Um pouco sobre a nossa visão de como há chances consideráveis de corte de juros na economia tanto brasileira quanto americana antes do esperado.
Grande parte dos investidores tem acreditado que por conta da alta inflação nos EUA, é esperado que o FED siga com sua política de aumento de juros, seguido em linha com o obvio, afinal, se inflação sobre, é necessário o aumento de juros para controla-la.
A questão é: em uma breve análise histórica sobre todos os momentos em que o país desafiou um cenário semelhante ao atual, o ocorrido foi diferente. Face a um corte de juros em meio a uma expectativa (ou realização) de crise, a inflação seguiu forte curso de queda independente de taxa de juros do país. Foi assim em 2000, foi assim em 2008, foi assim em 2020 e talvez seja assim, novamente, agora.
Na imagem, a linha azul representa a taxa de juros dos EUA, a linha vermelha representa a inflação americana e as setas laranjas os momentos de início de crise.
Apenas um ponto de vista para sair um pouco do obvio sobre aumento de taxas e como isso pode afetar completamente as expectativas do mercado no curto prazo, causando forte mudança da direção dos preços dos ativos.
Não espera 100% que o juros seguirá em curso de alta com uma crise batendo na porta – se algo mudar, não será a primeira vez que o FED dará um cavalo de pau mudando completamente a direção da taxa.
Grande parte dos investidores tem acreditado que por conta da alta inflação nos EUA, é esperado que o FED siga com sua política de aumento de juros, seguido em linha com o obvio, afinal, se inflação sobre, é necessário o aumento de juros para controla-la.
A questão é: em uma breve análise histórica sobre todos os momentos em que o país desafiou um cenário semelhante ao atual, o ocorrido foi diferente. Face a um corte de juros em meio a uma expectativa (ou realização) de crise, a inflação seguiu forte curso de queda independente de taxa de juros do país. Foi assim em 2000, foi assim em 2008, foi assim em 2020 e talvez seja assim, novamente, agora.
Na imagem, a linha azul representa a taxa de juros dos EUA, a linha vermelha representa a inflação americana e as setas laranjas os momentos de início de crise.
Apenas um ponto de vista para sair um pouco do obvio sobre aumento de taxas e como isso pode afetar completamente as expectativas do mercado no curto prazo, causando forte mudança da direção dos preços dos ativos.
Não espera 100% que o juros seguirá em curso de alta com uma crise batendo na porta – se algo mudar, não será a primeira vez que o FED dará um cavalo de pau mudando completamente a direção da taxa.
Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 4T/2022
Um trimestre de resultados mistos com margens extremamente pressionadas. As recentes aquisições da Fleury estão machucando bastante as margens da companhia, mas pelo lado positivo, há evolução em diversos pontos e a alavancagem segue completamente controlada. Lembrando que o quarto trimestre costuma ser o pior da companhia por questão de sazonalidade, sendo um período de datas festivas reduzindo o fluxo de exames, com o agravante da copa do mundo no período. Vamos aos números.
No 4T22 a receita da Fleury atingiu os R$ 1.2 bilhão, representando um crescimento de 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Desses 9,4% de crescimento, considerando apenas o crescimento orgânico, seria de 2,1%. Vale destacar também que os exames de Covid representaram apenas 1,2% da receita total da Fleury, uma mínima histórica, sendo que em trimestres passados chegou a representar mais de 10%. A linha de Novos Elos, estratégia de expansão e diversificação da Fleury, também vale menção, crescendo 90% comparando o 4T21 ao 4T22 em virtude das aquisições realizadas no período. O crescimento em 2022 foi de 102% e representou quase 10% da receita da companhia.
Sob a ótica isolada de crescimento, nas unidades de atendimento houve crescimento de todas as marcas, sendo o destaque as marcas regionais, com crescimento de 17%, seguido das marcas do RJ, com crescimento de 14,5%, seguido da marca a+ de SP, com 13,4%, e então a marca Fleury, com 5%. O consolidado teve um crescimento de 10%, sendo que orgânico foi de 6%.
No operacional, a maioria dos indicadores representaram melhora: houve crescimento de 8,4% no volume de atendimentos atingindo os 2 milhões, um crescimento de 10% de exames por atendimento atingindo a quantidade de 10 exames/atendimento e um crescimento de 19% de exames totais atingindo os 20 milhões. A receita bruta por exame, por sua vez, é o destaque negativo, com uma queda de 7,7% de R$ 50,5 para R$ 46,6, explicado por dois fatores principais: (I) as aquisições que possuem ticket médio mais baixo e (II) menor volume de exames de Covid que possuem ticket mais alto.
Na linha de custos, o principal problema do trimestre e o ponto que o investidor deve monitorar. A margem de lucro bruto da companhia teve uma contração fortíssima de 4,58pp, explicado por diversos fatores, sendo dois principais. (I) Pessoal: as aquisições aumentaram o gasto com funcionários exigindo novas contratações entre outros gastos devido a adequação e sinergia das companhias, além de reajustes salariais, com a linha representando 36,7% da receita líquida (contra 35,1% no 4T21) e (II) Material direto e exames: passou a consumir 18% da receita líquida contra 15% no 4T21. Segundo a própria Fleury, essa piora ocorreu principalmente por conta da mudança de mix pela incorporação de novas aquisições, em especial a aquisição da Saha, que utiliza medicações de custo elevado.
Na linha de endividamento, há outra dor atual da companhia, mas completamente controlada: no 4T22 a companhia teve um prejuízo financeiro de R$ 80 milhões, contra um prejuízo financeiro de R$ 55 milhões no 4T21, ou seja, somente pelo gasto com a dívida, a Fleury perdeu um potencial de R$ 25 milhões que poderia ir para a linha de lucro. Isso é resultado da SELIC elevadíssima do momento, aumentando o custo da dívida e algo inevitável. Sob a ótica do endividamento, sua alavancagem está bem segura e em algo próximo de 1,2x o EBITDA com a companhia tendo realizado uma emissão de debêntures no final do ano para reforçar o caixa e com taxas bem baixas, mas aqui vale um adendo de um possível gatilho de valorização da companhia: num momento de inflexão da SELIC, é mais lucro final.
Enfim, todos esses fatores levaram a Fleury a atingir um lucro líquido de R$ 31 milhões, com uma queda de 56 comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com um esmagamento da margem de 4,0pp, dos 7% para os 3%.
Um trimestre de resultados mistos com margens extremamente pressionadas. As recentes aquisições da Fleury estão machucando bastante as margens da companhia, mas pelo lado positivo, há evolução em diversos pontos e a alavancagem segue completamente controlada. Lembrando que o quarto trimestre costuma ser o pior da companhia por questão de sazonalidade, sendo um período de datas festivas reduzindo o fluxo de exames, com o agravante da copa do mundo no período. Vamos aos números.
No 4T22 a receita da Fleury atingiu os R$ 1.2 bilhão, representando um crescimento de 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Desses 9,4% de crescimento, considerando apenas o crescimento orgânico, seria de 2,1%. Vale destacar também que os exames de Covid representaram apenas 1,2% da receita total da Fleury, uma mínima histórica, sendo que em trimestres passados chegou a representar mais de 10%. A linha de Novos Elos, estratégia de expansão e diversificação da Fleury, também vale menção, crescendo 90% comparando o 4T21 ao 4T22 em virtude das aquisições realizadas no período. O crescimento em 2022 foi de 102% e representou quase 10% da receita da companhia.
Sob a ótica isolada de crescimento, nas unidades de atendimento houve crescimento de todas as marcas, sendo o destaque as marcas regionais, com crescimento de 17%, seguido das marcas do RJ, com crescimento de 14,5%, seguido da marca a+ de SP, com 13,4%, e então a marca Fleury, com 5%. O consolidado teve um crescimento de 10%, sendo que orgânico foi de 6%.
