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Se você pensou no Warren Buffett, se enganou. Apesar do Oráculo de Omaha ser um investidor gigante, histórico e memorável, as 15 dicas que passaremos aqui foram extraídas de obras e ensaios de outro investidor: Benjamin Graham.

O Ben Graham é considerado o pai do investimento em valor e foi ninguém menos do que o mentor e professor do Buffett. Foi ele que revolucionou o investimento na bolsa de valores e deu início a carreira do velhinho centibilionário que tanto conhecemos.

Sabe aquele livro “O Investidor Inteligente” que tanto é falado? Pois é – é da autoria do Graham.
Abaixo, passaremos 15 ideias breves que o gigante passou ao longo de sua história, seja por obras, ensaios ou entrevistas.

1. Controle suas emoções: para obter sucesso nos investimentos, você não precisa de um QI elevado ou reinventar a roda. O que você precisa é controlar as suas emoções e ter uma boa estratégia que te permita tomar decisões inteligentes, o que significa não especular.

2. Disciplina e coragem: a rentabilidade dos seus investimentos no curto prazo pouco importa. Tenha disciplina para seguir com sua estratégia e coragem para não ter influenciado pelo humor de outros investidores, principalmente em tempos de pessimismo excessivo e de profetas do apocalipse tomando conta dos ambientes de debate.

3. Seja um contrarian: um contrarian é alguém que costuma adotar uma posição contrária ao consenso. Em sua obra “O Investidor Inteligente”, Graham aborda muito sobre vender para os otimistas e comprar dos pessimistas. É mais o menos nessa linha: quando todos estão pessimistas, significa que as oportunidades estão com as melhores margens de segurança.

4. Tenha um plano: não interessa se você está batendo o mercado ou não – o que interessa é você ter um plano, metas e focar em atingi-las. Saber onde você quer chegar, no caso, ou você jamais saberá o que fazer.

5. Mercados de baixa são oportunidade: seguindo a linha sobre o que citamos sobre ser contrarian, quanto maior o medo do mercado, mais oportunidade há para você. Essa é a magia do mercado acionário, nesses momentos de aversão a risco é justamente o momento que ele apresenta maior segurança por conta dos preços das ações extremamente afundados e margens de segurança maiores. As vezes basta um único bear market bem aproveitado para mudar completamente seu patamar financeiro.

6. Você é um investidor: invista, não especule. Comprar uma ação é como se você estivesse comprando uma parte de uma empresa para você, isso é, você está se tornando um dono de um negócio. Por que raios você especularia ou compraria algo que não deseja ter ou gerir?

7. Dessa vez NÃO É diferente: a caixa alta é proposital. Em absolutamente todo bull market há alguém dizendo um “dessa vez é diferente”. Não, não é. Você se lembra do boom de 2020 no setor tech e de cripto, com tanta gente falando que dessa vez era diferente. Não foi. Essa frase, para se ter ideia, é comentada pelo Graham na década de 40, isso mostra como esse papinho não é novo.

8. Foco nos fundamentos: não seja um analista de cotação. No longo prazo, o preço da ação segue o lucro e o desempenho da companhia e só isso interessa. Dane-se o preço da ação desde que a empresa tenha premissas sólidas e bons números. Inevitavelmente a ação irá valorizar, e as vezes ela dobra de preço mais rápido do que você espera.

9. Você também é a chave: investir trata muito sobre números e contabilidade, mas principalmente sobre psicologia e controle emocional. Foque em você, esqueça a rentabilidade dos outros e não transforme sua jornada em uma competição com outra pessoa – esse é o caminho para sucumbir e tomar decisões erradas. Siga seu plano.

10. Use o Sr. Mercado ao seu favor: no livro “O Investidor Inteligente”, Graham faz uma analogia simples e breve sobre o Sr. Mercado – se você ainda não conhece, pesquise no Google agora mesmo e leia. O Sr. Mercado é um eufórico-depressivo e você pode usar isso ao seu valor, sempre se beneficiando de sua volatilidade.
11. Sossegue: o patrimônio é como um sabonete, quanto mais você mexe, menor ele costuma ficar. O motivo? Taxas, impostos e operações que dão errado. Apenas invista e deixa o tempo fazer o seu trabalho, te remunerando com dividendos, bonificações e afins. Patrimônio se acumula, não se gira.

