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Opinião e análise breve – Ambipar ($AMBP3) – 4T/2022

Crescimento acelerado, expressivo e endividamento cada vez mais perigoso. A Ambipar está entre um dos cases de crescimento mais acelerado do nosso país – não é exagero, os números mostram isso. Desde 2018, seu ritmo de crescimento foi de uma receita de 75% ao ano em sua principal linha. No trimestral, de 23%. É o negócio dos sonhos, mas esse crescimento tem um custo, e o custo está cada vez maior pelo endividamento. Vamos aos números.

Para falar sobre a receita, dividiremos a leitura sob duas óticas, falando do consolidado no final. Lembrando que a Ambipar possui duas verticais de atuação: a Environment, que abrange tratamento de resíduos em cinco operações (gestão e valorização, economia circular, consultoria, descarbonização e logística Hazmat) e o Response, que abrange o atendimento emergencial ecológico em seis operações (emergency, fire, marine, medical, industrial e environmental).

Em sua primeira vertical, o Environment, a companhia reportou uma receita de R$ 639 milhões, representando um crescimento de 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que a linha de gestão total de resíduos foi a principal geradora de receita, mas com a geração de receita pela economia circular sendo a que mais cresceu, representando R$ 161 milhões no 4T22, o que é positivo, dada a recorrência de utilização desse serviço e sustentabilidade da linha de receita para a companhia. O resultado operacional dessa vertical também cresceu forte, de um EBITDA de R$ 115 milhões no 4T21 para R$ 176 milhões no 4T22. A margem também teve expressiva melhora, de 27% no 4T21 para quase 32% no 4T22, com uma melhora de 4,7pp.

Em sua segunda vertical, o Response, a companhia reportou uma receita de R$ 668 milhões, representando um crescimento expressivo de 137% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Aqui vale mencionar que a maior parte do resultado vem do mercado externo, sendo que desses R$ 668 milhões, R$ 465 milhões foram gerados fora do Brasil, o que da a companhia uma vantagem de diversificação cambial semelhante ao da WEG, permitindo a ela surfar melhoras crises. O resultado operacional, por sua vez, também teve expressiva melhora, crescendo de R$ 74 milhões no 4T21 para R$ 173 milhões no 4T22, representando um crescimento de 134%. A margem não acompanhou, tendo uma leve piora, caindo de 28,9% para 27,4% em virtude dos maiores custos e efeitos cambiais, o que é algo comum e não preocupante dado a variação registrada.

No consolidado, isso é, considerando as duas verticais que soma as suas onze operações, a companhia registrou uma receita de R$ 1.3 bilhão, sendo que 47% dessa receita veio do mercado externo. Vale destacar aqui um ponto muito interessante para ilustrar a velocidade do seu crescimento: a receita que ela gerou nos último 3 meses de 2022 equivalem ao dobro do que ela gerou em 2020 inteiro. Esse é o pace de crescimento da Ambipar, sob uma ótica mais clara. Em 2 anos ela multiplicou sua receita em quase 6 vezes. Continuando: entre o 4T21 e o 4T22 o crescimento registrado da receita foi de 67%, um crescimento expressivo com a vantagem da diversificação regional proporcionando o benefício de uma moeda forte.

O EBITDA consolidado foi de R$ 350 milhões no 4T22, representando um aumento de 88% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com uma melhora de margem de 2,1pp, de 27,3% no 4T21 para 29,4% no 4T22, ou seja, houve registro de melhora de eficiência operacional.
No resultado financeiro, chegamos ao filme de terror dos números da companhia. No 4T22 a Ambipar teve um prejuízo financeiro de R$ 180 milhões, contra um prejuízo financeiro de R$ 54 milhões no 4T21, ou seja, uma piora de 231%. Em termos anualizados, para se ter ideia, a Ambipar teve uma despesa financeira de R$ 666 milhões, contra R$ 145 milhões em 2021. Perceba: a companhia está gastando mais de meio bilhão de reais somente para sustentar a sua dívida. Esse é o nível do problema da alavancagem em tempos de juros elevado. Para a Ambipar, por enquanto, essa dívida não é problema e não ameaça a sustentabilidade do negócio, dado seu operacional fortíssimo que está crescendo em ritmo tão acelerado quanto a receita, mas é o principal ponto de atenção na análise trimestral.

