Novas de Cada Manhã | Devocional Diário
8 subscribers
11 photos
18 files
15 links
Todos os dias um devocional para você meditar nas Escrituras Sagradas
Download Telegram
to view and join the conversation
Devocional #17 - Não matarás

"Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’" — Mateus 5:21

O primeiro ponto a ser tratado pelo Mestre em sua desconstrução do pensamento desalinhado acerca da Lei de Deus é o homicídio. Não muito diferente de nossa época muitos intérpretes da Lei diante da ordem de Deus “não matarás” colocava um ponto de interrogação questionando “O que isso significa exatamente?”.

Jesus então assevera a questão, vai ao cerne do problema, à raiz do pecado e revela que tanto o que mata fisicamente quanto o que ataca a honra do seu irmão compartilham da mesma transgressão.

Escrevendo sobre isto, Dietrich Bonhoeffer nos declara **“O discípulo de Jesus é proibido de cometer assassinato, sob ameaça de julgamento divino. A vida do irmão é, para o discípulo de Jesus, limite que não se pode atravessar. Esse limite, porém, não se restringe ao assassinato; irar-se já é ultrapassá-lo. A palavra raivosa (Raca) e a ofensa deliberada (“tolo”) já são transgressões desse limite”**.

Cristo nos revela que o homicídio é o último degrau da desconstrução da honra alheia, no entanto, não é o único. A ofensa deliberada, o ódio contra o próximo e, o que hoje chamamos de cancelamento, é tão deplorável e condenável por Cristo quando apertar o gatilho de uma arma.

A origem é a mesma: a desonra à dignidade da vida. Bonhoeffer ainda nos escreve **“A palavra leviana à qual não damos grande importância revela que não honramos o outro, que não o respeitamos, que estimamos mais a nossa vida que a dele. Tais palavras são um golpe contra o irmão, uma punhalada em seu coração. Sua intenção é atingir, machucar, destruir”**.

Da mesma maneira que o homicida ataca deliberadamente a vida do próximo removendo-lhe o direito dado por Deus de existir, aquele que ofende seu irmão dirigindo-lhe palavras odiosa também o faz, destrói a dignidade da vida humana, peca contra a sacralidade da imagem de Deus impressa no outro e, portanto, é digno de julgamento.

Cristo, no entanto, não está propondo uma espécie de “pesos” para o pecado, não está colocando na balança o assassinato e a ofensa estabelecendo um como mais grave que o outro. Seu objetivo é despertar o coração dormente dos discípulos e lhes apresentar a seriedade na qual devem tratar suas palavras.

O mundo não mede a força da agressão, sequer se preocupa com o que diz, na realidade, quanto mais ofensivo for melhor. Entretanto, conscientes de que **“a vida do irmão é dada por Deus e está nas mãos dele”** (Bonhoeffer) não cabe ao discípulo o direito de ferir sua reputação ou manchar sua honra.

Não devemos seguir o fluxo da correnteza, o Mestre nos chama para ativamente observar, pesar e repensar nossas palavras. Lembremos o que o Apóstolo Paulo nos escreve: **“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um”** (Colossenses 4:6).

Que Deus lhe abençoe.

* * *

### Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. **Discipulado**. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.
221083375-44100-2-379a304424151.m4a
5 MB
Devocional #18 - Reconcilie-se com seu irmão, depois apresente sua oferta
Devocional #18 - Reconcilie-se com seu irmão, depois apresente sua oferta

"Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” — Mateus 5:23,24

Dada a gravidade e a seriedade que é odiar o irmão ou proferir contra ele palavras permeadas por desprezo, Cristo então estabelece mais uma camada na compreensão acerca de como o relacionamento entre os seus discípulos deve ocorrer.

Jesus deixa claro que não existe relacionamento com Deus sem relacionamento com o próximo e, na mesma medida, não há verdadeiro relacionamento com o outro sem que estejamos fundamentados e alicerçados num verdadeiro relacionamento com Deus.

Não posso afirmar que amo a Deus se não amo meu irmão e não tenho condições de afirmar que amo meu irmão se não amo a Deus.

Na mesma proporção em que os discípulos de Jesus são chamados para se absterem da animosidade de uma vida guiada pelo ódio, também são chamados para se entregarem a um estilo de vida e conduta pautados por um espírito de reconciliação e paz.

