FinDocs
3.37K subscribers
279 photos
14 files
234 links
Bem-vindo(a) ao canal oficial da FinDocs.

Aqui você encontrará notificações dos nossos conteúdos, de aulas, eventos, comentários e discussões da nossa equipe e demais materiais que julgarmos relevantes para você.

www.findocs.com.br

Avante!
Download Telegram
Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 4T/2022

Um trimestre forte com algumas linhas recorde, surfando no benefício de alguns períodos não recorrentes, como a própria copa do mundo, em novembro, que potencializou as vendas da companhia. A empresa segue repassando os custos da inflação e recompondo sua margem, mas o cenário desafiador continua principalmente pelas vendas fora do Brasil. Vamos aos números.

Na linha de Cerveja Brasil, a Ambev entregou um recorde histórico de volume vendido, com um crescimento de 4%, atingindo os 26.6 milhões de hectolitros, enquanto a receita por hectolitro cresceu 12,4% para R$ 405 também atingindo um recorde histórico, potencializado pelas marcas Original, Chopp Brahma, Stella Artois, Corona e Spaten – esse crescimento de volume unido ao preço do hectolitro reflete a estratégia da companhia em repassar a inflação ao preço dos produtos, o que tem sido um sucesso até o momento sem qualquer evidência de perda de mercado nacional. O ponto negativo vem pela ótica de custo de produto vendido, ainda com o aumento de custo de fretagem e insumos, o CPV por hectolitro subiu 18%. No consolidado das operações brasileiras de cerveja, a receita líquida cresceu 17% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e o EBITDA cresceu 11,2%.

Na linha de NAB Brasil (bebidas não alcoólicas), números também muito positivos. O volume cresceu 6,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os 9 milhões de hectolitros impulsionada pela venda das marcas Red Bull, H2OH!, Gatorade e Pepsi Black (dobrando o volume no período, inclusive sendo o destaque, visto que a companhia tem praticado promoções agressivas nos últimos meses para fazer face a concorrência com o alto preço da Coca-Cola) e a receita por hectolitro subiu expressivos 18%, atingindo os R$ 224. Com o mesmo problema da minha de Cerveja Brasil, o CPV também teve alta expressiva comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de 16,6%, refletindo os mesmos problemas de custo, mas a receita líquida subiu 26% e o EBITDA subiu 22%.

O consolidado das operações nacionais foi um crescimento de 4,6% do volume vendido, um crescimento de 13% na receita por hectolitro, um crescimento de 18,2% na receita líquida e um crescimento de 17,7% no CPV. O EBITDA, por sua vez, cresceu 12,6%.

Passando rápido pelo cenário do exterior, na CAC (América Central e Caribe) houve queda de 13,4% do volume vendido em razão de perda de mercado por pressões inflacionárias (a Ambev vende marcas premium, que acabam sendo menos escolhidas em momentos assim), mas houve crescimento de 7% da receita por hectolitro. Na América Latina, o mesmo problema da América Central: pressão inflacionária reduzindo o volume, mesmo que ligeiramente, com queda de 1,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto no Canadá houve queda de 5,4% no volume.

No consolidado a companhia entregou um crescimento de volume de 1,5%, enquanto a receita por hectolitro também cresceu 1,5% atingindo um patamar histórico e corroborando com a recomposição de resultados da companhia face a inflação passada.

Todos esses fatores levaram a companhia a um crescimento de EBITDA de 5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado com ligeira recomposição de margem de 0,5pp e um lucro líquido 35,7% maior, de R$ 5 bilhões – vale destacar que houve um efeito tributário não explicado na ordem de R$ 360 milhões, a qual a companhia irá tratar melhor em call.
Em resumo, o resultado foi bom. Hoje o mundo passa pelo mesmo problema que o Brasil passou há alguns meses, com uma inflação forte e um aperto de orçamento, redirecionando os gastos das famílias, o que acaba impactando o consumo de alguns produtos. O destaque positivo do trimestre foi a operação brasileira da companhia (sendo a principal, também) que teve forte melhora com números recordes sendo potencializada por conta da Copa do Mundo, mas o cenário internacional acabou impactando negativamente no consolidado, agravado pela inflação e clima mais gelado. Para o 1T23, é bem provável que os números ainda venham fortes e tenhamos uma recomposição das margens, dado o período de carnaval, que historicamente beneficia muito a companhia, e alguns lançamentos pro período, vide a Caipibeats, que segundo a companhia, tem sido um sucesso de vendas. O Zé Delivery também merece menção, batendo recorde em mais um trimestre. De olho nas margens e na capacidade da companhia de repassar os preços para os produtos nos próximos trimestres. O pior da inflação, aparentemente, já foi, e como a dinâmica de sempre, primeiro vem a inflação e depois, progressivamente, os preços são repassados para os produtos.

