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Sinal de mudança no varejo vestuário nacional.

Divulgado ontem o dado do PMC (pesquisa mensal do comércio) de janeiro, o número no segmento de vestuário veio altíssimo, como mostra a imagem acima, em 27,9%.

Esse número é um dos fatores que tem levado a uma forte recuperação do preço das ações das varejistas de vestuário do país, que em meio a toda essa discussão tributária sobre Shein e afins, está já passando há um bom tempo por boatos de perda de mercado, embora nenhum número nunca tenha apontado isso.

Outro fato relevante é que os dados de importação do país desde janeiro têm desabado, apresentando também queda de compras no exterior.

Ou seja, pelo que parece, embora não tenha ocorrido nenhuma taxação ainda formalizada sobre o e-commerce e as companhias chinesas que vendem em território nacional, já há algum movimento ocorrendo de fato por baixo dos panos.

Em resumo: no mês de janeiro o vestuário nacional explodiu em consumo enquanto as importações caíram. Não em vão você está vendo as varejistas de roupas recuperando seus preços.
Você é a favor da taxação de compras da Shein, Shopee entre outros e-commerces chineses?
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Mercado de FIIs segue fortemente descontado em literalmente todos os segmentos, com alguns ativos chegando a negociar com mais de 30% de desconto sobre o patrimônio do fundo.

Algo que nunca aconteceu no mercado antes.
Comentário de resultado – WEG ($WEGE3) – 1T/23

Parece forçação de barra, mas não é. Quem acompanha a WEG há um pouco mais de tempo, sabe que desde 2019 a companhia entrou em um ritmo de entrega de bons resultados que é percebido poucas vezes no mercado. Literalmente todos os seus números operacionais, mesmo com a turbulência da pressão inflacionária da pandemia, tem melhorado. E até o momento, isso não parou. No primeiro trimestre, de 2023, já abrindo o ano, mais uma vez seus números são fortes e reforçam a máxima: que qualidade no mercado tem preço, ou seja, dificilmente veremos as ações da WEG por preços descontados como apontam os modelos de valuation mais conservadores em algum momento.

Ainda com todos esses números bons, algo que citamos já no resultado passado está começando a aparecer: evidência de desaceleração por conta do cenário global. Falaremos mais ao longo do texto, e esse é o ponto de atenção de todos os números.

A receita da companhia teve forte alta face ao 1T22, com um crescimento 12,7% atingindo os R$ 7.7 bilhões (máxima histórica para um primeiro trimestre novamente), mas teve uma leve queda em relação ao 4T22 (-2,5%) e isso reforça o que comentamos sobre a desaceleração da economia global.

A WEG vende bens de capital, e se há menor investimento na indústria por conta de desaceleração econômica global, significa que ela venderá menos, o que implica em menor receita. Desde o 3T22 sua receita está crescendo num ritmo mais devagar, como ocorreu entre o 3T22 e o 4T22, com um número praticamente estável de receita, e agora uma queda entre o 1T23 e o 4T22. Isso não é ruim, na nossa visão, e é apenas um movimento macro – em algum momento o resultado da WEG desaceleraria, e há evidência disso já estar ocorrendo.

Sobre a origem de sua receita, a WEG segue protegendo muito bem o investidor com 52% vindo de fora do país, o que significa proteção cambial. Outro ponto que impactou a receita que também comentamos já diversas vezes em leituras passadas sobre a WEG, é o câmbio. No 1T23 o dólar médio caiu de R$ 5,23 para R$ 5,20. Nos períodos passados a WEG foi privilegiada com a disparada do câmbio por ser uma exportadora. Uma apreciação da nossa moeda significa menor receita para a companhia.
Sua receita por área de negócio teve algumas surpresas. No segmento de EEI (que representa 49% da receita total da companhia) houve crescimento de 20% no mercado interno e 16% no mercado externo, com a companhia se beneficiando dos ciclos das commodities indiretamente, visto que as empresas dessa área estão investindo forte em bens de capital – aqui é outra lição interessante sobre a empresa, que consegue se beneficiar em todo tipo de ciclo.

