Coração de Urtiga 🌿
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Reflexões vivas sobre Terra Corpo como Medicina: eco-filosofia, eco-mitologia, espiritualidade da Terra, herbalismo, movimento, arte e terapia eco-somáticos.
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Sabem o que traz 2023?

☺️Conferência, encontro, festival de Eco-Mitologia
Será a primeira vez que se este tema será trazido de forma centrada em Portugal. Ocorrerá, em formato online, ao longo de uma semana – 7 dias de 25 a 31 de Março, entre as 6.45pm às 9pm, hora de Portugal continental.
Várias apresentações de 40min que incluem perguntas e respostas. Haverá apresentações (pelo zoom) ao vivo e conteúdos gravados, tudo em português ou com legendas. As apresentações ao vivo ficam gravadas para serem vistas ao seu ritmo.

👉 Promoção de inscrição antecipada até 10 de Fevereiro: https://serpentedalua.com/produto/1o-encontro-de-eco-mitologia
Por vezes para pessoas no espectro da alta sensibilidade as celebrações colectivas são uma pressão.
Para além do que nos conta das nossas histórias pessoais deste ano e de outras passagens, pode também aprofundar a visibilidade de quem está só, nas ruas, a atravessar fases tão duras bem como a situação ecológica ou a forma como os animais sofrem com o ruído desta celebração.
Há muitos pontos de activação neste dia e há ainda a pressão de celebrar, estar alegre ou bem quando pode não ser o que estamos a sentir.

Por isso, sublinho a importância da auto-preservação:
- a quem tenha feito planos e não se sinta capaz de os levar adiante: está tudo bem em mudar de ideias para respeitar o nosso sistema nervoso
- a quem queira sair mas precise de ficar menos tempo: é um gesto de maturidade reconhecer, respeitar e comunicar os nossos limites (que variam a cada dia e fase de vida)
- a quem decide ficar só: o que seria nutridor hoje? Esta pergunta é tão orientadora
- se temos celebrações em grupo em casa: como criar um espaço que seja seguro e simples para todas as pessoas que fazem parte?

Nota que vivemos numa cultura completamente viciada em intensidade e alta estimulação.
Nem todos nós conseguimos acompanhar. Ao entrar em esforço arriscamos a ressaca social, que é uma baixa do sistema nervoso caracterizada pela forte exaustão, isolamento e tristeza.

Por vezes, escolher grupos mais íntimos, ou até estarmos apenas connosco no nosso ambiente e criar a nossa própria cerimonia de fim de ciclo pode ser mais nutridor e permitir atravessar com mais respeito, integridade e consciência esta noite.

Eu preciso de espaço e tempo para me regular porque as transições são sempre algo que ao mesmo tempo me inspira mas também me desorienta.

Respirar, acender uma vela, aquecer a casa, defumar, escrever, banho quente com sal e alfazema, oferenda de preces a quem está em situação de desamparo, reconhecimento do tanto que tenho a agradecer sobretudo à generosa Terra, Água, animais e plantas, preparação de alimentos nutridores e partilha com poucas pessoas que me são mais próximas são os meus gestos para hoje.
Quais os vossos?

Que Caminhemos com Carinho a cada passo do caminho.💜
Sento -me na escada
A noite caiu na gentileza brutal do Inverno.
Parecem contrários não é?
Mas não são.
A vida selvagem é feita de continuidade e complementaridade: sim, o Inverno como qualquer outra estação é brutal e gentil, entre tantas outras coisas, ao mesmo tempo.
Faz-me lembrar que para os proto-Celtas Brigid, a Deusa Brilhante é também a Senhora da Noite. Que sentido tem a estrela sem o céu nocturno? Que sentido tem o Sol se não nascer da noite e nela repousar? Para haver sentido há continuidade, não um ou o outro mas um e o outro.
As culturas sem conceitos duais são as que melhor entendem que tudo são processos que se entrelaçam noutros processos: rios e afluentes fluindo num ciclo de águas ininterrupto e contínuo mas nunca o mesmo.

