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Tudo isso levou o Banco do Brasil a um lucro recorde, de R$ 8.6 bilhões, se consagrando como o melhor banco do país em 2022 em termos de resultados.

E aí vem nossa breve opinião sobre o futuro da companhia. O mar de rosas veio em 2022, mas 2023 será um ano de fortes mudanças. O primeiro ponto é: a gestão do Banco do Brasil. Nos últimos 4 anos o Banco do Brasil teve uma gestão focada em resultados. Isso não é opinião, é fato. A gestão do Banco do Brasil é indicada pelo Ministro da Economia, que no caso da gestão que entregou os resultados de 2022, foi uma gestão completamente pró-mercado e indicada por um ministro pró-mercado. Não fazemos ideia das intenções da gestão atual, mas já foi dito que um dos pontos de uso do Banco do Brasil é principalmente a fomentação econômica com viés social. Ou seja, gestão diferente, parte-se do princípio de que teremos resultados diferentes, longe do foco de maiores resultados e geração de valor aos acionistas como foi em 2022. Aqui não é uma certeza, mas apenas uma hipótese trabalhada em cima do que foi dito até o momento – veja, não estamos divagando, apenas repassando os planos dados em discurso pelos nomes políticos envolvendo a gestão do banco.

O segundo ponto é: carteira de crédito. Hoje a carteira de crédito do Banco do Brasil é magnífica – a carteira que todo banco sonha: crédito extremamente seguro, com boas taxas e inadimplência lá em baixo. O problema é que em 2023 os seus pares privados para anunciaram que fecharão a torneira, principalmente para pessoa física e pequenas e médias empresas por conta do risco de crédito conjuntural. Isso somado a uma gestão de viés mais social, pode resultar em uma transição de perfil de carteira com menores taxas para o banco e maior inadimplência. A grande questão aqui é: se os bancos privados fecharem suas torneiras de crédito, algum outro banco terá de abrir, e não será na base do grito que o Estado forçará uma instituição privada a dar crédito. Para isso, se utilizam bancos públicos (assim como foi entre 2012 e 2015), seja o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal.

O terceiro ponto são as despesas. Para 2023, espera-se um crescimento de despesas e talvez uma leve deterioração do índice de eficiência por fatores como a abertura de novos concursos para trabalhar no banco e uma possível expansão da instituição honrando os planos da gestão, esse índice de eficiência é impressionante de tão bom que é, mas parece insustentável um número tão baixo assim por tanto tempo, ainda mais considerando o cenário histórico.

No geral, esses são os três pontos de atenção para 2023. Como falamos, tratar sobre ações num horizonte de prazo mais alongado sempre é difícil, e se torna um assunto ainda mais árido quando se trata de uma empresa estatal, envolvendo os ânimos de boa parte das pessoas. Não temos nenhuma motivação política na análise – isso é completamente irrelevante para nós, na verdade. As opiniões acima foram dadas tomando como base apenas os discursos recentes, seja do Presidente da República, que utilizou o Banco do Brasil como bandeira de campanha ao tratar sobre a facilidade e o custo de crédito do país, seja dos novos indicados para gerir a instituição, ou até mesmo dos últimos gestores, que como falamos, inegavelmente tiveram uma gestão completamente pró-mercado e focado em gerar resultados aos acionistas seja por meio do preço da ação ou de dividendos, o que pode ser discutível pela maioria que questiona até que ponto um banco público deve ser utilizado para gerar resultado a acionista quando seu principal fim é o fomento econômico com viés social – e esse é o risco.

Finalizando, o resultado do Banco do Brasil é impressionante e os riscos da frente são gigantes, mas não é como se o mercado já não soubesse disso: convenhamos que o atual preço da ação já aceita bastante desaforo, e estamos falando de um banco com pouco mais de 3x P/L.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – WEG ($WEGE3) – 4T/2022

Mais um ano extraordinário para a WEG. 2020 surpreendeu, 2021 surpreendeu e 2022 não foi diferente: três anos seguidos de ritmo de crescimento acelerado. Mais uma vez, a WEG mostrou o motivo de sua ação com preço mais elevado que os demais, mas isso não exclui alguns riscos trimestres a frente, riscos esse que abordaremos no texto. Vamos aos números.

No 4T22 a WEG entregou uma receita recorde, mais uma vez, de R$ 7.98 bilhões, representando um crescimento de 22% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Em relação ao 3T22, o crescimento foi mínimo, de apenas 0,6%, ponto que trataremos mais à frente. Vale destacar aqui um dos principais pontos positivos da WEG: 52% da sua receita veio do mercado externo nesse trimestre, além do que, no 4T21 o dólar estava em R$ 5,59, enquanto no 4T22 o dólar negociou em uma média de R$ 5,25, 6% abaixo do trimestre de comparação. Perceba que, mesmo com essa valorização do real, a WEG conseguiu ainda assim entregar um crescimento fortíssimo. Esse é um dos riscos da companhia: face a uma valorização do real, sua receita tende a cair sob a ótica das exportações, sendo necessário que o mercado interno supra essa queda de receita externa.