12. Custos importam: evite pagar taxas e afins. Não faz sentido você pagar uma corretagem de 5% sobre o valor da ordem se hoje existe corretora cobrando R$ 4,00 ou até mesmo zero. Outras taxas também devem ser consideradas.

13. Tenha uma boa tese de investimento: saiba porque você está comprando ou vendendo um ativo. Nunca invista em uma ação somente porque o preço vai subir, nem venda somente porque o preço vai cair. Apenas invista quando você compreender o real valor do negócio por trás da ação e tiver segurança para entender completamente como a companhia funciona em crises.

14. Não pague caro: aqui não falamos sobre necessariamente método de fluxo de caixa descontado, planilhas de valuation com precisão de números decimais e afins, mas simplesmente o obvio. Sabe aquela ação que você viu valendo 500 vezes o lucro e que tem que crescer 50% por ano por 10 anos para justificar o atual preço? Então, pode ter certeza que é cilada. Se a ação está com um preço mirando um cenário perfeito e um céu de brigadeiro, provavelmente em algum momento seu preço vai derreter por conta de um simples fator dando errado. Não pague exageradamente caro – tudo tem limite. Não é um apelo a comprar tudo a preço exato com precisão de centavos, mas o contrário, uma chamada a atenção para não ser enganado.

15. Tenha paciência: sucesso nos investimentos é sobre tempo, paciência e disciplina. O simples funciona, sempre funciona. Você não vai enriquecer nem multiplicar seu patrimônio em dois anos. Não é em vão que os maiores investidores e mais ricos são todos carecas ou possuem cabelos brancos. O que importa é o tempo, o longo prazo, e continuar no mercado nesse meio tempo, isso é, sobreviver, não é necessário entregar rentabilidades estratosféricas, mas ter seu patrimônio valorizando sempre, mesmo que pouco, com o seu trabalho permitindo aportes recorrentes. O jogo se define basicamente nisso: paciência.

Não espere nada de curto prazo no mercado, nada. Nada além de volatilidade e provavelmente frustrações – pois é isso que resume a vida de um investidor, a frustração. Ele nunca está plenamente satisfeito.

Se compra e logo depois cai, a frustração resulta da impressão de uma má decisão porque investiu em algo errado.

Se compra e logo depois sobe, a frustração resulta da impressão de uma má decisão porque investiu em algo certo e poderia ter investido mais do que o pouco que o percentual de alocação permitiu.

Foque no que você controla, lembre-se que o resultado não necessariamente reflete se uma decisão é boa ou não e eventualmente retorno a esse texto para ler essas 15 “regras” de Graham. É uma linha direta de ideias tiradas diretamente do racional que construiu o Warren Buffett.

Foco nos fundamentos.

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Acima, duas tabelas: a de valor patrimonial médio de cada segmento de FIIs, e a de dividend yield.

A grande pergunta é: se você investia em 2019 quando absolutamente tudo estava acima do valor patrimonial e pagando yields baixíssimos, por que não investir hoje, com todos os segmentos com desconto sobre o patrimônio e rendimentos altíssimos?

O momento que passamos agora é a oportunidade que todos sempre pediam há algum tempo, e na primeira melhora do ciclo, se arrependerão de não ter aproveitado. Seu yield on cost irá agradecer.

Não deixe para se mexer tarde demais.


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Investimento na bolsa de valores, caso tenha o conhecimento necessário, definitivamente é uma das melhores formas para proteger o capital contra a inflação no longo prazo – é uma lógica simples: você investe em empresas que repassam a inflação aos seus produtos, e como acionista você se protege recebendo parte do lucro das operações.

Indo pouco além, existem também os títulos de renda fixa para proteger o investidor desse tipo de problema. Entre eles: investimentos que rendem o CDI, a taxa mais conhecida, benchmark de muitos investimentos.

Num levantamento considerando a rentabilidade do índice da bolsa de valores entre 1995 e 2021, foi identificado que a o índice rendeu 2.309%, enquanto no mesmo período, o CDI mais de 4.000%. Sim, quase o dobro do quanto rendeu o índice da bolsa no período. Mas talvez essa comparação seja um erro e possa causar algumas distorções e vieses nas análises. Daremos nosso ponto de vista sobre o assunto.

O primeiro ponto: o CDI passado dificilmente se repetirá.