Infelizmente o caso da Americanas criou um estigma sobre a Ambev e o preço das ações da companhia acabaram sendo impactadas sem refletir de fato alguns fatores fundamentais, mas no fim, os números falam mais alto.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – Raia Drogasil ($RADL3) – 4T/2022

Uma WEG do segmento de varejo farmacêutico. Quem ouve a palavra “varejo” e coloca todas as companhias do setor no mesmo conjunto de Magazine Luíza, Via e afins, deixa algumas joias da bolsa passarem despercebidas por pura implicância semântica. A Raia Drogasil pode ser chamada de WEG do varejo farmacêutico pois, assim como a gigante do setor de bens de capitais, seus resultados crescem e melhoram literalmente todo o trimestre, em um ritmo tão preciso e previsível quanto um relógio. No trimestre, não foi diferente. Vamos aos números.

No 4T22 a RaiaDrogasil realizou a abertura líquida de mais 77 farmácias, com um total de 207 farmácias abertas nos últimos 12 meses, atingindo 2.697 farmácias e honrando seu plano de expansão prometido no guidance anual. A cobertura de municípios pulou subiu de 485 para 540 entre o 4T21 e o 4T22, sendo o market share o indicador mais impressionante: a Raia Drogasil está conseguindo ganhar participação de mercado em absolutamente todas as regiões do país. No consolidado do Brasil, cresceu 1,0pp, de 14,1% para 15,1%, enquanto em SP subiu 1,4pp para 27%, no Sudeste subiu 0,9pp para 10,8%, no Centro Oeste subiu 1,7pp para 18,7%, no Sul subiu 0,5pp para 9,9%, no Nordeste subiu 0,7pp para 10,5% e no Norte subiu 1,9pp para 7,5pp. Os números impressionam, como já dito, pois a RaiaDrogasil é fortíssima na região Sudeste do país, em especial no SP, mas a estratégia de expansão tem dado certo fora desse polo a qual ela já conhece bem.

Em termos de digitalização, a companhia atingiu R$ 920 milhões de receita pelos canais digitais e atingindo uma penetração digital de 11,8%, um crescimento de 2,6pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa linha é importante e deve ser monitorada pois as vendas digitais fazem um papel cada vez mais preferido pelo consumidor, então uma empresa que não tenha estratégia nesse ponto, tende a perder mercado e destruir valor. No caso da RaiaDrogasil, sua estratégia de omnicanalidade tem sido um sucesso, com 60% das vendas digitais sendo realizadas via App e 90% das entregas sendo realizadas em até 4 horas, com aquele modelo confortável de compra via App dando opção de entrega ou retirada.

A receita bruta da companhia cresceu 22% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$ 6.8 bilhões para R$ 8.3 bilhões, mais um trimestre de recorde, o que já é recorrente dizer, e no anual a receita quase ultrapassou a incrível marca de R$ 31 bilhões. Esse crescimento de receita foi potencializado não só por conta da abertura de novas farmácias, mas também da estratégia da marketplace da companhia. Vale lembrar também que em outros trimestres ela teve forte benefício não recorrente de testes de Covid-19, e mesmo com essa base de comparação mais “injusta”, os números atuais superaram com facilidade o período passado.

Nas linhas de despesas, a companhia teve melhora forte de eficiência, com as despesas de venda sendo diluídas em cima da receita, passando a representar 17,1% da receita total da companhia no 4T22, contra 18,4% da receita total no 4T21. As despesas gerais e administrativas, por sua vez, demonstraram estabilidade, crescendo 0,1pp de percentual da receita, de 3,5% para 3,7% em virtude do maior gasto com marketing, contratação e remuneração variável com investimentos para a ampliação digital da companhia. Dado o ganho atingido com o investimento, esse crescimento é negligenciável e completamente compreensível.

