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O lucro líquido do trimestre foi de R$ 8.3 bilhões, contra R$ 5.1 bilhões no mesmo trimestre do ano passado, um crescimento de 63%.

É isso. O Banco do Brasil se tornou uma instituição impressionante: uma máquina de imprimir dinheiro, pura eficiência e de números impecáveis. Nossa ressalva (e aqui daremos somente a nossa opinião, sempre lembrando) é pro risco de ingerência.

Sempre que comentamos desse risco político, alguns tendem a hostilizar por viés de confirmação e amor a própria posição, mas daremos nossos 2 cents aqui.

Nós analisamos o Banco do Brasil sobre três óticas diferentes: governo Lula, governo Dilma e governo Bolsonaro. No governo Lula, a gestão não foi destrutiva – como já dizemos diversas vezes ao analisar o período econômico do seu primeiro e segundo mandato, o Lula não tinha escolha a não ser agradar o mercado e foi o que fez com uma gestão unindo desenvolvimentismo e mercado. O Banco do Brasil desempenhou bem e teve melhora dos números. Durante o governo Dilma, o jogo mudou. Sem valorizar qualquer sinalização do mercado, o banco foi utilizado para fins desenvolvimentistas e os números deterioraram, o custo foi o crescimento. Sob gestão do governo Bolsonaro, a mudança da água pro vinho: o banco se inclinou completamente ao mercado e atingiu seu ápice de eficiência, como os próprios números mostram. Não houve qualquer relevância desenvolvimentista e aqui a intenção não é tratar sobre quão importante isso é ou deveria ser, mas somente ilustrar como os números do banco reagem sob cada tipo de gestão.

Como todos sabem, em 2023 quem estará na presidência é o Lula novamente. O que não se sabe ainda é se a sua gestão será algo razoável para agradar ao mercado conservando a saúde da instituição ou uma gestão mais inclinada a o que a Dilma fez. O que foi dito até o momento (e isso veio de sua própria boca e plano de governo) é que a intenção é utilizar os bancos públicos para subsidiar programas sociais entre outros planos que hoje não podem ser realizados via Banco Central devido a autonomia conquistada em 2020. Veja, estamos trabalhando somente com as cartas que temos – o que foi dito e o que está planejado.

Mais uma vez: não é pra entrar no mérito de debate político, estamos tratando sobre fatores que impactam nos números da instituição.

Considerando tudo isso, a pergunta que o investidor deve fazer para investir ou continuar investido nas ações é: “eu estarei com a cabeça tranquila no travesseiro com o risco do Estado destruir a empresa para arcar com populismo?” – simples assim.

Nós não gostamos. É um risco chato que provavelmente continuará nos próximos quatro anos a não ser que exista uma base muito sólida para evitar isso. Existe lei das estatais, existe um congresso mais opositor, mas a canetada é um risco difícil de precificar.

Os números do Banco do Brasil impressionam, a instituição goza de benefícios que nenhum outro banco tem, mas a nossa filosofia de investimento é bem simples: investir naquilo que te permite dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Em temos financeiros o Banco do Brasil passa no crivo de qualquer um, é a instituição com melhores números do país, mas faça uma análise minuciosa sobre o quão tolerável é seu perfil quando se trata de risco de governança.

É o melhor banco do país com o pior sócio possível – e você tem que ver o que pesa mais na sua análise. Espere mais recordes no 4T22.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3) – 3T/2022

Mais um banco com resultado excelente, e o Itaú pouco atrás do Banco do Brasil. Como já tratamos em outra análise, o Banco do Brasil em termos quantitativos é inegavelmente o melhor banco do país atualmente – mas uma análise não cabe só aos números. Com um terceiro trimestre forte, o Itaú mostrou uma gestão privada de altíssimo valor mais uma vez. Vamos aos números.

No 3T22 o Itaú entregou uma margem financeira de R$ 23.9 bilhões, um crescimento expressivo de 22,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O crescimento veio forte na linha com clientes, em 33%, graças ao crescimento da SELIC no período, sendo que a margem com o mercado caiu 20,6% pela mesma razão, algo pontual pela dinâmica de tomada de taxa.

