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Não existe ameaça comunista, de fato. Mas isso por mera impossibilidade do comunismo. O que existe de ameaçador não é uma agenda comunista global tentando dominar o mundo. Antes, a ameaça está, isso sim, numa aspiração igualitária que toma a natureza humana como algo completamente moldável à luz de uma infraestrutura econômica. A ameaça está num entendimento heterodoxo da economia, que aceita um "darwinismo do pescoço pra baixo", que acredita em utopias não necessariamente comunistas, mas típicas de um planejamento central dos meios de produção pelo próprio Estado, ignorando o funcionamento dos seres humanos à luz de incentivos que influenciam direto em seu comportamento. A ameaça comunista, se é que existe, é a mesma ameaça que destruiu a França com a Revolução Francesa e deturpou a ciência e a agricultura com Lysenko na União Soviética: é uma ameaça fruto de um entendimento errado da natureza humana, um entendimento de uma esquerda não-darwinista.
O filósofo da linguagem Sérgio Augusto Sardi dá o seu depoimento acerca do #SetembroAmarelo e a #filosofia. Confira!
youtu.be/9RtAwa-uJHk
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Sérgio Sardi: Sentir o Sentido da Vida | Setembro Amarelo
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A vantagem de um segundo turno entre duas podridões morais é que ambas teriam os holofotes sobre si e 1) teriam de explicar melhor seus planos de governo ao passo em que 2) precisariam mostrar maior disposição em dialogar com o centro para garantir governabilidade.
A desvantagem é o fato de que uma campanha antagônica entre Haddad x Bolsonaro seria uma grande ameaça à democracia pois a polarização estaria acirrada. A esquerda em peso vendo alguma esperança num governo presidido da cadeia, e a direita em peso apostando em um Bolsonaro moderado e controlado por assessores.
De toda forma, a democracia exige que a gente saiba respeitar os resultados das urnas — mesmo que você acredite ilogicamente que um complô a nível nacional está as fraudando (um complô que manteve tanto o PT quanto Bolsonaro por mais de décadas em algum nível do poder).
A desvantagem é o fato de que uma campanha antagônica entre Haddad x Bolsonaro seria uma grande ameaça à democracia pois a polarização estaria acirrada. A esquerda em peso vendo alguma esperança num governo presidido da cadeia, e a direita em peso apostando em um Bolsonaro moderado e controlado por assessores.
De toda forma, a democracia exige que a gente saiba respeitar os resultados das urnas — mesmo que você acredite ilogicamente que um complô a nível nacional está as fraudando (um complô que manteve tanto o PT quanto Bolsonaro por mais de décadas em algum nível do poder).
Comentários sobre este post:
"Gente, tanto o PSTU quanto o PCO pertencem a velha esquerda, não esses novos pós-modernos. Alem deles serem a favor de liberação de armas para a população se revolucionar."
"Então eles são os esquerdistas sem maconha e sem os 80 gêneros."
pstu.org.br/nao-e-avanco-do-fascismo-o-que-esta-acontecendo-no-brasil/
"Gente, tanto o PSTU quanto o PCO pertencem a velha esquerda, não esses novos pós-modernos. Alem deles serem a favor de liberação de armas para a população se revolucionar."
"Então eles são os esquerdistas sem maconha e sem os 80 gêneros."
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PSTU
Não é avanço do fascismo o que está acontecendo no Brasil
“Caça-fantasmas: a ameaça fascista!”, esse é o título que gostaria de dar a esse artigo. Nos últimos anos, mas, particularmente, desde o impedimento de Dilma Rousseff e as manifestações contra seu governo, se alardeou no Brasil o discurso da ameaça fascista.…
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Três textos que li hoje sobre fascismo que ajudam a, se não esclarecer o termo, ao menos a provar a necessidade de não-utilizá-lo caso não se saiba do que tá falando:
1) "O que é o fascismo? Perguntamos a pensadores da Itália, berço do movimento" — Lucas Ferraz / BBC Brasil
Aqui o termo fascismo tem sua etimologia explicada, mostrando que, por gênese, trata-se da simbolização do poder coletivo. Entretanto, tal poder não significa exatamente a representação dos interesses do povo, mas justamente a antagonização do nós contra eles, os quais devem ser eliminados. Embora a discussão sobre o que é o fascismo seja tão antiga quanto o fascismo (de modo que muitos defendam que o fascismo morreu junto de Mussolini), é possível discutir a inspiração fascista dos atuais políticos. O que parece claro é que fascismo não é exatamente uma ideologia, mas um método de atuação política. O que está claro é que a falta de clareza sobre o que seja fascismo faz as pessoas tomarem a palavra como um palavrão, significando "tudo aquilo de que não gosto".