O EBITDA, por sua vez, também atingiu um valor histórico, de R$ 600 milhões no trimestre, contra R$ 448 milhões no 4T21, com uma melhora de 0,7pp de margem, atingindo os 7,2%. Lembrando apenas que no 2T22 houve um não recorrente tributário que levou o EBITDA a um patamar não recorrente, por isso o valor mais elevado, caso você esteja analisando o balanço da companhia nesse momento.
Todos esses fatores levaram a RaiaDrogasil a um lucro de R$ 301 milhões, com uma melhora de margem de lucro líquido de 0,6pp para 3,6% no 4T22. O ROIC também merece ser mencionado, atingindo patamar recorde de 18,5% e mostrando o potencial de geração de valor da companhia.

Enfim, a RaiaDrogasil é o tipo de empresa que sempre está cara... e provavelmente continuará assim. Não fizemos uma comparação com a WEG lá em cima em vão: ela faz parte das companhias de altíssimo valor da bolsa brasileira. O seu histórico, desde o IPO, é impecável. A forma com que a gestão roda o negócio é impecável e os números sempre mostraram isso. Sua estratégia de expansão possui seus riscos, dado o fato de que é baseada em abertura de farmácias, mas esse é o seu maior privilégio: com a escala, ela consegue operar com margens ainda mais apertadas, mas mesmo assim tem mostrado melhora nesses indicadores.

Não espere ver as ações da RaiaDrogasil baratas tão cedo. Qualidade tem preço.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – Petz ($PETZ3) – 4T/2022

Um trimestre de resultados mistos. Pelo lado postivo, a expansão da Petz segue a todo vapor, com a companhia abrindo lojas em velocidade acelerada, e honrando o compromisso de abertura fora do seu polo, que é São paulo. Por outro, as margens seguem ainda pressionadas com o SSS em queda, apontando possíveis dificuldades mais a frente sobre a capacidade de rentabilização dessas novas companhias. Vamos aos números.

No 4T22 a Petz realizou a inauguração de 50 novas lojas em 17 novos estados, saindo de 168 lojas no 4T21 para 2180 atualmente, representando um crescimento de 30% no período. Além das aberturas, outro ponto positivo é sua diversificação geográfica: no 4T22 ela conseguiu atingir o equilíbrio entre número de lojas em São Paulo e em outros estados, com uma proporção de 50/50, inclusive começando a abertura de lojas no Norte do país.

Na linha de SSS, o Same Store Sales, indicador que mostra a variação de receita das lojas da Petz desconsiderando suas aberturas do 4T22 (e aqui é importante destacar que esse é um dos principais indicadores a se analisar na situação da Petz e qualquer outra companhia em expansão, visto que essas estratégias agressivas de expansão acabam gerando aumento de receita na linha final, mas é importante que as lojas já existentes continuem performando bem), houve crescimento de 7,1% no período, ou seja, desconsiderando as aberturas de lojas, a Petz teria um aumento de receita de apenas 7,1%, e não os 34% apontados no começo do texto. Por issoé importante de analisar esse indicador: se você olha somente a linha final, é enganado pelo movimento de expansão, que em algum momento irá acabar. A Petz deve seguir com esse plano agressivo de expansão por mais alguns três trimestres considerando seu caixa atual, e essa queda de ritmo de SSS é um pouco preocupante, porque implica em desaceleração de crescimernto da companhia. O ponto que tranquiliza na análise desse indicador, é o fato de que hoje 53% de suas lojas ainda estão em fase de maturação, isso é, são aberturas recentes que não atingiram o total potencial de receita, o que significa que ainda crescerão bastante. Apenas 36% das lojas tem 4 anos ou mais, tempo adequado para dizer que a loja já atingiu maturidade e está gerando o total potencial de receita. É possível que ao passar do tempo esse SSS melhore por conta disso.