No segmento de GTD houve contração de 3% na receita do mercado interno em virtude de menor investimento em energia solar (que há correlação pela queda de custo de energia, forçando menor busca por investimento na área), mas em compensação, houve crescimento expressivo de 35% no mercado externo com esse boom de investimento em energia renovável, sendo os EUA, México, Índia e Zona do Euro os principais consumidores do período. Outro ponto interessante que pouco investidor percebe: a WEG é uma das companhias mais bem preparadas para a transição energética por ser fornecedora de bens de capital da área.

Sobre as outras linhas de receita (MCA e T&V) não abordaremos aqui para alongar e por representarem menor percentual da receita, mas os números também foram positivos.

Na linha de custo dos produtos vendidos, a cereja do bolo. O que demonstra claramente como a WEG é uma poderosa empresa de proteção inflacionária no longo prazo. Enquanto a receita da companhia cresceu 13%, seu CPV cresceu apenas 4%. Isso fez com que a empresa elevasse mais uma vez sua margem bruta. No 1T22 sua margem bruta era de 27,8%, enquanto no 4T22 foi de 30,3% e no 1T23 foi de 33 ,1%. A companhia está tendo forte sucesso no repasse de inflação para todos os seus consumidores e a queda do preço do cobre entre outras commodities estão ajudando muito nisso.
Por sua vez, o EBITDA também teve forte aumento, de R$ 1.2 bilhão no 1T22 para R$ 1.7 bilhão no 1T23, também subindo consistentemente todo trimestre. A margem subiu de 18,1% para 21,9%.

Todos esses fatores levaram a WEG a entregar um lucro de R$ 1.3 bilhão, resultado 38,4% maior do que no 1T22, com uma margem de lucro 3,2pp maior (17,0%) e um ROIC 1,7% maior (31,4%).

Como pontuado inicialmente, o fator de atenção da WEG atualmente é a desaceleração econômica.

A verdade é que o investidor da WEG ficou mal acostumado nos últimos anos. Nós que investimos há anos e temos posição bem antes de 2019, percebemos que houve uma virada de chave que fez o crescimento dela disparar. A virada de chave foi simples: expansão da economia global com internacionalização mais expressiva de suas operações e explosão do câmbio. O dólar disparar ajuda muito o resultado da WEG, visto que 52% da sua receita vem de exportação.

O que o investidor deve se atentar é que uma desaceleração global vai impactar diretamente a companhia, assim como uma valorização do real. Pro próximo trimestre mesmo, com essa queda do dólar, já ocorrerá efeito em sua receita. Em algum momento esse crescimento desaceleraria, e é o que está ocorrendo agora. A questão é que a empresa tem uma operação tão saudável, que mesmo com a desaceleração do crescimento da receita, as margens estão crescendo em nível mais rápido e o lucro está disparando.

Não é em vão que as ações da WEG são caras. É como sempre falamos: qualidade tem preço. A WEG mais uma vez se consolida como uma das melhores empresas do país, e o investidor que esperar comprar as ações por um preço sobre lucro baixo, tem altíssima probabilidade de nunca começar a montar posição na companhia.

Mais um trimestre de recuperação de margens, aumento de lucro e expansão de seus negócios.

Lembrando: o conteúdo postado acima é apenas um comentário sobre o resultado, não caracteriza recomendação de investimento e não substitui a leitura dos informes financeiros da companhia.

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Outro trimestre de expansão e números fortes, não surpreendendo, mas em linha com os bons fundamentos do negócio e o plano que a RaiaDrogasil vem honrando há anos.

No 1T23 a RaiaDrogasil abriu mais 49 farmácias, somando 216 aberturas nos últimos 12 meses e atingindo o marco de 2.746 unidades, atendendo 549 municípios (+48 comparado ao mesmo trimestre do ano passado), resultando em expansão do market share em absolutamente todas as regiões do país (+1,7pp em SP, +0,7pp no Sudeste, +2,0pp no Centro Oeste, +0,8pp no Sul, + 1,1pp no Nordeste e +2,0pp no Norte, com um consolidado de +1,3pp no Brasil, atingindo 15,3% de domínio sobre o cenário nacional). Ou seja, a companhia segue expandindo em território nacional, atualmente com o seu recorde de participação de mercado no país e um crescimento de +0,2pp comparado ao 4T22.

