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Já tem algum tempo que falamos em nossos relatórios e nossas redes sociais que a bolsa americana, na nossa opinião, está em um patamar de preço atrativo. Longe de ser a melhor oportunidade dos últimos tempos ou qualquer coisa do tipo, mas é inegável que considerando o risco e retorno em termos relativos para o nosso cenário interno, o S&P500, principal índice acionário dos EUA, está num patamar de preço bom. Porém, como já tratamos no relatório passado, isso não significa que não existe mais espaço para que os preços caiam ainda mais.

A tabela acima foi extraída com dados disponibilizados pela Bridgewater Associates, uma das gestoras de investimentos mais renomadas do planeta, fundada pelo gigante Ray Dalio, e que tem hoje quase US$ 150 bilhões sob gestão.

Antes de explicar nosso ponto, vamos explicar a tabela. Nela há quatro colunas.

1. Fundo do Mercado: essa coluna se refere a data em que o mercado atingiu seu fundo (isso é, a mínima de preço) em cada respectiva crise.

2. Economia muito Fraca: essa coluna se refere a situação econômica de cada período. Como demonstrado, em cada fundo atingido no mercado americano, a economia estava fraca. Uma economia fraca significa índices de consumos em queda, desemprego subindo e outros indicadores relacionados a esses dois pontos também em deterioração, vide investimentos capital de produção e afins.

3. Corte de juros ocorrendo: essa coluna se refere as medidas do Federal Reserve. Em todo fundo registrado, o FED mudou seu discurso e deixou claro a intenção de corte de juros. Hoje o cenário é oposto: o FED tem dado um discurso cada vez mais duro, dizendo que vai elevar o juros nos EUA para controlar a inflação na base do “custe o que custar”.

4. Valuation baixo das ações: autoexplicativa, essa coluna se refere ao patamar de preço dos ativos do índice. Multiplos esticados, com preço sobre lucro mais alto, significa valuation mais caro. Hoje, ainda que a bolsa tenha caído bem, o valuation segue bem acima da média histórica.

Falemos agora sobre os dados. Em todos os fundos de crises registrados, desde 1966, a economia estava fraca. Os indicadores econômicos apontavam piora do desemprego e do consumo. Hoje, isso ainda não está ocorrendo, pelo contrário: o consumo nos EUA segue bem forte, e o desemprego segue praticamente zerado, ainda que alguns dados preliminares tem apontado aumento do indicador, o que é positivo para o FED, por mais perverso que seja dizer isso, visto que ele não será obrigado a elevar o juros de forma mais agressiva. Em todos os fundos de crises registrados, o FED já estava cortando juros ou anunciando corte. Hoje o cenário é oposto, como mencionamos, o FED está na ponta contrária, ainda elevando juros, e sendo bem incisivo sobre isso, deixando cristalino que irá seguir com o aumento de juros enquanto a inflação não convergir para a meta. A última coluna, de valuation, é a mais aberta a discussões. Na maioria dos fundos registrados, as ações estavam com os preços bem descontados, ou ao menos em patamares mais aceitáveis em relação a média (moderado), enquanto somente na crise de 1966 isso não ocorreu. Hoje, esse desconto mais alto ainda não chegou, mas é um ponto aberto para discussão porque o índice muda completamente de tempos em tempos – atualmente ele é carregado de empresas de tecnologia que historicamente negociam com valuation mais caros, coisa que não acontecia em 2002 ou antes, com os índices tendo commodities em peso, por exemplo.

Ou seja, ainda não há qualquer sinal de fundo no mercado americano sob a ótica dos principais fatores de identificação macroeconômico. Apesar da bolsa americana ter registrado quase 25% de queda desde o ano passado, não há qualquer sinal de aproximação de fundo ou coisa do tipo. Ainda há muito espaço para queda, há depender dos patamares de preços históricos, e esses -25% podem se tornar -50% em algum momento.
Talvez você esteja se perguntando: “mas se vocês mesmos estão dizendo que ainda não há sinal de fundo no mercado, por que comprar ações dos EUA?” – a resposta é simples: porque temos experiência o suficiente para saber que mais dinheiro é perdido tentando prever crises do que atravessando elas.

