Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3) – 3T/2022
Mais um trimestre sólido, mas ofuscado pela pressão inflacionária. Quem já investe na Sanepar, sabe muito bem como ela funciona: uma companhia conservadora, que trimestre a trimestre da pequenos passos, sem muito para onde crescer, entregando o crescimento já contratado de seus ligamentos e reajuste tarifário. No terceiro trimestre de 2022 isso seguiu, mas a inflação ainda machucou algumas linhas e o crescimento de lucro foi tímido. Vamos aos números.
No 3T22 a Sanepar seguiu com sua expansão já lenta mas promovida, com 67 mil novas ligações de águas comparado ao 3T21 (+2,0% atingindo 3.4 milhões) e 64 mil novas ligações de esgoto (+2,7% atingindo 2.4 milhões). Na linha de volume faturado de água, isso é, o consumo de água, houve aumento de 3,2% atingindo 132 milhões de metros cúbicos, enquanto no volume faturado de esgoto houve um crescimento mais expressivo, de 4,9%, ultrapassando a marca de 100 milhões de metros cúbicos, atingindo os 102 milhões, mais precisamente.
É importante destacar o volume dos reservatórios. Para refrescar a memória, em 2021 durante um longo tempo (mais de um ano, considerando também 2020) o estado do Paraná passou por forte racionamento de água por conta dos níveis dos reservatórios, e isso acabou gerando certas distorções nos números da Sanepar, inclusive melhorando alguns números de consumo em relação a perda e afins. Hoje a Sanepar está com 96% de seus reservatórios lotados, e para se ter ideia, no mesmo trimestre do ano passado esse número estava em 49% e chegou a quase 40% em determinado momento – um ponto crítico. Graças a volta das chuvas, esse risco de racionamento não existe para a companhia por agora.
Com todos os fatores qualitativos já destacados, falemos sobre a receita operacional. No 3T22 a Sanepar entregou um crescimento de receita de 8,4% atingindo os R$ 1.4 bilhão, recorde histórico da companhia. A receita de água cresceu 9,6% (representando R$ 950 milhões) e a receita de esgoto cresceu 7,6% (representando 547 milhões). O crescimento da receita foi em virtude de três fatores principais: (I) reajuste tarifário de 5%, (II) crescimento de volume faturado e (III) aumento do número de ligações – isso para ambas as linhas de serviço (água e esgoto).
Na linha de despesas e custos, o vilão da Sanepar que tem feito com que o crescimento de lucro seja tão tímido. Quatro linhas principais importam e serão mencionadas: (I) a linha de pessoal, com um crescimento de 22% por conta de reajustes salariais e acordos trabalhistas, (II) a linha de materiais com crescimento de 44% por conta de materiais utilizados no tratamento de esgoto entre outros produtos que sofreram forte inflação, (III) a linha de provisões para contingências, com um crescimento de 384% em virtude de valor provisionado para ações trabalhistas, e (IV) na ponta positiva a linha de energia elétrica, que registrou queda de 26,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado em virtude do corte de ICMS no preço da energia (de 29% para 18%). Tudo isso fez com que a Sanepar aumentasse suas despesas e custos em 16,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 967 milhões. Inflação machucando as margens.
Na linha do resultado financeiro, uma surpresa positiva. Com a alta de SELIC, a empresa tendia a ser mais atingida e ter mais gastos com juros, mas graças ao crescimento de sua receita financeira na ordem de 203% (de R$ 25 milhões para R$ 70 milhões) a companhia conseguiu mitigar o gasto com juros no período (que subiu 35% de R$ 93 milhões para R$ 126 milhões) fazendo com que o resultado financeiro consolidado tivesse uma queda de prejuízo de 39%, caindo de um prejuízo de R$ 93 milhões para um prejuízo de R$ 57 milhões. Não é algo expressivo, mas uma ótima notícia, visto que sem esse ganho financeiro o resultado poderia ser bem pior e fazer com que a Sanepar até mesmo entregasse queda no lucro comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Mais um trimestre sólido, mas ofuscado pela pressão inflacionária. Quem já investe na Sanepar, sabe muito bem como ela funciona: uma companhia conservadora, que trimestre a trimestre da pequenos passos, sem muito para onde crescer, entregando o crescimento já contratado de seus ligamentos e reajuste tarifário. No terceiro trimestre de 2022 isso seguiu, mas a inflação ainda machucou algumas linhas e o crescimento de lucro foi tímido. Vamos aos números.
No 3T22 a Sanepar seguiu com sua expansão já lenta mas promovida, com 67 mil novas ligações de águas comparado ao 3T21 (+2,0% atingindo 3.4 milhões) e 64 mil novas ligações de esgoto (+2,7% atingindo 2.4 milhões). Na linha de volume faturado de água, isso é, o consumo de água, houve aumento de 3,2% atingindo 132 milhões de metros cúbicos, enquanto no volume faturado de esgoto houve um crescimento mais expressivo, de 4,9%, ultrapassando a marca de 100 milhões de metros cúbicos, atingindo os 102 milhões, mais precisamente.
É importante destacar o volume dos reservatórios. Para refrescar a memória, em 2021 durante um longo tempo (mais de um ano, considerando também 2020) o estado do Paraná passou por forte racionamento de água por conta dos níveis dos reservatórios, e isso acabou gerando certas distorções nos números da Sanepar, inclusive melhorando alguns números de consumo em relação a perda e afins. Hoje a Sanepar está com 96% de seus reservatórios lotados, e para se ter ideia, no mesmo trimestre do ano passado esse número estava em 49% e chegou a quase 40% em determinado momento – um ponto crítico. Graças a volta das chuvas, esse risco de racionamento não existe para a companhia por agora.
Com todos os fatores qualitativos já destacados, falemos sobre a receita operacional. No 3T22 a Sanepar entregou um crescimento de receita de 8,4% atingindo os R$ 1.4 bilhão, recorde histórico da companhia. A receita de água cresceu 9,6% (representando R$ 950 milhões) e a receita de esgoto cresceu 7,6% (representando 547 milhões). O crescimento da receita foi em virtude de três fatores principais: (I) reajuste tarifário de 5%, (II) crescimento de volume faturado e (III) aumento do número de ligações – isso para ambas as linhas de serviço (água e esgoto).
Na linha de despesas e custos, o vilão da Sanepar que tem feito com que o crescimento de lucro seja tão tímido. Quatro linhas principais importam e serão mencionadas: (I) a linha de pessoal, com um crescimento de 22% por conta de reajustes salariais e acordos trabalhistas, (II) a linha de materiais com crescimento de 44% por conta de materiais utilizados no tratamento de esgoto entre outros produtos que sofreram forte inflação, (III) a linha de provisões para contingências, com um crescimento de 384% em virtude de valor provisionado para ações trabalhistas, e (IV) na ponta positiva a linha de energia elétrica, que registrou queda de 26,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado em virtude do corte de ICMS no preço da energia (de 29% para 18%). Tudo isso fez com que a Sanepar aumentasse suas despesas e custos em 16,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 967 milhões. Inflação machucando as margens.
Na linha do resultado financeiro, uma surpresa positiva. Com a alta de SELIC, a empresa tendia a ser mais atingida e ter mais gastos com juros, mas graças ao crescimento de sua receita financeira na ordem de 203% (de R$ 25 milhões para R$ 70 milhões) a companhia conseguiu mitigar o gasto com juros no período (que subiu 35% de R$ 93 milhões para R$ 126 milhões) fazendo com que o resultado financeiro consolidado tivesse uma queda de prejuízo de 39%, caindo de um prejuízo de R$ 93 milhões para um prejuízo de R$ 57 milhões. Não é algo expressivo, mas uma ótima notícia, visto que sem esse ganho financeiro o resultado poderia ser bem pior e fazer com que a Sanepar até mesmo entregasse queda no lucro comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Sobre o endividamento não falaremos tanto: a dívida da Sanepar é extremamente alongada, ela possui um caixa gordo e a alavancagem é bem baixa, longe de ser preocupante ou fator de atenção extrema. Vale o investidor fazer a própria leitura no release, visto que a Sanepar é uma das poucas companhias que detalha muito bem seu endividamento tornando a leitura até mesmo prazerosa. Ponto positivo, ainda mais num mercado onde algumas companhias fazem questão de praticamente omitir o próprio endividamento.
Tudo isso fez com que o lucro da Sanepar no período fosse de R$ 275 milhões, representando um crescimento tímido de 2,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Como pontuamos no começo da análise, o lucro não foi espetacular. O crescimento foi pequeno, e isso ocorreu em razão da inflação ainda machucando as margens da companhia. É questão de tempo até que ela recupere essas margens e ainda achamos que a Sanepar é uma das estatais mais bem tocadas do país. Quanto algumas linhas de despesas, não há muito o que fazer: o que mais machucou no trimestre foi reajuste salarial, uma linha mais do que necessária de ocorrer e provisões para contingências trabalhistas. A linha de materiais usados também teve forte aumento, reflexo provavelmente do preço de alguns produtos químicos que tem sido inflacionados nos últimos meses muito por conta da guerra da Rússia e da Ucrânia, tendo em vista a questão de importação de alguns insumos.