A PDD do Itaú, diferente da PDD do Bradesco, não teve aumento expressivo, saindo de R$ 5.5 bilhões no 3T21 para R$ 8.2 bilhões no 3T22 e R$ 7.8 bilhões no 2T22. Aqui é importante pontuarmos um “porém”: nem sempre os bancos se alinham em crédito dado, a dinâmica muda e o ritmo de expansão é diferente. O Bradesco provisionou um percentual mais alto no 3T22, mas o mesmo pode ocorrer com o BB ou o Itaú em algum semestre próximo por conta do ciclo de crédito de cada companhia. Ademais, os números do Itaú vieram muito bons sob esse prisma, sem aumento expressivo de PDD, com índice de inadimplência subindo ligeiramente (de 2,6% para 2,8% comparando o 3T21 ao 3T22) e em linha com a média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, hoje quase 90% da carteira do banco é de crédito de rating de alta qualidade, o que reforça os números de PDD e inadimplência.

Na linha de receita de prestação de serviços, os números vieram mais fracos que o do BB, mas fortes em algumas linhas. O destaque vai para o segmento de cartões de crédito e débito, com crescimento de 21%, sendo a ponta negativa a receita de serviços de conta corrente, que caiu 4,5%. Algo que é importante destacar, é que os bancos no geral estão se movendo para mudar o cenário que o Pix causou. Grande parte da receita de serviços de conta corrente vem de taxas de transferência, linha que a gratuidade do Pix mais fere. Como estratégia, os bancos estão dando isenção de taxas em suas contas entre outros pontos e emitindo mais cartões com mais benefícios, visando fidelizar os clientes e atacando diretamente as fintechs, que tem menor capacidade de crédito e menor capacidade de dar benefícios aos correntistas – uma iniciativa recente do Itaú que ilustra isso é o Player’s Bank, ataque direto ao público mais jovem e justamente mais propenso ao uso do Nubank, um do seus principais concorrentes na área de cartões.

A carteira de crédito do banco segue crescendo, com expansão de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos R$ 962 bilhões para os R$ 1.1 trilhão. Essa linha serve para reflexão e para compreender quão grande o Itaú é no cenário de crédito nacional. Apesar desse crescimento ter sido bem distribuído entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o Itaú tem aumentado bastante sua penetração no mercado de crédito imobiliário e roubado parte do mercado da CEF, que é a disparada líder nesse segmento de crédito. Crédito no setor imobiliário significa crédito mais seguro.

O índice de eficiência do banco, indicador importante que mostra como a instituição está lidando com a mudança de cenário (principalmente num mundo onde a digitalização se torna cada vez mais forte) também merece menção. O IE do Itaú caiu de 44% para 41%, uma melhora de 3,0pp. Considerando somente suas operações brasileiras (maior parte) o IE está no mesmo patamar do Banco do Brasil, que como já mencionamos, tem sido a estrela nesse sentido, um IE de 39%. É a menor taxa histórica da instituição e ilustra como os grandes bancos estão se movimentando para ter despesas mais responsáveis – lembrando que IE, quanto menor, melhor, significando basicamente o quanto o banco utiliza da receita para arcar com despesas não financeiras.
Todos esses fatores levaram o Itaú a entregar um lucro de R$ 8.1 bilhão, representando uma alta de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

De forma geral, o resultado do Itaú veio bem forte, e reforçou aquilo que falamos ao analisar o Bradesco: o problema de inadimplência no país é estrutural, mas longe da preocupação que o Bradesco demonstrou com tanto dinheiro em PDD. Vale lembrar sobre o ciclo diferente de crédito de cada instituição, mas até o momento sem evidências de deterioração estrutural mais grave de forma geral. Vale também mencionar que o Itaú entregou um ROE de 21% e está retornando ao seu patamar de recorde histórico aos poucos, ou seja, eficiência e imprimindo dinheiro, praticamente.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Magazine Luiza ($MGLU3) – 3T/2022

Alguns pontos de melhora, mas cenário ainda desafiador, com um financeiro pior e trimestres repletos de obstáculos a frente. Analisar o resultado da Magazine Luíza é uma verdadeira lição: em tempo recorde a companhia foi de uma das mais queridas do mercado para uma varejista com problema de endividamento. Apesar do trimestre ter apresentado alguns pontos de melhora em algumas margens, o cenário ainda é bem difícil. Vamos aos números.

