O resultado do terceiro trimestre do Bradesco foi um verdadeiro balde de água fria no mercado, ao menos a aqueles que gostam e analisam bastante o setor financeiro. Com um aumento de PDD forte no trimestre, a instituição entregou um lucro bem abaixo do esperado e tratou sobre sua expectativa em relação a deterioração do cenário de crédito do país, falando sobre a inadimplência que tem crescido cada vez mais e como os fundamentos tem piorado de forma mais rápida do que era esperado.
Os anos de 2020 e 2021 foram exceções nesse tema: com a pandemia, dívidas foram postergadas, taxas foram reduzidas e diversos indicadores foram para baixo por fatores não recorrentes. Hoje, quase em 2023, a conta desse momento chegou, e é justamente esse o ponto de preocupação que alguns tem. Para ilustrar melhor, usaremos alguns gráficos feitos pelo Guilherme Vieiro, da Armor Capital, e explicaremos de forma simples e breve o que tem acontecido, concluindo como isso pode afetar os grandes bancos no curto prazo. Vamos lá.
O primeiro gráfico se refere a quantidade de saldo da carteira de crédito total de cada linha respectiva. A azul escuro se refere ao crédito dado as pessoas jurídicas, enquanto a linha azul mais claro, se refere ao crédito dado as pessoas físicas.
Perceba como desde 2016 o crédito dado as pessoas jurídicas deu uma bela reduzida em virtude das crises do período. Por lógica, crises diminuem demanda por crédito visto que este é majoritariamente buscado por empresas para planos de expansão e investimento. A desalavancagem de algumas instituições públicas também corroboraram com essa queda. Em 2020, com um novo boom econômico se iniciando, esse número voltou a crescer forte, justamente pela expectativa dos agentes econômicos sobre a retomada da economia do país e a espera por um novo ciclo de crescimento.
Na outra linha, a de crédito dado as pessoas físicas, a desaceleração não ocorreu, e é aqui que surge o principal problema do texto que elaboramos. Desde 2020 o crédito concedido a pessoas físicas acelerou demasiadamente. A princípio, o crédito dado em si não é ruim, mas sim o perfil e a velocidade de crescimento, algo que explicaremos abaixo.
No segundo gráfico, segmentando a carteira de crédito das pessoas físicas, as duas maiores linhas de crescimento foram (I) recursos livros de cartão de crédito, basicamente o crédito concedido via cartão e que a pessoa pode utilizar com absolutamente qualquer coisa que bem entender, e (II) recursos livres total, que engloba todas as linhas de crédito sem direcionamento exato, vide empréstimos que a pessoa contrata também para utilização como bem desejar.
Esses dois números apontam problemas por terem maior inadimplência. Veja, se trata de linha de crédito sem direcionamento, crédito sem garantia, de menor qualidade, a linha de crédito que o banco está mais suscetível a perder por conta de calotes. Na relação de risco e retorno, para o banco, acaba compensando, afinal, é daí que vem aquelas taxas obscenas de quase 500% de crédto no rotativo do cartão ou empréstimos com taxas de 3% ao mês, mas o risco é justamente a inadimplência, o banco não conseguir reaver o dinheiro emprestado. E é o que o terceiro gráfico explica.
O terceiro gráfico se refere ao crescimento de inadimplência de cada segmento da carteira de crédito de pessoas físicas.
Todas as linhas de crédito estão demonstrando crescimento da inadimplência. O crescimento já era algo esperado, como mencionamos, os últimos 2 anos foram repletos de fatores não recorrentes, como postergação de cobrança de dívidas e redução de taxas por conta do período pandêmico, momento em que o orçamento das famílias foi fragilizado.
O problema de fato está na velocidade desse crescimento: a inadimplência está subindo bem mais rápido do que o esperado e já ultrapassou o nível que estava antes da pandemia, alcançando a inadimplência atingida na última crise, entre 2014 e 2016.
Os anos de 2020 e 2021 foram exceções nesse tema: com a pandemia, dívidas foram postergadas, taxas foram reduzidas e diversos indicadores foram para baixo por fatores não recorrentes. Hoje, quase em 2023, a conta desse momento chegou, e é justamente esse o ponto de preocupação que alguns tem. Para ilustrar melhor, usaremos alguns gráficos feitos pelo Guilherme Vieiro, da Armor Capital, e explicaremos de forma simples e breve o que tem acontecido, concluindo como isso pode afetar os grandes bancos no curto prazo. Vamos lá.
O primeiro gráfico se refere a quantidade de saldo da carteira de crédito total de cada linha respectiva. A azul escuro se refere ao crédito dado as pessoas jurídicas, enquanto a linha azul mais claro, se refere ao crédito dado as pessoas físicas.
Perceba como desde 2016 o crédito dado as pessoas jurídicas deu uma bela reduzida em virtude das crises do período. Por lógica, crises diminuem demanda por crédito visto que este é majoritariamente buscado por empresas para planos de expansão e investimento. A desalavancagem de algumas instituições públicas também corroboraram com essa queda. Em 2020, com um novo boom econômico se iniciando, esse número voltou a crescer forte, justamente pela expectativa dos agentes econômicos sobre a retomada da economia do país e a espera por um novo ciclo de crescimento.
Na outra linha, a de crédito dado as pessoas físicas, a desaceleração não ocorreu, e é aqui que surge o principal problema do texto que elaboramos. Desde 2020 o crédito concedido a pessoas físicas acelerou demasiadamente. A princípio, o crédito dado em si não é ruim, mas sim o perfil e a velocidade de crescimento, algo que explicaremos abaixo.
No segundo gráfico, segmentando a carteira de crédito das pessoas físicas, as duas maiores linhas de crescimento foram (I) recursos livros de cartão de crédito, basicamente o crédito concedido via cartão e que a pessoa pode utilizar com absolutamente qualquer coisa que bem entender, e (II) recursos livres total, que engloba todas as linhas de crédito sem direcionamento exato, vide empréstimos que a pessoa contrata também para utilização como bem desejar.
Esses dois números apontam problemas por terem maior inadimplência. Veja, se trata de linha de crédito sem direcionamento, crédito sem garantia, de menor qualidade, a linha de crédito que o banco está mais suscetível a perder por conta de calotes. Na relação de risco e retorno, para o banco, acaba compensando, afinal, é daí que vem aquelas taxas obscenas de quase 500% de crédto no rotativo do cartão ou empréstimos com taxas de 3% ao mês, mas o risco é justamente a inadimplência, o banco não conseguir reaver o dinheiro emprestado. E é o que o terceiro gráfico explica.
O terceiro gráfico se refere ao crescimento de inadimplência de cada segmento da carteira de crédito de pessoas físicas.
Todas as linhas de crédito estão demonstrando crescimento da inadimplência. O crescimento já era algo esperado, como mencionamos, os últimos 2 anos foram repletos de fatores não recorrentes, como postergação de cobrança de dívidas e redução de taxas por conta do período pandêmico, momento em que o orçamento das famílias foi fragilizado.
O problema de fato está na velocidade desse crescimento: a inadimplência está subindo bem mais rápido do que o esperado e já ultrapassou o nível que estava antes da pandemia, alcançando a inadimplência atingida na última crise, entre 2014 e 2016.
Ou seja, há uma conjunção de fatores negativos em relação ao crédito atualmente, e a SELIC no atual patamar tem pressionado ainda mais os indicadores, negativamente dizendo.
É aí que entra a expectativa sobre os grandes bancos que citamos. Bancões possuem perfil de crédito bem distintos. O Itaú e o Bradesco, por exemplo, tem maior exposição a crédito para pessoas físicas, o que pode ser levemente problemático num cenário de crise nesse aspecto. Levemente porque as instituições sabem dar crédito e suas carteiras são predominantemente de rating A+ (excelentes pagadores), mas isso não muda o fato de que o crescimento de PDD por fator de precaução possa ocorrer, vide o que o Bradesco fez no último trimestre.
Há também o fato de que esse crescimento de inadimplência pode causar um efeito dominó na economia, ora, como bem mostramos, grande parte desse crédito é dado via cartão de crédito. Como ficam as varejistas? Como ficam as empresas alavancadas que dependem desse consumo?
