FinDocs
3.37K subscribers
279 photos
14 files
234 links
Bem-vindo(a) ao canal oficial da FinDocs.

Aqui você encontrará notificações dos nossos conteúdos, de aulas, eventos, comentários e discussões da nossa equipe e demais materiais que julgarmos relevantes para você.

www.findocs.com.br

Avante!
Download Telegram
Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3) – 4T/2022

Mais um trimestre de recuperação e sem grandes surpresas, honrando justamente o que o investidor que investe seu capital no segmento de saneamento, busca: a previsibilidade. O destaque do trimestre foram as margens e o operacional, para não dizer que 100% do ocorrido já era esperado. Vamos aos números.

No 4T22 a Sanepar seguiu com a expansão do seu índice de cobertura sobre a rede de coleta de esgoto, com um crescimento de 1,7pp entre o 4T21 e o 4T22 e atingindo os 78,9%, em linha com os investimentos da companhia na área reforçando sua estratégia face ao novo marco de saneamento.

Na linha de ligações de água, a Sanepar segue sua expansão, com 62,2 mil novas ligações entre o 4T21 e o 4T22, representando um aumento de 1,9, enquanto as ligações de esgoto, como já apontado, teve maior crescimento, com 65,9 mil ligações e um crescimento de 2,8% comparado ao 4T21. O volume medido de água, por sua vez, cresceu 1,3% no trimestre e 2,1% no ano, atingindo 129 milhões de m³ e 509 milhões de m³ respectivamente. Sobre o índice de perda, um ponto importante: talvez o investidor se assuste com o crescimento do número de 2021 até então, mas é necessário pontuar a razão desse aumento. Desde 2021 o número vem subindo, atingindo um índice de perda de ligação de 222 pontos em 2022 contra 210 pontos em 2021, mas vale lembrar que em 2021 tivemos forte crise hídrica e o consumo de água foi expressivamente reduzido, o que diminuiu o volume faturado e consequentemente as perdas por ligação. Hoje o número retorna ao seu patamar médio, mas ainda abaixo, ou seja, nada a se preocupar.

Outro ponto de suma importância a ser abordado são os volumes disponíveis. Quem investe na companhia há mais lembro, se lembra que desde 2020 a empresa passava por problemas sérios referentes aos seus reservatórios. Em determinado momento, os reservatórios da Sanepar chegaram a atingir um volume crítico de 39%. No fechamento de 2021 estava em 67% e no fechamento de 2022, para não dizer 100%, foi fechado em 99,7%. Ou seja, não há mais crise hídrica – ao menos no curto prazo considerando as projeções climáticas atuais.

Já sob a ótica da receita operacional, houve crescimento de 6,7% entre o 4T21 e o 4T22, atingindo os R$ 1.47 bilhão, e de 9,0% entre 2021 e 2022, atingindo os R$ 5.67 bilhões. Desse crescimento, 8,4% veio da receita de água e 6,7% da receita de esgoto. Um crescimento resultante de reajuste tarifário e maior volume faturado de água e esgoto somado ao aumento de ligações da companhia.

A parte de custos talvez seja a mais importante da leitura, com os maiores detalhes e que não podem passar batidos.

No 4T22 houve um crescimento de 7,8% nos custos e despesas da Sanepar, atingindo os R$ 979 milhões, sendo os destaques o aumento de gasto com pessoal com crescimento de 20,7%, o aumento com gastos em materiais com crescimento de 28,6%, a redução de gasto com energia elétrica que caiu 37,7% e o aumento de gasto com multas ambientais com crescimento de 2.554%.

É importante detalhar cada uma dessas linhas. (I) a linha de pessoal foi impactada por dois não recorrentes, a de um reajuste de 10,5% nos planos de saúde da SaneSaúde e de indenizações trabalhistas no valor de R$ 42 milhões, além de um reajuste salarial bem alto decorrente do INPC atípico no período, (II) o gasto com materiais teve um crescimento também atípico por conta do aumento de gasto com material de tratamento, parte por conta da inflação, (III) a energia elétrica teve uma redução forte por conta da queda do preço com a mudança da bandeira com o fim da crise hídrica e a redução do ICMS de 29% para 18% e (IV) um gasto altíssimo de R$ 88 milhões com uma multa ambiental, que será desembolsada ao longo de 120 meses. Ou seja, em virtude principalmente da multa, as despesas vieram bem acima do normal, além de fatores que também podem ser considerados não recorrentes como os próprios acordos trabalhistas. Sem esses números, a despesa teria leve redução no período.
O resultado financeiro da Sanepar também demonstra a qualidade do perfil de crédito da companhia. Apesar do seu alto endividamento, a gestão tem realizado um bom trabalho entre receita e despesa financeira. As receitas financeiras cresceram 57% comparado o 4T21 ao 4T22, além das despesas financeiras tiveram um aumento de 21,7%. Esses números equilibraram o resultado da companhia e mesmo com a forte alta da taxa de juros no período, a Sanepar conseguiu entregar um resultado financeiro com um prejuízo estável, igual ao mesmo trimestre do ano passado, e quase 12% menos em 2022 do que em 2021. Vale mencionar também o perfil de sua dívida: um terço dessa dívida é com a Caixa Econômica Federal, com uma taxa flutuante entre 6,6% e 10,0% indexada a TR com término em 2046, além de metade da sua dívida ter de ser paga apenas daqui 5 anos ou mais, é uma dívida muito alongada e com taxas baixas, o perfil de dívida que todo empresário sonha em ter.