No operacional, a maioria dos indicadores representaram melhora: houve crescimento de 8,4% no volume de atendimentos atingindo os 2 milhões, um crescimento de 10% de exames por atendimento atingindo a quantidade de 10 exames/atendimento e um crescimento de 19% de exames totais atingindo os 20 milhões. A receita bruta por exame, por sua vez, é o destaque negativo, com uma queda de 7,7% de R$ 50,5 para R$ 46,6, explicado por dois fatores principais: (I) as aquisições que possuem ticket médio mais baixo e (II) menor volume de exames de Covid que possuem ticket mais alto.
Na linha de custos, o principal problema do trimestre e o ponto que o investidor deve monitorar. A margem de lucro bruto da companhia teve uma contração fortíssima de 4,58pp, explicado por diversos fatores, sendo dois principais. (I) Pessoal: as aquisições aumentaram o gasto com funcionários exigindo novas contratações entre outros gastos devido a adequação e sinergia das companhias, além de reajustes salariais, com a linha representando 36,7% da receita líquida (contra 35,1% no 4T21) e (II) Material direto e exames: passou a consumir 18% da receita líquida contra 15% no 4T21. Segundo a própria Fleury, essa piora ocorreu principalmente por conta da mudança de mix pela incorporação de novas aquisições, em especial a aquisição da Saha, que utiliza medicações de custo elevado.
Na linha de endividamento, há outra dor atual da companhia, mas completamente controlada: no 4T22 a companhia teve um prejuízo financeiro de R$ 80 milhões, contra um prejuízo financeiro de R$ 55 milhões no 4T21, ou seja, somente pelo gasto com a dívida, a Fleury perdeu um potencial de R$ 25 milhões que poderia ir para a linha de lucro. Isso é resultado da SELIC elevadíssima do momento, aumentando o custo da dívida e algo inevitável. Sob a ótica do endividamento, sua alavancagem está bem segura e em algo próximo de 1,2x o EBITDA com a companhia tendo realizado uma emissão de debêntures no final do ano para reforçar o caixa e com taxas bem baixas, mas aqui vale um adendo de um possível gatilho de valorização da companhia: num momento de inflexão da SELIC, é mais lucro final.
Enfim, todos esses fatores levaram a Fleury a atingir um lucro líquido de R$ 31 milhões, com uma queda de 56 comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com um esmagamento da margem de 4,0pp, dos 7% para os 3%.
Não há a necessidade do eufemismo aqui: o resultado não foi bom. Tiveram algumas linhas positivas no trimestre, como o crescimento orgânico e a receita maior com sinergia de suas aquisições, mas a pressão nas margens foi terrível. A alavancagem da companhia está sob completo controle e ela tem se mostrado bem sólida mesmo no olho do furacão com uma dívida alta e uma SELIC de quase 14%, ainda gerando caixa e com um operacional saudável, mas a pressão sob as margens pelas suas aquisições (em especial a Saha, como citado) machucou muito. Não gostamos muito desse ponto e será o principal ponto que iremos monitorar para os próximos trimestres. Vale ressaltar novamente que o quarto trimestre é sempre o mais fraco da companhia, mas ainda assim, foco nas margens. Acreditamos que a companhia tente contornar isso de alguma forma visto que a reação do mercado e dos principais acionistas será bem negativa, mas vale como ponto de atenção.
Os fundamentos seguem sólidos, mas as margens devem ser o foco nos próximos trimestres.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
Os fundamentos seguem sólidos, mas as margens devem ser o foco nos próximos trimestres.
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Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 4T/2022
Produtores se beneficiando e processadores sofrendo. Em meio a toda a turbulência sobre o preço das commodities, o resultado da M. Dias Branco segue extremamente imprevisível e errático, com a companhia tentando sobreviver a um cenário de volatilidade altíssima do preço de insumos que depende para produzir seus produtos. Nesse trimestre, houve dois problemas em específico que agravaram ainda mais o resultado da companhia. Vamos aos números.
No 4T22 a M. Dias Branco entregou uma receita líquida de R$ 2.7 bilhões, representando um crescimento de 28,5% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento veio sobre todas as suas verticais de produtos, sendo +20,3% em Biscoitos (representando R$ 1.3 bilhão), +19,6% em massas (representando R$ 0.5 bilhão), +48,7% em farinha e farelo (representando R$ 0.5 bilhão) e +17,7% em margarinas e gorduras (representando R$ 0.2 bilhão). Apesar desse forte desempenho da receita, vale destacar que a melhora foi em virtude somente do aumento de preço dos seus produtos, ou seja, repasse da inflação. O volume de vendas seguiu praticamente a mesma coisa, com um leve crescimento de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, em 441 mil toneladas, sendo que o preço médio de venda dos seus produtos por R$/kg foi o fator que salvou, com um crescimento de 28,7%.
Em relação ao market share da companhia, uma das “jóias da coroa”, houve ganho forte de participação comparando o 4T21 ao 4T22 na linha de farinha, principalmente, saindo de 6,6% para quase 11%, enquanto na linha de massas houve crescimento de 30% para 31,1% e no de biscoitos de 32,5% para 32,8%, praticamente na estabilidade. Vale ressaltar que a dinâmica de participação de mercado em momentos como o de agora tende a ter maior volatilidade, ou seja, pode ter maior movimento quanto para cima quanto para baixo. O atual momento demanda uma dinâmica de repasse de preço das companhias sobre os seus produtos. Algumas optam por não repassar no curto prazo, outras repassam de uma vez... no final das contas, em algum momento, todas vão ter que repassar para seguirem com um operacional saudável. Essa janela de diferença de decisão entre as companhias causa essa distorção na participação.
A linha de custos é o principal vilão da M. Dias Branco atualmente. Na verdade, desde o começo de 2020, mas em 2022, com a guerra da Ucrânia, se tornou de fato um problema significativo e bem pior do que qualquer pessoa do mercado esperava. No 4T22 o trigo passou a representar 38% da receita líquida (contra 34,8% no 4T21) e o óleo passou a representar 12,4% da receita líquida (contra 12,2% no 4T21). Por incrível que pareça, outras linhas de custos deram uma boa melhorada em termos relativos, mas seguem também crescendo em termos absolutos, mostrando que ainda há uma ponta inflacionária causando ferimentos no balanço da companhia. Em termos totais, no 4T22 80,5% da receita líquida foi utilizada somente como CPV, contra 79,6% no 4T21. No 3T22, trimestre que teve uma melhora significativa, esse número foi de 77%, ou seja, a companhia perdeu 3,0pp de margem só pela linha de aumento de custos de insumo. E vale outro ponto a ser citado aqui. No resultado da M. Dias Branco, a empresa dispõe do gráfico de preço médio de aquisição de estoque dos insumos contra o preço de mercado.
Produtores se beneficiando e processadores sofrendo. Em meio a toda a turbulência sobre o preço das commodities, o resultado da M. Dias Branco segue extremamente imprevisível e errático, com a companhia tentando sobreviver a um cenário de volatilidade altíssima do preço de insumos que depende para produzir seus produtos. Nesse trimestre, houve dois problemas em específico que agravaram ainda mais o resultado da companhia. Vamos aos números.
