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Anonymous Poll
47%
Solidão dos artistas.
18%
Algum tema com Claude Monet.
12%
Indicação cultural.
24%
interação.
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a câmara dos deputados aprovou o fim da escala 6x1 e acho que muita gente ainda não percebeu o tamanho disso. não só politicamente falando, mas pelo jeito que essa discussão escancarou o quanto o brasileiro se acostumou a viver cansado. o texto aprovado prevê o fim da escala 6x1 em até dois meses, garantindo dois dias de descanso por semana e reduzindo a jornada de 44h pra 42h semanais. depois de 14 meses, a carga cai pra 40h, reforçando que é sem redução salarial!
e sinceramente falando, é meio assustador perceber como isso virou uma discussão gigantesca, porque no fundo estão falando do mínimo para os trabalhadores. estão falando de trabalhador descansar dois dias por semana sem precisar abrir mão do próprio salário
mas, como a direita odeia tudo que envolve direitos básicos, a reação deles não foi boa, porém, fraca
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a campanha pelo fim da 6x1 falava muito sobre tempo, e acho que essa é a parte que mais incomoda quem ganha dinheiro em cima da exaustão dos outros, porque quando a pessoa tem tempo, ela começa a viver de verdade. ela consegue estudar, descansar, conviver com a família, ter lazer, pensar na própria vida sem estar o tempo inteiro pensando em trabalho. e tem muita gente que trabalha tanto há tantos anos que já nem consegue imaginar o que faria com tempo livre de verdade
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quando perceberam que a pauta tava ganhando apoio popular, começou aquele circo previsível, que todo mundo já está cansado de saber. a extrema-direita e, principalmente, a bancada do PL tentaram bagunçar essa discussão inventando esse papo de escala 4x3 como uma verdadeira cortina de fumaça, infelizmente. o objetivo verdadeiro deles é simplesmente tumultuar a tramitação da PEC, inviabilizar o fim da exaustiva escala 6x1 e esvaziar o debate no congresso. a verdade é que a proposta de acabar com a escala 6x1 ganhou tanta força e apoio popular que se tornou inevitável e, vendo isso, a oposição mudou de postura de repente, tornando tudo ainda mais suspeito. eles deixaram de lado as críticas que sempre fizeram contra qualquer redução de jornada e, do nada, começaram a fingir apoio a uma escala ainda mais restritiva.
para os movimentos trabalhistas e para a base governista, a jogada é muito clara, óbvio, eles querem criar um impasse regimental para disfarçar o foco imediato (o fim da 6x1) e gerar desgaste político para o governo. só que essa tática fica ridícula quando você lembra que essa mesma galera defendia jornadas ainda maiores há pouco tempo
sóstenes cavalcante já falou sobre semana de 52 horas como se fosse algo razoável. ricardo salles disse que toparia discutir o fim da 6x1 se reduzissem o fgts do trabalhador pela metade. e o filho da puta nikolas ferreira fez um discurso tão absurdo que parecia alguém torcendo pra existir demissão em massa só pra depois transformar isso em narrativa política. zero preocupação com o país e com os trabalhadores
e o pior é que quase sempre quem fala sobre “trabalho duro”, “mérito” e “sacrifício” nunca viveu a rotina que quer impor pros outros. nunca ficou quatro horas dentro de um ônibus no mesmo dia, nunca chegou em casa tão cansado que precisou praticamente madrugar pra acordar cedo no outro dia, nunca teve que escolher entre dormir ou tentar estudar depois do expediente, nunca percebeu a própria vida virando uma repetição infinita de trabalho, transporte e exaustão
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a fala da deputada federal sâmia bomfim traz exatamente esse ponto, quando ela diz que só apoia a escala 6x1 quem não vive do próprio trabalho e nasceu em berço de ouro, porque existe uma distância gigantesca entre quem decide essas coisas e quem realmente vive essa rotina. dá pra perceber de longe, vamos ser sinceros