A preocupação do discípulo não deve estar em apresentar uma oferta a Deus em detrimento da comunhão com seu irmão. Atos externos de louvor, de sacrifício e de serviço cristão sem os laços da verdadeira e genuína comunhão com o irmão não possuem serventia alguma no Reino.

Ferguson (2019) em seu livro “O Sermão do Monte” nos escreve: **“O que somos diante de Deus está ligado ao modo de nos relacionarmos com os demais. E, caso estejamos em inimizade com alguém, como poderíamos nos achegar à presença do Senhor com mãos e coração limpos?”.**

O Apóstolo João nos deixa claro que **“Quem afirma estar na luz, mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram”** (1 João 2:9-11).

Isso não significa, entretanto, que nossos relacionamentos serão sempre pautados pela justiça ou que estarão livres de atritos e fagulhas. Não é isto que Cristo tem em mente, Ele sabe que ainda há em nosso coração a velha raiz do pecado que, inevitavelmente, se manifestará em algum momento.

O discípulo invariavelmente irá entrar em atrito com seu irmão, no entanto, o Mestre espera que seu coração esteja disposto a reconhecer suas falhas. Deixar a oferta no altar, o serviço externo e visível, requer humildade e submissão para caminhar em direção ao secreto onde a reconciliação acontece.

A tendência do coração humano sempre será caminhar em direção ao sacrifício, ao que se pode realizar com a força do braço. Deixar a oferta e seguir na direção oposta, no caminho da humilhação e reconhecimento das próprias falhas requer o auxílio do Espírito Santo.

Somente o discípulo que consegue olhar para fora de si, se colocando à disposição para reatar os laços rompidos, pode com o coração puro e as mãos limpas voltar e apresentar sua oferta de louvor a Deus como aroma suave e agradável.

Que Deus lhe abençoe.

* * *

### Bibliografia citada:

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019.
Audio
Devocional #19 - Entre em acordo com seu adversário no caminho
Devocional #19 - Entre em acordo com seu adversário no caminho

"Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho" — Mateus 5:25

Cristo continua tratando sobre a reconciliação com o próximo e nos apresenta um cenário de urgência. **"Entre em acordo depressa com seu adversário"**, nos orienta o Mestre.

Jesus orienta seus discípulos para que busquem a reconciliação antes que o caso se agrave, é muito mais fácil e simples resolver as divergências quando estas ainda não chegaram ao tribunal, é menos doloroso dar o braço a torcer reconhecendo o próprio pecado contra o irmão do que aguardar até as últimas consequências.

Embora a ilustração apresentada nos leve a interpretar a situação no contexto meramente judicial e civil, podemos extrapolar o ensino de Cristo aplicando a mesma ideia à efemeridade da vida.

Quantos hoje não estão pagando até o último centavo por um desentendimento com seu irmão não resolvido enquanto este ainda estava vivo? Quanto remorso e arrependimento não seriam evitados se ouvíssemos a orientação do Mestre?

Dietrich Bonhoeffer (2016) nos escreve em seu livro “Discipulado”: **“Ainda vivemos no tempo da graça, pois ainda há um irmão ao nosso lado, ainda estamos ‘com ele a caminho’. Diante de nós está o juízo. Ainda podemos buscar o acordo, ainda podemos pagar a dívida a quem somos devedores. Chegará a hora em que seremos julgados. Então será tarde, pois aí haverá justiça e punição até o último centavo”**.

Não temos o dia de amanhã, sequer sabemos se chegaremos com vida ao final do dia de hoje ou ainda se teremos mais uma oportunidade para nos reconciliar com nosso irmão. Há urgência, há a necessidade imediata de fazermos o certo agora antes que seja tarde demais. Podemos pagar o preço da humilhação hoje, agora, ou podemos esperar o dia do juízo para fazê-lo.

Podemos sangrar o coração, mas alcançar a reconciliação, ou podemos mantê-lo intacto e perdê-lo ao fim de tudo.

Ferguson (2019), entretanto, nos relembra que **“Jesus está dizendo que devemos, à medida do possível, remover toda a base para qualquer tipo de inimizade. Ele, porém, \[...\] não está dizendo para lavarmos roupa suja em público, mas para tratar urgente e completamente qualquer conflito que tenhamos, antes que a situação cause assassinato espiritual”**.