No 3T22 a Magalu entregou um GMV total de R$ 14.1 bilhões, com um tímido crescimento de 2,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento de GMV foi potencializado principalmente pela aquisição da Kabum, visto que sem isso a companhia entregaria um GMV menor do que o registrado no trimestre passado. Esse GMV aprensetou uma receita de R$ 8.8 bilhões, representando também um crescimento tímido de 2,3% comparado ao 3T21. Apesar do crescimento tímido de GMV e receita, a companhia teve uma melhora expressiva na sua margem bruta, de 24% para 28% comparando o 3T21 ao 3T22. Essa melhora é explicada principalmente pela linha de receita de serviços principalmente ao marketplace, que possui margens mais altas e tem se mostrado uma vantagem da companhia. Vale destacar também que as vendas nas lojas físicas foram bem ruins, com aumento mínimo de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado mesmo com 17 novas lojas inauguradas entre o 3T21 e o 3T22.

O principal ao analisar a Magalu (não reduzindo a importância do seu operacional, obviamente) é o seu financeiro. Começando pela Luizacred, sua linha própria de crédito, a companhia vem enfrentando um aumento forte de inadimplência: no 3T21 a inadimplência era de 7%, sendo que no 3T22 a inadimplência se aproximou de 13% e vem subindo trimestre a trimestre, ilustrando como é complexo dar crédito nessa área do varejo e como os grandes bancos tem vantagem ao conseguir fazer uma análise de crédito mais apurada nesse sentido.

Além do Luizacred, é necessário falar sobre o resultado financeiro consolidado da companhia. Como já falamos diversas vezes, o que mais tem prejudicado a Magalu, não é necessariamente o cenário mais desafiador em termos de consumo em relação ao orçamento das famílias, mas seu financeiro, ou seja, seu endividamento.

No 3T22 a Magalu teve um resultado financeiro de um prejuízo na ordem de R$ 556 milhões, um prejuízo 220% maior do que o registrado no 3T21. Somente o gasto com dívidas passou a representar 6,3% da receita líquida da companhia, enquanto no 3T21 esse número era de apenas 2,0%. Esse crescimento de despesa com dívida é resultante, obviamente, da SELIC, que atingiu 13,75% ao ano e tem drenado todo o dinheiro da companhia. Como já falamos em outras análises, é assim que a SELIC trabalha freando a economia, principalmente: todo o dinheiro que a companhia poderia empreender investindo, expandindo e afins está sendo agora empreendido para pagar dívida. O mesmo se aplica a absolutamente qualquer agente econômico.
Todos esses fatores levaram a Magalu a entregar um prejuízo de R$ 167 milhões, contra um lucro de R$ 144 milhões no 3T21.
Nossa opinião sobre a companhia é bem simples: a Magalu ilustra o quão complexo é o setor de varejo. Em questão de um ano a empresa que era a mais querida do mercado foi completamente destruída pela SELIC. Simplesmente. A SELIC ataca a Magalu nas duas pontas: na linha de receita, as pessoas tendem a consumir menos por conta do juro mais alto, ou seja, ela ganha menos dinheiro quando a SELIC está muito alta. Na linha do financeiro, a dívida da companhia fica ainda mais cara e drena todo o dinheiro que ela consegue gerar pelo operacional, ou seja, uma só elevação dos juros consegue impactar de duas formas diferentes a companhia. O cenário futuro também é complexo: não sabemos ainda se o próximo governo adotará maior responsabilidade sobre o fiscal ou será mais expansionista e jogará dinheiro na economia. Caso continue a ser responsável fiscalmente, a SELIC tende a abaixar mais rápido e a Magalu terá seu financeiro resolvido mais rápido. Caso adote uma política expansionista, a Magalu tende a se beneficiar na linha de receita (afinal, com o governo jogando mais dinheiro na economia, muito desse dinheiro vai para o consumo do varejo), mas ao mesmo tempo o Banco Central pode aumentar ainda mais a SELIC (ou pelo menos realizar a manutenção) fazendo com que ela continue sendo punida pelo seu financeiro.