Todos esses fatores levaram a Sanepar a um lucro líquido de R$ 351 milhões, contra um lucro de R$ 332 milhões no 4T21. Como mencionamos mais acima, nesse trimestre houve um não recorrente de uma multa ambiental que será paga ao longo dos próximos 10 anos, e sem esse fator o lucro seria de R$ 417 milhões, o que representaria um crescimento de 20% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

A análise da Sanepar é justamente o que todo investidor do setor deve esperar: zero surpresas. Trata-se de uma companhia de um setor calmo, sem disrupção, sem grandes novidades, com um produto comum e “sem graça”. A empresa hoje está em fase de recomposição de suas margens depois de uma porrada inflacionária que sofreu na pandemia e a tendência é que os números melhorem trimestre a trimestre, além do crescimento comum de expansão de linha de ligações e relacionados.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – Lojas Renner ($LREN3) – 4T/2022

Um trimestre de números mistos, mas justificado. No último trimestre de 2022, a Renner entregou um crescimento forte de lucro, mas como sempre falamos, analisar somente ao lucro é fraco, induz ao erro e pode causar péssimas tomadas de decisões. Para um crescimento de lucro bom e boa recomposição de margens, outros números como aumento de inadimplência e estabilização de receita tornaram o resultado da Renner um balde de água morna para o momento, mas também compreensível por conta de alguns fatores macroeconômicos. Vamos aos números.

No 4T22 a Renner entregou uma receita de varejo (aqui, vale lembrar, que a empresa divulga duas linhas de receita, a de varejo, que consiste na receita provinda da venda de seus produtos, e a receita consolidada, que consiste no total, também de seus serviços financeiros e de intermediação como o da sua plataforma “Repassa”) de R$ 3.55 bilhões, estável em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi registrado R$ 3.56 bilhões. Segmentando esse crescimento de receita por negócio, a Camicado foi a que demonstrou pior desempenho no trimestre, com uma queda de 23% da receita, algo esperado, visto que é um setor extremamente sensível a taxa de juros – essa queda é conjuntural do segmento e casa & decoração e vem ocorrendo há alguns trimestres. Sobre a queda do resultado consolidado, com a Renner demonstrando praticamente uma estabilidade na receita, é necessário destacar alguns pontos. (I) o ano de 2021 foi atípico: não podemos ignorar que assim como 2020, 2021 foi um ano com benefícios, auxílios entre outros valores sendo pagos e beneficiando fortemente o varejo. Não na mesma proporção que 2020, mas 2021 também se beneficiou dessa injeção de dinheiro que escoou diretamente para o varejo. (II) SELIC: falamos muito como as empresas alavancadas sofrem com uma SELIC elevada, mas não podemos ignorar principalmente o efeito na população. Assim como uma empresa alavancada tem que destinar maior parte do seu orçamento para o pagamento de dívidas, com a pessoa física o mesmo acontece, além do menor estímulo ao consumo por conta das maiores taxas de financiamento e da maior atividade para formar poupança para ganhar 1% ao mês sem fazer nada. (III) Inflação: o ano de 2022 foi melhor que o esperado em termos inflacionários, mas ainda assim, terrível. Foi somente em junho que o impasse sobre o preço dos combustíveis foi resolvido, e tarde demais, com o brasileiro médio perdendo pelo menos 30% do seu poder de compra. Para se ter ideia, hoje o Brasil está com uma renda média pior do que estava há 10 anos em termos reais. Esse é o tamanho do problema atualmente. Em suma, o ano foi horrível pro varejo de forma geral – não justificando em totalidade o resultado da companhia aqui, mas lembrando do fator de ciclicidade que não se pode ignorar. A Renner não está em um setor forte como a WEG para conseguir crescer de forma descorrelacionada.

