Juventude libertária de Sergipe
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a o mesmo, mas a nova política agrícola alterou completamente o lugar”. E destaca, de maneira explícita: “O sucesso do trabalho rural de Xiaogang aumentou nossa confiança; nós aplicaremos a experiência da reforma rural nas cidades e faremos uma larga reforma no sistema econômico com foco nas cidades”.

A contribuição do contrato de Xiaogang se refletiu não apenas no nível material. A onda histórica da reforma saiu do campo da economia e foi para as áreas da política, sociedade, cultura, etc. com um poder irresistível. Em 1986, oito anos depois de Xiaogang ter retomado o controle de sua agricultura, o governo central da China emitiu as Diretrizes para o Trabalho Rural. O documento foi uma decisão marcante no desenvolvimento moderno do país. Com base na abolição das comunas populares três anos antes, endossou formalmente uma política que veio a ser conhecida como baochan daohu – um modelo de organização rural ao estilo Xiaogang conhecido como “sistema de responsabilidade doméstica”.

Com aquele acordo assinado à luz de velas no interior faminto da China, um grupo de homens sem muita instrução transformou a China, que passou de grande importadora para até exportadora de alimentos em alguns casos. Xiaogang é uma impressionante testemunha de que civilização e propriedade privada são inseparáveis. O direito de propriedade, onde um agricultor pode controlar sua vida e o seu campo sem a interferência do Estado, é a instituição mais fundamental em qualquer economia e sociedade. É, sem dúvida, um dos maiores saltos de renda da história da humanidade. Na entrada da cidade você encontra um slogan: “A origem da ascensão econômica de nossa nação”. Mas a verdade é que é muito mais do que isso. Esse acordo de Xiogang é um dos mais importante programas de combate à pobreza do mundo. É um daqueles raríssimos documentos que mudaram o mundo.

Antonio Cabrera

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1687645878040153&id=100003842714630&sfnsn=wiwspwa&extid=TSULsYXz775GYbTx
Sempre usado como instrumento político, o humor sempre representou o exercício máximo da liberdade de expressão, como uma defesa contra líderes e regimes autoritários. O humor serviu de arma contra o nazismo, como podemos ver nas peças de Charles Chaplin, contra a ditadura militar nas charges de Millôr Fernandes, contra o comunismo nas piadas do humorista ucraniano Yakov Smirnoff (que viveu na URSS) e em muitos outros casos. Todos os citados arriscaram suas vidas para expressarem suas ideias de forma humorada em um período em que a censura era institucionalizada e ter opinião era um verdadeiro crime.

Nos dias de hoje, apesar de não vivermos uma ditadura, o humor é mais uma vez ameaçado, além da velha discussão sobre os limites do humor, ativismo judicial contra humoristas e políticos tentando censurar aqueles que emitem opiniões que contrariam suas ideias, temos também a famosa cultura do cancelamento, que visa por meio da intimidação cercear a livre-manifestação de ideias.

Foi pensando nisso que anunciamos a live dessa semana
Amanhã a partir das 20 horas conversaremos com os humoristas Bob Nunes, Alessandro Berle e Felipe Cristiano

Aguardamos todos vocês lá

https://www.youtube.com/portal387
Foto de Thiago
Foto de Thiago Dias
Forwarded from Thiago
Hoje, a partir das 19 horas, o Portal 387 receberá o Dr. Anderson Holzwarth, médico ultrassonografista e especialista em medicina intensiva.

Conversaremos sobre a guerra às drogas e as consequências que ela traz para a sociedade.

Se inscreva no canal e ative o sininho para não perder a próxima live!