A intenção do texto é justamente mostrar como o cenário de crédito pode causar uma chacoalhada no setor bancário ou até mesmo na economia como um todo nos próximos meses, ainda mais a depender de como o Banco Central conduzirá a taxa de juros face ao novo governo que tomará a presidência em 2023, que abertamente já disse que pretende tomar medidas mais expansionistas que acabam gerando ainda mais pressão sobre o Banco Central que é o guardião da moeda e o responsável por domar a fera inflacionária que ameaça o nosso país todo santo mês.
Pode se dizer, mais uma vez, que o movimento do Bradesco foi preventivo, visto que é o banco com maior exposição a crédito dado as pessoas físicas, mas é nessas horas que a solidez de uma instituição se mostra importante: os gigantes podem balançar, mas atravessam e saem mais fortes. Em contrapartida, os menores que tem menor capacidade de absorção de crises, tendem a sofrer mais, e as vezes sequer conseguem atravessar.
Investir em solidez é um dos melhores caminhos para prosperar.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 300h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
É aí que entra a expectativa sobre os grandes bancos que citamos. Bancões possuem perfil de crédito bem distintos. O Itaú e o Bradesco, por exemplo, tem maior exposição a crédito para pessoas físicas, o que pode ser levemente problemático num cenário de crise nesse aspecto. Levemente porque as instituições sabem dar crédito e suas carteiras são predominantemente de rating A+ (excelentes pagadores), mas isso não muda o fato de que o crescimento de PDD por fator de precaução possa ocorrer, vide o que o Bradesco fez no último trimestre.
Há também o fato de que esse crescimento de inadimplência pode causar um efeito dominó na economia, ora, como bem mostramos, grande parte desse crédito é dado via cartão de crédito. Como ficam as varejistas? Como ficam as empresas alavancadas que dependem desse consumo?
A intenção do texto é justamente mostrar como o cenário de crédito pode causar uma chacoalhada no setor bancário ou até mesmo na economia como um todo nos próximos meses, ainda mais a depender de como o Banco Central conduzirá a taxa de juros face ao novo governo que tomará a presidência em 2023, que abertamente já disse que pretende tomar medidas mais expansionistas que acabam gerando ainda mais pressão sobre o Banco Central que é o guardião da moeda e o responsável por domar a fera inflacionária que ameaça o nosso país todo santo mês.
Pode se dizer, mais uma vez, que o movimento do Bradesco foi preventivo, visto que é o banco com maior exposição a crédito dado as pessoas físicas, mas é nessas horas que a solidez de uma instituição se mostra importante: os gigantes podem balançar, mas atravessam e saem mais fortes. Em contrapartida, os menores que tem menor capacidade de absorção de crises, tendem a sofrer mais, e as vezes sequer conseguem atravessar.
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A renda fixa não é tão fixa quanto a maioria pensa.
Quem compra um título e carrega até o vencimento, certamente não terá surpresas – mas isso é válido somente para quem carrega até o vencimento, coisa que nem todo mundo faz. É bem comum você ver investidores comprando títulos prefixados do próprio Tesouro tomando sustos ao descobrir que num momento de venda não planejada, a operação seria realizada com prejuízo e no final o ocorrido acaba não sendo compreendido.
A partir de janeiro de 2023, todos os investimentos de renda fixa passarão a ser marcados a mercado em seus respectivos sites de bancos, corretoras e afins. Explicamos e usaremos o NTN-B 2050 do Tesouro para exemplificar para vocês.
O gráfico acima é o retorno acumulado do título IPCA+ do Tesouro com vencimento em 2050. No gráfico, há duas linhas: a cinza, que segue consistentemente para cima desde o início, e a laranja, que também segue para cima, mas com maior volatilidade (uma volatilidade cavalar em alguns momentos, diga-se de passagem).
O que você precisa saber é: a rentabilidade que você vê hoje na corretora é a da linha cinza, o retorno acumulado sem a variação de preço do título, simulando o retorno que você tem caso segure o título até a data do vencimento, enquanto o retorno que você passará a ver na corretora será o laranja, que é com a oscilação de preço do título considerando o preço negociado no momento caso você deseje vender antes do vencimento na atual situação de mercado.
É daí que vem os dois termos: a linha cinza é o seu título “marcado na curva”, considerando seu retorno segurando até o vencimento, o que você contratou no momento de compra do título. A linha laranja é o seu título “marcado a mercado”, considerando seu retorno vendendo seu título no momento respectivo.
Essa volatilidade de retorno do título ocorre porque a taxa de rentabilidade do título varia. Ora, imagine que você comprou um título de dívida do Brasil que pague 3,0% a.a até 2050. Com toda a turbulência política, risco fiscal, incertezas e afins, o mercado passa a demandar cada vez mais taxa para financiar essa dívida (comprar os títulos) e isso fez com que a taxa no mercado subisse de 3,0% para 4,0% ao ano. O seu título automaticamente tem seu preço desvalorizado (o preço unitário dele cai, que chamam de PU) para justificar uma taxa mais alta, ou seja, você que comprou o título pagando 3,0% terá enfrentado essa desvalorização por conta da taxa que reduz o preço do título para aumentar a rentabilidade com o passar do tempo.
Mas calma: isso não é motivo de preocupação.
Ao mesmo tempo que seu título desvalorizou porque a taxa subiu (lembre-se: quando a taxa sobe, o preço do título cai para honrar uma taxa mais alta), você agora tem um título que rende mais. Se você segurar esse título até o vencimento, você não perderá dinheiro e receberá o valor que você contrata ao comprar o título da mesma forma. Nada muda.
O único risco existente, é o de você vender esse título antes do vencimento e ter que vende-lo a um preço abaixo do que você pagou – aí sim você perderá dinheiro, e é por isso que é necessário ao comprar um título prefixado ter tanta atenção e se organizar para não tem que realizar a venda do investimento em um mal momento, porque quem determina seu retorno antes do vencimento é o mercado, simplesmente.
Basicamente, essa será a alteração que ocorrerá em janeiro: na pratica, é algo que já ocorre, mas não aparece nas corretoras. Os investidores só não sabem, mas sempre foi assim. A partir de janeiro, em vez do investidor ver seu título marcado na curva, ele verá seu título marcado a mercado. E isso é excelente – evita que decisões desatentas sejam tomadas comprometendo o patrimônio do investidor.
Mais uma vez: se você carrega o título até o vencimento, pouco importa essa variação. Como você pode ver no gráfico, ao longo do tempo as duas rentabilidades caminham juntas, então não vai mudar absolutamente nada além da visualização do título.
Quem compra um título e carrega até o vencimento, certamente não terá surpresas – mas isso é válido somente para quem carrega até o vencimento, coisa que nem todo mundo faz. É bem comum você ver investidores comprando títulos prefixados do próprio Tesouro tomando sustos ao descobrir que num momento de venda não planejada, a operação seria realizada com prejuízo e no final o ocorrido acaba não sendo compreendido.
A partir de janeiro de 2023, todos os investimentos de renda fixa passarão a ser marcados a mercado em seus respectivos sites de bancos, corretoras e afins. Explicamos e usaremos o NTN-B 2050 do Tesouro para exemplificar para vocês.
O gráfico acima é o retorno acumulado do título IPCA+ do Tesouro com vencimento em 2050. No gráfico, há duas linhas: a cinza, que segue consistentemente para cima desde o início, e a laranja, que também segue para cima, mas com maior volatilidade (uma volatilidade cavalar em alguns momentos, diga-se de passagem).
O que você precisa saber é: a rentabilidade que você vê hoje na corretora é a da linha cinza, o retorno acumulado sem a variação de preço do título, simulando o retorno que você tem caso segure o título até a data do vencimento, enquanto o retorno que você passará a ver na corretora será o laranja, que é com a oscilação de preço do título considerando o preço negociado no momento caso você deseje vender antes do vencimento na atual situação de mercado.
É daí que vem os dois termos: a linha cinza é o seu título “marcado na curva”, considerando seu retorno segurando até o vencimento, o que você contratou no momento de compra do título. A linha laranja é o seu título “marcado a mercado”, considerando seu retorno vendendo seu título no momento respectivo.
Essa volatilidade de retorno do título ocorre porque a taxa de rentabilidade do título varia. Ora, imagine que você comprou um título de dívida do Brasil que pague 3,0% a.a até 2050. Com toda a turbulência política, risco fiscal, incertezas e afins, o mercado passa a demandar cada vez mais taxa para financiar essa dívida (comprar os títulos) e isso fez com que a taxa no mercado subisse de 3,0% para 4,0% ao ano. O seu título automaticamente tem seu preço desvalorizado (o preço unitário dele cai, que chamam de PU) para justificar uma taxa mais alta, ou seja, você que comprou o título pagando 3,0% terá enfrentado essa desvalorização por conta da taxa que reduz o preço do título para aumentar a rentabilidade com o passar do tempo.
