10 5 6 5
4.85K subscribers
1.1K photos
377 videos
63 files
193 links
Este canal propõe um olhar diferente sobre os fatos.
Download Telegram
10/12) Em 2020, ano da decretação da pandemia de COVID-19, o volume de tráfego de pagamentos pelo CIPS aumentou cerca de 20%, enquanto o valor total das transações aumentou mais de 30%.

Até agora, são 53 participantes diretos e 1.137 participantes indiretos(876 na Ásia, 153 na Europa, 42 na África, 26 na América do Norte, 23 na Oceania e 17 na América do Sul).

Para facilitar os acordos entre a Rússia e a China, vários bancos russos começaram a se conectar ao sistema chinês.(Marcos de Oliveira - Monitor Mercantil, 25/02/2022).⤵️
11/12) Com os EUA e seus aliados impondo sanções à Rússia e esta já tendo acordos estabelecidos com a China, será uma questão de tempo para que o CIPS seja o sistema a desbancar o SWIFT?

Ao que parece, há, novamente, um democrata no comando dos EUA que atua, embalado por um clima de tensão entre Ucrânia e Rússia, promovendo resultados que mais favorecem a China.

Seria esta uma das razões pelas quais Xi Jinping preferia a vitória de Biden a um segundo mandato de Trump?

Quem mais, além de políticos alinhados ideologicamente com a China, atuaria em favor das intenções de Xi em colocar a China como potência Nº1 até 2035?

Agora repare no recorte, o que, de fato, representa o CIPS - Uma rota para que o RMB("Moeda do Povo") assuma a posição de moeda mais forte que o dólar.⤵️

Fonte do recorte(em inglês): https://www.cips.com.cn/en/about_us/company_profile/index.html
12/12) Caso o CIPS seja, de fato, o destino da Rússia, além de um duro e intencional golpe no SWIFT, permitirá que Xi Jinping consolide seu domínio e liderança sobre a Eurásia, passando a ser mais que um aliado imprescindível para Putin.

Na verdade, Xi tornar-se-á uma espécie de "salvador" que sustentará ambiente propício à sobrevivência financeira da Rússia no cenário internacional.

Graças aos democratas nos EUA e seus aliados, este pode ter sido um importante passo para uma aliança entre os "Reis do Oriente".
Em breve publicaremos uma thread, longa, com a qual mostraremos que ambos, Rússia e China estão perseguindo antigas ambições.

Com vantagens enormes para a China.
10 5 6 5 pinned a photo
1/64) 1999-2022 - Chegada de Putin ao poder, recentes tensões na Ucrânia e a consolidação da EURÁSIA.

Porque não estamos olhando para a China?

“Quem domina a Europa Oriental controla o Heartland; quem domina o Heartland controla a World Island; quem
domina a World Island controla o mundo”. Halford John Mackinder(1905).

O que deixamos escapar?

Vamos caminhar um pouco.⤵️
2/64) Após anos mergulhada na Guerra Fria, Moscou volta ao cenário internacional com sua política externa voltada ao confronto com o Ocidente, que através da Organização do Tratado do Atlântico Norte(OTAN) e junto com a União Europeia(UE) buscaram recuperar antigos satélites soviéticos em sua zona de influência, a Rússia avança no desejo de consolidar sua influência por meio de organizações como a Comunidade dos Estados Independentes(CEI), União Econômica Eurasiana(UEE) e, no lado asiática, com a Organização para Cooperação de Xangai(OCX).

O que revela, nas tensões fabricadas pelos EUA, um componente que atua como álibi na ofensiva russa de recuperar o controle de sua antiga zona de influência.⤵️
3/64) Antes de prosseguir, penso seja importante tentarmos responder a seguinte pergunta: Rússia, Ocidental ou Oriental?

A Rússia é o maior país do globo em termos geográficos, é banhada por três oceanos:

Atlântico, Ártico e Pacífico.

Um quarto de seu território está localizado na Europa, outra parte, na Ásia, faz fronteiras com diversos países como:

Finlândia, Polônia, os países Bálticos, Belarus(atual Bielorrússia), Ucrânia, também com os países do Cáucaso, Cazaquistão, Mongólia, China, Coreia do Norte, e fronteiras marítimas com Japão, Suécia e EUA (Ministério da Educação e Ciência da Federação Russa, 2013).

Antes de Pedro, o Grande(1672-1725), a Rússia sofria grande influência do lado oriental como reflexo das invasões mongóis, em que estes tinham o controle econômico russo, sem exercerem influência cultural ou religiosa.⤵️
4/64) Em certa medida, a influência cultural era exercida por Bizâncio, que ao final do cerco mongol estendeu-se sobre a economia.