O mundo mudou completamente desde 2008. Completamente. Na verdade, foi na virada do milênio que os bancos centrais ao redor do globo começaram a agir para estimular suas economias em momentos de crise, mas foi somente em 2008 que os EUA oficializou esse tipo de medida (o quantitative easing) injetando US$ 4 trilhões no sistema bancário do país para resgatar a economia de problemas piores. Esse resgate mudou completamente as regras do jogo e tornou ainda mais imprevisível a leitura dos ciclos.

É plenamente possível e o S&P500 caia mais e ultrapasse até mesmo os -50% desde sua máxima, mas quem garante que o FED não vai agir? Quem garante que nâo haverá um corte de juros emergencial com mais trilhões sendo injetados no sistema bancário global?

Os ciclos seguem acontecendo, é inegável – agora, por exemplo, os EUA começa a entrar no momento de baixa do ciclo depois de mais de uma década de forte expansão, mas o quão severo vai ser o momento de baixa desse ciclo, ninguém sabe.

É por isso que optamos pelo simples que funciona: com diversas companhias já por preços atrativos, preferimos aceitar e levar como oportunidade. Você não precisa acertar a mínima de preço das ações nem conseguir identificar o fundo perfeito para começar a investir – basta pagar um preço aceitável no ativo (que é o momento para a maioria dos casos), esperar, reinvestir e assim seguir.

Não perca tempo tentando prever crises. Como falamos mais acima, mais dinheiro foi perdido tentando prever crises do que atravessando por elas – e não somos nós quem diz isso, é o Peter Lynch, uma de tantas de suas excelentes frases.

Invista em boas companhias, não pague demasiadamente caro e não faça mais nada. Essa estratégia resumida em uma simples frase é mais do que suficiente para você prosperar no mercado e é a estratégia da maioria dos investidores de cabelos brancos que conhecemos.

Não precisa reinventar a roda, não precisa identitificar o momento perfeito nem nada do tipo. Apenas faça o simples que funciona.

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Há um indicador que poucos investidores conhecem que pode mudar a direção dos juros nos EUA ou até mesmo determinar o quão grave pode ser uma recessão caso ela ocorra.

O gráfico acima é o número de “empresas zumbi” do índice Russell 2000. O índice, no caso, contempla as 2.000 maiores small caps (empresas de baixa capitalização) dos EUA. Como o gráfico mostra, desde a virada do milênio, praticamente, a quantidade de empresas zumbi tem crescido. Empresas zumbi nada mais são do que empresas que não conseguem sustentar suas próprias operações com o resultado que geram, ou seja, uma empresa que depende de aportes e empréstimos para continuar funcionando.

Hoje esse número está na máxima histórica, com 814 empresas zumbis, o equivalente a 40,7% de todas as empresas do índice.

Esse crescimento tem ocorrido principalmente por conta da alta de juros nos EUA, ora, com o juros subindo, essas as empresas precisam gastar cada vez mais com o pagamento da dívida, o que torna sua sustentabilidade operacional cada vez menor.

Por que dissemos que isso pode mudar a direção dos juros ou da recessão? Simples: com o aumento do juros, cada vez mais empresas ficam inoperáveis, e daí há dois caminhos que o Banco Central americano pode tomar: reduzir o juros para estancar o problema, aliviando o gasto com dívida que as companhias possuem, ou seguir com a elevação de juros, causando ondas de demissões entre outros fatores que possam levar essas companhias a falência.

É um indicador pouco conhecido, mas extremamente importante em tempos de aumento de juros. E faz lembrar do principal: quem investe em empresas que lucram e geram bastante caixa, não tem que se preocupar com esse tipo de problema.

Nunca é demais lembrar: invista em empresas boas (lucrativas e geradoras de caixa), não pague exageradamente caro e apenas espere. O próprio tempo dará conta de recompensar.

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Atendendo a pedidos de grande parte da audiência, um gráfico feito pela Guide Investimentos com o histórico das últimas companhias que realizaram RJ.

Como apresentado, a maior parte das companhias que realizam um pedido de recuperação judicial apresentam uma deterioração de cenário com uma queda de preço das ações ao longo do tempo. A Eternit foi a exceção, conseguindo se reestruturar.