Na linha de receita, graças a todas essas aberturas, a Petz registrou um crescimento de 34,6% no 4T22, atingindo os R$ 935 milhões e estabelecendo mais uma máxima histórica. Desses R$ 934 milhões, 38% da receita foi pelas vendas digitais, representando um crescimento de 7,0pp comparado ao 4T21 e crescendo em mais um trimestre, sem qualquer registro de desaceleração ou lateralização nesse aspecto, o que é excelente, como sempre dizemos, o mundo caminha para se tornar cada vez mais digital e empresas que não se adequam, perdem mercado e dinheiro. Com sua omnicanalidade e Petz está conseguindo ganhar espaço, vendendo por site, aplicativo WhatsApp entre outros meios digitais, o que é uma vantagem face aos concorrentes menores. Outro ponto importante de destacar é a diversidade da receita: no 4T22, 59% da receita da companhia veio da venda de alimentos para os animais, ainda em linha com a estratégia da companhia de priorizar a venda principalmente disso, por ser fácil de passar inflação, se tratando de um bem obrigatório, e de compra recorrente.

Na linha de custos, o CMV da companhia cresceu acima da receita, em 38%, enquanto a despesas operacionais cresceram 35%, refletindo principalmente o plano de expansão da companhia com os gastos de aberturas de novas lojas, contratações, gastos de fretagem com expansão de digital e afins. Como falamos em outra linha, até que as lojas atinjam a maturidade para gerar o máximo potencial de receita, as margens tendem a sofrer e o SSS a cair. O EBITDA, por sua vez, foi de R$ 69 milhões, com um tímido cresciemnto de 5% comparado ao mesmo trimestre do ano pasado, enquanto a margem caiu 2,0pp, de 9,4% para 7,4%.
O lucro líquido da Petz, por sua vez, foi de R$ 24.9 milhões no 4T22, representando uma queda de 32% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, efeito principalmente da aquisição da Zee.Dog e do fato de que no 4T21 houve benefício fiscal que zerou o pagamento de imposto sobre o lucro da companhia.

Como mencionamos, os resultados foram mistos. Sob a ótica de expansão, a Petz está realizando um trabalho incrível abrindo lojas de forma acelerada e ganhando cada vez mais espaço no digital. Algumas aquisições estratégias também estão indicando maior propensão ao domìnio do setor, vide a compra da Zee.Dog que tem realizado movimentos de penetração no mercado de “comida gourmet” dos pets, mas por outro lado, ainda há muito a esperar referente a expansão de todas essas lojas. O tempo médio para uma loja nova atingir a maturidade é algo próximo de 5 anos, e como a maioria das suas lojas foram abertas nos últimos 2 anos, fica difícil analisar margem e SSS nesse contexto. O principal a você ficar de olho é isso: como essas novas lojas estão performando, se o digital está indo bem e se as margens seguem saudávels. Somente o crescimento da receita, não é referência quando o business é de expansão pois a receita irá crescer de qualquer forma com as novas lojas abertas, por isso, foque no SSS e na penetração digital.

Agora... existe um porém na análise da companhia. Como sempre falamos: existe o resultado divulgado em seus releases com todos os ajustes existentes, e o resultado divulgado auditado segundo todas as normas contábeis e oficialmente entre a B3, certo? No caso da Petz, é importante destacar um ajuste que ela realiza que pode mudar – e muito – a percepção da análise sobre a companhia.

A companhia não considera o efeito do IFRS 16 no resultado divulgado no release. Em 2022, por exemplo, o lucro divulgado em release é de R$ 110 milhões, enquanto o lucro de fato da companhia, considerando o IFRS 16, é de R$ 52 milhões. O IFRS 16 é uma norma contábil referente a arrendamento, ou seja, a Petz desconsidera os gastos referentes a aluguéis de lojas e afins ao citar o seu lucro líquido no release, por isso a importância de ir um pouco além.

Na análise aqui presente, utilizamos os dados do release, mas os fundamentos em si, não mudam, visto que nossa leitura foi em relação ao operacional, principalmente, que não tem relação com a métrica de arrendamento aqui citada, mas vale muito o ponto de atenção do investidor: preste atenção no resultado ajustado considerando o IFRS 16. Perceba como considerando essa norma, o lucro da companhia caiu pela metade dem 2022 em relação ao divulgado no release, sendo que é esse lucro considerando o IFRS 16 que importa para o acionista, no final do dia, sendo ele o objeto de referência para pagamento de dividendos entre outras remunerações.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Um pouco sobre a nossa visão de como há chances consideráveis de corte de juros na economia tanto brasileira quanto americana antes do esperado.