Durante um longo tempo, o nosso país teve uma inflação violentamente alta, refletindo o passado conturbado com trocas de moedas, hiperinflação, instabilidade políticas entre outros problemas. Foi somente em 1994, com o plano real já em vigor e operante, que o cenário monetário brasileiro começou a entrar nos eixos, com o regime bandas cambiais (o governo definia um câmbio máximo e mínimo e não deixava que ele passasse desses valores) até 1999.

Somado a todos esses eventos citados acima, o governo abandonou o regime de bandas cambiais, resultando numa forte desvalorização da nossa moeda, dando origem ao evento da maxidesvalorização do real. Como forma de enfrentar todo esse cenário, a solução encontrada foi simples: SELIC nas alturas.

Perceba pelo primeiro gráfico que a SELIC entre 1995 e 1999 era altíssima ainda buscando controlar a inflação e a desvalorização cambial do período, uma época que o Brasil não tinha reservas, saia de uma recente troca de moeda pela sétima vez seguida e soltava a taxa de câmbio do país. Resumindo: a SELIC ficou altíssima durante esse período para enfrentar problemas pontuais.

Passados alguns anos, com a economia já estabilizando com a nova moeda acomodada, a taxa de câmbio menos atacada e a economia brasileira com fundamentos mais sólidos, a SELIC passou a caminhar para patamares ainda mais baixos, sendo necessário uma taxa de juros menor para remuneração dos seus títulos públicos, afinal, o investidor tinha mais confiança no país.

Para isso, elaboramos outros dois gráficos: a SELIC desde 1995 em janelas de médias de 2 anos e janelas de médias de 5 anos. Nos três gráficos, fica evidente a tendência de queda da SELIC ao passar do tempo, sendo que considerando janelas mais alongadas, fica ainda mais claro.

O ponto central da ideia aqui é: o início do plano real com a troca do sistema de câmbio do país acabou gerando uma distorção nesse tipo de análise de rentabilidade do CDI. Sem dúvidas: o investidor que teve dinheiro atrelado ao CDI desde 1995 conseguiu ganhar muito dinheiro, mas como todo investidor sabe, rentabilidade passada não significa rentabilidade futura. Dificilmente o Brasil terá um CDI tão alto quanto teve no passado pelo simples fato de não precisar.

O país hoje é outro, tem fundamentos mais sólidos, quase US$ 400 bilhões em reservas, uma moeda estável (sim, apesar da inflação, acredite, o real é extremamente estável em termos históricos e relativos), uma taxa de câmbio flutuante sem que haja intervenções que cause grandes desvalorizações e uma SELIC de 40% novamente é extremamente improvável, para não dizer impossível.

Ou seja: não espere que o CDI renda o mesmo tanto que rendeu no passado. Em uma análise macro, a probabilidade disso acontecer é baixíssima, visto que a transição de moeda e regime de câmbio ocorrida em 1995 não ocorrerá novamente. Esse CDI passado suja completamente as comparações entre CDI e bolsa do período.
Como o quarto gráfico mostra, a dívida brasileira tem crescido muito com o tempo. Infelizmente o Banco Central não disponibiliza os dados da dívida com números antes de 2006, mas a tendência da dívida fica evidente: cada vez maior nos últimos anos.

Se a dívida cresce, significa que o país terá que gastar mais com juros, ou seja: uma SELIC demasiadamente alta se torna um problema impossível de lidar. É completamente impossível o Brasil arcar com uma dívida pública com uma SELIC de 40% ao ano como tivemos em 1999. Uma SELIC mais baixa facilita o pagamento da dívida e mitiga o risco de insolvência do país. De fato: praticamente toda a dívida brasileira é em moeda própria e basta imprimir mais dinheiro para pagá-la, mas convenhamos que imprimir dinheiro desenfreadamente irá gerar problemas tão grandes quanto a de uma moratória da dívida. Ou seja, é extremamente improvável que o Banco Central eleve a SELIC a patamares que tivemos há algumas décadas por ser algo insustentável. Hoje o país não permite uma SELIC nesse patamar e certamente é algo que o BCB evita.

O terceiro e último ponto: o viés do índice.