Mas calma: isso não é motivo de preocupação.
Ao mesmo tempo que seu título desvalorizou porque a taxa subiu (lembre-se: quando a taxa sobe, o preço do título cai para honrar uma taxa mais alta), você agora tem um título que rende mais. Se você segurar esse título até o vencimento, você não perderá dinheiro e receberá o valor que você contrata ao comprar o título da mesma forma. Nada muda.
O único risco existente, é o de você vender esse título antes do vencimento e ter que vende-lo a um preço abaixo do que você pagou – aí sim você perderá dinheiro, e é por isso que é necessário ao comprar um título prefixado ter tanta atenção e se organizar para não tem que realizar a venda do investimento em um mal momento, porque quem determina seu retorno antes do vencimento é o mercado, simplesmente.
Basicamente, essa será a alteração que ocorrerá em janeiro: na pratica, é algo que já ocorre, mas não aparece nas corretoras. Os investidores só não sabem, mas sempre foi assim. A partir de janeiro, em vez do investidor ver seu título marcado na curva, ele verá seu título marcado a mercado. E isso é excelente – evita que decisões desatentas sejam tomadas comprometendo o patrimônio do investidor.
Mais uma vez: se você carrega o título até o vencimento, pouco importa essa variação. Como você pode ver no gráfico, ao longo do tempo as duas rentabilidades caminham juntas, então não vai mudar absolutamente nada além da visualização do título.
Planeje-se bem antes de comprar títulos de vencimentos mais longos, principalmente os que possuem elemento de indexação prefixada. Quem determina o preço desses títulos, é o mercado. Você nunca perderá dinheiro carregando até o vencimento, mas há grandes chances de perder vendendo antes. A renda fixa pode não ser tão fixa assim caso você não tenha a organização necessária para cuidar dos seus investimentos.
Essa mudança não abrange CDBs, LCIs e LCAs, mas caso abranja algum investimento que você tenha, já fica o recado: não tome um susto quando você abrir o site da corretora no começo do ano que vem. A alteração ocorrerá já em janeiro e na prática não mudará absolutamente nada. É apenas um ajuste para os investidores ficarem cientes do real preço de negociação do título no momento. Mais uma vez: a linha cinza é a que você vê hoje, a linha laranja é a que você verá – elas significam a mesma coisa, te levam para o mesmo lugar.
Sempre invista de forma bem planejada, pensando no vencimento e absolutamente nenhuma dessas oscilações de taxa te preocuparão. Você sempre receberá o valor contratado no vencimento. Basta ter objetivos bem estabelecidos para não ter que realizar o desinvestimento de forma inesperada.
Sabemos que estamos sendo chatos, mas mais uma vez: não desespere ao abrir o site da corretora no começo do ano que vem. Na prática, nada mudou, sua rentabilidade não será estragada e o seu patrimônio não será dilapidado – sua rentabilidade continuará sendo a que você contratou para o vencimento.
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Essa mudança não abrange CDBs, LCIs e LCAs, mas caso abranja algum investimento que você tenha, já fica o recado: não tome um susto quando você abrir o site da corretora no começo do ano que vem. A alteração ocorrerá já em janeiro e na prática não mudará absolutamente nada. É apenas um ajuste para os investidores ficarem cientes do real preço de negociação do título no momento. Mais uma vez: a linha cinza é a que você vê hoje, a linha laranja é a que você verá – elas significam a mesma coisa, te levam para o mesmo lugar.
Sempre invista de forma bem planejada, pensando no vencimento e absolutamente nenhuma dessas oscilações de taxa te preocuparão. Você sempre receberá o valor contratado no vencimento. Basta ter objetivos bem estabelecidos para não ter que realizar o desinvestimento de forma inesperada.
Sabemos que estamos sendo chatos, mas mais uma vez: não desespere ao abrir o site da corretora no começo do ano que vem. Na prática, nada mudou, sua rentabilidade não será estragada e o seu patrimônio não será dilapidado – sua rentabilidade continuará sendo a que você contratou para o vencimento.
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Breve demonstração de como o teto de gastos impacta nas variáveis econômicas.
Na imagem, os dados e projeções são da Wealth High Governance e mostram como o mercado interpreta cada linha de gasto. Basicamente, quanto mais gasta fora do teto, maior a pressão sobre o cenário fiscal do país, o que leva os títulos públicos a terem taxas cada vez maiores (aumento da curva de juros) e consequentemente o câmbio desvaloriza, a SELIC tem que ser elevada (para tentar frear parte da inflação que a desvalorização cambial causa) e o IPCA por si só dispara.
No nosso relatório do mês de novembro que será lançado na semana que vem, tratamos bastante sobre esse assunto, nos detalhes, com dados e explicações mais completas. Estará disponível no INT no dia 12.
Ou seja: o fiscal importa.
Na imagem, os dados e projeções são da Wealth High Governance e mostram como o mercado interpreta cada linha de gasto. Basicamente, quanto mais gasta fora do teto, maior a pressão sobre o cenário fiscal do país, o que leva os títulos públicos a terem taxas cada vez maiores (aumento da curva de juros) e consequentemente o câmbio desvaloriza, a SELIC tem que ser elevada (para tentar frear parte da inflação que a desvalorização cambial causa) e o IPCA por si só dispara.
No nosso relatório do mês de novembro que será lançado na semana que vem, tratamos bastante sobre esse assunto, nos detalhes, com dados e explicações mais completas. Estará disponível no INT no dia 12.
Ou seja: o fiscal importa.
Para quem já leu alguma obra do Howard Marks, já ouviu dizer que um mercado perto das máximas sempre gera algumas evidências. Euforia demasiada nunca é bom: é em momentos do tipo que os ativos atingem preços injustificáveis e alguns investimentos ruins acabam sendo realizados. No texto abaixo, citamos 8 pontos que evidenciam essa euforia demasiada. Detalharemos um a um.
Muitos IPOs sendo anunciados: aqui o racional é bem simples (e meio perverso, mas realista), se há muito IPO sendo anunciado, é porque o mercado está cada vez mais propenso a tomada de risco, menos criterioso na seleção de ativos e comprando empresas cada vez piores. Sob a ótica dos empresários que realizam um IPO, isso é oportunidade pura, veja, imagine um cenário onde você pode abrir o capital da sua empresa na bolsa de valores valendo 5 vezes mais do que ele realmente valeria? Pois é.
Se sua memória é boa, você deve se lembrar de 2020 e 2021, com o boom de IPOs que o Brasil passou, com uma porrada de empresas tech que sequer se sustentam operacionalmente chegando a valer bilhões de reais e arrecadando centenas de milhões de reais em seus IPOs. Isso é um sinal de euforia claro do mercado.
Não é em vão que em momentos de crise, você vê poucos IPOs ou até mesmo empresas cancelando a realização de abertura de capital que havia programado. Em um mercado de menor liquidez e menos eufórico, os investidores são bem mais seletivos e não saem comprando qualquer ativo que aparece. Ou seja, se há um claro boom de IPOs, acenda o alerta – é porque a liquidez está altíssima, os agentes econômicos cada vez mais propensos ao risco e é justamente essa propensão que começa a causar distorções cada vez mais maiores no mercado.
Crédito abundante: Esse ponto não trata diretamente sobre a bolsa de valores, mas sim sobre um fator econômico que diz muito. Sabe quando você vê o iFood dando cupons e mais cupons para você comer praticamente de graça, empresas dando taxas zero em serviços que claramente possuem custos altos ou varejistas dando crédito sem qualquer critério de análise de risco mais responsável? É um sinal.
Geralmente isso acontece no topo do ciclo pois é o momento em que a economia está extremamente aquecida, com o consumo nas alturas, a taxa de juros baixa e a ambição dos agentes econômicos lá em cima. Veja, a época que tivemos SELIC de 2% é exemplo claro disso.