Em um cenário de RJ, a companhia precisa se reestruturar para arcar com suas obrigações, e mediante falência de uma companhia, a não ser que ela tenha muitos ativos (que não é o caso da Americana, sendo uma varejista que não possui plantas industriais ou coisas do tipo) a reestruturação é ainda mais complexa.

Não estamos dizendo que a Americanas vá fracassar em seu processo de recuperação, mas apenas reforçando o fato de que o investidor não deve se empolgar com movimentos positivos no preço de uma ação. O próprio gráfico mostra como a volatilidade caminha – é altíssima, então não se engane.

A intenção aqui é apenas salientar que o investidor aventureiro que toma riscos demasiados acaba perdendo dinheiro. Em empresas de turnaround, o “turn” é a exceção, e não a regra.

Pense bem antes de tomar atitudes irresponsáveis com o seu dinheiro.

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Lançado recentemente, o livro “A Psicocologia Financeira” do economista Morgan Housel já se tornou uma das maiores obras de finanças comportamentais da história. Esse prestígio, merecido, foi atingido anto pelo seu teor de fácil compreensão, quanto pelo alto valor que entrega, sem tecnicidades e de conteúdo realmente prático para o investidor.

No texto abaixo, trouxemos seis lições importantes que o livro entrega para o leitor.

1. Você pode estar errado metade das vezes e ainda assim ganhar muito dinheiro: o investidor novato tem a falsa impressão de que um bom investidor necessariamente acerta todas as suas tacadas. Isso é falso. Errar é completamente comum e os melhores investidores dificilmente passam dos 60% de acerto. Basta não errar grande (e aí entra seu conhecimento sobre diversificação e estruturação de carteira) que estará tudo bem.

2. Suas experiências pessoais determinam suas decisões: eis aqui um dos maiores desafios do investidor, combater o viés. Pessoas que entraram na bolsa no final de um bull market que logo depois virou para o bear market, terão a pior experiência possível e isso se encaixa para qualquer outra coisa. Não é porque um investimento seu em algo não apresentou resultados esperados no curto prazo ou algo do tipo que você tem razão quanto ao que acha sobre algo. Não deixe sua experiência pessoal limitada determinar suas decisões – e isso serve tanto para as boas quanto para as más experiências.

3. A sorte desempenha um papel chave nos investimentos: você não leu errado. A sorte é sim uma determinante. Você já deve ter ouvido sobre a história de um macaco que escolhia as ações de uma carteira de investimento de forma aleatória e essa carteira batia investidores gigantes no curto e médio prazo – se trata tido. A aleatoriedade no curto prazo desempenha um papel gigante, o que leva a sorte a ser um fator chave. Por isso, como num jogo de poker, você deve sempre colocar as probabilidades ao seu favor e não se importar se alguém, com uma jogada ruim, ter um desempenho melhor do que você. As vezes um par de 2 gerará retornos melhores que um par de As, e está tudo bem, a aleatoriedade faz isso. Nem sempre as melhores decisões geram os melhores resultados, mas pode ter certeza que no longo prazo, se você sempre coloca as probabilidades ao seu favor, você sempre irá desempenhar melhor.

4. Identifique padrões específicos, e não casos isolados: ao falar sobre estratégias de investimento, é normal que nosso comportamento tome a direção de estruturar uma estratégia complexa, de difícil compreensão, buscando casos isolados que deram certo achando que o sucesso é algo muito difícil, beirando o impossível. Isso é errado. O ser humano nem sempre resiste aos seus vieses e acha que quanto mais difícil, mais eficiente. “Make it simples, stupid!” – identificar padrões específicos e amplos é mais do que suficiente. Quer um exemplo? Você investir em empresas que lucram há anos e possuem números sólidos de geração de caixa é mais do que suficiente, esse é um padrão específico. Você investir em empresas que em seu operacional fazem x ou y dependendo de uma infinidade de variáveis que ninguém conhece e achar que esse é o grande segredo do sucesso, é um caso isolado. Em inglês, esse termo se chama “overcomplicating”, que significa você complicar demasiadamente alguma coisa. Fazer isso é excelente pra encher linguiça e criar uma imagem de autoridade, mas péssimo para ganhar dinheiro.
5. A inveja pode te tornar imprudente e destruir sua vida: apenas siga seu próprio caminho. Só. Não é difícil. Ao longo da sua jornada financeira, você conhecerá especuladores com histórias dignas de filmes, dizendo que com R$ 10.000 conseguiram gerar mais de R$ 1 milhão em 1 ano ou coisa do tipo. Isso não importa. Esse cara pode estar falando a verdade, mas pode ter certeza que os outros 99,9% que quebraram não vão te contar história – o cemitério dos fracassados é silencioso. Apenas siga com sua estratégia e não a largue porque você foi tentado por alguma história fantasiosa de alguém que ganhou mais do que você. Essa talvez seja a lição mais importante aqui citada, porque diariamente você estará exposto a comparação do seu patrimônio com o de outra pessoa. Investir é apenas você contra você mesmo, nada além disso. Não é uma competição, não é uma briga e você sair por aí comparando rentabilidade com alguém vai te jogar em um buraco sem volta.

