Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3) – 3T/2022
Um trimestre que surpreendeu, mas negativamente. Apesar de diversos números do Bradesco terem apresentado melhoria e crescimento reconhecível, a PDD e a inadimplência fizeram com que o lucro desabasse e roubasse toda a atenção do release de resultados. Longe de ser alarmante, mas longe de algo excelente, também. Como sempre, trataremos apenas dos principais números do release, visto que bancos tendem a ter divulgações colossais. Vamos aos números.
No 3T22 a margem financeira do Bradesco apresentou um aumento de 3,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado: a melhora é explicada principalmente pela margem com clientes, que cresceu 24,7%, de R$ 14 bilhões para R$ 17.5 bilhões. Vale lembrar que a margem financeira se refere a diferença que o banco consegue entre o custo de tomar o dinheiro e emprestar o dinheiro, grosseiramente dizendo. É aqui que a SELIC faz o seu trabalho de benefício a um banco, também. Conforme a taxa sobe, essa margem dos bancos sobe junto. A margem com o mercado apresentou um prejuízo de R$ 1.2 bilhões, contra um lucro de R$ 1.6 bilhões no 3T21. Essa margem negativa é normal em tempos de elevação de SELIC pois há um delay nas operações: margem com o mercado se refere a fonte de captação do banco, leva um tempo até ele passar esse custo pros clientes. Nada de alarmante por aqui e uma melhora forte da margem com clientes, linha principal.
Na linha da carteira de crédito, a expansão segue. O Bradesco saiu de uma carteira de crédito de R$ 773 bilhões para R$ 878 bilhões entre o 3T21 e o 3T22, um crescimento de 16,4%. Essa expansão é explicada principalmente pela expansão do crédito com pessoas físicas, algo que explica o número de PDD que trataremos mais a frente. Vale destacar que hoje 40% do crédito dado pelo Bradesco é para pessoas físicas, 40% para grandes empresas e 20% para micro, pequenas e médias empresas, ou seja, é uma carteira bem equilibrada com duas características importantes: (I) sendo 40% para grandes empresas, o risco de crédito é menor e (II) sendo 40% para pessoas físicas, a rentabilidade é maior, visto que a taxa cobrada de PFs é maior sempre. Em termos de rating, vale também mencionar que 90,5% da carteira é de crédito entre AA e C, que são níveis de risco de maior qualidade.
Um trimestre que surpreendeu, mas negativamente. Apesar de diversos números do Bradesco terem apresentado melhoria e crescimento reconhecível, a PDD e a inadimplência fizeram com que o lucro desabasse e roubasse toda a atenção do release de resultados. Longe de ser alarmante, mas longe de algo excelente, também. Como sempre, trataremos apenas dos principais números do release, visto que bancos tendem a ter divulgações colossais. Vamos aos números.
No 3T22 a margem financeira do Bradesco apresentou um aumento de 3,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado: a melhora é explicada principalmente pela margem com clientes, que cresceu 24,7%, de R$ 14 bilhões para R$ 17.5 bilhões. Vale lembrar que a margem financeira se refere a diferença que o banco consegue entre o custo de tomar o dinheiro e emprestar o dinheiro, grosseiramente dizendo. É aqui que a SELIC faz o seu trabalho de benefício a um banco, também. Conforme a taxa sobe, essa margem dos bancos sobe junto. A margem com o mercado apresentou um prejuízo de R$ 1.2 bilhões, contra um lucro de R$ 1.6 bilhões no 3T21. Essa margem negativa é normal em tempos de elevação de SELIC pois há um delay nas operações: margem com o mercado se refere a fonte de captação do banco, leva um tempo até ele passar esse custo pros clientes. Nada de alarmante por aqui e uma melhora forte da margem com clientes, linha principal.
Na linha da carteira de crédito, a expansão segue. O Bradesco saiu de uma carteira de crédito de R$ 773 bilhões para R$ 878 bilhões entre o 3T21 e o 3T22, um crescimento de 16,4%. Essa expansão é explicada principalmente pela expansão do crédito com pessoas físicas, algo que explica o número de PDD que trataremos mais a frente. Vale destacar que hoje 40% do crédito dado pelo Bradesco é para pessoas físicas, 40% para grandes empresas e 20% para micro, pequenas e médias empresas, ou seja, é uma carteira bem equilibrada com duas características importantes: (I) sendo 40% para grandes empresas, o risco de crédito é menor e (II) sendo 40% para pessoas físicas, a rentabilidade é maior, visto que a taxa cobrada de PFs é maior sempre. Em termos de rating, vale também mencionar que 90,5% da carteira é de crédito entre AA e C, que são níveis de risco de maior qualidade.
Na linha de PDD, o principal fator que incomodou o mercado e causou maior preocupação. A PDD é a provisão para devedores duvidosos, ou seja, parte do lucro que o banco reserva para se proteger de calotes. Como mencionamos acima, o Bradesco tem realizado um trabalho de expansão de sua carteira de crédito em cima de pessoas físicas, principalmente. O benefício disso é o melhor retorno, se cobra mais de pessoas físicas do que de empresas quando crédito é dado. No 3T22 o Bradesco elevou a PDD do banco para R$ 7.3 bilhões, o que representa um aumento de quase 120% comparado ao 3T21. O mercado não gostou nada disso pois acende um certo desagrado em relação a iniciativa do banco ao dar crédito de maior risco. O Bradesco justificou que esse aumento de PDD foi em virtude de (I) mudança do perfil da carteira, mais propensa a PF, (II) proteção contra deterioração do cenário incerto nos próximos meses e (III) aumento da inadimplência que já está ocorrendo. O fato aqui é: bancos grandes (bancões, no caso) sempre dedicam uma quantidade altíssima para PDD. É um movimento normal. Isso não significa necessariamente que o banco irá perder esse dinheiro, é apenas uma provisão. Em algum momento quando o cenário normaliza e a incerteza dissipa, esse dinheiro volta pro banco, simples assim. Não é dinheiro perdido. Nós particularmente preferimos um banco que dedique boa parte do dinheiro para PDD e não tenha surpresas futuras do que um banco que tenha uma análise de crédito mais “folgada” e o custo venha em dobro posteriormente. O ponto que o investidor deve se atentar aqui é a inadimplência do banco, somente. A inadimplência do Bradesco (e do mercado como um todo) tem subido forte nos últimos meses e de fato há deterioração no cenário, mas é necessário lembrar que durante a pandemia houve muita postergação de cobrança e uma taxa de juros baixíssima. O nível de inadimplência ainda está bem abaixo do nível antes da pandemia. O Bradesco, no caso, registrou uma inadimplência de 3,9%, contra uma inadimplência de 2,6% no 3T21, lembrando que é necessário considerar os fatores que reduziram a inadimplência na época da pandemia.
Na linha de receita de prestação de serviço, sem grandes surpresas. A linha de rendas de cartão cresceu forte (21%) entre o 3T21 e o 3T22 mostrando sucesso do banco em sua estratégia de expansão nessa linha, que é o foco dos ataques das fintechs, a administração de fundos teve uma queda de 7,8% comparando ao mesmo trimestre do ano passado, algo também esperado dado o aumento da SELIC no período e o maior conservadorismo dos agentes econômicos que passam a investir mais em renda fixa do que renda variável (sendo que renda fixa tem menores taxas) e a linha de conta-corrente sofreu uma queda de 4,9% em virtude de menor atividade em transferências DOC/TED e saque em autoatendimento, um “problema” sistêmico e que todo banco vai passar principalmente por conta do Pix, que tirou dos grandes bancos o benefício do lucro das taxas de transferências e a vantagem das transferências de taxa zero da fintechs, ou seja, do ponto de vista corporativo, ambos saíram perdendo.
Um ponto interessante a citar também é o movimento do Bradesco em relação a contenção de custos, realizando um esforço maior que as outras instituições: entre o 3T21 e o 3T22 o banco fechou quase 500 unidades físicas, entre agências, PAEs e PAs, sendo que entre o 3T20 e o 3T22 foram mais de 1.000.
Todos esses fatores levaram o lucro do Bradesco a ter uma queda de 23% comparado ao 3T21, na ordem de R$ 5.2 bilhões.
