Opinião e análise breve – WEG ($WEGE3) – 3T/2022
Mais um mês de atropelo da WEG em termos de resultado.
Já está recorrente fazer a leitura dos resultados da companhia e escrever que ela impressionou com seus números, mas simplesmente não há o que fazer: num mundo que está enfrentando a incerteza e boa parte dos países estão ardendo em chamas inflacionárias, a WEG segue atravessando essas intempéries com maestria, sinalizando a experiência da gestão ao tocar o negócio e a qualidade de sua marca, fidelizando os clientes nos momentos mais críticos. A própria gestão mencionou em seu release a surpresa com os números e que a expectativa lá no 1T22 era bem pior.
Pois bem, vamos aos números.
No 3T22 a WEG entregou uma receita líquida de R$ 7.9 bilhões, atingindo, mais uma vez, uma receita histórica em termos trimestrais, com um número representando 27,6% acima do 3T21. A diversificação da sua receita segue boa, sendo metade oriunda do mercado interno e metade oriunda do mercado externo, ou seja, diversificação de moeda, o que protege bem a companhia em momentos mais incertos.
A receita do mercado externo merece menção isolada: a companhia atingiu US$ 757 milhões nesse trimestre, o que significa uma alta de 21,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que o crescimento de demanda ocorreu em toda as regiões, principalmente nos países da América do Norte (+42,2%) e na Europa (+24%) – mesmo com esse crescimento da Europa, sua representatividade caiu 2,9%, algo não surpreendente considerando o cenário geopolítico atual que tem impactado forte a economia da região. Em relação ao câmbio, entre o 3T21 e o 3T22 praticamente não houve mudança, com o dólar saindo de R$ 5,23 para R$ 5,24 – ou seja, na ponta final da receita líquida, a melhora foi realmente por demanda.
Indo um pouco além e segmentando a receita, vemos que todas suas áreas de negócios desempenharam bem. A área de EEI (equipamentos eletroeletrônicos industriais) cresceu tanto no mercado interno quanto no externo de forma expressiva por conta da melhora do cenário econômico brasileiro e dos segmentos de commodities no exterior, a área de GTD (geração, transmissão e distribuição de energia) cresceu forte no mercado interno em virtude da expansão do uso da energia solar, venda de aerogeradores e infra de transmissão de energia e a área de tintas e vernizes também cresceu em ambos os mercados ainda com demanda aquecida por conta da melhora econômica nacional em termos de infraestrutura e exportação para mercados da América Latina. Lembrando que a área de EEI e a área de GTD representam quase 87% de todo o faturamento da companhia – esse é o foco.
Na área dos custos dos produtos vendidos, uma das principais linhas positivas do release do trimestre. A WEG teve um crescimento de 5,3% de CPV mas uma receita bem maior, ou seja, houve melhoria das margens e a inflação parou de bater na companhia como estava ocorrendo em trimestres passados. A margem bruta da empresa subiu 1,8pp comparado ao 3T21 e 3,2pp comparado ao 2T22, voltando aos 30,6% e mostrando caminho de recuperação de suas operações. Lembrando que o aço e o cobre são os principais produtos que impactam nos seus custos. Essa menor pressão de margens também significou melhora da margem operacional, com um crescimento de 1,3pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado e voltando aos 20%. Em resumo, as margens da companhia foram o destaque do trimestre, com a WEG mostrando sua capacidade e sua eficiência operacional.
Finalizando, o lucro líquido da companhia foi de R$ 1.15 bilhão, representando um crescimento de 42,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, e houve melhora da margem de lucro líquido de 1,5pp, subindo para 14,6%.
Demais pontos sobre endividamento e afins não serão mencionados porque a companhia não tem dívida ou qualquer alavancagem relevante para ser citada numa leitura breve como essa.
Mais um mês de atropelo da WEG em termos de resultado.
Já está recorrente fazer a leitura dos resultados da companhia e escrever que ela impressionou com seus números, mas simplesmente não há o que fazer: num mundo que está enfrentando a incerteza e boa parte dos países estão ardendo em chamas inflacionárias, a WEG segue atravessando essas intempéries com maestria, sinalizando a experiência da gestão ao tocar o negócio e a qualidade de sua marca, fidelizando os clientes nos momentos mais críticos. A própria gestão mencionou em seu release a surpresa com os números e que a expectativa lá no 1T22 era bem pior.
Pois bem, vamos aos números.
