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28/64) Eis o ponto no qual a China cura o comunismo de sua ferida mortal - minando e enfraquecendo a democracia no Ocidente - criando ambiente propício ao seu retorno, uma vez que a democracia "fracassou" no Ocidente.

Fica evidente que, sem a pandemia, a atuação da imprensa e da Big Tech, o fracasso da democracia no Ocidente dificilmente seria revelado ao mundo, ficando tão patente.⤵️
29/64) Assim que a China concluir seu trabalho, que consiste reafirmar o enfraquecimento da democracia no Ocidente, veremos a reconstrução do Estado russo, não para trazer o modelo soviético de novo, mas para um novo momento no qual haverá oportunidade de estabelecer uma nova ordem mundial sob o comando das duas potências, de uma lado a Rússia, berço do comunismo; do outro a China, novo bastião do comunismo desde 1949, ano do surgimento da República Popular da China, responsável por curar o comunismo nascido na antiga URSS de sua ferida mortal.

Cura que poderá ficar evidente quando ocorrer a consolidação da Eurásia e consequente vitória dos defensores do eurasianismo, como é o caso de Vladmir Putin, Aleksander Dugin e Xi Jinping com a Nova Rota da Seda.⤵️
30/64) Vladmir Putin - O desconhecido que aproveitará o trabalho da China(enfraquecimento da democracia Ocidental).

Quando Vladmir Putin chegou ao poder era pouco conhecido no meio político, Putin, membro da antiga KGB, polícia secreta da URSS.

Seu cargo político antes fora o de prefeito de São Petersburgo.

Ainda em agosto de 1999 foi indicado por Yeltsin ao cargo de Primeiro Ministro.

Segundo VISENTINI (2015), por ele não ser um nome político muito conhecido, ficou mais fácil sua aceitação em meio aos oligarcas que não o temiam tanto.⤵️
31/64) Estes oligarcas eram formados por três grupos: os gerentes das empresas estatais, que com a privatização em massa, assumiram o controle dos órgãos patrimoniais; os banqueiros privados, os que serviam de intermediários para os grandes empréstimos neste período, e os gangsteres, que prosperaram com o colapso do atual momento.

Todos estes tinham como semelhança a dependência dos recursos do Estado russo e a recusa de fazerem investimentos na Rússia(SIMES, 1999 apud[junto com] VENGOA, 2005).

Nesse momento a concentração de renda era incrível.

Neste período, na Rússia, havia 17 bilionários, grande parte, com recursos do setor enérgico do país.

Ao chegar ao poder, Putin demostrou dinamismo, força e muita habilidade. Conseguindo melhorar a situação econômica do País.

Firmando um acordo com oligarcas - desde que eles não se metessem na política, ele não se meteria nos negócios destes.⤵️
32/64) Putin, também, buscou apoio da igreja ortodoxa,(VISENTINI, 2015), e procurou nacionalizar as empresas importantes, como a Gazprom e a deixou nas mãos de Alexander Ivanovich Medvedev, aliado de confiança(PECEQUILO, 2012).

"O ano de 1999 pode ser considerado decisivo na recente história da Rússia, uma vez que rompeu, por meio da chegada de Putin ao poder, o ciclo de profunda decadência social, política, militar e econômica do país em meio ao avanço ocidental às fronteiras nacionais e de confrontação com seus grupos separatistas internos.

Apesar das limitações concretas à projeção de poder russo em seu primeiro mandato 1999 a 2003, Putin inicia sua ofensiva a partir da reconstrução das bases do poder e orgulho nacionais (bandeira e hino), amparado por um discurso de autonomia e pragmatismo no campo externo"(PECEQUILO,2012, p. 118).⤵️
33/64) Enquanto a China atuava para enfraquecer a democracia no Ocidente, Putin ganharia tempo para reestruturar aquela que foi crucial na formação da República Popular da China (RPC) em 1949.

O papel da OTAN sob liderança dos EUA e seus aliados.

Quando Putin chega ao poder, tem-se a busca por uma Rússia mais independente, e destarte, tem-se uma política mais pragmática, que tem como objetivo a busca de presença nas áreas de antiga influência soviética, e que vai confrontar os interesses da OTAN e da UE.