Como sempre falamos, esse tipo de estudo é realizado utilizando o índice da bolsa, o Ibovespa. Se você estuda, certamente você não investe no índice, mas estrutura uma carteira diversificada contemplando uma gama de setores e empresas de bons fundamentos que não reflete o índice em si, que por sua vez é horrível, extremamente concentrado e dependente de commodities – ou seja, uma carteira de bons fundamentos estruturada nessa época, certamente bateu o CDI com folga. E não falamos sobre reinvenção da roda ou estratégias mirabolantes, mas o simples que sempre deu certo: investimento em empresas com histórico sólido, lucrativas, baixa dívida, alavancagem saudável etc.

Esperamos que tenha ficado claro o cerne desse artigo: mais importante do que saber os números, é compreender a origem deles. Sim, o CDI bateu a bolsa com folga desde 1995, mas poucos compreendem porque a SELIC foi tão alta nesse meio tempo, as razões macroeconômicas e conseguem apurar quais as chances disso ocorrer novamente.

Poderíamos simplesmente resumir todo o texto dizendo que é impossível a SELIC voltar aos patamares antigos porque o país quebraria, que é algo quase que obvio que faz essa comparação de CDI x IBOV ser um erro, mas o pano de fundo para entender todo o contexto é te ajudará nas análises.

Conhecimento é o que fará com que você ganhe dinheiro. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é saber cuidar dele. Venha fazer parte do nosso time e pare de depender de dicas.

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Um dado curioso que diz muito.

Desde 2004, 2022 foi o primeiro ano em que não houve absolutamente nenhum IPO no Brasil.

Quem já leu Howard Marks, deve lembrar o que ele diz sobre os ciclos, sendo que a frequência de IPOs é um dos principais indicadores de oportunidade de mercado. IPO em excesso é sinal de topo, excesso de liquidez, risco altíssimo para comprar ações (cenário que tivemos em 2020 e 2021, por exemplo) enquanto poucos IPOs significa aversão a risco, o que consequentemente expressa que os investidores estão investindo menos em ações e isso significa maiores oportunidades (vide 2014, 2015 e 2016, assim como 2022 agora).

Em linha com todas as aulas sobre ciclos e cenários econômicos que tratamos.

Ou seja, mais sinais. Não se acovarde – somente ler os livros de investimentos de longo prazo e obras do Buffett não é suficiente – é necessário principalmente praticar tudo aquilo que foi obtido em teoria, e essa é a parte mais difícil.


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Excelente gráfico e tabela da Wealth High Governance.

No gráfico, o desempenho da S&P500 desconsiderando as FAAMNGT e os principais fatores que influenciaram no valor das companhias no período.
Já tem algum tempo que falamos em nossos relatórios e nossas redes sociais que a bolsa americana, na nossa opinião, está em um patamar de preço atrativo. Longe de ser a melhor oportunidade dos últimos tempos ou qualquer coisa do tipo, mas é inegável que considerando o risco e retorno em termos relativos para o nosso cenário interno, o S&P500, principal índice acionário dos EUA, está num patamar de preço bom. Porém, como já tratamos no relatório passado, isso não significa que não existe mais espaço para que os preços caiam ainda mais.

A tabela acima foi extraída com dados disponibilizados pela Bridgewater Associates, uma das gestoras de investimentos mais renomadas do planeta, fundada pelo gigante Ray Dalio, e que tem hoje quase US$ 150 bilhões sob gestão.

Antes de explicar nosso ponto, vamos explicar a tabela. Nela há quatro colunas.

1. Fundo do Mercado: essa coluna se refere a data em que o mercado atingiu seu fundo (isso é, a mínima de preço) em cada respectiva crise.

2. Economia muito Fraca: essa coluna se refere a situação econômica de cada período. Como demonstrado, em cada fundo atingido no mercado americano, a economia estava fraca. Uma economia fraca significa índices de consumos em queda, desemprego subindo e outros indicadores relacionados a esses dois pontos também em deterioração, vide investimentos capital de produção e afins.

3. Corte de juros ocorrendo: essa coluna se refere as medidas do Federal Reserve. Em todo fundo registrado, o FED mudou seu discurso e deixou claro a intenção de corte de juros. Hoje o cenário é oposto: o FED tem dado um discurso cada vez mais duro, dizendo que vai elevar o juros nos EUA para controlar a inflação na base do “custe o que custar”.

4. Valuation baixo das ações: autoexplicativa, essa coluna se refere ao patamar de preço dos ativos do índice. Multiplos esticados, com preço sobre lucro mais alto, significa valuation mais caro. Hoje, ainda que a bolsa tenha caído bem, o valuation segue bem acima da média histórica.