Na linha de receita de prestação de serviço, sem grandes surpresas. A linha de rendas de cartão cresceu forte (21%) entre o 3T21 e o 3T22 mostrando sucesso do banco em sua estratégia de expansão nessa linha, que é o foco dos ataques das fintechs, a administração de fundos teve uma queda de 7,8% comparando ao mesmo trimestre do ano passado, algo também esperado dado o aumento da SELIC no período e o maior conservadorismo dos agentes econômicos que passam a investir mais em renda fixa do que renda variável (sendo que renda fixa tem menores taxas) e a linha de conta-corrente sofreu uma queda de 4,9% em virtude de menor atividade em transferências DOC/TED e saque em autoatendimento, um “problema” sistêmico e que todo banco vai passar principalmente por conta do Pix, que tirou dos grandes bancos o benefício do lucro das taxas de transferências e a vantagem das transferências de taxa zero da fintechs, ou seja, do ponto de vista corporativo, ambos saíram perdendo.
Um ponto interessante a citar também é o movimento do Bradesco em relação a contenção de custos, realizando um esforço maior que as outras instituições: entre o 3T21 e o 3T22 o banco fechou quase 500 unidades físicas, entre agências, PAEs e PAs, sendo que entre o 3T20 e o 3T22 foram mais de 1.000.
Todos esses fatores levaram o lucro do Bradesco a ter uma queda de 23% comparado ao 3T21, na ordem de R$ 5.2 bilhões.
Ou seja, se a queda de lucro e a queda do preço das ações te preocupa, que fique claro aqui: o motivo é basicamente a PDD. Se você não entende muito bem o que PDD significa, dê uma lida sobre que é em torno disso que um banco funciona, basicamente. No Release do Bradesco inclusive há um gráfico da PDD por trimestre para ilustrar como o banco tende a reagir em momentos de maior incerteza. Hoje o Bradesco passa por uma expansão de crédito em cima das pessoas físicas e essa antecipação de provisão face a um cenário incerto e uma inadimplência que já está ocorrendo faz com que o lucro caia. A PDD nada mais é do que parte do lucro destinada a se proteger de calotes, mas como citamos mais acima, não necessariamente esse dinheiro será perdido, sendo apenas um movimento de proteção que a medida que o cenário se ajeita volta para o banco. Assim que todos os bancos reportarem seus resultados, faremos uma leitura mais detalhadas comparando a PDD e perfil de crédito de cada um para apurar o quão estrutural ou sistêmico é esse número que o Bradesco reportou, mas a princípio, sem grandes preocupações.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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www.findocs.com.br
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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3) – 3T/2022
É oficial: o Banco do Brasil se tornou o melhor banco do Brasil.
Ao menos ao analisar os números, não há banco superior ao Banco do Brasil em nosso país atualmente. Nesse trimestre o lucro da instituição se aproximou do recorde histórico do lucro de um banco e a projeção para o 4T22 foi revisada para cima, ou seja, é bem provável que no próximo trimestre o Banco do Brasil tenha o melhor trimestre já registrado para uma instituição financeira do país. O problema nisso tudo é: uma análise não deve ser feita somente pela ótica dos números – outros riscos existem. Vamos tratar brevemente por aqui.
No 3T22 o Banco do Brasil teve uma margem financeira bruta de R$ 19.5 bilhões, representando um crescimento de 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa melhora é explicada tanto pela receita de operações de crédito, principal operação de um banco, que cresceu 51%, quanto pelo resultado de tesouraria, que praticamente dobrou e atingiu os R$ 10 bilhões no trimestre.
Na linha de PDD, o banco ilustra e goza de suas vantagens competitivas na área de crédito. No 3T22 o Banco do Brasil registrou uma PDD de apenas R$ 4.5 bilhões, representando um aumento de 15% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Vale pontuar dois fatores aqui: o Banco do Brasil tem gigantes vantagens ao dar crédito. Uma são as linhas de créditos a funcionários públicos, que são menos suscetíveis e inadimplência devido a maior estabilidade, e outra é o maior crédito ao agro. O Banco do Brasil é o principal financiador do agronegócio brasileiro e o agro tem uma taxa histórica de inadimplência baixíssima, além de linhas de créditos colossais – é uma vantagem que agrega ao banco dessas duas formas. Quanto a sua carteira de crédito, o crescimento é espetacular: a carteira atingiu os R$ 970 bilhões com um crescimento de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi bem distribuído entre PJs, PFs e pelo agronegócio, mantendo seu perfil de vantagem sobre o ponto que citamos acima. O resultado desse crédito vem na linha de inadimplência. Assim como todas as instituições financeiras até o momento, a inadimplência do Banco do Brasil também subiu, atingindo os 2,34% no 3T22, um crescimento de 0,50pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A questão é que a inadimplência do banco está bem abaixo de seus pares e abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, que atualmente se encontra em 2,80%. Ou seja, essa elevação de inadimplência evidência o problema que citamos ao analisar o resultado do Bradesco sobre a deterioração de crédito do cenário por conta da alta da SELIC e do aperto no orçamento das famílias. Como o Banco do Brasil tem linhas de crédito mais “seguras”, sua inadimplência tende a ser bem menor.
Na linha de receita de prestação de serviços, houve crescimento forte de diversas linhas, com a receita total crescendo 14,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa é outra linha que o banco goza de benefícios: seguros, previdência, capitalização, abertura de contas e fundos são alguns dos produtos que existem linhas específicas e direcionadas para alguns grupos, além de fundos geridos e exclusivos para o próprio Estado. Não houve sequer uma linha de receita que contraiu, todas cresceram.
O índice de eficiência marcou um patamar histórico. Em queda por mais de dez trimestres seguidos, o índice registrou 31,6% no 3T22 contra 35,9% no 3T21. Lembrando que o índice de eficiência é um número que indica quanto da receita as despesas estão utilizando, quanto menor, melhor. Hoje o Banco do Brasil é disparadamente a instituição financeira com o menor número, e ele ter melhorado todo trimestre diz muito sobre a gestão, que tem mostrado plena capacidade e responsabilidade nos gastos, melhora clara de eficiência e uma aula de como fazer mais com menos.
Sobre demais indicadores (basileia, por exemplo) não trataremos pois a instituição segue saudável e sem surpresas.
É oficial: o Banco do Brasil se tornou o melhor banco do Brasil.
Ao menos ao analisar os números, não há banco superior ao Banco do Brasil em nosso país atualmente. Nesse trimestre o lucro da instituição se aproximou do recorde histórico do lucro de um banco e a projeção para o 4T22 foi revisada para cima, ou seja, é bem provável que no próximo trimestre o Banco do Brasil tenha o melhor trimestre já registrado para uma instituição financeira do país. O problema nisso tudo é: uma análise não deve ser feita somente pela ótica dos números – outros riscos existem. Vamos tratar brevemente por aqui.
No 3T22 o Banco do Brasil teve uma margem financeira bruta de R$ 19.5 bilhões, representando um crescimento de 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa melhora é explicada tanto pela receita de operações de crédito, principal operação de um banco, que cresceu 51%, quanto pelo resultado de tesouraria, que praticamente dobrou e atingiu os R$ 10 bilhões no trimestre.
Na linha de PDD, o banco ilustra e goza de suas vantagens competitivas na área de crédito. No 3T22 o Banco do Brasil registrou uma PDD de apenas R$ 4.5 bilhões, representando um aumento de 15% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Vale pontuar dois fatores aqui: o Banco do Brasil tem gigantes vantagens ao dar crédito. Uma são as linhas de créditos a funcionários públicos, que são menos suscetíveis e inadimplência devido a maior estabilidade, e outra é o maior crédito ao agro. O Banco do Brasil é o principal financiador do agronegócio brasileiro e o agro tem uma taxa histórica de inadimplência baixíssima, além de linhas de créditos colossais – é uma vantagem que agrega ao banco dessas duas formas. Quanto a sua carteira de crédito, o crescimento é espetacular: a carteira atingiu os R$ 970 bilhões com um crescimento de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi bem distribuído entre PJs, PFs e pelo agronegócio, mantendo seu perfil de vantagem sobre o ponto que citamos acima. O resultado desse crédito vem na linha de inadimplência. Assim como todas as instituições financeiras até o momento, a inadimplência do Banco do Brasil também subiu, atingindo os 2,34% no 3T22, um crescimento de 0,50pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A questão é que a inadimplência do banco está bem abaixo de seus pares e abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, que atualmente se encontra em 2,80%. Ou seja, essa elevação de inadimplência evidência o problema que citamos ao analisar o resultado do Bradesco sobre a deterioração de crédito do cenário por conta da alta da SELIC e do aperto no orçamento das famílias. Como o Banco do Brasil tem linhas de crédito mais “seguras”, sua inadimplência tende a ser bem menor.
