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Opinião e análise breve – Vamos ($VAMO3) – 3T/2022

Se tem um ticker que é autoexplicativo na bolsa brasileira, esse ticker é o da Vamos: definitivamente a empresa tem ido, e parece não querer parar.

Relevando a piada, mais um trimestre em que a Vamos entrega resultados espetaculares sendo um dos principais cases de crescimento da bolsa brasileira. Mesmo com um IPO recente, o que tende a causar desconfiança aos investidores, tem honrado seus planos e o que a companhia pretendia entregar ao longo de 2022 inteiro, conseguiu entregar já no final do terceiro trimestre, ou seja, cumpriu seu guidance com grande folga. Todo esse crescimento, obviamente, tem um custo e traz riscos a estrutura do negócio, e trataremos sobre brevemente por aqui. Vamos aos números.

No 3T22 a frota da Vamos continuou em plena expansão, crescendo 90% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com uma frota total de 38.561 veículos, sendo 7.947 de máquinas e 30.614 e caminhões. Vale mencionar também o crescimento comparado ao trimestre passado (2T22), com um crescimento de 14%, quando a frota total era de 33.940 – em cases de crescimento como o da Vamos, é sempre interessante analisar também as janelas de curto espaço de tempo pois os movimentos que essas companhias costumam realizar são grandes, acelerado, fica evidente como as mudanças são bruscas. A carteira de clientes da companhia também cresceu bem, de 1.470 no 3T21 para 3.042 no 3T22, e a companhia destaca que essa carteira de clientes é bem diversificada em perfis distintos em termos setoriais, o que a protege de crises mais “segmentadas”. Outro ponto positivo. Quanto maior a carteira, maior previsibilidade de receita, e quanto maior a diversificação, menor o risco conjuntural.

Outro ponto interessante a analisar sobre a Vamos, é o valor de mercado de aquisição dos ativos em relação ao valor da FIPE. Sendo uma gigante do segmento, ela consegue comprar esses caminhões por preços mais baixos, e em determinado momento, revender como seminovo com lucro. Para se ter ideia dessa situação, se a Vamos vendesse todos seus ativos hoje mesmo pelo preço da tabela FIPE, lucraria 40% - algo em torno de R$ 1.1 bilhão. Essa é uma de suas vantagens de escala que torna o negócio ainda mais sólido.

Partindo para as linhas financeiras tradicionais, a Vamos registrou uma receita líquida de R$ 1.37 bilhão no 3T22, representando um crescimento de 66% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando registrou R$ 830 milhões. Além do crescimento da receita, o operacional também tem se fortalecido, com um crescimento de EBITDA de 90% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 554 milhões, enquanto o lucro líquido da companhia cresceu 35%, atingindo R$ 150 milhões.

Ou seja, em termos de crescimento, a Vamos tem realizado um trabalho exemplar. Como já mencionamos, é uma das poucas empresas da recente safra de IPOs que tem realmente entregue o que prometeu sem uma porrada de jargões tech para enrolar o investidor. É um case de crescimento clássico onde a alavancagem e a boa gestão demonstram como um plano bem traçado gera resultados satisfatórios. E é sobre isso que veremos agora: alavancagem.

A dívida líquida da Vamos atingiu o valor de R$ 4.4 bilhões no 3T22, representando um crescimento de 132% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Porém, movimentos relevantes ocorreram entre o 2T22 e o 3T22.

Em setembro a companhia realizou um follow on de R$ 641 milhões e captou R$ 1.3 bilhão do mercado. Ambas operações reduziram a alavancagem da companhia, fazendo com que a dívida apresentasse ligeira queda entre o 2T22 e o 3T22 (de R$ 4.6 bilhões para R$ 4.4 bilhões), mas uma forte queda da alavancagem (dívida líquida sobre o EBITDA) de 3.2x no 2T22 para 2.6x no 3T22. Além disso, a Fitch Ratings elevou a nota de crédito da dívida da companhia para AAA, ou seja, hoje a Vamos tem a melhor nota possível em termos de risco de crédito demonstrando risco de inadimplência mínimo segundo a Fitch.
Em suma, a Vamos continua honrando seu plano e crescendo de forma acelerada. Sua dívida tem machucado um pouco, vide crescimento de custo médio subindo de 8,3% para 11,9% ao ano com essa elevação da SELIC e afins, mas esse é um dos benefícios que ela possui sendo líder do segmento com uma receita previsível e uma estrutura de capital sólida. Além de tudo isso, hoje o caixa da Vamos é suficiente para honrar todas as dívidas da companhia até 2027, praticamente. Mesmo com o resultado financeiro machucando, o operacional da companhia tem crescido junto com a receita, e provavelmente é uma das que vai brilhar forte no primeiro momento de uma possível queda de nossos juros. Nada disso significa que você deva menosprezar seus riscos relacionados a alavancagem, sempre lembrando.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – PetroRio ($PRIO3) – 3T/2022