Não achamos o resultado ruim – o crescimento de volume faturado e expansão de ligações é algo relevante, mas tratando-se de uma empresa de saneamento já estabelecida, não tem muita surpresa. Não adianta ler o release esperando um boom de lucro ou coisa do tipo: é o exemplo de companhia que podemos chamar de “devagar e sempre”, visto que sua receita já é contratada e garantida por reajustes.
Por agora, apenas esperar que a inflação passe a bater menos e deixar que os reajustes façam o trabalho das margens.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
Tudo isso fez com que o lucro da Sanepar no período fosse de R$ 275 milhões, representando um crescimento tímido de 2,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Como pontuamos no começo da análise, o lucro não foi espetacular. O crescimento foi pequeno, e isso ocorreu em razão da inflação ainda machucando as margens da companhia. É questão de tempo até que ela recupere essas margens e ainda achamos que a Sanepar é uma das estatais mais bem tocadas do país. Quanto algumas linhas de despesas, não há muito o que fazer: o que mais machucou no trimestre foi reajuste salarial, uma linha mais do que necessária de ocorrer e provisões para contingências trabalhistas. A linha de materiais usados também teve forte aumento, reflexo provavelmente do preço de alguns produtos químicos que tem sido inflacionados nos últimos meses muito por conta da guerra da Rússia e da Ucrânia, tendo em vista a questão de importação de alguns insumos.
Não achamos o resultado ruim – o crescimento de volume faturado e expansão de ligações é algo relevante, mas tratando-se de uma empresa de saneamento já estabelecida, não tem muita surpresa. Não adianta ler o release esperando um boom de lucro ou coisa do tipo: é o exemplo de companhia que podemos chamar de “devagar e sempre”, visto que sua receita já é contratada e garantida por reajustes.
Por agora, apenas esperar que a inflação passe a bater menos e deixar que os reajustes façam o trabalho das margens.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 3T/2022
Pé ainda no acelerador, recorde de faturamento, muito crescimento e o mesmo vilão se sempre, mas dessa vez, com melhoras de margens. O 3T22 da Fleury foi bem semelhante aos trimestres passados com a companhia seguindo seu plano de expansão via aquisição. Apesar do cenário de juros puxar o resultado financeiro da companhia para baixo, as margens tem melhorado e o operacional da Fleury segue se mostrando sadio. Vamos aos números.
No 3T22 a Fleury anunciou mais duas aquisições: Méthodos Laboratório, no valor de R$ 27,4 milhões e Retina Clinic no valor de R$ 21,0 milhões, além do fechamento da aquisição da Saga, no valor de R$ 156 milhões. As três aquisições estão em linha com a estratégia da Fleury de expansão a segmentos diversificados, sendo um do segmento de medicina diagnóstica, um do segmento de oftalmologia e um do segmento de infusão de sangue.
Na linha da receita, como já mencionado, a Fleury bateu um recorde mais uma vez, com R$ 1.23 bilhão no 3T22, um número 11,4% acima do valor registrado no 3T21. Apesar das aquisições acelerarem esse crescimento, a companhia cresceu 6,3% organicamente (ou seja, está crescendo também sem aquisições) e algo importante deve ser destacado: os exames de Covid-19 já representam uma quantidade insignificante da receita da companhia. No 3T22 representou apenas 1,5%, enquanto no 3T21 representou 6,0% e no 3T20 representou quase 11%. Isso é bom porque é praticamente um fator não recorrente, sendo que nos trimestres que já passaram, boa parte da receita veio disso. Para se ter ideia, se excluirmos as receitas de exames de Covid-19 do 3T21, a receita nesse trimestre teria crescido quase 17%, ou seja, sempre analise nos detalhes os fatores que geram a receita da empresa.
Quanto a suas marcas, bons números. Comparado ao 3T21 todas suas marcas cresceram forte: a Fleury cresceu 8,7%, as marcas do Rio de Janeiro cresceram 12,3% e a marca a+ de São Paulo cresceu 19,5%. No consolidado o crescimento foi de 17,7%, lembrando que esse número é mensurado pela receita gerada em cada marca.
Indo um pouco além e falando ainda sobre fatores qualitativos importantes: a Fleury (consolidado) realizou 2.1 milhões de atendimentos no 3T22, 20,4% acima do 3T21, realizou 20.8 milhões de exames, 32% acima do 3T21 e a receita bruta por exame teve queda de 10,6%, de R$ 53,10 no 3T21 para R$ 47,50 no 3T22. O número a princípio parece ruim, mas explicamos. Como já mencionado diversas vezes, a Fleury está crescendo de forma não orgânica, principalmente, comprando marcas e aumentando seu negócio por aquisições. A redução de receita bruta por exame reflete o perfil dessas aquisições e dos novos mercados que ela tem atacado, mercados esses com exames de tickets médios mais baixos, mas com margens mais altas. Ou seja, analisar esse número de forma isolada pode induzir ao erro.
Na linha de custos, bons números no geral: a linha de pessoal foi a que mais cresceu, custando 33,8% da receita líquida contra 33,0% no 3T21. Esse crescimento ocorre principalmente pelas aquisições, movimento normal de aumento de funcionários principalmente para realização de processos temporários.
A linha positiva veio sobre a linha de despesas operacionais, que de 11,8% da receita líquida passou a custar apenas 9,8% da receita líquida no 3T22 em virtude da diluição de custos e melhora de eficiência da companhia.
Pé ainda no acelerador, recorde de faturamento, muito crescimento e o mesmo vilão se sempre, mas dessa vez, com melhoras de margens. O 3T22 da Fleury foi bem semelhante aos trimestres passados com a companhia seguindo seu plano de expansão via aquisição. Apesar do cenário de juros puxar o resultado financeiro da companhia para baixo, as margens tem melhorado e o operacional da Fleury segue se mostrando sadio. Vamos aos números.
No 3T22 a Fleury anunciou mais duas aquisições: Méthodos Laboratório, no valor de R$ 27,4 milhões e Retina Clinic no valor de R$ 21,0 milhões, além do fechamento da aquisição da Saga, no valor de R$ 156 milhões. As três aquisições estão em linha com a estratégia da Fleury de expansão a segmentos diversificados, sendo um do segmento de medicina diagnóstica, um do segmento de oftalmologia e um do segmento de infusão de sangue.
Na linha da receita, como já mencionado, a Fleury bateu um recorde mais uma vez, com R$ 1.23 bilhão no 3T22, um número 11,4% acima do valor registrado no 3T21. Apesar das aquisições acelerarem esse crescimento, a companhia cresceu 6,3% organicamente (ou seja, está crescendo também sem aquisições) e algo importante deve ser destacado: os exames de Covid-19 já representam uma quantidade insignificante da receita da companhia. No 3T22 representou apenas 1,5%, enquanto no 3T21 representou 6,0% e no 3T20 representou quase 11%. Isso é bom porque é praticamente um fator não recorrente, sendo que nos trimestres que já passaram, boa parte da receita veio disso. Para se ter ideia, se excluirmos as receitas de exames de Covid-19 do 3T21, a receita nesse trimestre teria crescido quase 17%, ou seja, sempre analise nos detalhes os fatores que geram a receita da empresa.
Quanto a suas marcas, bons números. Comparado ao 3T21 todas suas marcas cresceram forte: a Fleury cresceu 8,7%, as marcas do Rio de Janeiro cresceram 12,3% e a marca a+ de São Paulo cresceu 19,5%. No consolidado o crescimento foi de 17,7%, lembrando que esse número é mensurado pela receita gerada em cada marca.
Indo um pouco além e falando ainda sobre fatores qualitativos importantes: a Fleury (consolidado) realizou 2.1 milhões de atendimentos no 3T22, 20,4% acima do 3T21, realizou 20.8 milhões de exames, 32% acima do 3T21 e a receita bruta por exame teve queda de 10,6%, de R$ 53,10 no 3T21 para R$ 47,50 no 3T22. O número a princípio parece ruim, mas explicamos. Como já mencionado diversas vezes, a Fleury está crescendo de forma não orgânica, principalmente, comprando marcas e aumentando seu negócio por aquisições. A redução de receita bruta por exame reflete o perfil dessas aquisições e dos novos mercados que ela tem atacado, mercados esses com exames de tickets médios mais baixos, mas com margens mais altas. Ou seja, analisar esse número de forma isolada pode induzir ao erro.
Na linha de custos, bons números no geral: a linha de pessoal foi a que mais cresceu, custando 33,8% da receita líquida contra 33,0% no 3T21. Esse crescimento ocorre principalmente pelas aquisições, movimento normal de aumento de funcionários principalmente para realização de processos temporários.
A linha positiva veio sobre a linha de despesas operacionais, que de 11,8% da receita líquida passou a custar apenas 9,8% da receita líquida no 3T22 em virtude da diluição de custos e melhora de eficiência da companhia.
