEGA, 2009).

Da mesma forma que o Ocidente se envolveu no caso da Geórgia, fizera também na Ucrânia.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa(OSCE) denunciou que houve falsificação de votos, intimidações de eleitores e o chamado carrossel, onde se transportava eleitores de um lado ao outro para votarem várias vezes.

ONGs ocidentais também se envolveram nos protestos pós eleição e novas eleições foram feitas, desta vez com a vitória de Yushchenco, com 52% dos votos (ORTEGA, 2009).

Assim como na Geórgia, a Rússia primeiro seguiu usando a questão enérgica como forma de pressão na Ucrânia (FREIRE, 2008).⤵️
51/64) Em 2010, em novas eleições, desta vez sem que houvesse críticas, volta ao poder Yanukovych.

O então Presidente desistiu e seguiu uma política de aproximação direta com a Rússia, o que fez com que em novembro de 2013 houvesse manifestações, dessa vez os protestos eram para pressionar o Presidente a ter uma maior aproximação com a União Europeia (DIAS, 2015).

Depois de 3 meses de conflitos, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014, Yanukovych e seus opositores assinaram um acordo com intermédio da UE, que visava colocar fim no conflito (DIAS, 2015).

O Ocidente reagiu à anexação com sanções impostas à Rússia, mas sanções estas que não tiveram efeito, dessa forma, optou-se por uma aceitação de facto da questão.

A União Europeia reagiu mais intensamente que a OTAN, pois para os EUA a Ucrânia é um interesse marginal, dessa forma, os norte-americanos não têm uma estratégia forte no conflito (DIAS, 2015).⤵️
52/64) Em 2008 a Rússia, com a Guerra na Geórgia, se mostra reerguida de suas dificuldades na década passada, querendo ser
aceita pelo Ocidente por um status de potência.

Na Ucrânia, a Rússia mostrava-se ainda com uma visão bem realista do cenário internacional, em que a sua segurança era uma condição sine qua non para sua sobrevivência, dessa forma, agiu para manter seu interesse a qualquer custo em ambos os casos citados (DIAS, 2015).

A Rússia, depois de sua instabilidade ressurge no século XXI com novos objetivos de política externa.

Depois de tentar ser aceita pelo Ocidente, mas sendo isolada, e já forte economicamente, comparada à década de 1990, buscou seu
reconhecimento no sistema internacional.⤵️
53/64) Até 2003, a Rússia vivia uma política de maior aproximação com o Ocidente, em 2001 por exemplo, prestou apoio aos EUA
na Guerra contra o Terrorismo.

Buscando ter seus objetivos no entorno geográfico apenas de forma mais branda, com pressões econômicas por exemplo.

Vendo que não estava sendo suficiente, passou para o uso da força.

A Guerra na Geórgia serviu para a Rússia mostrar sua força e influência na região e na CEI, assim como a anexação da Crimeia serviu para mostrar que ainda tem peso ideológico em suas antigas zonas de influência.

Dessa forma, a Guerra na Geórgia passou a ser entendida como uma forma que a Rússia encontrou para mostrar desejo de reconhecimento internacional de suas políticas, fato que foi interpretado como um aviso de que quer ser ouvida, respeitada; quer manter sua influência e que tem poder bélico para isso, ao menos em seu exterior próximo.

Nesse sentido, a Crise da Ucrânia e a anexação da Crimeia pode ser entendida como uma continuidade desta forma de pensamento, e também, pode ser avaliada como um mecanismo de coerção as tentativas da Ucrânia de se aproximar do Ocidente, onde a Rússia usou de seu peso ideológico e étnico para atingir seus objetivos.

Dessa forma, estas atitudes podem ser vistas mais como uma reação a penetração Ocidental na antiga zona de influência russa.⤵️
54/64) Assim, entende-se que a Guerra na Geórgia e a anexação da Crimeia não podem ser vistas como uma política expansionista, ou um neocolonialismo, ou uma continuação da Guerra Fria, como muito se tem falado, mas apenas uma reação a tentativa do Ocidente de isola-la, ou seja, apenas uma forma de conter o avanço da OTAN e UE, em uma visão realista, o país busca se manter vivo frente a este isolamento.

Se por um lado os eventos nas regiões de antigos satélites russos mostraram as ações da Rússia para resistir ao isolamento e conter avanços da OTAN e da União Europeia, os recentes acontecimentos mostrariam que há grandes chances da China estar usando atores internacionais para empurrarem a Rússia nos seus braços.⤵️
55/64) Quanto mais a OTAN, EUA e UE empregarem mecanismos de restrições à Rússia, mais ela recorrerá aos "favores" de Xi Jinping.

Usando as tensões na Ucrânia para impor sanções à Rússia, EUA, UE e OTAN estariam favorecendo a China que usará a dependência que a UE tem do gás russo para operar grandes mudanças no Ocidente.