6. Se trata de como você protege, não do quanto você ganha: outro erro comportamental comum é o de achar que enriquecer se trata do quanto de dinheiro você consegue ganhar, e a maioria busca rentabilidades altíssimas. Obvio, ganhar dinheiro é importante, a rentabilidade tem que ser aceitável de forma que justifique o risco e pelo menos que você consiga retornos maiores que a inflação para não ter uma deterioração patrimonial ao longo do tempo, mas veja, é como o Buffett brinca dizendo que tem duas regras importantíssimas, a primeira de nunca perder dinheiro, e a segunda regra é nunca esquecer da primeira. No longo prazo, o que importa é você se manter vivo. Sua rentabilidade, exponenciada ao longo do tempo e de forma consistente, te gerará retornos expressivos e impressionantes, enquanto o investidor que foca somente em aumentar sua rentabilidade, em algum momento vai cometer um erro grave e jogar anos de rentabilidade fora. Esse viés comportamental de aumento de ganho acaba nos fazendo esquecer a importância da diminuição do risco de perda, e acredite, a diminuição desse risco é bem mais importante.

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Preço sobre lucro da bolsa brasileira segue extremamente amassado, abaixo de dois desvios padrões. Mesmo desconsiderando as commodities, também está amassado e abaixo de 8x. Espaço gigante para retomada de preço em caso de regressão a média histórica.
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Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3) – 4T/2022

Recorde de lucro histórico ultrapassando os R$ 30 bilhões, recuperação forte de ROE e um 2022 com diversos pontos positivos, apesar do cenário macroecônomico adverso. As manchetes, como sempre, noticiaram queda de lucro e citaram que o resultado veio abaixo das expectativas, mas sem esclarecer pontos importantes, e que se não fosse um mero detalhe, o Itaú teria o melhor quarto trimestre da história. Vamos aos números.

No 4T22 o Itaú entregou uma melhora expressiva da margem financeira, com um crescimento de 18% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e se aproximando dos R$ 25 bilhões, sendo que anualizado, comparando 2021 com 2022, o crescimento foi de 18,5%, com um valor histórico de R$ 92.5 bilhões – lembro que a margem financeira é a diferença entre o dinheiro que o banco empresta e recebe em suas operações, ou seja, a base da operação bancária. Esse crescimento expressivo foi fruto tanto da alta da SELIC no período como do próprio crescimento da carteira de crédito do banco, com a taxa média saindo de 7,7% para 8,7%, uma melhora de 1,0pp, o que demonstra melhora operacional expressiva do Itaú.

Na linha de PDD, o maior detalhe da análise no trimestre. O ponto que muita gente deixa passar batido por não ler o release e analisar somente os números. Mais uma vez a PDD foi elevada, dessa vez atingindo um valor histórico, em quase R$ 10 bilhões. No consolidado de 2022 o valor se aproximou de R$ 57 bilhões, e a explicação disso é simples: (I) aumento da inadimplência por conta do aumento de juros, tornando o cenário macroeconômico mais desafiador, e (II) Lojas Americanas. No 4T22 o Itaú provisionou 100% do valor concedido as Lojas Americanas. Sim, 100%. Sem conversa, sem enrolação – já esperando calote total da americanas, foi provisionado um valor de R$ 1.3 bilhão. Foi um movimento espetacular do banco, na nossa avaliação, visto que em um caso de empresa de recuperação judicial, dificilmente o banco conseguirá recuperar esse valor, ou seja, em 2023 já terão o balanço limpo sem necessidade de ficar provisionando valores relacionados. Por isso, como citamos no começo do texto, se não fosse esse aumento de PDD extraordinário, o resultado em lucro do Itaú seria ainda maior.