Dividindo a receita por área de negócio, fica mais fácil de identificar os principais pontos. Na área de EEI (equipamentos eletroeletrônicos industriais, principal linha de receita da WEG) houve um crescimento de 27% no mercado interno e 15% no mercado externo, o que surpreende, com a companhia destacando o fato de que a demanda brasileira segue forte mesmo face as incertezas do cenário, assim como no mercado externo, mesmo com a volatilidade por conta do cenário americano e europeu, a demanda seguiu boa.

Na área de GTD (geração, transmissão e distribuição de energia), houve crescimento de 45% no mercado interno e 17% no mercado externo, com o Brasil também surpreendendo forte principalmente pela compra de artigos de geração solar distribuída.

Na área de tintas e vernizes, houve crescimento de 20% no mercado interno e 11% no mercado externo, com destaque principalmente as operações no México no exterior, ressaltando a atuação da WEG de forma global, indo bem além do Brasil, apesar dessa linha de receita ser ainda tímida, representando 4,3% da receita total da companhia.

Sob a ótica dos custos dos produtos vendidos, boas notícias. A companhia identificou estabilização dos preços dos principais insumos que ela trabalha (aço e cobre, principalmente) e isso é evidente nas margens: a margem bruta da WEG no 4T22 foi de 30,3% contra 27,6% no 4T21, ou seja, um ganho de 2,7pp comparando trimestre a trimestre. Com essa estabilização de preço de insumo e a alta capacidade de WEG e repassar a inflação, a eficiência está retornando aos patamares de antes da pandemia em velocidade acelerada, ponto interessante de observar, visto que já mencionamos em análises passadas, ressaltando justamente o fato de que a inflação nem sempre é passada de uma vez, mas certamente é passada em algum momento – e aqui está a ilustração disso.

Sob a ótica de despesas de vendas, gerais e administrativas houve também melhora com todas as linhas passando a representar apenas 10,4% da receita operacional líquida no 4T22 (contra 10,7% no 4T21), e a margem EBITDA também teve forte melhora, subindo 2,3pp comparando o 4T21 ao 4T22, atingindo os 19,5%.

Todos esses fatores levaram a WEG a um lucro líquido de R$ 1.2 bilhão, representando um crescimento de 36,5% comparado ao 4T21 e um recorde histórico, também. Além de uma margem líquida de 15%, melhora de 1,6pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

Sobre os demais pontos, não há muito o que dizer. A WEG não tem dívida, é uma fortíssima geradora de caixa, mantém ritmo constante e responsável de CAPEX... enfim, nada de novo nessas linhas – mas precisamos falar sobre os próximos trimestres.
Nos últimos 3 anos WEG gozou de um crescimento fora da curva. Se você parar para analisar o histórico da companhia, verá que desde 2019, ela vem crescendo em um ritmo obsceno. Ela mais do que dobrou sua receita desde então. E isso tem dois motivos principais: (I) na pandemia o mundo entrou em um ciclo de crescimento atípico com a impressão desenfreada de dinheiro por parte dos governos, em especial nos EUA, China e Europa, e (II) nossa moeda teve forte desvalorização, o que levou a WEG a ter um crescimento de receita pela linha de exportação também fora da curva. Hoje enfrentamos duas mudanças de cenário.

O mundo está com uma instabilidade forte em termos de projeção de crescimento econômico: veja, não estamos usando a palavra recessão, embora seja possível, mas sim instabilidade. A economia global, por conta de guerra e controle inflacionário, pode andar em solavancos nos próximos trimestres, principalmente nas grandes potências, a não ser que alguma surpresa muito positiva, marque os próximos trimestres, ou seja, um cenário de boom de crescimento semelhante ao dos últimos três anos é improvável, o que tende a levar o crescimento da WEG para uma taxa menor – atenção, taxa menor de crescimento, e não taxa de contração. Ela pode crescer em ritmo menos acelerado, o que não deixa de ser excelente negócio. Crescer 40% ao ano é impossível, mas crescer 10% ao ano ainda é excelente negócio, o que é o cenário base da empresa.

O segundo ponto é o câmbio. Já falamos diversas vezes, mas vale reforçar: hoje o câmbio do Brasil aponta mais para baixo do que para cima. Falamos isso desde 2021, quando muitos faziam piadas e nos chamavam de malucos. O câmbio do Brasil hoje já está alto se comparado aos termos de troca do país e ao atual patamar de preço das commodities. Se o governo fizer o mínimo – e aqui um enorme “se” – e demonstrar o mínimo de sinalização positiva para o investidor externo, parando de atacar o Banco Central e não destruindo as contas públicas, o dólar pode cair com força por simples fator de ciclo, que já citamos há muito tempo em nosso relatórios. Essa queda do dólar fere uma parte da receita da WEG que vem de suas exportações, mas em contrapartida, tende a aumentar o seu ganho de receita interna pela linha de crescimento do país. Aqui, novamente, um enorme “se”, pois tratamos de fatores impossíveis de serem previstos, principalmente ao abordar sobre vaidade de políticos de um país emergente onde a ciência econômica não é nem um pouco tratada com seriedade.