Hoje apenas 13% da dívida é de curto prazo, e pelo rating que a companhia possui (AA-) ela não deve ter qualquer problema em rolar a dívida por taxas que valham a pena em termos de custo e retorno de capital.

O lucro líquido da Ambipar, por sua vez, teve uma queda de 57% comparado ao 4T21, atingindo os R$ 23 milhões no 4T22.

Veja, pelo terceiro trimestre consecutivo, o ponto de risco e principal fator na análise do investidor deve ser o endividamento da companhia. É inegável que a Ambipar está tendo resultados espetaculares em termos de alavancagem: todo esse endividamento está de fato gerando um crescimento forte do operacional da companhia – estamos falando de uma companhia que há 2 anos não era nem 20% do que é hoje em questão de receita. A questão é que esse crescimento vem em custo de endividamento e o endividamento machuca muito em tempos de juros elevado.

Não sabemos até quando a SELIC continuará alta como agora. Na nossa opinião, deve cair bem antes do esperado, mas qualquer investidor mais velho de guerra sabe que o juros, ainda mais no Brasil, pode dar um cavalo de pau e surpreender até as leituras mais conservadoras.

No 4T22, estamos falando de uma dívida que custou a Ambipar 51% de todo o seu resultado operacional, veja, de um EBITDA de R$ 350 milhões, R$ 180 milhões foi utilizado para pagar sua dívida. Tirando impostos e demais linhas de custos, sobrou para a empresa somente R$ 23 milhões, que foi o seu lucro líquido. A expectativa caso o juros caia, é que boa parte desse custo com dívida deixa de existir e se torne lucro, mas o investidor inteligente não conta com os ovos da galinhas, mas trabalha principalmente as alternativas caso a galinha não faça o que era esperado.

Uma empresa fantástica, sem sombra de dúvidas, mas em um momento sombrio da economia com um juros explosivo. Se você gosta da companhia, monitore com muito carinho e ceticismo sua alavancagem. Mantras como “caiu comprou” não agregam em nada e empresas são organismos vivos que inclusive cometem erros. Gostamos bastante do resultado operacional que vem crescendo em ritmo acelerado, mas a dívida, mesmo que com boa estrutura e de uma companhia com operacional impecável, deve ser analisada com atenção e sem viés de perfeição. Talvez seja uma das tantas que gere bons resultados quando o juros caírem e sobrar mais dinheiro na linha de lucro.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Como sempre fazemos, uma breve opinião sobre o fechamento de resultado do trimestre, e no caso, falaremos também do ano de 2022 como um todo.

De forma geral, o quatro trimestre de 2022 foi um período extremamente desafiador. A SELIC no atual patamar causou um consumo colossal do resultado operacional da maioria das companhias alavancadas, e além disso, a incerteza sobre o rumo da economia nacional, com a discussão interminável sobre o arcabouço fiscal e a política monetária do país, também pressionaram muito os setores de consumo e os investimentos que as companhias estão realizando.

Como mostramos na tabela, no consolidado de 2022, comparando com 2021, os números foram extremamente negativos no relativo. Na tabela você vê o consolidado dos resultados de todas as empresas da B3, excluindo a Vale, a Petrobras e as empresas do setor financeiro.

O EBIT, isso é, o resultado gerado pelas operações, não teve alteração. O número foi o mesmo de 2021, com uma pressão maior sobre as margens das companhias por conta da inflação.

As despesas financeiras tiveram um aumento de R$ 159 bilhões para R$ 235 bilhões, e aqui, não é demais lembrar que é o principal ponto das empresas atualmente. Com a SELIC no atual patamar, o custo da alavancagem está exorbitante, e são poucas que conseguem contornar isso e continuar entregando resultados sólidos. Como o resultado financeiro mostra (receitas financeiras menos despesas financeiras), houve um aumento de 59% do prejuízo comparando ano contra ano.