As vendas digitais apresentaram crescimento, mais uma vez, crescendo 6% em GMV comparado ao 4T21 e representando 11,7% das vendas totais da companhia, crescimento de 0,7pp. Esse é um excelente ponto: no 4T19 esse número era de 4%, ou seja, já quase triplicou, e é de suma importância que esse número siga crescendo porque é mais do que sabido que o futuro é digital e empresas que não se adaptem a isso, percam cada vez mais mercado. A Renner começou a se movimentar tarde em relação a isso, mas mesmo assim, tomou excelentes decisões, vide a criação do CD de Cabreúva e o desenvolvimento de seu omni channel.
O lucro bruto, assim como a receita, apresentou estabilidade, crescendo apenas 1,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas as margens seguem melhorando, retornando ao patamar registrado antes da pandemia. No 4T20 a margem era de 53,8%, no 4T21 foi para 55,0% e no 4T22 foi para 55,7%. Ainda há chão para retornar ao patamar de antes, de 58%, mas a melhora está ocorrendo mesmo face ao cenário extremamente adverso do momento, com readequação de preços face ao boom inflacionário dos trimestres passados. A margem operacional também segue demonstrando forte melhora, crescendo 6,4pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado como resultado do maior lucro bruto e da contenção de despesas da companhia. O registrado no 4T22 foi de 26,8%, contra 20,3% no 4T21 e 30,1% no 4T19. Assim como a margem de lucro bruto, ainda não atingiu seu nível de antes da crise, mas segue se recompondo.

A linha de resultado de serviços financeiros foi um dos pontos baixos da Renner nesse trimestre – talvez o maior problema. Assim como o setor bancário, a Renner também sofre com crescimento de inadimplência. A companhia vende muito de seus produtos de forma parcelada, e utiliza também os seus cartões, ou seja, aumento de juros também machuca seu balanço por tornar a inadimplência uma problemática em tempos de aperto de orçamento das famílias. No 4T22 a Renner apresentou um crescimento de 42% de suas receitas de serviços financeiros, de R$ 301 milhões para R$ 407 milhões, mas por outro lado, a perda de crédito atingiu R$ 305 milhões, crescimento de 126% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esses fatores levaram a Renner a ter um prejuízo, pela primeira vez, em sua linha de serviços financeiros, na ordem de R$ 35 milhões, conta um lucro de R$ 51 milhões no mesmo trimestre do ano passado. Em termos anualizados a Renner teve um lucro de apenas R$ 81 milhões com seus serviços financeiros, contra um lucro de R$ 250 milhões no mesmo trimestre do ano passado. Desde 2019 esse número vem caindo em virtude do cenário macroeconômico cada vez mais desafiador, e esse é um dos pontos de atenção da companhia no momento. Dar crédito, ainda mais no Brasil, não é fácil, nem um pouco fácil. Basta ver a grandes varejistas como a Magalu e a Via o quanto sofrem nesse sentido. A Renner não se equipara a essas companhias e é expressivamente mais conservadora, além de ter um ticket médio menor, o que reduz inadimplência, mas ainda assim, o investidor deve monitorar essa linha todo trimestre – apesar do crescimento da receita, o lucro está caindo e melhorar isso face a uma SELIC tão alta é um desafio gigante para a companhia. A Renner alega que apesar dessa deterioração, as novas safras de clientes na carteira de crédito já demonstram melhor qualidade, o que faz total sentido, dada a seletividade do crédito pro momento, mas somente os próximos trimestres mostrarão isso de fato caso seja real.

Na linha de resultado financeiro, apesar de não ter relevância na análise, é interessante passar por cima só para mostrar uma das vantagens no momento: a Renner tem zero dívida. Enquanto grande parte das varejistas estão sofrendo com alavancagem e pagando uma parte gigante do seu resultado operacional em alavancagem, a Renner sai praticamente no zero a zero nessa linha, passando ilesa pela SELIC do momento de forma direta. Houve prejuízo de R$ 36 milhões, mas por questão de hedge referente as operações na Argentina, e um resultado bem próximo do mesmo trimestre do ano passado.

Todos esses fatores levaram a Renner a lucrar R$ 482 milhões, um crescimento de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto sua margem de lucro líquido subiu 1,9pp, para 13,6%, crescendo consistentemente desde o 4T20, trimestre da pandemia, quando esse número afundou com força.
Apenas pontuando, para finalizar, quando dissemos que a receita que a Renner demonstra no começo do release ser de seu varejo, no consolidado ela atingiu os R$ 4 bilhões de receita, representando um crescimento de 4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, visto que sua linha de receita de serviços cresceu 51%. É interessante analisar também o consolidado, apenas complementando.