No 3T22 a WEG entregou uma receita líquida de R$ 7.9 bilhões, atingindo, mais uma vez, uma receita histórica em termos trimestrais, com um número representando 27,6% acima do 3T21. A diversificação da sua receita segue boa, sendo metade oriunda do mercado interno e metade oriunda do mercado externo, ou seja, diversificação de moeda, o que protege bem a companhia em momentos mais incertos.
A receita do mercado externo merece menção isolada: a companhia atingiu US$ 757 milhões nesse trimestre, o que significa uma alta de 21,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que o crescimento de demanda ocorreu em toda as regiões, principalmente nos países da América do Norte (+42,2%) e na Europa (+24%) – mesmo com esse crescimento da Europa, sua representatividade caiu 2,9%, algo não surpreendente considerando o cenário geopolítico atual que tem impactado forte a economia da região. Em relação ao câmbio, entre o 3T21 e o 3T22 praticamente não houve mudança, com o dólar saindo de R$ 5,23 para R$ 5,24 – ou seja, na ponta final da receita líquida, a melhora foi realmente por demanda.
Indo um pouco além e segmentando a receita, vemos que todas suas áreas de negócios desempenharam bem. A área de EEI (equipamentos eletroeletrônicos industriais) cresceu tanto no mercado interno quanto no externo de forma expressiva por conta da melhora do cenário econômico brasileiro e dos segmentos de commodities no exterior, a área de GTD (geração, transmissão e distribuição de energia) cresceu forte no mercado interno em virtude da expansão do uso da energia solar, venda de aerogeradores e infra de transmissão de energia e a área de tintas e vernizes também cresceu em ambos os mercados ainda com demanda aquecida por conta da melhora econômica nacional em termos de infraestrutura e exportação para mercados da América Latina. Lembrando que a área de EEI e a área de GTD representam quase 87% de todo o faturamento da companhia – esse é o foco.
Na área dos custos dos produtos vendidos, uma das principais linhas positivas do release do trimestre. A WEG teve um crescimento de 5,3% de CPV mas uma receita bem maior, ou seja, houve melhoria das margens e a inflação parou de bater na companhia como estava ocorrendo em trimestres passados. A margem bruta da empresa subiu 1,8pp comparado ao 3T21 e 3,2pp comparado ao 2T22, voltando aos 30,6% e mostrando caminho de recuperação de suas operações. Lembrando que o aço e o cobre são os principais produtos que impactam nos seus custos. Essa menor pressão de margens também significou melhora da margem operacional, com um crescimento de 1,3pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado e voltando aos 20%. Em resumo, as margens da companhia foram o destaque do trimestre, com a WEG mostrando sua capacidade e sua eficiência operacional.
Finalizando, o lucro líquido da companhia foi de R$ 1.15 bilhão, representando um crescimento de 42,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, e houve melhora da margem de lucro líquido de 1,5pp, subindo para 14,6%.
Demais pontos sobre endividamento e afins não serão mencionados porque a companhia não tem dívida ou qualquer alavancagem relevante para ser citada numa leitura breve como essa.
Em resumo, finalizamos com a mesma fala que abrimos nossa opinião: foi mais um trimestre de atropelo da WEG. Essa melhora dos números de forma tão expressiva não era algo esperado sequer para a gestão da companhia, como bem citam no release trimestral: é necessário lembrar sempre da conjuntura que estamos vivendo, com crise no mundo desenvolvido, inflação forte, queda de demanda, instabilidade política entre outros pontos e ainda assim a WEG está conseguindo crescer seus resultados de forma fantástica principalmente no mercado interno, com a economia brasileira também surpreendendo, com as empresas realizando grandes investimentos e demandando produtos da WEG.
Manter o pé no chão também é necessário: a situação global está difícil e caótica, mas até o momento, não despontou nenhuma grande crise que batesse no consumo global como uma crise realmente bate. O que é ruim sempre pode piorar, então para o investidor que gosta de projetar cenários, um viés mais pessimista com um cenário mais desafiador é mais provável do que um cenário de bonança. Estamos dizendo que a WEG vai se afundar? Não, obviamente que não, estamos apenas dizendo para não se empolgar com números fortes pois o cenário atual tem mais fatores negativos do que positivo, então uma brecada nesses números da WEG não seria surpresa num cenário de contração do cenário externo.