No 4T22 a M. Dias Branco entregou uma receita líquida de R$ 2.7 bilhões, representando um crescimento de 28,5% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento veio sobre todas as suas verticais de produtos, sendo +20,3% em Biscoitos (representando R$ 1.3 bilhão), +19,6% em massas (representando R$ 0.5 bilhão), +48,7% em farinha e farelo (representando R$ 0.5 bilhão) e +17,7% em margarinas e gorduras (representando R$ 0.2 bilhão). Apesar desse forte desempenho da receita, vale destacar que a melhora foi em virtude somente do aumento de preço dos seus produtos, ou seja, repasse da inflação. O volume de vendas seguiu praticamente a mesma coisa, com um leve crescimento de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, em 441 mil toneladas, sendo que o preço médio de venda dos seus produtos por R$/kg foi o fator que salvou, com um crescimento de 28,7%.
Em relação ao market share da companhia, uma das “jóias da coroa”, houve ganho forte de participação comparando o 4T21 ao 4T22 na linha de farinha, principalmente, saindo de 6,6% para quase 11%, enquanto na linha de massas houve crescimento de 30% para 31,1% e no de biscoitos de 32,5% para 32,8%, praticamente na estabilidade. Vale ressaltar que a dinâmica de participação de mercado em momentos como o de agora tende a ter maior volatilidade, ou seja, pode ter maior movimento quanto para cima quanto para baixo. O atual momento demanda uma dinâmica de repasse de preço das companhias sobre os seus produtos. Algumas optam por não repassar no curto prazo, outras repassam de uma vez... no final das contas, em algum momento, todas vão ter que repassar para seguirem com um operacional saudável. Essa janela de diferença de decisão entre as companhias causa essa distorção na participação.
A linha de custos é o principal vilão da M. Dias Branco atualmente. Na verdade, desde o começo de 2020, mas em 2022, com a guerra da Ucrânia, se tornou de fato um problema significativo e bem pior do que qualquer pessoa do mercado esperava. No 4T22 o trigo passou a representar 38% da receita líquida (contra 34,8% no 4T21) e o óleo passou a representar 12,4% da receita líquida (contra 12,2% no 4T21). Por incrível que pareça, outras linhas de custos deram uma boa melhorada em termos relativos, mas seguem também crescendo em termos absolutos, mostrando que ainda há uma ponta inflacionária causando ferimentos no balanço da companhia. Em termos totais, no 4T22 80,5% da receita líquida foi utilizada somente como CPV, contra 79,6% no 4T21. No 3T22, trimestre que teve uma melhora significativa, esse número foi de 77%, ou seja, a companhia perdeu 3,0pp de margem só pela linha de aumento de custos de insumo. E vale outro ponto a ser citado aqui. No resultado da M. Dias Branco, a empresa dispõe do gráfico de preço médio de aquisição de estoque dos insumos contra o preço de mercado.
Se você prestou boa atenção, percebeu que durante alguns meses, a companhia teve um custo bem maior que o preço médio de mercado – e esse é um dos principais problemas do trimestre. Veja: em maio de 2022 a tonelada do óleo de palma estava em US$ 1.707, dois meses depois, em julho, a tonelada do óleo de palma caiu para US$ 1.181. Pense na dor de cabeça da gestão de estoque de um produto com uma volatilidade tão alta em um cenário tão incerto: não é simples falar sobre hedge ou previsibilidade de preço aqui. A companhia foi punida tendo que adquirir estoque em um momento delicado e esse foi um dos principais fatores machucando suas margens. Vale lembrar que a guerra da Ucrânia afetou completamente o mercado de trigo e óleo de palma pois são dois produtos que tanto a Rússia quanto a Ucrânia possuem relevância na produção global, não em vão o preço dos produtos dispararam.
Na linha de resultados financeiro, um ponto que não gostamos, que na nossa opinião, foi um dos erros da companhia em questão de gestão de caixa. A companhia pagou uma quantidade exorbitante de JCP no ano passado e teve uma redução expressiva de R$ 1 bilhão do seu caixa, piorando o quadro financeiro da companhia, que teve um prejuízo líquido de R$ 102 milhões em virtude de menores receitas financeiras no período (lembrando que apesar do resultado financeiro ter sido mais alto no 4T21, o CDI estava mais baixo – hoje é bem provável que a companhia saísse quase no zero a zero se ainda tivesse o caixa que tinha antes).
Todos esses fatores levaram a M. Dias Branco a ter um lucro líquido de R$ 15.5 milhões, representando uma queda de 90% contra o mesmo trimestre do ano passado.
O resultado não foi bom, foi bem ruim, de fato, mas é necessário pontuar os dois principais motivos. (I) margens: aqui não há muito o que fazer, a companhia está em meio ao fogo cruzado da volatilidade de um mercado que caminha pelo tom de uma guerra na Europa. Não, não é exagero – procure sobre o mercado de trigo e verá o peso que a guerra tem sobre ele. Essa dinâmica de gestão de estoque com uma volatilidade cavalar sobre o preço dos insumos vai continuar causando compressão das margens se não houver melhora. Pros próximos trimestres, caso os preços mantenham-se tranquilos, a companhia seguirá repassando preços, e é esperado uma melhora de margem. Ela já havia feito isso no 3T22, mas novamente houve um choque e novamente houve problema. É praticamente um jogo de gato e rato. (II) resultado financeiro: aqui avaliamos que tenha sido apenas uma decisão ruim da companhia. É necessário também compreender o que cabe ou não a companhia controlar, sendo que o seu caixa definitivamente é ela que o faz. Houve uma redução de R$ 1 bilhão em caixa entre 2021 e 2022 em um período onde a SELIC saiu de 2% para 13,7%. No 4T22 o resultado financeiro consumiu R$ 102 do lucro. Percebe o tamanho do problema? Como citamos mais acima, é bem provável que com um caixa ainda forte, a companhia sairia próximo do zero a zero, deixando seu dinheiro render o CDI e arcando com as dívidas do período sem necessidade de consumo do operacional.
Na linha de resultados financeiro, um ponto que não gostamos, que na nossa opinião, foi um dos erros da companhia em questão de gestão de caixa. A companhia pagou uma quantidade exorbitante de JCP no ano passado e teve uma redução expressiva de R$ 1 bilhão do seu caixa, piorando o quadro financeiro da companhia, que teve um prejuízo líquido de R$ 102 milhões em virtude de menores receitas financeiras no período (lembrando que apesar do resultado financeiro ter sido mais alto no 4T21, o CDI estava mais baixo – hoje é bem provável que a companhia saísse quase no zero a zero se ainda tivesse o caixa que tinha antes).
Todos esses fatores levaram a M. Dias Branco a ter um lucro líquido de R$ 15.5 milhões, representando uma queda de 90% contra o mesmo trimestre do ano passado.
O resultado não foi bom, foi bem ruim, de fato, mas é necessário pontuar os dois principais motivos. (I) margens: aqui não há muito o que fazer, a companhia está em meio ao fogo cruzado da volatilidade de um mercado que caminha pelo tom de uma guerra na Europa. Não, não é exagero – procure sobre o mercado de trigo e verá o peso que a guerra tem sobre ele. Essa dinâmica de gestão de estoque com uma volatilidade cavalar sobre o preço dos insumos vai continuar causando compressão das margens se não houver melhora. Pros próximos trimestres, caso os preços mantenham-se tranquilos, a companhia seguirá repassando preços, e é esperado uma melhora de margem. Ela já havia feito isso no 3T22, mas novamente houve um choque e novamente houve problema. É praticamente um jogo de gato e rato. (II) resultado financeiro: aqui avaliamos que tenha sido apenas uma decisão ruim da companhia. É necessário também compreender o que cabe ou não a companhia controlar, sendo que o seu caixa definitivamente é ela que o faz. Houve uma redução de R$ 1 bilhão em caixa entre 2021 e 2022 em um período onde a SELIC saiu de 2% para 13,7%. No 4T22 o resultado financeiro consumiu R$ 102 do lucro. Percebe o tamanho do problema? Como citamos mais acima, é bem provável que com um caixa ainda forte, a companhia sairia próximo do zero a zero, deixando seu dinheiro render o CDI e arcando com as dívidas do período sem necessidade de consumo do operacional.