Em suma, como já dito, os números da Renner foram mistos. A melhora de margens entre alguns outros fatores operacionais são incontestáveis, mas não dá para ignorar a realidade do cenário atualmente. A companhia vem se recuperando de uma porrada que tomou lá em 2020, quando os shoppings foram fechados em razão da pandemia (lembrando que 95% das lojas da Renner estão em shoppings) e ela literalmente quase não tinha forma de vender digitalmente, vide a penetração digital pífia em 2019 que ficou na casa dos 3%. De sua recuperação desde então, hoje ela enfrenta outro monstro, mas dessa vez, batendo no setor inteiro: o orçamento esmagado do brasileiro médio. Comprar roupa não é prioridade, trata-se de um bem não essencial. Com uma renda amassada e uma inflação pujante como tivemos em 2022, o varejo passa por um desaquecimento forte. Além da inflação, houve maior SELIC pressionando financiamentos fazendo com que fossem evitados por conta de um custo mais elevado e também um período eleitoral que, querendo ou não, cria incertezas em todos os ambientes de consumo, sem exceção – não em vão a maioria das companhias estão falando sobre isso. Quanto mais polarizada uma época eleitoral, mais incerto o consumidor fica em relação ao consumo, reflexo dos vendedores de sustos que vemos por aí. Sabemos que esse resultado mais fraco preocupa boa parte dos investidores da companhia que tratam a Shein como a principal concorrente da Renner, atualmente, mas lembre-se que correlação não implica causalidade, e hoje o maior monstro que bate não só na Renner mas em todo o setor de vestuário do país, é o econômico.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – EDP ($ENBR3) – 4T/2022

Um prejuízo monstruoso, histórico... e não recorrente. Como sempre falamos, analisar somente o lucro induz ao erro. No caso do resultado do quarto trimestre da EDP, muito número bom pode passar batido caso você leia o release pensando no prejuízo de quase R$ 400 milhões que a companhia deu no trimestre. A linha de lucro foi completamente contaminada e é praticamente negligenciável, e muitas outras linhas vieram positivas na nossa leitura. Como o resultado da companhia é extenso, daremos foco apenas as linhas mais importantes. Vamos aos números.

No 4T22 a EDP entregou uma receita líquida de R$ 3.9 bilhões, representando uma queda de 14,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi registrado uma receita líquida de R$ 4.6 bilhões. Essa queda ocorreu principalmente por conta de uma piora do desempenho na linha de receita de geração de energia, principalmente térmica, que acabou impactando também o segmento de distribuição. Essa variação de receita é normal, ainda mais considerando a quantidade de não recorrentes que ocorreu no ano passado, referente ao uso de termelétricas, crise hídrica e afins. Em um ano com tantos problemas e mudanças no setor elétrico (de crise hídrica a redução tributária) a base comparativa fica extremamente suja, então essa redução de receita não é fator de preocupação. Olhando somente pela linha de geração térmica, a situação fica ainda mais evidente, com queda de quase 50% de receita entre os trimestres, visto que as termelétricas não estão rodando atualmente devido a melhora do cenário hidrológico.

No caso da EDP, a leitura de resultado é mais adequada utilizando suas margens. A margem bruta da companhia teve uma melhora de 10,5%, potencializada principalmente pelo segmento de distribuição, com reajuste tarifário, e sob a linha de reajuste de contrato de termelétrica de Pecém. Essa melhora resultou num aumento de R$ 1.4 bilhão para R$ 1.6 bilhão.

Na linha de gastos, o fator que causou um prejuízo cavalar para a companhia. Nas linhas “comuns” não há nenhum ponto importante a citar: aumento salarial na linha de pessoal com crescimento de 7,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, gastos com materiais em linha com a normalidade, serviços de terceiros também... mas uma linha chama a atenção: a de depreciação e amortização. No trimestre, a EDP registrou um impairment de R$ 1.2 bilhão referente a sua termelétrica de Pecém. Um impairment nada mais é do que uma “reavaliação” do preço de um ativo da empresa, no caso, houve essa reavaliação de sua termelétrica, com reajuste de R$ 1.2 bilhão para baixo, ou seja, houve baixa contábil. Essa baixa contábil dobrou a linha de gastos da companhia, de R$ 1.2 bilhão no 4T21 para R$ 2.4 bilhão no 4T22. Sem esse impairment, os gastos da companhia teriam caído 13% comparando os trimestres, evidenciando a eficiência da EDP com a melhora da sua operação. O EBITDA também apresentou forte melhora tanto no trimestral (+16,3%) quanto no anual (+22,1%).

O resultado financeiro, por sua vez, registrou um prejuízo de R$ 372 milhões no 4T22, representando uma piora de 29% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e em 2022 um prejuízo de R$ 1.4 bilhão, representando uma piora de 83%. Sem surpresas, como você já deve ter lido várias vezes em outras análises, isso é efeito do aumento da SELIC que torna a alavancagem mais cara, cenário comum, faz parte. No caso da EDP, 65% da sua dívida está atrelada ao CDI e 35% ao IPCA, diferente de outras elétricas, como a Engie, que tem quase 100% da dívida atrelada ao IPCA e o aumento do CDI não causa efeito tão negativo. É importante também mencionar que sua alavancagem segue saudável, ainda em 2,0x EBITDA, mesmo patamar que estava há 1 ano. Houve crescimento de alavancagem ao longo do ano, mas com a melhora do operacional a companhia teve redução. Ou seja, espere um cenário de melhora de resultados da EDP conforme a SELIC vá para baixo, mas monitore esse custo de alavancagem enquanto a SELIC estiver para cima.
Finalizando, outros dois pontos operacionais da EDP que merecem menção é seu DEC/FEC que tiveram melhora expressiva comparando trimestre a trimestre, e que sua PDD, mesmo com a piora do cenário econômico, também está caindo, mostrando um trabalho excelente da companhia em termos de recuperação de crédito de inadimplentes.