Na linha de resultado financeiro, o fator que tem ofuscado completamente o resultado da Fleury (e de outra porrada de companhias): o custo de dívida. No 3T22 a Fleury teve um resultado financeiro de um prejuízo na ordem de R$ 99 milhões, isso é praticamente o dobro de prejuízo registrado no 3T21. O motivo, como obvio, é a alta da SELIC, que tem tornado a dívida mais cara. Vale aqui mencionar que todas essas companhias que estão sofrendo forte com gasto de dívida hoje, no primeiro momento de queda da SELIC terão um fôlego e melhora expressiva do lucro, visto que o financeiro deixará de pesar. Quanto ao endividamento da Fleury, sem muitas novidades, a alavancagem segue estável na ordem de 1,8x dívida líquida sobre EBITDA e bem abaixo dos 3,0x limitados pelos covenants da empresa.
Todos esses fatores fizeram com que o lucro da Fleury atingisse R$ 96.7 milhões no 3T22, praticamente estabilidade, contra R$ 96.4 milhões no 3T21.
Não citamos sobre as margens da Fleury, mas esse trimestre demonstrou algo importante: comparado ao 2T22, todas as margens melhoraram, principalmente em termos de inflação, isso denota o repasse de preço da Fleury aos seus produtos e indica o início do processo de retomada das margens. Infelizmente o resultado financeiro segue pressionado e assim seguirá enquanto a SELIC estiver nesse patamar. O gasto com dívida praticamente dobrou comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas é inegável que a estratégia de crescimento tem sido um sucesso, com todas as aquisições entregando o que a Fleury busca e o crescimento ocorrendo não só pelas aquisições, mas principalmente de forma orgânica, como bem citamos ao tratar sobre as marcas da companhia. No mais, a quantidade de caixa que ela tem gerado também é algo que deve ser mencionado, sendo uma das suas vantagens. Talvez mais um provável business que irá explodir numa queda de juros futura.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Todos esses fatores fizeram com que o lucro da Fleury atingisse R$ 96.7 milhões no 3T22, praticamente estabilidade, contra R$ 96.4 milhões no 3T21.
Não citamos sobre as margens da Fleury, mas esse trimestre demonstrou algo importante: comparado ao 2T22, todas as margens melhoraram, principalmente em termos de inflação, isso denota o repasse de preço da Fleury aos seus produtos e indica o início do processo de retomada das margens. Infelizmente o resultado financeiro segue pressionado e assim seguirá enquanto a SELIC estiver nesse patamar. O gasto com dívida praticamente dobrou comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas é inegável que a estratégia de crescimento tem sido um sucesso, com todas as aquisições entregando o que a Fleury busca e o crescimento ocorrendo não só pelas aquisições, mas principalmente de forma orgânica, como bem citamos ao tratar sobre as marcas da companhia. No mais, a quantidade de caixa que ela tem gerado também é algo que deve ser mencionado, sendo uma das suas vantagens. Talvez mais um provável business que irá explodir numa queda de juros futura.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Multiplan ($MULT3) – 3T/2022
E quem falou que os shoppings acabariam... errou.
A pandemia caiu como um meteoro no setor de shoppings brasileiro: obrigados a fecharem suas portas por tempo indeterminado e sem funcionar durante meses, diversos shoppings no país tiveram forte redução de clientes ao mesmo tempo que o e-commerce ganhava cada vez mais espaço. Isso fundamentou uma tese um tanto quanto ousada: a de que shoppings acabariam por conta da mudança de preferência dos consumidores, que abririam a mão desses espaços para comprar somente pela internet. Quase 3 anos se passaram e podemos afirmar de que a tese foi um grande erro – a Multiplan ilustra isso com seu crescimento. Vamos aos números. Para a análise ficar mais clara, compararemos alguns números com 2019, visto que foi um ano sem qualquer problema relacionado a pandemia.
No 3T22 a Multiplan entregou uma receita líquida de R$ 455 milhões, um crescimento de 42% em relação ao 3T21 e 39% em relação ao 3T19. Essa receita veio numa crescente das três principais linhas: a receita de locação cresceu 26% em relação ao 3T21 (e 42% em relação ao 3T19), a receita de serviços cresceu 37% em relação ao 3T21 (e 5% em relação ao 3T19) e a receita de estacionamento cresceu 39% em relação ao 3T21 (e 17% em relação ao 3T19). Apesar da receita de locação compor a principal fonte de receita do negócio, a linha de serviços e estacionamento também são importantes, principalmente quando tratamos do quão frequentado os shoppings estão sendo. Em resumo, os números de 2022 estão expressivamente maiores do que os de 2019, com exceção da linha de serviços, que ainda que esteja maior, está se recuperando.
Tratando sobre outros indicadores operacionais, a venda dos lojistas também reflete a recuperação do setor. No 3T22 a Multiplan registrou R$ 4.8 bilhões de volume vendido, um crescimento de 28,3% em relação ao 3T21 e 26% em relação ao 3T19. Além disso, foi a máxima histórica registrada em janelas de 9 meses e 12 meses, com os números bem acima dos índices de inflação do período. Vale destacar também que entre todos os shoppings da companhia (19 até o 3T22), todos demonstraram forte crescimento de vendas entre o 3T21 e o 3T22, e comparado ao 3T19 apenas três operações mostraram retração: o New York City Center, com retração de 27% de volume vendido, o Shopping Vila Olímpia com retração de 24% de volume vendido e o Shopping Santa Úrsula com retração de 35% de volume vendido sendo o de maior queda registrado. As demais operações demonstraram forte crescimento, sendo que algumas (como o Village Mall e o Park Shopping Maceió) apresentaram crescimento de algo próximo de 50% ou mais. A média das 19 operações foi de um crescimento de 28% em relação ao 3T21 e 26% em relação ao 3T19.
Na linha de vendas nas mesmas lojas, a recuperação também fica evidente. Comparado ao 3T21, todos os segmentos (alimentação, vestuário, artigos de casa & escritório, diversos e serviços) tiveram crescimento, com uma média de crescimento de 24%. Comparado ao 3T19, também houve crescimento, somente com a linha de artigos de casa & escritório demonstrando desempenho fraco com crescimento de apenas 1%, resultante principalmente do arrefecimento do setor de incorporação, setor completamente correlacionado.
Sobre a dívida da companhia, números também positivos. No ápice da pandemia os indicadores assustavam quando falávamos sobre alavancagem, com a receita esmagada pelo momento inesperado de portas fechadas e uma dívida crescente, a alavancagem se aproximou do limite dos convenentes, de 4,0x dívida líquida sobre EBITDA, mas agora com o operacional saudável novamente, é o sétimo trimestre seguido de queda de alavancagem, com a empresa registrando a menor alavancagem da década num patamar de 1,7x dívida líquida sobre EBITDA. A dívida líquida também teve queda de 8% comparado ao 2T22 graças a forte geração de caixa da Multiplan e não há qualquer evidência de uma dívida problemática – pelo contrário, a alavancagem e o perfil têm melhorado com o fortalecimento do operacional.
E quem falou que os shoppings acabariam... errou.
A pandemia caiu como um meteoro no setor de shoppings brasileiro: obrigados a fecharem suas portas por tempo indeterminado e sem funcionar durante meses, diversos shoppings no país tiveram forte redução de clientes ao mesmo tempo que o e-commerce ganhava cada vez mais espaço. Isso fundamentou uma tese um tanto quanto ousada: a de que shoppings acabariam por conta da mudança de preferência dos consumidores, que abririam a mão desses espaços para comprar somente pela internet. Quase 3 anos se passaram e podemos afirmar de que a tese foi um grande erro – a Multiplan ilustra isso com seu crescimento. Vamos aos números. Para a análise ficar mais clara, compararemos alguns números com 2019, visto que foi um ano sem qualquer problema relacionado a pandemia.
No 3T22 a Multiplan entregou uma receita líquida de R$ 455 milhões, um crescimento de 42% em relação ao 3T21 e 39% em relação ao 3T19. Essa receita veio numa crescente das três principais linhas: a receita de locação cresceu 26% em relação ao 3T21 (e 42% em relação ao 3T19), a receita de serviços cresceu 37% em relação ao 3T21 (e 5% em relação ao 3T19) e a receita de estacionamento cresceu 39% em relação ao 3T21 (e 17% em relação ao 3T19). Apesar da receita de locação compor a principal fonte de receita do negócio, a linha de serviços e estacionamento também são importantes, principalmente quando tratamos do quão frequentado os shoppings estão sendo. Em resumo, os números de 2022 estão expressivamente maiores do que os de 2019, com exceção da linha de serviços, que ainda que esteja maior, está se recuperando.