Não enxergamos uma deterioração de fundamentos como muitos perguntaram para nós em nossa caixa de perguntas da página do Instagram. Entendemos perfeitamente o momento problemático e que não há mágica – literalmente toda companhia que processa commodities está passando por isso. A M. Dias Branco não é exceção, e seguimos pacientes esperando que ela repasse esses custos no preço dos seus produtos visando dias melhores, mas sempre com o pé no chão para compreender o que é fator exógeno do que é fator de má gestão – veja, na própria opinião demos exemplo, mostrando como um fator foi de fato em razão do cenário conturbado, e outro foi de uma política de pagamento de proventos completamente equivocada. De 2019 para cá foi uma sucessão de eventos de filme de terror para a companhia, com o trigo em determinado ponto do filme, chegando a multiplicando seu valor em quase 3 vezes, então não há mágica, não há sentido em pedir melhora do cenário dessa forma. Se trata de uma das principais dores do longo prazo: a de continuar no barco mesmo com as ondas cada vez mais violentas e uma tempestade mais forte. O fato é: o mercado irá normalizar e as commodities vão assentar em determinado patamar de preço, no mercado de trigo, já há a calmaria, embora a volatilidade esteja altíssima e até o resultado do 2T23 tudo pode mudar. Se você acredita que a companhia sobreviverá ao ciclo e conseguirá passar todas as dores de preço ao preço dos produtos, é uma oportunidade. Se você não acredita... bem, você já sabe o que fazer.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Dois gráficos extremamente importantes para a direção da SELIC nas próximas reuniões:
1. Primeiro gráfico: o preço das commodities desde o início da pandemia. Hoje ainda estamos bem acima do registrado no período, mas como evidente, bem abaixo das máximas registrados em 2022.
2. Segundo gráfico: a emissão de crédito está afundando em velocidade acelerada, em virtude principalmente da SELIC altíssima, que torna o capital caro e reduz a demanda.
Esses dois gráficos importam porque o preço das commodities em queda significam queda de preço de diversos bens na economia, principalmente dos combustíveis e dos itens de alimentação relacionados ao agro, e menor emissão de crédito significa menos investimento, menos crescimento econômico, menor demanda e consequentemente contração de produção, o que pode até mesmo jogar o desemprego para cima.
Como mencionado pelo comitê na última reunião do COPOM, a equipe está monitorando principalmente esses dois fatores citados acima, mas há também outro fator de extrema importância que há um bom tempo o Roberto Campos Neto vem tratando e dizendo que é determinante também para ancorar as expectativas sobre a SELIC e possibilitar um cenário de corte: o arcabouço fiscal.
O Banco Central está de mãos atadas sobre a decisão de juros até que o Governo se pronuncie e mostre um plano sólido referente ao cenário fiscal do país, pois é um plano decisivo referente ao pé no acelerador da demanda, que por sua vez, pode acabar causando mais pressão inflacionária e não faria sentir o COPOM reduzir juros agora para posteriormente ter que aumentar em pouco tempo.
Em suma, não acreditamos que a SELIC siga tão alta por tanto tempo por causar justamente o que falamos mais acima: nos 13,75% o risco de uma recessão severa não é baixo. O último dado de emprego do país já veio deteriorado com um crescimento inesperado, e a tendência é que o desemprego siga subindo, visto que é completamente inviável que as companhias cresçam e invistam com uma taxa de juros nesse patamar. Tem empresa atualmente que está literalmente usando todo o resultado de suas operações para bancar suas dívidas, e nesse ritmo, é questão de tempo até uma recuperação judicial por fator de insustentabilidade.
Como já falamos diversas vezes: é mais importante do que nunca que o Banco Central e o Governo alinhem logo as ideias. No momento, o erro está do lado do Governo, que já caminhando para o quarto mês de gestão, ainda não apresentou a base do novo arcabouço fiscal prometido, deixando os agentes econômicos de mão atadas sem saber de fato se o plano terá um viés inflacionário maior.
Crédito do gráfico ao Fernando Siqueira da Genial Investimentos.
1. Primeiro gráfico: o preço das commodities desde o início da pandemia. Hoje ainda estamos bem acima do registrado no período, mas como evidente, bem abaixo das máximas registrados em 2022.
2. Segundo gráfico: a emissão de crédito está afundando em velocidade acelerada, em virtude principalmente da SELIC altíssima, que torna o capital caro e reduz a demanda.
Esses dois gráficos importam porque o preço das commodities em queda significam queda de preço de diversos bens na economia, principalmente dos combustíveis e dos itens de alimentação relacionados ao agro, e menor emissão de crédito significa menos investimento, menos crescimento econômico, menor demanda e consequentemente contração de produção, o que pode até mesmo jogar o desemprego para cima.
Como mencionado pelo comitê na última reunião do COPOM, a equipe está monitorando principalmente esses dois fatores citados acima, mas há também outro fator de extrema importância que há um bom tempo o Roberto Campos Neto vem tratando e dizendo que é determinante também para ancorar as expectativas sobre a SELIC e possibilitar um cenário de corte: o arcabouço fiscal.
O Banco Central está de mãos atadas sobre a decisão de juros até que o Governo se pronuncie e mostre um plano sólido referente ao cenário fiscal do país, pois é um plano decisivo referente ao pé no acelerador da demanda, que por sua vez, pode acabar causando mais pressão inflacionária e não faria sentir o COPOM reduzir juros agora para posteriormente ter que aumentar em pouco tempo.
Em suma, não acreditamos que a SELIC siga tão alta por tanto tempo por causar justamente o que falamos mais acima: nos 13,75% o risco de uma recessão severa não é baixo. O último dado de emprego do país já veio deteriorado com um crescimento inesperado, e a tendência é que o desemprego siga subindo, visto que é completamente inviável que as companhias cresçam e invistam com uma taxa de juros nesse patamar. Tem empresa atualmente que está literalmente usando todo o resultado de suas operações para bancar suas dívidas, e nesse ritmo, é questão de tempo até uma recuperação judicial por fator de insustentabilidade.
Como já falamos diversas vezes: é mais importante do que nunca que o Banco Central e o Governo alinhem logo as ideias. No momento, o erro está do lado do Governo, que já caminhando para o quarto mês de gestão, ainda não apresentou a base do novo arcabouço fiscal prometido, deixando os agentes econômicos de mão atadas sem saber de fato se o plano terá um viés inflacionário maior.
Crédito do gráfico ao Fernando Siqueira da Genial Investimentos.
Opinião e análise breve – Ambipar ($AMBP3) – 4T/2022
Crescimento acelerado, expressivo e endividamento cada vez mais perigoso. A Ambipar está entre um dos cases de crescimento mais acelerado do nosso país – não é exagero, os números mostram isso. Desde 2018, seu ritmo de crescimento foi de uma receita de 75% ao ano em sua principal linha. No trimestral, de 23%. É o negócio dos sonhos, mas esse crescimento tem um custo, e o custo está cada vez maior pelo endividamento. Vamos aos números.
Para falar sobre a receita, dividiremos a leitura sob duas óticas, falando do consolidado no final. Lembrando que a Ambipar possui duas verticais de atuação: a Environment, que abrange tratamento de resíduos em cinco operações (gestão e valorização, economia circular, consultoria, descarbonização e logística Hazmat) e o Response, que abrange o atendimento emergencial ecológico em seis operações (emergency, fire, marine, medical, industrial e environmental).