Todos esses fatores levaram a EDP a registrar um prejuízo de R$ 397 milhões, o pior resultado da sua história... mas calma, vamos relembrar. Você se lembra do impairment ocorrido com a termelétrica de Pecém? Então, isso causou um prejuízo contábil de R$ 1.25 bilhão para a EDP, ou seja, esse prejuízo é apenas fruto contábil. É bem provável que sem esse fator, a companhia registrasse um lucro maior do que o do trimestre passado dada a melhora do seu operacional. Percebe a importância da leitura do resultado além da linha de lucro? O lucro foi contaminado, não diz nada e induz ao erro. É puro fruto contábil sem reflexo no caixa da empresa ou de suas operações. O que pode entrar em discussão aqui, é a razão dessa baixa contábil de R$ 1.2 bilhão, mas sem qualquer reflexo referente ao operacional da empresa, que é o que realmente importa.

Ou seja, sem preocupação. Mais um resultado que mostra a importância da leitura além da linha de lucro, com um operacional melhorando e um resultado positivo da companhia.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 4T/2022

Um trimestre forte com algumas linhas recorde, surfando no benefício de alguns períodos não recorrentes, como a própria copa do mundo, em novembro, que potencializou as vendas da companhia. A empresa segue repassando os custos da inflação e recompondo sua margem, mas o cenário desafiador continua principalmente pelas vendas fora do Brasil. Vamos aos números.

Na linha de Cerveja Brasil, a Ambev entregou um recorde histórico de volume vendido, com um crescimento de 4%, atingindo os 26.6 milhões de hectolitros, enquanto a receita por hectolitro cresceu 12,4% para R$ 405 também atingindo um recorde histórico, potencializado pelas marcas Original, Chopp Brahma, Stella Artois, Corona e Spaten – esse crescimento de volume unido ao preço do hectolitro reflete a estratégia da companhia em repassar a inflação ao preço dos produtos, o que tem sido um sucesso até o momento sem qualquer evidência de perda de mercado nacional. O ponto negativo vem pela ótica de custo de produto vendido, ainda com o aumento de custo de fretagem e insumos, o CPV por hectolitro subiu 18%. No consolidado das operações brasileiras de cerveja, a receita líquida cresceu 17% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e o EBITDA cresceu 11,2%.

Na linha de NAB Brasil (bebidas não alcoólicas), números também muito positivos. O volume cresceu 6,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os 9 milhões de hectolitros impulsionada pela venda das marcas Red Bull, H2OH!, Gatorade e Pepsi Black (dobrando o volume no período, inclusive sendo o destaque, visto que a companhia tem praticado promoções agressivas nos últimos meses para fazer face a concorrência com o alto preço da Coca-Cola) e a receita por hectolitro subiu expressivos 18%, atingindo os R$ 224. Com o mesmo problema da minha de Cerveja Brasil, o CPV também teve alta expressiva comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de 16,6%, refletindo os mesmos problemas de custo, mas a receita líquida subiu 26% e o EBITDA subiu 22%.

O consolidado das operações nacionais foi um crescimento de 4,6% do volume vendido, um crescimento de 13% na receita por hectolitro, um crescimento de 18,2% na receita líquida e um crescimento de 17,7% no CPV. O EBITDA, por sua vez, cresceu 12,6%.

Passando rápido pelo cenário do exterior, na CAC (América Central e Caribe) houve queda de 13,4% do volume vendido em razão de perda de mercado por pressões inflacionárias (a Ambev vende marcas premium, que acabam sendo menos escolhidas em momentos assim), mas houve crescimento de 7% da receita por hectolitro. Na América Latina, o mesmo problema da América Central: pressão inflacionária reduzindo o volume, mesmo que ligeiramente, com queda de 1,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto no Canadá houve queda de 5,4% no volume.

No consolidado a companhia entregou um crescimento de volume de 1,5%, enquanto a receita por hectolitro também cresceu 1,5% atingindo um patamar histórico e corroborando com a recomposição de resultados da companhia face a inflação passada.