Era bem fácil para o iFood contratar dívida e dar cupom de refeição quase de graça para todo mundo se financiando pagando 2% ao ano – agora com a SELIC em quase 14%, o jogo muda. Não é em vão que você está vendo fintechs cobrando mais pelos seus serviços, essas empresas techs sem dar seus cupons maravilhosos e coisas do tipo. A euforia já passou, estamos na baixa do ciclo e dinheiro está caro – o crédito em um cenário assim é mais escasso, e consequentemente, os ativos se encontram mais baratos pois os agentes econômicos estão menos propensos a tomar risco. O inverso é verdadeiro.
Preços dos ativos subindo de forma acelerada: o famoso bull market. Você se lembra de 2020 e 2021, quando semanalmente os ativos disparavam para cima e não havia qualquer notícia capaz de jogar um balde de água fria no mercado? Literalmente tudo subia.
Não importava o quão horrível era uma companhia: fosse ela quase falida, sem sustentabilidade operacional, com um endividamento fora de controle, com um crescimento negativo ou prejuízos cada vez maiores... ela valorizava. Esse movimento de valorização orquestrado do mercado é sinal de altíssima liquidez, sinal de que os investidores estão comprando tudo o que aparece pela frente simplesmente para aproveitar a situação do mercado – e aí se cria o cenário de ciclo perverso que forma uma bolha. Os investidores compram porque acham que vai subir, as ações sobem porque os investidores compram e assim fica até a insustentabilidade. Daí saem as anomalias de ativos valendo 500 vezes o lucro e coisas do tipo. Desconfie de subidas imparáveis.
Muitos IPOs sendo anunciados: aqui o racional é bem simples (e meio perverso, mas realista), se há muito IPO sendo anunciado, é porque o mercado está cada vez mais propenso a tomada de risco, menos criterioso na seleção de ativos e comprando empresas cada vez piores. Sob a ótica dos empresários que realizam um IPO, isso é oportunidade pura, veja, imagine um cenário onde você pode abrir o capital da sua empresa na bolsa de valores valendo 5 vezes mais do que ele realmente valeria? Pois é.
Se sua memória é boa, você deve se lembrar de 2020 e 2021, com o boom de IPOs que o Brasil passou, com uma porrada de empresas tech que sequer se sustentam operacionalmente chegando a valer bilhões de reais e arrecadando centenas de milhões de reais em seus IPOs. Isso é um sinal de euforia claro do mercado.
Não é em vão que em momentos de crise, você vê poucos IPOs ou até mesmo empresas cancelando a realização de abertura de capital que havia programado. Em um mercado de menor liquidez e menos eufórico, os investidores são bem mais seletivos e não saem comprando qualquer ativo que aparece. Ou seja, se há um claro boom de IPOs, acenda o alerta – é porque a liquidez está altíssima, os agentes econômicos cada vez mais propensos ao risco e é justamente essa propensão que começa a causar distorções cada vez mais maiores no mercado.
Crédito abundante: Esse ponto não trata diretamente sobre a bolsa de valores, mas sim sobre um fator econômico que diz muito. Sabe quando você vê o iFood dando cupons e mais cupons para você comer praticamente de graça, empresas dando taxas zero em serviços que claramente possuem custos altos ou varejistas dando crédito sem qualquer critério de análise de risco mais responsável? É um sinal.
Geralmente isso acontece no topo do ciclo pois é o momento em que a economia está extremamente aquecida, com o consumo nas alturas, a taxa de juros baixa e a ambição dos agentes econômicos lá em cima. Veja, a época que tivemos SELIC de 2% é exemplo claro disso.
Era bem fácil para o iFood contratar dívida e dar cupom de refeição quase de graça para todo mundo se financiando pagando 2% ao ano – agora com a SELIC em quase 14%, o jogo muda. Não é em vão que você está vendo fintechs cobrando mais pelos seus serviços, essas empresas techs sem dar seus cupons maravilhosos e coisas do tipo. A euforia já passou, estamos na baixa do ciclo e dinheiro está caro – o crédito em um cenário assim é mais escasso, e consequentemente, os ativos se encontram mais baratos pois os agentes econômicos estão menos propensos a tomar risco. O inverso é verdadeiro.
Preços dos ativos subindo de forma acelerada: o famoso bull market. Você se lembra de 2020 e 2021, quando semanalmente os ativos disparavam para cima e não havia qualquer notícia capaz de jogar um balde de água fria no mercado? Literalmente tudo subia.
Não importava o quão horrível era uma companhia: fosse ela quase falida, sem sustentabilidade operacional, com um endividamento fora de controle, com um crescimento negativo ou prejuízos cada vez maiores... ela valorizava. Esse movimento de valorização orquestrado do mercado é sinal de altíssima liquidez, sinal de que os investidores estão comprando tudo o que aparece pela frente simplesmente para aproveitar a situação do mercado – e aí se cria o cenário de ciclo perverso que forma uma bolha. Os investidores compram porque acham que vai subir, as ações sobem porque os investidores compram e assim fica até a insustentabilidade. Daí saem as anomalias de ativos valendo 500 vezes o lucro e coisas do tipo. Desconfie de subidas imparáveis.
Excesso de otimismo: você já ouviu aquela história do engraxate? Bem, resumindo, diz a lenda que certo diz John Rockfeller foi engraxar os seus sapatos e o menino que realizava o serviço começou a falar sobre ações com ele. Além do assunto, o tom era de puro otimismo, professoral, de conselho, com expectativas espetaculares sobre o mercado no aguardo do rápido enriquecimento. Com isso, John realizou a venda de todos seus ativos partindo da premissa de que uma bolha se tornava cada vez maior, visto que se até o engraxate já estava falando e ensinando sobre mercado, é porque algo estava errado (sim, é esse tom duro de certo preconceito que se da a história). Há um fundo de razão nessa lenda.
Quando estamos no topo do ciclo, o mercado começa a ser abordado por todos e em todos lugares. Isso ocorre pois todos são seduzidos pelo ganho de dinheiro fácil – e é com isso que o mercado infla cada vez mais, investidores que não fazem a mínima ideia sobre o que estão fazendo, investindo no aguardo de ganhar dinheiro sequer sem ter uma forma de reconhecer quão bom ou caro um ativo é ou está.
No topo do ciclo você verá portais não especializados no assunto tratando sobre ações, você verá todos falando sobre ações, você verá podcasts sobre ações nos canais mais inusitados, você verá pessoas forçando que a especulação (daytrading, principalmente) é algo válido e viável sem sequer saber como operar direito e assim por diante. O otimismo toma conta, todos se sentem atraídos pelo mercado, todos acham que vão enriquecer rápido e desconhecem completamente sobre os ciclos existentes – ciclos que sempre tratamos em nossos relatórios com gráficos e afins.
Otimismo excessivo é veneno, cega, enviesa, atrai pessoas que não fazem a mínima ideia do que estão fazendo porque gera a expectativa de que haverá ganho fácil de dinheiro – e quem está há mais tempo no mercado sabe bem que isso não existe e o dinheiro só vem com o tempo, muito tempo. Ciclos.
Volume muito alto nos mercados: muito giro e muita movimentação – é disso que trata esse ponto. Quando falamos sobre volume, nos referimos ao volume de dinheiro que roda no mercado, a quantidade de negociações.
Basicamente, quanto mais eufórico o mercado, mais o volume sobe e atinge níveis fora da média registrada. Isso acontece por dois motivos: (I) novos entrantes no mercado, refletindo justamente o que citamos mais acima, com investidores de primeira viagem que saem comprando ativos sem quaisquer critérios por achar que o mercado é um meio fácil de criação de riqueza, e (II) aumento da especulação, fator que parte tanto de investidores institucionais, que sabem da situação e se aproveitam para tirar dinheiro dos investidores menores, mais novos e menos preparados – os famosos tubarões, por assim dizer, e também por conta dos investidores pequenos que se acham especuladores preparados e cedo ou tarde entregam todo seu patrimônio aos especuladores profissionais. Sim, existem especuladores profissionais.
Fundos de investimentos que possuem equipes com dezenas de cabeças, ferramental de custa milhares de dólares mensais, bancos de dados com petabytes de registros históricos sobre absolutamente qualquer fator que você imaginar, capital para movimentar o preço aos próprios sabores, contatos para saber de notícias de movimentam o mercado antes da grande massa... esses são os grandes profissionais. É por isso que sempre falamos que investidor pessoa física que se aventura pelo daytrading irá perder dinheiro uma hora ou outra – são esses seus oponentes. São esses os especuladores que ficam 18h sentados na frente de 6 monitores arrancando dinheiro dos que acham que especular com somente um celular na mão é possível.