Num mercado onde a Petrobras rouba tanta atenção, a PetroRio segue atingindo recordes atrás de recordes graças ao ciclo que estamos vivendo, mostrando como mesmo num setor completamente dominado por um colosso estatal, uma pequena empresa privada também pode dar um verdadeiro show de desempenho. Vamos aos números.

No 3T22, com o arrefecimento do preço do barril de petróleo no mercado global, o preço médio de venda do barril realizado pela PetroRio caiu 13% em relação ao 2T22, de US$ 108 o barril para US$ 94, mas comparando com o mesmo trimestre do ano passado, o aumento foi forte, na ordem de 27%, de US$ 74 para os US$ 94 – ou seja, o cenário beneficiou forte o resultado da companhia com o barril mais caro.

Na linha de produção, graças aos investimentos em novos campos e demais aquisições, a PetroRio segue expandindo a quantidade de barris de petróleo produzidos por dia. No 3T21 eram 31.6 mil barris, enquanto no 3T22 foi 45.8 mil barris, representando um aumento de 45% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. É importante citar aqui que o crescimento de produção tem crescido trimestre a trimestre graças as aquisições e investimentos em novos campos realizados pela empresa.

O lifting cost, jóia da coroa da companhia, segue melhorando e surpreendendo. No 3T22 foi registrado um lifting cost de US$ 9,5, contra um lifting cost de US$ 12,3 no 3T21, ou seja, queda de 23% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Os números ficam ainda mais surpreendentes quando a comparação é da máxima do lifting cost com a minimiza registrada nesse trimestre, significando uma queda de 80%. Ou seja, a companhia tem mostrado um trabalho incrível em eficiência. Lembrando que lifting cost nada mais é do que o custo de extração da companhia. Ou seja, ela tem um custo de pouco mais de nove dólares, enquanto o barril foi vendido por noventa e quadro dólares cada no trimestre. Sim, a margem é assustadoramente alta, por isso esse número é tão importante.

Sobre os campos de extração, não trataremos aqui para não tornar a análise (que tem o intuito de ser breve) tão extensa, mas o trabalho de expansão nos campos e melhora de eficiência segue, como citado, atingindo recorde e extração em alguns. Vale a leitura detalhada pelo release diretamente.

Na linha de receita, a porrada no resultado, lembrando que ela divulga os números dolarizados. A receita da companhia subiu de US$ 179 milhões para US$ 378 milhões, representando um crescimento de 110% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto o CPV não saiu do lugar, denotando o poder que uma companhia do tipo tem na alta do ciclo, dobrando sua receita sem ter um aumento de CPV relevante.

O resultado financeiro, por sua vez, teve uma melhora forte. Mesmo com a companhia alavancando suas operações para o investimento em campos existentes e aquisição de novos campos, a receita financeira por conta de captação recente causou uma queda de 96% no prejuízo, saindo de US$ 41 milhões para apenas US$ 1 milhão – ou seja, a alavancagem foi bem realizada, reduzindo custo e aumentando retorno.

Todos esses fatores levaram a PetroRio a entregar um lucro de US$ 154 milhões, representando um crescimento de 542% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, com melhora do operacional e eficiência em todos os pontos possíveis.