O lucro líquido, a linha final que agrada a maioria dos investidores, teve também uma expressiva piora. Enquanto em 2021 houve um lucro líquido consolidado de R$ 192 bilhões, em 2022 esse número foi 18% menor, em R$ 158 bilhões, resultado principalmente do custo das despesas financeiras pela SELIC elevada e da compressão de margens por conta da inflação.

Falando sobre outros dados operacionais fundamentalistas, três pontos que importam. Primeiramente a dívida líquida, com esse crescimento da taxa de juros, pode parecer estranho, mas uma bola de neve se cria, e mais as empresas se endividam por dois motivos: (I) contrair mais dívida para arcar com as dívidas atuais, o que é chamado de “rolagem de dívida” no mundo financeiro, e (II) consumo de caixa para arcar com a dívida atual, o que eleva a dívida líquida no final das contas. O caixa, como já dito, teve uma redução de 2,5%, que talvez seja um dos melhores números aqui, por ter sido uma redução bem pequena e negligenciável, e por último o ROE, que é o retorno sobre o patrimônio, que com todo esse cenário negativo, caiu de 18,2% para 12,8%. Lembrando mais uma vez: esses números são o consolidado de todas as empresas da B3 com exceção da Petrobras, Vale e empresas financeiras (bancos).

Em suma, o ano de 2022 (e principalmente o quarto trimestre) serviram para mostrar para o investidor novo de mercado como a SELIC impacta a bolsa de valores. O resumo é esse.

Apesar de grande parte das companhias entregarem resultados excelentes e bem superiores do que no ano passado, é perceptível como no retratado do consolidado, o problema do juros alto é estrutural, e isso levanta o principal ponto do investidor: saber escolher as empresas certas.

A SELIC invariavelmente vai cair, não é questão de “se”, mas questão de “quando”, e pelo passo do cenário econômico atual (desaceleração forte, queda do IGPM, pressão no cenário de crédito e afins) esse momento está mais próximo do que a maioria aposta, visto que é insustentável uma SELIC tão elevada por tanto tempo por ameaça a uma depressão econômica via desemprego.
Em suma, se a empresa que você investe está conseguindo atravessar esse cenário atual, significa que ela atravessa qualquer outro cenário possível, basicamente. Como bem diz Peter Lynch, empresa sem dívida não quebra. Não estamos dizendo para você não investir em empresas que se alavancam para crescer, mas prestar muita atenção no período de 2022 para compreender como um juros alto pode ser nocivo. O aumento da despesa financeira afeta principalmente as companhias que se alavancam demais, e são poucas as que conseguem gerar retorno suficiente para compensar essa alavancagem, sendo a Ambipar um exemplo prefeito de case que deu certo nesse sentido.

A dica de sempre sobre investimentos de longo prazo e a melhora estratégia de sempre prevalece: invista em boas empresas, não pague exageradamente caro e não faça mais nada. O dinheiro está na espera, e não na compra. A SELIC vai cair, mas enquanto não cai, as empresas que se alavancam demais continuarão ameaçadas, as que possuem boa estruturação financeira continuarão crescendo e ganhando mercado.
A bola da vez é o arcabouço fiscal.

Apresentado após tanta expectativa e meses de espera, na semana passada, apesar de ainda não detalhado, virou o tema econômico do momento, tratando-se de um dos assuntos mais importantes envolvendo as incertezas dos agentes econômicos. E a apresentação dividiu opiniões.

Apesar de extremamente otimista e de fato rodar um crivo fiscal saudável para o país, o maior problema identificado no plano, simplificando, foi o fato de que ele gira basicamente em torno de maior arrecadação, e em momento algum se fala sobre corte de gastos. Em outras palavras, o novo arcabouço pode ser o remédio para o problema fiscal do país caso as projeções (ainda que otimistas demais, opinião nossa) se realizem, mas com o preço que o brasileiro já está acostumado a pagar, como sempre: aumento de impostos.