Mais uma vez, isso torna a WEG um mal negócio? Não, longe disso. A WEG, na nossa leitura, é uma das melhores empresas do país. Talvez a melhor. É difícil encontrar uma companhia que se iguale a ela em todos os termos possíveis, e mais uma vez, em mais um ano e trimestre, ela conseguiu superar todas as expectativas. O nosso ponto é somente o cuidado que o investidor deve ter ao perpetuar o crescimento da companhia com a taxa de crescimento ocorrida nos últimos anos, algo atípico.

No mais, é difícil imaginar uma carteira de investidor de longo prazo que não tenha a WEG, que ano a ano, desde sempre, entrega resultados cada vez melhores, de forma sólida e com gestão e governança impecável. O fechamento de 2022 só reforçou o quão incrível a companhia é em termos de valor e qualidade.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3) – 4T/2022

Mais um trimestre de recuperação e sem grandes surpresas, honrando justamente o que o investidor que investe seu capital no segmento de saneamento, busca: a previsibilidade. O destaque do trimestre foram as margens e o operacional, para não dizer que 100% do ocorrido já era esperado. Vamos aos números.

No 4T22 a Sanepar seguiu com a expansão do seu índice de cobertura sobre a rede de coleta de esgoto, com um crescimento de 1,7pp entre o 4T21 e o 4T22 e atingindo os 78,9%, em linha com os investimentos da companhia na área reforçando sua estratégia face ao novo marco de saneamento.

Na linha de ligações de água, a Sanepar segue sua expansão, com 62,2 mil novas ligações entre o 4T21 e o 4T22, representando um aumento de 1,9, enquanto as ligações de esgoto, como já apontado, teve maior crescimento, com 65,9 mil ligações e um crescimento de 2,8% comparado ao 4T21. O volume medido de água, por sua vez, cresceu 1,3% no trimestre e 2,1% no ano, atingindo 129 milhões de m³ e 509 milhões de m³ respectivamente. Sobre o índice de perda, um ponto importante: talvez o investidor se assuste com o crescimento do número de 2021 até então, mas é necessário pontuar a razão desse aumento. Desde 2021 o número vem subindo, atingindo um índice de perda de ligação de 222 pontos em 2022 contra 210 pontos em 2021, mas vale lembrar que em 2021 tivemos forte crise hídrica e o consumo de água foi expressivamente reduzido, o que diminuiu o volume faturado e consequentemente as perdas por ligação. Hoje o número retorna ao seu patamar médio, mas ainda abaixo, ou seja, nada a se preocupar.

Outro ponto de suma importância a ser abordado são os volumes disponíveis. Quem investe na companhia há mais lembro, se lembra que desde 2020 a empresa passava por problemas sérios referentes aos seus reservatórios. Em determinado momento, os reservatórios da Sanepar chegaram a atingir um volume crítico de 39%. No fechamento de 2021 estava em 67% e no fechamento de 2022, para não dizer 100%, foi fechado em 99,7%. Ou seja, não há mais crise hídrica – ao menos no curto prazo considerando as projeções climáticas atuais.

Já sob a ótica da receita operacional, houve crescimento de 6,7% entre o 4T21 e o 4T22, atingindo os R$ 1.47 bilhão, e de 9,0% entre 2021 e 2022, atingindo os R$ 5.67 bilhões. Desse crescimento, 8,4% veio da receita de água e 6,7% da receita de esgoto. Um crescimento resultante de reajuste tarifário e maior volume faturado de água e esgoto somado ao aumento de ligações da companhia.

A parte de custos talvez seja a mais importante da leitura, com os maiores detalhes e que não podem passar batidos.

No 4T22 houve um crescimento de 7,8% nos custos e despesas da Sanepar, atingindo os R$ 979 milhões, sendo os destaques o aumento de gasto com pessoal com crescimento de 20,7%, o aumento com gastos em materiais com crescimento de 28,6%, a redução de gasto com energia elétrica que caiu 37,7% e o aumento de gasto com multas ambientais com crescimento de 2.554%.