Sobre a digitalização, mais números positivos: a RaiaDrogasil atingiu 13,7% de penetração digital, ou seja, 13,7% da sua receita no 1T23 foi via canais digitais, representando um crescimento de 63% comparado ao 1T22, quando a penetração digital foi de 10%. Esse número acaba passando batido na análise de grande parte dos investidores, mas ele importa – a tendência da maioria dos negócios é a digitalização. Hoje a RaiaDrogasil não só entrega seus próprios remédios pelo seu canal de e-commerce, que é disparadamente o maior do país representando quase 50% do mercado digital, mas também oferece um marketplace para marcas concorrentes, lucrando com a venda de seus rivais. Além obviamente, de outros fatores que são óbvios, como o fato de que um negócio digital costuma ter melhores margens, agradar maior parte dos clientes entre outros fatores de eficiência.

Em virtude da expansão de lojas, do aumento de vendas e do aumento de preço dos medicamentos, a RaiaDrogasil entregou uma receita 21,6% maior que no 1T22, atingindo os R$ 8.5 bilhões, enquanto a margem bruta teve uma retração de 0,3pp (de 27,7% para 27,4%) em virtude da mudança de mix de produtos. Ainda assim, houve melhora do operacional pelo controle de despesas, com um EBITDA de R$ 563 milhões (crescimento de 45% comparado ao 1T22) e um crescimento de margem de 1,0pp, de 5,6% para 6,6%. O lucro líquido da RaiaDrogasil, por sua vez, cresceu 40% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$ 145 milhões para R$ 204 milhões, com uma melhora de margem de 0,3pp (de 2,1% para 2,4%).

Mais um resultado forte. É importante pontuar que o primeiro trimestre costuma ser mais fraco que os demais trimestres por conta da dinâmica de reajuste de preço dos remédios. A RaiaDrogasil tem todo seu manejo de estoque e não pode aumentar o preço dos medicamentos de forma livre – esse aumento é regulado pela CMED e ocorre uma vez ao ano, em abril, o que acaba causando essa sazonalidade dos resultados. Ainda assim, com a sazonalidade, continuamos vendo avanços nos números e a RaiaDrogasil continua honrando seu plano de crescimento de forma sólida, se consolidando como a maior varejista farmacêutica do país já com mais de 15% do mercado nacional, o que mostra que mesmo que ela seja tão gigante com uma receita de mais de R$ 30 bilhões por ano, ainda há muito espaço para ela crescer.

Lembrando: o conteúdo postado acima é apenas um comentário sobre o resultado, não caracteriza recomendação de investimento e não substitui a leitura dos informes financeiros da companhia.

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Repasse de inflação. Esse termo por si só poderia resumir o resultado da Ambev abrindo o ano de 2023, com números bem fortes.

A companhia tende a ter o primeiro e o último trimestre de cada ano mais fortes do que os demais em razão das festividades (no primeiro trimestre o carnaval, e no último trimestre natal e ano novo), mas ainda assim, considerando esse fator, os números entregues foram bem fortes, principalmente pelo fato de que não houve aumento de volume vendido, mas forte crescimento de receita, denotando o poder de repasse de inflação da companhia.

Na linha de resultado de suas operações no Brasil, a Ambev entregou um crescimento de 2,5% no volume vendido, potencializado principalmente pelo segmento de bebidas não alcoólicas, que cresceram 7,5% e tem melhorado trimestre a trimestre, em linha com a estratégia da Ambev de se expandir para esse mercado, visto que o mercado de cervejas tem menor espaço para crescimento – o destaque para as bebidas não alcoólicas ficaram com a H2OH!, o Guaraná Antárctica, o Gatorade e a Pepsi. Já pela ótica da receita, houve crescimento expressivo, na ordem de 15,1% sendo que a receita por hectolitro cresceu de R$ 324 para R$ 364. Perceba algo interessante aqui: o repasse inflacionário. Volume praticamente não saiu do lugar, mas a receita por hectolitro subiu forte, ou seja, a Ambev está repassando a inflação dos últimos anos para o seu produto e o mercado tem aceitado em virtude de suas marcas fortes. Ainda há muito para repassar, mas é evidente o poder da empresa nesse quesito. Além do crescimento de receita, houve forte melhora de todas as margens, também mostrando poder de repasse inflacionário.