Especular não é piada e muito menos lenda, a questão é que a régua é alta e o jogo é de gente grande. Daí surge um volume gigante de negociação, muito giro, muita movimentação e fica claro como os agentes econômicos estão mais propensos a tomada de risco pelo excesso de liquidez e afins.
Quando estamos no topo do ciclo, o mercado começa a ser abordado por todos e em todos lugares. Isso ocorre pois todos são seduzidos pelo ganho de dinheiro fácil – e é com isso que o mercado infla cada vez mais, investidores que não fazem a mínima ideia sobre o que estão fazendo, investindo no aguardo de ganhar dinheiro sequer sem ter uma forma de reconhecer quão bom ou caro um ativo é ou está.
No topo do ciclo você verá portais não especializados no assunto tratando sobre ações, você verá todos falando sobre ações, você verá podcasts sobre ações nos canais mais inusitados, você verá pessoas forçando que a especulação (daytrading, principalmente) é algo válido e viável sem sequer saber como operar direito e assim por diante. O otimismo toma conta, todos se sentem atraídos pelo mercado, todos acham que vão enriquecer rápido e desconhecem completamente sobre os ciclos existentes – ciclos que sempre tratamos em nossos relatórios com gráficos e afins.
Otimismo excessivo é veneno, cega, enviesa, atrai pessoas que não fazem a mínima ideia do que estão fazendo porque gera a expectativa de que haverá ganho fácil de dinheiro – e quem está há mais tempo no mercado sabe bem que isso não existe e o dinheiro só vem com o tempo, muito tempo. Ciclos.
Volume muito alto nos mercados: muito giro e muita movimentação – é disso que trata esse ponto. Quando falamos sobre volume, nos referimos ao volume de dinheiro que roda no mercado, a quantidade de negociações.
Basicamente, quanto mais eufórico o mercado, mais o volume sobe e atinge níveis fora da média registrada. Isso acontece por dois motivos: (I) novos entrantes no mercado, refletindo justamente o que citamos mais acima, com investidores de primeira viagem que saem comprando ativos sem quaisquer critérios por achar que o mercado é um meio fácil de criação de riqueza, e (II) aumento da especulação, fator que parte tanto de investidores institucionais, que sabem da situação e se aproveitam para tirar dinheiro dos investidores menores, mais novos e menos preparados – os famosos tubarões, por assim dizer, e também por conta dos investidores pequenos que se acham especuladores preparados e cedo ou tarde entregam todo seu patrimônio aos especuladores profissionais. Sim, existem especuladores profissionais.
Fundos de investimentos que possuem equipes com dezenas de cabeças, ferramental de custa milhares de dólares mensais, bancos de dados com petabytes de registros históricos sobre absolutamente qualquer fator que você imaginar, capital para movimentar o preço aos próprios sabores, contatos para saber de notícias de movimentam o mercado antes da grande massa... esses são os grandes profissionais. É por isso que sempre falamos que investidor pessoa física que se aventura pelo daytrading irá perder dinheiro uma hora ou outra – são esses seus oponentes. São esses os especuladores que ficam 18h sentados na frente de 6 monitores arrancando dinheiro dos que acham que especular com somente um celular na mão é possível.
Especular não é piada e muito menos lenda, a questão é que a régua é alta e o jogo é de gente grande. Daí surge um volume gigante de negociação, muito giro, muita movimentação e fica claro como os agentes econômicos estão mais propensos a tomada de risco pelo excesso de liquidez e afins.
Valuations nas máximas históricas: dificilmente há justificativa para uma ação com o preço sobre lucro em 500x. Acredite, é uma obviedade que precisa ser tratada.
No auge da euforia de 2020 em nosso mercado, a Magazine Luíza, queridinha que pouco tempo depois se tornou odiada por tantos, chegou a negociar num preço sobre lucro de quase 500x, sim, a empresa chegou a valer quase 500 vezes o seu lucro. Se você realizasse um cálculo simples precificação de ativo num guardanapo mesmo, veria que para ela conseguir justificar o preço sobre lucro que negociava, precisaria crescer seu lucro coisa de mais de 30% ao ano por anos.
A Magazine Luíza é apenas um exemplo que gostamos de dar porque falamos bastante sobre ela nessa época, atentando a nossa audiência para tomar extremo cuidado com a euforia pois não havia uma conta possível que justificasse que a empresa fosse crescer tanto, a não ser que houvesse algum tipo de expansão para fora do país ou algo do tipo, o que é praticamente impossível
Em temos de euforia do mercado, o valuation fica extremamente esticado. Empresas começam a negociar com múltiplos nunca registrados antes, atingindo as máximas históricas com números cada vez mais obscenos. Obviamente que a análise somente do preço sobre lucro é pobre e não deve ser feita – o indicador aponta para dados passados, e ao investir, o investidor deve olhar para o futuro. Algumas vezes esse número fica distorcido e de nada adianta a análise, por isso um cálculo um pouco mais preciso deva ser utilizado, mas ainda assim, sempre desconfie de valuation muitos esticados. Sempre. Na euforia, investidores passam a ignorar completamente os conceitos mais básicos dos investimentos por conta de viés e de um emocional mais fraco, derivado daquele efeito manada. E isso nos leva a um outro ponto que está relacionado com esse...
O mantra do “dessa vez é diferente” sendo repetido: esse ponto é cômico e simbólico. Você provavelmente já ouviu, no meio de alguma explicação sobre tese de investimento, alguém mandar o famoso “dessa vez é diferente”. Acredite, isso não é novo – tem livro de investimento por aí da década de 60 que aborda essa fala. Sim, há 60 anos já tinha alguém falando “dessa vez é diferente”.
A própria Magazine Luiza pode servir de exemplo para nós aqui. Enquanto ela negociava a um múltiplo obsceno de quinhentas vezes o seu lucro, alguns investidores, com teses bem desenvolvidas e extremamente mirabolantes, traçavam narrativas dizendo que “dessa vez era diferente”, que esse crescimento seria justificado por conta do e-commerce que estava crescendo a ritmo acelerado, por conta do crescimento econômico do país que estava causando maior propensão ao consumo de produtos de linha branca da companhia, por conta disso, por conta daquilo... seguido, sempre de um “dessa vez é diferente”.
Fuja de qualquer tese que aborde esse mantra. Corra. Não dê ouvidos. Essa expressão é o ápice do viés. O investidor pode estar certo? Claro, mas provavelmente não estará – é só ele mesmo se recusando a aceitar a realidade construindo uma ideia paralela que não conversa de fato com os números. Aquela dor de aceitar que o investimento foi equivocado ou será.
Quando o mercado está eufórico, essa frase é falada pelos quatro cantos. A empresa só tem prejuízo? “ah, dessa vez é diferente!”. A empresa tem um operacional que não se sustenta? “ah, dessa vez é diferente!”. A empresa negocia a um preço sobre lucro matematicamente injustificável? “ah, dessa vez é diferente!”. Provavelmente não é diferente, na verdade, é igual o que sempre é, um investidor enviesado tentando justificar sua euforia sob o falso véu da racionalidade.
Essa frase é marcante. Lembre-se muito bem dela. Sempre.
Mercados alternativos em alta: para fechar com chave de ouro, não poderíamos deixar de citar os mercados alternativos. Talvez você já tenha percebido o que estamos falando aqui... lembra das imagens .png dos macacos que chegaram a valer alguns milhões de reais? Pois bem.
No auge da euforia de 2020 em nosso mercado, a Magazine Luíza, queridinha que pouco tempo depois se tornou odiada por tantos, chegou a negociar num preço sobre lucro de quase 500x, sim, a empresa chegou a valer quase 500 vezes o seu lucro. Se você realizasse um cálculo simples precificação de ativo num guardanapo mesmo, veria que para ela conseguir justificar o preço sobre lucro que negociava, precisaria crescer seu lucro coisa de mais de 30% ao ano por anos.