Tratando sobre outros indicadores operacionais, a venda dos lojistas também reflete a recuperação do setor. No 3T22 a Multiplan registrou R$ 4.8 bilhões de volume vendido, um crescimento de 28,3% em relação ao 3T21 e 26% em relação ao 3T19. Além disso, foi a máxima histórica registrada em janelas de 9 meses e 12 meses, com os números bem acima dos índices de inflação do período. Vale destacar também que entre todos os shoppings da companhia (19 até o 3T22), todos demonstraram forte crescimento de vendas entre o 3T21 e o 3T22, e comparado ao 3T19 apenas três operações mostraram retração: o New York City Center, com retração de 27% de volume vendido, o Shopping Vila Olímpia com retração de 24% de volume vendido e o Shopping Santa Úrsula com retração de 35% de volume vendido sendo o de maior queda registrado. As demais operações demonstraram forte crescimento, sendo que algumas (como o Village Mall e o Park Shopping Maceió) apresentaram crescimento de algo próximo de 50% ou mais. A média das 19 operações foi de um crescimento de 28% em relação ao 3T21 e 26% em relação ao 3T19.
Na linha de vendas nas mesmas lojas, a recuperação também fica evidente. Comparado ao 3T21, todos os segmentos (alimentação, vestuário, artigos de casa & escritório, diversos e serviços) tiveram crescimento, com uma média de crescimento de 24%. Comparado ao 3T19, também houve crescimento, somente com a linha de artigos de casa & escritório demonstrando desempenho fraco com crescimento de apenas 1%, resultante principalmente do arrefecimento do setor de incorporação, setor completamente correlacionado.
Sobre a dívida da companhia, números também positivos. No ápice da pandemia os indicadores assustavam quando falávamos sobre alavancagem, com a receita esmagada pelo momento inesperado de portas fechadas e uma dívida crescente, a alavancagem se aproximou do limite dos convenentes, de 4,0x dívida líquida sobre EBITDA, mas agora com o operacional saudável novamente, é o sétimo trimestre seguido de queda de alavancagem, com a empresa registrando a menor alavancagem da década num patamar de 1,7x dívida líquida sobre EBITDA. A dívida líquida também teve queda de 8% comparado ao 2T22 graças a forte geração de caixa da Multiplan e não há qualquer evidência de uma dívida problemática – pelo contrário, a alavancagem e o perfil têm melhorado com o fortalecimento do operacional.
Todos esses fatores levaram a Multiplan a lucrar R$ 186 milhões no 3T22, um crescimento de 87% em relação ao 3T21 e 53% em relação ao 3T19. A margem líquida também melhorou, subindo de 33% para 42% tanto no 3T21 quanto no 3T19.
Como mencionamos, entre 2020 e 2021 o setor de shopping sofreu fortes ataques especulativos. Quem tem fundos imobiliários desse segmento, sabe bem sobre o que estamos falando: algumas teses mais ousadas arriscavam que era o fim do setor, que os shoppings acabariam, que o e-commerce seria o carro-chefe do consumo e não haveria mais qualquer motivo para que shoppings fossem frequentados. Nós nunca concordamos com essas teses e temos alguns textos da época (2020 e 2021) registrados em nossos relatórios econômicos que deixavam bem claro nossa opinião sobre: shoppings não são somente locais de consumo, mas principalmente experiência. Um local de segurança, bom ambiente e que consolida diversos passeios interessantes, de alimentação ao cinema. Não acreditamos que o setor acabe e sim que esse seja somente o início de uma plena recuperação. A título de curiosidade, o setor de shoppings foi um dos mais resilientes durante crises – até mesmo durante a crise de 2014 a 2016 o setor cresceu. Vale a reflexão.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Como mencionamos, entre 2020 e 2021 o setor de shopping sofreu fortes ataques especulativos. Quem tem fundos imobiliários desse segmento, sabe bem sobre o que estamos falando: algumas teses mais ousadas arriscavam que era o fim do setor, que os shoppings acabariam, que o e-commerce seria o carro-chefe do consumo e não haveria mais qualquer motivo para que shoppings fossem frequentados. Nós nunca concordamos com essas teses e temos alguns textos da época (2020 e 2021) registrados em nossos relatórios econômicos que deixavam bem claro nossa opinião sobre: shoppings não são somente locais de consumo, mas principalmente experiência. Um local de segurança, bom ambiente e que consolida diversos passeios interessantes, de alimentação ao cinema. Não acreditamos que o setor acabe e sim que esse seja somente o início de uma plena recuperação. A título de curiosidade, o setor de shoppings foi um dos mais resilientes durante crises – até mesmo durante a crise de 2014 a 2016 o setor cresceu. Vale a reflexão.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Ambipar ($AMBP3) – 3T/2022
Como já falamos em outros trimestres, a Ambipar faz parte da parte boa da última safra de IPOs da bolsa brasileira. Parte boa por um simples motivo: ela tem entregado tudo o que tem prometido. Crescimento forte pautado em bons fundamentos com uma estratégia de aquisição. O problema é que boa parte dos investidores menores cometem o deslize de analisar somente a linha de lucro, uma análise que costumamos chamar de fraca – o lucro importa, mas as vezes é o que menos importa. No caso da Ambipar, é próximo dessa linha. A companhia tem realizado um trabalho incrível com sua estratégia de aquisições, mas alguns pontos tem ofuscado isso – o resultado financeiro principalmente. Vamos aos números.
No 3T22 a Ambipar entregou uma receita líquida de R$ 980 milhões, sendo R$ 398 milhões do seu segmento de Response e R$ 580 milhões do seu segmento de response (lembrando que a companhia se divide nesses dois núcleos do segmento de gestão ambiental, sendo o environment voltado mais a gestão de resíduos, processamento e afins e o response a prevenção de acidentes entre outros fatores relacionados). Esse crescimento de receita representa um aumento de 59% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que o environment cresceu 52% e o response 71%. Algo importante a ser destacado, o que caracteriza uma de suas vantagens, é o fato de que boa parte de sua receita vem também do mercado externo – no caso do 3T22, foi 62%. Isso cria um cenário de proteção em momentos de crise pelo fator cambial. Vale mencionar também que o crescimento da receita da companhia não ocorreu somente por conta das aquisições: o crescimento orgânico foi de 21% comparado ao 3T21, ou seja, há crescimento tanto pelas aquisições quanto pelos próprios negócios já existentes.
A margem operacional da companhia teve um crescimento de 1,6pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos 26,2% para os 27,8% no 3T22. O destaque vai para o segmento de environment, que vem melhorando sua margem trimestre a trimestre, enquanto o segmento de response apesar de ter apresentado queda em relação ao 3T21, apresentou crescimento em relação ao 2T22. É necessário sempre considerar que o response tem maior exposição ao câmbio, então as margens podem tender a maior volatilidade, sendo que essas alterações trimestres a trimestres não são fator de preocupação.
O resultado financeiro líquido da companhia é a principal linha a ser analisada. Como já mencionamos, a Ambipar tem como estratégia crescer via aquisições, e para isso, ela se alavanca, contrai dívida. No 3T22 a companhia teve um resultado financeiro de prejuízo na ordem de R$ 158 milhões, isso significa um prejuízo 270% maior do que o registrado no 3T21. O motivo é a alta da SELIC: quase toda a sua dívida está atrelada ao CDI (que segue a SELIC) com uma indexação média de CDI+3%, ou seja, a dívida está caríssima com a SELIC no atual patamar. Esse resultado financeiro é suficiente para apagar todo o resultado operacional da companhia: em uma ponta ela gera um EBITDA forte, no outro, a dívida é cara e torna necessária a companhia gastar boa parte do faturamento para pagá-la.
Esse cenário de pressão do resultado finaiceiro fez com que a Ambipar registrasse um lucro líquido de R$ 33 milhões, representando uma queda de 24% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
A questão da empresa aqui é: seu operacional está brilhando. Seu EBITDA crescendo forte, suas aquisições gerando valor e resultado e a estratégia indo conforme o esperado, mas o custo do pagamento da dívida tem ofuscado completamente tudo isso. Por isso falamos no começo do texto: análise de lucro é análise fraca. A menos que você acredite que a SELIC continuará nas alturas como agora por um longo período (o que é improvável e insustentável), o correto é dar atenção principalmente ao operacional da empresa, que tem se mostrado forte e com números cada vez melhores.
Mais uma companhia da série das companhias que tem altíssimo potencial de decolar no momento que a SELIC entrar em seu curso de queda.
Como já falamos em outros trimestres, a Ambipar faz parte da parte boa da última safra de IPOs da bolsa brasileira. Parte boa por um simples motivo: ela tem entregado tudo o que tem prometido. Crescimento forte pautado em bons fundamentos com uma estratégia de aquisição. O problema é que boa parte dos investidores menores cometem o deslize de analisar somente a linha de lucro, uma análise que costumamos chamar de fraca – o lucro importa, mas as vezes é o que menos importa. No caso da Ambipar, é próximo dessa linha. A companhia tem realizado um trabalho incrível com sua estratégia de aquisições, mas alguns pontos tem ofuscado isso – o resultado financeiro principalmente. Vamos aos números.