É importante detalhar cada uma dessas linhas. (I) a linha de pessoal foi impactada por dois não recorrentes, a de um reajuste de 10,5% nos planos de saúde da SaneSaúde e de indenizações trabalhistas no valor de R$ 42 milhões, além de um reajuste salarial bem alto decorrente do INPC atípico no período, (II) o gasto com materiais teve um crescimento também atípico por conta do aumento de gasto com material de tratamento, parte por conta da inflação, (III) a energia elétrica teve uma redução forte por conta da queda do preço com a mudança da bandeira com o fim da crise hídrica e a redução do ICMS de 29% para 18% e (IV) um gasto altíssimo de R$ 88 milhões com uma multa ambiental, que será desembolsada ao longo de 120 meses. Ou seja, em virtude principalmente da multa, as despesas vieram bem acima do normal, além de fatores que também podem ser considerados não recorrentes como os próprios acordos trabalhistas. Sem esses números, a despesa teria leve redução no período.
O resultado financeiro da Sanepar também demonstra a qualidade do perfil de crédito da companhia. Apesar do seu alto endividamento, a gestão tem realizado um bom trabalho entre receita e despesa financeira. As receitas financeiras cresceram 57% comparado o 4T21 ao 4T22, além das despesas financeiras tiveram um aumento de 21,7%. Esses números equilibraram o resultado da companhia e mesmo com a forte alta da taxa de juros no período, a Sanepar conseguiu entregar um resultado financeiro com um prejuízo estável, igual ao mesmo trimestre do ano passado, e quase 12% menos em 2022 do que em 2021. Vale mencionar também o perfil de sua dívida: um terço dessa dívida é com a Caixa Econômica Federal, com uma taxa flutuante entre 6,6% e 10,0% indexada a TR com término em 2046, além de metade da sua dívida ter de ser paga apenas daqui 5 anos ou mais, é uma dívida muito alongada e com taxas baixas, o perfil de dívida que todo empresário sonha em ter.

Todos esses fatores levaram a Sanepar a um lucro líquido de R$ 351 milhões, contra um lucro de R$ 332 milhões no 4T21. Como mencionamos mais acima, nesse trimestre houve um não recorrente de uma multa ambiental que será paga ao longo dos próximos 10 anos, e sem esse fator o lucro seria de R$ 417 milhões, o que representaria um crescimento de 20% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

A análise da Sanepar é justamente o que todo investidor do setor deve esperar: zero surpresas. Trata-se de uma companhia de um setor calmo, sem disrupção, sem grandes novidades, com um produto comum e “sem graça”. A empresa hoje está em fase de recomposição de suas margens depois de uma porrada inflacionária que sofreu na pandemia e a tendência é que os números melhorem trimestre a trimestre, além do crescimento comum de expansão de linha de ligações e relacionados.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Lojas Renner ($LREN3) – 4T/2022

Um trimestre de números mistos, mas justificado. No último trimestre de 2022, a Renner entregou um crescimento forte de lucro, mas como sempre falamos, analisar somente ao lucro é fraco, induz ao erro e pode causar péssimas tomadas de decisões. Para um crescimento de lucro bom e boa recomposição de margens, outros números como aumento de inadimplência e estabilização de receita tornaram o resultado da Renner um balde de água morna para o momento, mas também compreensível por conta de alguns fatores macroeconômicos. Vamos aos números.

No 4T22 a Renner entregou uma receita de varejo (aqui, vale lembrar, que a empresa divulga duas linhas de receita, a de varejo, que consiste na receita provinda da venda de seus produtos, e a receita consolidada, que consiste no total, também de seus serviços financeiros e de intermediação como o da sua plataforma “Repassa”) de R$ 3.55 bilhões, estável em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi registrado R$ 3.56 bilhões. Segmentando esse crescimento de receita por negócio, a Camicado foi a que demonstrou pior desempenho no trimestre, com uma queda de 23% da receita, algo esperado, visto que é um setor extremamente sensível a taxa de juros – essa queda é conjuntural do segmento e casa & decoração e vem ocorrendo há alguns trimestres. Sobre a queda do resultado consolidado, com a Renner demonstrando praticamente uma estabilidade na receita, é necessário destacar alguns pontos. (I) o ano de 2021 foi atípico: não podemos ignorar que assim como 2020, 2021 foi um ano com benefícios, auxílios entre outros valores sendo pagos e beneficiando fortemente o varejo. Não na mesma proporção que 2020, mas 2021 também se beneficiou dessa injeção de dinheiro que escoou diretamente para o varejo. (II) SELIC: falamos muito como as empresas alavancadas sofrem com uma SELIC elevada, mas não podemos ignorar principalmente o efeito na população. Assim como uma empresa alavancada tem que destinar maior parte do seu orçamento para o pagamento de dívidas, com a pessoa física o mesmo acontece, além do menor estímulo ao consumo por conta das maiores taxas de financiamento e da maior atividade para formar poupança para ganhar 1% ao mês sem fazer nada. (III) Inflação: o ano de 2022 foi melhor que o esperado em termos inflacionários, mas ainda assim, terrível. Foi somente em junho que o impasse sobre o preço dos combustíveis foi resolvido, e tarde demais, com o brasileiro médio perdendo pelo menos 30% do seu poder de compra. Para se ter ideia, hoje o Brasil está com uma renda média pior do que estava há 10 anos em termos reais. Esse é o tamanho do problema atualmente. Em suma, o ano foi horrível pro varejo de forma geral – não justificando em totalidade o resultado da companhia aqui, mas lembrando do fator de ciclicidade que não se pode ignorar. A Renner não está em um setor forte como a WEG para conseguir crescer de forma descorrelacionada.