Para atingir os R$ 150 bilhões necessários referente ao novo arcabouço, a caça do atual governo já foi iniciada buscando novas fontes de tributação. Não em vão você está vendo tanto se falar sobre a tributação de casas de apostar, a tributação do e-commerce chinês (Shoppe e Shein, por exemplo), a tributação de fundos exclusivos no mercado financeiro, entre outras tantas ideias para continuar alimentando a máquina pública as custas do suor da população. E na primeira segunda-feira do mês de abril, mais uma bomba.

Começou a circular no meio financeiro alguns boatos de que visando o aumento de arrecadação, o governo planejava dar um fim aos incentivos fiscais envolvendo o ICMS. Não entraremos em detalhes aqui para não tornar o texto muito pesado e técnico, mas há algumas leis envolvendo incentivos fiscais para o desenvolvimento de diversos segmentos, alguns nomes como incentivos da SUdene, Zona Franca de Manaus, Lei do Bem e afins. São todos considerados subvenções para investimentos, que não entram no cálculo do IRPJ e do CSLL, e aí está o boato que começou a circular no mercado ontem: o fim desses incentivos.

Com a divulgação de um estudo fechado da JPMorgan, bastou para causar maior pânico no mercado. Não em vão, ontem, você viu não só as ações das Lojas Renner caindo, mas de todo o varejo nacional, porque o fim desses incentivos impactam diretamente todas as empresas varejistas do país (e não só elas, vale pontuar).

Como consta no próprio relatório divulgado pela JPM, as empresas mais impactadas por esse tipo de alteração seria o Grupo Soma, com 50% de impacto sobre o lucro, seguido da VIvara, com 44% de impacto sobre o lucro, e então a Arezzo, com 27% de impacto sobre o lucro. A Alpagartas e as Lojas Renner, no caso, teria um impacto próximo de 20% do lucro.

Ou seja, se a queda das ações das Lojas Renner te preocuparam ontem, a inteção desse texto é justamente explicar o que está havendo. Não é uma queda isolada da companhia, mas sim um fator acometendo todo o setor (ou talvez, todo o país).

Esse é o maior problema que citamos sobre o arcabouço fiscal há alguns dias: não se fala sobre corte de gastos, mas apenas sobre aumento de arrecadação, e para ter um aumento de arrecadação, haverá aumento de impostos.

Apesar da queda, vale ressaltar um principal ponto: esse tipo de plano que o governo tem, não é simples de passar. O fim desses incentivos significam um problema econômico gigante em algumas regiões. Esses são vitais para o desenvolvimento econômico de algumas áreas, como é o próprio caso da Sudene no Nordeste e os benefícios da Zona Franca de Manaus, criando milhares de empregos e renda nas regiões respectivas. Esse tipo de medida dificilmente passa no congresso porque é necessário um capital político gigante para passar em votação e mexe diretamente com a base de emprego de um setor importante para o pais (varejo), ou seja, é basicamente a utilização de capital político para machucar a base que elegeu os próprios.

Na duvida, obviamente, os gigantes vendem, e é daí que vem a queda: primeiro circula o boato, depois vem o relatório e então a venda por precaução, visto que os fundos de investimento funcionam dessa forma, girando patrimônio na base de expectativas.
Achamos importante o desenvolvimento desse texto pois em tempos de turbulência, não faltam os "arautos da verdade" brandando pelos quatro cantos da internet arranjando falsas premissas para as quedas. A narrativa de sempre sobre Shein, concorrência ou sejá lá o que for que vem sendo repetido num loop cansativo assim como houve há alguns anos no setor bancário, quando muito se falava da destruição dos grandes bancos pelas fintechs.

Estamos menosprezando o risco concorrencial do setor? Não, de forma alguma, como já bem pontuamos na opinião que demos ao analisar o resultado da Rennner do 4T22. O ponto é somente o nível de desinformação atingindo ao conversar sobre investimentos nas redes. E esse tipo de desinformação não ocorre somente de pessoas leigas, mas diversos gigantes de analistas de mercados que não buscam o mínimo para informar o próprio público, criando falas narrativas terroristas para engajar.