No 3T22 a Ambipar entregou uma receita líquida de R$ 980 milhões, sendo R$ 398 milhões do seu segmento de Response e R$ 580 milhões do seu segmento de response (lembrando que a companhia se divide nesses dois núcleos do segmento de gestão ambiental, sendo o environment voltado mais a gestão de resíduos, processamento e afins e o response a prevenção de acidentes entre outros fatores relacionados). Esse crescimento de receita representa um aumento de 59% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que o environment cresceu 52% e o response 71%. Algo importante a ser destacado, o que caracteriza uma de suas vantagens, é o fato de que boa parte de sua receita vem também do mercado externo – no caso do 3T22, foi 62%. Isso cria um cenário de proteção em momentos de crise pelo fator cambial. Vale mencionar também que o crescimento da receita da companhia não ocorreu somente por conta das aquisições: o crescimento orgânico foi de 21% comparado ao 3T21, ou seja, há crescimento tanto pelas aquisições quanto pelos próprios negócios já existentes.
A margem operacional da companhia teve um crescimento de 1,6pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos 26,2% para os 27,8% no 3T22. O destaque vai para o segmento de environment, que vem melhorando sua margem trimestre a trimestre, enquanto o segmento de response apesar de ter apresentado queda em relação ao 3T21, apresentou crescimento em relação ao 2T22. É necessário sempre considerar que o response tem maior exposição ao câmbio, então as margens podem tender a maior volatilidade, sendo que essas alterações trimestres a trimestres não são fator de preocupação.
O resultado financeiro líquido da companhia é a principal linha a ser analisada. Como já mencionamos, a Ambipar tem como estratégia crescer via aquisições, e para isso, ela se alavanca, contrai dívida. No 3T22 a companhia teve um resultado financeiro de prejuízo na ordem de R$ 158 milhões, isso significa um prejuízo 270% maior do que o registrado no 3T21. O motivo é a alta da SELIC: quase toda a sua dívida está atrelada ao CDI (que segue a SELIC) com uma indexação média de CDI+3%, ou seja, a dívida está caríssima com a SELIC no atual patamar. Esse resultado financeiro é suficiente para apagar todo o resultado operacional da companhia: em uma ponta ela gera um EBITDA forte, no outro, a dívida é cara e torna necessária a companhia gastar boa parte do faturamento para pagá-la.
Esse cenário de pressão do resultado finaiceiro fez com que a Ambipar registrasse um lucro líquido de R$ 33 milhões, representando uma queda de 24% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
A questão da empresa aqui é: seu operacional está brilhando. Seu EBITDA crescendo forte, suas aquisições gerando valor e resultado e a estratégia indo conforme o esperado, mas o custo do pagamento da dívida tem ofuscado completamente tudo isso. Por isso falamos no começo do texto: análise de lucro é análise fraca. A menos que você acredite que a SELIC continuará nas alturas como agora por um longo período (o que é improvável e insustentável), o correto é dar atenção principalmente ao operacional da empresa, que tem se mostrado forte e com números cada vez melhores.
Mais uma companhia da série das companhias que tem altíssimo potencial de decolar no momento que a SELIC entrar em seu curso de queda.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3) – 3T/2022
Um trimestre que surpreendeu, mas negativamente. Apesar de diversos números do Bradesco terem apresentado melhoria e crescimento reconhecível, a PDD e a inadimplência fizeram com que o lucro desabasse e roubasse toda a atenção do release de resultados. Longe de ser alarmante, mas longe de algo excelente, também. Como sempre, trataremos apenas dos principais números do release, visto que bancos tendem a ter divulgações colossais. Vamos aos números.
No 3T22 a margem financeira do Bradesco apresentou um aumento de 3,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado: a melhora é explicada principalmente pela margem com clientes, que cresceu 24,7%, de R$ 14 bilhões para R$ 17.5 bilhões. Vale lembrar que a margem financeira se refere a diferença que o banco consegue entre o custo de tomar o dinheiro e emprestar o dinheiro, grosseiramente dizendo. É aqui que a SELIC faz o seu trabalho de benefício a um banco, também. Conforme a taxa sobe, essa margem dos bancos sobe junto. A margem com o mercado apresentou um prejuízo de R$ 1.2 bilhões, contra um lucro de R$ 1.6 bilhões no 3T21. Essa margem negativa é normal em tempos de elevação de SELIC pois há um delay nas operações: margem com o mercado se refere a fonte de captação do banco, leva um tempo até ele passar esse custo pros clientes. Nada de alarmante por aqui e uma melhora forte da margem com clientes, linha principal.
Na linha da carteira de crédito, a expansão segue. O Bradesco saiu de uma carteira de crédito de R$ 773 bilhões para R$ 878 bilhões entre o 3T21 e o 3T22, um crescimento de 16,4%. Essa expansão é explicada principalmente pela expansão do crédito com pessoas físicas, algo que explica o número de PDD que trataremos mais a frente. Vale destacar que hoje 40% do crédito dado pelo Bradesco é para pessoas físicas, 40% para grandes empresas e 20% para micro, pequenas e médias empresas, ou seja, é uma carteira bem equilibrada com duas características importantes: (I) sendo 40% para grandes empresas, o risco de crédito é menor e (II) sendo 40% para pessoas físicas, a rentabilidade é maior, visto que a taxa cobrada de PFs é maior sempre. Em termos de rating, vale também mencionar que 90,5% da carteira é de crédito entre AA e C, que são níveis de risco de maior qualidade.
Um trimestre que surpreendeu, mas negativamente. Apesar de diversos números do Bradesco terem apresentado melhoria e crescimento reconhecível, a PDD e a inadimplência fizeram com que o lucro desabasse e roubasse toda a atenção do release de resultados. Longe de ser alarmante, mas longe de algo excelente, também. Como sempre, trataremos apenas dos principais números do release, visto que bancos tendem a ter divulgações colossais. Vamos aos números.
No 3T22 a margem financeira do Bradesco apresentou um aumento de 3,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado: a melhora é explicada principalmente pela margem com clientes, que cresceu 24,7%, de R$ 14 bilhões para R$ 17.5 bilhões. Vale lembrar que a margem financeira se refere a diferença que o banco consegue entre o custo de tomar o dinheiro e emprestar o dinheiro, grosseiramente dizendo. É aqui que a SELIC faz o seu trabalho de benefício a um banco, também. Conforme a taxa sobe, essa margem dos bancos sobe junto. A margem com o mercado apresentou um prejuízo de R$ 1.2 bilhões, contra um lucro de R$ 1.6 bilhões no 3T21. Essa margem negativa é normal em tempos de elevação de SELIC pois há um delay nas operações: margem com o mercado se refere a fonte de captação do banco, leva um tempo até ele passar esse custo pros clientes. Nada de alarmante por aqui e uma melhora forte da margem com clientes, linha principal.
Na linha da carteira de crédito, a expansão segue. O Bradesco saiu de uma carteira de crédito de R$ 773 bilhões para R$ 878 bilhões entre o 3T21 e o 3T22, um crescimento de 16,4%. Essa expansão é explicada principalmente pela expansão do crédito com pessoas físicas, algo que explica o número de PDD que trataremos mais a frente. Vale destacar que hoje 40% do crédito dado pelo Bradesco é para pessoas físicas, 40% para grandes empresas e 20% para micro, pequenas e médias empresas, ou seja, é uma carteira bem equilibrada com duas características importantes: (I) sendo 40% para grandes empresas, o risco de crédito é menor e (II) sendo 40% para pessoas físicas, a rentabilidade é maior, visto que a taxa cobrada de PFs é maior sempre. Em termos de rating, vale também mencionar que 90,5% da carteira é de crédito entre AA e C, que são níveis de risco de maior qualidade.
Na linha de PDD, o principal fator que incomodou o mercado e causou maior preocupação. A PDD é a provisão para devedores duvidosos, ou seja, parte do lucro que o banco reserva para se proteger de calotes. Como mencionamos acima, o Bradesco tem realizado um trabalho de expansão de sua carteira de crédito em cima de pessoas físicas, principalmente. O benefício disso é o melhor retorno, se cobra mais de pessoas físicas do que de empresas quando crédito é dado. No 3T22 o Bradesco elevou a PDD do banco para R$ 7.3 bilhões, o que representa um aumento de quase 120% comparado ao 3T21. O mercado não gostou nada disso pois acende um certo desagrado em relação a iniciativa do banco ao dar crédito de maior risco. O Bradesco justificou que esse aumento de PDD foi em virtude de (I) mudança do perfil da carteira, mais propensa a PF, (II) proteção contra deterioração do cenário incerto nos próximos meses e (III) aumento da inadimplência que já está ocorrendo. O fato aqui é: bancos grandes (bancões, no caso) sempre dedicam uma quantidade altíssima para PDD. É um movimento normal. Isso não significa necessariamente que o banco irá perder esse dinheiro, é apenas uma provisão. Em algum momento quando o cenário normaliza e a incerteza dissipa, esse dinheiro volta pro banco, simples assim. Não é dinheiro perdido. Nós particularmente preferimos um banco que dedique boa parte do dinheiro para PDD e não tenha surpresas futuras do que um banco que tenha uma análise de crédito mais “folgada” e o custo venha em dobro posteriormente. O ponto que o investidor deve se atentar aqui é a inadimplência do banco, somente. A inadimplência do Bradesco (e do mercado como um todo) tem subido forte nos últimos meses e de fato há deterioração no cenário, mas é necessário lembrar que durante a pandemia houve muita postergação de cobrança e uma taxa de juros baixíssima. O nível de inadimplência ainda está bem abaixo do nível antes da pandemia. O Bradesco, no caso, registrou uma inadimplência de 3,9%, contra uma inadimplência de 2,6% no 3T21, lembrando que é necessário considerar os fatores que reduziram a inadimplência na época da pandemia.