A reconciliação proposta e exigida pelo Mestre não é uma apresentação dos erros provocados pelo outro, o discípulo não caminha na direção do seu irmão para apontar as falhas dele, mas para reconhecer suas próprias transgressões.

A cura para o desentendimento não passa na tentativa de tratar o coração do outro, mas o próprio coração, não é remover o cisco do olho alheio, mas retirar a trave que há no seu próprio olho.

Como nos escreve Bonhoeffer: **“É um duro caminho \[...\] que Jesus exige de seus discípulos. É um caminho de humilhação e vergonha, mas é o caminho a ele, o Irmão Crucificado, e por isso é o caminho da graça”**.

Que Deus lhe abençoe.

* * *

### Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. **Discipulado**. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.

FERGUSON, S. **O Sermão do Monte**. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019.
Audio
Devocional #20 - Vocês ouviram, não adulterarás
[Devocional #20] “Vocês ouviram, não adulterarás”

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” – Mateus 5:27,28

Logo após tratar do homicídio Cristo avança para outro pecado grave e, na mesma proporção, totalmente incompreendido pelo povo, o adultério. Ao invés de aliviar a Lei, Cristo se aprofunda no obscuro do coração humano e revela que o pecado é consumado não em seu ato externo, mas na disposição do coração em aceitá-lo.

Perceba, no entanto, que a questão apresentada por Jesus não se trata de olhar com admiração para uma mulher, não é contemplar e estimar suas qualidades, talentos e dons, o olhar aqui apresentado não é puro, mas está permeado com o desejo pecaminoso da cobiça. É desejar a mulher com quem não assumiu os votos diante dos homens, potestades e do próprio Deus.

Cristo quebra o pensamento distorcido dos mestres da Lei que pregavam uma suavização do mandamento de Deus ao declararem que a Lei dizia que “você não pode ser surpreendido no ato de cometer adultério”, numa espécie de pensamento que beirava a ideia de que “se não for visto, não está errado”.

A consumação do adultério não se dá na esfera física, mas no coração. Tudo começa com o olhar malicioso, seguido pela quebra da aliança assumida no altar, pela permissão do desejo no coração e disposição, por parte da consciência, em conduzir a concupiscência até às últimas consequências. É ceder ao segundo olhar e permitir que o coração se incline à infidelidade abrindo as portas para consumar o pecado na esfera física se houver a possibilidade.

Não é raro encontramos piadas, brincadeiras e até mesmo elogios à infidelidade. Basta alguns minutos em alguma rede social, ou em alguma roda de ímpios, e veremos o quão normalizado se tornou a ideia da traição. Lamentavelmente o diabo imprimiu na mentalidade moderna a ideia de que o casamento é uma instituição autoritária, antiquada e falida, e que toda fuga e quebra de aliança é um grito de liberdade e felicidade.

Ferguson (2019), no entanto, nos escreve em seu livro “O Sermão do Monte”: “Longe de ser um estilo de vida emocionante, o prazer de adulterar é o mesmo que o do roubo e da idolatria. É um ato cego e vil [...] Por essa razão o adultério é tão grave. Ele destrói vidas, despedaça famílias inteiras e despreza a Deus. Eis o porquê de ser uma transgressão considerada merecedora de morte no Antigo Testamento”.

Embora o ensino de Cristo se aplique ao homem e à mulher, o destinatário imediato da exortação do Mestre não é a mulher, mas o homem. É ele que, pela queda de Adão, herdou a tendência corrompida de domínio, é ele que assim como seu pai no Éden, sempre se inclinará ao caminho da fuga de sua responsabilidade de cuidar e cultivar acusando Eva e Deus por seus próprios erros.

Olhe para nossa realidade hoje, quantos lares foram destruídos por homens que, assim como Adão, se abstiveram de suas responsabilidades? Quantos homens vivem na tendência demoníaca de viverem como se fossem “Don Juan” sempre em busca por seduzir e destruir a vida de mulheres que passam por eles?

O homem que se aventura na infidelidade afronta Deus a quem tomou por testemunha em seu voto assumido no altar, repudia a mulher a quem prometeu cuidar e amar e que lhe entregou a própria vida em fidelidade e confiança, viola a aliança feita diante de homens e potestades espirituais e destrói a própria alma lançando-a no caminho do inferno.