Grande parte dos investidores tem acreditado que por conta da alta inflação nos EUA, é esperado que o FED siga com sua política de aumento de juros, seguido em linha com o obvio, afinal, se inflação sobre, é necessário o aumento de juros para controla-la.

A questão é: em uma breve análise histórica sobre todos os momentos em que o país desafiou um cenário semelhante ao atual, o ocorrido foi diferente. Face a um corte de juros em meio a uma expectativa (ou realização) de crise, a inflação seguiu forte curso de queda independente de taxa de juros do país. Foi assim em 2000, foi assim em 2008, foi assim em 2020 e talvez seja assim, novamente, agora.

Na imagem, a linha azul representa a taxa de juros dos EUA, a linha vermelha representa a inflação americana e as setas laranjas os momentos de início de crise.

Apenas um ponto de vista para sair um pouco do obvio sobre aumento de taxas e como isso pode afetar completamente as expectativas do mercado no curto prazo, causando forte mudança da direção dos preços dos ativos.

Não espera 100% que o juros seguirá em curso de alta com uma crise batendo na porta – se algo mudar, não será a primeira vez que o FED dará um cavalo de pau mudando completamente a direção da taxa.
Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 4T/2022

Um trimestre de resultados mistos com margens extremamente pressionadas. As recentes aquisições da Fleury estão machucando bastante as margens da companhia, mas pelo lado positivo, há evolução em diversos pontos e a alavancagem segue completamente controlada. Lembrando que o quarto trimestre costuma ser o pior da companhia por questão de sazonalidade, sendo um período de datas festivas reduzindo o fluxo de exames, com o agravante da copa do mundo no período. Vamos aos números.

No 4T22 a receita da Fleury atingiu os R$ 1.2 bilhão, representando um crescimento de 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Desses 9,4% de crescimento, considerando apenas o crescimento orgânico, seria de 2,1%. Vale destacar também que os exames de Covid representaram apenas 1,2% da receita total da Fleury, uma mínima histórica, sendo que em trimestres passados chegou a representar mais de 10%. A linha de Novos Elos, estratégia de expansão e diversificação da Fleury, também vale menção, crescendo 90% comparando o 4T21 ao 4T22 em virtude das aquisições realizadas no período. O crescimento em 2022 foi de 102% e representou quase 10% da receita da companhia.

Sob a ótica isolada de crescimento, nas unidades de atendimento houve crescimento de todas as marcas, sendo o destaque as marcas regionais, com crescimento de 17%, seguido das marcas do RJ, com crescimento de 14,5%, seguido da marca a+ de SP, com 13,4%, e então a marca Fleury, com 5%. O consolidado teve um crescimento de 10%, sendo que orgânico foi de 6%.

No operacional, a maioria dos indicadores representaram melhora: houve crescimento de 8,4% no volume de atendimentos atingindo os 2 milhões, um crescimento de 10% de exames por atendimento atingindo a quantidade de 10 exames/atendimento e um crescimento de 19% de exames totais atingindo os 20 milhões. A receita bruta por exame, por sua vez, é o destaque negativo, com uma queda de 7,7% de R$ 50,5 para R$ 46,6, explicado por dois fatores principais: (I) as aquisições que possuem ticket médio mais baixo e (II) menor volume de exames de Covid que possuem ticket mais alto.

Na linha de custos, o principal problema do trimestre e o ponto que o investidor deve monitorar. A margem de lucro bruto da companhia teve uma contração fortíssima de 4,58pp, explicado por diversos fatores, sendo dois principais. (I) Pessoal: as aquisições aumentaram o gasto com funcionários exigindo novas contratações entre outros gastos devido a adequação e sinergia das companhias, além de reajustes salariais, com a linha representando 36,7% da receita líquida (contra 35,1% no 4T21) e (II) Material direto e exames: passou a consumir 18% da receita líquida contra 15% no 4T21. Segundo a própria Fleury, essa piora ocorreu principalmente por conta da mudança de mix pela incorporação de novas aquisições, em especial a aquisição da Saha, que utiliza medicações de custo elevado.