A queda expressiva do setor atualmente está resumida basicamente nessa expectativa, e ontem foi o estouro da bomba sob um relatório da JPM. E não é nem preciso dizer que há grandes chances de alguns "privilegiados" do mercado que souberam desse tipo de informação antes de todos, afinal, isso não é raro.

Resumindo: boatos sobre o fim dos incentivos fiscais e aumento de tributação que podem causar forte impacto no lucro das empresas varejistas. Ignore-os e foque nos fundamentos. Paute suas decisões somente no que realmente já foi realizado, e não no que dizem que vai acontecer. Achamos importante um texto desse com a quantidade gigante de mensagens que recebemos de investidores perguntando se é momento de vender x ou y ação com base em cotação.

Lembre-se que no longo prazo, o maior desafio para a prosperidade é o seu próprio psicológico - é você destruindo sua própria carteira com base das suas decisões tomadas de forma emocional.


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Apenas um breve dado curioso sobre bolsa americana: historicamente, sempre que o retorno do primeiro trimestre do ano foi positivo, o consolidado do ano também foi.

Ou seja, seguindo os dados, se a S&P500 não fechar 2023 em terreno positivo, será uma quebra de um padrão histórico.

Lembrando que a história nunca se repete, mas vale o conhecimento.

Fonte: Carson Research, Rodrigo Costa
Dividend yield do IFIX hoje no maior patamar já registrado na história.

Desde o meio de março, quando o juros longo começou a cair, os fundos imobiliários ainda não acompanharam, e seguem com o preço parado.

Esse comparativo é um dos mais fortes em relação a oportunidade no mercado, geralmente quando abre esse gap tão grande comparando ao rendimento do título público IPCA, significa que os fundos estão descontados.
Sinal de mudança no varejo vestuário nacional.

Divulgado ontem o dado do PMC (pesquisa mensal do comércio) de janeiro, o número no segmento de vestuário veio altíssimo, como mostra a imagem acima, em 27,9%.

Esse número é um dos fatores que tem levado a uma forte recuperação do preço das ações das varejistas de vestuário do país, que em meio a toda essa discussão tributária sobre Shein e afins, está já passando há um bom tempo por boatos de perda de mercado, embora nenhum número nunca tenha apontado isso.

Outro fato relevante é que os dados de importação do país desde janeiro têm desabado, apresentando também queda de compras no exterior.

Ou seja, pelo que parece, embora não tenha ocorrido nenhuma taxação ainda formalizada sobre o e-commerce e as companhias chinesas que vendem em território nacional, já há algum movimento ocorrendo de fato por baixo dos panos.

Em resumo: no mês de janeiro o vestuário nacional explodiu em consumo enquanto as importações caíram. Não em vão você está vendo as varejistas de roupas recuperando seus preços.
Você é a favor da taxação de compras da Shein, Shopee entre outros e-commerces chineses?
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Mercado de FIIs segue fortemente descontado em literalmente todos os segmentos, com alguns ativos chegando a negociar com mais de 30% de desconto sobre o patrimônio do fundo.

Algo que nunca aconteceu no mercado antes.
Comentário de resultado – WEG ($WEGE3) – 1T/23

Parece forçação de barra, mas não é. Quem acompanha a WEG há um pouco mais de tempo, sabe que desde 2019 a companhia entrou em um ritmo de entrega de bons resultados que é percebido poucas vezes no mercado. Literalmente todos os seus números operacionais, mesmo com a turbulência da pressão inflacionária da pandemia, tem melhorado. E até o momento, isso não parou. No primeiro trimestre, de 2023, já abrindo o ano, mais uma vez seus números são fortes e reforçam a máxima: que qualidade no mercado tem preço, ou seja, dificilmente veremos as ações da WEG por preços descontados como apontam os modelos de valuation mais conservadores em algum momento.

Ainda com todos esses números bons, algo que citamos já no resultado passado está começando a aparecer: evidência de desaceleração por conta do cenário global. Falaremos mais ao longo do texto, e esse é o ponto de atenção de todos os números.

A receita da companhia teve forte alta face ao 1T22, com um crescimento 12,7% atingindo os R$ 7.7 bilhões (máxima histórica para um primeiro trimestre novamente), mas teve uma leve queda em relação ao 4T22 (-2,5%) e isso reforça o que comentamos sobre a desaceleração da economia global.