Finalizando, vale mencionar também que a companhia conseguiu apresentar melhora no seu perfil de dívida, com uma elevação de duration de 2.8 anos para 3.4 anos e uma queda de custo médio de 0,2pp atingindo os 5,8%. Vale salientar que o caixa disponível na companhia é suficiente para arcar com absolutamente toda a sua dívida, ou seja, em termos práticos a dívida líquida dela é zero e a alavancagem estratégica.
Não é exagero dizer que a PetroRio virou uma máquina de imprimir dinheiro. É isso: uma empresa em topo de ciclo fazendo o que uma empresa em topo de ciclo faz. Com um lifting cost cada vez menor, um ROE cada vez maior e uma margem líquida de quase 50%, a PetroRio é minúscula perto da Petrobras, mas uma gigante nos resultados. Se você gosta de empresa, lembre-se sempre da ciclicidade existente. Extrapolar o resultado atual da companhia para a perpetuidade não é correto – em algum momento o barril vai desabar de preço, o lucro da PetroRio vai cair junto e tudo mais, e aí entra o trabalho do investidor, entendendo que essa impressora de dinheiro tem momentos certos para funcionar.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3) – 3T/2022

Mais um trimestre sólido, mas ofuscado pela pressão inflacionária. Quem já investe na Sanepar, sabe muito bem como ela funciona: uma companhia conservadora, que trimestre a trimestre da pequenos passos, sem muito para onde crescer, entregando o crescimento já contratado de seus ligamentos e reajuste tarifário. No terceiro trimestre de 2022 isso seguiu, mas a inflação ainda machucou algumas linhas e o crescimento de lucro foi tímido. Vamos aos números.

No 3T22 a Sanepar seguiu com sua expansão já lenta mas promovida, com 67 mil novas ligações de águas comparado ao 3T21 (+2,0% atingindo 3.4 milhões) e 64 mil novas ligações de esgoto (+2,7% atingindo 2.4 milhões). Na linha de volume faturado de água, isso é, o consumo de água, houve aumento de 3,2% atingindo 132 milhões de metros cúbicos, enquanto no volume faturado de esgoto houve um crescimento mais expressivo, de 4,9%, ultrapassando a marca de 100 milhões de metros cúbicos, atingindo os 102 milhões, mais precisamente.

É importante destacar o volume dos reservatórios. Para refrescar a memória, em 2021 durante um longo tempo (mais de um ano, considerando também 2020) o estado do Paraná passou por forte racionamento de água por conta dos níveis dos reservatórios, e isso acabou gerando certas distorções nos números da Sanepar, inclusive melhorando alguns números de consumo em relação a perda e afins. Hoje a Sanepar está com 96% de seus reservatórios lotados, e para se ter ideia, no mesmo trimestre do ano passado esse número estava em 49% e chegou a quase 40% em determinado momento – um ponto crítico. Graças a volta das chuvas, esse risco de racionamento não existe para a companhia por agora.

Com todos os fatores qualitativos já destacados, falemos sobre a receita operacional. No 3T22 a Sanepar entregou um crescimento de receita de 8,4% atingindo os R$ 1.4 bilhão, recorde histórico da companhia. A receita de água cresceu 9,6% (representando R$ 950 milhões) e a receita de esgoto cresceu 7,6% (representando 547 milhões). O crescimento da receita foi em virtude de três fatores principais: (I) reajuste tarifário de 5%, (II) crescimento de volume faturado e (III) aumento do número de ligações – isso para ambas as linhas de serviço (água e esgoto).

Na linha de despesas e custos, o vilão da Sanepar que tem feito com que o crescimento de lucro seja tão tímido. Quatro linhas principais importam e serão mencionadas: (I) a linha de pessoal, com um crescimento de 22% por conta de reajustes salariais e acordos trabalhistas, (II) a linha de materiais com crescimento de 44% por conta de materiais utilizados no tratamento de esgoto entre outros produtos que sofreram forte inflação, (III) a linha de provisões para contingências, com um crescimento de 384% em virtude de valor provisionado para ações trabalhistas, e (IV) na ponta positiva a linha de energia elétrica, que registrou queda de 26,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado em virtude do corte de ICMS no preço da energia (de 29% para 18%). Tudo isso fez com que a Sanepar aumentasse suas despesas e custos em 16,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 967 milhões. Inflação machucando as margens.