Na linha de resultado de suas operações no exterior, algo misto. No Caribe ainda houve queda de volume e receita estável (+1%) por conta da pressão inflacionária que os países ainda estão passando, e perda de margens. Na América Latina Sul, houve queda de volume, mas forte aumento de receita (+12%) sendo que o preço por hectolitro subiu 21% (de R$ 425 para R$ 515) com forte melhora de margens. Ou seja, mais uma vez, a empresa mostrando seu poder de marcas e capacidade de repasse de inflação. No Canadá, leve melhora de volume e receita (+5%), mas ainda sem repasse inflacionário, com estabilidade do preço da receita por hectolitro.


No consolidado, ou seja, considerando todas as suas operações, como bem mencionamos, houve estabilidade do volume vendido (-0,4%), mas a receita cresceu forte, saindo de R$ 18.4 bilhões para R$ 20.5 bilhões. E aí vem o destaque do trimestre: mesmo sem vender nada a mais, a Ambev conseguiu elevar sua receita em 11,3%. É o mais puro exemplo de repasse de inflação. Venda estagna, preço sobe, empresa repassa custos.

Como mencionamos, ainda há muito para repassar e os custos seguem sendo pressionados (embora num cenário bem melhor do que há 2 anos, no auge da crise), mas no trimestre houve melhora da receita (+11,3%), da margem EBITDA (+1,4pp) e da margem de lucro líquido (+1,0pp) que atingiu os R$ 3.8 bilhões, número 8,2% maior do que no 1T22.

Vale destacar, também, que esse lucro poderia ter sido maior. No trimestre houve um pagamento na ordem de algo próximo de R$ 400 milhões em obrigações não recorrentes.

Enfim, aqui o comentário é rápido e o destaque é esse: repasse de inflação. A Ambev costuma ser menosprezada por grande parte dos investidores de longo prazo, mas quem tem em carteira já há um pouco mais de tempo, compreende seu domínio do mercado de bebidas do país e sua vantagem competitiva em relação a repasse de preços no longo prazo. É assim que ações protegem contra a inflação no longo prazo, trimestre a trimestre repassam a inflação para os produtos, pagam dividendos, cotação lentamente valoriza, mais dividendos são pagos, mais preço é repassado... enfim, um ciclo.

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O crescimento segue, e com bom controle de dívida. Compreendendo o cenário macroeconômico mais desafiador, a gestão do Fleury realizou um excelente trabalho em cima da alavancagem do trimestre, sendo mais conservadora com o seu endividamento. Vamos aos números.

No 1T23 a Fleury entregou um crescimento de receita bruta de 13,4%, saindo de R$ 1.1 bilhão para R$ 1.3 bilhão. O crescimento orgânico (isso é, crescimento desconsiderando as aquisições do período) o crescimento foi de 7%, um número não tão alto, mas bom, visto que no 1T22 6,2% da receita era proveniente de exames de Covid-19, enquanto no 1T23 esse número caiu para apenas 0,6%, ou seja, a partir do 2T23 os números de geração de receita da Fleury já estarão completamente limpos de testes de Covid, que durante alguns trimestres beneficiou a empresa.

Entre outros destaques da receita, vale mencionar que todas as suas marcas tiveram forte crescimento (acima de 10%) sendo que a própria marca da Fleury cresceu 11%, um ponto positivo dada a natureza premium e de maiores margens que ela possui. O número de atendimentos cresceu 16% face ao 1T22 (ou 5% orgânico) e a quantidade de exames cresceu expressivos 33,6% (ou 20% orgânico). A linha de receita por exame é um fator que o investidor deve considerar porque está impactando diretamente nas margens da Fleury. Como já falamos em comentários passados, a Fleury durante muito tempo operou com margens mais altas por conta do seu perfil maior valor agregado no setor diagnóstico, sendo que a estratégia mudou um pouco nos últimos anos. Para conseguir lidar com a verticalização que tem ocorrido no setor de saúde, ela passou a penetrar nos segmentos de menores margens, que é o que o número de receita bruta por exame indica. Houve queda de 14% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – o número a princípio pode incomodar, mas esse é um ponto que o investidor de Fleury deve aceitar. Faz parte da nova estratégia da companhia e as aquisições recentes possuem tickets médios menores. O atendimento móvel também mudou muito esse ponto do setor. Estamos apenas contextualizando pois frequentemente é uma crítica que alguns investidores possuem achando ser algum fator não recorrente – não é, é estrutural e questão estratégica e vai da sua análise achar isso bom ou não.