Sento-me na escada entre plantas e gatos e reflito.
Todo o dia o dia inteiro cuido de me regular.
Ao fim do dia o corpo está elétrico. Ainda.
As dores vão e vêm numa cadência ritmada. Já as conheço, não lhes quero mal. Estão aqui parte de um processo, são uma linguagem que preciso de escutar e aprender porque trazem notícias de partes profundas de mim.
Sou um rio aprisionado numa barragem e estou a desconstruir pedra a pedra este muro.
A coluna vertebral tem um tremor que vibra, o estômago aperta e a respiração continua, presente e consciente, a atravessar o espaço com delicadeza.
Quanto mais tempo para a cura?
Quanto mais?
Foram anos, décadas, a criar um padrão de sobrevivência. Para proteger criou um preço a pagar, mas funcionou até poder ser desnecessário.
Sentir dor é finalmente um suspiro de alívio.
Só em segurança podemos sentir dor, em perigo lutamos, fugimos, congelamos mas não podemos sentir porque nos é demasiado ameaçador.
A dor é o princípio da cura.
A fada negra que traz a benção mais importante: a do início de um novo caminho.
Por fim sinto o cansaço. Os dias são desiguais. A sensibilidade é o dom trazido pela exaustão e que nos permite perceber, por fim, o amparo abençoado do chão.
Não se apressa o processo de cura: haja reverência. Como pode algo que demora anos a criar curar depressa?! Não somos máquinas nem no corpo, nem na mente, nem no coração.
Há um labor dedicado celular a acontecer, consciente e inconsciente.
Respiro.
Não aceito mais não estar no corpo para não sentir o desconforto.
Respiro.
Não me abandono e não abuso de mim, nunca mais.
Respiro.
Só eu sou responsável de reconhecer e comunicar os meus limites e é fundamental que os aceite. Reconhecer e colocar limites requer potência, é força e foco para quebrar a ideia de seguir sempre avante ainda que quebradas e sem qualquer capacidade.
Respiro.
Hoje ao contrário de no início, ser eu é suficientemente bom. É tanto mesmo que não faça nada.
E como só eu vivo comigo todos os momentos de toda a minha vida devo-me respeito e lealdade. E muito amparo quando me engano no âmago do exercício da minha profunda humanidade.
Respiro.
Sou Terra selvagem e não monocultura. Sou um bosque em vias de recuperar da devastação de um extrativismo atroz, primeiro imposto pelos outros e depois internalizado por mim. Demora. Confio.
Respiro.
Hoje percebo que a minha liberdade não é a transcendência dos meus limites mas o encontro estruturante do seu amparo.
Que a minha capacidade de escolher gentileza em vez de intensidade é um sinal de saúde: finalmente existe em mim auto-preservação. A minha fragilidade é um hino: não tenho nada a provar a ninguém e em nada diminui a potência que me habita.
Respiro e agradeço.
Afinal, estas dores já me deram tanto. E ainda estou e estarei no caminho.
Se eram necessárias? Não as romantizo, há tantas formas de chegar à consciência e claro que não podem nem devem passar todas pela dor, tão pouco a podem excluir completamente.
Respiro e transpiro palavras água neste texto que relembra:
Por fim existo porque me reconheço não uma identidade fixa mas um fluxo, um processo.
Sou um rio no retorno do caudal.
Estas pedras que me encolhem voltarão a ser montanha, osso da Terra, casa de musgo e líquen.
Eu voltarei a ser água.
Volto ao meu corpo e não o desamparo mais porque ele não merece jamais ser objetificado, nem na pressa da cura e na violência de querer um resultado final. Este corpo é Terra, feito de elementos, animais, plantas, minerais. É Alma.
Volto ao início maior, com humildade, leveza e Amor. Que são a única verdadeira força.