Na linha de receita de prestação de serviço, sem grandes surpresas. A linha de rendas de cartão cresceu forte (21%) entre o 3T21 e o 3T22 mostrando sucesso do banco em sua estratégia de expansão nessa linha, que é o foco dos ataques das fintechs, a administração de fundos teve uma queda de 7,8% comparando ao mesmo trimestre do ano passado, algo também esperado dado o aumento da SELIC no período e o maior conservadorismo dos agentes econômicos que passam a investir mais em renda fixa do que renda variável (sendo que renda fixa tem menores taxas) e a linha de conta-corrente sofreu uma queda de 4,9% em virtude de menor atividade em transferências DOC/TED e saque em autoatendimento, um “problema” sistêmico e que todo banco vai passar principalmente por conta do Pix, que tirou dos grandes bancos o benefício do lucro das taxas de transferências e a vantagem das transferências de taxa zero da fintechs, ou seja, do ponto de vista corporativo, ambos saíram perdendo.
Um ponto interessante a citar também é o movimento do Bradesco em relação a contenção de custos, realizando um esforço maior que as outras instituições: entre o 3T21 e o 3T22 o banco fechou quase 500 unidades físicas, entre agências, PAEs e PAs, sendo que entre o 3T20 e o 3T22 foram mais de 1.000.
Todos esses fatores levaram o lucro do Bradesco a ter uma queda de 23% comparado ao 3T21, na ordem de R$ 5.2 bilhões.
Na linha de receita de prestação de serviço, sem grandes surpresas. A linha de rendas de cartão cresceu forte (21%) entre o 3T21 e o 3T22 mostrando sucesso do banco em sua estratégia de expansão nessa linha, que é o foco dos ataques das fintechs, a administração de fundos teve uma queda de 7,8% comparando ao mesmo trimestre do ano passado, algo também esperado dado o aumento da SELIC no período e o maior conservadorismo dos agentes econômicos que passam a investir mais em renda fixa do que renda variável (sendo que renda fixa tem menores taxas) e a linha de conta-corrente sofreu uma queda de 4,9% em virtude de menor atividade em transferências DOC/TED e saque em autoatendimento, um “problema” sistêmico e que todo banco vai passar principalmente por conta do Pix, que tirou dos grandes bancos o benefício do lucro das taxas de transferências e a vantagem das transferências de taxa zero da fintechs, ou seja, do ponto de vista corporativo, ambos saíram perdendo.
Um ponto interessante a citar também é o movimento do Bradesco em relação a contenção de custos, realizando um esforço maior que as outras instituições: entre o 3T21 e o 3T22 o banco fechou quase 500 unidades físicas, entre agências, PAEs e PAs, sendo que entre o 3T20 e o 3T22 foram mais de 1.000.
Todos esses fatores levaram o lucro do Bradesco a ter uma queda de 23% comparado ao 3T21, na ordem de R$ 5.2 bilhões.
Ou seja, se a queda de lucro e a queda do preço das ações te preocupa, que fique claro aqui: o motivo é basicamente a PDD. Se você não entende muito bem o que PDD significa, dê uma lida sobre que é em torno disso que um banco funciona, basicamente. No Release do Bradesco inclusive há um gráfico da PDD por trimestre para ilustrar como o banco tende a reagir em momentos de maior incerteza. Hoje o Bradesco passa por uma expansão de crédito em cima das pessoas físicas e essa antecipação de provisão face a um cenário incerto e uma inadimplência que já está ocorrendo faz com que o lucro caia. A PDD nada mais é do que parte do lucro destinada a se proteger de calotes, mas como citamos mais acima, não necessariamente esse dinheiro será perdido, sendo apenas um movimento de proteção que a medida que o cenário se ajeita volta para o banco. Assim que todos os bancos reportarem seus resultados, faremos uma leitura mais detalhadas comparando a PDD e perfil de crédito de cada um para apurar o quão estrutural ou sistêmico é esse número que o Bradesco reportou, mas a princípio, sem grandes preocupações.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3) – 3T/2022
É oficial: o Banco do Brasil se tornou o melhor banco do Brasil.
Ao menos ao analisar os números, não há banco superior ao Banco do Brasil em nosso país atualmente. Nesse trimestre o lucro da instituição se aproximou do recorde histórico do lucro de um banco e a projeção para o 4T22 foi revisada para cima, ou seja, é bem provável que no próximo trimestre o Banco do Brasil tenha o melhor trimestre já registrado para uma instituição financeira do país. O problema nisso tudo é: uma análise não deve ser feita somente pela ótica dos números – outros riscos existem. Vamos tratar brevemente por aqui.
No 3T22 o Banco do Brasil teve uma margem financeira bruta de R$ 19.5 bilhões, representando um crescimento de 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa melhora é explicada tanto pela receita de operações de crédito, principal operação de um banco, que cresceu 51%, quanto pelo resultado de tesouraria, que praticamente dobrou e atingiu os R$ 10 bilhões no trimestre.
Na linha de PDD, o banco ilustra e goza de suas vantagens competitivas na área de crédito. No 3T22 o Banco do Brasil registrou uma PDD de apenas R$ 4.5 bilhões, representando um aumento de 15% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Vale pontuar dois fatores aqui: o Banco do Brasil tem gigantes vantagens ao dar crédito. Uma são as linhas de créditos a funcionários públicos, que são menos suscetíveis e inadimplência devido a maior estabilidade, e outra é o maior crédito ao agro. O Banco do Brasil é o principal financiador do agronegócio brasileiro e o agro tem uma taxa histórica de inadimplência baixíssima, além de linhas de créditos colossais – é uma vantagem que agrega ao banco dessas duas formas. Quanto a sua carteira de crédito, o crescimento é espetacular: a carteira atingiu os R$ 970 bilhões com um crescimento de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi bem distribuído entre PJs, PFs e pelo agronegócio, mantendo seu perfil de vantagem sobre o ponto que citamos acima. O resultado desse crédito vem na linha de inadimplência. Assim como todas as instituições financeiras até o momento, a inadimplência do Banco do Brasil também subiu, atingindo os 2,34% no 3T22, um crescimento de 0,50pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A questão é que a inadimplência do banco está bem abaixo de seus pares e abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, que atualmente se encontra em 2,80%. Ou seja, essa elevação de inadimplência evidência o problema que citamos ao analisar o resultado do Bradesco sobre a deterioração de crédito do cenário por conta da alta da SELIC e do aperto no orçamento das famílias. Como o Banco do Brasil tem linhas de crédito mais “seguras”, sua inadimplência tende a ser bem menor.
Na linha de receita de prestação de serviços, houve crescimento forte de diversas linhas, com a receita total crescendo 14,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa é outra linha que o banco goza de benefícios: seguros, previdência, capitalização, abertura de contas e fundos são alguns dos produtos que existem linhas específicas e direcionadas para alguns grupos, além de fundos geridos e exclusivos para o próprio Estado. Não houve sequer uma linha de receita que contraiu, todas cresceram.
O índice de eficiência marcou um patamar histórico. Em queda por mais de dez trimestres seguidos, o índice registrou 31,6% no 3T22 contra 35,9% no 3T21. Lembrando que o índice de eficiência é um número que indica quanto da receita as despesas estão utilizando, quanto menor, melhor. Hoje o Banco do Brasil é disparadamente a instituição financeira com o menor número, e ele ter melhorado todo trimestre diz muito sobre a gestão, que tem mostrado plena capacidade e responsabilidade nos gastos, melhora clara de eficiência e uma aula de como fazer mais com menos.
Sobre demais indicadores (basileia, por exemplo) não trataremos pois a instituição segue saudável e sem surpresas.
É oficial: o Banco do Brasil se tornou o melhor banco do Brasil.
Ao menos ao analisar os números, não há banco superior ao Banco do Brasil em nosso país atualmente. Nesse trimestre o lucro da instituição se aproximou do recorde histórico do lucro de um banco e a projeção para o 4T22 foi revisada para cima, ou seja, é bem provável que no próximo trimestre o Banco do Brasil tenha o melhor trimestre já registrado para uma instituição financeira do país. O problema nisso tudo é: uma análise não deve ser feita somente pela ótica dos números – outros riscos existem. Vamos tratar brevemente por aqui.
No 3T22 o Banco do Brasil teve uma margem financeira bruta de R$ 19.5 bilhões, representando um crescimento de 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa melhora é explicada tanto pela receita de operações de crédito, principal operação de um banco, que cresceu 51%, quanto pelo resultado de tesouraria, que praticamente dobrou e atingiu os R$ 10 bilhões no trimestre.