Não há nada de belo na traição, não há nada de normal em aceitar menos do que a fidelidade até a morte. Cristo não apenas condena profundamente todo e qualquer desejo alimentado pelo coração do homem que não seja direcionado à sua própria esposa, mas também eleva o padrão ao declarar, por meio do Apóstolo Paulo, que o homem deve amar sua mulher assim como Ele mesmo ama sua Igreja.
Cristo não trai sua noiva, não negocia sua fidelidade, não a diminuí ou faz chacota com ela insinuando alguma traição a fim de levantar ciúmes, mas a ama a ponto de morrer por ela, de carregar em seu corpo, por toda a Eternidade, as marcas de seu sacrifício.

Como certa feita escreveu Gilbert Keith Chesterton: “Ser fiel a uma única mulher é um preço pequeno demais se comparado a algo tão grande, como ter uma mulher”. Nenhuma aventura, nenhum prazer e nenhum status na roda de amigos é superior à aliança exigida e abençoada por Deus.

Tal verdade talvez pareça longe de nossa realidade e, para muitos, loucura. Entretanto, Cristo não espera menos que isso ao ponto de exigir, como meditaremos no devocional de amanhã, uma disposição enérgica, brusca e violenta ao cortar o pecado pela raiz.

Que Deus lhe abençoe.

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte
Devocional #21 - Se o seu olho o fizer pecar

“Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno” – Mateus 5:29,30

Diante da exposição feita acerca do adultério e de suas profundas raízes no coração humano, o Mestre então apresenta a solução para o problema. Talvez para muitos de nós ela soe terrivelmente fundamentalista, grotesca e violenta.

Mas não há outra solução, para o coração que se entregou ao desejo reprovável de cobiçar outra mulher a única saída é a amputação, é arrancar com violência e determinação o que possa conduzir à queda novamente.

Em nenhum momento as Escrituras nos orientam a resistir o pecado passivamente, lemos Paulo escrevendo ao jovem Timóteo para que ele fugisse das paixões da mocidade ([2 Timóteo 2:22](https://bibliatododia.com.br/2-timoteo-2-22/)), à Igreja de Tessalônica ([1 Tessalonicenses 5:22](https://bibliatododia.com.br/1-tessalonicenses-5-22)) ele orienta os irmãos para evitarem qualquer coisa que possua a aparência do mal, aos Coríntios ([1 Coríntios 10:14](https://bibliatododia.com.br/1-corintios-10-14)) ele ordena para que fujam da idolatria. Não se resiste o pecado, se foge dele ou, em casos extremos, arranca-o em uma clara declaração de guerra.

Permanecer imóvel diante da tentação ou diante da queda representa uma derrota iminente, o discípulo que não responde à aproximação do pecado não está diante de um cenário de possível queda, a questão não é se, mas quando cairá.

Em seu sermão “Privilégio dos que são nascidos de Deus” John Wesley delineia, claramente, o processo de queda do coração humano diante da tentação. Assim ele nos escreve:

> “Vede a descida indubitável da graça para o pecado: assim rola o pecador de degrau em degrau.  (1) A divina semente do amor, a fé \[...\], permanece naquele que é nascido de Deus “Ele guarda a si mesmo”, pela graça de Deus, e “não pode pecar”. (2) Levanta-se a tentação (3) O Espírito de Deus lhe dá aviso de que o pecado está próximo e adverte-o a velar mais atentamente em oração. (4) Ele de algum modo dá lugar à tentação, que agora começa a agradar-lhe. (5) O Espírito Santo se ofende; sua fé se abala; resfria-se o amor de Deus. (6) O Espírito o reprova mais energicamente, dizendo: “Este é o caminho: anda por ele”. (7) O pecador não dá ouvidos à voz clamorosa de Deus e corre para a voz macia do tentador. (8) O mau desejo começa a espalhar-se-lhe na alma, até que se dissipem a fé e o amor: o homem é então capaz de cometer o pecado exterior, tendo dele se apartado o poder de Deus”.

Permanecer imóvel é assinar a carta de rendição e o atestado de óbito espiritual, por isso Cristo é tão enfático com seus discípulos. Eles devem amputar o membro pecaminoso. A ilustração é dura e, talvez, repulsiva, mas assim como um médico amputa um membro doente visando a salvação do corpo, assim o discípulo deve lançar fora tudo aquilo que pode lhe induzir ao pecado.