Em sua primeira vertical, o Environment, a companhia reportou uma receita de R$ 639 milhões, representando um crescimento de 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que a linha de gestão total de resíduos foi a principal geradora de receita, mas com a geração de receita pela economia circular sendo a que mais cresceu, representando R$ 161 milhões no 4T22, o que é positivo, dada a recorrência de utilização desse serviço e sustentabilidade da linha de receita para a companhia. O resultado operacional dessa vertical também cresceu forte, de um EBITDA de R$ 115 milhões no 4T21 para R$ 176 milhões no 4T22. A margem também teve expressiva melhora, de 27% no 4T21 para quase 32% no 4T22, com uma melhora de 4,7pp.
Em sua segunda vertical, o Response, a companhia reportou uma receita de R$ 668 milhões, representando um crescimento expressivo de 137% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Aqui vale mencionar que a maior parte do resultado vem do mercado externo, sendo que desses R$ 668 milhões, R$ 465 milhões foram gerados fora do Brasil, o que da a companhia uma vantagem de diversificação cambial semelhante ao da WEG, permitindo a ela surfar melhoras crises. O resultado operacional, por sua vez, também teve expressiva melhora, crescendo de R$ 74 milhões no 4T21 para R$ 173 milhões no 4T22, representando um crescimento de 134%. A margem não acompanhou, tendo uma leve piora, caindo de 28,9% para 27,4% em virtude dos maiores custos e efeitos cambiais, o que é algo comum e não preocupante dado a variação registrada.
No consolidado, isso é, considerando as duas verticais que soma as suas onze operações, a companhia registrou uma receita de R$ 1.3 bilhão, sendo que 47% dessa receita veio do mercado externo. Vale destacar aqui um ponto muito interessante para ilustrar a velocidade do seu crescimento: a receita que ela gerou nos último 3 meses de 2022 equivalem ao dobro do que ela gerou em 2020 inteiro. Esse é o pace de crescimento da Ambipar, sob uma ótica mais clara. Em 2 anos ela multiplicou sua receita em quase 6 vezes. Continuando: entre o 4T21 e o 4T22 o crescimento registrado da receita foi de 67%, um crescimento expressivo com a vantagem da diversificação regional proporcionando o benefício de uma moeda forte.
O EBITDA consolidado foi de R$ 350 milhões no 4T22, representando um aumento de 88% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com uma melhora de margem de 2,1pp, de 27,3% no 4T21 para 29,4% no 4T22, ou seja, houve registro de melhora de eficiência operacional.
Crescimento acelerado, expressivo e endividamento cada vez mais perigoso. A Ambipar está entre um dos cases de crescimento mais acelerado do nosso país – não é exagero, os números mostram isso. Desde 2018, seu ritmo de crescimento foi de uma receita de 75% ao ano em sua principal linha. No trimestral, de 23%. É o negócio dos sonhos, mas esse crescimento tem um custo, e o custo está cada vez maior pelo endividamento. Vamos aos números.
Para falar sobre a receita, dividiremos a leitura sob duas óticas, falando do consolidado no final. Lembrando que a Ambipar possui duas verticais de atuação: a Environment, que abrange tratamento de resíduos em cinco operações (gestão e valorização, economia circular, consultoria, descarbonização e logística Hazmat) e o Response, que abrange o atendimento emergencial ecológico em seis operações (emergency, fire, marine, medical, industrial e environmental).
Em sua primeira vertical, o Environment, a companhia reportou uma receita de R$ 639 milhões, representando um crescimento de 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que a linha de gestão total de resíduos foi a principal geradora de receita, mas com a geração de receita pela economia circular sendo a que mais cresceu, representando R$ 161 milhões no 4T22, o que é positivo, dada a recorrência de utilização desse serviço e sustentabilidade da linha de receita para a companhia. O resultado operacional dessa vertical também cresceu forte, de um EBITDA de R$ 115 milhões no 4T21 para R$ 176 milhões no 4T22. A margem também teve expressiva melhora, de 27% no 4T21 para quase 32% no 4T22, com uma melhora de 4,7pp.
Em sua segunda vertical, o Response, a companhia reportou uma receita de R$ 668 milhões, representando um crescimento expressivo de 137% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Aqui vale mencionar que a maior parte do resultado vem do mercado externo, sendo que desses R$ 668 milhões, R$ 465 milhões foram gerados fora do Brasil, o que da a companhia uma vantagem de diversificação cambial semelhante ao da WEG, permitindo a ela surfar melhoras crises. O resultado operacional, por sua vez, também teve expressiva melhora, crescendo de R$ 74 milhões no 4T21 para R$ 173 milhões no 4T22, representando um crescimento de 134%. A margem não acompanhou, tendo uma leve piora, caindo de 28,9% para 27,4% em virtude dos maiores custos e efeitos cambiais, o que é algo comum e não preocupante dado a variação registrada.
No consolidado, isso é, considerando as duas verticais que soma as suas onze operações, a companhia registrou uma receita de R$ 1.3 bilhão, sendo que 47% dessa receita veio do mercado externo. Vale destacar aqui um ponto muito interessante para ilustrar a velocidade do seu crescimento: a receita que ela gerou nos último 3 meses de 2022 equivalem ao dobro do que ela gerou em 2020 inteiro. Esse é o pace de crescimento da Ambipar, sob uma ótica mais clara. Em 2 anos ela multiplicou sua receita em quase 6 vezes. Continuando: entre o 4T21 e o 4T22 o crescimento registrado da receita foi de 67%, um crescimento expressivo com a vantagem da diversificação regional proporcionando o benefício de uma moeda forte.
O EBITDA consolidado foi de R$ 350 milhões no 4T22, representando um aumento de 88% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com uma melhora de margem de 2,1pp, de 27,3% no 4T21 para 29,4% no 4T22, ou seja, houve registro de melhora de eficiência operacional.
No resultado financeiro, chegamos ao filme de terror dos números da companhia. No 4T22 a Ambipar teve um prejuízo financeiro de R$ 180 milhões, contra um prejuízo financeiro de R$ 54 milhões no 4T21, ou seja, uma piora de 231%. Em termos anualizados, para se ter ideia, a Ambipar teve uma despesa financeira de R$ 666 milhões, contra R$ 145 milhões em 2021. Perceba: a companhia está gastando mais de meio bilhão de reais somente para sustentar a sua dívida. Esse é o nível do problema da alavancagem em tempos de juros elevado. Para a Ambipar, por enquanto, essa dívida não é problema e não ameaça a sustentabilidade do negócio, dado seu operacional fortíssimo que está crescendo em ritmo tão acelerado quanto a receita, mas é o principal ponto de atenção na análise trimestral.
Hoje apenas 13% da dívida é de curto prazo, e pelo rating que a companhia possui (AA-) ela não deve ter qualquer problema em rolar a dívida por taxas que valham a pena em termos de custo e retorno de capital.
O lucro líquido da Ambipar, por sua vez, teve uma queda de 57% comparado ao 4T21, atingindo os R$ 23 milhões no 4T22.
Veja, pelo terceiro trimestre consecutivo, o ponto de risco e principal fator na análise do investidor deve ser o endividamento da companhia. É inegável que a Ambipar está tendo resultados espetaculares em termos de alavancagem: todo esse endividamento está de fato gerando um crescimento forte do operacional da companhia – estamos falando de uma companhia que há 2 anos não era nem 20% do que é hoje em questão de receita. A questão é que esse crescimento vem em custo de endividamento e o endividamento machuca muito em tempos de juros elevado.
Não sabemos até quando a SELIC continuará alta como agora. Na nossa opinião, deve cair bem antes do esperado, mas qualquer investidor mais velho de guerra sabe que o juros, ainda mais no Brasil, pode dar um cavalo de pau e surpreender até as leituras mais conservadoras.