E honro quem inspirou estas palavras ao confiar-me as suas dores e ousar tecer reparação.
Bem como honro quem as lê e sente inteiramente.
Todos e todas sofremos sem ninguém ter visto, temos isso em comum.
Temos mistérios internos que ninguém imagina.
Partes de nós que ainda não conhecemos e estão a ser paridas nestas laboriosas dores de parto que deixarão para trás partes de quem fomos e farão nascer partes de quem seremos.
Somos quem está parindo, a parteira e quem está nascendo.
Temos isto em comum. A humanidade.
Que na diferença de opinião o possamos lembrar sempre.
Buscamos a reparação e a serenidade.
O caminho até lá é uma peregrinação e depois de chegar é uma prática constante diária, porque é o cuidar que sustém o gerúndio do curar contínuo.

" Come healing, come into my bones.
Come healing make this body a home."
Lydia Violet
Uma vez por ano partilhamos saberes Ancestrais fundamentais.
Durante milénios conhecer e saber conservar e preparar medicinalmente plantas foi uma das bases da sobrevivência humana.
Hoje, muitas vezes não sabemos quão preciosas para nós são as plantas que nos rodeiam e como podem apoiar de forma tão profunda a nossa saúde.

Dia 14 pela manhã temos 3h30 de masterclass de Herbalismo de Inverno: vamos aprender quais as famílias de plantas fundamentais para esta fase do ano e como fazer macerações medicinais em vinagre, tinturas, elixires, oxymel, infusões, decocções e banhos medicinais de apoio e fortalecimento do sistema imunitário, respiratório e nervoso.

A aula fica gravada para que a possas rever sempre que precisares e também para quem não pode estar presente no dia mas não quer perder a oportunidade de integrar este saber na sua vida.

💌 Inscrições
senhoradazenha@gmail.com

🌿 Informações:
https://feminineconsciousness.com/events/masterclass-de-herbalismo-de-inverno_22/?occurrence=2023-01-14
🕯️ Às 17:30 temos encontro no Zoom para mais uma episódio ao vivo do nosso podcast.

Link abaixo.
Toda a gente é bem-vinda. 🍁

https://us02web.zoom.us/j/88396518634
🌿 Sábado à tarde, depois da Masterclass de Herbalismo Ancestral, temos uma caminhada por entre o Bosque.
Resgatando a relação consciente com as plantas como seres sencientes, a sua importância para o solo e ecossistema, os seus dons medicinais e a sua mitologia ancestral.

Para quem participa na Masterclass o valor tem um desconto de 50%

As vagas são muito limitadas e já poucas restam.
Quem se junta?

🕯️ Informações:
https://feminineconsciousness.com/events/caminhada-de-herbalismo-medicinal/?occurrence=2023-01-14
💌 senhoradazenha@gmail.com
🦉Olhem só a conversa que já está disponível. Esta foi incrível, espontânea, tecendo-se a sim mesma e com a benção da participação de quem esteve connosco.

🌿O Ciclo da Violência

Com Ana Alpande e Íris Garcia
Este episódio começa sem tema, navegando ao sabor do vento mas logo se transforma numa conversa participativa sobre trauma, violência, abuso e a necessidade de reconhecer os lugares de vítima, salvador e perpetuador.
Gratas a quem se fez presente e ofereceu a sua voz.


https://open.spotify.com/show/4c8KZL7R2fgPfMcExMpE1m
🕯️🕯️Saiu hoje a nossa newsletter de Fevereiro, alinhada com as celebrações da Candelária (Imbolc) e também com as primeiras notícias da nossa Peregrinação de Ostara a Inglaterra neolítica.

🌿Iniciamos Fevereiro, que assinala o meio do Inverno, com dois convites envoltos em Amorosidade e intimidade com a Terra Viva:

🌿Dia 3 de Fevereiro, pelo fim da tarde (19h), adentramos o Bosque para caminhar na protecção de Turibriga, a Senhora do Leite, celebrando assim a Candelária.

🌿Dia 12 de Fevereiro, temos um dia de Xamanismo Ibérico onde abraçamos a  Senhora do Leite e da candeia: Turibriga.

👇Continua
🌿 ELLA
Uma viagem ao coração dos lugares sagrados das Terras de Brigid, num círculo de mulheres íntimo.
Caminharemos pelos trilhos Ancestrais neolíticos, visitando e cerimonializando com reverência e amorosidade em círculos de pedras, monumentos fúnebres, cascatas, nascentes, montanhas.
Adentrando o saber das plantas do herbalismo medicinal e mágico Celta e druidíco.