A linha de novos elos também mostrou avanço, passando a representar 10,2% da receita total da companhia no 1T23 (contra 6,8% no 1T22) o que denota evolução positiva da estratégia de expansão da Fleury.

Na linha de lucro bruto, houve crescimento de 10% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os R$ 360 milhões, com uma retração de margem de 0,9pp, mas crescimento de 6,0pp com o 4T22. A pressão sobre a margem bruta é o mesmo motivo de sempre: dissídio salarial na linha de pessoal e aumento de custos variáveis em razão das aquisições. Com a aquisição da Saha no 4T22, por exemplo, a empresa tende a ter maior pressão por conta do perfil do negócio, que utiliza medicamentos de alto custo. No mais, achamos importante que o investidor de atenção principalmente para essa linha (e demais margens) como já falamos outras vezes.

Na linha do resultado financeiro, houve um crescimento do prejuízo, de R$ 65 para R$ 90 milhões, uma piora de 37%, em virtude do aumento das despesas financeiras que cresceram 60% pelo motivo que todo mundo já sabe: SELIC alta. A SELIC média do 1T22 foi de 10,5%, enquanto a do 1T23 foi de 13,7%, o que aumenta o custo da dívida da Fleury.

Todos esses fatores levaram a Fleury a entregar um lucro líquido de R$ 94 milhões, representando uma queda de 15% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Novamente, trimestre com lucro pressionado por questão do resultado financeiro, principalmente.
Deixamos para falar por último sobre o endividamento, algo que gostamos bastante nesse trimestre. A Fleury decidiu tomar um caminho diferente: enquanto boa parte das companhias que estão crescendo via aquisição e alavancadas seguem pisando no acelerador talvez apostando na queda dos juros em breve, a Fleury foi mais conservadora. Entre o 1T22 e o 1T23 a dívida líquida foi reduzida em 5,5%, sendo que entre o 4T22 e o 1T23 ela ficou estável. Além disso, apesar da empresa ainda ter um grande espaço para aumentar ainda mais sua alavancagem, ela tem optado por seguir mais pé no chão, reduzindo de 1,4x EBITDA no 1T22 para 1,2x ETBIDA no 1T23.

Achamos esse ponto positivo porque é o que sempre falamos: empresas quebram crescendo. A gestão demonstrar maior conservadorismo sinaliza maior responsabilidade sobre o patrimônio dos acionistas, ainda mais em tempos de incerteza.

No mais, como sempre, foco nas margens e no resultado das aquisições. O resultado financeiro está embaçando bem o lucro líquido consumindo quase R$ 100 milhões da linha esse trimestre e isso faz parecer que as aquisições não estão indo como o esperado, mas o EBITDA mostra a evolução positiva nesse quesito. Vale lembrar também que a partir do próximo trimestre o resultado da Pardini será incorporado nos números da Fleury. A Fleury em si achamos o resultado muito bom, vejamos agora como será o da Hermes Pardini.

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Comentário de resultado – Itaú ($ITUB3) – 1T/23

Um resultado impressionante para o Itaú no trimestre – mais uma vez. Considerando o atual cenário macroeconômico, apesar de dentro das expectativas de grande parte do mercado, o Itaú demonstrou avanço de seus principais números, e com controle de inadimplência, o que tem sido algo raro no segmento financeiro nos últimos meses. Vamos lá.

No 1T23 o Itaú entregou uma margem financeira de R$ 24.7 bilhões, representando um crescimento de 17% comparado ao mesmo trimestre do ano passado (lembrando que a margem financeira é a diferença entre a receita gerada pelas operações financeiras de uma instituição e os custos envolvidos nessas operações, ou seja, quanto o banco ganhou emprestando dinheiro aos seus clientes e ao mercado). Esse aumento ocorreu em virtude tanto do aumento da taxa média (que subiu de 8,9% para 9,4%) quanto do estoque de crédito, com a carteira de crédito crescendo quase 15% comparando o 1T22 ao 1T23 – vale pontuar também que o controle da inadimplência do banco tem forte influência nisso, visto que quanto menor a inadimplência, mais gente paga suas obrigações e mais dinheiro o banco recebe. Essa linha é importante de analisar sempre porque trata-se de uma das principais operações do banco, que é o que ele ganha emprestando dinheiro. Não se preocupe com a volatilidade da margem com o mercado, a não ser que o número deteriore de forma recorrente.