e, você pensa "ah, mas não tem como piorar" tem sim. quando você olha pra realidade dos deputados que são contra o fim da 6x1. começando pelo ridículo do nikolas ferreira, ele acumulou cerca de 180 dias de folga em um único ano e ainda apareceu assistindo o jogo do cruzeiro em horário comercial numa sexta-feira. ah, a deputada que adora posar com fuzil, julia zanatta, folgou quase 300 dias em um ano e mesmo assim pegou microfone pra perguntar “quem vai pagar essa conta?” enquanto sugeria que trabalhador usasse o próprio dia de descanso pra fazer bico. só um resuminho pra não pesar o clima... já pesando
de fato, isso me irrita muito porque revela um tipo muito específico de pensamento, que é a ideia de que descansar é exagero, enquanto viver exausto virou sinal de honestidade, de ser uma pessoa trabalhadora, de confiança, que não é preguiçosa... como se trabalhar até adoecer fosse motivo de orgulho. como se não ter tempo pra viver fosse prova de caráter
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talvez uma das falas mais importantes dessa discussão inteira tenha vindo justamente de alguém que realmente vive esse tipo de rotina. raimundo nonato, coletor há 24 anos, conseguiu falar sobre trabalho de um jeito muito mais humano do que praticamente todo mundo na sessão do dia 27 de maio e isso me tocou pra caralho
quando ele comenta que escuta há anos aquele papo de “se tivesse estudado não era gari”, dá pra perceber imediatamente a importância disso, porque é fácil falar sobre estudo quando sobra tempo, dinheiro e energia
ah, quando ele responde diretamente à canalha da julia zanatta dizendo que no dia de folga faz o que quiser, inclusive um bico se precisar, mas que o verdadeiro absurdo é uma escala que impede as pessoas de estudar e descansar, ele resume a vida de milhões de brasileiros. ali eu bati palmas pra ele e senti de longe a empatia e a humildade, coisa que o outro lado não tem
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ah, enquanto isso, empresários bilionários aparecem desesperados defendendo a manutenção da escala como se o país dependesse da exaustão permanente de quem trabalha, não só os deputados não! luciano hang, o filho da puta da havan, se posicionou contra (e sempre deixou claro, desde o apoio ao bolsonaro). romeu zema chamou a pauta de populismo e já chegou até a defender trabalho infantil em outras situações. o arrombado do pablo marçal disse que acabar com a 6x1 destruiria a prosperidade. flávio rocha reclamou do impacto financeiro, enquanto a riachuelo acumula denúncias relacionadas ao adoecimento de trabalhadoras (fast fashion, né). diego barreto, olha só, presidente do ifood, representa uma empresa bilionária construída em cima de entregadores sem direitos básicos
chega uma hora que o padrão fica impossível de ignorar, né? toda vez que trabalhador conquista qualquer coisa minimamente digna, aparece gente rica dizendo que a economia vai quebrar... falaram isso quando proibiram trabalho infantil, falaram isso quando surgiram férias, falaram quando surgiu o salário mínimo e as leis trabalhistas, falaram isso em praticamente toda mudança trabalhista da história. sempre existe alguém lucrando em cima da exaustão dos outros tentando convencer o resto do país de que descanso é perigoso e que o brasil vai quebrar
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agora, o texto segue pro senado federal e obviamente e infelizmente, vão tentar atrasar, mexer, enfraquecer, criar emenda e transformar tudo numa guerra ideológica cansativa pra desgastar o assunto até as pessoas perderem energia de acompanhar. e, talvez, essa seja uma das coisas mais cruéis nesse tipo de debate porque eles sabem que trabalhador vive cansado, sabem que pessoas exaustas tem menos tempo, menos paciência e menos força pra acompanhar política, pressionar deputado ou discutir direito trabalhista o dia inteiro
só que alguma coisa mudou nessa discussão porque muita gente começou a perceber o quanto normalizou uma vida completamente brutal. começou a perceber o quanto trabalhar até adoecer virou rotina aceitável no brasil. ah, e depois que isso entra na cabeça, fica difícil voltar fingindo que tá tudo bem. e é por isso que devemos seguir juntos nessa luta