🌿Link completo aqui:
https://mailchi.mp/e1e552e26ae2/candelria-caminhada-nocturna-celebrao-de-xamanismo-e-peregrinao-a-inglaterra-neoltica

💌 senhoradazenha@gmail.com
🌿 Fazer de Mãe de mim própria


Numa sociedade preocupada com a melhor maneira de educar uma criança
Descobri a necessidade de misturar o que é melhor para os meus filhos, com o que é necessario para uma Mãe bem equilibrada.
Reconheço que o dar interminavel se traduz em esgotar-se a dar.
E quando se esgota a dar não é uma Mãe saudável e não é um Eu saudável.

Por isso, estou a aprender a ser mulher em primeiro lugar e Mãe em segundo.Estou a aprender a sentir apenas as minhas próprias emoções.
Sem roubar aos meus filhos a sua dignidade individual por sentir também as suas emoções.
Estou a aprender que uma criança saudável tem o seu próprio conjunto de emoções e caracteristicas que são só suas.
E muito diferentes das minhas.
Estou a aprender a importância de trocas honestas de sentimentos porque o fingimento não engana as crianças.
Conhecem a Mãe melhor do que ela se conhece a si propria.

Estou a aprender que ninguém ultrapassa o seu passado a menos que se confronte com ele.
Caso contrário, os filhos absorverão exactamente o que ela esta a tentar ultrapassar.
Estou a aprender que as palavras de sabedoria caem em ouvidos surdos se as minhas acções contradisserem os meus actos.
As crianças tendem a ser melhores imitadoras que ouvintes.
Estou a aprender que a vida se destina a ser preenchida com tanta tristeza e dor como alegria e prazer.
E permitir-mo-nos sentir tudo o que a vida tem para oferecer é um indicador de realização.
Estou a aprender que a realização não pode ser atingida por me esgotar a dar-me, mas dando-me a mim própria e partilhando com os outros.
Estou a aprender que a melhor maneira de ensinar os meus filhos a viver uma vida preenchida não é sacrificando a minha vida.
É vivendo eu própria uma vida preenchida.
Estou a tentar ensinar os meus filhos que tenho muito para aprender
Porque estou a aprender que liberta-los
É a melhor forma de continuarmos ligados.