É isso que o mercado enxerga, é isso que tem feito as ações sofrerem tanto. Não há segredo: varejo anda de mãos dadas com a SELIC, e no caso de um varejo alavancado como é o caso da Magalu, a SELIC machuca ainda mais, em dobro, praticamente.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 3T/2022

Em mais um trimestre registrado, a M. Dias Branco registrou um bom resultado e mostrou que a corrida pela recuperação das margens ainda está acontecendo e ela está se esforçando por isso. Quem acompanha a companhia trimestralmente, sabe que desde o começo da pandemia a companhia vem sofrendo essa pressão por conta do aumento dos insumos, sendo que no 1T22 caiu um verdadeiro meteoro no segmento, causando altas nunca registradas no preço do trigo por conta do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, dois países de suma importância no cenário de trigo. No 3T22 a companhia mostrou excelente gestão e a busca pelas margens segue. Vamos aos números.

No 3T22 a M. Dias Branco entregou uma receita líquida de R$ 3 bilhões, atingindo um recorde histórico, mais uma vez, e representando um crescimento de 37% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento de receita foi potencializado por diversos fatores: o volume de vendas de biscoitos cresceu 6,7%, o volume de vendas de massas cresceu 3,1% e o volume de vendas de farinha e farelo cresceu 6,6% (lembrando que aqui se refere a toneladas vendidas). Além disso, o preço médio de venda de biscoitos subiu 30%, o preço médio de venda de massas subiu 28% e o preço média de venda de farinha e farelo subiu 29%. No consolidado, a companhia entregou um crescimento de volume de 6% vendido e um crescimento de preço médio de 29%. Esses números são extremamente importantes: a M. Dias Branco está conseguindo repassar inflação (aumento de preço médio) e aumentar os volumes de venda, ponto de extrema importância de análise e o que evidencia a capacidade da companhia de se manter competitiva.

Na linha de market share, houve queda de participação no mercado de biscoitos (de 31,2% para 29,9% entre o 3T21 e o 3T22), aumento no mercado de massas (de 29,5% para 30,1%) e aumento no mercado de farinha e farelo (de 6,0% para 10,0%). Vale lembrar que o market share em momentos de pressão inflacionária (como o que estamos vivendo atualmente) tende a maior volatilidade: as companhias aumentam o preço de seus produtos em ritmo diferente, e essa dinâmica (de uma companhia aumentando o preço antes e outra depois) faz com que as preferências do consumidor mudem no curto prazo. Muitos produtos são escolhidos unicamente pelo preço, logo a companhia que demora mais para repassar os custos e elevar o preço do produto, ganha mercado. A questão é: uma hora ou outra esse preço tem que ser repassado, e no momento que é, a marca mais forte passa a desempenhar seu papel. Ainda assim, com as altas cavalares de preço da M. Dias Branco (preço médio subiu de R$ 4,9 para R$ 6,2 entre o 3T21 e o 3T22) a participação segue praticamente inalterada.

Outro ponto importante que demonstra a força da marca é a capacidade produtiva da companhia: entre o 3T21 e o 3T22 a M. Dias Branco elevou o nível de utilização de capacidade de 67,3% para 65,8%, o que demonstra absorção de mercado. Entre o 2T22 e o 3T22 o aumento foi ainda maior, de 61,5% para 67,3%. Vale destacar que o volume vendido é o maior desde o 4T20, em 482 mil toneladas – lembrando que o 2T20 e 3T20 houve forte evento de não recorrente por conta do fechamento da economia no período, elevando o consumo sobre os produtos da M. Dias Branco, visto que ir comer em restaurantes não era possível.
A linha de custo: outro ponto de atenção para o investidor, linha extremamente problemática desde o 1T22. Ilustrando o que citamos sobre o problema da guerra na Europa, analisando os números da M. Dias Branco fica claro. Entre o 3T21 e o 3T22 o gasto com CPV (custo dos produtos vendidos) subiu de 74% para 78%, impulsionado principalmente pelo preço do trigo, que subiu 55% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e representa a maior parte do CPV. Os últimos meses tem sidos positivo nesse sentido, com o preço do trigo e do óleo da palma caindo no mercado global, mas vale lembrar que a M. Dias Branco tem um estoque adquirido ao preço passado, o que causa maior delay para essa queda aparecer nos balanços até que haja renovação. Sobre a linha de despesas operacionais, sem muito a tratar: a companhia mostra a boa gestão com as despesas caindo de 22% da receita líquida para 20% da receita líquida, sendo uma linha onde a companhia tem total controle e tem realizado o trabalho responsável de contenção de aumento de custos.