Foi Pedro, o Grande, quem abriu caminho para o mar no sul do país, no mar negro, onde tomou territórios dos turcos, e posteriormente, dos suecos no mar báltico.

Criou uma marinha e um porto na cidade de São Petersburgo, cidade criada por Pedro o Grande, em homenagem a São Pedro, mas, segundos críticos, de forma indireta, homenageando a si mesmo (SEGRILLO, 2012).

Todas as ações de Pedro, o Grande, tinham uma meta clara - transformar a Rússia num "Estado europeu”.

Seguindo a meta de Pedro, o Grande, temos as ações de Catarina, a Grande(1762-1796).

Catarina, a Grande, daria um passo além na iniciativa de transformar a Rússia em um país totalmente europeu.

Catarina fez questão de reforçar aos seus súditos que “a Rússia é um Estado europeu” (Catarina II apud[junto com] Kissinger, 2015).⤵️
5/64) No século XIX, alguns pensadores se institucionalizaram como ocidentalistas, enquanto outros, insistiam que a Rússia era um país único, diferente do Ocidente, e deveria seguir seu próprio caminho. Eram os chamados eslavófilos.

Por volta do primeiro quarto do século XX, um novo pensamento, oblíquo, apareceu entre os emigrados russos - o país era tanto europeu como asiático -, e diziam que os russos estavam por formar uma grande etnia eurasiana, estes se denominaram os eurasianos(SEGRILLO, 2011).

Quando parecia que as ações de Pedro, o Grande e Catarina, a Grande, na tentativa de estabelecer a Rússia como um "Estado europeu", estavam no passado, a partir do desmantelamento da URSS e a chegada de Yeltsin, surgiria nova rodada em busca de um alinhamento direto com o Ocidente.

Não só Yeltsin, então Presidente, mas quase toda a classe dirigente do país entendia que o único caminho para o desenvolvimento seria o alinhamento direto com o Ocidente(PECEQUILO, 2012).⤵️
6/64) Assim, no início de 1992, Andrey Vladimirovich Kozyrev assume o Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa.

Kozyrev seguiu a mesma política de aproximação com o Ocidente, que tinha como meta definir a Rússia como aliada natural da Europa(FREIRE, 2009).

Após as crises na Rússia e o descaso com o qual o Ocidente assistiu sua derrocada econômica, os atores pró aproximação com o Ocidente, adeptos daquela ideia reforçada por Catarina, a Grande - “a Rússia é um Estado europeu” -, em 1993, decepcionados buscaram a reformulação deste pensamento.

Como resultado dos esforços para reformular tal pensamento, buscaram, nos países vizinhos, o novo foco da política externa russa(FREIRE, 2009).⤵️
7/64) No ano de 1996, Yevgeny Maksimovich Primakov assumiu o Ministério das Relações Exteriores(09/01/1996 a 11/09/1998).

Segundo Primakov, a Rússia não tinha inimigos permanentes, mas interesses permanentes.

Declaração que demostrava Primakov como partidário do descontentamento com o Ocidente, principalmente em relação ao avanço da OTAN(Organização do Tratado do Atlântico Norte), claramente destacada como empecilho aos interesses russos(FREIRE, 2009).

Mesmo Primakov tendo ficado menos de dois anos no Ministério das Relações exteriores(09/01/1996 a 11/09/1998), suas ideias permaneceram na política russa, tornando-se mais acentuadas no governo Putin(AMAL, 2017).⤵️
8/64) Primakov também é visto como defensor da visão geopolítica eurasianista.

Entretanto, Putin surgiria como um novo ator na reformulação do antigo pensamento que defendia ser a Rússia um Estado europeu.

“As pedras e os blocos de concreto do Muro de Berlim têm sido distribuídos há tempos como souvenires.

Mas não devemos esquecer que a queda do Muro de Berlim foi possível graças a uma decisão histórica – que também foi feita pelo nosso povo, o povo da Rússia – uma escolha em favor da democracia, liberdade, franqueza e uma parceria sincera com todos os membros da grande família europeia”. Vladimir Putin(2007).

Putin não insiste na ideia da Rússia como um Estado europeu, mas parceiros do que chamou "grande família europeia".

Posicionamento que alinhava-se às ideias de Primakov e sua visão eurassianista.⤵️
9/64) É para esta visão eurasianista que as ações dos EUA, por ocasião da fabricação da crise entre Rússia e Ucrânia, empurram Putin, permitindo que use as "tensões" como álibi capaz de camuflar uma visão geopolítica eurasianista como meta, quer seja direta ou indiretamente alcançada.

