Nesse sábado dia 6 o governo federal restringiu a divulgação de dados sobre a pandemia. O portal do Ministério da Saúde, que saiu do ar no dia anterior e voltou somente às 16:30 da tarde, simplesmente parou de informar o número de casos e de mortes causados pela pandemia. Curiosamente, tal mudança ocorreu justamente após o Brasil registrar durante dois dias seguidos o recorde de mortes causadas pela pandemia. Ocultar os dados apenas fortalece essa rede de fake news, pois, com uma população sem acesso direto a dados sobre o vírus, fica muito mais fácil manipulá-los – e as consequências disso em um país que está batendo recorde de mortes só podem ser algo ainda mais grave.
Nada disso é por acaso: ontem o presidente já tinha dado indícios do que aconteceria, ao afirmar que agora a divulgação do número de mortos pela doença só ocorreria a partir das 22 horas, após o término do Jornal Nacional, com o propósito de que a imprensa não noticiasse o ocorrido, mantendo a população desinformada. Para seu azar, o tiro saiu pela culatra: a Rede Globo conseguiu dar o furo interrompendo a novela e anunciando o plantão só para divulgar os números, uma jogada inteligente do apresentador William Bonner.
Muitos estão ignorando completamente o perigo antiliberal do que foi feito hoje. O que o presidente fez nada mais é do que uma variante da mesma tática que líderes autoritários e totalitários fazem e fizeram para controlar o acesso à informação. Xi Jinping, o ditador da China, fez algo parecido no começo do ano para ocultar as informações referentes ao covid19, o que acabou fazendo com que a doença se espalhasse pelo resto do mundo e com que presenciássemos a pandemia que estamos vivendo. Vladimir Lênin na União Soviética, por meio da Direção Geral de proteção aos segredos de Estado na imprensa (Glavlit), instituiu o controle da informação que era disseminada no país. Stalin literalmente perseguiu e executou em seus expurgos aqueles que noticiavam informações que “conspiravam” contra a revolução de outubro. Maduro na Venezuela fechou jornais, mantendo somente a imprensa estatal para noticiar as “informações oficiais”. A ocultação de informações é sempre o primeiro passo para instituir o controle governamental. Um povo desinformado está sempre mais sujeito a ser manipulado e controlado pelo Estado. Isso foi muito bem explicado pelo escritor britânico George Orwell, em sua famosa distopia 1984, em que, para a manutenção do socialismo inglês, toda forma de controle social era necessária, inclusive o controle da liberdade de emitir opiniões e de pensar aquilo que desagradava o governo, instituindo o crime e a polícia do pensamento.
https://www.facebook.com/juvlibdesergipe/photos/a.245918339207231/898258677306524/
Nada disso é por acaso: ontem o presidente já tinha dado indícios do que aconteceria, ao afirmar que agora a divulgação do número de mortos pela doença só ocorreria a partir das 22 horas, após o término do Jornal Nacional, com o propósito de que a imprensa não noticiasse o ocorrido, mantendo a população desinformada. Para seu azar, o tiro saiu pela culatra: a Rede Globo conseguiu dar o furo interrompendo a novela e anunciando o plantão só para divulgar os números, uma jogada inteligente do apresentador William Bonner.
Muitos estão ignorando completamente o perigo antiliberal do que foi feito hoje. O que o presidente fez nada mais é do que uma variante da mesma tática que líderes autoritários e totalitários fazem e fizeram para controlar o acesso à informação. Xi Jinping, o ditador da China, fez algo parecido no começo do ano para ocultar as informações referentes ao covid19, o que acabou fazendo com que a doença se espalhasse pelo resto do mundo e com que presenciássemos a pandemia que estamos vivendo. Vladimir Lênin na União Soviética, por meio da Direção Geral de proteção aos segredos de Estado na imprensa (Glavlit), instituiu o controle da informação que era disseminada no país. Stalin literalmente perseguiu e executou em seus expurgos aqueles que noticiavam informações que “conspiravam” contra a revolução de outubro. Maduro na Venezuela fechou jornais, mantendo somente a imprensa estatal para noticiar as “informações oficiais”. A ocultação de informações é sempre o primeiro passo para instituir o controle governamental. Um povo desinformado está sempre mais sujeito a ser manipulado e controlado pelo Estado. Isso foi muito bem explicado pelo escritor britânico George Orwell, em sua famosa distopia 1984, em que, para a manutenção do socialismo inglês, toda forma de controle social era necessária, inclusive o controle da liberdade de emitir opiniões e de pensar aquilo que desagradava o governo, instituindo o crime e a polícia do pensamento.
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Juventude Libertária de Sergipe
Nesse sábado dia 6 o governo federal restringiu a divulgação de dados sobre a pandemia. O portal do Ministério da Saúde, que saiu do ar no dia anterior e voltou somente às 16:30 da tarde,...