A linha de indicadores de crédito tem sido o principal ponto a analisar nos resultados das instituições financeiras de varejo. A começar pela PDD do Itaú, o banco elevou sua PDD (dinheiro dedicado a proteção contra calotes de crédito) em 30% no 1T23, de R$ 7 bilhões para R$ 9 bilhões, com um saldo acumulado de R$ 56.6 bilhões, número que atualmente está na máxima histórica. Isso prova principalmente do ponto delicado que o setor está atravessando atualmente: as instituições financeiras estão dedicando valores cavalares para enfrentar a alta de inadimplência.

No caso do Itaú, os números surpreendem positivamente. O índice de inadimplência acima de 90 dias não saiu do lugar entre o 4T22 e o 1T23, com a inadimplência consolidada em 2,9%, com um leve aumento de 0,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Absolutamente todas as linhas de crédito tiveram ou estabilidade ou queda, nenhuma cresceu efetivamente. Isso ilustra a capacidade do Itaú em dar crédito, que mesmo em um cenário de aumento de inadimplência generalizada, está conseguindo controlar esse número. Esse é provavelmente o ponto que mais gostamos do resultado do Itaú no trimestre – a instituição tem se provado completamente responsável e inteligente no crédito dado. Até mesmo com o cenário mais conturbado, a carteira de crédito expandiu 1%, enquanto a de outras instituições tem diminuído justamente por terem preferido pisado no freio para reduzir a inadimplência. O Itaú, cresceu sua carteira de crédito em 1% comparado ao 4T22 e em 12% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Na linha de receita de prestação de serviços, o ponto que sempre damos uma cutucada, pois desde 2016/17, quando percebemos o crescimento mais acelerado das fintechs, que explodiram em 2020. Desde então, a receita com serviços dos grandes bancos no geral não teve impacto algum, enquanto boa parte do mercado adotou uma narrativa extremamente cataclísmica sobre isso. No caso do Itaú, o crescimento da receita com prestação de serviços foi de 7% no consolidado, com um crescimento expressivo de 17% com cartões de crédito e débito, 12% com a gestão de recursos e 11% com seguros. O destaque negativo vai para os serviços de conta corrente, mas como já mencionamos em comentários passados, é uma estratégia comum adotada pelos bancos atualmente – o Pix mudou completamente a dinâmica de linha de receita nesse aspecto, para fidelizar e manter o cliente em conta, os bancos tem reduzido suas tarifas, o que causou uma queda de 9% comparado ao 1T22, mas estável comparado ao 1T23. Esse número já está estabilizando, mas fica perceptível como no consolidado, não tem grande impacto, visto que somente o resultado de cartões (tanto emissão quanto adquirência) foi mais do que o dobro do que caiu o resultado de serviços de conta corrente. Estratégia de competição para lidar com as mudanças do setor.

Finalizando o Itaú entregou um índice de eficiência melhor do que no trimestre passado, caindo mais um trimestre seguido, de 42% para 39%. Vale lembrar que o índice de eficiência significa o quanto as despesas estão consumindo da receita do banco, ou seja, quanto menor, melhor. O Itaú está em sua mínima histórica, assim como o Banco do Brasil, com ambos brigando para ver quem entrega o menor número trimestre a trimestre.

O lucro líquido do Itaú, por sua vez, foi de R$ 8.4 bilhões, número 15% acima do registrado no mesmo trimestre do ano passado. As surpresas nesse trimestre foram positivas, no caso, com o Itaú atravessando o atual momento econômico muito bem, principalmente sem ter grande impacto na inadimplência, o que mais surpreende. Alguns movimentos do Itaú também comprovam sua qualidade de gestão, vide aquisição de grande parte da Avenue e investimento em seus bancos digitais (Iti, Players Bank entre outros). Não em vão o Itaú negocia com preços um pouco mais caros do que seus concorrente – é o prêmio que você paga pela boa gestão. De forma geral, ótimo resultado no trimestre, e reforçando mais uma vez como é necessário tomar cuidado com narrativas no mercado, que há 6 ou 7 anos, apesar de poucos saberem, muito se falava sobre o fim dos bancões, e cá estamos, com o Itaú entregando resultado recorde mais uma vez, mesmo com uma PDD ainda elevada.

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