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Forwarded from  A FARSA DO SISTEMA
O escândalo envolvendo estudantes de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso ultrapassou qualquer limite aceitável de degradação ética dentro do ambiente universitário. As denúncias de uma suposta “lista de alunas estupráveis” do curso de Direito, formalizadas pelo centro acadêmico no início de maio, revelam um cenário perturbador de violência simbólica, misoginia e intimidação. E o que mais revolta é a lentidão da resposta institucional. Foram necessários mais de dez dias para que a universidade emitisse uma nota genérica afirmando que “investiga o caso”. Investiga? Diante de uma acusação dessa gravidade, o mínimo esperado seria uma reação imediata e medidas exemplares.

A situação ficou ainda mais explosiva após denúncias de que o pai de um dos envolvidos teria entrado armado no campus para ameaçar estudantes, afirmando que, se o filho dele não se formasse, “ninguém se formaria”. O episódio transforma uma crise disciplinar em um caso de segurança pública. Como uma universidade federal permite que o ambiente acadêmico se transforme em território de intimidação e medo? O silêncio burocrático diante de ameaças explícitas transmite uma mensagem perigosa: a de que estruturas públicas podem ser paralisadas pela covardia institucional.

Nos últimos anos, universidades brasileiras têm acumulado episódios de trotes abusivos, assédio, violência sexual e perseguições ideológicas, quase sempre tratados com notas protocolares e sindicâncias intermináveis. A sensação de impunidade cresce justamente porque medidas duras raramente são tomadas. Enquanto estudantes cobram expulsão imediata dos responsáveis, setores administrativos parecem mais preocupados em preservar a imagem institucional do que em proteger vítimas e garantir autoridade moral dentro do campus.

A crise expõe algo mais profundo: a deterioração ética em parte das universidades públicas brasileiras, onde discursos progressistas convivem com práticas degradantes nos bastidores. Se não houver punição real, o recado será cristalino: o terror psicológico compensa, a intimidação funciona e a universidade perdeu completamente o controle sobre seus próprios limites civilizatórios.

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