Mais um trimestre de resultados fortíssimos com a WEG quebrando qualquer modelo de valuation por mais otimista que seja.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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www.findocs.com.br
Manter o pé no chão também é necessário: a situação global está difícil e caótica, mas até o momento, não despontou nenhuma grande crise que batesse no consumo global como uma crise realmente bate. O que é ruim sempre pode piorar, então para o investidor que gosta de projetar cenários, um viés mais pessimista com um cenário mais desafiador é mais provável do que um cenário de bonança. Estamos dizendo que a WEG vai se afundar? Não, obviamente que não, estamos apenas dizendo para não se empolgar com números fortes pois o cenário atual tem mais fatores negativos do que positivo, então uma brecada nesses números da WEG não seria surpresa num cenário de contração do cenário externo.
Mais um trimestre de resultados fortíssimos com a WEG quebrando qualquer modelo de valuation por mais otimista que seja.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 3T/2022
O resultado do terceiro trimestre da Ambev já saiu, e as manchetes, todos já devem ter visto: “queda de lucro”, “lucrou menos”, “lucro desabando” e afins. Sim, houve queda de lucro, mas como sempre falamos ao realizar leituras de resultados, analisar somente a linha de lucro é um erro. É análise fraca. Em alguns casos, é a linha que menos importa dependendo do desempenho do negócio. Na análise abaixo, mostraremos como mesmo com essa queda de lucro em virtude de fatores temporários e não recorrentes, a Ambev demonstrou um crescimento sólido e demonstrou o poder da sua marca em termos de repasse de preço. Vamos lá.
No 3T22 a Ambev apresentou números recordes em duas linhas importantes no consolidado de todas suas operações: a de volume vendido e de receita líquida. Na linha de volume, a companhia atingiu os 46.2 milhões de hectolitros vendidos, com um crescimento de 1,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto a receita líquida foi de R$ 20.5 bilhões, representando um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Essas duas linhas importam porque desconstroem parte daquela narrativa que ouvíamos bastante há alguns anos, quando era dito que as cervejarias artesanais e a Heineken destruiriam a demanda pelos produtos da Ambev. Como falamos todo trimestre, até agora não há qualquer evidência disso, com a companhia sempre crescendo em volume e inclusive repassando a inflação aos seus preços de forma sólida, vide crescimento de receita de quase 20% com pouco aumento de volume vendido.
Ainda sobre receita e volume, trataremos de forma isolada sobre todas as operações da companhia.
Em Cerveja Brasil (principal operação da Ambev) o crescimento de volume ficou estável, próximo de zero, mas a receita cresceu 17,1% - fator que mostra o poder da marca da companhia que mesmo sem crescimento forte de volume vendido, teve aumento forte de receita, conseguindo repassar a inflação ao preço dos produtos sem que o consumidor parasse de consumir.
Em NAB Brasil (bebidas não alcóolicas, segunda maior operação da companhia) o crescimento de volume foi forte, na ordem de 10,2% comparado ao mesmo trimestre, enquanto a receita líquida cresceu incríveis 35,8% - a Ambev ressalta que esse resultado ocorre pelo poder da marca e pelo foco nos produtos certos do portfólio, com destaque as bebidas energéticas, Red Bull, Gatorade, H2OH!, Guaraná e Pepsi Black. Esse é um mercado que a Ambev ainda tem muito espaço para ganhar, inclusive, e está ganhando, como mostram os números acima.
Em CAC (América Central e Caribe) o desempenho foi fraco. O volume caiu 18,7% e a receita caiu 7,4% (mais uma vez, prestar atenção na relação de volume e receita como a empresa trabalha com a dinâmica de repasse de preço), e isso é explicado por fatores maiores fora do controle da companhia: a Repúbica Dominana e o Panamá são dois países de extrema importância nessa operação, sendo que ambos ainda passam por problemas logísticos, problemas inflacionários e esse trimestre inclusive foram atingidos por furacões que acabaram causando queda de consumo e diminuição de saída de casa.
Em LAS (América Latina Sul) houve crescimento de 4,5% do volume e 7,4% da receita. A companhia alega que o crescimento foi impulsionado principalmente por conta das marcas premium na região (Budweiser e Corona). Vale lembrar que aqui tratamos também sobre a Argentina, que está com uma situação caótica e é um dos calos no pé da companhia. Longe de ser preocupante, visto que a importância do país nos resultados da companhia é baixa, mas ainda assim, um fator negativo a ressaltar.