Na linha do resultado financeiro, uma surpresa positiva. Com a alta de SELIC, a empresa tendia a ser mais atingida e ter mais gastos com juros, mas graças ao crescimento de sua receita financeira na ordem de 203% (de R$ 25 milhões para R$ 70 milhões) a companhia conseguiu mitigar o gasto com juros no período (que subiu 35% de R$ 93 milhões para R$ 126 milhões) fazendo com que o resultado financeiro consolidado tivesse uma queda de prejuízo de 39%, caindo de um prejuízo de R$ 93 milhões para um prejuízo de R$ 57 milhões. Não é algo expressivo, mas uma ótima notícia, visto que sem esse ganho financeiro o resultado poderia ser bem pior e fazer com que a Sanepar até mesmo entregasse queda no lucro comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Sobre o endividamento não falaremos tanto: a dívida da Sanepar é extremamente alongada, ela possui um caixa gordo e a alavancagem é bem baixa, longe de ser preocupante ou fator de atenção extrema. Vale o investidor fazer a própria leitura no release, visto que a Sanepar é uma das poucas companhias que detalha muito bem seu endividamento tornando a leitura até mesmo prazerosa. Ponto positivo, ainda mais num mercado onde algumas companhias fazem questão de praticamente omitir o próprio endividamento.

Tudo isso fez com que o lucro da Sanepar no período fosse de R$ 275 milhões, representando um crescimento tímido de 2,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

Como pontuamos no começo da análise, o lucro não foi espetacular. O crescimento foi pequeno, e isso ocorreu em razão da inflação ainda machucando as margens da companhia. É questão de tempo até que ela recupere essas margens e ainda achamos que a Sanepar é uma das estatais mais bem tocadas do país. Quanto algumas linhas de despesas, não há muito o que fazer: o que mais machucou no trimestre foi reajuste salarial, uma linha mais do que necessária de ocorrer e provisões para contingências trabalhistas. A linha de materiais usados também teve forte aumento, reflexo provavelmente do preço de alguns produtos químicos que tem sido inflacionados nos últimos meses muito por conta da guerra da Rússia e da Ucrânia, tendo em vista a questão de importação de alguns insumos.

Não achamos o resultado ruim – o crescimento de volume faturado e expansão de ligações é algo relevante, mas tratando-se de uma empresa de saneamento já estabelecida, não tem muita surpresa. Não adianta ler o release esperando um boom de lucro ou coisa do tipo: é o exemplo de companhia que podemos chamar de “devagar e sempre”, visto que sua receita já é contratada e garantida por reajustes.

Por agora, apenas esperar que a inflação passe a bater menos e deixar que os reajustes façam o trabalho das margens.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 3T/2022

Pé ainda no acelerador, recorde de faturamento, muito crescimento e o mesmo vilão se sempre, mas dessa vez, com melhoras de margens. O 3T22 da Fleury foi bem semelhante aos trimestres passados com a companhia seguindo seu plano de expansão via aquisição. Apesar do cenário de juros puxar o resultado financeiro da companhia para baixo, as margens tem melhorado e o operacional da Fleury segue se mostrando sadio. Vamos aos números.

No 3T22 a Fleury anunciou mais duas aquisições: Méthodos Laboratório, no valor de R$ 27,4 milhões e Retina Clinic no valor de R$ 21,0 milhões, além do fechamento da aquisição da Saga, no valor de R$ 156 milhões. As três aquisições estão em linha com a estratégia da Fleury de expansão a segmentos diversificados, sendo um do segmento de medicina diagnóstica, um do segmento de oftalmologia e um do segmento de infusão de sangue.

Na linha da receita, como já mencionado, a Fleury bateu um recorde mais uma vez, com R$ 1.23 bilhão no 3T22, um número 11,4% acima do valor registrado no 3T21. Apesar das aquisições acelerarem esse crescimento, a companhia cresceu 6,3% organicamente (ou seja, está crescendo também sem aquisições) e algo importante deve ser destacado: os exames de Covid-19 já representam uma quantidade insignificante da receita da companhia. No 3T22 representou apenas 1,5%, enquanto no 3T21 representou 6,0% e no 3T20 representou quase 11%. Isso é bom porque é praticamente um fator não recorrente, sendo que nos trimestres que já passaram, boa parte da receita veio disso. Para se ter ideia, se excluirmos as receitas de exames de Covid-19 do 3T21, a receita nesse trimestre teria crescido quase 17%, ou seja, sempre analise nos detalhes os fatores que geram a receita da empresa.