Texto de Nancy Mcbrine Sheehan
🌿OUSAR SENTIR CADA PASSO DO CAMINHO

Para todas as pessoas na travessia de dias desafiantes, especialmente parentalidade, pós parto, ansiedade, burnout, luto, doença súbita ou crónica: requer muita coragem dar e sentir cada passo do caminho.
Muitas vezes, não valorizamos o que conseguimos e estamos a conseguir, focando o olhar exclusivamente ou quase no que fica por fazer. No entanto, há uma imensidão de trabalho interior por detrás de cada dia, de cada gesto.
Muitas vezes, este caminho é feito de uma construção interna que não é visível de fora; podemos lembrar que assim é também com as raízes das árvores. O trabalho interno é o que sustenta o que será o crescimento externo. Demore o tempo que demorar.
Se a cada dia fôr 0.01% melhor já é uma conquista. A persistência de cuidar, regenerar e continuar mesmo no desalento e no cansaço é coragem, é potência.
Tantas vezes essa coragem é expressa no parar, no fazer mais lento, no começar finalmente a ousar conhecer o nosso ritmo e o nosso corpo e coração sem a micro violência incentivada de os atropelar constantemente.
Essa coragem é ser o salmão e ir contra a corrente em vez de seguir o movimento mais óbvio. É ir de encontro à nascente, à força primeira da Alma como parte da Natureza Viva, selvagem, preciosa.
Está em nós.
Que a cada dia possamos ter um minuto de valorização e agradecimento pela nossa jornada interior, porque só nós sabemos o tanto labor, dedicação e sensibilidade que estão por detrás de cada acção.
Lembro -me de quando a Paz era um conceito totalmente estrangeiro para a minha fisiologia. Uma sensação desconhecida e até estranha.
Afinal, são gerações após gerações, na minha família, a transmitir um ciclo de desregulação nervosa onde a inquietude e a ansiedade são o normal e até o desejável.
É que na Beira passou-se muita fome e frio (tal como em todo o país), e isso traduziu-se num valorizar da preocupação constante que é tida como inteligência para garantir o alimento de amanhã e sobreviver.
É pura resiliência nervosa ao serviço da sobrevivência, sim. No entanto, numa cultura que por gerações a perder de vista normalizou o abuso de ricos sobre pobres, homens sobre mulheres, mulheres sobre crianças, crianças sobre animais repetidamente; onde a fome, frio, violência e alcoolismo são o quotidiano, perdeu -se a capacidade de estabilidade e segurança. 
A ansiedade constante, que é o medo do futuro permanente por conta da tanta instabilidade do passado, traduz-se num estado de inflamação crónica que passa, fisiologia após fisiologia.
Somos mamíferos, sintonizamos o nosso sistema nervoso com a nossa família de origem, para os recursos de resiliência como para os de disrupção. A pertença é sempre uma prioridade na primeira infância, o vínculo faz-se tanto pelo afecto, como pela afectação, pela violência. Uma disrupção normalizada impede que sejam reconhecidos, amparados e reparados os danos e que a regulação nervosa seja reposta.
Antes de aprendermos a auto- regulação, por sermos animais de tribo intrinsecamente, aprendemos a co-regulação. É o sistema nervoso e a fisiologia dos nossos cuidadores que informa os nosso sistema nervoso, o nosso desenvolvimento cerebral, o comportamento dos nossos órgãos e a forma como nos sentimos em nós e como vivemos e criamos relacionamentos. Podemos confundir facilmente estabilidade com conflito, amor com violência, afecto com invasão de limites físicos ou emocionais.
Porque se não aprendemos neste primeiro lugar do encontro a co- regulação nervosa, será muito mais difícil ter recursos de auto-regulação na vida adulta.
Isto não quer dizer que os cuidadores têm que estar sempre regulados, de todo e claro que não. No entanto, aprender a caminhar entre regulação, desregulação e retorno à regulação é o caminho natural mamífero. Vejamos: uma raposa vai ter desafios a partir do momento em que sair da toca, até ameaças de vida, irá desregular. No entanto, ao retornar à toca repõe o seu senso de segurança e estabilidade do sistema nervoso. Esta dança confere resiliência.
No meu caso, a ansiedade crónica traduzia-se em inflamação crónica e em nunca chegar à toca . Parar numa era seguro, então este ciclo de luta, fuga, impotência repetia-se internamente e eternamente, mesmo nas melhores condições externas e às vezes sobretudo nelas.
É que quando o nosso sistema nervoso não sabe parar em segurança os lugares de amparo tornam-se ameaçadores por estarmos sempre à espera que vá acabar depressa e com violência.
Este é um dos muitos aspectos somáticos que são transmitidos de forma inconsciente: se por um lado não há senso de segurança, por outro somos excelentes em tempo de crise, porque viver em crise interna constante torna-nos muito hábeis.
Não se trata de eliminar este traço, mas de o equilibrar: esta é um ferramenta que faz parte de nós, mas podemos adquirir e aprender a usar outras. Assim, podemos usar estas aptidões quando necessário e não as usar quando são destrutivas. 
No entanto, não depende da apenas da vontade, mas de um trabalho na fisiologia que possa cuidar a carga traumática residual e encontrar no corpo o mapa da regulação, com tempo, escuta e respeito.
Então: se te for difícil parar e estiveres num loop de ansiedade reúne recursos, pede ajuda, e não te culpes se os conceitos racionais não bastarem. O corpo que sente todas estas sensações avassaladoras também tem a chave para as regular.
Sente os pés no chão, respira. Há caminho, mesmo que não se veja ainda, há caminho.
E a beleza é que, os traços herdados mudam na família quando os mudamos em nós, com compaixão e paciência.