Em linhas finais, a M. Dias Branco entregou um EBITDA de R$ 333 milhões, representando um crescimento de 16,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e um lucro líquido de R$ 195 milhões, uma queda de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

O caso da M. Dias Branco vai ser bem simples: um vai e volta de margens até que o mercado se acalme. É bem provável que no 4T22 venha uma melhora forte de margens com mais números recordes (talvez até mesmo lucro), pois o mercado deu uma acalmada nos últimos meses e o trigo foi para baixo (lembrando que existe um tempo de repasse de preço pra companhia por conta dos estoques). A M. Dias Branco está fazendo o que pode quando se trata de repassar custos e está fazendo muito bem – mesmo com toda a turbulência, os números seguem subindo, mas como falamos todo trimestre desde que começamos a comentar sobre o resultado da empresa aqui, não espere que ela entregue margens cada vez maiores estando no olho do furacão como está agora. Essa pressão está ocorrendo e ela trabalha como é possível. Além do repasse de preço ter sido um sucesso mostrando alinhamento com aumento de crescimento de volumes, algumas aquisições (como a Jasmine e a Las Acacias nesse trimestre) reforçam ainda mais o crescimento da companhia. Achamos o resultado muito bom e o market share surpreendeu, que mesmo com esse aumento de preços, não tem sofrido muito.
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Quem deu uma analisada em alguns resultados do 3T22, deve ter percebido como algumas companhias sofreram uma verdadeira porrada na linha final de lucro mesmo com crescimento expressivo de receita. As vezes esse efeito é explicado pela inflação, que tem de fato machucado as companhias nos últimos meses, mas para algumas, não foi o caso, na verdade, a maior razão disso tem sido a SELIC. Sim, a SELIC.

Com a SELIC sendo elevada ao atual patamar de 13,75%, as empresas que possuem maior endividamento tem sofrido forte, afinal, com uma taxa de juros nesse patamar, algumas companhias tem o custo da dívida de quase 15% ao ano – ou seja, só de pagamento de juros vai uma verdadeira fortuna minando todo o resultado final da companhia. Peguemos a Ambipar como exemplo para o que falaremos aqui agora.

No 3T22 a Ambipar teve uma receita líquida de R$ 980 milhões, ou seja, com a venda de seus produtos e serviços, a companhia faturou essa quantia. Deduzindo os custos de produto vendido e demais despesas na ordem de R$ 707 milhões, a companhia chegou a um EBITDA de R$ 273 milhões.

Esse EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization) expressa a capacidade operacional da companhia, com as suas operações é isso que ela gerou (diga-se de passagem que o crescimento de EBITDA da companhia foi bem forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado) de resultado. Vem então a próxima linha, de depreciação e amortização: deduzindo esses pontos na ordem de R$ 73 milhões, a companhia chegou a um EBIT (Earnings Before Interest and Taxes) de R$ 200 milhões. E agora chegamos a linha que tem sido problemática para a maior parte das companhias de crescimento.

Desses R$ 200 milhões remanescentes, há a dedução do resultado financeiro (receita financeira – despesa financeira) que nada mais é do quanto a companhia ganhou ou perdeu com dívidas ou aplicações financeiras, seguido da dedução de impostos. Perceba como a linha de resultado financeiro foi responsável por drenar 80% de todo o EBIT gerado pela Ambipar. Basicamente todo o fluxo de geração de lucro que a companhia entregaria, foi utilizado para pagar suas dívidas.

Mais uma vez, isso ocorre por conta da altíssima SELIC que estamos atravessando. Esse é o efeito da SELIC em retardar a economia. Endividamento se torna mais caro, drena toda a capacidade financeira da companhia, desestimula investimento, desestimula consumo e assim em diante.

Isso não é algo isolado ocorrendo somente com a Ambipar. Absolutamente qualquer companhia mais alavancada está passando por esse momento. Normalmente, empresas de crescimento são as que se alavancam, e normalmente, small caps são as empresas de crescimento, e é por isso que você viu boa parte das small caps derreterem. Percebe a fragilidade do momento?