As vendas digitais apresentaram crescimento, mais uma vez, crescendo 6% em GMV comparado ao 4T21 e representando 11,7% das vendas totais da companhia, crescimento de 0,7pp. Esse é um excelente ponto: no 4T19 esse número era de 4%, ou seja, já quase triplicou, e é de suma importância que esse número siga crescendo porque é mais do que sabido que o futuro é digital e empresas que não se adaptem a isso, percam cada vez mais mercado. A Renner começou a se movimentar tarde em relação a isso, mas mesmo assim, tomou excelentes decisões, vide a criação do CD de Cabreúva e o desenvolvimento de seu omni channel.
O lucro bruto, assim como a receita, apresentou estabilidade, crescendo apenas 1,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas as margens seguem melhorando, retornando ao patamar registrado antes da pandemia. No 4T20 a margem era de 53,8%, no 4T21 foi para 55,0% e no 4T22 foi para 55,7%. Ainda há chão para retornar ao patamar de antes, de 58%, mas a melhora está ocorrendo mesmo face ao cenário extremamente adverso do momento, com readequação de preços face ao boom inflacionário dos trimestres passados. A margem operacional também segue demonstrando forte melhora, crescendo 6,4pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado como resultado do maior lucro bruto e da contenção de despesas da companhia. O registrado no 4T22 foi de 26,8%, contra 20,3% no 4T21 e 30,1% no 4T19. Assim como a margem de lucro bruto, ainda não atingiu seu nível de antes da crise, mas segue se recompondo.

A linha de resultado de serviços financeiros foi um dos pontos baixos da Renner nesse trimestre – talvez o maior problema. Assim como o setor bancário, a Renner também sofre com crescimento de inadimplência. A companhia vende muito de seus produtos de forma parcelada, e utiliza também os seus cartões, ou seja, aumento de juros também machuca seu balanço por tornar a inadimplência uma problemática em tempos de aperto de orçamento das famílias. No 4T22 a Renner apresentou um crescimento de 42% de suas receitas de serviços financeiros, de R$ 301 milhões para R$ 407 milhões, mas por outro lado, a perda de crédito atingiu R$ 305 milhões, crescimento de 126% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esses fatores levaram a Renner a ter um prejuízo, pela primeira vez, em sua linha de serviços financeiros, na ordem de R$ 35 milhões, conta um lucro de R$ 51 milhões no mesmo trimestre do ano passado. Em termos anualizados a Renner teve um lucro de apenas R$ 81 milhões com seus serviços financeiros, contra um lucro de R$ 250 milhões no mesmo trimestre do ano passado. Desde 2019 esse número vem caindo em virtude do cenário macroeconômico cada vez mais desafiador, e esse é um dos pontos de atenção da companhia no momento. Dar crédito, ainda mais no Brasil, não é fácil, nem um pouco fácil. Basta ver a grandes varejistas como a Magalu e a Via o quanto sofrem nesse sentido. A Renner não se equipara a essas companhias e é expressivamente mais conservadora, além de ter um ticket médio menor, o que reduz inadimplência, mas ainda assim, o investidor deve monitorar essa linha todo trimestre – apesar do crescimento da receita, o lucro está caindo e melhorar isso face a uma SELIC tão alta é um desafio gigante para a companhia. A Renner alega que apesar dessa deterioração, as novas safras de clientes na carteira de crédito já demonstram melhor qualidade, o que faz total sentido, dada a seletividade do crédito pro momento, mas somente os próximos trimestres mostrarão isso de fato caso seja real.

Na linha de resultado financeiro, apesar de não ter relevância na análise, é interessante passar por cima só para mostrar uma das vantagens no momento: a Renner tem zero dívida. Enquanto grande parte das varejistas estão sofrendo com alavancagem e pagando uma parte gigante do seu resultado operacional em alavancagem, a Renner sai praticamente no zero a zero nessa linha, passando ilesa pela SELIC do momento de forma direta. Houve prejuízo de R$ 36 milhões, mas por questão de hedge referente as operações na Argentina, e um resultado bem próximo do mesmo trimestre do ano passado.

Todos esses fatores levaram a Renner a lucrar R$ 482 milhões, um crescimento de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto sua margem de lucro líquido subiu 1,9pp, para 13,6%, crescendo consistentemente desde o 4T20, trimestre da pandemia, quando esse número afundou com força.
Apenas pontuando, para finalizar, quando dissemos que a receita que a Renner demonstra no começo do release ser de seu varejo, no consolidado ela atingiu os R$ 4 bilhões de receita, representando um crescimento de 4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, visto que sua linha de receita de serviços cresceu 51%. É interessante analisar também o consolidado, apenas complementando.