Nesse sentido, Putin busca mais autonomia, já que segundo Visentine(2015) a Rússia ainda tenta uma inserção no Ocidente, mas como enfrenta resistências, busca uma autonomia para poder melhor barganhar com o Ocidente.

No caso da UE, tem o gás, que a mesma é totalmente dependente da Rússia em seu abastecimento.⤵️
34/64) A Rússia é uma das maiores exportadoras de recursos energéticos a nível mundial, por outro lado, a União Europeia carece muito deste recurso, principalmente os países do norte e do centro europeu, sendo assim, a Rússia é a principal e mais importante fornecedora do recurso à UE (PEREIRA, 2017).

Lembra das iniciativas para recuperar antigos satélites russos como parte das ambições dos eurasianistas?

Desde o início do século XXI, a UE, em seu processo de alargamento, incluiu:

Estônia, Letônia e Lituânia, Polônia, Romênia e a Bulgária, todas antigas zonas de influência russa.⤵️
35/64) A UE pretendia aumentar sua presença no Mar Negro e seus interesses no desenvolvimento de uma política europeia no Leste, ações que visavam minar os interesses da Rússia tanto no Mar Negro como no Cáucaso(FREIRE, 2008).

Curiosamente, a partir de 2003 houve três revoluções eleitorais na região, mais especificamente na Geórgia, Revolução das Rosas; na Ucrânia, Revolução Laranja e no Quirguistão, Revolução das Tulipas.

Todos estes movimentos, consistiram na tentativa de contestar os governos vigentes.

Em todos os casos, as derrotas da oposição foram tidas como fraudulentas durante os processos eleitorais e foram seguidas de manifestações populares, com o apoio Ocidental(ORTEGA, 2009).

Estas revoluções tiveram influência direta dos EUA e da UE, e não somente no apoio a ONGs.⤵️
36/64) Os EUA enviaram representantes do governo para falarem diretamente com os presidentes, então em exercícios, na busca de enfatizarem a importância de eleições livres.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa(OSCE), enviou observadores aos três Estados que, prontamente, denunciaram fraudes(ORTEGA, 2009).

A Rússia em contrapartida, denunciou as revoluções coloridas como formas de substituir os presidentes por aliados Ocidentais, em que estes poderiam discutir suas adesões para entrarem na UE e OTAN (FREIRE, 2008).⤵️
37/64) Em 2007, na Conferência de Segurança de Munique, Putin fez duras críticas a situação e consequências advindas:

"De acordo com os documentos fundadores, na esfera humanitárias, a OSCE visa assistir países membros na implementação de normas internacionais de direitos humanos, a pedido destes.

[…] contudo, isto não significa interferência nos assuntos internos de outros países, e em particular a imposição de um regime que determine como estes Estados devem viver e desenvolver-se.

É óbvio que tal interferência não promove, de modo algum, o desenvolvimento democrático dos Estados.

Pelo contrário, torna-os dependentes e, como consequência, política e economicamente instáveis (PUTIN, 2007 apud FREIRE, 2008, p96)".⤵️
38/64) Dessa forma surgem novos problemas para os russos na região.

Para Freire(2008), a principal dificuldade na antiga região de influência russa surge quando das integrações dos mercados energéticos ao Ocidente, por exemplo a conclusão do oleoduto, Baku-Tbilisi-Ceyhan(BTC), inaugurado em 2006.

A Geórgia, mesmo não tendo petróleo, é peça chave na geopolítica da região.

O oleoduto BTC, pode levar o petróleo de Baku, Azerbaijão, região do Mar Cáspio até um porto em Ceyhan, localizada na Turquia, que passa primeiro por Tbilisi na Geórgia.

O Baku-Tbilisi-Ceyhan(BTC) é o segundo maior oleoduto do mundo e tem a capacidade de bombear 1,2 milhões de Barris de petróleo por dia (NICK AMIES, 2008).

A União Europeia seria a principal beneficiadora do oleoduto, e o principal intuito de sua construção era tornar o Ocidente independente das exportações russas(NICK AMIES, 2008).⤵️
39/64) A Geórgia, após sua independência, passou por grandes problemas políticos com o governo ultranacionalista de Zviad Gamsakhurdia, o qual negava direito às minorias étnicas.