Falemos agora sobre os dados. Em todos os fundos de crises registrados, desde 1966, a economia estava fraca. Os indicadores econômicos apontavam piora do desemprego e do consumo. Hoje, isso ainda não está ocorrendo, pelo contrário: o consumo nos EUA segue bem forte, e o desemprego segue praticamente zerado, ainda que alguns dados preliminares tem apontado aumento do indicador, o que é positivo para o FED, por mais perverso que seja dizer isso, visto que ele não será obrigado a elevar o juros de forma mais agressiva. Em todos os fundos de crises registrados, o FED já estava cortando juros ou anunciando corte. Hoje o cenário é oposto, como mencionamos, o FED está na ponta contrária, ainda elevando juros, e sendo bem incisivo sobre isso, deixando cristalino que irá seguir com o aumento de juros enquanto a inflação não convergir para a meta. A última coluna, de valuation, é a mais aberta a discussões. Na maioria dos fundos registrados, as ações estavam com os preços bem descontados, ou ao menos em patamares mais aceitáveis em relação a média (moderado), enquanto somente na crise de 1966 isso não ocorreu. Hoje, esse desconto mais alto ainda não chegou, mas é um ponto aberto para discussão porque o índice muda completamente de tempos em tempos – atualmente ele é carregado de empresas de tecnologia que historicamente negociam com valuation mais caros, coisa que não acontecia em 2002 ou antes, com os índices tendo commodities em peso, por exemplo.

Ou seja, ainda não há qualquer sinal de fundo no mercado americano sob a ótica dos principais fatores de identificação macroeconômico. Apesar da bolsa americana ter registrado quase 25% de queda desde o ano passado, não há qualquer sinal de aproximação de fundo ou coisa do tipo. Ainda há muito espaço para queda, há depender dos patamares de preços históricos, e esses -25% podem se tornar -50% em algum momento.
Talvez você esteja se perguntando: “mas se vocês mesmos estão dizendo que ainda não há sinal de fundo no mercado, por que comprar ações dos EUA?” – a resposta é simples: porque temos experiência o suficiente para saber que mais dinheiro é perdido tentando prever crises do que atravessando elas.

O mundo mudou completamente desde 2008. Completamente. Na verdade, foi na virada do milênio que os bancos centrais ao redor do globo começaram a agir para estimular suas economias em momentos de crise, mas foi somente em 2008 que os EUA oficializou esse tipo de medida (o quantitative easing) injetando US$ 4 trilhões no sistema bancário do país para resgatar a economia de problemas piores. Esse resgate mudou completamente as regras do jogo e tornou ainda mais imprevisível a leitura dos ciclos.

É plenamente possível e o S&P500 caia mais e ultrapasse até mesmo os -50% desde sua máxima, mas quem garante que o FED não vai agir? Quem garante que nâo haverá um corte de juros emergencial com mais trilhões sendo injetados no sistema bancário global?

Os ciclos seguem acontecendo, é inegável – agora, por exemplo, os EUA começa a entrar no momento de baixa do ciclo depois de mais de uma década de forte expansão, mas o quão severo vai ser o momento de baixa desse ciclo, ninguém sabe.

É por isso que optamos pelo simples que funciona: com diversas companhias já por preços atrativos, preferimos aceitar e levar como oportunidade. Você não precisa acertar a mínima de preço das ações nem conseguir identificar o fundo perfeito para começar a investir – basta pagar um preço aceitável no ativo (que é o momento para a maioria dos casos), esperar, reinvestir e assim seguir.

Não perca tempo tentando prever crises. Como falamos mais acima, mais dinheiro foi perdido tentando prever crises do que atravessando por elas – e não somos nós quem diz isso, é o Peter Lynch, uma de tantas de suas excelentes frases.

Invista em boas companhias, não pague demasiadamente caro e não faça mais nada. Essa estratégia resumida em uma simples frase é mais do que suficiente para você prosperar no mercado e é a estratégia da maioria dos investidores de cabelos brancos que conhecemos.

Não precisa reinventar a roda, não precisa identitificar o momento perfeito nem nada do tipo. Apenas faça o simples que funciona.

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Há um indicador que poucos investidores conhecem que pode mudar a direção dos juros nos EUA ou até mesmo determinar o quão grave pode ser uma recessão caso ela ocorra.