Esta visão geopolítica eurasianista será vista mais adiante sob a perspectiva dos EUA tendo os democratas(esquerda) na presidência e sua atuação, sistematicamente camuflada, em benefício da China.⤵️
10/64) Um pouco sobre a visão Eurasianista.

Vejamos as origens da visão eurasianista.

Tudo começa com um nome, um livro e uma teoria.

Halford John Mackinder, seu livro, The Geographical Pivot of History de 1905 e a teoria da Heartland.

Mackinder classificou o mundo em duas regiões geográficas e fundamentais.

A primeira delas é a Ilha Mundial, esta corresponderia à Europa, Ásia e a África, região em que teria ocorrido a maiorias dos eventos e guerras mais importantes da história.

A outra região, que é o restante do mundo, ele chamou de Ilhas do Exterior.

O Heartland, seria a área pivô, sendo o centro da Ilha Mundial, referente ao território eurasiático (REIS, 2015).⤵️
11/64) Para Mackinder, o território euroasiático, o Heartland, que corresponde ao território Czarista, com riquezas em diversos recursos, permite ao Estado que controlar essa região, o desenvolvimento de um grande poder.

Nesse sentido Mackinder afirma que “Quem domina a Europa Oriental controla o Heartland; quem domina o Heartland controla a World Island; quem domina a World Island controla o mundo” (MACKINDER, 1919 apud BRAGA, 2011).⤵️
12/64) No início do século XX o eurasianismo ganharia novos contornos elaborados por um grupo de intelectuais exilados que viam a Revolução Russa como uma transição necessária para modernizar um país atrasado, e depois desta revolução voltariam a ser um Estado tradicionalista, confessional e acima de tudo, nacionalista.

Não acreditavam na Rússia como Ocidental, mas juntos com cristãos ortodoxos, eslavos, romanos e gregos, e com os muçulmanos, formariam a Eurásia, um espaço euroasiático(FLORETIN, 2014).⤵️
13/64) O pensamento político que parte da ideia de Mackinder, como o Heartland e de que quem o domina tendo grandes chances de dominar
o mundo, especialmente se controla a Ucrânia, (por sua importância geográfica citada em capítulo seguinte deste trabalho)
(FLORETIN, 2014).

Tal pensamento, também, afirma que a geopolítica vive do confronto entre potências terrestres - os continentalistas -, e as potências marítimas, - as atlanstistas (SOUSA, 2012).

Pensamento que pode ser explicado, também, na questão identitária russa do Pan-eslavismo que sempre esteve presente dentre o povo russo.

Nesse sentido, seria o “destino manifesto” da Rússia recuperar os territórios que fizeram parte da URSS e os do Império Russo(SILVA, 2010).⤵️
14/64) Tais pensamentos haviam perdido força nos anos de 1930, ressurgindo mais tarde como numa espécie de pilar da "Escola Eurasianista", tendo como seu principal instrutor Aleksander Dugin, professor da Universidade Estatal de Moscou e o Instituidor do Movimento Eurásia, na qual propõe defender as tradições culturais russas em contraposição aos valores ocidentais manifestados na globalização.

Dentro da corrente política eurasianista há duas subdivisões, uma delas são os realistas, estes notadamente compostos pelos antigos membros intelectuais do Partido Comunista da União Soviética(PCUS).

Os realistas acreditam no poder como instrumento para a busca de controle e equilíbrio, em detrimento da cooperação internacional, nesse sentido, creem que a Rússia deve continuar desenvolvendo seu poderio militar e nuclear, para assim, equilibrar a balança de poder internacional contra o Ocidente.

Esta corrente de pensamento percebia o ambiente externo hostil aos interesses russos e que a dissolução da URSS foi consequência das ações premeditadas e bem planejadas pelo mundo ocidental(TEIXEIRA, 2008 apud[junto com] SOUSA, 2012).⤵️
15/64) Eurasianismo

Em 1991, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), houve um vácuo geopolítico no espaço de influência da Rússia, assim, o país precisou se reposicionar no cenário geopolítico, pois antigos aliados estavam sofrendo influência geopolítica do Tratado do Atlântico Norte(OTAN), com exceção da Bielorrússia e Ucrânia, esta última com receio de uma divisão no país, pois a parte oriental ainda era bastante russificada(SOUSA, 2012).

No âmbito desse pensamento, durante os anos 1990, surgem duas correntes de pensamentos, os ocidentalistas e os eurasianistas.

A Rússia, como herdeira das ambições soviéticas, atuou para manter, ao menos em um mínimo possível, sua esfera de influência na região com a criação da Comunidade dos Estados Independentes(CEI), em 1992 e, com a chegada de Putin, através da União Econômica Eurasiana(UEE), no ano 2000(VISENTINI, 2015).⤵️