Aí que entra o trabalho de análise do investidor. As perguntas devem ser levantadas para a análise ter maior acurácia: pra quanto será que vai a SELIC? O cenário de juros pode piorar muito? A empresa que eu quero investir consegue sobreviver com essa alavancagem? Essa alavancagem tem gerado um retorno adequado? Quando a SELIC cair haverá melhora das linhas finais?

Tem muita companhia que quando a SELIC cair para 6% ou algo próximo (como é o caso da própria Ambipar) verá o lucro mais do que dobrando por conta da menor necessidade de direcionamento de dinheiro para pagar juros e dívida. Será papo de explosão de lucro comparando trimestre a trimestre e mais caixa livre.

A Ambipar foi utilizada aqui somente a título de exemplo e não se trata de recomendação, sempre valendo ressaltar para ninguém confundir o intuito do texto.

Se você investe em alguma companhia mais alavancada, não se esqueça de levantar as questões ali citadas. É isso que importa. Em algum momento a SELIC vai cair, e esse prejuízo financeiro, também, basta que a companhia tenha capacidade de atravessar esse período e sair viva sem qualquer problema em sua estrutura.
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Opinião e análise breve – B3 ($B3SA3) – 3T/2022

Uma análise de resultados da B3 não tem segredos. A empresa é monopolista no Brasil, tem margens obscenas e praticamente imprime dinheiro por ser o único canal possível no mercado de capitais nacional. Invariavelmente, sendo um monopólio, não há pressão de concorrência, não há pressão inflacionária nem qualquer outro fator que acaba minando os resultados de uma companhia que atua num mercado de concorrência no curto prazo. A leitura do seu resultado será breve, mas não espere surpresas. Vamos aos números

No 3T22 a B3 entregou uma receita líquida de R$ 2.2 bilhões, sem crescimento comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi R$ 2.2 bilhões. Se desconsiderar a aquisição da Neoway, a B3 teve uma retração de receita de 2%. A queda na receita preocupa os investidores novatos, mas é completamente esperada. Explicamos.

O volume de ações negociadas na bolsa caiu 17%, de R$ 31.5 bilhões por dia no 3T21 para R$ 26.1 bilhões por dia no 3T22. Essa queda é explicada por um único fator: taxa SELIC. Com a SELIC em 13,75%, há bem menos incentivos para investir na bolsa de valores, há bem menos incentivos para especular e bem menos incentivos para exercer uma série de operações que beneficiam a receita da B3, que é o único mercado do país. Além disso, houve queda de todas as linhas de operações de juros, moedas e mercadorias com uma contração de 1,9%. O positivo nisso tudo foi o aumento de volume na prateleira de renda fixa, com um crescimento de emissões de 17%, um crescimento de estoque de quase 35% e um crescimento de investidores no Tesouro Direto de 27%, ultrapassando os 2 milhões. A quantidade de investidores PF na renda variável também cresceu bem, atingindo os 4.5 milhões de CPF únicos representando um crescimento de 37% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

As demais linhas não citaremos por estarem dentro da normalidade, sendo que o lucro líqudio da B3 foi de R$ 1 bilhão, representando uma queda de 12,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

Em suma, o resultado veio em linha com o esperado, sem surpresas, sem crescimento forte e refletindo o cenário econômico mais apertado com a elevação da SELIC, diminuindo o estímulo de negociação no mercado de capitais e aumento o fluxo de capital para a renda fixa. Além disso, a B3 também reflete muito as expectativas sobre a economia nos próximos três anos. Novembro, por exemplo, foi um mês caótico para as ações. Até o momento em que escrevemos esse texto, as ações já registram uma queda de quase 27% desde o começo do mês e refletem completamente o cenário de maior incerteza fiscal que o país passa, com o mercado esperando que a SELIC se mantenha elevada por mais tempo e consequentemente a B3 siga com resultados mais mornos por mais tempo.

O resultado da companhia está completamente atrelado a isso: não em vão ela explodiu entre 2019 e 2021, seguindo o crescimento forte de novos investidores da bolsa de valores e aumento de volume de negociação no mercado, em linha com a SELIC baixíssima da época que estimulou os investidores a tomarem mais risco e entrarem na bolsa. Não espere melhoria enquanto a SELIC não cair, a B3 é uma empresa cíclica, de certa forma, e enquanto a SELIC estiver nesse patamar, seu crescimento será completamente limitado por fator macroeconômico. Isso não significa que a empresa esteja indo mal ou que a queda de receita seja algo completamente negativo – é questão de conjuntura apenas.