O gráfico acima é o número de “empresas zumbi” do índice Russell 2000. O índice, no caso, contempla as 2.000 maiores small caps (empresas de baixa capitalização) dos EUA. Como o gráfico mostra, desde a virada do milênio, praticamente, a quantidade de empresas zumbi tem crescido. Empresas zumbi nada mais são do que empresas que não conseguem sustentar suas próprias operações com o resultado que geram, ou seja, uma empresa que depende de aportes e empréstimos para continuar funcionando.

Hoje esse número está na máxima histórica, com 814 empresas zumbis, o equivalente a 40,7% de todas as empresas do índice.

Esse crescimento tem ocorrido principalmente por conta da alta de juros nos EUA, ora, com o juros subindo, essas as empresas precisam gastar cada vez mais com o pagamento da dívida, o que torna sua sustentabilidade operacional cada vez menor.

Por que dissemos que isso pode mudar a direção dos juros ou da recessão? Simples: com o aumento do juros, cada vez mais empresas ficam inoperáveis, e daí há dois caminhos que o Banco Central americano pode tomar: reduzir o juros para estancar o problema, aliviando o gasto com dívida que as companhias possuem, ou seguir com a elevação de juros, causando ondas de demissões entre outros fatores que possam levar essas companhias a falência.

É um indicador pouco conhecido, mas extremamente importante em tempos de aumento de juros. E faz lembrar do principal: quem investe em empresas que lucram e geram bastante caixa, não tem que se preocupar com esse tipo de problema.

Nunca é demais lembrar: invista em empresas boas (lucrativas e geradoras de caixa), não pague exageradamente caro e apenas espere. O próprio tempo dará conta de recompensar.

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Atendendo a pedidos de grande parte da audiência, um gráfico feito pela Guide Investimentos com o histórico das últimas companhias que realizaram RJ.

Como apresentado, a maior parte das companhias que realizam um pedido de recuperação judicial apresentam uma deterioração de cenário com uma queda de preço das ações ao longo do tempo. A Eternit foi a exceção, conseguindo se reestruturar.

Em um cenário de RJ, a companhia precisa se reestruturar para arcar com suas obrigações, e mediante falência de uma companhia, a não ser que ela tenha muitos ativos (que não é o caso da Americana, sendo uma varejista que não possui plantas industriais ou coisas do tipo) a reestruturação é ainda mais complexa.

Não estamos dizendo que a Americanas vá fracassar em seu processo de recuperação, mas apenas reforçando o fato de que o investidor não deve se empolgar com movimentos positivos no preço de uma ação. O próprio gráfico mostra como a volatilidade caminha – é altíssima, então não se engane.

A intenção aqui é apenas salientar que o investidor aventureiro que toma riscos demasiados acaba perdendo dinheiro. Em empresas de turnaround, o “turn” é a exceção, e não a regra.

Pense bem antes de tomar atitudes irresponsáveis com o seu dinheiro.

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Lançado recentemente, o livro “A Psicocologia Financeira” do economista Morgan Housel já se tornou uma das maiores obras de finanças comportamentais da história. Esse prestígio, merecido, foi atingido anto pelo seu teor de fácil compreensão, quanto pelo alto valor que entrega, sem tecnicidades e de conteúdo realmente prático para o investidor.

No texto abaixo, trouxemos seis lições importantes que o livro entrega para o leitor.

1. Você pode estar errado metade das vezes e ainda assim ganhar muito dinheiro: o investidor novato tem a falsa impressão de que um bom investidor necessariamente acerta todas as suas tacadas. Isso é falso. Errar é completamente comum e os melhores investidores dificilmente passam dos 60% de acerto. Basta não errar grande (e aí entra seu conhecimento sobre diversificação e estruturação de carteira) que estará tudo bem.

2. Suas experiências pessoais determinam suas decisões: eis aqui um dos maiores desafios do investidor, combater o viés. Pessoas que entraram na bolsa no final de um bull market que logo depois virou para o bear market, terão a pior experiência possível e isso se encaixa para qualquer outra coisa. Não é porque um investimento seu em algo não apresentou resultados esperados no curto prazo ou algo do tipo que você tem razão quanto ao que acha sobre algo. Não deixe sua experiência pessoal limitada determinar suas decisões – e isso serve tanto para as boas quanto para as más experiências.