Na linha de endividamento, há outra dor atual da companhia, mas completamente controlada: no 4T22 a companhia teve um prejuízo financeiro de R$ 80 milhões, contra um prejuízo financeiro de R$ 55 milhões no 4T21, ou seja, somente pelo gasto com a dívida, a Fleury perdeu um potencial de R$ 25 milhões que poderia ir para a linha de lucro. Isso é resultado da SELIC elevadíssima do momento, aumentando o custo da dívida e algo inevitável. Sob a ótica do endividamento, sua alavancagem está bem segura e em algo próximo de 1,2x o EBITDA com a companhia tendo realizado uma emissão de debêntures no final do ano para reforçar o caixa e com taxas bem baixas, mas aqui vale um adendo de um possível gatilho de valorização da companhia: num momento de inflexão da SELIC, é mais lucro final.

Enfim, todos esses fatores levaram a Fleury a atingir um lucro líquido de R$ 31 milhões, com uma queda de 56 comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com um esmagamento da margem de 4,0pp, dos 7% para os 3%.
Não há a necessidade do eufemismo aqui: o resultado não foi bom. Tiveram algumas linhas positivas no trimestre, como o crescimento orgânico e a receita maior com sinergia de suas aquisições, mas a pressão nas margens foi terrível. A alavancagem da companhia está sob completo controle e ela tem se mostrado bem sólida mesmo no olho do furacão com uma dívida alta e uma SELIC de quase 14%, ainda gerando caixa e com um operacional saudável, mas a pressão sob as margens pelas suas aquisições (em especial a Saha, como citado) machucou muito. Não gostamos muito desse ponto e será o principal ponto que iremos monitorar para os próximos trimestres. Vale ressaltar novamente que o quarto trimestre é sempre o mais fraco da companhia, mas ainda assim, foco nas margens. Acreditamos que a companhia tente contornar isso de alguma forma visto que a reação do mercado e dos principais acionistas será bem negativa, mas vale como ponto de atenção.

Os fundamentos seguem sólidos, mas as margens devem ser o foco nos próximos trimestres.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 4T/2022

Produtores se beneficiando e processadores sofrendo. Em meio a toda a turbulência sobre o preço das commodities, o resultado da M. Dias Branco segue extremamente imprevisível e errático, com a companhia tentando sobreviver a um cenário de volatilidade altíssima do preço de insumos que depende para produzir seus produtos. Nesse trimestre, houve dois problemas em específico que agravaram ainda mais o resultado da companhia. Vamos aos números.

No 4T22 a M. Dias Branco entregou uma receita líquida de R$ 2.7 bilhões, representando um crescimento de 28,5% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento veio sobre todas as suas verticais de produtos, sendo +20,3% em Biscoitos (representando R$ 1.3 bilhão), +19,6% em massas (representando R$ 0.5 bilhão), +48,7% em farinha e farelo (representando R$ 0.5 bilhão) e +17,7% em margarinas e gorduras (representando R$ 0.2 bilhão). Apesar desse forte desempenho da receita, vale destacar que a melhora foi em virtude somente do aumento de preço dos seus produtos, ou seja, repasse da inflação. O volume de vendas seguiu praticamente a mesma coisa, com um leve crescimento de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, em 441 mil toneladas, sendo que o preço médio de venda dos seus produtos por R$/kg foi o fator que salvou, com um crescimento de 28,7%.

Em relação ao market share da companhia, uma das “jóias da coroa”, houve ganho forte de participação comparando o 4T21 ao 4T22 na linha de farinha, principalmente, saindo de 6,6% para quase 11%, enquanto na linha de massas houve crescimento de 30% para 31,1% e no de biscoitos de 32,5% para 32,8%, praticamente na estabilidade. Vale ressaltar que a dinâmica de participação de mercado em momentos como o de agora tende a ter maior volatilidade, ou seja, pode ter maior movimento quanto para cima quanto para baixo. O atual momento demanda uma dinâmica de repasse de preço das companhias sobre os seus produtos. Algumas optam por não repassar no curto prazo, outras repassam de uma vez... no final das contas, em algum momento, todas vão ter que repassar para seguirem com um operacional saudável. Essa janela de diferença de decisão entre as companhias causa essa distorção na participação.