A inadimplência segue subindo, em linha com o cenário, saindo de 2,5% no 4T21 para 2,9% no 4T22. A princípio, esse crescimento de inadimplência é péssimo, mas inevitável – num país que o juros sai de 2% para quase 14%, não há muito o que fazer. O ponto positivo é que a inadimplência do Itaú ainda está bem abaixo da média do Sistema Financeiro nacional, que gira em torno de 5,5% hoje, o que reforça a qualidade de carteira de crédito da instituição.

A carteira de crédito, por sua vez, teve um crescimento fortíssimo no ano, de +11,1% e consideravelmente forte no trimestre, de +2,7%, visto que a torneira de crédito está sendo fechada há um tempo por conta do aumento de juros. Vale lembrar também que o Itaú tem a maior carteira de crédito do país, em quase R$ 1.2 trilhão. O desafio agora será manter a inadimplência baixa com uma carteira dessa magnitude, mas não deve ser problema para o banco, como já citamos, o Itaú tem uma das carteiras de crédito mais seguras do país e a inadimplência demonstra isso.
Na linha de receita de prestação de serviços, números ainda mistos, mas mais positivos no geral. Em 2022 o Itaú entregou, mais uma vez, crescimento de receita de prestação de serviços, com os serviços de conta corrente sendo os únicos ruins (-2,3%) reflexo tanto do aumento da adoção do Pix, que reduz uso de TED e afins, e da pressão de contas sem taxas de fintechs e relacionados que os bancos tiveram que entrar no jogo e abrir mão de taxas, também. Em contrapartida, a receita de emissão de cartão foi 18% maior, essa é a principal linha de ataque dos bancões em cima das fintechs, e tem dado certo, visto que bancões possuem capacidade bem maior de concessão de crédito, o que leva as instituições a darem os melhores benefícios nesse aspecto. No consolidado, o crescimento de receita de prestação de serviço foi de 5% comparado a 2021, número que enxergamos com bons olhos, pois como dissemos, é a principal área de ataque das fintechs e, passados tantos anos, os bancos seguem crescendo e aquela visão que alguns tinham de que os bancos sangrariam por essa linha, ainda não ocorreu.

Sobre as despesas, houve uma alta de 6,7% no ano, em linha com a expansão do banco, mas abaixo do crescimento de receita, fazendo com que o índice de eficiência caísse de 43% para 41,4% (lembrando que esse número, quanto menor, melhor, visto que representa o percentual da receita usado para pagar todas as despesas). Essa melhora de eficiência ocorreu principalmente pela diminuição de quantidade de agências (pouco mais de 100 fechamentos) e o fim de quase 2.000 caixas eletrônicos, em linha com a digitalização que vem ocorrendo há alguns anos.

Dessa forma, o Itaú teve um lucro de R$ 7.7 bilhões, representando uma queda comparado ao trimestre passado, mas uma alta de pouco mais de 14% no anualizado, ultrapassando os R$ 30 bilhões, com um ROE subindo, agora acima dos 20%, se recuperando depois da queda da pandemia e reforçando sua eficiência.

Como mencionado, achamos o resultado forte, e se não fosse pela PDD, mais uma vez, o resultado seria espetacular, entregando recorde de lucro, e é isso que as manchetes não explicam, panicando investidores mais leigos. Infelizmente o caso da Americanas impactou com força nesse sentido e o banco realizou um ótimo movimento provisionando um calote de valor completo, já deixando o balanço limpo para 2023. Para 2023, esperamos ainda mais aumentos de PDD, como o próprio Itaú mencionou, mas graças a carteira mais bem selecionada da instituição, o banco se beneficia, tendo resultados melhores que seus pares com menos inadimplência. Além obviamente, da surpresa pela linha de receita de serviços, que mais de 5 anos após o grande boom das fintechs, não houve consolidação daquele ponto de vista de que os bancões sofreriam pela linha de receita de serviços e afins – pelo contrário, estão ganhando cada vez mais espaço.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Porto ($PSSA3) – 4T/2022