Em suma, como já dito, os números da Renner foram mistos. A melhora de margens entre alguns outros fatores operacionais são incontestáveis, mas não dá para ignorar a realidade do cenário atualmente. A companhia vem se recuperando de uma porrada que tomou lá em 2020, quando os shoppings foram fechados em razão da pandemia (lembrando que 95% das lojas da Renner estão em shoppings) e ela literalmente quase não tinha forma de vender digitalmente, vide a penetração digital pífia em 2019 que ficou na casa dos 3%. De sua recuperação desde então, hoje ela enfrenta outro monstro, mas dessa vez, batendo no setor inteiro: o orçamento esmagado do brasileiro médio. Comprar roupa não é prioridade, trata-se de um bem não essencial. Com uma renda amassada e uma inflação pujante como tivemos em 2022, o varejo passa por um desaquecimento forte. Além da inflação, houve maior SELIC pressionando financiamentos fazendo com que fossem evitados por conta de um custo mais elevado e também um período eleitoral que, querendo ou não, cria incertezas em todos os ambientes de consumo, sem exceção – não em vão a maioria das companhias estão falando sobre isso. Quanto mais polarizada uma época eleitoral, mais incerto o consumidor fica em relação ao consumo, reflexo dos vendedores de sustos que vemos por aí. Sabemos que esse resultado mais fraco preocupa boa parte dos investidores da companhia que tratam a Shein como a principal concorrente da Renner, atualmente, mas lembre-se que correlação não implica causalidade, e hoje o maior monstro que bate não só na Renner mas em todo o setor de vestuário do país, é o econômico.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – EDP ($ENBR3) – 4T/2022

Um prejuízo monstruoso, histórico... e não recorrente. Como sempre falamos, analisar somente o lucro induz ao erro. No caso do resultado do quarto trimestre da EDP, muito número bom pode passar batido caso você leia o release pensando no prejuízo de quase R$ 400 milhões que a companhia deu no trimestre. A linha de lucro foi completamente contaminada e é praticamente negligenciável, e muitas outras linhas vieram positivas na nossa leitura. Como o resultado da companhia é extenso, daremos foco apenas as linhas mais importantes. Vamos aos números.

No 4T22 a EDP entregou uma receita líquida de R$ 3.9 bilhões, representando uma queda de 14,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi registrado uma receita líquida de R$ 4.6 bilhões. Essa queda ocorreu principalmente por conta de uma piora do desempenho na linha de receita de geração de energia, principalmente térmica, que acabou impactando também o segmento de distribuição. Essa variação de receita é normal, ainda mais considerando a quantidade de não recorrentes que ocorreu no ano passado, referente ao uso de termelétricas, crise hídrica e afins. Em um ano com tantos problemas e mudanças no setor elétrico (de crise hídrica a redução tributária) a base comparativa fica extremamente suja, então essa redução de receita não é fator de preocupação. Olhando somente pela linha de geração térmica, a situação fica ainda mais evidente, com queda de quase 50% de receita entre os trimestres, visto que as termelétricas não estão rodando atualmente devido a melhora do cenário hidrológico.

No caso da EDP, a leitura de resultado é mais adequada utilizando suas margens. A margem bruta da companhia teve uma melhora de 10,5%, potencializada principalmente pelo segmento de distribuição, com reajuste tarifário, e sob a linha de reajuste de contrato de termelétrica de Pecém. Essa melhora resultou num aumento de R$ 1.4 bilhão para R$ 1.6 bilhão.

Na linha de gastos, o fator que causou um prejuízo cavalar para a companhia. Nas linhas “comuns” não há nenhum ponto importante a citar: aumento salarial na linha de pessoal com crescimento de 7,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, gastos com materiais em linha com a normalidade, serviços de terceiros também... mas uma linha chama a atenção: a de depreciação e amortização. No trimestre, a EDP registrou um impairment de R$ 1.2 bilhão referente a sua termelétrica de Pecém. Um impairment nada mais é do que uma “reavaliação” do preço de um ativo da empresa, no caso, houve essa reavaliação de sua termelétrica, com reajuste de R$ 1.2 bilhão para baixo, ou seja, houve baixa contábil. Essa baixa contábil dobrou a linha de gastos da companhia, de R$ 1.2 bilhão no 4T21 para R$ 2.4 bilhão no 4T22. Sem esse impairment, os gastos da companhia teriam caído 13% comparando os trimestres, evidenciando a eficiência da EDP com a melhora da sua operação. O EBITDA também apresentou forte melhora tanto no trimestral (+16,3%) quanto no anual (+22,1%).

O resultado financeiro, por sua vez, registrou um prejuízo de R$ 372 milhões no 4T22, representando uma piora de 29% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e em 2022 um prejuízo de R$ 1.4 bilhão, representando uma piora de 83%. Sem surpresas, como você já deve ter lido várias vezes em outras análises, isso é efeito do aumento da SELIC que torna a alavancagem mais cara, cenário comum, faz parte. No caso da EDP, 65% da sua dívida está atrelada ao CDI e 35% ao IPCA, diferente de outras elétricas, como a Engie, que tem quase 100% da dívida atrelada ao IPCA e o aumento do CDI não causa efeito tão negativo. É importante também mencionar que sua alavancagem segue saudável, ainda em 2,0x EBITDA, mesmo patamar que estava há 1 ano. Houve crescimento de alavancagem ao longo do ano, mas com a melhora do operacional a companhia teve redução. Ou seja, espere um cenário de melhora de resultados da EDP conforme a SELIC vá para baixo, mas monitore esse custo de alavancagem enquanto a SELIC estiver para cima.
Finalizando, outros dois pontos operacionais da EDP que merecem menção é seu DEC/FEC que tiveram melhora expressiva comparando trimestre a trimestre, e que sua PDD, mesmo com a piora do cenário econômico, também está caindo, mostrando um trabalho excelente da companhia em termos de recuperação de crédito de inadimplentes.