A linha de custos é o principal vilão da M. Dias Branco atualmente. Na verdade, desde o começo de 2020, mas em 2022, com a guerra da Ucrânia, se tornou de fato um problema significativo e bem pior do que qualquer pessoa do mercado esperava. No 4T22 o trigo passou a representar 38% da receita líquida (contra 34,8% no 4T21) e o óleo passou a representar 12,4% da receita líquida (contra 12,2% no 4T21). Por incrível que pareça, outras linhas de custos deram uma boa melhorada em termos relativos, mas seguem também crescendo em termos absolutos, mostrando que ainda há uma ponta inflacionária causando ferimentos no balanço da companhia. Em termos totais, no 4T22 80,5% da receita líquida foi utilizada somente como CPV, contra 79,6% no 4T21. No 3T22, trimestre que teve uma melhora significativa, esse número foi de 77%, ou seja, a companhia perdeu 3,0pp de margem só pela linha de aumento de custos de insumo. E vale outro ponto a ser citado aqui. No resultado da M. Dias Branco, a empresa dispõe do gráfico de preço médio de aquisição de estoque dos insumos contra o preço de mercado.
Se você prestou boa atenção, percebeu que durante alguns meses, a companhia teve um custo bem maior que o preço médio de mercado – e esse é um dos principais problemas do trimestre. Veja: em maio de 2022 a tonelada do óleo de palma estava em US$ 1.707, dois meses depois, em julho, a tonelada do óleo de palma caiu para US$ 1.181. Pense na dor de cabeça da gestão de estoque de um produto com uma volatilidade tão alta em um cenário tão incerto: não é simples falar sobre hedge ou previsibilidade de preço aqui. A companhia foi punida tendo que adquirir estoque em um momento delicado e esse foi um dos principais fatores machucando suas margens. Vale lembrar que a guerra da Ucrânia afetou completamente o mercado de trigo e óleo de palma pois são dois produtos que tanto a Rússia quanto a Ucrânia possuem relevância na produção global, não em vão o preço dos produtos dispararam.

Na linha de resultados financeiro, um ponto que não gostamos, que na nossa opinião, foi um dos erros da companhia em questão de gestão de caixa. A companhia pagou uma quantidade exorbitante de JCP no ano passado e teve uma redução expressiva de R$ 1 bilhão do seu caixa, piorando o quadro financeiro da companhia, que teve um prejuízo líquido de R$ 102 milhões em virtude de menores receitas financeiras no período (lembrando que apesar do resultado financeiro ter sido mais alto no 4T21, o CDI estava mais baixo – hoje é bem provável que a companhia saísse quase no zero a zero se ainda tivesse o caixa que tinha antes).

Todos esses fatores levaram a M. Dias Branco a ter um lucro líquido de R$ 15.5 milhões, representando uma queda de 90% contra o mesmo trimestre do ano passado.