A WEG vende bens de capital, e se há menor investimento na indústria por conta de desaceleração econômica global, significa que ela venderá menos, o que implica em menor receita. Desde o 3T22 sua receita está crescendo num ritmo mais devagar, como ocorreu entre o 3T22 e o 4T22, com um número praticamente estável de receita, e agora uma queda entre o 1T23 e o 4T22. Isso não é ruim, na nossa visão, e é apenas um movimento macro – em algum momento o resultado da WEG desaceleraria, e há evidência disso já estar ocorrendo.

Sobre a origem de sua receita, a WEG segue protegendo muito bem o investidor com 52% vindo de fora do país, o que significa proteção cambial. Outro ponto que impactou a receita que também comentamos já diversas vezes em leituras passadas sobre a WEG, é o câmbio. No 1T23 o dólar médio caiu de R$ 5,23 para R$ 5,20. Nos períodos passados a WEG foi privilegiada com a disparada do câmbio por ser uma exportadora. Uma apreciação da nossa moeda significa menor receita para a companhia.
Sua receita por área de negócio teve algumas surpresas. No segmento de EEI (que representa 49% da receita total da companhia) houve crescimento de 20% no mercado interno e 16% no mercado externo, com a companhia se beneficiando dos ciclos das commodities indiretamente, visto que as empresas dessa área estão investindo forte em bens de capital – aqui é outra lição interessante sobre a empresa, que consegue se beneficiar em todo tipo de ciclo.

No segmento de GTD houve contração de 3% na receita do mercado interno em virtude de menor investimento em energia solar (que há correlação pela queda de custo de energia, forçando menor busca por investimento na área), mas em compensação, houve crescimento expressivo de 35% no mercado externo com esse boom de investimento em energia renovável, sendo os EUA, México, Índia e Zona do Euro os principais consumidores do período. Outro ponto interessante que pouco investidor percebe: a WEG é uma das companhias mais bem preparadas para a transição energética por ser fornecedora de bens de capital da área.

Sobre as outras linhas de receita (MCA e T&V) não abordaremos aqui para alongar e por representarem menor percentual da receita, mas os números também foram positivos.

Na linha de custo dos produtos vendidos, a cereja do bolo. O que demonstra claramente como a WEG é uma poderosa empresa de proteção inflacionária no longo prazo. Enquanto a receita da companhia cresceu 13%, seu CPV cresceu apenas 4%. Isso fez com que a empresa elevasse mais uma vez sua margem bruta. No 1T22 sua margem bruta era de 27,8%, enquanto no 4T22 foi de 30,3% e no 1T23 foi de 33 ,1%. A companhia está tendo forte sucesso no repasse de inflação para todos os seus consumidores e a queda do preço do cobre entre outras commodities estão ajudando muito nisso.
Por sua vez, o EBITDA também teve forte aumento, de R$ 1.2 bilhão no 1T22 para R$ 1.7 bilhão no 1T23, também subindo consistentemente todo trimestre. A margem subiu de 18,1% para 21,9%.

Todos esses fatores levaram a WEG a entregar um lucro de R$ 1.3 bilhão, resultado 38,4% maior do que no 1T22, com uma margem de lucro 3,2pp maior (17,0%) e um ROIC 1,7% maior (31,4%).

Como pontuado inicialmente, o fator de atenção da WEG atualmente é a desaceleração econômica.

A verdade é que o investidor da WEG ficou mal acostumado nos últimos anos. Nós que investimos há anos e temos posição bem antes de 2019, percebemos que houve uma virada de chave que fez o crescimento dela disparar. A virada de chave foi simples: expansão da economia global com internacionalização mais expressiva de suas operações e explosão do câmbio. O dólar disparar ajuda muito o resultado da WEG, visto que 52% da sua receita vem de exportação.