Uma das empresas que mais sofreram com a pandemia, foi a Porto – antiga Porto Seguro, até sua mudança de identidade no ano passado. Com o problema nas cadeias logísticas globais, a companhia enfrentou uma alta de preço expressiva nos carros e peças relacionadas, enquanto as suas apólices de seguros, com preços defasados, não acompanharam, ou seja, caso algum cliente acionasse o seguro, a Porto era obrigada a devolver o valor do carro, enquanto o valor da apólice de seguro não cobria 100% dele. Isso causou um período de compressão de margens nunca antes visto na companhia, com a companhia no 3T21 chegando a entregar uma margem de lucro de apenas 1%. Porém, o cenário está mudando. Como já mencionamos em leituras passadas do resultado da Porto, era só questão de tempo até que ela se recuperasse e repassasse esses custos aos clientes – e o 4T22 ilustrou isso. Vamos aos números.

No 4T22 a Porto entregou um forte crescimento de prêmios emitidos em sua linha de auto, principal vertical de operação da companhia. O crescimento foi de 30,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$ 3.0 bilhões para R$ 4.0 bilhões. O interessante a destacar nessa linha, foi o fato de que a frota de veículos segurados teve leve queda (-1,7%) de 5.77 milhões para 5.67 milhões, mas ainda assim o crescimento de prêmios foi expressivo, o que demonstra a capacidade da companhia em conseguir repassar essa alta de preços do setor automotivo. A sinistralidade, por sua vez, segue caindo, com uma redução de 0,9pp entre o 4T21 e o 4T22, atingindo 60,7%. E se a queda de veículos segurados te preocupa, fique tranquilo: é comum em meio ao repasse de preços ocorrer esse tipo de variação. Em meio ao aumento de preço do produto, alguns clientes não aceitam e largam o serviço, dinâmica natural de qualquer setor.

No segmento de seguro patrimonial e de transporte, o crescimento também foi bom, não tão expressivo como no segmento (que é o principal da companhia), mas relevante: a quantidade de prêmios emitidos subiu 9,6% comparando o 4T21 com o 4T22 e atingiu R$ 650 milhões no trimestre. No anual, o crescimento é ainda mais expressivo, atingindo R$ 2.3 bilhões em 2022, com um crescimento de quase 17% em relação a 2021. A quantidade de itens segurados cresceu 3% entre o 4T21 e o 4T22 e a sinistralidade teve queda de 1,2pp, o que levou a uma melhora de eficiência.

No segmento de vida, um dos principais segmentos de ataque da Porto atualmente, o crescimento também foi forte. A quantidade de prêmios emitidos foi de R$ 345 milhões no 4T22, crescimento de 31,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto a quantidade de vida seguradas foi de 4.6 milhões, com crescimento de 10,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e a sinistralidade teve uma queda de 2,5pp, também com melhora de eficiência. É importante destacar que entre 2022 e 2021, a queda da sinistralidade dessa vertical foi de 15,0pp, de 49% para 34%, refletindo um momento mais calmo em relação a pandemia, sendo que em 2021 passamos pelo infortúnio pandêmico e a quantidade de mortes por Covid-19 ainda era altíssima, o que impactava diretamente a Porto nesse sentido.

No consolidado da vertical de seguros (juntando todas as linhas acima), houve crescimento de 27% de prêmios emitidos, de R$ 4.1 bilhões para R$ 5.3 bilhões, o ROAE subiu de 26,5% para 39,1%, o lucro líquido subiu de R$ 232 milhões para R$ 408 milhões (+75,7%) e o índice combinado caiu de 96% para 89% - lembrando que o índice combinado, quanto menor, melhor, é basicamente o percentual que sobra das operações de seguro para a companhia. Se atingir 100%, significa que ela não lucrou com as operações e usou 100% do dinheiro com o próprio operacional.
Passando brevemente por cima de outros pontos, pela linha do segmento de saúde tivemos resultados mistos, com aumento forte de prêmios emitidos atingindo R$ 903 milhões e subindo 35% comparado ao 4T21, sendo que o crescimento de beneficiários de plano de saúde cresceu 18,4% atingindo 413 mil e o de saúde odontológica subiu 2,3% atingindo 668 mil. No consolidado, houve perda de eficiência operacional em virtude do movimento atípico em 21 e em 22 em questão de frequência de uso dos planos de saúde, o que tende a normalização nos próximos trimestres.