Na linha de receita de prestação de serviços, houve crescimento forte de diversas linhas, com a receita total crescendo 14,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa é outra linha que o banco goza de benefícios: seguros, previdência, capitalização, abertura de contas e fundos são alguns dos produtos que existem linhas específicas e direcionadas para alguns grupos, além de fundos geridos e exclusivos para o próprio Estado. Não houve sequer uma linha de receita que contraiu, todas cresceram.
O índice de eficiência marcou um patamar histórico. Em queda por mais de dez trimestres seguidos, o índice registrou 31,6% no 3T22 contra 35,9% no 3T21. Lembrando que o índice de eficiência é um número que indica quanto da receita as despesas estão utilizando, quanto menor, melhor. Hoje o Banco do Brasil é disparadamente a instituição financeira com o menor número, e ele ter melhorado todo trimestre diz muito sobre a gestão, que tem mostrado plena capacidade e responsabilidade nos gastos, melhora clara de eficiência e uma aula de como fazer mais com menos.
Sobre demais indicadores (basileia, por exemplo) não trataremos pois a instituição segue saudável e sem surpresas.
O lucro líquido do trimestre foi de R$ 8.3 bilhões, contra R$ 5.1 bilhões no mesmo trimestre do ano passado, um crescimento de 63%.
É isso. O Banco do Brasil se tornou uma instituição impressionante: uma máquina de imprimir dinheiro, pura eficiência e de números impecáveis. Nossa ressalva (e aqui daremos somente a nossa opinião, sempre lembrando) é pro risco de ingerência.
Sempre que comentamos desse risco político, alguns tendem a hostilizar por viés de confirmação e amor a própria posição, mas daremos nossos 2 cents aqui.
Nós analisamos o Banco do Brasil sobre três óticas diferentes: governo Lula, governo Dilma e governo Bolsonaro. No governo Lula, a gestão não foi destrutiva – como já dizemos diversas vezes ao analisar o período econômico do seu primeiro e segundo mandato, o Lula não tinha escolha a não ser agradar o mercado e foi o que fez com uma gestão unindo desenvolvimentismo e mercado. O Banco do Brasil desempenhou bem e teve melhora dos números. Durante o governo Dilma, o jogo mudou. Sem valorizar qualquer sinalização do mercado, o banco foi utilizado para fins desenvolvimentistas e os números deterioraram, o custo foi o crescimento. Sob gestão do governo Bolsonaro, a mudança da água pro vinho: o banco se inclinou completamente ao mercado e atingiu seu ápice de eficiência, como os próprios números mostram. Não houve qualquer relevância desenvolvimentista e aqui a intenção não é tratar sobre quão importante isso é ou deveria ser, mas somente ilustrar como os números do banco reagem sob cada tipo de gestão.
Como todos sabem, em 2023 quem estará na presidência é o Lula novamente. O que não se sabe ainda é se a sua gestão será algo razoável para agradar ao mercado conservando a saúde da instituição ou uma gestão mais inclinada a o que a Dilma fez. O que foi dito até o momento (e isso veio de sua própria boca e plano de governo) é que a intenção é utilizar os bancos públicos para subsidiar programas sociais entre outros planos que hoje não podem ser realizados via Banco Central devido a autonomia conquistada em 2020. Veja, estamos trabalhando somente com as cartas que temos – o que foi dito e o que está planejado.
Mais uma vez: não é pra entrar no mérito de debate político, estamos tratando sobre fatores que impactam nos números da instituição.
Considerando tudo isso, a pergunta que o investidor deve fazer para investir ou continuar investido nas ações é: “eu estarei com a cabeça tranquila no travesseiro com o risco do Estado destruir a empresa para arcar com populismo?” – simples assim.
Nós não gostamos. É um risco chato que provavelmente continuará nos próximos quatro anos a não ser que exista uma base muito sólida para evitar isso. Existe lei das estatais, existe um congresso mais opositor, mas a canetada é um risco difícil de precificar.
Os números do Banco do Brasil impressionam, a instituição goza de benefícios que nenhum outro banco tem, mas a nossa filosofia de investimento é bem simples: investir naquilo que te permite dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Em temos financeiros o Banco do Brasil passa no crivo de qualquer um, é a instituição com melhores números do país, mas faça uma análise minuciosa sobre o quão tolerável é seu perfil quando se trata de risco de governança.
É o melhor banco do país com o pior sócio possível – e você tem que ver o que pesa mais na sua análise. Espere mais recordes no 4T22.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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É isso. O Banco do Brasil se tornou uma instituição impressionante: uma máquina de imprimir dinheiro, pura eficiência e de números impecáveis. Nossa ressalva (e aqui daremos somente a nossa opinião, sempre lembrando) é pro risco de ingerência.
Sempre que comentamos desse risco político, alguns tendem a hostilizar por viés de confirmação e amor a própria posição, mas daremos nossos 2 cents aqui.
Nós analisamos o Banco do Brasil sobre três óticas diferentes: governo Lula, governo Dilma e governo Bolsonaro. No governo Lula, a gestão não foi destrutiva – como já dizemos diversas vezes ao analisar o período econômico do seu primeiro e segundo mandato, o Lula não tinha escolha a não ser agradar o mercado e foi o que fez com uma gestão unindo desenvolvimentismo e mercado. O Banco do Brasil desempenhou bem e teve melhora dos números. Durante o governo Dilma, o jogo mudou. Sem valorizar qualquer sinalização do mercado, o banco foi utilizado para fins desenvolvimentistas e os números deterioraram, o custo foi o crescimento. Sob gestão do governo Bolsonaro, a mudança da água pro vinho: o banco se inclinou completamente ao mercado e atingiu seu ápice de eficiência, como os próprios números mostram. Não houve qualquer relevância desenvolvimentista e aqui a intenção não é tratar sobre quão importante isso é ou deveria ser, mas somente ilustrar como os números do banco reagem sob cada tipo de gestão.
Como todos sabem, em 2023 quem estará na presidência é o Lula novamente. O que não se sabe ainda é se a sua gestão será algo razoável para agradar ao mercado conservando a saúde da instituição ou uma gestão mais inclinada a o que a Dilma fez. O que foi dito até o momento (e isso veio de sua própria boca e plano de governo) é que a intenção é utilizar os bancos públicos para subsidiar programas sociais entre outros planos que hoje não podem ser realizados via Banco Central devido a autonomia conquistada em 2020. Veja, estamos trabalhando somente com as cartas que temos – o que foi dito e o que está planejado.
Mais uma vez: não é pra entrar no mérito de debate político, estamos tratando sobre fatores que impactam nos números da instituição.
Considerando tudo isso, a pergunta que o investidor deve fazer para investir ou continuar investido nas ações é: “eu estarei com a cabeça tranquila no travesseiro com o risco do Estado destruir a empresa para arcar com populismo?” – simples assim.
Nós não gostamos. É um risco chato que provavelmente continuará nos próximos quatro anos a não ser que exista uma base muito sólida para evitar isso. Existe lei das estatais, existe um congresso mais opositor, mas a canetada é um risco difícil de precificar.
Os números do Banco do Brasil impressionam, a instituição goza de benefícios que nenhum outro banco tem, mas a nossa filosofia de investimento é bem simples: investir naquilo que te permite dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Em temos financeiros o Banco do Brasil passa no crivo de qualquer um, é a instituição com melhores números do país, mas faça uma análise minuciosa sobre o quão tolerável é seu perfil quando se trata de risco de governança.
É o melhor banco do país com o pior sócio possível – e você tem que ver o que pesa mais na sua análise. Espere mais recordes no 4T22.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3) – 3T/2022
Mais um banco com resultado excelente, e o Itaú pouco atrás do Banco do Brasil. Como já tratamos em outra análise, o Banco do Brasil em termos quantitativos é inegavelmente o melhor banco do país atualmente – mas uma análise não cabe só aos números. Com um terceiro trimestre forte, o Itaú mostrou uma gestão privada de altíssimo valor mais uma vez. Vamos aos números.