No 4T22, estamos falando de uma dívida que custou a Ambipar 51% de todo o seu resultado operacional, veja, de um EBITDA de R$ 350 milhões, R$ 180 milhões foi utilizado para pagar sua dívida. Tirando impostos e demais linhas de custos, sobrou para a empresa somente R$ 23 milhões, que foi o seu lucro líquido. A expectativa caso o juros caia, é que boa parte desse custo com dívida deixa de existir e se torne lucro, mas o investidor inteligente não conta com os ovos da galinhas, mas trabalha principalmente as alternativas caso a galinha não faça o que era esperado.
Uma empresa fantástica, sem sombra de dúvidas, mas em um momento sombrio da economia com um juros explosivo. Se você gosta da companhia, monitore com muito carinho e ceticismo sua alavancagem. Mantras como “caiu comprou” não agregam em nada e empresas são organismos vivos que inclusive cometem erros. Gostamos bastante do resultado operacional que vem crescendo em ritmo acelerado, mas a dívida, mesmo que com boa estrutura e de uma companhia com operacional impecável, deve ser analisada com atenção e sem viés de perfeição. Talvez seja uma das tantas que gere bons resultados quando o juros caírem e sobrar mais dinheiro na linha de lucro.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
Hoje apenas 13% da dívida é de curto prazo, e pelo rating que a companhia possui (AA-) ela não deve ter qualquer problema em rolar a dívida por taxas que valham a pena em termos de custo e retorno de capital.
O lucro líquido da Ambipar, por sua vez, teve uma queda de 57% comparado ao 4T21, atingindo os R$ 23 milhões no 4T22.
Veja, pelo terceiro trimestre consecutivo, o ponto de risco e principal fator na análise do investidor deve ser o endividamento da companhia. É inegável que a Ambipar está tendo resultados espetaculares em termos de alavancagem: todo esse endividamento está de fato gerando um crescimento forte do operacional da companhia – estamos falando de uma companhia que há 2 anos não era nem 20% do que é hoje em questão de receita. A questão é que esse crescimento vem em custo de endividamento e o endividamento machuca muito em tempos de juros elevado.
Não sabemos até quando a SELIC continuará alta como agora. Na nossa opinião, deve cair bem antes do esperado, mas qualquer investidor mais velho de guerra sabe que o juros, ainda mais no Brasil, pode dar um cavalo de pau e surpreender até as leituras mais conservadoras.
No 4T22, estamos falando de uma dívida que custou a Ambipar 51% de todo o seu resultado operacional, veja, de um EBITDA de R$ 350 milhões, R$ 180 milhões foi utilizado para pagar sua dívida. Tirando impostos e demais linhas de custos, sobrou para a empresa somente R$ 23 milhões, que foi o seu lucro líquido. A expectativa caso o juros caia, é que boa parte desse custo com dívida deixa de existir e se torne lucro, mas o investidor inteligente não conta com os ovos da galinhas, mas trabalha principalmente as alternativas caso a galinha não faça o que era esperado.
Uma empresa fantástica, sem sombra de dúvidas, mas em um momento sombrio da economia com um juros explosivo. Se você gosta da companhia, monitore com muito carinho e ceticismo sua alavancagem. Mantras como “caiu comprou” não agregam em nada e empresas são organismos vivos que inclusive cometem erros. Gostamos bastante do resultado operacional que vem crescendo em ritmo acelerado, mas a dívida, mesmo que com boa estrutura e de uma companhia com operacional impecável, deve ser analisada com atenção e sem viés de perfeição. Talvez seja uma das tantas que gere bons resultados quando o juros caírem e sobrar mais dinheiro na linha de lucro.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Como sempre fazemos, uma breve opinião sobre o fechamento de resultado do trimestre, e no caso, falaremos também do ano de 2022 como um todo.
De forma geral, o quatro trimestre de 2022 foi um período extremamente desafiador. A SELIC no atual patamar causou um consumo colossal do resultado operacional da maioria das companhias alavancadas, e além disso, a incerteza sobre o rumo da economia nacional, com a discussão interminável sobre o arcabouço fiscal e a política monetária do país, também pressionaram muito os setores de consumo e os investimentos que as companhias estão realizando.
Como mostramos na tabela, no consolidado de 2022, comparando com 2021, os números foram extremamente negativos no relativo. Na tabela você vê o consolidado dos resultados de todas as empresas da B3, excluindo a Vale, a Petrobras e as empresas do setor financeiro.
O EBIT, isso é, o resultado gerado pelas operações, não teve alteração. O número foi o mesmo de 2021, com uma pressão maior sobre as margens das companhias por conta da inflação.
As despesas financeiras tiveram um aumento de R$ 159 bilhões para R$ 235 bilhões, e aqui, não é demais lembrar que é o principal ponto das empresas atualmente. Com a SELIC no atual patamar, o custo da alavancagem está exorbitante, e são poucas que conseguem contornar isso e continuar entregando resultados sólidos. Como o resultado financeiro mostra (receitas financeiras menos despesas financeiras), houve um aumento de 59% do prejuízo comparando ano contra ano.
O lucro líquido, a linha final que agrada a maioria dos investidores, teve também uma expressiva piora. Enquanto em 2021 houve um lucro líquido consolidado de R$ 192 bilhões, em 2022 esse número foi 18% menor, em R$ 158 bilhões, resultado principalmente do custo das despesas financeiras pela SELIC elevada e da compressão de margens por conta da inflação.
Falando sobre outros dados operacionais fundamentalistas, três pontos que importam. Primeiramente a dívida líquida, com esse crescimento da taxa de juros, pode parecer estranho, mas uma bola de neve se cria, e mais as empresas se endividam por dois motivos: (I) contrair mais dívida para arcar com as dívidas atuais, o que é chamado de “rolagem de dívida” no mundo financeiro, e (II) consumo de caixa para arcar com a dívida atual, o que eleva a dívida líquida no final das contas. O caixa, como já dito, teve uma redução de 2,5%, que talvez seja um dos melhores números aqui, por ter sido uma redução bem pequena e negligenciável, e por último o ROE, que é o retorno sobre o patrimônio, que com todo esse cenário negativo, caiu de 18,2% para 12,8%. Lembrando mais uma vez: esses números são o consolidado de todas as empresas da B3 com exceção da Petrobras, Vale e empresas financeiras (bancos).
Em suma, o ano de 2022 (e principalmente o quarto trimestre) serviram para mostrar para o investidor novo de mercado como a SELIC impacta a bolsa de valores. O resumo é esse.
Apesar de grande parte das companhias entregarem resultados excelentes e bem superiores do que no ano passado, é perceptível como no retratado do consolidado, o problema do juros alto é estrutural, e isso levanta o principal ponto do investidor: saber escolher as empresas certas.
A SELIC invariavelmente vai cair, não é questão de “se”, mas questão de “quando”, e pelo passo do cenário econômico atual (desaceleração forte, queda do IGPM, pressão no cenário de crédito e afins) esse momento está mais próximo do que a maioria aposta, visto que é insustentável uma SELIC tão elevada por tanto tempo por ameaça a uma depressão econômica via desemprego.
De forma geral, o quatro trimestre de 2022 foi um período extremamente desafiador. A SELIC no atual patamar causou um consumo colossal do resultado operacional da maioria das companhias alavancadas, e além disso, a incerteza sobre o rumo da economia nacional, com a discussão interminável sobre o arcabouço fiscal e a política monetária do país, também pressionaram muito os setores de consumo e os investimentos que as companhias estão realizando.