Quanto a suas marcas, bons números. Comparado ao 3T21 todas suas marcas cresceram forte: a Fleury cresceu 8,7%, as marcas do Rio de Janeiro cresceram 12,3% e a marca a+ de São Paulo cresceu 19,5%. No consolidado o crescimento foi de 17,7%, lembrando que esse número é mensurado pela receita gerada em cada marca.

Indo um pouco além e falando ainda sobre fatores qualitativos importantes: a Fleury (consolidado) realizou 2.1 milhões de atendimentos no 3T22, 20,4% acima do 3T21, realizou 20.8 milhões de exames, 32% acima do 3T21 e a receita bruta por exame teve queda de 10,6%, de R$ 53,10 no 3T21 para R$ 47,50 no 3T22. O número a princípio parece ruim, mas explicamos. Como já mencionado diversas vezes, a Fleury está crescendo de forma não orgânica, principalmente, comprando marcas e aumentando seu negócio por aquisições. A redução de receita bruta por exame reflete o perfil dessas aquisições e dos novos mercados que ela tem atacado, mercados esses com exames de tickets médios mais baixos, mas com margens mais altas. Ou seja, analisar esse número de forma isolada pode induzir ao erro.

Na linha de custos, bons números no geral: a linha de pessoal foi a que mais cresceu, custando 33,8% da receita líquida contra 33,0% no 3T21. Esse crescimento ocorre principalmente pelas aquisições, movimento normal de aumento de funcionários principalmente para realização de processos temporários.

A linha positiva veio sobre a linha de despesas operacionais, que de 11,8% da receita líquida passou a custar apenas 9,8% da receita líquida no 3T22 em virtude da diluição de custos e melhora de eficiência da companhia.
Na linha de resultado financeiro, o fator que tem ofuscado completamente o resultado da Fleury (e de outra porrada de companhias): o custo de dívida. No 3T22 a Fleury teve um resultado financeiro de um prejuízo na ordem de R$ 99 milhões, isso é praticamente o dobro de prejuízo registrado no 3T21. O motivo, como obvio, é a alta da SELIC, que tem tornado a dívida mais cara. Vale aqui mencionar que todas essas companhias que estão sofrendo forte com gasto de dívida hoje, no primeiro momento de queda da SELIC terão um fôlego e melhora expressiva do lucro, visto que o financeiro deixará de pesar. Quanto ao endividamento da Fleury, sem muitas novidades, a alavancagem segue estável na ordem de 1,8x dívida líquida sobre EBITDA e bem abaixo dos 3,0x limitados pelos covenants da empresa.

Todos esses fatores fizeram com que o lucro da Fleury atingisse R$ 96.7 milhões no 3T22, praticamente estabilidade, contra R$ 96.4 milhões no 3T21.

Não citamos sobre as margens da Fleury, mas esse trimestre demonstrou algo importante: comparado ao 2T22, todas as margens melhoraram, principalmente em termos de inflação, isso denota o repasse de preço da Fleury aos seus produtos e indica o início do processo de retomada das margens. Infelizmente o resultado financeiro segue pressionado e assim seguirá enquanto a SELIC estiver nesse patamar. O gasto com dívida praticamente dobrou comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas é inegável que a estratégia de crescimento tem sido um sucesso, com todas as aquisições entregando o que a Fleury busca e o crescimento ocorrendo não só pelas aquisições, mas principalmente de forma orgânica, como bem citamos ao tratar sobre as marcas da companhia. No mais, a quantidade de caixa que ela tem gerado também é algo que deve ser mencionado, sendo uma das suas vantagens. Talvez mais um provável business que irá explodir numa queda de juros futura.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Multiplan ($MULT3) – 3T/2022

E quem falou que os shoppings acabariam... errou.

A pandemia caiu como um meteoro no setor de shoppings brasileiro: obrigados a fecharem suas portas por tempo indeterminado e sem funcionar durante meses, diversos shoppings no país tiveram forte redução de clientes ao mesmo tempo que o e-commerce ganhava cada vez mais espaço. Isso fundamentou uma tese um tanto quanto ousada: a de que shoppings acabariam por conta da mudança de preferência dos consumidores, que abririam a mão desses espaços para comprar somente pela internet. Quase 3 anos se passaram e podemos afirmar de que a tese foi um grande erro – a Multiplan ilustra isso com seu crescimento. Vamos aos números. Para a análise ficar mais clara, compararemos alguns números com 2019, visto que foi um ano sem qualquer problema relacionado a pandemia.