Estas minorias constituíam três repúblicas autônomas:

Adjara, Abecásia e a Ossétia do Sul, esta última, importante à Rússia que ao norte travava uma guerra contra a Chechênia.

A situação foi estabilizada no governo de Eduard Shevardnadze (1995-2003), todavia com as revoluções coloridas e Shevardnadze sendo substituído por Mikhail Saakashvili, surgiram novos problemas, pois ele endureceu sua posição em relação as repúblicas autônomas(VISENTINI, 2015).

Saakashvili passou a ter uma postura mais dura com relação as repúblicas autônomas e, também, buscou maior parceria com a OTAN e EU(VISENTINI, 2015).

A Abcásia e a Ossétia do Sul, na época da União Soviética, eram regiões autônomas submetidas à Geórgia.

Com as desestabilizações no início da década de 1990 na URSS, as regiões entraram em conflitos com as autoridades de Tbilisi ainda enquanto URSS.⤵️
40/64) Depois do fim da URSS e até 2008, momento da Guerra, haviam missões internacionais, da ONU e da OCSE, e pacificadores russos na Ossétia do Sul que estabeleceria bases militares e embaixadas na região(PILAR BONET, 2018).

A Ossétia do Sul sempre teve fortes laços com os russos, já no século XIX, os ossétas foram uma das poucas tribos da zona do Cáucaso que se aliaram ao então império russo (RODRIGO FERNÁNDEZ, 2008).

A Ossétia é uma região com muitos nacionais russos.

A Guerra na Geórgia, Guerra da Ossétia do Sul ou Guerra dos 5 Dias, conflito russo-georgiano em agosto de 2008, começou quando tropas georgianas invadiram de surpresa a capital Tsequinváli, da Ossétia do Sul, região que, de fato, era separada da Geórgia.⤵️
41/64) Com a ajuda russa, que rapidamente tomou conta da situação, as tropas georgianas foram rapidamente rechaçadas do território, onde a Rússia rapidamente chegou quase à Capital georgiana Tbilisi (RODRIGO FERNÁNDEZ, 2008).

A Abecásia aproveitou a movimentação e entrou no conflito.

Depois do conflito a Rússia reconheceu as duas províncias como estados independentes.

A Rússia aproveitou o conflito para dar sinais de força e influência na região.

O conflito serviu para demonstrar o desejo russo de reconhecimento no sistema internacional e para expressão de suas capacidades nesta nova ordem (FREIRE, 2008).⤵️
42/64) Nesse sentido:

"Com esta ação militar, Moscovo[Moscou] pretende travar o alargamento da NATO[OTAN] fazer recuar a presença ocidental na área da CEI, e deixar um sinal de aviso às antigas repúblicas quanto ao seu poder, influência e capacidade de ação [...] a Rússia conseguiu, com a intervenção na Geórgia, ganhos em diferentes níveis: em nível local, com o enfraquecimento da república georgiana, uma dupla vitória face a um apoio ocidental que não se materializou como Tbilissi esperava; [...]regional, com Moscovo[Moscou] a reafirmar-se na área e a sublinhar o seu envolvimento em matérias de interesse estratégico; nível internacional, demonstrando que a política de contenção face ao Ocidente não é mera retórica (FREIRE, 2008, p.53)".⤵️
43/64) Apesar da CEI(Comunidade dos Estados Independentes) não ser um bloco de muita eficiência, resultado de sua atuação ser mais no sentido da formalidades, não deixou de ser um instrumento capaz de delimitar o espaço ex-soviético que a Rússia tentava preservar.

Mesmo através da CEI, onde a Rússia não tinha capacidade de interromper os desejos de ex-sátelites, como a Geórgia e a Ucrânia, de fazerem parte da OTAN ou UE, Moscou, com a invasão à Geórgia, pretendeu mostrar sua oposição ao Ocidente, validar a CEI, e também dar sinais de que tem força, influência e algum peso ideológico.

Dessa forma, a Rússia remarca sua posição de liderança no espaço do bloco.