Todos esses fatores levaram a companhia a um crescimento de EBITDA de 5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado com ligeira recomposição de margem de 0,5pp e um lucro líquido 35,7% maior, de R$ 5 bilhões – vale destacar que houve um efeito tributário não explicado na ordem de R$ 360 milhões, a qual a companhia irá tratar melhor em call.
Em resumo, o resultado foi bom. Hoje o mundo passa pelo mesmo problema que o Brasil passou há alguns meses, com uma inflação forte e um aperto de orçamento, redirecionando os gastos das famílias, o que acaba impactando o consumo de alguns produtos. O destaque positivo do trimestre foi a operação brasileira da companhia (sendo a principal, também) que teve forte melhora com números recordes sendo potencializada por conta da Copa do Mundo, mas o cenário internacional acabou impactando negativamente no consolidado, agravado pela inflação e clima mais gelado. Para o 1T23, é bem provável que os números ainda venham fortes e tenhamos uma recomposição das margens, dado o período de carnaval, que historicamente beneficia muito a companhia, e alguns lançamentos pro período, vide a Caipibeats, que segundo a companhia, tem sido um sucesso de vendas. O Zé Delivery também merece menção, batendo recorde em mais um trimestre. De olho nas margens e na capacidade da companhia de repassar os preços para os produtos nos próximos trimestres. O pior da inflação, aparentemente, já foi, e como a dinâmica de sempre, primeiro vem a inflação e depois, progressivamente, os preços são repassados para os produtos.

Infelizmente o caso da Americanas criou um estigma sobre a Ambev e o preço das ações da companhia acabaram sendo impactadas sem refletir de fato alguns fatores fundamentais, mas no fim, os números falam mais alto.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – Raia Drogasil ($RADL3) – 4T/2022

Uma WEG do segmento de varejo farmacêutico. Quem ouve a palavra “varejo” e coloca todas as companhias do setor no mesmo conjunto de Magazine Luíza, Via e afins, deixa algumas joias da bolsa passarem despercebidas por pura implicância semântica. A Raia Drogasil pode ser chamada de WEG do varejo farmacêutico pois, assim como a gigante do setor de bens de capitais, seus resultados crescem e melhoram literalmente todo o trimestre, em um ritmo tão preciso e previsível quanto um relógio. No trimestre, não foi diferente. Vamos aos números.

No 4T22 a RaiaDrogasil realizou a abertura líquida de mais 77 farmácias, com um total de 207 farmácias abertas nos últimos 12 meses, atingindo 2.697 farmácias e honrando seu plano de expansão prometido no guidance anual. A cobertura de municípios pulou subiu de 485 para 540 entre o 4T21 e o 4T22, sendo o market share o indicador mais impressionante: a Raia Drogasil está conseguindo ganhar participação de mercado em absolutamente todas as regiões do país. No consolidado do Brasil, cresceu 1,0pp, de 14,1% para 15,1%, enquanto em SP subiu 1,4pp para 27%, no Sudeste subiu 0,9pp para 10,8%, no Centro Oeste subiu 1,7pp para 18,7%, no Sul subiu 0,5pp para 9,9%, no Nordeste subiu 0,7pp para 10,5% e no Norte subiu 1,9pp para 7,5pp. Os números impressionam, como já dito, pois a RaiaDrogasil é fortíssima na região Sudeste do país, em especial no SP, mas a estratégia de expansão tem dado certo fora desse polo a qual ela já conhece bem.

Em termos de digitalização, a companhia atingiu R$ 920 milhões de receita pelos canais digitais e atingindo uma penetração digital de 11,8%, um crescimento de 2,6pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa linha é importante e deve ser monitorada pois as vendas digitais fazem um papel cada vez mais preferido pelo consumidor, então uma empresa que não tenha estratégia nesse ponto, tende a perder mercado e destruir valor. No caso da RaiaDrogasil, sua estratégia de omnicanalidade tem sido um sucesso, com 60% das vendas digitais sendo realizadas via App e 90% das entregas sendo realizadas em até 4 horas, com aquele modelo confortável de compra via App dando opção de entrega ou retirada.

A receita bruta da companhia cresceu 22% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$ 6.8 bilhões para R$ 8.3 bilhões, mais um trimestre de recorde, o que já é recorrente dizer, e no anual a receita quase ultrapassou a incrível marca de R$ 31 bilhões. Esse crescimento de receita foi potencializado não só por conta da abertura de novas farmácias, mas também da estratégia da marketplace da companhia. Vale lembrar também que em outros trimestres ela teve forte benefício não recorrente de testes de Covid-19, e mesmo com essa base de comparação mais “injusta”, os números atuais superaram com facilidade o período passado.

Nas linhas de despesas, a companhia teve melhora forte de eficiência, com as despesas de venda sendo diluídas em cima da receita, passando a representar 17,1% da receita total da companhia no 4T22, contra 18,4% da receita total no 4T21. As despesas gerais e administrativas, por sua vez, demonstraram estabilidade, crescendo 0,1pp de percentual da receita, de 3,5% para 3,7% em virtude do maior gasto com marketing, contratação e remuneração variável com investimentos para a ampliação digital da companhia. Dado o ganho atingido com o investimento, esse crescimento é negligenciável e completamente compreensível.