Na linha de PDD, o banco ilustra e goza de suas vantagens competitivas na área de crédito. No 3T22 o Banco do Brasil registrou uma PDD de apenas R$ 4.5 bilhões, representando um aumento de 15% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Vale pontuar dois fatores aqui: o Banco do Brasil tem gigantes vantagens ao dar crédito. Uma são as linhas de créditos a funcionários públicos, que são menos suscetíveis e inadimplência devido a maior estabilidade, e outra é o maior crédito ao agro. O Banco do Brasil é o principal financiador do agronegócio brasileiro e o agro tem uma taxa histórica de inadimplência baixíssima, além de linhas de créditos colossais – é uma vantagem que agrega ao banco dessas duas formas. Quanto a sua carteira de crédito, o crescimento é espetacular: a carteira atingiu os R$ 970 bilhões com um crescimento de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi bem distribuído entre PJs, PFs e pelo agronegócio, mantendo seu perfil de vantagem sobre o ponto que citamos acima. O resultado desse crédito vem na linha de inadimplência. Assim como todas as instituições financeiras até o momento, a inadimplência do Banco do Brasil também subiu, atingindo os 2,34% no 3T22, um crescimento de 0,50pp comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A questão é que a inadimplência do banco está bem abaixo de seus pares e abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, que atualmente se encontra em 2,80%. Ou seja, essa elevação de inadimplência evidência o problema que citamos ao analisar o resultado do Bradesco sobre a deterioração de crédito do cenário por conta da alta da SELIC e do aperto no orçamento das famílias. Como o Banco do Brasil tem linhas de crédito mais “seguras”, sua inadimplência tende a ser bem menor.
Na linha de receita de prestação de serviços, houve crescimento forte de diversas linhas, com a receita total crescendo 14,6% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa é outra linha que o banco goza de benefícios: seguros, previdência, capitalização, abertura de contas e fundos são alguns dos produtos que existem linhas específicas e direcionadas para alguns grupos, além de fundos geridos e exclusivos para o próprio Estado. Não houve sequer uma linha de receita que contraiu, todas cresceram.
O índice de eficiência marcou um patamar histórico. Em queda por mais de dez trimestres seguidos, o índice registrou 31,6% no 3T22 contra 35,9% no 3T21. Lembrando que o índice de eficiência é um número que indica quanto da receita as despesas estão utilizando, quanto menor, melhor. Hoje o Banco do Brasil é disparadamente a instituição financeira com o menor número, e ele ter melhorado todo trimestre diz muito sobre a gestão, que tem mostrado plena capacidade e responsabilidade nos gastos, melhora clara de eficiência e uma aula de como fazer mais com menos.
Sobre demais indicadores (basileia, por exemplo) não trataremos pois a instituição segue saudável e sem surpresas.
O lucro líquido do trimestre foi de R$ 8.3 bilhões, contra R$ 5.1 bilhões no mesmo trimestre do ano passado, um crescimento de 63%.
É isso. O Banco do Brasil se tornou uma instituição impressionante: uma máquina de imprimir dinheiro, pura eficiência e de números impecáveis. Nossa ressalva (e aqui daremos somente a nossa opinião, sempre lembrando) é pro risco de ingerência.
Sempre que comentamos desse risco político, alguns tendem a hostilizar por viés de confirmação e amor a própria posição, mas daremos nossos 2 cents aqui.
Nós analisamos o Banco do Brasil sobre três óticas diferentes: governo Lula, governo Dilma e governo Bolsonaro. No governo Lula, a gestão não foi destrutiva – como já dizemos diversas vezes ao analisar o período econômico do seu primeiro e segundo mandato, o Lula não tinha escolha a não ser agradar o mercado e foi o que fez com uma gestão unindo desenvolvimentismo e mercado. O Banco do Brasil desempenhou bem e teve melhora dos números. Durante o governo Dilma, o jogo mudou. Sem valorizar qualquer sinalização do mercado, o banco foi utilizado para fins desenvolvimentistas e os números deterioraram, o custo foi o crescimento. Sob gestão do governo Bolsonaro, a mudança da água pro vinho: o banco se inclinou completamente ao mercado e atingiu seu ápice de eficiência, como os próprios números mostram. Não houve qualquer relevância desenvolvimentista e aqui a intenção não é tratar sobre quão importante isso é ou deveria ser, mas somente ilustrar como os números do banco reagem sob cada tipo de gestão.
Como todos sabem, em 2023 quem estará na presidência é o Lula novamente. O que não se sabe ainda é se a sua gestão será algo razoável para agradar ao mercado conservando a saúde da instituição ou uma gestão mais inclinada a o que a Dilma fez. O que foi dito até o momento (e isso veio de sua própria boca e plano de governo) é que a intenção é utilizar os bancos públicos para subsidiar programas sociais entre outros planos que hoje não podem ser realizados via Banco Central devido a autonomia conquistada em 2020. Veja, estamos trabalhando somente com as cartas que temos – o que foi dito e o que está planejado.
Mais uma vez: não é pra entrar no mérito de debate político, estamos tratando sobre fatores que impactam nos números da instituição.
Considerando tudo isso, a pergunta que o investidor deve fazer para investir ou continuar investido nas ações é: “eu estarei com a cabeça tranquila no travesseiro com o risco do Estado destruir a empresa para arcar com populismo?” – simples assim.
Nós não gostamos. É um risco chato que provavelmente continuará nos próximos quatro anos a não ser que exista uma base muito sólida para evitar isso. Existe lei das estatais, existe um congresso mais opositor, mas a canetada é um risco difícil de precificar.
Os números do Banco do Brasil impressionam, a instituição goza de benefícios que nenhum outro banco tem, mas a nossa filosofia de investimento é bem simples: investir naquilo que te permite dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Em temos financeiros o Banco do Brasil passa no crivo de qualquer um, é a instituição com melhores números do país, mas faça uma análise minuciosa sobre o quão tolerável é seu perfil quando se trata de risco de governança.
É o melhor banco do país com o pior sócio possível – e você tem que ver o que pesa mais na sua análise. Espere mais recordes no 4T22.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
É isso. O Banco do Brasil se tornou uma instituição impressionante: uma máquina de imprimir dinheiro, pura eficiência e de números impecáveis. Nossa ressalva (e aqui daremos somente a nossa opinião, sempre lembrando) é pro risco de ingerência.
Sempre que comentamos desse risco político, alguns tendem a hostilizar por viés de confirmação e amor a própria posição, mas daremos nossos 2 cents aqui.
Nós analisamos o Banco do Brasil sobre três óticas diferentes: governo Lula, governo Dilma e governo Bolsonaro. No governo Lula, a gestão não foi destrutiva – como já dizemos diversas vezes ao analisar o período econômico do seu primeiro e segundo mandato, o Lula não tinha escolha a não ser agradar o mercado e foi o que fez com uma gestão unindo desenvolvimentismo e mercado. O Banco do Brasil desempenhou bem e teve melhora dos números. Durante o governo Dilma, o jogo mudou. Sem valorizar qualquer sinalização do mercado, o banco foi utilizado para fins desenvolvimentistas e os números deterioraram, o custo foi o crescimento. Sob gestão do governo Bolsonaro, a mudança da água pro vinho: o banco se inclinou completamente ao mercado e atingiu seu ápice de eficiência, como os próprios números mostram. Não houve qualquer relevância desenvolvimentista e aqui a intenção não é tratar sobre quão importante isso é ou deveria ser, mas somente ilustrar como os números do banco reagem sob cada tipo de gestão.
Como todos sabem, em 2023 quem estará na presidência é o Lula novamente. O que não se sabe ainda é se a sua gestão será algo razoável para agradar ao mercado conservando a saúde da instituição ou uma gestão mais inclinada a o que a Dilma fez. O que foi dito até o momento (e isso veio de sua própria boca e plano de governo) é que a intenção é utilizar os bancos públicos para subsidiar programas sociais entre outros planos que hoje não podem ser realizados via Banco Central devido a autonomia conquistada em 2020. Veja, estamos trabalhando somente com as cartas que temos – o que foi dito e o que está planejado.
Mais uma vez: não é pra entrar no mérito de debate político, estamos tratando sobre fatores que impactam nos números da instituição.
Considerando tudo isso, a pergunta que o investidor deve fazer para investir ou continuar investido nas ações é: “eu estarei com a cabeça tranquila no travesseiro com o risco do Estado destruir a empresa para arcar com populismo?” – simples assim.
Nós não gostamos. É um risco chato que provavelmente continuará nos próximos quatro anos a não ser que exista uma base muito sólida para evitar isso. Existe lei das estatais, existe um congresso mais opositor, mas a canetada é um risco difícil de precificar.
Os números do Banco do Brasil impressionam, a instituição goza de benefícios que nenhum outro banco tem, mas a nossa filosofia de investimento é bem simples: investir naquilo que te permite dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Em temos financeiros o Banco do Brasil passa no crivo de qualquer um, é a instituição com melhores números do país, mas faça uma análise minuciosa sobre o quão tolerável é seu perfil quando se trata de risco de governança.