Daqui a pouco galera
Hoje as 20h com Francisco Razzo e Guilherme de Carvalho
Link para assistir: https://www.youtube.com/watch?v=wnUU6JASBMo
Hoje as 20h com Francisco Razzo e Guilherme de Carvalho
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Bolsonarismo e religião - Com Francisco Razzo e Guilherme de Carvalho
O Bolsonarismo aparelhou a religião? Quais os problemas da idolatria política para as igrejas brasileiras?Sexta-feira, dia 12 de junho, bateremos um papo com...
Pessoal, a entrevista com a Gloria Álvarez foi adiada para a segunda-feira 6 de julho
Cliquem no sininho e fiquem de olho nas próximas entrevistas
https://youtube.com/portal387
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O DOCUMENTO QUE MUDOU O MUNDO (ou: como o capitalismo salvou a China da fome)
“Trabalhe duro, não trabalhe duro – todos recebem o mesmo. Então as pessoas não querem trabalhar.” (Yan Hongchang)
Em 1978, um pequeno pedaço de papel assinado em Xiaogang, um vilarejo na longínqua China rural, teve o poder de formatar o mundo como vivemos hoje. Depois de tomar o poder em 1949, Mao Tsé-tung aboliu brutalmente a propriedade das terras privadas, agrupando fazendas em “comunas populares” subservientes ao Estado. Essa brutal intervenção do Estado ficou conhecida como o Grande Salto para Frente, gerando a escassez mais mortal de toda a história. Era a utopia de que o planejador central sabia melhor como cultivar os campos.
Em 1960, a China era um caos completo. A taxa de mortalidade pulou de 15% para 68%, e a taxa de natalidade despencou. Os agricultores, totalmente desnutridos, eram incapazes de lavrarem o solo e morriam vendo o arroz apodrecer. Quem quer que fosse pego estocando grãos era fuzilado. Os mortos por inanição chegaram a 50% em alguns vilarejos. Os sobreviventes vagueavam pelas estradas à procura de comida. Mas isso ainda era pouco. Em 1968, um membro da Guarda Vermelha, de 18 anos, chamado Wei Jingsheng, se refugiou próximo a Xiaogang e descreveu cenas dantescas: famílias trocavam suas crianças para poder comê-las. A China, foi, de longe, o maior campo de morte da história do mundo.
Como não poderia ser diferente, os agricultores de uma pequena aldeia chamada Xiaogang estavam desesperados pela completa falta de comida. Mesmo desenterrando raízes ou cozendo folhas com sal, eles não estavam conseguindo alimentos suficientes para a sua sobrevivência. Foi então que em uma noite no fiml de novembro de 1978 um grupo de 18 agricultores de Xiaogang se reuniu secretamente e tomou uma decisão radical.
Comandados por Yan Hongchang, eles assinaram um contrato que devolvia as terras para cada agricultor de forma individual. Eles sabiam que o planejamento estatal não estava funcionando. Mas o fato de dividir a terra entre si poderia levalos à prisão e, para tanto, concordaram que ninguém jamais saberia daquela história. Caso alguém fosse preso, ficou combinado que os outros criariam os filhos dos prisioneiros. Era um documento contra a base do socialismo e quase um retorno à propriedade privada. Uma verdadeira contrarrevolução em plena ebulição revolucionária de Mao Tsé-tung.
Então aconteceu um verdadeiro milagre. Em um ano, a extensão de terra plantada praticamente dobrou e a aldeia passou a gerar excedente de arroz. As notícias do sucesso da “agricultura individual” rapidamente se espalharam por toda a China. A produção de grãos aumentou para 90 mil quilos em 1979, mais de seis vezes a registrada no ano anterior. A renda per capita de Xiaogang acompanhou o passo e subiu dos 22 yuans para 400 yuans. Para se ter uma ideia, isso foi o equivalente à soma total de todas as colheitas entre 1955 e 1970, de acordo com dados oficiais. Praticamente da noite para o dia, a vila saiu da pobreza.
Aparecem as primeiras críticas ferozes e, em 1979, o Partido Comunista Chinês (PCC) emite uma nota reafirmando que o “trabalho individual nos campos” não estava permitido. No entanto, como a forma de produção de alimentos aumentava de maneira vertiginosa, em 1984, o governo recua e na 35.ª Parada Nacional, cinco tratores desfilam na Praça Tiananmen com um gigantesco letreiro dizendo que o contrato de Xiaogang era bom. O próprio governo reconheceu que Xiaogang “quebrou o alto sistema de produção centralizado oferecendo ao agricultor o direito à autonomia da sua produção...”. “Isso liberou e desenvolveu a produtividade das áreas rurais.” Posso dizer que há momentos na vida que tiram o fôlego. Foi o que experimentei quando visitei Xiaogang e entendi o corajoso passo dado por Yan Hongchang.