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também vale lembrar quem assinou emendas tentando atrasar ou enfraquecer o fim da escala 6x1. hoje, tem muito deputado tentando suavizar discurso, fingindo neutralidade ou até apoio parcial, mas tava trabalhando diretamente contra trabalhador enquanto a discussão acontecia
aqui vão todos os nomes, e lembrando, principalmente, que estamos em ano de eleição:
Adilson Barroso (PL/SP), Alberto Fraga (PL/DF), Alceu Moreira (MDB/RS), Afonso Hamm (PP/RS), Any Ortiz (PP/RS), Ana Paula Leão (PP/MG), Arthur Oliveira Maia (UNIÃO/BA), Alexandre Guimarães (MDB/TO), Aline Gurgel (UNIÃO/AP), Augusto Coutinho (REPUBLIC/PE), Aluisio Mendes (REPUBLIC/MA), Adriana Ventura (NOVO/SP), Antonio Andrade (PSDB/TO), AJ Albuquerque (PP/CE), Átila Lira (PP/PI), Beto Richa (PSDB/PR), Beto Pereira (REPUBLIC/MS), Bibo Nunes (PL/RS), Capitão Alden (PL/BA), Cabo Gilberto Silva (PL/PB), Cobalchini (MDB/SC), Claudio Cajado (PP/BA), Caroline de Toni (PL/SC), Célio Silveira (MDB/GO), Coronel Chrisóstomo (PL/RO), Chris Tonietto (PL/RJ), Capitão Alberto Neto (PL/AM), Clarissa Tércio (PP/PE), Coronel Meira (PL/PE), Carlos Jordy (PL/RJ), Carlos Chiodini (MDB/SC), Coronel Fernanda (PL/MT), Daniela Reinehr (PL/SC), Daniel Freitas (PL/SC), Da Vitoria (PP/ES), Delegado Paulo Bilynskyj (PL/SP), Dilceu Sperafico (PP/PR), Dr Flávio (PL/RJ), Dr. Luiz Ovando (PP/MS), Dr. Zacharias Calil (MDB/GO), Domingos Sávio (PL/MG), Danilo Forte (PP/CE), Diego Coronel (REPUBLIC/BA), Dr. Ismael Alexandrino (PSD/GO), Daniel Agrobom (PSD/GO), Dr. Fernando Máximo (PL/RO), Delegado Fabio Costa (PP/AL), Daniela do Waguinho (REPUBLIC/RJ), Dr. Jaziel (PL/CE), Doutor Luizinho (PP/RJ), Eli Borges (REPUBLIC/TO), Fernanda Pessoa (PSD/CE), Filipe Martins (PL/TO), Glaustin da Fokus (PODE/GO), Giovani Cherini (PL/RS), Greyce Elias (PL/MG), Gustavo Gayer (PL/GO), Gilson Marques (NOVO/SC), Gilberto Abramo (REPUBLIC/MG), General Girão (PL/RN), Hildo Rocha (MDB/MA), Hugo Leal (PSD/RJ), Ismael (PL/SC), José Rocha (UNIÃO/BA), Josivaldo Jp (UNIÃO/MA), José Nelto (UNIÃO/GO), Juarez Costa (REPUBLIC/MT), Julia Zanatta (PL/SC), Julio Lopes (PP/RJ), João Carlos Bacelar (PL/BA), José Medeiros (PL/MT), Junio Amaral (PL/MG), Joaquim Passarinho (PL/PA), Julio Arcoverde (PP/PI), Jorge Braz (REPUBLIC/RJ), João Maia (PP/RN), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP), Lucio Mosquini (PL/RO), Luisa Canziani (UNIÃO/PR), Luiz Carlos Hauly (PODE/PR), Luiz Nishimori (PSD/PR), Luiz Carlos Busato (UNIÃO/RS), Lafayette de Andrada (PL/MG), Luiz Lima (NOVO/RJ), Laura Carneiro (PSD/RJ), Lucas Redecker (PSD/RS), Lincoln Portela (PL/MG), Luiz Fernando Faria (UNIÃO/MG), Mario Frias (PL/SP), Marcos Pollon (PL/MS), Mário Heringer (PDT/MG), Márcio Honaiser (SOLIDARI/MA), Marcelo Moraes (PL/RS), Mauricio do Vôlei (PL/MG), Mauricio Marcon (PL/RS), Marussa Boldrin (REPUBLIC/GO), Marangoni (PODE/SP), Magda Mofatto (PL/GO), Marcelo Álvaro Antônio (PL/MG), Marcel van Hattem (NOVO/RS), Mauricio Neves (PP/SP), Messias Donato (UNIÃO/ES), Missionário José Olimpio (PL/SP), Murillo Gouvea (PSDB/RJ), Meire Serafim (UNIÃO/AC), Newton Cardoso Jr (MDB/MG), Nicoletti (PL/RR), Nelson Barbudo (PODE/MT), Pastor Eurico (PSDB/PE), Pastor Diniz (UNIÃO/RR), Paulo Litro (UNIÃO/PR), Pr. Marco Feliciano (PL/SP), Paulo Azi (UNIÃO/BA), Pedro Lupion (REPUBLIC/PR), Pedro Westphalen (PP/RS), Pezenti (MDB/SC), Pedro Aihara (PP/MG), Pinheirinho (PP/MG), Rosangela Moro (PL/SP), Rogéria Santos (REPUBLIC/BA), Ricardo Salles (NOVO/SP), Rodrigo da Zaeli (PL/MT), Rodolfo Nogueira (PL/MS), Rafael Simoes (UNIÃO/MG), Sérgio Turra (PP/RS), Sergio Souza (MDB/PR), Sanderson (PL/RS), Simone Marquetto (PP/SP), Sóstenes Cavalcante (PL/RJ), Sargento Gonçalves (PL/RN), Tião Medeiros (PP/PR), Thiago Flores (UNIÃO/RO), Zé Silva (UNIÃO/MG), Zé Vitor (PL/MG), Zezinho Barbary (PP/AC), Zé Trovão (PL/SC), Zé Adriano (PP/AC)
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