No 3T22 o Itaú entregou uma margem financeira de R$ 23.9 bilhões, um crescimento expressivo de 22,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O crescimento veio forte na linha com clientes, em 33%, graças ao crescimento da SELIC no período, sendo que a margem com o mercado caiu 20,6% pela mesma razão, algo pontual pela dinâmica de tomada de taxa.
A PDD do Itaú, diferente da PDD do Bradesco, não teve aumento expressivo, saindo de R$ 5.5 bilhões no 3T21 para R$ 8.2 bilhões no 3T22 e R$ 7.8 bilhões no 2T22. Aqui é importante pontuarmos um “porém”: nem sempre os bancos se alinham em crédito dado, a dinâmica muda e o ritmo de expansão é diferente. O Bradesco provisionou um percentual mais alto no 3T22, mas o mesmo pode ocorrer com o BB ou o Itaú em algum semestre próximo por conta do ciclo de crédito de cada companhia. Ademais, os números do Itaú vieram muito bons sob esse prisma, sem aumento expressivo de PDD, com índice de inadimplência subindo ligeiramente (de 2,6% para 2,8% comparando o 3T21 ao 3T22) e em linha com a média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, hoje quase 90% da carteira do banco é de crédito de rating de alta qualidade, o que reforça os números de PDD e inadimplência.
Na linha de receita de prestação de serviços, os números vieram mais fracos que o do BB, mas fortes em algumas linhas. O destaque vai para o segmento de cartões de crédito e débito, com crescimento de 21%, sendo a ponta negativa a receita de serviços de conta corrente, que caiu 4,5%. Algo que é importante destacar, é que os bancos no geral estão se movendo para mudar o cenário que o Pix causou. Grande parte da receita de serviços de conta corrente vem de taxas de transferência, linha que a gratuidade do Pix mais fere. Como estratégia, os bancos estão dando isenção de taxas em suas contas entre outros pontos e emitindo mais cartões com mais benefícios, visando fidelizar os clientes e atacando diretamente as fintechs, que tem menor capacidade de crédito e menor capacidade de dar benefícios aos correntistas – uma iniciativa recente do Itaú que ilustra isso é o Player’s Bank, ataque direto ao público mais jovem e justamente mais propenso ao uso do Nubank, um do seus principais concorrentes na área de cartões.
A carteira de crédito do banco segue crescendo, com expansão de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos R$ 962 bilhões para os R$ 1.1 trilhão. Essa linha serve para reflexão e para compreender quão grande o Itaú é no cenário de crédito nacional. Apesar desse crescimento ter sido bem distribuído entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o Itaú tem aumentado bastante sua penetração no mercado de crédito imobiliário e roubado parte do mercado da CEF, que é a disparada líder nesse segmento de crédito. Crédito no setor imobiliário significa crédito mais seguro.
O índice de eficiência do banco, indicador importante que mostra como a instituição está lidando com a mudança de cenário (principalmente num mundo onde a digitalização se torna cada vez mais forte) também merece menção. O IE do Itaú caiu de 44% para 41%, uma melhora de 3,0pp. Considerando somente suas operações brasileiras (maior parte) o IE está no mesmo patamar do Banco do Brasil, que como já mencionamos, tem sido a estrela nesse sentido, um IE de 39%. É a menor taxa histórica da instituição e ilustra como os grandes bancos estão se movimentando para ter despesas mais responsáveis – lembrando que IE, quanto menor, melhor, significando basicamente o quanto o banco utiliza da receita para arcar com despesas não financeiras.
Mais um banco com resultado excelente, e o Itaú pouco atrás do Banco do Brasil. Como já tratamos em outra análise, o Banco do Brasil em termos quantitativos é inegavelmente o melhor banco do país atualmente – mas uma análise não cabe só aos números. Com um terceiro trimestre forte, o Itaú mostrou uma gestão privada de altíssimo valor mais uma vez. Vamos aos números.
No 3T22 o Itaú entregou uma margem financeira de R$ 23.9 bilhões, um crescimento expressivo de 22,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O crescimento veio forte na linha com clientes, em 33%, graças ao crescimento da SELIC no período, sendo que a margem com o mercado caiu 20,6% pela mesma razão, algo pontual pela dinâmica de tomada de taxa.
A PDD do Itaú, diferente da PDD do Bradesco, não teve aumento expressivo, saindo de R$ 5.5 bilhões no 3T21 para R$ 8.2 bilhões no 3T22 e R$ 7.8 bilhões no 2T22. Aqui é importante pontuarmos um “porém”: nem sempre os bancos se alinham em crédito dado, a dinâmica muda e o ritmo de expansão é diferente. O Bradesco provisionou um percentual mais alto no 3T22, mas o mesmo pode ocorrer com o BB ou o Itaú em algum semestre próximo por conta do ciclo de crédito de cada companhia. Ademais, os números do Itaú vieram muito bons sob esse prisma, sem aumento expressivo de PDD, com índice de inadimplência subindo ligeiramente (de 2,6% para 2,8% comparando o 3T21 ao 3T22) e em linha com a média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, hoje quase 90% da carteira do banco é de crédito de rating de alta qualidade, o que reforça os números de PDD e inadimplência.
Na linha de receita de prestação de serviços, os números vieram mais fracos que o do BB, mas fortes em algumas linhas. O destaque vai para o segmento de cartões de crédito e débito, com crescimento de 21%, sendo a ponta negativa a receita de serviços de conta corrente, que caiu 4,5%. Algo que é importante destacar, é que os bancos no geral estão se movendo para mudar o cenário que o Pix causou. Grande parte da receita de serviços de conta corrente vem de taxas de transferência, linha que a gratuidade do Pix mais fere. Como estratégia, os bancos estão dando isenção de taxas em suas contas entre outros pontos e emitindo mais cartões com mais benefícios, visando fidelizar os clientes e atacando diretamente as fintechs, que tem menor capacidade de crédito e menor capacidade de dar benefícios aos correntistas – uma iniciativa recente do Itaú que ilustra isso é o Player’s Bank, ataque direto ao público mais jovem e justamente mais propenso ao uso do Nubank, um do seus principais concorrentes na área de cartões.
A carteira de crédito do banco segue crescendo, com expansão de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos R$ 962 bilhões para os R$ 1.1 trilhão. Essa linha serve para reflexão e para compreender quão grande o Itaú é no cenário de crédito nacional. Apesar desse crescimento ter sido bem distribuído entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o Itaú tem aumentado bastante sua penetração no mercado de crédito imobiliário e roubado parte do mercado da CEF, que é a disparada líder nesse segmento de crédito. Crédito no setor imobiliário significa crédito mais seguro.
O índice de eficiência do banco, indicador importante que mostra como a instituição está lidando com a mudança de cenário (principalmente num mundo onde a digitalização se torna cada vez mais forte) também merece menção. O IE do Itaú caiu de 44% para 41%, uma melhora de 3,0pp. Considerando somente suas operações brasileiras (maior parte) o IE está no mesmo patamar do Banco do Brasil, que como já mencionamos, tem sido a estrela nesse sentido, um IE de 39%. É a menor taxa histórica da instituição e ilustra como os grandes bancos estão se movimentando para ter despesas mais responsáveis – lembrando que IE, quanto menor, melhor, significando basicamente o quanto o banco utiliza da receita para arcar com despesas não financeiras.