Todos esses fatores levaram a EDP a registrar um prejuízo de R$ 397 milhões, o pior resultado da sua história... mas calma, vamos relembrar. Você se lembra do impairment ocorrido com a termelétrica de Pecém? Então, isso causou um prejuízo contábil de R$ 1.25 bilhão para a EDP, ou seja, esse prejuízo é apenas fruto contábil. É bem provável que sem esse fator, a companhia registrasse um lucro maior do que o do trimestre passado dada a melhora do seu operacional. Percebe a importância da leitura do resultado além da linha de lucro? O lucro foi contaminado, não diz nada e induz ao erro. É puro fruto contábil sem reflexo no caixa da empresa ou de suas operações. O que pode entrar em discussão aqui, é a razão dessa baixa contábil de R$ 1.2 bilhão, mas sem qualquer reflexo referente ao operacional da empresa, que é o que realmente importa.

Ou seja, sem preocupação. Mais um resultado que mostra a importância da leitura além da linha de lucro, com um operacional melhorando e um resultado positivo da companhia.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 4T/2022

Um trimestre forte com algumas linhas recorde, surfando no benefício de alguns períodos não recorrentes, como a própria copa do mundo, em novembro, que potencializou as vendas da companhia. A empresa segue repassando os custos da inflação e recompondo sua margem, mas o cenário desafiador continua principalmente pelas vendas fora do Brasil. Vamos aos números.

Na linha de Cerveja Brasil, a Ambev entregou um recorde histórico de volume vendido, com um crescimento de 4%, atingindo os 26.6 milhões de hectolitros, enquanto a receita por hectolitro cresceu 12,4% para R$ 405 também atingindo um recorde histórico, potencializado pelas marcas Original, Chopp Brahma, Stella Artois, Corona e Spaten – esse crescimento de volume unido ao preço do hectolitro reflete a estratégia da companhia em repassar a inflação ao preço dos produtos, o que tem sido um sucesso até o momento sem qualquer evidência de perda de mercado nacional. O ponto negativo vem pela ótica de custo de produto vendido, ainda com o aumento de custo de fretagem e insumos, o CPV por hectolitro subiu 18%. No consolidado das operações brasileiras de cerveja, a receita líquida cresceu 17% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e o EBITDA cresceu 11,2%.

Na linha de NAB Brasil (bebidas não alcoólicas), números também muito positivos. O volume cresceu 6,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os 9 milhões de hectolitros impulsionada pela venda das marcas Red Bull, H2OH!, Gatorade e Pepsi Black (dobrando o volume no período, inclusive sendo o destaque, visto que a companhia tem praticado promoções agressivas nos últimos meses para fazer face a concorrência com o alto preço da Coca-Cola) e a receita por hectolitro subiu expressivos 18%, atingindo os R$ 224. Com o mesmo problema da minha de Cerveja Brasil, o CPV também teve alta expressiva comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de 16,6%, refletindo os mesmos problemas de custo, mas a receita líquida subiu 26% e o EBITDA subiu 22%.

O consolidado das operações nacionais foi um crescimento de 4,6% do volume vendido, um crescimento de 13% na receita por hectolitro, um crescimento de 18,2% na receita líquida e um crescimento de 17,7% no CPV. O EBITDA, por sua vez, cresceu 12,6%.

Passando rápido pelo cenário do exterior, na CAC (América Central e Caribe) houve queda de 13,4% do volume vendido em razão de perda de mercado por pressões inflacionárias (a Ambev vende marcas premium, que acabam sendo menos escolhidas em momentos assim), mas houve crescimento de 7% da receita por hectolitro. Na América Latina, o mesmo problema da América Central: pressão inflacionária reduzindo o volume, mesmo que ligeiramente, com queda de 1,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto no Canadá houve queda de 5,4% no volume.

No consolidado a companhia entregou um crescimento de volume de 1,5%, enquanto a receita por hectolitro também cresceu 1,5% atingindo um patamar histórico e corroborando com a recomposição de resultados da companhia face a inflação passada.