Como mostramos na tabela, no consolidado de 2022, comparando com 2021, os números foram extremamente negativos no relativo. Na tabela você vê o consolidado dos resultados de todas as empresas da B3, excluindo a Vale, a Petrobras e as empresas do setor financeiro.
O EBIT, isso é, o resultado gerado pelas operações, não teve alteração. O número foi o mesmo de 2021, com uma pressão maior sobre as margens das companhias por conta da inflação.
As despesas financeiras tiveram um aumento de R$ 159 bilhões para R$ 235 bilhões, e aqui, não é demais lembrar que é o principal ponto das empresas atualmente. Com a SELIC no atual patamar, o custo da alavancagem está exorbitante, e são poucas que conseguem contornar isso e continuar entregando resultados sólidos. Como o resultado financeiro mostra (receitas financeiras menos despesas financeiras), houve um aumento de 59% do prejuízo comparando ano contra ano.
O lucro líquido, a linha final que agrada a maioria dos investidores, teve também uma expressiva piora. Enquanto em 2021 houve um lucro líquido consolidado de R$ 192 bilhões, em 2022 esse número foi 18% menor, em R$ 158 bilhões, resultado principalmente do custo das despesas financeiras pela SELIC elevada e da compressão de margens por conta da inflação.
Falando sobre outros dados operacionais fundamentalistas, três pontos que importam. Primeiramente a dívida líquida, com esse crescimento da taxa de juros, pode parecer estranho, mas uma bola de neve se cria, e mais as empresas se endividam por dois motivos: (I) contrair mais dívida para arcar com as dívidas atuais, o que é chamado de “rolagem de dívida” no mundo financeiro, e (II) consumo de caixa para arcar com a dívida atual, o que eleva a dívida líquida no final das contas. O caixa, como já dito, teve uma redução de 2,5%, que talvez seja um dos melhores números aqui, por ter sido uma redução bem pequena e negligenciável, e por último o ROE, que é o retorno sobre o patrimônio, que com todo esse cenário negativo, caiu de 18,2% para 12,8%. Lembrando mais uma vez: esses números são o consolidado de todas as empresas da B3 com exceção da Petrobras, Vale e empresas financeiras (bancos).
Em suma, o ano de 2022 (e principalmente o quarto trimestre) serviram para mostrar para o investidor novo de mercado como a SELIC impacta a bolsa de valores. O resumo é esse.
Apesar de grande parte das companhias entregarem resultados excelentes e bem superiores do que no ano passado, é perceptível como no retratado do consolidado, o problema do juros alto é estrutural, e isso levanta o principal ponto do investidor: saber escolher as empresas certas.
A SELIC invariavelmente vai cair, não é questão de “se”, mas questão de “quando”, e pelo passo do cenário econômico atual (desaceleração forte, queda do IGPM, pressão no cenário de crédito e afins) esse momento está mais próximo do que a maioria aposta, visto que é insustentável uma SELIC tão elevada por tanto tempo por ameaça a uma depressão econômica via desemprego.
Em suma, se a empresa que você investe está conseguindo atravessar esse cenário atual, significa que ela atravessa qualquer outro cenário possível, basicamente. Como bem diz Peter Lynch, empresa sem dívida não quebra. Não estamos dizendo para você não investir em empresas que se alavancam para crescer, mas prestar muita atenção no período de 2022 para compreender como um juros alto pode ser nocivo. O aumento da despesa financeira afeta principalmente as companhias que se alavancam demais, e são poucas as que conseguem gerar retorno suficiente para compensar essa alavancagem, sendo a Ambipar um exemplo prefeito de case que deu certo nesse sentido.
A dica de sempre sobre investimentos de longo prazo e a melhora estratégia de sempre prevalece: invista em boas empresas, não pague exageradamente caro e não faça mais nada. O dinheiro está na espera, e não na compra. A SELIC vai cair, mas enquanto não cai, as empresas que se alavancam demais continuarão ameaçadas, as que possuem boa estruturação financeira continuarão crescendo e ganhando mercado.
A dica de sempre sobre investimentos de longo prazo e a melhora estratégia de sempre prevalece: invista em boas empresas, não pague exageradamente caro e não faça mais nada. O dinheiro está na espera, e não na compra. A SELIC vai cair, mas enquanto não cai, as empresas que se alavancam demais continuarão ameaçadas, as que possuem boa estruturação financeira continuarão crescendo e ganhando mercado.
A bola da vez é o arcabouço fiscal.
Apresentado após tanta expectativa e meses de espera, na semana passada, apesar de ainda não detalhado, virou o tema econômico do momento, tratando-se de um dos assuntos mais importantes envolvendo as incertezas dos agentes econômicos. E a apresentação dividiu opiniões.
Apesar de extremamente otimista e de fato rodar um crivo fiscal saudável para o país, o maior problema identificado no plano, simplificando, foi o fato de que ele gira basicamente em torno de maior arrecadação, e em momento algum se fala sobre corte de gastos. Em outras palavras, o novo arcabouço pode ser o remédio para o problema fiscal do país caso as projeções (ainda que otimistas demais, opinião nossa) se realizem, mas com o preço que o brasileiro já está acostumado a pagar, como sempre: aumento de impostos.
Para atingir os R$ 150 bilhões necessários referente ao novo arcabouço, a caça do atual governo já foi iniciada buscando novas fontes de tributação. Não em vão você está vendo tanto se falar sobre a tributação de casas de apostar, a tributação do e-commerce chinês (Shoppe e Shein, por exemplo), a tributação de fundos exclusivos no mercado financeiro, entre outras tantas ideias para continuar alimentando a máquina pública as custas do suor da população. E na primeira segunda-feira do mês de abril, mais uma bomba.
Começou a circular no meio financeiro alguns boatos de que visando o aumento de arrecadação, o governo planejava dar um fim aos incentivos fiscais envolvendo o ICMS. Não entraremos em detalhes aqui para não tornar o texto muito pesado e técnico, mas há algumas leis envolvendo incentivos fiscais para o desenvolvimento de diversos segmentos, alguns nomes como incentivos da SUdene, Zona Franca de Manaus, Lei do Bem e afins. São todos considerados subvenções para investimentos, que não entram no cálculo do IRPJ e do CSLL, e aí está o boato que começou a circular no mercado ontem: o fim desses incentivos.
Com a divulgação de um estudo fechado da JPMorgan, bastou para causar maior pânico no mercado. Não em vão, ontem, você viu não só as ações das Lojas Renner caindo, mas de todo o varejo nacional, porque o fim desses incentivos impactam diretamente todas as empresas varejistas do país (e não só elas, vale pontuar).
Como consta no próprio relatório divulgado pela JPM, as empresas mais impactadas por esse tipo de alteração seria o Grupo Soma, com 50% de impacto sobre o lucro, seguido da VIvara, com 44% de impacto sobre o lucro, e então a Arezzo, com 27% de impacto sobre o lucro. A Alpagartas e as Lojas Renner, no caso, teria um impacto próximo de 20% do lucro.
Ou seja, se a queda das ações das Lojas Renner te preocuparam ontem, a inteção desse texto é justamente explicar o que está havendo. Não é uma queda isolada da companhia, mas sim um fator acometendo todo o setor (ou talvez, todo o país).
Esse é o maior problema que citamos sobre o arcabouço fiscal há alguns dias: não se fala sobre corte de gastos, mas apenas sobre aumento de arrecadação, e para ter um aumento de arrecadação, haverá aumento de impostos.