O resultado não foi bom, foi bem ruim, de fato, mas é necessário pontuar os dois principais motivos. (I) margens: aqui não há muito o que fazer, a companhia está em meio ao fogo cruzado da volatilidade de um mercado que caminha pelo tom de uma guerra na Europa. Não, não é exagero – procure sobre o mercado de trigo e verá o peso que a guerra tem sobre ele. Essa dinâmica de gestão de estoque com uma volatilidade cavalar sobre o preço dos insumos vai continuar causando compressão das margens se não houver melhora. Pros próximos trimestres, caso os preços mantenham-se tranquilos, a companhia seguirá repassando preços, e é esperado uma melhora de margem. Ela já havia feito isso no 3T22, mas novamente houve um choque e novamente houve problema. É praticamente um jogo de gato e rato. (II) resultado financeiro: aqui avaliamos que tenha sido apenas uma decisão ruim da companhia. É necessário também compreender o que cabe ou não a companhia controlar, sendo que o seu caixa definitivamente é ela que o faz. Houve uma redução de R$ 1 bilhão em caixa entre 2021 e 2022 em um período onde a SELIC saiu de 2% para 13,7%. No 4T22 o resultado financeiro consumiu R$ 102 do lucro. Percebe o tamanho do problema? Como citamos mais acima, é bem provável que com um caixa ainda forte, a companhia sairia próximo do zero a zero, deixando seu dinheiro render o CDI e arcando com as dívidas do período sem necessidade de consumo do operacional.
Não enxergamos uma deterioração de fundamentos como muitos perguntaram para nós em nossa caixa de perguntas da página do Instagram. Entendemos perfeitamente o momento problemático e que não há mágica – literalmente toda companhia que processa commodities está passando por isso. A M. Dias Branco não é exceção, e seguimos pacientes esperando que ela repasse esses custos no preço dos seus produtos visando dias melhores, mas sempre com o pé no chão para compreender o que é fator exógeno do que é fator de má gestão – veja, na própria opinião demos exemplo, mostrando como um fator foi de fato em razão do cenário conturbado, e outro foi de uma política de pagamento de proventos completamente equivocada. De 2019 para cá foi uma sucessão de eventos de filme de terror para a companhia, com o trigo em determinado ponto do filme, chegando a multiplicando seu valor em quase 3 vezes, então não há mágica, não há sentido em pedir melhora do cenário dessa forma. Se trata de uma das principais dores do longo prazo: a de continuar no barco mesmo com as ondas cada vez mais violentas e uma tempestade mais forte. O fato é: o mercado irá normalizar e as commodities vão assentar em determinado patamar de preço, no mercado de trigo, já há a calmaria, embora a volatilidade esteja altíssima e até o resultado do 2T23 tudo pode mudar. Se você acredita que a companhia sobreviverá ao ciclo e conseguirá passar todas as dores de preço ao preço dos produtos, é uma oportunidade. Se você não acredita... bem, você já sabe o que fazer.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Dois gráficos extremamente importantes para a direção da SELIC nas próximas reuniões:

1. Primeiro gráfico: o preço das commodities desde o início da pandemia. Hoje ainda estamos bem acima do registrado no período, mas como evidente, bem abaixo das máximas registrados em 2022.

2. Segundo gráfico: a emissão de crédito está afundando em velocidade acelerada, em virtude principalmente da SELIC altíssima, que torna o capital caro e reduz a demanda.

Esses dois gráficos importam porque o preço das commodities em queda significam queda de preço de diversos bens na economia, principalmente dos combustíveis e dos itens de alimentação relacionados ao agro, e menor emissão de crédito significa menos investimento, menos crescimento econômico, menor demanda e consequentemente contração de produção, o que pode até mesmo jogar o desemprego para cima.

Como mencionado pelo comitê na última reunião do COPOM, a equipe está monitorando principalmente esses dois fatores citados acima, mas há também outro fator de extrema importância que há um bom tempo o Roberto Campos Neto vem tratando e dizendo que é determinante também para ancorar as expectativas sobre a SELIC e possibilitar um cenário de corte: o arcabouço fiscal.

O Banco Central está de mãos atadas sobre a decisão de juros até que o Governo se pronuncie e mostre um plano sólido referente ao cenário fiscal do país, pois é um plano decisivo referente ao pé no acelerador da demanda, que por sua vez, pode acabar causando mais pressão inflacionária e não faria sentir o COPOM reduzir juros agora para posteriormente ter que aumentar em pouco tempo.

Em suma, não acreditamos que a SELIC siga tão alta por tanto tempo por causar justamente o que falamos mais acima: nos 13,75% o risco de uma recessão severa não é baixo. O último dado de emprego do país já veio deteriorado com um crescimento inesperado, e a tendência é que o desemprego siga subindo, visto que é completamente inviável que as companhias cresçam e invistam com uma taxa de juros nesse patamar. Tem empresa atualmente que está literalmente usando todo o resultado de suas operações para bancar suas dívidas, e nesse ritmo, é questão de tempo até uma recuperação judicial por fator de insustentabilidade.

Como já falamos diversas vezes: é mais importante do que nunca que o Banco Central e o Governo alinhem logo as ideias. No momento, o erro está do lado do Governo, que já caminhando para o quarto mês de gestão, ainda não apresentou a base do novo arcabouço fiscal prometido, deixando os agentes econômicos de mão atadas sem saber de fato se o plano terá um viés inflacionário maior.

Crédito do gráfico ao Fernando Siqueira da Genial Investimentos.
Você acha que a SELIC começa a cair esse ano?
Anonymous Poll
73%
Sim
27%
Não