2) "A gente não vota em Hitler" — Francisco Razzo / Gazeta do Povo
Aqui o objeto de discussão não é exatamente o fascismo, mas o nazismo. Entretanto, a julgar a clara filiação entre ambos os regimes, o mesmo tipo de discussão se apresenta: existe uma tendência política pela acusação da oposição de ser a representação do mal na terra (em outras palavras, Hitler). Acusar alguém de nazista, assim, vira o mesmo que acusar alguém de troglodita que representa tudo o mais desprezível. A reflexão deste texto é que, embora possamos traçar uma diversidade de semelhanças entre a gênese e práticas do nazismo com a gênese e práticas de um político dos dias de hoje, "é possível falar mentiras apenas contando a verdade"*, na medida em que se pinta o retrato do inimigo político como sendo um nazista, desconsiderando outros aspectos relevantes na própria formação do nazismo.
3) "Não é avanço do fascismo o que está acontecendo no Brasil" — Gustavo Lopes Machado / PSTU
Este foi o texto que mais me surpreendeu, dado que dele se esperaria um apoio à chapa à esquerda neste segundo turno. Entretanto, o autor reconhece a inexistência de fascismo no Brasil, ao passo em que parece sugerir uma aspiração fascista em termos de tática política ao pintar um inimigo comum sem que este esteja lá para se defender. Aqui a banalização do termo fascismo também é denunciada, porém como tática político-partidária, a fim de angariar adeptos a uma causa pela antagonização com a dissidência. O objetivo de tal tática é mostrar a existência de um mal maior, que garanta apoio a um mal menor, ainda que realmente mal.
1) "O que é o fascismo? Perguntamos a pensadores da Itália, berço do movimento" — Lucas Ferraz / BBC Brasil
Aqui o termo fascismo tem sua etimologia explicada, mostrando que, por gênese, trata-se da simbolização do poder coletivo. Entretanto, tal poder não significa exatamente a representação dos interesses do povo, mas justamente a antagonização do nós contra eles, os quais devem ser eliminados. Embora a discussão sobre o que é o fascismo seja tão antiga quanto o fascismo (de modo que muitos defendam que o fascismo morreu junto de Mussolini), é possível discutir a inspiração fascista dos atuais políticos. O que parece claro é que fascismo não é exatamente uma ideologia, mas um método de atuação política. O que está claro é que a falta de clareza sobre o que seja fascismo faz as pessoas tomarem a palavra como um palavrão, significando "tudo aquilo de que não gosto".
2) "A gente não vota em Hitler" — Francisco Razzo / Gazeta do Povo
Aqui o objeto de discussão não é exatamente o fascismo, mas o nazismo. Entretanto, a julgar a clara filiação entre ambos os regimes, o mesmo tipo de discussão se apresenta: existe uma tendência política pela acusação da oposição de ser a representação do mal na terra (em outras palavras, Hitler). Acusar alguém de nazista, assim, vira o mesmo que acusar alguém de troglodita que representa tudo o mais desprezível. A reflexão deste texto é que, embora possamos traçar uma diversidade de semelhanças entre a gênese e práticas do nazismo com a gênese e práticas de um político dos dias de hoje, "é possível falar mentiras apenas contando a verdade"*, na medida em que se pinta o retrato do inimigo político como sendo um nazista, desconsiderando outros aspectos relevantes na própria formação do nazismo.
3) "Não é avanço do fascismo o que está acontecendo no Brasil" — Gustavo Lopes Machado / PSTU
Este foi o texto que mais me surpreendeu, dado que dele se esperaria um apoio à chapa à esquerda neste segundo turno. Entretanto, o autor reconhece a inexistência de fascismo no Brasil, ao passo em que parece sugerir uma aspiração fascista em termos de tática política ao pintar um inimigo comum sem que este esteja lá para se defender. Aqui a banalização do termo fascismo também é denunciada, porém como tática político-partidária, a fim de angariar adeptos a uma causa pela antagonização com a dissidência. O objetivo de tal tática é mostrar a existência de um mal maior, que garanta apoio a um mal menor, ainda que realmente mal.
"O papel das humanidades no ensino superior brasileiro apresenta, portanto, uma face de Jano. Se, por um lado, os números apontam um aumento de cursos e vagas nas humanidades, o perfil desses cursos é marcado pelas características do desenvolvimento tardio da educação brasileira: expansão de um modelo privado com pouca ênfase em pesquisa e voltado para a formação de professores para suprir uma carência de mão de obra."
www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/10/faculdade-brasileira-deixa-conhecimento-em-segundo-plano-dizem-autores.shtml
www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/10/faculdade-brasileira-deixa-conhecimento-em-segundo-plano-dizem-autores.shtml
Folha de S.Paulo
Faculdade brasileira deixa conhecimento em segundo plano, dizem autores
Segundo pesquisadores, crise em cursos de humanidades no país se desenha já há um século