A companhia segue sendo o monopólio que sempre foi e esses resultados mais “fracos” não são nem de longe motivo de preocupação.

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A queda do mercado de fundos imobiliários assusta muito investidor novato. Com o discurso de que FIIs são menos voláteis e menos arriscados, diversos influenciadores acabaram gerando a impressão de que esses ativos não sofrem da volatilidade que atinge o mercado acionário de tempos em tempos.

O primeiro ponto é: a afirmação é correta. O IFIX (índice dos fundos imobiliários) tem uma volatilidade bem menor do que a do mercado acionário. Pro investidor que ainda é novo e não tem tanta naturalidade com esse sobe e desce de cotações que ocorre em momentos de maior incerteza, o impacto no segmento de fundos imobiliários na maioria das vezes será bem menor em momentos de crise. Com exceção de eventos isolados que atingem sistematicamente o mercado de FIIs (vide pandemia que elevou violentamente a a vacância de alguns segmentos em específico ou o drama sobre a tributação de FIIs que volta e meia aparece para incomodar), se o IFIX estiver caindo, provavelmente o IBOV está pior. Mas há um ponto que atinge em cheio os dois mercados e tem correlação ainda mais com os fundos imobiliários: o juro futuro.

O gráfico acima possui duas linhas: a vermelha se refere aos pontos do índice dos FIIs (IFIX), enquanto a azul se refere a rentabilidade do título IPCA 2035 (que basicamente segue o DI1F35, ponto da curva de juros do ano citado).

Se você bem lembrar, foi entre o dia 10 e o dia 11 de novembro que o mercado panicou com algumas falas do futuro presidente Lula sobre o cenário fiscal do país. Causando incerteza e maior receito do mercado sobre a responsabilidade das contas públicas do país, o mercado quase que como reação instantânea passou a bater nas taxar de juros futuras e o título do Tesouro do patamar de IPCA+5,85% saiu para um patamar de quase IPCA+6,20%. Acredite, apesar de ser um aumento de 0,35pp, esse tipo de impacto nos títulos causa uma ordem de prejuízo na casa dos bilhões quando se trata de dívida pública.

Ao mesmo tempo que o título disparou para cima, o índice do IFIX seguiu praticamente a mesma trajetória só que pelo lado inverso, ou seja, desvalorização. Isso acontece pois o principal fator de precificação dos fundos imobiliários é a taxa de juros longa.

A maior parte dos ativos possuem precificação relativamente previsível dada a natureza de remuneração de 95% de caixa e menor propensão a alavancagem, isso somada a taxa de risco livro mais elevada faz com que o mercado desvalorize os FIIs para justificar o prêmio de risco existente. Veja, se um título completamente livre de risco (Tesouro IPCA+) está aumentando sua remuneração, é justo que os investimentos de maior risco (FIIs) valham menos para justificar esse risco a mais, certo? É daí que vem o prêmio de risco: o mercado cobra um retorno a mais para assumir esse risco a mais existente.

É daí que surgem algumas boas oportunidades, também.

A taxa de juros longa possui grande ciclicidade. Se você buscar o gráfico de rendimento dos títulos mais longos (disponível no site do Tesouro) você verá que é uma verdadeira montanha russa, seguindo praticamente a mesma ciclicidade da nossa economia. Agora é um momento ilustrativo: estamos em um período de taxa mais elevada refletindo os receios do mercado em relação ao cenário fiscal, historicamente dizendo, é bem propensa que essa taxa passe a cair em breve, fazendo com que os ativos de renda variável subam forte. Vale lembrar também que um dos fatores da ciclicidade da taxa de juros é que ela não se sustenta por muito tempo em patamares elevados por conta dos efeitos econômicos: quanto mais tempo elevada, mais propensa a redução por conta da economia que potencialmente vai sendo desestimulada, demandando cada vez menos juros.