A Magazine Luíza é apenas um exemplo que gostamos de dar porque falamos bastante sobre ela nessa época, atentando a nossa audiência para tomar extremo cuidado com a euforia pois não havia uma conta possível que justificasse que a empresa fosse crescer tanto, a não ser que houvesse algum tipo de expansão para fora do país ou algo do tipo, o que é praticamente impossível
Em temos de euforia do mercado, o valuation fica extremamente esticado. Empresas começam a negociar com múltiplos nunca registrados antes, atingindo as máximas históricas com números cada vez mais obscenos. Obviamente que a análise somente do preço sobre lucro é pobre e não deve ser feita – o indicador aponta para dados passados, e ao investir, o investidor deve olhar para o futuro. Algumas vezes esse número fica distorcido e de nada adianta a análise, por isso um cálculo um pouco mais preciso deva ser utilizado, mas ainda assim, sempre desconfie de valuation muitos esticados. Sempre. Na euforia, investidores passam a ignorar completamente os conceitos mais básicos dos investimentos por conta de viés e de um emocional mais fraco, derivado daquele efeito manada. E isso nos leva a um outro ponto que está relacionado com esse...
O mantra do “dessa vez é diferente” sendo repetido: esse ponto é cômico e simbólico. Você provavelmente já ouviu, no meio de alguma explicação sobre tese de investimento, alguém mandar o famoso “dessa vez é diferente”. Acredite, isso não é novo – tem livro de investimento por aí da década de 60 que aborda essa fala. Sim, há 60 anos já tinha alguém falando “dessa vez é diferente”.
A própria Magazine Luiza pode servir de exemplo para nós aqui. Enquanto ela negociava a um múltiplo obsceno de quinhentas vezes o seu lucro, alguns investidores, com teses bem desenvolvidas e extremamente mirabolantes, traçavam narrativas dizendo que “dessa vez era diferente”, que esse crescimento seria justificado por conta do e-commerce que estava crescendo a ritmo acelerado, por conta do crescimento econômico do país que estava causando maior propensão ao consumo de produtos de linha branca da companhia, por conta disso, por conta daquilo... seguido, sempre de um “dessa vez é diferente”.
Fuja de qualquer tese que aborde esse mantra. Corra. Não dê ouvidos. Essa expressão é o ápice do viés. O investidor pode estar certo? Claro, mas provavelmente não estará – é só ele mesmo se recusando a aceitar a realidade construindo uma ideia paralela que não conversa de fato com os números. Aquela dor de aceitar que o investimento foi equivocado ou será.
Quando o mercado está eufórico, essa frase é falada pelos quatro cantos. A empresa só tem prejuízo? “ah, dessa vez é diferente!”. A empresa tem um operacional que não se sustenta? “ah, dessa vez é diferente!”. A empresa negocia a um preço sobre lucro matematicamente injustificável? “ah, dessa vez é diferente!”. Provavelmente não é diferente, na verdade, é igual o que sempre é, um investidor enviesado tentando justificar sua euforia sob o falso véu da racionalidade.
Essa frase é marcante. Lembre-se muito bem dela. Sempre.
Mercados alternativos em alta: para fechar com chave de ouro, não poderíamos deixar de citar os mercados alternativos. Talvez você já tenha percebido o que estamos falando aqui... lembra das imagens .png dos macacos que chegaram a valer alguns milhões de reais? Pois bem.
Quando falamos sobre mercados alternativos, estamos falando sobre tudo: mercado de luxo (relógios), mercado de artes, mercados de criptos... Quando o mercado está demasiadamente eufórico, esses mercados alternativos sobem feito foguete. O motivo é simples: liquidez alta, dinheiro sobrando na praça e qualquer opção de investimento se torna válida.
Por isso citamos os NFTs de macacos. No auge da bolha do ano passado, a sandice estava tão descontrolada que tinha gente pagando quase uma dezena de milhão em .png de macacos, pedras e afins. Da pra justificar isso? Talvez, abordando sobre lavagem de dinheiro e afins, mas se você ver esses mercados passando por um forte boom, é sinal que a liquidez já saiu de controle, e se a liquidez saiu de controle, pode ter certeza que o mercado já está eufórico e próximo do topo.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 300h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
Por isso citamos os NFTs de macacos. No auge da bolha do ano passado, a sandice estava tão descontrolada que tinha gente pagando quase uma dezena de milhão em .png de macacos, pedras e afins. Da pra justificar isso? Talvez, abordando sobre lavagem de dinheiro e afins, mas se você ver esses mercados passando por um forte boom, é sinal que a liquidez já saiu de controle, e se a liquidez saiu de controle, pode ter certeza que o mercado já está eufórico e próximo do topo.
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Com o cenário ainda nebuloso sobre a política de Covid Zero na China, não se sabe se Xi Jinping irá ceder e abrir logo a economia do país (muita coisa já está voltando ao normal, como os dados apontam), ou seguirá praticando a política de isolamento que impacta completamente o crescimento econômico do país.
No gráfico acima, estão as principais empresas brasileiras (com outras da América Latina) que dependem da China.
Com 81% da receita dependendo da China, a CSN Mineração é a que mais está relacionada ao país, enquanto outras gigantes (como a própria Vale) tem 50% da receita vindo de lá.
Ou seja, se você investe em alguma dessas companhias ou até mesmo pretende, que fique claro como funciona a dinâmica e que uma desaceleração chinesa faz mais preço do que qualquer fundamento (e o oposto também é verdadeiro).
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No gráfico acima, estão as principais empresas brasileiras (com outras da América Latina) que dependem da China.
Com 81% da receita dependendo da China, a CSN Mineração é a que mais está relacionada ao país, enquanto outras gigantes (como a própria Vale) tem 50% da receita vindo de lá.
Ou seja, se você investe em alguma dessas companhias ou até mesmo pretende, que fique claro como funciona a dinâmica e que uma desaceleração chinesa faz mais preço do que qualquer fundamento (e o oposto também é verdadeiro).
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Principais estatais da bolsa ($PETR4, $BBAS3, $CPLE3, $CMIG3, $SBSP3, $SAPR3, $CSMG3 e $CXSE3) já apresentaram uma queda de R$ 257 bilhões de valor de mercado total desde seu pico da época eleitoral.
O cenário tem se deteriorado cada vez mais, principalmente nessa semana após a votação que realiza uma mudança na Lei das Estatais, e vai em linha com o que sempre comentamos, que apesar de algumas companhias serem verdadeiras minas de ouro (Petrobras e Banco do Brasil, principalmente), o risco de ingerência é crescente.
Na ponta da Petrobras, o maior risco vem de uma intervenção que prejudique o financeiro da companhia: para quem não se lembra, entre 2010 e 2014 o governo da época subsidiou o preço dos combustíveis para controlar a inflação na marra, causando um endividamento recorde que chegou a ameaçar a sustentabilidade da dívida do Brasil na época (para se ter ideia, a ideia genial da época era de tomar dívida em dólar e subsidiar os combustíveis aqui mesmo com um cenário de pressão sobre o câmbio).
Na ponta do Banco do Brasil, o maior risco vem de uma intervenção que prejudique a qualidade de crédito da companhia: também entre 2010 e 2014 o governo da época utilizou os bancos públicos para dar crédito barato para estimular a economia. Um país que tem bancos públicos, não precisa de Banco Central, ora, caso o BCB não deseje alterar a política monetária para estimular o país, basta utilizar algum banco público (como o Banco do Brasil) para dar crédito. Esse é um risco.
Enfim, trataremos sobre o cenário das estatais, os riscos e possíveis oportunidades no debate de domingo. Serão mais de duas horas para conversar com os assinantes sobre esse tema e todas as empresas do escopo, não só sobre a Petro e o Banco do Brasil.
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O cenário tem se deteriorado cada vez mais, principalmente nessa semana após a votação que realiza uma mudança na Lei das Estatais, e vai em linha com o que sempre comentamos, que apesar de algumas companhias serem verdadeiras minas de ouro (Petrobras e Banco do Brasil, principalmente), o risco de ingerência é crescente.
Na ponta da Petrobras, o maior risco vem de uma intervenção que prejudique o financeiro da companhia: para quem não se lembra, entre 2010 e 2014 o governo da época subsidiou o preço dos combustíveis para controlar a inflação na marra, causando um endividamento recorde que chegou a ameaçar a sustentabilidade da dívida do Brasil na época (para se ter ideia, a ideia genial da época era de tomar dívida em dólar e subsidiar os combustíveis aqui mesmo com um cenário de pressão sobre o câmbio).
Na ponta do Banco do Brasil, o maior risco vem de uma intervenção que prejudique a qualidade de crédito da companhia: também entre 2010 e 2014 o governo da época utilizou os bancos públicos para dar crédito barato para estimular a economia. Um país que tem bancos públicos, não precisa de Banco Central, ora, caso o BCB não deseje alterar a política monetária para estimular o país, basta utilizar algum banco público (como o Banco do Brasil) para dar crédito. Esse é um risco.