Todos esses fatores levaram o Itaú a entregar um lucro de R$ 8.1 bilhão, representando uma alta de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
De forma geral, o resultado do Itaú veio bem forte, e reforçou aquilo que falamos ao analisar o Bradesco: o problema de inadimplência no país é estrutural, mas longe da preocupação que o Bradesco demonstrou com tanto dinheiro em PDD. Vale lembrar sobre o ciclo diferente de crédito de cada instituição, mas até o momento sem evidências de deterioração estrutural mais grave de forma geral. Vale também mencionar que o Itaú entregou um ROE de 21% e está retornando ao seu patamar de recorde histórico aos poucos, ou seja, eficiência e imprimindo dinheiro, praticamente.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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De forma geral, o resultado do Itaú veio bem forte, e reforçou aquilo que falamos ao analisar o Bradesco: o problema de inadimplência no país é estrutural, mas longe da preocupação que o Bradesco demonstrou com tanto dinheiro em PDD. Vale lembrar sobre o ciclo diferente de crédito de cada instituição, mas até o momento sem evidências de deterioração estrutural mais grave de forma geral. Vale também mencionar que o Itaú entregou um ROE de 21% e está retornando ao seu patamar de recorde histórico aos poucos, ou seja, eficiência e imprimindo dinheiro, praticamente.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Magazine Luiza ($MGLU3) – 3T/2022
Alguns pontos de melhora, mas cenário ainda desafiador, com um financeiro pior e trimestres repletos de obstáculos a frente. Analisar o resultado da Magazine Luíza é uma verdadeira lição: em tempo recorde a companhia foi de uma das mais queridas do mercado para uma varejista com problema de endividamento. Apesar do trimestre ter apresentado alguns pontos de melhora em algumas margens, o cenário ainda é bem difícil. Vamos aos números.
No 3T22 a Magalu entregou um GMV total de R$ 14.1 bilhões, com um tímido crescimento de 2,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento de GMV foi potencializado principalmente pela aquisição da Kabum, visto que sem isso a companhia entregaria um GMV menor do que o registrado no trimestre passado. Esse GMV aprensetou uma receita de R$ 8.8 bilhões, representando também um crescimento tímido de 2,3% comparado ao 3T21. Apesar do crescimento tímido de GMV e receita, a companhia teve uma melhora expressiva na sua margem bruta, de 24% para 28% comparando o 3T21 ao 3T22. Essa melhora é explicada principalmente pela linha de receita de serviços principalmente ao marketplace, que possui margens mais altas e tem se mostrado uma vantagem da companhia. Vale destacar também que as vendas nas lojas físicas foram bem ruins, com aumento mínimo de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado mesmo com 17 novas lojas inauguradas entre o 3T21 e o 3T22.
O principal ao analisar a Magalu (não reduzindo a importância do seu operacional, obviamente) é o seu financeiro. Começando pela Luizacred, sua linha própria de crédito, a companhia vem enfrentando um aumento forte de inadimplência: no 3T21 a inadimplência era de 7%, sendo que no 3T22 a inadimplência se aproximou de 13% e vem subindo trimestre a trimestre, ilustrando como é complexo dar crédito nessa área do varejo e como os grandes bancos tem vantagem ao conseguir fazer uma análise de crédito mais apurada nesse sentido.
Além do Luizacred, é necessário falar sobre o resultado financeiro consolidado da companhia. Como já falamos diversas vezes, o que mais tem prejudicado a Magalu, não é necessariamente o cenário mais desafiador em termos de consumo em relação ao orçamento das famílias, mas seu financeiro, ou seja, seu endividamento.
No 3T22 a Magalu teve um resultado financeiro de um prejuízo na ordem de R$ 556 milhões, um prejuízo 220% maior do que o registrado no 3T21. Somente o gasto com dívidas passou a representar 6,3% da receita líquida da companhia, enquanto no 3T21 esse número era de apenas 2,0%. Esse crescimento de despesa com dívida é resultante, obviamente, da SELIC, que atingiu 13,75% ao ano e tem drenado todo o dinheiro da companhia. Como já falamos em outras análises, é assim que a SELIC trabalha freando a economia, principalmente: todo o dinheiro que a companhia poderia empreender investindo, expandindo e afins está sendo agora empreendido para pagar dívida. O mesmo se aplica a absolutamente qualquer agente econômico.
Todos esses fatores levaram a Magalu a entregar um prejuízo de R$ 167 milhões, contra um lucro de R$ 144 milhões no 3T21.
Alguns pontos de melhora, mas cenário ainda desafiador, com um financeiro pior e trimestres repletos de obstáculos a frente. Analisar o resultado da Magazine Luíza é uma verdadeira lição: em tempo recorde a companhia foi de uma das mais queridas do mercado para uma varejista com problema de endividamento. Apesar do trimestre ter apresentado alguns pontos de melhora em algumas margens, o cenário ainda é bem difícil. Vamos aos números.
No 3T22 a Magalu entregou um GMV total de R$ 14.1 bilhões, com um tímido crescimento de 2,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento de GMV foi potencializado principalmente pela aquisição da Kabum, visto que sem isso a companhia entregaria um GMV menor do que o registrado no trimestre passado. Esse GMV aprensetou uma receita de R$ 8.8 bilhões, representando também um crescimento tímido de 2,3% comparado ao 3T21. Apesar do crescimento tímido de GMV e receita, a companhia teve uma melhora expressiva na sua margem bruta, de 24% para 28% comparando o 3T21 ao 3T22. Essa melhora é explicada principalmente pela linha de receita de serviços principalmente ao marketplace, que possui margens mais altas e tem se mostrado uma vantagem da companhia. Vale destacar também que as vendas nas lojas físicas foram bem ruins, com aumento mínimo de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado mesmo com 17 novas lojas inauguradas entre o 3T21 e o 3T22.
O principal ao analisar a Magalu (não reduzindo a importância do seu operacional, obviamente) é o seu financeiro. Começando pela Luizacred, sua linha própria de crédito, a companhia vem enfrentando um aumento forte de inadimplência: no 3T21 a inadimplência era de 7%, sendo que no 3T22 a inadimplência se aproximou de 13% e vem subindo trimestre a trimestre, ilustrando como é complexo dar crédito nessa área do varejo e como os grandes bancos tem vantagem ao conseguir fazer uma análise de crédito mais apurada nesse sentido.
Além do Luizacred, é necessário falar sobre o resultado financeiro consolidado da companhia. Como já falamos diversas vezes, o que mais tem prejudicado a Magalu, não é necessariamente o cenário mais desafiador em termos de consumo em relação ao orçamento das famílias, mas seu financeiro, ou seja, seu endividamento.
No 3T22 a Magalu teve um resultado financeiro de um prejuízo na ordem de R$ 556 milhões, um prejuízo 220% maior do que o registrado no 3T21. Somente o gasto com dívidas passou a representar 6,3% da receita líquida da companhia, enquanto no 3T21 esse número era de apenas 2,0%. Esse crescimento de despesa com dívida é resultante, obviamente, da SELIC, que atingiu 13,75% ao ano e tem drenado todo o dinheiro da companhia. Como já falamos em outras análises, é assim que a SELIC trabalha freando a economia, principalmente: todo o dinheiro que a companhia poderia empreender investindo, expandindo e afins está sendo agora empreendido para pagar dívida. O mesmo se aplica a absolutamente qualquer agente econômico.
Todos esses fatores levaram a Magalu a entregar um prejuízo de R$ 167 milhões, contra um lucro de R$ 144 milhões no 3T21.
Nossa opinião sobre a companhia é bem simples: a Magalu ilustra o quão complexo é o setor de varejo. Em questão de um ano a empresa que era a mais querida do mercado foi completamente destruída pela SELIC. Simplesmente. A SELIC ataca a Magalu nas duas pontas: na linha de receita, as pessoas tendem a consumir menos por conta do juro mais alto, ou seja, ela ganha menos dinheiro quando a SELIC está muito alta. Na linha do financeiro, a dívida da companhia fica ainda mais cara e drena todo o dinheiro que ela consegue gerar pelo operacional, ou seja, uma só elevação dos juros consegue impactar de duas formas diferentes a companhia. O cenário futuro também é complexo: não sabemos ainda se o próximo governo adotará maior responsabilidade sobre o fiscal ou será mais expansionista e jogará dinheiro na economia. Caso continue a ser responsável fiscalmente, a SELIC tende a abaixar mais rápido e a Magalu terá seu financeiro resolvido mais rápido. Caso adote uma política expansionista, a Magalu tende a se beneficiar na linha de receita (afinal, com o governo jogando mais dinheiro na economia, muito desse dinheiro vai para o consumo do varejo), mas ao mesmo tempo o Banco Central pode aumentar ainda mais a SELIC (ou pelo menos realizar a manutenção) fazendo com que ela continue sendo punida pelo seu financeiro.