É o melhor banco do país com o pior sócio possível – e você tem que ver o que pesa mais na sua análise. Espere mais recordes no 4T22.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3) – 3T/2022
Mais um banco com resultado excelente, e o Itaú pouco atrás do Banco do Brasil. Como já tratamos em outra análise, o Banco do Brasil em termos quantitativos é inegavelmente o melhor banco do país atualmente – mas uma análise não cabe só aos números. Com um terceiro trimestre forte, o Itaú mostrou uma gestão privada de altíssimo valor mais uma vez. Vamos aos números.
No 3T22 o Itaú entregou uma margem financeira de R$ 23.9 bilhões, um crescimento expressivo de 22,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O crescimento veio forte na linha com clientes, em 33%, graças ao crescimento da SELIC no período, sendo que a margem com o mercado caiu 20,6% pela mesma razão, algo pontual pela dinâmica de tomada de taxa.
A PDD do Itaú, diferente da PDD do Bradesco, não teve aumento expressivo, saindo de R$ 5.5 bilhões no 3T21 para R$ 8.2 bilhões no 3T22 e R$ 7.8 bilhões no 2T22. Aqui é importante pontuarmos um “porém”: nem sempre os bancos se alinham em crédito dado, a dinâmica muda e o ritmo de expansão é diferente. O Bradesco provisionou um percentual mais alto no 3T22, mas o mesmo pode ocorrer com o BB ou o Itaú em algum semestre próximo por conta do ciclo de crédito de cada companhia. Ademais, os números do Itaú vieram muito bons sob esse prisma, sem aumento expressivo de PDD, com índice de inadimplência subindo ligeiramente (de 2,6% para 2,8% comparando o 3T21 ao 3T22) e em linha com a média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, hoje quase 90% da carteira do banco é de crédito de rating de alta qualidade, o que reforça os números de PDD e inadimplência.
Na linha de receita de prestação de serviços, os números vieram mais fracos que o do BB, mas fortes em algumas linhas. O destaque vai para o segmento de cartões de crédito e débito, com crescimento de 21%, sendo a ponta negativa a receita de serviços de conta corrente, que caiu 4,5%. Algo que é importante destacar, é que os bancos no geral estão se movendo para mudar o cenário que o Pix causou. Grande parte da receita de serviços de conta corrente vem de taxas de transferência, linha que a gratuidade do Pix mais fere. Como estratégia, os bancos estão dando isenção de taxas em suas contas entre outros pontos e emitindo mais cartões com mais benefícios, visando fidelizar os clientes e atacando diretamente as fintechs, que tem menor capacidade de crédito e menor capacidade de dar benefícios aos correntistas – uma iniciativa recente do Itaú que ilustra isso é o Player’s Bank, ataque direto ao público mais jovem e justamente mais propenso ao uso do Nubank, um do seus principais concorrentes na área de cartões.
A carteira de crédito do banco segue crescendo, com expansão de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos R$ 962 bilhões para os R$ 1.1 trilhão. Essa linha serve para reflexão e para compreender quão grande o Itaú é no cenário de crédito nacional. Apesar desse crescimento ter sido bem distribuído entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o Itaú tem aumentado bastante sua penetração no mercado de crédito imobiliário e roubado parte do mercado da CEF, que é a disparada líder nesse segmento de crédito. Crédito no setor imobiliário significa crédito mais seguro.
O índice de eficiência do banco, indicador importante que mostra como a instituição está lidando com a mudança de cenário (principalmente num mundo onde a digitalização se torna cada vez mais forte) também merece menção. O IE do Itaú caiu de 44% para 41%, uma melhora de 3,0pp. Considerando somente suas operações brasileiras (maior parte) o IE está no mesmo patamar do Banco do Brasil, que como já mencionamos, tem sido a estrela nesse sentido, um IE de 39%. É a menor taxa histórica da instituição e ilustra como os grandes bancos estão se movimentando para ter despesas mais responsáveis – lembrando que IE, quanto menor, melhor, significando basicamente o quanto o banco utiliza da receita para arcar com despesas não financeiras.
Mais um banco com resultado excelente, e o Itaú pouco atrás do Banco do Brasil. Como já tratamos em outra análise, o Banco do Brasil em termos quantitativos é inegavelmente o melhor banco do país atualmente – mas uma análise não cabe só aos números. Com um terceiro trimestre forte, o Itaú mostrou uma gestão privada de altíssimo valor mais uma vez. Vamos aos números.
No 3T22 o Itaú entregou uma margem financeira de R$ 23.9 bilhões, um crescimento expressivo de 22,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O crescimento veio forte na linha com clientes, em 33%, graças ao crescimento da SELIC no período, sendo que a margem com o mercado caiu 20,6% pela mesma razão, algo pontual pela dinâmica de tomada de taxa.
A PDD do Itaú, diferente da PDD do Bradesco, não teve aumento expressivo, saindo de R$ 5.5 bilhões no 3T21 para R$ 8.2 bilhões no 3T22 e R$ 7.8 bilhões no 2T22. Aqui é importante pontuarmos um “porém”: nem sempre os bancos se alinham em crédito dado, a dinâmica muda e o ritmo de expansão é diferente. O Bradesco provisionou um percentual mais alto no 3T22, mas o mesmo pode ocorrer com o BB ou o Itaú em algum semestre próximo por conta do ciclo de crédito de cada companhia. Ademais, os números do Itaú vieram muito bons sob esse prisma, sem aumento expressivo de PDD, com índice de inadimplência subindo ligeiramente (de 2,6% para 2,8% comparando o 3T21 ao 3T22) e em linha com a média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, hoje quase 90% da carteira do banco é de crédito de rating de alta qualidade, o que reforça os números de PDD e inadimplência.
Na linha de receita de prestação de serviços, os números vieram mais fracos que o do BB, mas fortes em algumas linhas. O destaque vai para o segmento de cartões de crédito e débito, com crescimento de 21%, sendo a ponta negativa a receita de serviços de conta corrente, que caiu 4,5%. Algo que é importante destacar, é que os bancos no geral estão se movendo para mudar o cenário que o Pix causou. Grande parte da receita de serviços de conta corrente vem de taxas de transferência, linha que a gratuidade do Pix mais fere. Como estratégia, os bancos estão dando isenção de taxas em suas contas entre outros pontos e emitindo mais cartões com mais benefícios, visando fidelizar os clientes e atacando diretamente as fintechs, que tem menor capacidade de crédito e menor capacidade de dar benefícios aos correntistas – uma iniciativa recente do Itaú que ilustra isso é o Player’s Bank, ataque direto ao público mais jovem e justamente mais propenso ao uso do Nubank, um do seus principais concorrentes na área de cartões.
A carteira de crédito do banco segue crescendo, com expansão de 16% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos R$ 962 bilhões para os R$ 1.1 trilhão. Essa linha serve para reflexão e para compreender quão grande o Itaú é no cenário de crédito nacional. Apesar desse crescimento ter sido bem distribuído entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o Itaú tem aumentado bastante sua penetração no mercado de crédito imobiliário e roubado parte do mercado da CEF, que é a disparada líder nesse segmento de crédito. Crédito no setor imobiliário significa crédito mais seguro.
O índice de eficiência do banco, indicador importante que mostra como a instituição está lidando com a mudança de cenário (principalmente num mundo onde a digitalização se torna cada vez mais forte) também merece menção. O IE do Itaú caiu de 44% para 41%, uma melhora de 3,0pp. Considerando somente suas operações brasileiras (maior parte) o IE está no mesmo patamar do Banco do Brasil, que como já mencionamos, tem sido a estrela nesse sentido, um IE de 39%. É a menor taxa histórica da instituição e ilustra como os grandes bancos estão se movimentando para ter despesas mais responsáveis – lembrando que IE, quanto menor, melhor, significando basicamente o quanto o banco utiliza da receita para arcar com despesas não financeiras.
Todos esses fatores levaram o Itaú a entregar um lucro de R$ 8.1 bilhão, representando uma alta de 19% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
De forma geral, o resultado do Itaú veio bem forte, e reforçou aquilo que falamos ao analisar o Bradesco: o problema de inadimplência no país é estrutural, mas longe da preocupação que o Bradesco demonstrou com tanto dinheiro em PDD. Vale lembrar sobre o ciclo diferente de crédito de cada instituição, mas até o momento sem evidências de deterioração estrutural mais grave de forma geral. Vale também mencionar que o Itaú entregou um ROE de 21% e está retornando ao seu patamar de recorde histórico aos poucos, ou seja, eficiência e imprimindo dinheiro, praticamente.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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De forma geral, o resultado do Itaú veio bem forte, e reforçou aquilo que falamos ao analisar o Bradesco: o problema de inadimplência no país é estrutural, mas longe da preocupação que o Bradesco demonstrou com tanto dinheiro em PDD. Vale lembrar sobre o ciclo diferente de crédito de cada instituição, mas até o momento sem evidências de deterioração estrutural mais grave de forma geral. Vale também mencionar que o Itaú entregou um ROE de 21% e está retornando ao seu patamar de recorde histórico aos poucos, ou seja, eficiência e imprimindo dinheiro, praticamente.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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