O membro já foi viciado, já caiu, a ordem é dada não antes, mas depois de tratar acerca do adultério, com o pecado não se negocia, ou arrancamos tudo o que pode nos induzir à tentação ou corremos o sério risco de permanecermos presos no ciclo vicioso de imobilidade diante da tentação, queda e remorso.

Que Deus lhe abençoe.

* * *

### Bibliografia citada:

WESLEY, John. Sermões de John Wesley disponíveis para download. Igreja Metodista. Disponivel em: [https://www.metodista.org.br/sermoes-de-john-wesley-disponiveis-para-download](https://link.novasdecadamanha.com.br/sermoes-john-wesley). Acesso em: 01 Outubro 2021.
Devocional #23 - Seja o seu sim, sim e seu não, não

"Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno" — Mateus 5:37

Cristo prossegue seu ensino acerca dos princípios que deveriam nortear a vida de seus discípulos e os proíbe de validar suas palavras mediante juramento.

Entretanto, o juramento aqui apresentado não diz respeito, necessariamente, ao juramento exigido diante das autoridades. Em Seu julgamento diante do Sumo Sacerdote, Cristo rompe o silêncio ao ser exigido, sob juramento, a confirmação se era ou não o Filho de Deus (Mateus 26.63,64).

O que Cristo nos indica neste texto é outra coisa. Na realidade, o Mestre combate o costume dos judeus de sua época de jurarem sem a intenção genuína de sustentar o juramento. Ferguson (2019) em seu livro **“O Sermão do Monte” nos escreve: “As pessoas seguiam jurando por tudo isso sem usar o nome de Deus; e, com base nisso, livrando-se de cumprir a promessa que haviam feito. ‘Com certeza’, eles argumentariam, ‘se eu tivesse jurado pelo nome de Deus a fim de manter minha promessa, eu a teria cumprido. Mas o fato de eu ter prometido pela terra indica que meu compromisso não era absoluto’”**.

Jesus então declara que tal procedimento provém do maligno, pois revela a indisposição do coração humano em agir de forma honesta para com seu próximo.

O juramento invalida as palavras do discípulo, como nos escreve Dietrich Bonhoeffer (2016): **“Não há necessidade de o discípulo jurar, pois não existe palavra que não seja dita diante de Deus. Cada palavra sua deve expressar nada mais que a verdade, não necessitando, assim, de confirmação mediante juramento”.**

Espera-se do discípulo que de sua boca saia somente o que seja verdadeiro, que seu sim seja, de fato, sim e o seu não, não. Bonhoeffer (2016) ainda declara que **“O juramento como meio de confirmação da verdade não se faz mais necessário, pois quem vive sob a cruz está na verdade completa de Deus”**.

Para o discípulo não há a necessidade de dar mais peso às suas palavras, ele não precisa validar suas declarações com juramento, pois tudo o que diz está sendo dito diante do próprio Mestre. Ele caminha e serve à verdade, vive por ela e, na mesma medida, fala por ela.

Agir de forma diferente revela que, ao contrário do que se espera, o discípulo deixou-se influenciar pelo maligno, permitiu que sua boca se tornasse instrumento nas mãos do diabo e já não caminha mais na verdade.

Cristo exige de seus discípulos o comprometimento sincero com a verdade, sem rodeios, sem ambiguidade, somente o sim e o não.

Que Deus lhe abençoe.

* * *

### Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. **Discipulado**. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.

FERGUSON, S. **O Sermão do Monte**. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019.
222763569-44100-2-2c172617575cc.m4a
4.4 MB
Devocional #24 - Vocês ouviram: olho por olho e dente por dente
Devocional #24 - Vocês ouviram: olho por olho e dente por dente

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra” — Mateus 5:38,39

Jesus avança em seu ensino e inverte a aplicação dos mandamentos, até o momento Ele tratara apenas sobre como seus discípulos deveriam se portar diante do próximo a fim de não pecar contra ele, mas agora Ele passa a apresentar como eles deveriam responder ao pecado sofrido.

