Humanas
2.15K subscribers
3.53K photos
43 videos
49 files
650 links
Do humor à crítica filosófica, o seu canal de humanas no Telegram!

Grupo do canal: @grupodehumanas

Adm: @alyaugusto

Inscreva-se em meu canal no YouTube: youtube.com/AlyssonAugusto

Doe bitcoins ao canal: 1LCVFWNh7dVaMvNkDHk6vN4Y9KxnGBEn1z
Download Telegram
D&G Action Figure Twin Pack

@humanas
Forwarded from Alysson Augusto via @like
O cão morto no Carrefour só causa revolta porque cães nos são familiares, nutrimos afeto por eles durante uma vida toda, e fomos aculturados com a noção de que "o cão é o melhor amigo do homem".

Mesmo reconhecendo essa simbiose entre nós e os cães, ainda assim o que geralmente conta para nossa sensação de "dever de protegê-los" é o valor que retiramos de relações entre espécies distintas que, sem auxílio de instrumental racional, conseguem fazer brotar Virtudes humanas a partir de uma relação passional, onde empatia, carinho e afeto nutrido ao longo de uma vida tornam-se expressivos.

Assim sendo, quando vemos um cão sofrer, especialmente por mãos humanas, somos confrontados com os valores tão caros à nossa mentalidade ocidental, e a incoerência da realidade joga na nossa cara que, se o cão é nosso melhor amigo, ainda assim não conseguimos retribuir o respeito que eles nutrem por nós. A ferida da moralidade comum é aberta e fica exposta, exigindo alguma remediação, seja demitindo o funcionário que espancou o cachorro, seja rolando a linha do tempo pra não ver mais a faceta da crueldade humana que ronda entre nós.

O segurança foi cruel, de fato. Ainda assim, basta trocarmos o personagem "cão" por ratos, baratas ou quaisquer tipos de animais que por qualquer motivo sejam interpretados como indesejáveis (como o cão de fato foi visto na ocasião, pois se espera de grandes estabelecimentos uma higienização onde cães de rua não são nunca bem-vindos) e, pronto, espancamento e morte tornam-se socialmente toleráveis.

As pessoas estão certas quando reclamam da injustiça praticada por humanos contra cães. A questão é até que ponto nos preocupamos mesmo com a injustiça, e não com o fato de que estamos sendo obrigados a confrontar valores antagônicos entre barbárie e civilização, onde nos prostramos a ser bastiões da defesa daqueles que não podem se defender, porém apenas até a página dois, desmerecendo que o mesmo acontece de forma muito mais generalizada, o tempo todo e mesmo por culpa direta nossa, com outras espécies que esquecemos de considerar.

O cão não existe mais, trata-se de um cadáver, uma vida que não terá mais experiências para viver. Que a justiça seja feita, e que possamos reconhecer que a verdadeira justiça está menos em remediar situações e mais em evitar que aconteçam. Expandir nosso círculo moral para contemplar outros animais que não apenas "pets" é o passo que o processo civilizacional exige que devamos dar. Assim não apenas seremos mais justos, como também mais coerentes.
Explicando a filosofia.

@humanas
Schopenhauer

@humanas
Pra quem quiser aprender algo sobre ética animal, convido-os a entrarem neste canal recém criado no telegram: http://t.me/EticaAnimal
Forwarded from Alysson Augusto via @like
Estaria o youtuber católico Bernardo Küster defendendo o darwinismo social, ou apenas cometendo uma ingênua falácia naturalista?

Vem comigo desmascarar mais um charlatão da internet.

youtu.be/9plXcPPUoBU
Niilisterine

@humanas
Forwarded from Ética Animal (Alysson Augusto) via @like
Este é de longe o mais bem elaborado diálogo filosófico entre um comedor de carne e um vegano que você vai ver. Michael Huemer é o filósofo que o escreveu.

Dois amigos estudantes de filosofia, V (vegano) e C (comedor de carne), dialogam sobre a validade moral de comer carne. Ao longo do texto, V convence C de que existem muitos problemas em seu estilo de vida carnívoro. C, então, começa a apelar para o ceticismo moral, uma tática comum e conveniente quando os argumentos a favor da exploração de animais são enfraquecidos. Abaixo colo a parte do diálogo que, ao meu ver, é inovadora sobre o assunto:

V — Esse tipo de ceticismo só parece surgir quando as pessoas são criticadas por comportamentos que não querem mudar e não têm mais argumentos para defendê-los. Só aí começam a sentir ceticismo pela moralidade. No resto do tempo, não têm problema em aceitar juízos morais.

C — Que quer dizer? Não saio por aí emitindo juízos sobre as pessoas o tempo todo!

V — Deixe-me dar-lhe um exemplo. Digamos que a pessoa A está processando a pessoa B, e estamos no júri. Precisamos decidir se B lesou A de uma maneira que mereça compensação.

C — Não é o papel do júri decidir apenas se B fez algo ilegal?

V — Suponha que a lei diz que A merece compensação somente se B o lesou.

C — Okay.

V — Acontece que o que B fez foi destruir o carro de A com um martelo, só por diversão, causando $2000 de danos. Várias pessoas testemunharam a situação.

C — Parece um caso fácil. A ganha os $2000.

V — Não tão rápido! Há alguns filósofos no júri: um metafísico, um teórico político, um epistemólogo e um eticista. O metafísico argumenta que B não é responsável por sua ação, porque o livre-arbítrio não existe.

C — Acho que isso faria sentido…

V — O teórico político diz que a ação de B não foi errada porque os direitos à propriedade são ilegítimos. O epistemólogo afirma que não podemos aceitar o depoimento das testemunhas visuais até se provar que os sentidos são confiáveis. Por fim, o eticista diz que não existem fatos morais, então B não poderia ter feito algo errado.

C — Acho que é por isso que, em geral, não permitem filósofos no júri.

V — (Ri) Sem dúvida. Então, como votaria?

C — Se eu concordasse com um desses filósofos, teria de apoiar o acusado.

V — Correto. Mas como efetivamente votaria? Diria que B não fez algo errado?

C — Não. Pessoalmente, adjudicaria mesmo assim os $2000 a A.

V — Então as teorias filosóficas céticas não o impedem de fazer juízos morais sobre o comportamento de outra pessoa.

C — Não.

V — Inclusive, logo que lhe contei a história, disse que parecia um caso fácil.

C — Sim, parecia.

V — Bem, o caso do vegetarianismo ético é igualmente fácil. Não há mais dúvida quanto à injustiça de comer carne do que quanto à injustiça de destruir o carro de outrem por diversão — ou quanto à injustiça de espancar crianças ou de matar por dinheiro ou de qualquer outra coisa paradigmaticamente errada. Você não sairia por aí fazendo essas outras coisas só porque pode não haver fatos morais, pois não?

C — Não. Mas acha realmente que ser vegetariano é uma decisão simples e clara, como decidir não matar pessoas por dinheiro?

V — Basicamente, sim. No seu núcleo, a questão é: eu apoio uma coisa que causa enormes quantidades de dor e de sofrimento em troca de benefícios pequenos para mim? É só isso. Não é “São as vidas humanas mais valiosas que as animais?” Não é “Existem valores objetivos?” nem “Qual é a base dos direitos?” É somente sobre causar enorme sofrimento por ganhos pequenos.

criticanarede.com/animais.html
fascista!

@humanas
Bebendo da fonte.

@humanas
Como funciona o viés de confirmação.

@humanas