Link para assistir: https://youtu.be/5h-JVxnowZg
Channel name was changed to «Libera o audio»
Publicado no jornal Cinform em março de 2010


Latentes Sensações do Menino


    Percorro lentamente o corredor do prédio em direção aos elevadores.Nas janelas da alma, a dispersão era notória, no rosto, uma seriedade singular que era peculiaridade minha.Na verdade esse não era eu, era uma personagem que fingia ser eu, aliás , ninguém me conhecia, para lhes ser puramente exato, apenas um minúsculo punhado de pessoas conheciam a matéria, o restante, conhecia apenas o produto.Continuo caminhando, chego enfim à porta dos elevadores.Com um olhar frio e preocupado, cumprimento as pessoas e, em seguida, meio que de relance, em segundos, fito a todos que ali estavam.De repente, ouço o barulho da respiração de uma das pessoas próximas a mim. A minha sensibilidade estava ótima. Parecia que eu era senhor do tempo. Em segundos, eu já tinha feito uma análise geral do ambiente. Percebo ao meu lado direito uma velha senhora trajando um belo e fino vestido preto que realçava ainda mais adornado por belas jóias de ouro que usava. Ao lado da experiência, das desilusões e conquistas, estava o paradoxo de tudo isso, personificado numa linda jovem que aparentava 18 anos de idade. Naquele momento, à espera do elevador, aqueles lindos olhos castanhos reluzentes - portas do íntimo da beleza personificada - revelavam-me os segredos de sua alma.Eu não queria lhe mostrar o produto, mas sim a matéria. Apenas a ela mostraria a essência. As nossas mentes Pareciam se comunicar telepaticamente. Os nossos olhos ganharam vida e diziam uns aos outros segredos incontáveis.A velha percebe que eu olhava fixa e desesperadamente em direção à moçinha e começa a emitir uns sons onomatopaicos sucessivas vezes, cada vez mais alto:“uhum, uhum, uhum”.Nesse momento, me disperso da moça e resolvo ver que horas são, olho para o braço , mas o relógio não mais está nele. Começo a ficar perturbado. Olho para os lados pra vê se poderia ter sido roubado por alguém à minha volta, mas todos estão distantes e olhando pro nada, aí, resolvo também olhar pro nada, até lembrar de que não usava relógio. Quando queria saber as horas, olhava o meu celular.Tudo que eu queria realmente era chegar ao meu destino rapidamente, mas o elevador demorava.Meus olhos ardiam e lacrimejavam de tanto ficar olhando pra o nada à espera de uma resposta.Enfim,recebo a dádiva:está acima da porta do elevador: ( - existia um relógio acima da porta de entrada do elevador ) – em voz baixa vos conto, afinal, silêncio é preciso.

A hora ainda se fazia breve.Tento voltar a fazer a conexão com a moça, mas sou distraído quando ouça um casal que estava atrás de mim reclamar de um mal cheiro.Eu não podia sentir nada, estava meio gripado, meu nariz estava congestionado de catarro verde e gosmento.Olho através da porta de vidro, que dá acesso a rua e vejo um vulto nebuloso e sinistro.Sinto medo, as pontas do meu cabelo ficam em pé, um suor gelado e forte tomam conta de mim.Sinto medo.Na rua, vejo um carro estacionado na porta do prédio, dentro dele, uma bola. Não sei por que, comecei a pensar numa estratégia para deixar o campeonato brasileiro de futebol ainda mais emocionante e competitivo. Comecei a arquitetar idéias mirabolantes pra recuperar o primeiro amor do futebol, mas quando dei por mim, os pensamentos que me vinham à mente eram outros. Começo a me sentir idiota, estúpido e vem a mim uma vontade exacerbada de dar uma gargalhada ali dentro; mordia o lábio inferior com força pra que aquela vontade louca de sorrir passasse. Não passou.

O tempo pára novamente. Volto a ser o senhor, sinto vontade de não mais ser produto, mas sim, a matéria. Volto a notar a mocinha, e ela, a mim. Eu podia sentir os inaudíveis sons tranquilamente, as batidas do seu coração soavam como bumbos nos meus ouvidos. Sinto estrondar algo a meu lado esquerdo, meu corpo treme, o alarde é terrivelmente alto e assustador, parecia com o barulho de guilhotina cortando pescoços daqueles que se candidatavam ao ofício de rei após a Revolução Francesa.
Os olhos da menina se dispersam de mim e parece que perco a autoridade sobre o tempo, ele volta a ser o senhor, todos passam apressadamente raspando suas bolsas e mochilas nas minhaspernas. A assessorista me pergunta por três vezes sucessivas se eu não vou entrar no elevador. Olho pra ela, dou um sorriso amarelo e respondo que sim. Entrei e desci.


Rafael Dias