Em suma, todas essas quedas e volatilidade pode incomodar, mas a ciclicidade dos juros é um fator de conhecimento obrigatório de todo investidor. Às vezes você tromba com algum tipo de explicação mirabolante sobre a queda dos mercados, e a resposta é bem simples e pode ser traduzida num só gráfico como o que você viu acima.
Lembrando que esse efeito do juros futuro impacta o mercado de renda variável como um todo, e não só os FIIs – ações de empresas alavancadas (em especial do varejo) tendem a sofrer ainda mais por conta do aumento de custo de dívida e do menor estímulo ao consumo com taxas altas por mais tempo.

Não entre em pânico.

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Mais um trimestre de entrega de resultados das companhias da bolsa brasileira, e algumas conclusões podem ser tiradas com o que foi lido ate então.

No 3T22 nós realizamos a análise e leitura de uma boa quantidade de releases, e de forma geral, identificamos alguns pontos principais em comum entre todos eles. Elaboramos a tabela acima para explicar, consolidando o resultado de toda as companhias da bolsa que possuem liquidez com exceção da Petrobras, Vale, Suzano e Braskem – o motivo é o fato de que elas são gigantes demais e extremamente cíclias, distorcendo a análise caso a intenção seja a que temos aqui. Para se ter ideia, todas as empresas da bolsa faturaram R$ 847 bilhões, enquanto a Petrobras, sozinha, teve um faturamento de pouco mais de R$ 170 bilhões, eis a importância de saber tirar esses “outliers” na hora da análise. Vamos elencar os principais pontos que indificamos lendo todos esses resultados e o que achamos do futuro.

No período, a receita das companhias teve um crescimento forte, de quase 17% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, bem acima da inflação acumulada no período, destacando a dinâmica que as empresas possuem de repasse de preço em momentos inflacionários. Por outro lado, O CPV (a principal linha que cresce quando a inflação está mais elevada) teve um crescimento de quase 22%. E esse é um ponto importante para considerar: a inflação ainda está machucando as companhias. Apesar do Brasil ter gozado de um breve período de deflação nos últimos meses, a inflação ainda é um problema sério que precisa ser enfrentado. Estamos longe da solução completa da alta de preços. De fato, tivemos uma melhora expressiva comparado ao cenário de 12 meses atrás, mas é irresponsável alegar que a inflação está resolvida e ainda mais irresponsável trabalhar com análises e projeções considerando que ela já está plenamente controlada. Ela não está e segue batendo em algumas companhias. Pelo lado positivo, está bem menos intensa do que no 1T22 e 2T22, mas ainda longe de estar resolvida. Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto é a linha do resultado financeiro das companhias. Esse é o destaque do trimestre, sem dúvidas. As receitas financeiras cresceram quase 27%, mas em contra partida, as despesas financeiras cresceram pouco mais de 23% e o resultado financeiro final teve um crescimento de prejuízo de R$ 35 bilhões no 3T21 para R$ 41 bilhões no 3T22, representando uma piora de quase 20%. Esse é o destaque pois essa linha é expressa basicamente pela SELIC: com o nosso ciclo de juros punindo completamente as empresas mais alavancadas, a linha de dinheiro direcionado a pagamento de juros cresceu forte no período e está resultando em destruição de valor evidente para diversas companhias. Algumas companhias tem trabalhado bem com essa alavancagem, vide Ambipar e e Fleury, mas outras estão com um cenário mais duro, vide Magazine Luiza e Via, que registraram prejuízo no resultado financeiro na ordem de R$ 600 milhões – um valor estratosférico de gasto com dívida. E mais uma vez batemos na tecla: se você investe em ações de empresas que se alavancam, sempre dê atenção para a linha do resultado financeiro. Sempre. Empresas sempre quebram crescendo, e essa quebra vem justamente do fato de que se alavancam demais e em momentos mais turbulento acabam não dando conta de arcar com a alavancagem. O investidor pode evidenciar os problemas da alavancagem aos poucos, trimestre a trimestre, vendo que a dívida só cresce, o resultado financeiro só piada e o perfil da dívida se deteriora, com um custo cada vez mais elevado e uma duração cada vez mais curta. Esse é o segundo ponto de atenção dos resultados, voltado somente para empresas de alta alavancagem. As que não se alavancam ou possuem baixa dívida, não é algo a se importar.