Enfim, trataremos sobre o cenário das estatais, os riscos e possíveis oportunidades no debate de domingo. Serão mais de duas horas para conversar com os assinantes sobre esse tema e todas as empresas do escopo, não só sobre a Petro e o Banco do Brasil.
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A bolsa brasileira deu mais retorno que a bolsa americana nos últimos 55 anos.
Mesmo com todas as crises, a destruição de valor dos últimos 10 anos e a desvalorização da nossa moeda entre 2010 e 2022, a bolsa brasileira deu mais retorno que a bolsa americana, e já chegou a dar mais do que o dobro de retorno.
Sabendo da emoção que as pessoas tem ao tratar sobre esse assunto, já deixamos esclarecido de antemão que a intenção presente não é minimizar os riscos ou apontar qualquer característica isolada de julgamento sobre alguma gestão presidencial. A intenção é mostrar qual é a dinâmica da nossa bolsa de valores e como essa história de fim do Brasil ou receios sobre crises são bem comuns, e caso você não se conforme logo com todo esse cenário de terrorismo que as entidades midiáticas fazem questão de reforçar, a cada quatro anos, em cada eleição presidencial, você irá beirar flertar com a venda dos seus ativos e nunca dará a real chance para sua carteira de investimentos rentabilizar e atingir o prestígio da valorização do longo prazo. Lembra de tudo aquilo que você leu em livros do Buffett, Lynch, Marks, Siegel entre outros investidores de longo prazo defendendo investimentos de décadas? Pois então, estamos no momento mais complicado, o momento de incerteza, risco e baixa de mercado, esse é o desafio de carregar investimentos por anos, afinal, se vivêssemos sempre em ritmo de bull market, seria fácil demais.
O gráfico acima se refere ao índice IBOV dolarizado desde 1968 em base 100. Foi escolhida essa data pois foi em 1968 que o índice da nossa bolsa foi criado – época em que havia no Brasil mais de 20 bolsas de valores operando em diversos estados diferentes.
Ao longo desses 55 anos, o Brasil passou não por uma nem duas crises, mas diversas, citaremos as principais.
Na década de 60 houve uma crise interna forte por conta do alto endividamento que o país entrou no período da ditadura militar afundando completamente a balança de pagamentos, com o cenário externo incerto e agravado por conta da guerra do Vietnã.
Na década de 70 houve uma crise externa forte por conta do fim do padrão-ouro (praticamente um calote dos EUA no mundo) e logo em seguida as crises do petróleo, que elevaram o preço do barril de petróleo em mais de 200% por conta do embargo que os países da OPEP deram aos EUA. Junto, a guerra do Vietnã ainda se desenrolava, junto da guerra do Yom Kipur e a guerra entre o Irã e o Iraque.
Na década de 80, houve uma crise interna forte, resultado do hiperendividamento do país na época da ditadura militar que acabou levando o Brasil ao seu período conhecido como a “década perdida” por conta da estagnação econômica, resultando no início de uma hiperinflação sem precedentes que obrigaria o país a trocar sua moeda diversas vezes. Vale aqui pontuar algo interessante: o Brasil tinha uma dívida externa colossal nessa época e esse foi um dos principais fatores da instabilidade da dívida. Dívida externa não se rola – ou você paga ou você quebra, e é justamente o que ocorreu com o país, é por isso que tanto se fala dos benefícios de se ter uma dívida interna. No cenário externo, a guerra entre e o Irã e o Iraque ainda acontecendo junto de crise nos EUA.
Na década de 90 houve crise externa forte e interna forte. Inicialmente uma crise se desenrolou no México, com o país declarando a moratória de sua dívida, causando um temor generalizado sobre os países emergentes, o que desencadeou uma fuga de investidores de todos esses países, sendo o Brasil uma das vítimas. Logo depois, mais uma crise, quando o Banco Central Brasileiros decidiu abandonar o sistema de bandas cambiais e deixar o câmbio flutuante. Junto de tudo isso, uma bolha se formava no mercado americano e o Brasil passou metade da década com uma hiperinflação que chegou a ser registrada como uma das maiores do planeta.
Mesmo com todas as crises, a destruição de valor dos últimos 10 anos e a desvalorização da nossa moeda entre 2010 e 2022, a bolsa brasileira deu mais retorno que a bolsa americana, e já chegou a dar mais do que o dobro de retorno.
Sabendo da emoção que as pessoas tem ao tratar sobre esse assunto, já deixamos esclarecido de antemão que a intenção presente não é minimizar os riscos ou apontar qualquer característica isolada de julgamento sobre alguma gestão presidencial. A intenção é mostrar qual é a dinâmica da nossa bolsa de valores e como essa história de fim do Brasil ou receios sobre crises são bem comuns, e caso você não se conforme logo com todo esse cenário de terrorismo que as entidades midiáticas fazem questão de reforçar, a cada quatro anos, em cada eleição presidencial, você irá beirar flertar com a venda dos seus ativos e nunca dará a real chance para sua carteira de investimentos rentabilizar e atingir o prestígio da valorização do longo prazo. Lembra de tudo aquilo que você leu em livros do Buffett, Lynch, Marks, Siegel entre outros investidores de longo prazo defendendo investimentos de décadas? Pois então, estamos no momento mais complicado, o momento de incerteza, risco e baixa de mercado, esse é o desafio de carregar investimentos por anos, afinal, se vivêssemos sempre em ritmo de bull market, seria fácil demais.
O gráfico acima se refere ao índice IBOV dolarizado desde 1968 em base 100. Foi escolhida essa data pois foi em 1968 que o índice da nossa bolsa foi criado – época em que havia no Brasil mais de 20 bolsas de valores operando em diversos estados diferentes.
Ao longo desses 55 anos, o Brasil passou não por uma nem duas crises, mas diversas, citaremos as principais.
Na década de 60 houve uma crise interna forte por conta do alto endividamento que o país entrou no período da ditadura militar afundando completamente a balança de pagamentos, com o cenário externo incerto e agravado por conta da guerra do Vietnã.
Na década de 70 houve uma crise externa forte por conta do fim do padrão-ouro (praticamente um calote dos EUA no mundo) e logo em seguida as crises do petróleo, que elevaram o preço do barril de petróleo em mais de 200% por conta do embargo que os países da OPEP deram aos EUA. Junto, a guerra do Vietnã ainda se desenrolava, junto da guerra do Yom Kipur e a guerra entre o Irã e o Iraque.
Na década de 80, houve uma crise interna forte, resultado do hiperendividamento do país na época da ditadura militar que acabou levando o Brasil ao seu período conhecido como a “década perdida” por conta da estagnação econômica, resultando no início de uma hiperinflação sem precedentes que obrigaria o país a trocar sua moeda diversas vezes. Vale aqui pontuar algo interessante: o Brasil tinha uma dívida externa colossal nessa época e esse foi um dos principais fatores da instabilidade da dívida. Dívida externa não se rola – ou você paga ou você quebra, e é justamente o que ocorreu com o país, é por isso que tanto se fala dos benefícios de se ter uma dívida interna. No cenário externo, a guerra entre e o Irã e o Iraque ainda acontecendo junto de crise nos EUA.
Na década de 90 houve crise externa forte e interna forte. Inicialmente uma crise se desenrolou no México, com o país declarando a moratória de sua dívida, causando um temor generalizado sobre os países emergentes, o que desencadeou uma fuga de investidores de todos esses países, sendo o Brasil uma das vítimas. Logo depois, mais uma crise, quando o Banco Central Brasileiros decidiu abandonar o sistema de bandas cambiais e deixar o câmbio flutuante. Junto de tudo isso, uma bolha se formava no mercado americano e o Brasil passou metade da década com uma hiperinflação que chegou a ser registrada como uma das maiores do planeta.
Nos anos 2000, houve a segunda maior crise financeira já registrada na história, sendo que alguns ousam dizer que foi a maior. Em 2008 a bolha imobiliária americana estourou, e não era uma bolha qualquer, na verdade, a bolha era tão grande que dois dos bancos mais seguros e tradicionais do país quebraram, gerando uma onda de desconfiança nos agentes econômicos e o medo de que o sistema financeiro global iria colapsar – e não é exagero. Um efeito dominó de calote de dívida poderia ocorrer, obrigando que o Banco Central Americano entrasse em ação e resolvesse a situação. Apesar do papel de herói, vale sempre destacar que um dos motivos dessa bolha foi o próprio Banco Central Americano, que estimulou a economia tá onde não dava mais, criando crédito sujo e plantando artificialidade no país por anos. Esse cenário de terror causou uma desaceleração também na economia brasileira, além, obviamente, de uma forte crise nos países desenvolvidos.