A Porto Bank também merece menção. No trimestre as receitas da vertical bancária da porto cresceram 21,1%, com crescimento em todas as linhas e forte melhora operacional (ROAE subiu 4,0pp para 42,3%). O ponto de atenção aqui é o mesmo para qualquer outra companhia do setor financeiro: inadimplência. A inadimplência da subiu mais um trimestre, de 6,9% para 7,1%, mas ainda abaixo da média do mercado, que subiu ainda mais, mostrando que esse movimento é estrutural decorrente principalmente do momento econômico mais delicado com uma alta de juros que machuca o orçamento das famílias.

No resultado financeiro, há alguns detalhes a serem citados. É comum ver alguns dizendo por aí que seguradoras performam muito bem em tempos de alta da SELIC. Isso é verdade: por conta do alto dinheiro que elas possuem em caixa, o simples rendimento desse dinheiro gera um resultado financeiro excelente para as companhias. Mas não é tão preto no branco assim como muitos dizem. Existem alguns pontos a explicar.

No caso da porto, a companhia teve um resultado financeiro de R$ 205 milhões no 4T22, representando um crescimento de 49% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse rendimento representou 65% do CDI no período. E aí você se pergunta “como que rendeu menos que o CDI?”. Simples: diversificação.

Hoje 35% desse dinheiro está em título prefixado e 43% está em título indexado a inflação.

Todos esses títulos são marcados a mercado. Ou seja, se a curva de juros empina, esses títulos desvalorizam, e isso impacta diretamente o resultado do trimestre. É por isso que o resultado financeiro tende a vir um pouco mais fraco em momentos como o de agora. Com toda turbulência política que o país está passando, esses títulos desvalorizam e a rentabilidade no trimestre cai, mas veja, é apenas mudança do valor de face do título. Isso significa que no momento que a curva de juros normalizar, os títulos vão valorizar forte e a Porto tende a ter resultados bem acima do CDI.

É um excelente movimento da companhia a compra de títulos com taxas melhores hoje. Ela está diversificando buscando rentabilidades melhores com risco mínimo. E aí fica um ponto que pouca gente sabe: sim, a SELIC beneficia muito as seguradoras, mas é importante saber dessa dinâmica do caixa, que é constituído por títulos que vão além da SELIC.

Como dito, seu resultado financeiro atingiu R$ 205 milhões no 4T22 (crescimento de 49% comparado ao mesmo trimestre do ano passado) e R$ 604 milhões em 2022, com crescimento de 29% comparado a 2021. Espere resultados ainda mais fortes quando essa curva de juros estabilizar, pois boa parte desse resultado da Porto ainda está indexado com taxas excelentes em títulos prefixados.

Finalizando, a Porto entregou um lucro de R$ 555 milhões no 4T22, representando um aumento de 87% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O ROAE subiu 8,7pp, de 12,9% para 21,6% e o índice combinado caiu para 89,6%, uma redução de 6,5pp, o que aponta melhora operacional forte.
Quem acompanha nossas leituras trimestrais, deve se lembrar que falamos desde o 2T22 que essa melhora da Porto era questão de tempo. É a dinâmica do setor: primeiro sofre com a inflação, depois repassa. É assim com a maioria das companhias, inclusive, não só com a Porto. São poucas as companhias que conseguem realmente repassar a inflação de forma imediata. É por isso que o investidor de ações precisa ter paciência: em meio a tantos ruídos e notícias negativas, ele passa a questionar até mesmo o obvio, e acha que o mundo vai acabar, que as empresas nunca vão repassar os custos e coisas do tipo, mas nunca falha: empresa boa repassa. É simples. Se não repassasse, empresa nenhuma existiria. Para a Porto, um trimestre fortíssimo e ainda há muito a recuperar, principalmente pela linha de resultado financeiro. A economia global ainda está incerta, então não exclua a possibilidade de mais chacoalhadas, mas esse trimestre serviu como uma colher de chá para lembrar ao investidor como as coisas funcionam. A recuperação na mão de uma boa gestão é algo inevitável.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3) – 4T/2022

Um resultado espetacular, e um risco tão grande quanto. O ano de 2022 marcou um ano de resultados recordes para o Banco do Brasil, e além disso, o marco da ultrapassagem sobre seus pares privados, se tornando o banco mais eficiente e lucrativo do país. Vamos aos números.