É isso que o mercado enxerga, é isso que tem feito as ações sofrerem tanto. Não há segredo: varejo anda de mãos dadas com a SELIC, e no caso de um varejo alavancado como é o caso da Magalu, a SELIC machuca ainda mais, em dobro, praticamente.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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É isso que o mercado enxerga, é isso que tem feito as ações sofrerem tanto. Não há segredo: varejo anda de mãos dadas com a SELIC, e no caso de um varejo alavancado como é o caso da Magalu, a SELIC machuca ainda mais, em dobro, praticamente.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 3T/2022
Em mais um trimestre registrado, a M. Dias Branco registrou um bom resultado e mostrou que a corrida pela recuperação das margens ainda está acontecendo e ela está se esforçando por isso. Quem acompanha a companhia trimestralmente, sabe que desde o começo da pandemia a companhia vem sofrendo essa pressão por conta do aumento dos insumos, sendo que no 1T22 caiu um verdadeiro meteoro no segmento, causando altas nunca registradas no preço do trigo por conta do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, dois países de suma importância no cenário de trigo. No 3T22 a companhia mostrou excelente gestão e a busca pelas margens segue. Vamos aos números.
No 3T22 a M. Dias Branco entregou uma receita líquida de R$ 3 bilhões, atingindo um recorde histórico, mais uma vez, e representando um crescimento de 37% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento de receita foi potencializado por diversos fatores: o volume de vendas de biscoitos cresceu 6,7%, o volume de vendas de massas cresceu 3,1% e o volume de vendas de farinha e farelo cresceu 6,6% (lembrando que aqui se refere a toneladas vendidas). Além disso, o preço médio de venda de biscoitos subiu 30%, o preço médio de venda de massas subiu 28% e o preço média de venda de farinha e farelo subiu 29%. No consolidado, a companhia entregou um crescimento de volume de 6% vendido e um crescimento de preço médio de 29%. Esses números são extremamente importantes: a M. Dias Branco está conseguindo repassar inflação (aumento de preço médio) e aumentar os volumes de venda, ponto de extrema importância de análise e o que evidencia a capacidade da companhia de se manter competitiva.
Na linha de market share, houve queda de participação no mercado de biscoitos (de 31,2% para 29,9% entre o 3T21 e o 3T22), aumento no mercado de massas (de 29,5% para 30,1%) e aumento no mercado de farinha e farelo (de 6,0% para 10,0%). Vale lembrar que o market share em momentos de pressão inflacionária (como o que estamos vivendo atualmente) tende a maior volatilidade: as companhias aumentam o preço de seus produtos em ritmo diferente, e essa dinâmica (de uma companhia aumentando o preço antes e outra depois) faz com que as preferências do consumidor mudem no curto prazo. Muitos produtos são escolhidos unicamente pelo preço, logo a companhia que demora mais para repassar os custos e elevar o preço do produto, ganha mercado. A questão é: uma hora ou outra esse preço tem que ser repassado, e no momento que é, a marca mais forte passa a desempenhar seu papel. Ainda assim, com as altas cavalares de preço da M. Dias Branco (preço médio subiu de R$ 4,9 para R$ 6,2 entre o 3T21 e o 3T22) a participação segue praticamente inalterada.
Outro ponto importante que demonstra a força da marca é a capacidade produtiva da companhia: entre o 3T21 e o 3T22 a M. Dias Branco elevou o nível de utilização de capacidade de 67,3% para 65,8%, o que demonstra absorção de mercado. Entre o 2T22 e o 3T22 o aumento foi ainda maior, de 61,5% para 67,3%. Vale destacar que o volume vendido é o maior desde o 4T20, em 482 mil toneladas – lembrando que o 2T20 e 3T20 houve forte evento de não recorrente por conta do fechamento da economia no período, elevando o consumo sobre os produtos da M. Dias Branco, visto que ir comer em restaurantes não era possível.
Em mais um trimestre registrado, a M. Dias Branco registrou um bom resultado e mostrou que a corrida pela recuperação das margens ainda está acontecendo e ela está se esforçando por isso. Quem acompanha a companhia trimestralmente, sabe que desde o começo da pandemia a companhia vem sofrendo essa pressão por conta do aumento dos insumos, sendo que no 1T22 caiu um verdadeiro meteoro no segmento, causando altas nunca registradas no preço do trigo por conta do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, dois países de suma importância no cenário de trigo. No 3T22 a companhia mostrou excelente gestão e a busca pelas margens segue. Vamos aos números.
No 3T22 a M. Dias Branco entregou uma receita líquida de R$ 3 bilhões, atingindo um recorde histórico, mais uma vez, e representando um crescimento de 37% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento de receita foi potencializado por diversos fatores: o volume de vendas de biscoitos cresceu 6,7%, o volume de vendas de massas cresceu 3,1% e o volume de vendas de farinha e farelo cresceu 6,6% (lembrando que aqui se refere a toneladas vendidas). Além disso, o preço médio de venda de biscoitos subiu 30%, o preço médio de venda de massas subiu 28% e o preço média de venda de farinha e farelo subiu 29%. No consolidado, a companhia entregou um crescimento de volume de 6% vendido e um crescimento de preço médio de 29%. Esses números são extremamente importantes: a M. Dias Branco está conseguindo repassar inflação (aumento de preço médio) e aumentar os volumes de venda, ponto de extrema importância de análise e o que evidencia a capacidade da companhia de se manter competitiva.
Na linha de market share, houve queda de participação no mercado de biscoitos (de 31,2% para 29,9% entre o 3T21 e o 3T22), aumento no mercado de massas (de 29,5% para 30,1%) e aumento no mercado de farinha e farelo (de 6,0% para 10,0%). Vale lembrar que o market share em momentos de pressão inflacionária (como o que estamos vivendo atualmente) tende a maior volatilidade: as companhias aumentam o preço de seus produtos em ritmo diferente, e essa dinâmica (de uma companhia aumentando o preço antes e outra depois) faz com que as preferências do consumidor mudem no curto prazo. Muitos produtos são escolhidos unicamente pelo preço, logo a companhia que demora mais para repassar os custos e elevar o preço do produto, ganha mercado. A questão é: uma hora ou outra esse preço tem que ser repassado, e no momento que é, a marca mais forte passa a desempenhar seu papel. Ainda assim, com as altas cavalares de preço da M. Dias Branco (preço médio subiu de R$ 4,9 para R$ 6,2 entre o 3T21 e o 3T22) a participação segue praticamente inalterada.
Outro ponto importante que demonstra a força da marca é a capacidade produtiva da companhia: entre o 3T21 e o 3T22 a M. Dias Branco elevou o nível de utilização de capacidade de 67,3% para 65,8%, o que demonstra absorção de mercado. Entre o 2T22 e o 3T22 o aumento foi ainda maior, de 61,5% para 67,3%. Vale destacar que o volume vendido é o maior desde o 4T20, em 482 mil toneladas – lembrando que o 2T20 e 3T20 houve forte evento de não recorrente por conta do fechamento da economia no período, elevando o consumo sobre os produtos da M. Dias Branco, visto que ir comer em restaurantes não era possível.
A linha de custo: outro ponto de atenção para o investidor, linha extremamente problemática desde o 1T22. Ilustrando o que citamos sobre o problema da guerra na Europa, analisando os números da M. Dias Branco fica claro. Entre o 3T21 e o 3T22 o gasto com CPV (custo dos produtos vendidos) subiu de 74% para 78%, impulsionado principalmente pelo preço do trigo, que subiu 55% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e representa a maior parte do CPV. Os últimos meses tem sidos positivo nesse sentido, com o preço do trigo e do óleo da palma caindo no mercado global, mas vale lembrar que a M. Dias Branco tem um estoque adquirido ao preço passado, o que causa maior delay para essa queda aparecer nos balanços até que haja renovação. Sobre a linha de despesas operacionais, sem muito a tratar: a companhia mostra a boa gestão com as despesas caindo de 22% da receita líquida para 20% da receita líquida, sendo uma linha onde a companhia tem total controle e tem realizado o trabalho responsável de contenção de aumento de custos.