Quem explica melhor o que se passou em Xiaogang é o próprio reformador Deng Xiaoping. Em uma audiência com líderes estrangeiros, ele reconheceu que “Xiaogang era o lugar mais pobre da nossa história, mas houve uma grande mudança nos últimos dois anos. O lugar er
“Trabalhe duro, não trabalhe duro – todos recebem o mesmo. Então as pessoas não querem trabalhar.” (Yan Hongchang)
Em 1978, um pequeno pedaço de papel assinado em Xiaogang, um vilarejo na longínqua China rural, teve o poder de formatar o mundo como vivemos hoje. Depois de tomar o poder em 1949, Mao Tsé-tung aboliu brutalmente a propriedade das terras privadas, agrupando fazendas em “comunas populares” subservientes ao Estado. Essa brutal intervenção do Estado ficou conhecida como o Grande Salto para Frente, gerando a escassez mais mortal de toda a história. Era a utopia de que o planejador central sabia melhor como cultivar os campos.
Em 1960, a China era um caos completo. A taxa de mortalidade pulou de 15% para 68%, e a taxa de natalidade despencou. Os agricultores, totalmente desnutridos, eram incapazes de lavrarem o solo e morriam vendo o arroz apodrecer. Quem quer que fosse pego estocando grãos era fuzilado. Os mortos por inanição chegaram a 50% em alguns vilarejos. Os sobreviventes vagueavam pelas estradas à procura de comida. Mas isso ainda era pouco. Em 1968, um membro da Guarda Vermelha, de 18 anos, chamado Wei Jingsheng, se refugiou próximo a Xiaogang e descreveu cenas dantescas: famílias trocavam suas crianças para poder comê-las. A China, foi, de longe, o maior campo de morte da história do mundo.
Como não poderia ser diferente, os agricultores de uma pequena aldeia chamada Xiaogang estavam desesperados pela completa falta de comida. Mesmo desenterrando raízes ou cozendo folhas com sal, eles não estavam conseguindo alimentos suficientes para a sua sobrevivência. Foi então que em uma noite no fiml de novembro de 1978 um grupo de 18 agricultores de Xiaogang se reuniu secretamente e tomou uma decisão radical.
Comandados por Yan Hongchang, eles assinaram um contrato que devolvia as terras para cada agricultor de forma individual. Eles sabiam que o planejamento estatal não estava funcionando. Mas o fato de dividir a terra entre si poderia levalos à prisão e, para tanto, concordaram que ninguém jamais saberia daquela história. Caso alguém fosse preso, ficou combinado que os outros criariam os filhos dos prisioneiros. Era um documento contra a base do socialismo e quase um retorno à propriedade privada. Uma verdadeira contrarrevolução em plena ebulição revolucionária de Mao Tsé-tung.
Então aconteceu um verdadeiro milagre. Em um ano, a extensão de terra plantada praticamente dobrou e a aldeia passou a gerar excedente de arroz. As notícias do sucesso da “agricultura individual” rapidamente se espalharam por toda a China. A produção de grãos aumentou para 90 mil quilos em 1979, mais de seis vezes a registrada no ano anterior. A renda per capita de Xiaogang acompanhou o passo e subiu dos 22 yuans para 400 yuans. Para se ter uma ideia, isso foi o equivalente à soma total de todas as colheitas entre 1955 e 1970, de acordo com dados oficiais. Praticamente da noite para o dia, a vila saiu da pobreza.
Aparecem as primeiras críticas ferozes e, em 1979, o Partido Comunista Chinês (PCC) emite uma nota reafirmando que o “trabalho individual nos campos” não estava permitido. No entanto, como a forma de produção de alimentos aumentava de maneira vertiginosa, em 1984, o governo recua e na 35.ª Parada Nacional, cinco tratores desfilam na Praça Tiananmen com um gigantesco letreiro dizendo que o contrato de Xiaogang era bom. O próprio governo reconheceu que Xiaogang “quebrou o alto sistema de produção centralizado oferecendo ao agricultor o direito à autonomia da sua produção...”. “Isso liberou e desenvolveu a produtividade das áreas rurais.” Posso dizer que há momentos na vida que tiram o fôlego. Foi o que experimentei quando visitei Xiaogang e entendi o corajoso passo dado por Yan Hongchang.
Quem explica melhor o que se passou em Xiaogang é o próprio reformador Deng Xiaoping. Em uma audiência com líderes estrangeiros, ele reconheceu que “Xiaogang era o lugar mais pobre da nossa história, mas houve uma grande mudança nos últimos dois anos. O lugar er