O EBITDA, por sua vez, também atingiu um valor histórico, de R$ 600 milhões no trimestre, contra R$ 448 milhões no 4T21, com uma melhora de 0,7pp de margem, atingindo os 7,2%. Lembrando apenas que no 2T22 houve um não recorrente tributário que levou o EBITDA a um patamar não recorrente, por isso o valor mais elevado, caso você esteja analisando o balanço da companhia nesse momento.
Todos esses fatores levaram a RaiaDrogasil a um lucro de R$ 301 milhões, com uma melhora de margem de lucro líquido de 0,6pp para 3,6% no 4T22. O ROIC também merece ser mencionado, atingindo patamar recorde de 18,5% e mostrando o potencial de geração de valor da companhia.

Enfim, a RaiaDrogasil é o tipo de empresa que sempre está cara... e provavelmente continuará assim. Não fizemos uma comparação com a WEG lá em cima em vão: ela faz parte das companhias de altíssimo valor da bolsa brasileira. O seu histórico, desde o IPO, é impecável. A forma com que a gestão roda o negócio é impecável e os números sempre mostraram isso. Sua estratégia de expansão possui seus riscos, dado o fato de que é baseada em abertura de farmácias, mas esse é o seu maior privilégio: com a escala, ela consegue operar com margens ainda mais apertadas, mas mesmo assim tem mostrado melhora nesses indicadores.

Não espere ver as ações da RaiaDrogasil baratas tão cedo. Qualidade tem preço.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Opinião e análise breve – Petz ($PETZ3) – 4T/2022

Um trimestre de resultados mistos. Pelo lado postivo, a expansão da Petz segue a todo vapor, com a companhia abrindo lojas em velocidade acelerada, e honrando o compromisso de abertura fora do seu polo, que é São paulo. Por outro, as margens seguem ainda pressionadas com o SSS em queda, apontando possíveis dificuldades mais a frente sobre a capacidade de rentabilização dessas novas companhias. Vamos aos números.

No 4T22 a Petz realizou a inauguração de 50 novas lojas em 17 novos estados, saindo de 168 lojas no 4T21 para 2180 atualmente, representando um crescimento de 30% no período. Além das aberturas, outro ponto positivo é sua diversificação geográfica: no 4T22 ela conseguiu atingir o equilíbrio entre número de lojas em São Paulo e em outros estados, com uma proporção de 50/50, inclusive começando a abertura de lojas no Norte do país.

Na linha de SSS, o Same Store Sales, indicador que mostra a variação de receita das lojas da Petz desconsiderando suas aberturas do 4T22 (e aqui é importante destacar que esse é um dos principais indicadores a se analisar na situação da Petz e qualquer outra companhia em expansão, visto que essas estratégias agressivas de expansão acabam gerando aumento de receita na linha final, mas é importante que as lojas já existentes continuem performando bem), houve crescimento de 7,1% no período, ou seja, desconsiderando as aberturas de lojas, a Petz teria um aumento de receita de apenas 7,1%, e não os 34% apontados no começo do texto. Por issoé importante de analisar esse indicador: se você olha somente a linha final, é enganado pelo movimento de expansão, que em algum momento irá acabar. A Petz deve seguir com esse plano agressivo de expansão por mais alguns três trimestres considerando seu caixa atual, e essa queda de ritmo de SSS é um pouco preocupante, porque implica em desaceleração de crescimernto da companhia. O ponto que tranquiliza na análise desse indicador, é o fato de que hoje 53% de suas lojas ainda estão em fase de maturação, isso é, são aberturas recentes que não atingiram o total potencial de receita, o que significa que ainda crescerão bastante. Apenas 36% das lojas tem 4 anos ou mais, tempo adequado para dizer que a loja já atingiu maturidade e está gerando o total potencial de receita. É possível que ao passar do tempo esse SSS melhore por conta disso.

Na linha de receita, graças a todas essas aberturas, a Petz registrou um crescimento de 34,6% no 4T22, atingindo os R$ 935 milhões e estabelecendo mais uma máxima histórica. Desses R$ 934 milhões, 38% da receita foi pelas vendas digitais, representando um crescimento de 7,0pp comparado ao 4T21 e crescendo em mais um trimestre, sem qualquer registro de desaceleração ou lateralização nesse aspecto, o que é excelente, como sempre dizemos, o mundo caminha para se tornar cada vez mais digital e empresas que não se adequam, perdem mercado e dinheiro. Com sua omnicanalidade e Petz está conseguindo ganhar espaço, vendendo por site, aplicativo WhatsApp entre outros meios digitais, o que é uma vantagem face aos concorrentes menores. Outro ponto importante de destacar é a diversidade da receita: no 4T22, 59% da receita da companhia veio da venda de alimentos para os animais, ainda em linha com a estratégia da companhia de priorizar a venda principalmente disso, por ser fácil de passar inflação, se tratando de um bem obrigatório, e de compra recorrente.