O que o investidor deve se atentar é que uma desaceleração global vai impactar diretamente a companhia, assim como uma valorização do real. Pro próximo trimestre mesmo, com essa queda do dólar, já ocorrerá efeito em sua receita. Em algum momento esse crescimento desaceleraria, e é o que está ocorrendo agora. A questão é que a empresa tem uma operação tão saudável, que mesmo com a desaceleração do crescimento da receita, as margens estão crescendo em nível mais rápido e o lucro está disparando.

Não é em vão que as ações da WEG são caras. É como sempre falamos: qualidade tem preço. A WEG mais uma vez se consolida como uma das melhores empresas do país, e o investidor que esperar comprar as ações por um preço sobre lucro baixo, tem altíssima probabilidade de nunca começar a montar posição na companhia.

Mais um trimestre de recuperação de margens, aumento de lucro e expansão de seus negócios.

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Outro trimestre de expansão e números fortes, não surpreendendo, mas em linha com os bons fundamentos do negócio e o plano que a RaiaDrogasil vem honrando há anos.

No 1T23 a RaiaDrogasil abriu mais 49 farmácias, somando 216 aberturas nos últimos 12 meses e atingindo o marco de 2.746 unidades, atendendo 549 municípios (+48 comparado ao mesmo trimestre do ano passado), resultando em expansão do market share em absolutamente todas as regiões do país (+1,7pp em SP, +0,7pp no Sudeste, +2,0pp no Centro Oeste, +0,8pp no Sul, + 1,1pp no Nordeste e +2,0pp no Norte, com um consolidado de +1,3pp no Brasil, atingindo 15,3% de domínio sobre o cenário nacional). Ou seja, a companhia segue expandindo em território nacional, atualmente com o seu recorde de participação de mercado no país e um crescimento de +0,2pp comparado ao 4T22.

Sobre a digitalização, mais números positivos: a RaiaDrogasil atingiu 13,7% de penetração digital, ou seja, 13,7% da sua receita no 1T23 foi via canais digitais, representando um crescimento de 63% comparado ao 1T22, quando a penetração digital foi de 10%. Esse número acaba passando batido na análise de grande parte dos investidores, mas ele importa – a tendência da maioria dos negócios é a digitalização. Hoje a RaiaDrogasil não só entrega seus próprios remédios pelo seu canal de e-commerce, que é disparadamente o maior do país representando quase 50% do mercado digital, mas também oferece um marketplace para marcas concorrentes, lucrando com a venda de seus rivais. Além obviamente, de outros fatores que são óbvios, como o fato de que um negócio digital costuma ter melhores margens, agradar maior parte dos clientes entre outros fatores de eficiência.

Em virtude da expansão de lojas, do aumento de vendas e do aumento de preço dos medicamentos, a RaiaDrogasil entregou uma receita 21,6% maior que no 1T22, atingindo os R$ 8.5 bilhões, enquanto a margem bruta teve uma retração de 0,3pp (de 27,7% para 27,4%) em virtude da mudança de mix de produtos. Ainda assim, houve melhora do operacional pelo controle de despesas, com um EBITDA de R$ 563 milhões (crescimento de 45% comparado ao 1T22) e um crescimento de margem de 1,0pp, de 5,6% para 6,6%. O lucro líquido da RaiaDrogasil, por sua vez, cresceu 40% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$ 145 milhões para R$ 204 milhões, com uma melhora de margem de 0,3pp (de 2,1% para 2,4%).

Mais um resultado forte. É importante pontuar que o primeiro trimestre costuma ser mais fraco que os demais trimestres por conta da dinâmica de reajuste de preço dos remédios. A RaiaDrogasil tem todo seu manejo de estoque e não pode aumentar o preço dos medicamentos de forma livre – esse aumento é regulado pela CMED e ocorre uma vez ao ano, em abril, o que acaba causando essa sazonalidade dos resultados. Ainda assim, com a sazonalidade, continuamos vendo avanços nos números e a RaiaDrogasil continua honrando seu plano de crescimento de forma sólida, se consolidando como a maior varejista farmacêutica do país já com mais de 15% do mercado nacional, o que mostra que mesmo que ela seja tão gigante com uma receita de mais de R$ 30 bilhões por ano, ainda há muito espaço para ela crescer.

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