A margem financeira do Banco do Brasil atingiu um recorde histórico em 2022. Com um crescimento de 45% em relação ao 4T21, foi registrado no 4T22 o valor de R$ 21.4 bilhões, sendo que esse crescimento expressivo veio principalmente do resultado de Tesouraria do banco, que cresceu 140% e atingiu quase R$ 11 bilhões no trimestre. O spread, diferença que o banco tem entre o quanto empresta e o quanto recebe, também teve forte melhora, de 1,2pp comparando o 4T21 ao 4T22. Aqui vale destacar que a taxa do Banco do Brasil é relativamente baixa quando comparada aos seus pares privados, e esse é um dos pontos de risco que falaremos mais à frente.

Na linha de PDD, nada a destacar que já não seja de conhecimento geral. Assim como os outros bancos, no 4T22 o Banco do Brasil teve de contabilizar uma PDD extraordinária em virtude da recuperação judicial das Lojas Americanas, o que levou a um aumento de quase R$ 800 milhões que não deveria existir no período. Isso levou o crescimento de PDD do banco para 72% comparado ao 4T21, somando R$ 6.5 bilhões. É importante também mencionar que esse crescimento de PDD não é somente fruto das Lojas Americanas – assim como os outros bancos, o Banco do Brasil também está passando por um período de deterioração de crédito, o que tem levado as instituições a provisionar valores cada vez maiores. Movimento conjuntural por conta da alta da SELIC.

A carteira de crédito teve um crescimento impressionante, saindo de R$ 874 bilhões no 4T21 e atingindo os R$ 1 trilhão no 4T22. O destaque é o de sempre: o crescimento veio principalmente pelo crédito dado ao agronegócio, que cresceu 25% em 12 meses e atingiu R$ 310 bilhões. Esse é um dos principais pontos positivos da carteira do Banco do Brasil, tendo em vista o fato de que o agronegócio tem um perfil de excelente devedor, com baixa inadimplência – o que nos leva ao número de inadimplência do banco. No 4T22 houve crescimento mais uma vez, subindo desde o 4T21, mas não é um fator isolado, como já dito, todos os bancos estão passando por esse momento de deterioração de crédito por fator conjuntural. No caso do Banco do Brasil, a inadimplência saiu de 1,75% no 4T21 para 2,51% no 4T22 – números que impressionam, visto que estão bem abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional e principalmente dos seus pares privados. Não é exagero dizer que o Banco do Brasil tem hoje a melhor carteira de crédito do país – e esse é um dos fatores de risco que falaremos mais a frente.

Na linha de receita de prestação de serviços, mais números excelentes. A receita cresceu 8% comparando o 4T21 ao 4T22, atingindo os R$ 8.4 bilhões. Esse crescimento veio principalmente da administração de fundos, dos serviços de conta corrente e da linha de seguros. Vale pontuar que diferente do seus pares privados, o segmento de cartões não é o foco do Banco do Brasil, caracterizando uma linha pouco importante na receita de prestação de serviço do banco, o que o coloca como um player fora da rinha de cartões que está rolando entre os bancões e as fintechs. Outro ponto interessante é o crescimento de receita de conta corrente, que subiu 9% ao ano.

Na linha de despesas e de índice de eficiência, análise rápida e impressionante. Mais uma vez o Banco do Brasil mostrou como gestão estatal também impressiona e entregou um controle de despesas excelente. O índice de eficiência caiu de 35,6% para 29,4% e é disparadamente o menor índice de eficiência entre os bancos – o do Itaú, lembrando, está acima dos 40%. Vale lembrar que esse número, quanto menor, melhor, significando o percentual da receita que é destinada a gasto com despesa.