Ações que resultam numa forma de demarcação da zona de influência russa(FREIRE, 2008).⤵️
44/64) Na primeira década do Século XXI, a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão começaram uma parceria para uma união aduaneira, avançando e criando a UEE(União Econômica Eurasiana).

A intenção é que a UEE seja gradualmente integrada pelos membros das antigas repúblicas soviéticas, reforçando assim a presença da Rússia nesta região(VISENTINI, 2015).

Ainda com vistas na manutenção do seu soft power regional.

Contudo, mesmo assim a Geórgia se mantinha firme no desejo de aliar-se ao Ocidente.

Após a intervenção ocidental na Geórgia, motivada pelas Revoluções Coloridas, restou à Rússia atuar de outra maneira, com a força.⤵️
45/64) Em 2008, com a invasão à Geórgia, a Rússia apresenta uma nova forma de tentar manter seus interesses, desta vez com um pensamento político baseado na "Real Politik", deixando à amostra, para sua antiga zona de influência e para o Ocidente, seu desejo de ser ouvida e ter sua área de interesse respeitada.

Assim, a partir de 2008, a Rússia passa a enxergar o mundo como multipolar, reivindicando participação fundamental no cenário internacional(FREIRE, 2008).⤵️
46/64) AS CRISES NA UCRÂNIA

O Caso da Ucrânia tem uma dinâmica mais complexa de entender porque além do ocorrido nas chamadas Revoluções coloridas, a Ucrânia está bem ligada à Rússia, além do mais, tem uma posição geoestratégica importante para a Rússia.

Segundo Segrillo(2014), originalmente, russos, bielorrussos e ucranianos eram um povo só, no chamado Estado Kievano (dos séculos IX ao XII).

Nos séculos XIII-XV, ao longo do domínio mongol na região, os três povos foram se diferenciando e, depois disso, os rumos de ucranianos e russos foram bem diferentes(Angelo segrillo especial para a Folha - 2014).

O começo do grande império russo se tem na Ucrânia, ou como antes chamada, Rus de Kiev, sendo o Berço histórico russo na Idade Média.

O nome Ucrânia, inclusive, significa fronteira, que tem sua origem na palavra Krajina, onde também houve disputas territoriais com poloneses, austríacos e turcos (VISENTINE, 2015).

No século XVIII, no reinado de Catarina a Grande, a Rússia e a Prússia, hoje Alemanha, invadem a Polônia pela primeira vez e dividem seu território. ⤵️
47/64) Nesse mesmo período a Rússia passa a dominar o que é hoje a Bielorrússia, Moldávia, os Bálticos e volta a dominar também a Ucrânia (AMAL, 2017).

Com relação a Ucrânia há uma divisão, ou um “problema histórico” como cita Visentini (2015), em outro sentido.

Uma parte da Ucrânia esteve há muito tempo sob domínio do Império Austro-húngaro, portanto, protestante e Ocidental, e outra parte católica ortodoxa.

Outra questão a ser mencionada é a importância da Ucrânia para a Rússia.

Um motivo é que há a Grande Planície Europeia que se estende desde o litoral ocidental da França até os Montes Urais na Rússia.

Todo esse percurso pode ser facilmente percorrido sem ter que cruzar fronteiras naturais tais como rios, montanhas ou desertos, facilitando assim a penetração no território russo.⤵️
48/64) Nos últimos 500 anos a Rússia sofreu várias invasões advindas dessa região.

Os poloneses em 1605, os suecos em 1707, os franceses de Napoleão em 1812 e os Alemães na Primeira Guerra Mundial (AMAL, 2017).

Um outro motivo dessa grande importância é o acesso ao Mar Negro (DIAS, 2015).

Os portos da Rússia nesta região ficam muito tempo congelados.

Dessa forma, o Porto de Sebastopol, na Península da Crimeia tem importância vital para os interesses russos.

Sendo a Península da Crimeia a única saída russa com águas quente todo o ano.

Sem contar que a península tem uma posição estratégica para controle do Mar Negro e saída para o Mediterrâneo pelo Estreito de Bósforo (AMAL, 2017).⤵️