Há duas mudanças que considero fundamentais para as ambições da China.

estabelecer seus sistema de pagamentos interbancários e transfronteiriço (CIPS) como preferencial para os países da Eurásia.

Como a Europa depende do gás da Rússia, ao mesmo tempo que depende dos acordos com a China, nada impede que, mesmo não havendo sanções para importação do gás, decida realizar suas operações via CIPS e não via SWIFT.

Fato que colocará mais volume de operações sobre o yuan em detrimento do dólar.⤵️
56/64) Qual o problema a Rússia operar financeiramente sobre o CIPS da China?

O Ocidente perde a capacidade de monitorar o que a Rússia compra ou vende e, neste sentido, a Rússia terá a mesma liberdade que Hitler teve, antes da criação do SWIFT, podendo armar-se sem que o Ocidente saiba de sua real capacidade bélica.

A mudança e a que considero mais impactante, creio poucos perceberam sua ameaça, é a oportunidade que a China terá para trazer a Rússia para ajudar na promoção de um dos projetos mais ambiciosos do Partido Comunista da China - Implementar o Novo IP como protocolo para uma nova rede mundial(internet).⤵️
57/64) Desde 2011 havia rumores das intenções da Rússia em desligar-se da rede mundial de computadores, atualmente sob controle dos EUA.

A atual crise na Ucrânia mostrou como o Ocidente pôde, facilmente, impor sanções à Rússia.

Inclusive empresas privadas como Google e Apple, não encontraram dificuldades em restringir a utilização de seus serviços de pagamentos na Rússia.

Logo, ficou claro que a própria estrutura da rede mundial de computadores com seus nós e protocolos podiam ser utilizados para isolar a Rússia.

Mais um motivo para que a Rússia acabe por mergulhar de cabeça nas ofertas da China - a internet.⤵️
58/64) Em abril de 2020, enquanto o mundo estava perdido, sem saber ao certo como enfrentaria a pandemia de COVID-19, a Huawei estava na Rússia apresentando o projeto mais ambicioso do Partido Comunista da China - The New IP(O Novo IP).

Não entrarei muito fundo no tema New IP, pois fiz uma thread sobre isto há algum tempo e lá estão todos os pontos mais detalhados sobre esta proposta da China.

O que cabe destacar aqui é que o Novo IP, segundo a proposta da Huawei, que aliás recebeu cooperação do Google na parte de buffer, conta com mecanismo que permitem saber tudo o que trafega na rede e realizar seu bloqueio, sem que para isso utilize grandes centros de controle como ocorre atualmente na China.⤵️
59/64) Outro ponto perigoso na proposta da Huawei, é a possibilidade que o Novo IP concede aos seus controladores, no caso os governos, desligarem a comunicação de qualquer utilizador nesta rede baseada no Novo IP como seu protocolo de comunicação.

Não há como vermos a Rússia adotando o sistema de pagamentos transfronteiriço da China, o CIPS e não adotar o Novo IP que lhe permitirá escapar às sanções do Ocidente, ao mesmo tempo que lhe confere controle absoluto sobre a comunicação via internet em todos os territórios sob seu domínio.⤵️
60/64) Contudo, se estamos falando dos interesses da China em oferecer "ajuda" a Rússia, devemos considerar um dos desdobramentos da adoção, por parte da Rússia, ao Novo IP da China.

Com toda a Europa dependente do gás russo e os EUA dependentes do seu petróleo, como estes manteriam suas conexões caso a Rússia adotasse o Novo IP da China, passando a comunicar-se utilizando um novo protocolo de comunicação via internet?

Neste sentido, a Rússia, menos ainda a China, precisariam fazer exigências para outras nações adotarem o New IP da Huawei, a final, quem precisar das importações da Rússia é que precisará adequar seus sistemas de comunicação via internet.⤵️
61/64) Com isso, toda aquela batalha que a China enfrentou quanto a adoção dos equipamentos da Huawei, terá um desfecho mais que satisfatório quando uma quantidade enorme de países clamarem por condições de realizarem conexões sobre o Novo IP e assim garantam as importações originadas da Rússia.

Outro ponto importante sobre a questão referente à adoção de um novo protocolo de comunicação para a internet, é o órgão que regulamenta a International Telecommunication Union(ITU).

A ITU é liderada por Houlin Zhao da China desde 2015, que também foi secretário-geral adjunto de 2007-2014, quando atuou como substituto do malinês Hamadoun Touré, de formação soviética.

Atualmente a ITU é um grande fórum de definição de padrões para comunicações pela Internet, incluindo 5G wireless.

Logo, a cada movimento dos EUA e seus aliados, no sentido de impor sansões à Rússia, mais e mais percebe-se a criação de um ambiente que permitirá a China avançar sobre pontos que lhe darão controle sem precedentes sobre o Ocidente.⤵️