Na linha de custos, o CMV da companhia cresceu acima da receita, em 38%, enquanto a despesas operacionais cresceram 35%, refletindo principalmente o plano de expansão da companhia com os gastos de aberturas de novas lojas, contratações, gastos de fretagem com expansão de digital e afins. Como falamos em outra linha, até que as lojas atinjam a maturidade para gerar o máximo potencial de receita, as margens tendem a sofrer e o SSS a cair. O EBITDA, por sua vez, foi de R$ 69 milhões, com um tímido cresciemnto de 5% comparado ao mesmo trimestre do ano pasado, enquanto a margem caiu 2,0pp, de 9,4% para 7,4%.
O lucro líquido da Petz, por sua vez, foi de R$ 24.9 milhões no 4T22, representando uma queda de 32% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, efeito principalmente da aquisição da Zee.Dog e do fato de que no 4T21 houve benefício fiscal que zerou o pagamento de imposto sobre o lucro da companhia.

Como mencionamos, os resultados foram mistos. Sob a ótica de expansão, a Petz está realizando um trabalho incrível abrindo lojas de forma acelerada e ganhando cada vez mais espaço no digital. Algumas aquisições estratégias também estão indicando maior propensão ao domìnio do setor, vide a compra da Zee.Dog que tem realizado movimentos de penetração no mercado de “comida gourmet” dos pets, mas por outro lado, ainda há muito a esperar referente a expansão de todas essas lojas. O tempo médio para uma loja nova atingir a maturidade é algo próximo de 5 anos, e como a maioria das suas lojas foram abertas nos últimos 2 anos, fica difícil analisar margem e SSS nesse contexto. O principal a você ficar de olho é isso: como essas novas lojas estão performando, se o digital está indo bem e se as margens seguem saudávels. Somente o crescimento da receita, não é referência quando o business é de expansão pois a receita irá crescer de qualquer forma com as novas lojas abertas, por isso, foque no SSS e na penetração digital.

Agora... existe um porém na análise da companhia. Como sempre falamos: existe o resultado divulgado em seus releases com todos os ajustes existentes, e o resultado divulgado auditado segundo todas as normas contábeis e oficialmente entre a B3, certo? No caso da Petz, é importante destacar um ajuste que ela realiza que pode mudar – e muito – a percepção da análise sobre a companhia.

A companhia não considera o efeito do IFRS 16 no resultado divulgado no release. Em 2022, por exemplo, o lucro divulgado em release é de R$ 110 milhões, enquanto o lucro de fato da companhia, considerando o IFRS 16, é de R$ 52 milhões. O IFRS 16 é uma norma contábil referente a arrendamento, ou seja, a Petz desconsidera os gastos referentes a aluguéis de lojas e afins ao citar o seu lucro líquido no release, por isso a importância de ir um pouco além.

Na análise aqui presente, utilizamos os dados do release, mas os fundamentos em si, não mudam, visto que nossa leitura foi em relação ao operacional, principalmente, que não tem relação com a métrica de arrendamento aqui citada, mas vale muito o ponto de atenção do investidor: preste atenção no resultado ajustado considerando o IFRS 16. Perceba como considerando essa norma, o lucro da companhia caiu pela metade dem 2022 em relação ao divulgado no release, sendo que é esse lucro considerando o IFRS 16 que importa para o acionista, no final do dia, sendo ele o objeto de referência para pagamento de dividendos entre outras remunerações.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!

www.findocs.com.br
Um pouco sobre a nossa visão de como há chances consideráveis de corte de juros na economia tanto brasileira quanto americana antes do esperado.

Grande parte dos investidores tem acreditado que por conta da alta inflação nos EUA, é esperado que o FED siga com sua política de aumento de juros, seguido em linha com o obvio, afinal, se inflação sobre, é necessário o aumento de juros para controla-la.

A questão é: em uma breve análise histórica sobre todos os momentos em que o país desafiou um cenário semelhante ao atual, o ocorrido foi diferente. Face a um corte de juros em meio a uma expectativa (ou realização) de crise, a inflação seguiu forte curso de queda independente de taxa de juros do país. Foi assim em 2000, foi assim em 2008, foi assim em 2020 e talvez seja assim, novamente, agora.

Na imagem, a linha azul representa a taxa de juros dos EUA, a linha vermelha representa a inflação americana e as setas laranjas os momentos de início de crise.

Apenas um ponto de vista para sair um pouco do obvio sobre aumento de taxas e como isso pode afetar completamente as expectativas do mercado no curto prazo, causando forte mudança da direção dos preços dos ativos.

Não espera 100% que o juros seguirá em curso de alta com uma crise batendo na porta – se algo mudar, não será a primeira vez que o FED dará um cavalo de pau mudando completamente a direção da taxa.