Mesmo dois mil anos depois, nossa sociedade ainda carrega o terrível desejo de morte e vingança, ainda ouvimos os gritos **“olho por olho e dente por dente”**. O coração humano nunca será naturalmente inclinado ao perdão, nunca estará disposto a, tal como o Cordeiro de Deus diante da morte, permanecer em silêncio frente ao mal sofrido.

O Mestre deixa claro que a vingança não é um direito concedido ao discípulo. Não temos condições alguma de retribuir justamente o mal que sofremos, nossa tendência sempre será exceder em nossa resposta provocando mais dor do que aquela que sentimos.

A ordem do Mestre soa como loucura, **“Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra”,** e de fato o é para a mente natural. Não existe aqui uma figura de linguagem ou a possibilidade de interpretar a determinação de outra maneira.

Jesus é enfático **“ofereça-lhe também a outra”**, tal disposição do coração está firmada na certeza de que Deus é um justo juiz e na convicção de que, como declarou certa vez Richard Baxter: **“O céu pagará qualquer prejuízo que possamos sofrer para ganhá-lo”**.

Entretanto, Cristo não se limita a ordenar que seus discípulos apresentem a outra face diante da afronta, Ele vai além. Alguém até poderia se abster do direito da vingança e ainda assim matar seu próximo no coração.

Ciente disto, Jesus então nos apresenta o antídoto ao declarar: **“Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem”** (Mateus 5:44). O desejo de vingança é totalmente dissolvido e superado através do amor de Deus e da disposição em orar pelo ofensor.

Jesus não apresenta uma possibilidade, uma escolha, mas uma ordem. Como meditamos há algumas semanas, no [Devocional #07 da Série Tempo Ordinário](https://novasdecadamanha.com.br/tempo-ordinario/ame-seu-inimigo/):

**“Ao discípulo não é concedido o direito de reter o amor que recebeu de Deus, não está sob sua autoridade decidir quem é ou não é digno do amor gracioso do Pai, uma vez que ele próprio foi alvo deste amor incomparável”** e imerecido.

Neste processo de receber do amor de Deus e de doá-lo ao inimigo a alma do discípulo é renovada e refrigerada pelo Espírito Santo. Decidir por mantê-lo estagnado, entretanto, causará mais mal do que bem. Assim como um reservatório com água parada se torna uma incubadora de problemas, assim é o discípulo que não permite a circulação do amor de Deus nele e através dele.

Deus lhe abençoe.
Audio
Devocional #25 - Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial
Devocional #25 - Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial

“Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês" — Mateus 5:46-48

Cristo chama seus seguidores para refletirem o caráter perfeito de Deus em suas vidas, “sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês". Oferecer a outra face, se abster de direitos pessoais e amar o inimigo ao ponto de se colocar oração por ele reflete, de maneira incontestável, a filiação divina do discípulo.

> “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mateus 5:44,45)

Da mesma maneira que Deus derrama chuva sobre bons e maus, sem distinção, assim o discípulo deve manifestar a graça e o amor que recebeu do Pai a todos. Amar apenas aqueles que nos ama não nos diferencia dos ímpios, ajudar quem nos ajuda não reflete o caráter misericordioso do Pai e fazer o bem somente aos que podem nos retribuir em nada manifesta a graça que recebemos imerecidamente de Deus.

Tal perfeição, no entanto, não tem por objetivo a glória do discípulo, não é ele quem deve estar em evidência, pois não é dele que provém a motivação para agir em amor, mas do Pai a quem imita.

Aqui está a grande diferença entre o discípulo e o ímpio, enquanto o discípulo reconhece que não há nada do que se gloriar, o ímpio ao agir em benevolência acredita ser merecedor de algo e, ao orbitar seu próprio orgulho, ergue um ídolo diante de si.

Jesus nos chama para fixarmos nossos olhos em Deus, Ele é nosso parâmetro, nosso alvo e quem é digno de todos os méritos de nossas obras. **“Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”** para que pela perfeição de uma vida santa e justa o Nome do Senhor seja glorificado.

Deus lhe abençoe.
Devocional #26 - Preste a sua ajuda em segredo

“Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará” — Mateus 6:4

Após pavimentar o caminho para a compreensão correta do relacionamento entre os discípulos, e entre os discípulos e seus inimigos, Jesus passa a realinhar a maneira como o crente deve manifestar suas obras de piedade e seus atos de caridade.