Em linhas finais, a M. Dias Branco entregou um EBITDA de R$ 333 milhões, representando um crescimento de 16,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e um lucro líquido de R$ 195 milhões, uma queda de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
O caso da M. Dias Branco vai ser bem simples: um vai e volta de margens até que o mercado se acalme. É bem provável que no 4T22 venha uma melhora forte de margens com mais números recordes (talvez até mesmo lucro), pois o mercado deu uma acalmada nos últimos meses e o trigo foi para baixo (lembrando que existe um tempo de repasse de preço pra companhia por conta dos estoques). A M. Dias Branco está fazendo o que pode quando se trata de repassar custos e está fazendo muito bem – mesmo com toda a turbulência, os números seguem subindo, mas como falamos todo trimestre desde que começamos a comentar sobre o resultado da empresa aqui, não espere que ela entregue margens cada vez maiores estando no olho do furacão como está agora. Essa pressão está ocorrendo e ela trabalha como é possível. Além do repasse de preço ter sido um sucesso mostrando alinhamento com aumento de crescimento de volumes, algumas aquisições (como a Jasmine e a Las Acacias nesse trimestre) reforçam ainda mais o crescimento da companhia. Achamos o resultado muito bom e o market share surpreendeu, que mesmo com esse aumento de preços, não tem sofrido muito.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Em linhas finais, a M. Dias Branco entregou um EBITDA de R$ 333 milhões, representando um crescimento de 16,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e um lucro líquido de R$ 195 milhões, uma queda de 1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
O caso da M. Dias Branco vai ser bem simples: um vai e volta de margens até que o mercado se acalme. É bem provável que no 4T22 venha uma melhora forte de margens com mais números recordes (talvez até mesmo lucro), pois o mercado deu uma acalmada nos últimos meses e o trigo foi para baixo (lembrando que existe um tempo de repasse de preço pra companhia por conta dos estoques). A M. Dias Branco está fazendo o que pode quando se trata de repassar custos e está fazendo muito bem – mesmo com toda a turbulência, os números seguem subindo, mas como falamos todo trimestre desde que começamos a comentar sobre o resultado da empresa aqui, não espere que ela entregue margens cada vez maiores estando no olho do furacão como está agora. Essa pressão está ocorrendo e ela trabalha como é possível. Além do repasse de preço ter sido um sucesso mostrando alinhamento com aumento de crescimento de volumes, algumas aquisições (como a Jasmine e a Las Acacias nesse trimestre) reforçam ainda mais o crescimento da companhia. Achamos o resultado muito bom e o market share surpreendeu, que mesmo com esse aumento de preços, não tem sofrido muito.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Quem deu uma analisada em alguns resultados do 3T22, deve ter percebido como algumas companhias sofreram uma verdadeira porrada na linha final de lucro mesmo com crescimento expressivo de receita. As vezes esse efeito é explicado pela inflação, que tem de fato machucado as companhias nos últimos meses, mas para algumas, não foi o caso, na verdade, a maior razão disso tem sido a SELIC. Sim, a SELIC.
Com a SELIC sendo elevada ao atual patamar de 13,75%, as empresas que possuem maior endividamento tem sofrido forte, afinal, com uma taxa de juros nesse patamar, algumas companhias tem o custo da dívida de quase 15% ao ano – ou seja, só de pagamento de juros vai uma verdadeira fortuna minando todo o resultado final da companhia. Peguemos a Ambipar como exemplo para o que falaremos aqui agora.
No 3T22 a Ambipar teve uma receita líquida de R$ 980 milhões, ou seja, com a venda de seus produtos e serviços, a companhia faturou essa quantia. Deduzindo os custos de produto vendido e demais despesas na ordem de R$ 707 milhões, a companhia chegou a um EBITDA de R$ 273 milhões.
Esse EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization) expressa a capacidade operacional da companhia, com as suas operações é isso que ela gerou (diga-se de passagem que o crescimento de EBITDA da companhia foi bem forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado) de resultado. Vem então a próxima linha, de depreciação e amortização: deduzindo esses pontos na ordem de R$ 73 milhões, a companhia chegou a um EBIT (Earnings Before Interest and Taxes) de R$ 200 milhões. E agora chegamos a linha que tem sido problemática para a maior parte das companhias de crescimento.
Desses R$ 200 milhões remanescentes, há a dedução do resultado financeiro (receita financeira – despesa financeira) que nada mais é do quanto a companhia ganhou ou perdeu com dívidas ou aplicações financeiras, seguido da dedução de impostos. Perceba como a linha de resultado financeiro foi responsável por drenar 80% de todo o EBIT gerado pela Ambipar. Basicamente todo o fluxo de geração de lucro que a companhia entregaria, foi utilizado para pagar suas dívidas.
Mais uma vez, isso ocorre por conta da altíssima SELIC que estamos atravessando. Esse é o efeito da SELIC em retardar a economia. Endividamento se torna mais caro, drena toda a capacidade financeira da companhia, desestimula investimento, desestimula consumo e assim em diante.
Isso não é algo isolado ocorrendo somente com a Ambipar. Absolutamente qualquer companhia mais alavancada está passando por esse momento. Normalmente, empresas de crescimento são as que se alavancam, e normalmente, small caps são as empresas de crescimento, e é por isso que você viu boa parte das small caps derreterem. Percebe a fragilidade do momento?
Aí que entra o trabalho de análise do investidor. As perguntas devem ser levantadas para a análise ter maior acurácia: pra quanto será que vai a SELIC? O cenário de juros pode piorar muito? A empresa que eu quero investir consegue sobreviver com essa alavancagem? Essa alavancagem tem gerado um retorno adequado? Quando a SELIC cair haverá melhora das linhas finais?
Tem muita companhia que quando a SELIC cair para 6% ou algo próximo (como é o caso da própria Ambipar) verá o lucro mais do que dobrando por conta da menor necessidade de direcionamento de dinheiro para pagar juros e dívida. Será papo de explosão de lucro comparando trimestre a trimestre e mais caixa livre.
A Ambipar foi utilizada aqui somente a título de exemplo e não se trata de recomendação, sempre valendo ressaltar para ninguém confundir o intuito do texto.
Se você investe em alguma companhia mais alavancada, não se esqueça de levantar as questões ali citadas. É isso que importa. Em algum momento a SELIC vai cair, e esse prejuízo financeiro, também, basta que a companhia tenha capacidade de atravessar esse período e sair viva sem qualquer problema em sua estrutura.
Com a SELIC sendo elevada ao atual patamar de 13,75%, as empresas que possuem maior endividamento tem sofrido forte, afinal, com uma taxa de juros nesse patamar, algumas companhias tem o custo da dívida de quase 15% ao ano – ou seja, só de pagamento de juros vai uma verdadeira fortuna minando todo o resultado final da companhia. Peguemos a Ambipar como exemplo para o que falaremos aqui agora.
No 3T22 a Ambipar teve uma receita líquida de R$ 980 milhões, ou seja, com a venda de seus produtos e serviços, a companhia faturou essa quantia. Deduzindo os custos de produto vendido e demais despesas na ordem de R$ 707 milhões, a companhia chegou a um EBITDA de R$ 273 milhões.
Esse EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization) expressa a capacidade operacional da companhia, com as suas operações é isso que ela gerou (diga-se de passagem que o crescimento de EBITDA da companhia foi bem forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado) de resultado. Vem então a próxima linha, de depreciação e amortização: deduzindo esses pontos na ordem de R$ 73 milhões, a companhia chegou a um EBIT (Earnings Before Interest and Taxes) de R$ 200 milhões. E agora chegamos a linha que tem sido problemática para a maior parte das companhias de crescimento.
Desses R$ 200 milhões remanescentes, há a dedução do resultado financeiro (receita financeira – despesa financeira) que nada mais é do quanto a companhia ganhou ou perdeu com dívidas ou aplicações financeiras, seguido da dedução de impostos. Perceba como a linha de resultado financeiro foi responsável por drenar 80% de todo o EBIT gerado pela Ambipar. Basicamente todo o fluxo de geração de lucro que a companhia entregaria, foi utilizado para pagar suas dívidas.
Mais uma vez, isso ocorre por conta da altíssima SELIC que estamos atravessando. Esse é o efeito da SELIC em retardar a economia. Endividamento se torna mais caro, drena toda a capacidade financeira da companhia, desestimula investimento, desestimula consumo e assim em diante.