Todos esses fatores levaram a companhia a um crescimento de EBITDA de 5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado com ligeira recomposição de margem de 0,5pp e um lucro líquido 35,7% maior, de R$ 5 bilhões – vale destacar que houve um efeito tributário não explicado na ordem de R$ 360 milhões, a qual a companhia irá tratar melhor em call.
Em resumo, o resultado foi bom. Hoje o mundo passa pelo mesmo problema que o Brasil passou há alguns meses, com uma inflação forte e um aperto de orçamento, redirecionando os gastos das famílias, o que acaba impactando o consumo de alguns produtos. O destaque positivo do trimestre foi a operação brasileira da companhia (sendo a principal, também) que teve forte melhora com números recordes sendo potencializada por conta da Copa do Mundo, mas o cenário internacional acabou impactando negativamente no consolidado, agravado pela inflação e clima mais gelado. Para o 1T23, é bem provável que os números ainda venham fortes e tenhamos uma recomposição das margens, dado o período de carnaval, que historicamente beneficia muito a companhia, e alguns lançamentos pro período, vide a Caipibeats, que segundo a companhia, tem sido um sucesso de vendas. O Zé Delivery também merece menção, batendo recorde em mais um trimestre. De olho nas margens e na capacidade da companhia de repassar os preços para os produtos nos próximos trimestres. O pior da inflação, aparentemente, já foi, e como a dinâmica de sempre, primeiro vem a inflação e depois, progressivamente, os preços são repassados para os produtos.

Infelizmente o caso da Americanas criou um estigma sobre a Ambev e o preço das ações da companhia acabaram sendo impactadas sem refletir de fato alguns fatores fundamentais, mas no fim, os números falam mais alto.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Raia Drogasil ($RADL3) – 4T/2022

Uma WEG do segmento de varejo farmacêutico. Quem ouve a palavra “varejo” e coloca todas as companhias do setor no mesmo conjunto de Magazine Luíza, Via e afins, deixa algumas joias da bolsa passarem despercebidas por pura implicância semântica. A Raia Drogasil pode ser chamada de WEG do varejo farmacêutico pois, assim como a gigante do setor de bens de capitais, seus resultados crescem e melhoram literalmente todo o trimestre, em um ritmo tão preciso e previsível quanto um relógio. No trimestre, não foi diferente. Vamos aos números.

No 4T22 a RaiaDrogasil realizou a abertura líquida de mais 77 farmácias, com um total de 207 farmácias abertas nos últimos 12 meses, atingindo 2.697 farmácias e honrando seu plano de expansão prometido no guidance anual. A cobertura de municípios pulou subiu de 485 para 540 entre o 4T21 e o 4T22, sendo o market share o indicador mais impressionante: a Raia Drogasil está conseguindo ganhar participação de mercado em absolutamente todas as regiões do país. No consolidado do Brasil, cresceu 1,0pp, de 14,1% para 15,1%, enquanto em SP subiu 1,4pp para 27%, no Sudeste subiu 0,9pp para 10,8%, no Centro Oeste subiu 1,7pp para 18,7%, no Sul subiu 0,5pp para 9,9%, no Nordeste subiu 0,7pp para 10,5% e no Norte subiu 1,9pp para 7,5pp. Os números impressionam, como já dito, pois a RaiaDrogasil é fortíssima na região Sudeste do país, em especial no SP, mas a estratégia de expansão tem dado certo fora desse polo a qual ela já conhece bem.

Em termos de digitalização, a companhia atingiu R$ 920 milhões de receita pelos canais digitais e atingindo uma penetração digital de 11,8%, um crescimento de 2,6pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa linha é importante e deve ser monitorada pois as vendas digitais fazem um papel cada vez mais preferido pelo consumidor, então uma empresa que não tenha estratégia nesse ponto, tende a perder mercado e destruir valor. No caso da RaiaDrogasil, sua estratégia de omnicanalidade tem sido um sucesso, com 60% das vendas digitais sendo realizadas via App e 90% das entregas sendo realizadas em até 4 horas, com aquele modelo confortável de compra via App dando opção de entrega ou retirada.

A receita bruta da companhia cresceu 22% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$ 6.8 bilhões para R$ 8.3 bilhões, mais um trimestre de recorde, o que já é recorrente dizer, e no anual a receita quase ultrapassou a incrível marca de R$ 31 bilhões. Esse crescimento de receita foi potencializado não só por conta da abertura de novas farmácias, mas também da estratégia da marketplace da companhia. Vale lembrar também que em outros trimestres ela teve forte benefício não recorrente de testes de Covid-19, e mesmo com essa base de comparação mais “injusta”, os números atuais superaram com facilidade o período passado.

Nas linhas de despesas, a companhia teve melhora forte de eficiência, com as despesas de venda sendo diluídas em cima da receita, passando a representar 17,1% da receita total da companhia no 4T22, contra 18,4% da receita total no 4T21. As despesas gerais e administrativas, por sua vez, demonstraram estabilidade, crescendo 0,1pp de percentual da receita, de 3,5% para 3,7% em virtude do maior gasto com marketing, contratação e remuneração variável com investimentos para a ampliação digital da companhia. Dado o ganho atingido com o investimento, esse crescimento é negligenciável e completamente compreensível.

O EBITDA, por sua vez, também atingiu um valor histórico, de R$ 600 milhões no trimestre, contra R$ 448 milhões no 4T21, com uma melhora de 0,7pp de margem, atingindo os 7,2%. Lembrando apenas que no 2T22 houve um não recorrente tributário que levou o EBITDA a um patamar não recorrente, por isso o valor mais elevado, caso você esteja analisando o balanço da companhia nesse momento.