Cristo trata primeiro as obras de caridade, do auxílio ao necessitado, da esmola dada ao que pede e toca na ferida do coração humano: o orgulho.

Estender a mão em auxílio ao próximo com o propósito de ser elogiado e visto pelos outros não apenas revela o caráter corrompido do discípulo que não compreendeu, de fato, o que é seguir o Mestre, como também revela sua reprovação diante de Deus.

**“\[...\] isso deixa de ser caridade aos olhos de Deus”**, escreve Ferguson (2019) em seu livro “[O Sermão do Monte](https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte)”, e continua: **“Torna-se barganha! Esse homem não ajuda os pobres tanto quanto os está usando como muletas. Este homem já recebeu todo o seu galardão”**.

Talvez não toquemos trombeta diante dos homens em praça pública para chamar sua atenção e revelar nossa obra de bondade em favor dos necessitados, entretanto, ainda como nos escreve Ferguson (2019), muitas vezes agimos de forma mais sutil ao **“\[...\] deixar os outros saberem quantas bênçãos recebemos desde que começamos a doar certa percentagem de nossa renda (da renda bruta, obviamente!). Quão sutil é o nosso desejo por reputação”**.

Não importa se a autoproclamação é maquiada com religiosidade e piedade cristã. Nutrir, mesmo que no oculto do coração, o desejo de ser reconhecido pelas obras de caridade invalida qualquer ação piedosa, coloca tudo a perder, pois debita, em vida, os créditos alcançados com Deus. Esperar de homens a aprovação e os aplausos revelam que, na realidade, a glória eterna e o reconhecimento de Deus nunca foi, de fato, o objetivo mais importante.

Num mundo que é movido por resultados, por números, somos tentados a entrar no ciclo, a poucos centímetros de nossos pés está a armadilha dos aplausos, do reconhecimento e dos _likes_ nas redes sociais.

Diante de nós há dois caminhos, o da autoproclamação, o caminho do reconhecimento humano, dos aplausos e tapinhas nas costas do ego, do outro, o caminho da invisibilidade, da pequenez e insignificância.

Um desemboca numa vida cheia de recompensas que serão queimadas no fogo quando a eternidade rasgar os céus de nossa existência, o outro, por sua vez, encontra em Deus o eterno reconhecimento.

Deus lhe abençoe.

* * *

### Bibliografia citada:

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: [https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte](https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte)
Audio
Devocional #27 - Quando orarem, não sejam como os hipócritas
Devocional #27 - Quando orarem, não sejam como os hipócritas

“Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” — Mateus 6:6

Não apenas as obras em favor dos necessitados devem estar envoltas pela renúncia pessoal por fama ou reconhecimento, como o Mestre declara versos atrás, mas também toda a vida do discípulo deve ser marcada pela abstenção de seus próprios interesses e direitos.

O discípulo não vive mais sua própria vida, agora tudo o que faz não é para sua própria glória ou fama, mas para a glória e fama de Cristo.

O Mestre aprofunda as dimensões do secreto, as obras exteriores de caridade agora são substituídas pelos pensamentos ocultos do coração. Podemos até identificar se alguém auxilia o próximo a fim de alimentar seu próprio ego, no entanto, muitas vezes não somos capazes de distinguir entre uma oração genuína e uma oração hipócrita, pois a verdadeira intenção e motivação está oculta no coração.

Cristo conhecia o coração dos fariseus e mestres da lei, da mesma forma que conhece o meu e o seu coração. Ele sabe exatamente quando fechamos os nossos olhos para Sua glória e quando o fazemos para a nossa própria fama.

O coração humano sempre será tentado pela autopromoção, sempre desejará alimentar o ego caído, por isso Jesus orienta seu discípulo, “quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto”. Não há necessidade de o discípulo exibir aos homens sua espiritualidade e de anunciar nas praças e esquinas sua intimidade com Deus.

Não oramos com o propósito de sermos vistos por outros, não entramos na presença de Deus para sermos louvados pelos homens. Quem o faz ergue um bezerro de ouro e se curva em adoração a um falso deus, ao próprio ego caído.

Quem negocia a recompensa eterna e a troca por reconhecimento humano não é apto para o discipulado, pois demonstra que não está disposto a deixar tudo por amor ao Mestre.

Deus lhe abençoe.