Isso não é algo isolado ocorrendo somente com a Ambipar. Absolutamente qualquer companhia mais alavancada está passando por esse momento. Normalmente, empresas de crescimento são as que se alavancam, e normalmente, small caps são as empresas de crescimento, e é por isso que você viu boa parte das small caps derreterem. Percebe a fragilidade do momento?
Aí que entra o trabalho de análise do investidor. As perguntas devem ser levantadas para a análise ter maior acurácia: pra quanto será que vai a SELIC? O cenário de juros pode piorar muito? A empresa que eu quero investir consegue sobreviver com essa alavancagem? Essa alavancagem tem gerado um retorno adequado? Quando a SELIC cair haverá melhora das linhas finais?
Tem muita companhia que quando a SELIC cair para 6% ou algo próximo (como é o caso da própria Ambipar) verá o lucro mais do que dobrando por conta da menor necessidade de direcionamento de dinheiro para pagar juros e dívida. Será papo de explosão de lucro comparando trimestre a trimestre e mais caixa livre.
A Ambipar foi utilizada aqui somente a título de exemplo e não se trata de recomendação, sempre valendo ressaltar para ninguém confundir o intuito do texto.
Se você investe em alguma companhia mais alavancada, não se esqueça de levantar as questões ali citadas. É isso que importa. Em algum momento a SELIC vai cair, e esse prejuízo financeiro, também, basta que a companhia tenha capacidade de atravessar esse período e sair viva sem qualquer problema em sua estrutura.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – B3 ($B3SA3) – 3T/2022
Uma análise de resultados da B3 não tem segredos. A empresa é monopolista no Brasil, tem margens obscenas e praticamente imprime dinheiro por ser o único canal possível no mercado de capitais nacional. Invariavelmente, sendo um monopólio, não há pressão de concorrência, não há pressão inflacionária nem qualquer outro fator que acaba minando os resultados de uma companhia que atua num mercado de concorrência no curto prazo. A leitura do seu resultado será breve, mas não espere surpresas. Vamos aos números
No 3T22 a B3 entregou uma receita líquida de R$ 2.2 bilhões, sem crescimento comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi R$ 2.2 bilhões. Se desconsiderar a aquisição da Neoway, a B3 teve uma retração de receita de 2%. A queda na receita preocupa os investidores novatos, mas é completamente esperada. Explicamos.
O volume de ações negociadas na bolsa caiu 17%, de R$ 31.5 bilhões por dia no 3T21 para R$ 26.1 bilhões por dia no 3T22. Essa queda é explicada por um único fator: taxa SELIC. Com a SELIC em 13,75%, há bem menos incentivos para investir na bolsa de valores, há bem menos incentivos para especular e bem menos incentivos para exercer uma série de operações que beneficiam a receita da B3, que é o único mercado do país. Além disso, houve queda de todas as linhas de operações de juros, moedas e mercadorias com uma contração de 1,9%. O positivo nisso tudo foi o aumento de volume na prateleira de renda fixa, com um crescimento de emissões de 17%, um crescimento de estoque de quase 35% e um crescimento de investidores no Tesouro Direto de 27%, ultrapassando os 2 milhões. A quantidade de investidores PF na renda variável também cresceu bem, atingindo os 4.5 milhões de CPF únicos representando um crescimento de 37% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
As demais linhas não citaremos por estarem dentro da normalidade, sendo que o lucro líqudio da B3 foi de R$ 1 bilhão, representando uma queda de 12,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Em suma, o resultado veio em linha com o esperado, sem surpresas, sem crescimento forte e refletindo o cenário econômico mais apertado com a elevação da SELIC, diminuindo o estímulo de negociação no mercado de capitais e aumento o fluxo de capital para a renda fixa. Além disso, a B3 também reflete muito as expectativas sobre a economia nos próximos três anos. Novembro, por exemplo, foi um mês caótico para as ações. Até o momento em que escrevemos esse texto, as ações já registram uma queda de quase 27% desde o começo do mês e refletem completamente o cenário de maior incerteza fiscal que o país passa, com o mercado esperando que a SELIC se mantenha elevada por mais tempo e consequentemente a B3 siga com resultados mais mornos por mais tempo.
O resultado da companhia está completamente atrelado a isso: não em vão ela explodiu entre 2019 e 2021, seguindo o crescimento forte de novos investidores da bolsa de valores e aumento de volume de negociação no mercado, em linha com a SELIC baixíssima da época que estimulou os investidores a tomarem mais risco e entrarem na bolsa. Não espere melhoria enquanto a SELIC não cair, a B3 é uma empresa cíclica, de certa forma, e enquanto a SELIC estiver nesse patamar, seu crescimento será completamente limitado por fator macroeconômico. Isso não significa que a empresa esteja indo mal ou que a queda de receita seja algo completamente negativo – é questão de conjuntura apenas.
A companhia segue sendo o monopólio que sempre foi e esses resultados mais “fracos” não são nem de longe motivo de preocupação.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
Uma análise de resultados da B3 não tem segredos. A empresa é monopolista no Brasil, tem margens obscenas e praticamente imprime dinheiro por ser o único canal possível no mercado de capitais nacional. Invariavelmente, sendo um monopólio, não há pressão de concorrência, não há pressão inflacionária nem qualquer outro fator que acaba minando os resultados de uma companhia que atua num mercado de concorrência no curto prazo. A leitura do seu resultado será breve, mas não espere surpresas. Vamos aos números
No 3T22 a B3 entregou uma receita líquida de R$ 2.2 bilhões, sem crescimento comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando foi R$ 2.2 bilhões. Se desconsiderar a aquisição da Neoway, a B3 teve uma retração de receita de 2%. A queda na receita preocupa os investidores novatos, mas é completamente esperada. Explicamos.
O volume de ações negociadas na bolsa caiu 17%, de R$ 31.5 bilhões por dia no 3T21 para R$ 26.1 bilhões por dia no 3T22. Essa queda é explicada por um único fator: taxa SELIC. Com a SELIC em 13,75%, há bem menos incentivos para investir na bolsa de valores, há bem menos incentivos para especular e bem menos incentivos para exercer uma série de operações que beneficiam a receita da B3, que é o único mercado do país. Além disso, houve queda de todas as linhas de operações de juros, moedas e mercadorias com uma contração de 1,9%. O positivo nisso tudo foi o aumento de volume na prateleira de renda fixa, com um crescimento de emissões de 17%, um crescimento de estoque de quase 35% e um crescimento de investidores no Tesouro Direto de 27%, ultrapassando os 2 milhões. A quantidade de investidores PF na renda variável também cresceu bem, atingindo os 4.5 milhões de CPF únicos representando um crescimento de 37% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
As demais linhas não citaremos por estarem dentro da normalidade, sendo que o lucro líqudio da B3 foi de R$ 1 bilhão, representando uma queda de 12,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Em suma, o resultado veio em linha com o esperado, sem surpresas, sem crescimento forte e refletindo o cenário econômico mais apertado com a elevação da SELIC, diminuindo o estímulo de negociação no mercado de capitais e aumento o fluxo de capital para a renda fixa. Além disso, a B3 também reflete muito as expectativas sobre a economia nos próximos três anos. Novembro, por exemplo, foi um mês caótico para as ações. Até o momento em que escrevemos esse texto, as ações já registram uma queda de quase 27% desde o começo do mês e refletem completamente o cenário de maior incerteza fiscal que o país passa, com o mercado esperando que a SELIC se mantenha elevada por mais tempo e consequentemente a B3 siga com resultados mais mornos por mais tempo.
O resultado da companhia está completamente atrelado a isso: não em vão ela explodiu entre 2019 e 2021, seguindo o crescimento forte de novos investidores da bolsa de valores e aumento de volume de negociação no mercado, em linha com a SELIC baixíssima da época que estimulou os investidores a tomarem mais risco e entrarem na bolsa. Não espere melhoria enquanto a SELIC não cair, a B3 é uma empresa cíclica, de certa forma, e enquanto a SELIC estiver nesse patamar, seu crescimento será completamente limitado por fator macroeconômico. Isso não significa que a empresa esteja indo mal ou que a queda de receita seja algo completamente negativo – é questão de conjuntura apenas.
A companhia segue sendo o monopólio que sempre foi e esses resultados mais “fracos” não são nem de longe motivo de preocupação.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.