Em 2014, outra crise, agora interna. Com o governo da época adotando medidas populistas e de estímulo insustentável na economia brasileira desde 2010, a economia do país já não era mais sustentável com tanta artificialidade e em 2014 a bomba explodiu. O país teve sua pior crise econômica já registrada e junto desencadeou uma crise política, piorando ainda mais a relação de confiança dos investidores com o país.
Em 2020, a última crise, agora global. Com a pandemia do coronavírus, países foram fechados, medidas econômicas nunca antes praticadas passaram a ser adotadas em larga escala, trilhões e trilhões de dólares foram impressos pelos países para estimular suas economias, cadeias logísticas foram quebradas gerando gargalos e durante um longo período a economia global foi tirada da tomada. Um episódio que ainda será objeto de estudo por muitos anos e hoje, quase em 2023, ainda há efeitos dessa crise que podem ser identificados com grande facilidade. Como agravante, em fevereiro de 2022 a Rússia atacou a Ucrânia, iniciando uma guerra que culminaria em sanções inimagináveis ao país, que hoje é uma potência energética, causando instabilidade no mercado de fertilizantes, petróleo, trigo entre outros que são vitais para o funcionamento econômico global. Há também fortes incertezas sobre a China, com alguns citando possível desaceleração que agrava ainda mais o cenário.
Ou seja, a paz completa não existe.
Talvez seja mórbido dizer isso, mas se você investe no mercado de renda variável, sempre haverá algo para te tirar a paz que será reciclado nos noticiários até que você se canse de ler. O investidor que ama os jornais, nunca terá paz. Nunca. Na história, nunca tivemos um período de calmaria sem qualquer fator de preocupação porque isso simplesmente não existe. É assim que funciona a economia: com incertezas a todo momento.
Mesmo com todo esse cenário de incerteza, guerras, crise e afins, a bolsa brasileira triunfou. Mesmo com hiperinflação, impeachments, trocas de moedas, corrupção, turbulência política e afins, a bolsa brasileira triunfou.
De 1968 até hoje, a bolsa brasileira multiplicou seu valor em mais de 300 vezes, sendo que no ápice de sua valorização, em 2008, chegou a mais de 700 vezes. Desde 2008 o país tem passado por crises e crises, como mencionamos acima no texto, começando pela crise do Subprime, entrando na crise de 2014 e então, quando nos aproximamos de uma melhora, chegou a pandemia, causando um efeito avassalador não no Brasil, mas no mundo.
Em meio a todas essas turbulências, presidentes vem e vão, crises vem e vão e o dólar sobe e desce, mas boas empresas seguem existindo. No período hiperinflacionário, empresas boas continuaram sustentando a economia interna e prestando seus serviços para fora, e face a insustentabilidade da moeda nacional, adotava-se o dólar. Empresas se adaptaram, cresceram e enriqueceram seus acionistas. Empresas são ativos reais, que negociam ativos reais e repassam inflação e ao longo de todos esses anos, é por isso que a bolsa sempre segue seu caminho para cima, porque é disso que ela é formada, de empresas.
Em 2014, outra crise, agora interna. Com o governo da época adotando medidas populistas e de estímulo insustentável na economia brasileira desde 2010, a economia do país já não era mais sustentável com tanta artificialidade e em 2014 a bomba explodiu. O país teve sua pior crise econômica já registrada e junto desencadeou uma crise política, piorando ainda mais a relação de confiança dos investidores com o país.
Em 2020, a última crise, agora global. Com a pandemia do coronavírus, países foram fechados, medidas econômicas nunca antes praticadas passaram a ser adotadas em larga escala, trilhões e trilhões de dólares foram impressos pelos países para estimular suas economias, cadeias logísticas foram quebradas gerando gargalos e durante um longo período a economia global foi tirada da tomada. Um episódio que ainda será objeto de estudo por muitos anos e hoje, quase em 2023, ainda há efeitos dessa crise que podem ser identificados com grande facilidade. Como agravante, em fevereiro de 2022 a Rússia atacou a Ucrânia, iniciando uma guerra que culminaria em sanções inimagináveis ao país, que hoje é uma potência energética, causando instabilidade no mercado de fertilizantes, petróleo, trigo entre outros que são vitais para o funcionamento econômico global. Há também fortes incertezas sobre a China, com alguns citando possível desaceleração que agrava ainda mais o cenário.
Ou seja, a paz completa não existe.
Talvez seja mórbido dizer isso, mas se você investe no mercado de renda variável, sempre haverá algo para te tirar a paz que será reciclado nos noticiários até que você se canse de ler. O investidor que ama os jornais, nunca terá paz. Nunca. Na história, nunca tivemos um período de calmaria sem qualquer fator de preocupação porque isso simplesmente não existe. É assim que funciona a economia: com incertezas a todo momento.
Mesmo com todo esse cenário de incerteza, guerras, crise e afins, a bolsa brasileira triunfou. Mesmo com hiperinflação, impeachments, trocas de moedas, corrupção, turbulência política e afins, a bolsa brasileira triunfou.
De 1968 até hoje, a bolsa brasileira multiplicou seu valor em mais de 300 vezes, sendo que no ápice de sua valorização, em 2008, chegou a mais de 700 vezes. Desde 2008 o país tem passado por crises e crises, como mencionamos acima no texto, começando pela crise do Subprime, entrando na crise de 2014 e então, quando nos aproximamos de uma melhora, chegou a pandemia, causando um efeito avassalador não no Brasil, mas no mundo.
Em meio a todas essas turbulências, presidentes vem e vão, crises vem e vão e o dólar sobe e desce, mas boas empresas seguem existindo. No período hiperinflacionário, empresas boas continuaram sustentando a economia interna e prestando seus serviços para fora, e face a insustentabilidade da moeda nacional, adotava-se o dólar. Empresas se adaptaram, cresceram e enriqueceram seus acionistas. Empresas são ativos reais, que negociam ativos reais e repassam inflação e ao longo de todos esses anos, é por isso que a bolsa sempre segue seu caminho para cima, porque é disso que ela é formada, de empresas.
O investidor que investe em empresas de alta qualidade pode sofrer no curto prazo com as chacoalhadas mais fortes do mercado, mas é questão de ser minimamente racional e inteligente aqui: quando a crise realmente aperta, quem é que sobrevive? Exatamente: as grandes empresas. Não é a fintech minúscula que vive no prejuízo, é o Itaú gigante com sua carteira trilionária e seus quase 100 anos de história. Não é a empresa minúscula do varejo de vestuário com margem apertada, é a Renner gigante com suas milhares de lojas e seus quase 60 anos de história. Não é a empresa minúscula do varejo farmacêutico com margem apertada, é a Raia Drogasil com sua operação digital que atende todo território nacional e suas mais de 2.000 lojas operantes. Não estamos falando que gigantes não quebram, mas que são as com maior probabilidade de triunfar.
Se você quer se proteger, você precisa investir em boas empresas. São elas que atravessam as crises, são elas que fazem a economia girar e são elas que vão absorver o mercado destruído que os menores acabam desaparecendo.
Empresas crescem e se adaptam. Crises vem e vão. Empresas ficam.
Toda essa turbulência que você vê hoje, ocorre a cada quatro anos. Em 2026 você estará novamente em um ambiente de pressão por conta de política. Certamente você verá que grande parte das empresas valorizaram, afinal, são essas empresas as responsáveis por sustentar a economia, e novamente você verá as mesmas histórias de fim do Brasil, com alguns investidores mais preocupados em espalhar o terror do que aproveitar as oportunidades que tanto falavam ao ler os livros do Warren Buffett... ler não é suficiente – praticar o que leu é obrigatório.
Como recomendação de leitura para esse tema, o novo livro do Barsi é uma boa pedida – uma narrativa que trata sobre o investimento na bolsa de valores desde a época do início desse gráfico. A cada quatro anos vão tentar te convencer de que a bolsa brasileira vai acabar, e você tem duas opções: acreditar equivocadamente que isso é verdade e contrariar todos os dados, ou aproveitar as oportunidades.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 300h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
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