No 3T22 a Multiplan entregou uma receita líquida de R$ 455 milhões, um crescimento de 42% em relação ao 3T21 e 39% em relação ao 3T19. Essa receita veio numa crescente das três principais linhas: a receita de locação cresceu 26% em relação ao 3T21 (e 42% em relação ao 3T19), a receita de serviços cresceu 37% em relação ao 3T21 (e 5% em relação ao 3T19) e a receita de estacionamento cresceu 39% em relação ao 3T21 (e 17% em relação ao 3T19). Apesar da receita de locação compor a principal fonte de receita do negócio, a linha de serviços e estacionamento também são importantes, principalmente quando tratamos do quão frequentado os shoppings estão sendo. Em resumo, os números de 2022 estão expressivamente maiores do que os de 2019, com exceção da linha de serviços, que ainda que esteja maior, está se recuperando.

Tratando sobre outros indicadores operacionais, a venda dos lojistas também reflete a recuperação do setor. No 3T22 a Multiplan registrou R$ 4.8 bilhões de volume vendido, um crescimento de 28,3% em relação ao 3T21 e 26% em relação ao 3T19. Além disso, foi a máxima histórica registrada em janelas de 9 meses e 12 meses, com os números bem acima dos índices de inflação do período. Vale destacar também que entre todos os shoppings da companhia (19 até o 3T22), todos demonstraram forte crescimento de vendas entre o 3T21 e o 3T22, e comparado ao 3T19 apenas três operações mostraram retração: o New York City Center, com retração de 27% de volume vendido, o Shopping Vila Olímpia com retração de 24% de volume vendido e o Shopping Santa Úrsula com retração de 35% de volume vendido sendo o de maior queda registrado. As demais operações demonstraram forte crescimento, sendo que algumas (como o Village Mall e o Park Shopping Maceió) apresentaram crescimento de algo próximo de 50% ou mais. A média das 19 operações foi de um crescimento de 28% em relação ao 3T21 e 26% em relação ao 3T19.

Na linha de vendas nas mesmas lojas, a recuperação também fica evidente. Comparado ao 3T21, todos os segmentos (alimentação, vestuário, artigos de casa & escritório, diversos e serviços) tiveram crescimento, com uma média de crescimento de 24%. Comparado ao 3T19, também houve crescimento, somente com a linha de artigos de casa & escritório demonstrando desempenho fraco com crescimento de apenas 1%, resultante principalmente do arrefecimento do setor de incorporação, setor completamente correlacionado.

Sobre a dívida da companhia, números também positivos. No ápice da pandemia os indicadores assustavam quando falávamos sobre alavancagem, com a receita esmagada pelo momento inesperado de portas fechadas e uma dívida crescente, a alavancagem se aproximou do limite dos convenentes, de 4,0x dívida líquida sobre EBITDA, mas agora com o operacional saudável novamente, é o sétimo trimestre seguido de queda de alavancagem, com a empresa registrando a menor alavancagem da década num patamar de 1,7x dívida líquida sobre EBITDA. A dívida líquida também teve queda de 8% comparado ao 2T22 graças a forte geração de caixa da Multiplan e não há qualquer evidência de uma dívida problemática – pelo contrário, a alavancagem e o perfil têm melhorado com o fortalecimento do operacional.
Todos esses fatores levaram a Multiplan a lucrar R$ 186 milhões no 3T22, um crescimento de 87% em relação ao 3T21 e 53% em relação ao 3T19. A margem líquida também melhorou, subindo de 33% para 42% tanto no 3T21 quanto no 3T19.

Como mencionamos, entre 2020 e 2021 o setor de shopping sofreu fortes ataques especulativos. Quem tem fundos imobiliários desse segmento, sabe bem sobre o que estamos falando: algumas teses mais ousadas arriscavam que era o fim do setor, que os shoppings acabariam, que o e-commerce seria o carro-chefe do consumo e não haveria mais qualquer motivo para que shoppings fossem frequentados. Nós nunca concordamos com essas teses e temos alguns textos da época (2020 e 2021) registrados em nossos relatórios econômicos que deixavam bem claro nossa opinião sobre: shoppings não são somente locais de consumo, mas principalmente experiência. Um local de segurança, bom ambiente e que consolida diversos passeios interessantes, de alimentação ao cinema. Não acreditamos que o setor acabe e sim que esse seja somente o início de uma plena recuperação. A título de curiosidade, o setor de shoppings foi um dos mais resilientes durante crises – até mesmo durante a crise de 2014 a 2016 o setor cresceu. Vale a reflexão.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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Opinião e análise breve – Ambipar ($AMBP3) – 3T/2022