Apesar da queda, vale ressaltar um principal ponto: esse tipo de plano que o governo tem, não é simples de passar. O fim desses incentivos significam um problema econômico gigante em algumas regiões. Esses são vitais para o desenvolvimento econômico de algumas áreas, como é o próprio caso da Sudene no Nordeste e os benefícios da Zona Franca de Manaus, criando milhares de empregos e renda nas regiões respectivas. Esse tipo de medida dificilmente passa no congresso porque é necessário um capital político gigante para passar em votação e mexe diretamente com a base de emprego de um setor importante para o pais (varejo), ou seja, é basicamente a utilização de capital político para machucar a base que elegeu os próprios.
Na duvida, obviamente, os gigantes vendem, e é daí que vem a queda: primeiro circula o boato, depois vem o relatório e então a venda por precaução, visto que os fundos de investimento funcionam dessa forma, girando patrimônio na base de expectativas.
Apresentado após tanta expectativa e meses de espera, na semana passada, apesar de ainda não detalhado, virou o tema econômico do momento, tratando-se de um dos assuntos mais importantes envolvendo as incertezas dos agentes econômicos. E a apresentação dividiu opiniões.
Apesar de extremamente otimista e de fato rodar um crivo fiscal saudável para o país, o maior problema identificado no plano, simplificando, foi o fato de que ele gira basicamente em torno de maior arrecadação, e em momento algum se fala sobre corte de gastos. Em outras palavras, o novo arcabouço pode ser o remédio para o problema fiscal do país caso as projeções (ainda que otimistas demais, opinião nossa) se realizem, mas com o preço que o brasileiro já está acostumado a pagar, como sempre: aumento de impostos.
Para atingir os R$ 150 bilhões necessários referente ao novo arcabouço, a caça do atual governo já foi iniciada buscando novas fontes de tributação. Não em vão você está vendo tanto se falar sobre a tributação de casas de apostar, a tributação do e-commerce chinês (Shoppe e Shein, por exemplo), a tributação de fundos exclusivos no mercado financeiro, entre outras tantas ideias para continuar alimentando a máquina pública as custas do suor da população. E na primeira segunda-feira do mês de abril, mais uma bomba.
Começou a circular no meio financeiro alguns boatos de que visando o aumento de arrecadação, o governo planejava dar um fim aos incentivos fiscais envolvendo o ICMS. Não entraremos em detalhes aqui para não tornar o texto muito pesado e técnico, mas há algumas leis envolvendo incentivos fiscais para o desenvolvimento de diversos segmentos, alguns nomes como incentivos da SUdene, Zona Franca de Manaus, Lei do Bem e afins. São todos considerados subvenções para investimentos, que não entram no cálculo do IRPJ e do CSLL, e aí está o boato que começou a circular no mercado ontem: o fim desses incentivos.
Com a divulgação de um estudo fechado da JPMorgan, bastou para causar maior pânico no mercado. Não em vão, ontem, você viu não só as ações das Lojas Renner caindo, mas de todo o varejo nacional, porque o fim desses incentivos impactam diretamente todas as empresas varejistas do país (e não só elas, vale pontuar).
Como consta no próprio relatório divulgado pela JPM, as empresas mais impactadas por esse tipo de alteração seria o Grupo Soma, com 50% de impacto sobre o lucro, seguido da VIvara, com 44% de impacto sobre o lucro, e então a Arezzo, com 27% de impacto sobre o lucro. A Alpagartas e as Lojas Renner, no caso, teria um impacto próximo de 20% do lucro.
Ou seja, se a queda das ações das Lojas Renner te preocuparam ontem, a inteção desse texto é justamente explicar o que está havendo. Não é uma queda isolada da companhia, mas sim um fator acometendo todo o setor (ou talvez, todo o país).
Esse é o maior problema que citamos sobre o arcabouço fiscal há alguns dias: não se fala sobre corte de gastos, mas apenas sobre aumento de arrecadação, e para ter um aumento de arrecadação, haverá aumento de impostos.
Apesar da queda, vale ressaltar um principal ponto: esse tipo de plano que o governo tem, não é simples de passar. O fim desses incentivos significam um problema econômico gigante em algumas regiões. Esses são vitais para o desenvolvimento econômico de algumas áreas, como é o próprio caso da Sudene no Nordeste e os benefícios da Zona Franca de Manaus, criando milhares de empregos e renda nas regiões respectivas. Esse tipo de medida dificilmente passa no congresso porque é necessário um capital político gigante para passar em votação e mexe diretamente com a base de emprego de um setor importante para o pais (varejo), ou seja, é basicamente a utilização de capital político para machucar a base que elegeu os próprios.
Na duvida, obviamente, os gigantes vendem, e é daí que vem a queda: primeiro circula o boato, depois vem o relatório e então a venda por precaução, visto que os fundos de investimento funcionam dessa forma, girando patrimônio na base de expectativas.
Achamos importante o desenvolvimento desse texto pois em tempos de turbulência, não faltam os "arautos da verdade" brandando pelos quatro cantos da internet arranjando falsas premissas para as quedas. A narrativa de sempre sobre Shein, concorrência ou sejá lá o que for que vem sendo repetido num loop cansativo assim como houve há alguns anos no setor bancário, quando muito se falava da destruição dos grandes bancos pelas fintechs.
Estamos menosprezando o risco concorrencial do setor? Não, de forma alguma, como já bem pontuamos na opinião que demos ao analisar o resultado da Rennner do 4T22. O ponto é somente o nível de desinformação atingindo ao conversar sobre investimentos nas redes. E esse tipo de desinformação não ocorre somente de pessoas leigas, mas diversos gigantes de analistas de mercados que não buscam o mínimo para informar o próprio público, criando falas narrativas terroristas para engajar.
A queda expressiva do setor atualmente está resumida basicamente nessa expectativa, e ontem foi o estouro da bomba sob um relatório da JPM. E não é nem preciso dizer que há grandes chances de alguns "privilegiados" do mercado que souberam desse tipo de informação antes de todos, afinal, isso não é raro.
Resumindo: boatos sobre o fim dos incentivos fiscais e aumento de tributação que podem causar forte impacto no lucro das empresas varejistas. Ignore-os e foque nos fundamentos. Paute suas decisões somente no que realmente já foi realizado, e não no que dizem que vai acontecer. Achamos importante um texto desse com a quantidade gigante de mensagens que recebemos de investidores perguntando se é momento de vender x ou y ação com base em cotação.
Lembre-se que no longo prazo, o maior desafio para a prosperidade é o seu próprio psicológico - é você destruindo sua própria carteira com base das suas decisões tomadas de forma emocional.
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Estamos menosprezando o risco concorrencial do setor? Não, de forma alguma, como já bem pontuamos na opinião que demos ao analisar o resultado da Rennner do 4T22. O ponto é somente o nível de desinformação atingindo ao conversar sobre investimentos nas redes. E esse tipo de desinformação não ocorre somente de pessoas leigas, mas diversos gigantes de analistas de mercados que não buscam o mínimo para informar o próprio público, criando falas narrativas terroristas para engajar.
A queda expressiva do setor atualmente está resumida basicamente nessa expectativa, e ontem foi o estouro da bomba sob um relatório da JPM. E não é nem preciso dizer que há grandes chances de alguns "privilegiados" do mercado que souberam desse tipo de informação antes de todos, afinal, isso não é raro.
Resumindo: boatos sobre o fim dos incentivos fiscais e aumento de tributação que podem causar forte impacto no lucro das empresas varejistas. Ignore-os e foque nos fundamentos. Paute suas decisões somente no que realmente já foi realizado, e não no que dizem que vai acontecer. Achamos importante um texto desse com a quantidade gigante de mensagens que recebemos de investidores perguntando se é momento de vender x ou y ação com base em cotação.
Lembre-se que no longo prazo, o maior desafio para a prosperidade é o seu próprio psicológico - é você destruindo sua própria carteira com base das suas decisões tomadas de forma emocional.
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