3. A sorte desempenha um papel chave nos investimentos: você não leu errado. A sorte é sim uma determinante. Você já deve ter ouvido sobre a história de um macaco que escolhia as ações de uma carteira de investimento de forma aleatória e essa carteira batia investidores gigantes no curto e médio prazo – se trata tido. A aleatoriedade no curto prazo desempenha um papel gigante, o que leva a sorte a ser um fator chave. Por isso, como num jogo de poker, você deve sempre colocar as probabilidades ao seu favor e não se importar se alguém, com uma jogada ruim, ter um desempenho melhor do que você. As vezes um par de 2 gerará retornos melhores que um par de As, e está tudo bem, a aleatoriedade faz isso. Nem sempre as melhores decisões geram os melhores resultados, mas pode ter certeza que no longo prazo, se você sempre coloca as probabilidades ao seu favor, você sempre irá desempenhar melhor.

4. Identifique padrões específicos, e não casos isolados: ao falar sobre estratégias de investimento, é normal que nosso comportamento tome a direção de estruturar uma estratégia complexa, de difícil compreensão, buscando casos isolados que deram certo achando que o sucesso é algo muito difícil, beirando o impossível. Isso é errado. O ser humano nem sempre resiste aos seus vieses e acha que quanto mais difícil, mais eficiente. “Make it simples, stupid!” – identificar padrões específicos e amplos é mais do que suficiente. Quer um exemplo? Você investir em empresas que lucram há anos e possuem números sólidos de geração de caixa é mais do que suficiente, esse é um padrão específico. Você investir em empresas que em seu operacional fazem x ou y dependendo de uma infinidade de variáveis que ninguém conhece e achar que esse é o grande segredo do sucesso, é um caso isolado. Em inglês, esse termo se chama “overcomplicating”, que significa você complicar demasiadamente alguma coisa. Fazer isso é excelente pra encher linguiça e criar uma imagem de autoridade, mas péssimo para ganhar dinheiro.
5. A inveja pode te tornar imprudente e destruir sua vida: apenas siga seu próprio caminho. Só. Não é difícil. Ao longo da sua jornada financeira, você conhecerá especuladores com histórias dignas de filmes, dizendo que com R$ 10.000 conseguiram gerar mais de R$ 1 milhão em 1 ano ou coisa do tipo. Isso não importa. Esse cara pode estar falando a verdade, mas pode ter certeza que os outros 99,9% que quebraram não vão te contar história – o cemitério dos fracassados é silencioso. Apenas siga com sua estratégia e não a largue porque você foi tentado por alguma história fantasiosa de alguém que ganhou mais do que você. Essa talvez seja a lição mais importante aqui citada, porque diariamente você estará exposto a comparação do seu patrimônio com o de outra pessoa. Investir é apenas você contra você mesmo, nada além disso. Não é uma competição, não é uma briga e você sair por aí comparando rentabilidade com alguém vai te jogar em um buraco sem volta.

6. Se trata de como você protege, não do quanto você ganha: outro erro comportamental comum é o de achar que enriquecer se trata do quanto de dinheiro você consegue ganhar, e a maioria busca rentabilidades altíssimas. Obvio, ganhar dinheiro é importante, a rentabilidade tem que ser aceitável de forma que justifique o risco e pelo menos que você consiga retornos maiores que a inflação para não ter uma deterioração patrimonial ao longo do tempo, mas veja, é como o Buffett brinca dizendo que tem duas regras importantíssimas, a primeira de nunca perder dinheiro, e a segunda regra é nunca esquecer da primeira. No longo prazo, o que importa é você se manter vivo. Sua rentabilidade, exponenciada ao longo do tempo e de forma consistente, te gerará retornos expressivos e impressionantes, enquanto o investidor que foca somente em aumentar sua rentabilidade, em algum momento vai cometer um erro grave e jogar anos de rentabilidade fora. Esse viés comportamental de aumento de ganho acaba nos fazendo esquecer a importância da diminuição do risco de perda, e acredite, a diminuição desse risco é bem mais importante.

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Preço sobre lucro da bolsa brasileira segue extremamente amassado, abaixo de dois desvios padrões. Mesmo desconsiderando as commodities, também está amassado e abaixo de 8x. Espaço gigante para retomada de preço em caso de regressão a média histórica.
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