Como já falamos em outros trimestres, a Ambipar faz parte da parte boa da última safra de IPOs da bolsa brasileira. Parte boa por um simples motivo: ela tem entregado tudo o que tem prometido. Crescimento forte pautado em bons fundamentos com uma estratégia de aquisição. O problema é que boa parte dos investidores menores cometem o deslize de analisar somente a linha de lucro, uma análise que costumamos chamar de fraca – o lucro importa, mas as vezes é o que menos importa. No caso da Ambipar, é próximo dessa linha. A companhia tem realizado um trabalho incrível com sua estratégia de aquisições, mas alguns pontos tem ofuscado isso – o resultado financeiro principalmente. Vamos aos números.

No 3T22 a Ambipar entregou uma receita líquida de R$ 980 milhões, sendo R$ 398 milhões do seu segmento de Response e R$ 580 milhões do seu segmento de response (lembrando que a companhia se divide nesses dois núcleos do segmento de gestão ambiental, sendo o environment voltado mais a gestão de resíduos, processamento e afins e o response a prevenção de acidentes entre outros fatores relacionados). Esse crescimento de receita representa um aumento de 59% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que o environment cresceu 52% e o response 71%. Algo importante a ser destacado, o que caracteriza uma de suas vantagens, é o fato de que boa parte de sua receita vem também do mercado externo – no caso do 3T22, foi 62%. Isso cria um cenário de proteção em momentos de crise pelo fator cambial. Vale mencionar também que o crescimento da receita da companhia não ocorreu somente por conta das aquisições: o crescimento orgânico foi de 21% comparado ao 3T21, ou seja, há crescimento tanto pelas aquisições quanto pelos próprios negócios já existentes.

A margem operacional da companhia teve um crescimento de 1,6pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado, saindo dos 26,2% para os 27,8% no 3T22. O destaque vai para o segmento de environment, que vem melhorando sua margem trimestre a trimestre, enquanto o segmento de response apesar de ter apresentado queda em relação ao 3T21, apresentou crescimento em relação ao 2T22. É necessário sempre considerar que o response tem maior exposição ao câmbio, então as margens podem tender a maior volatilidade, sendo que essas alterações trimestres a trimestres não são fator de preocupação.

O resultado financeiro líquido da companhia é a principal linha a ser analisada. Como já mencionamos, a Ambipar tem como estratégia crescer via aquisições, e para isso, ela se alavanca, contrai dívida. No 3T22 a companhia teve um resultado financeiro de prejuízo na ordem de R$ 158 milhões, isso significa um prejuízo 270% maior do que o registrado no 3T21. O motivo é a alta da SELIC: quase toda a sua dívida está atrelada ao CDI (que segue a SELIC) com uma indexação média de CDI+3%, ou seja, a dívida está caríssima com a SELIC no atual patamar. Esse resultado financeiro é suficiente para apagar todo o resultado operacional da companhia: em uma ponta ela gera um EBITDA forte, no outro, a dívida é cara e torna necessária a companhia gastar boa parte do faturamento para pagá-la.

Esse cenário de pressão do resultado finaiceiro fez com que a Ambipar registrasse um lucro líquido de R$ 33 milhões, representando uma queda de 24% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.

A questão da empresa aqui é: seu operacional está brilhando. Seu EBITDA crescendo forte, suas aquisições gerando valor e resultado e a estratégia indo conforme o esperado, mas o custo do pagamento da dívida tem ofuscado completamente tudo isso. Por isso falamos no começo do texto: análise de lucro é análise fraca. A menos que você acredite que a SELIC continuará nas alturas como agora por um longo período (o que é improvável e insustentável), o correto é dar atenção principalmente ao operacional da empresa, que tem se mostrado forte e com números cada vez melhores.

Mais uma companhia da série das companhias que tem altíssimo potencial de decolar no momento que a SELIC entrar em seu curso de queda.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.

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