Em Canadá, o volume cresceu 3,4% e a receita cresceu 6,6%, impulsionados pela marca Corona e Stella Artois. A Ambev tem apostado em marcas premium para expandir os negócios fora da região BR/LAS e tem dado certo.
O resultado do terceiro trimestre da Ambev já saiu, e as manchetes, todos já devem ter visto: “queda de lucro”, “lucrou menos”, “lucro desabando” e afins. Sim, houve queda de lucro, mas como sempre falamos ao realizar leituras de resultados, analisar somente a linha de lucro é um erro. É análise fraca. Em alguns casos, é a linha que menos importa dependendo do desempenho do negócio. Na análise abaixo, mostraremos como mesmo com essa queda de lucro em virtude de fatores temporários e não recorrentes, a Ambev demonstrou um crescimento sólido e demonstrou o poder da sua marca em termos de repasse de preço. Vamos lá.
No 3T22 a Ambev apresentou números recordes em duas linhas importantes no consolidado de todas suas operações: a de volume vendido e de receita líquida. Na linha de volume, a companhia atingiu os 46.2 milhões de hectolitros vendidos, com um crescimento de 1,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto a receita líquida foi de R$ 20.5 bilhões, representando um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Essas duas linhas importam porque desconstroem parte daquela narrativa que ouvíamos bastante há alguns anos, quando era dito que as cervejarias artesanais e a Heineken destruiriam a demanda pelos produtos da Ambev. Como falamos todo trimestre, até agora não há qualquer evidência disso, com a companhia sempre crescendo em volume e inclusive repassando a inflação aos seus preços de forma sólida, vide crescimento de receita de quase 20% com pouco aumento de volume vendido.
Ainda sobre receita e volume, trataremos de forma isolada sobre todas as operações da companhia.
Em Cerveja Brasil (principal operação da Ambev) o crescimento de volume ficou estável, próximo de zero, mas a receita cresceu 17,1% - fator que mostra o poder da marca da companhia que mesmo sem crescimento forte de volume vendido, teve aumento forte de receita, conseguindo repassar a inflação ao preço dos produtos sem que o consumidor parasse de consumir.
Em NAB Brasil (bebidas não alcóolicas, segunda maior operação da companhia) o crescimento de volume foi forte, na ordem de 10,2% comparado ao mesmo trimestre, enquanto a receita líquida cresceu incríveis 35,8% - a Ambev ressalta que esse resultado ocorre pelo poder da marca e pelo foco nos produtos certos do portfólio, com destaque as bebidas energéticas, Red Bull, Gatorade, H2OH!, Guaraná e Pepsi Black. Esse é um mercado que a Ambev ainda tem muito espaço para ganhar, inclusive, e está ganhando, como mostram os números acima.
Em CAC (América Central e Caribe) o desempenho foi fraco. O volume caiu 18,7% e a receita caiu 7,4% (mais uma vez, prestar atenção na relação de volume e receita como a empresa trabalha com a dinâmica de repasse de preço), e isso é explicado por fatores maiores fora do controle da companhia: a Repúbica Dominana e o Panamá são dois países de extrema importância nessa operação, sendo que ambos ainda passam por problemas logísticos, problemas inflacionários e esse trimestre inclusive foram atingidos por furacões que acabaram causando queda de consumo e diminuição de saída de casa.
Em LAS (América Latina Sul) houve crescimento de 4,5% do volume e 7,4% da receita. A companhia alega que o crescimento foi impulsionado principalmente por conta das marcas premium na região (Budweiser e Corona). Vale lembrar que aqui tratamos também sobre a Argentina, que está com uma situação caótica e é um dos calos no pé da companhia. Longe de ser preocupante, visto que a importância do país nos resultados da companhia é baixa, mas ainda assim, um fator negativo a ressaltar.
Em Canadá, o volume cresceu 3,4% e a receita cresceu 6,6%, impulsionados pela marca Corona e Stella Artois. A Ambev tem apostado em marcas premium para expandir os negócios fora da região BR/LAS e tem dado certo.
Repetindo: no consolidado a companhia entregou um crescimento de 1,3% no volume atingindo 45.6 milhões de volume e 18,9% de crescimento de receita. A receita por hectolitro também subiu forte, em 17,4%, mostrando o poder da companhia e de suas marcas em repassar seus preços em momentos inflacionários.
O destaque negativo da companhia vai para dois pontos. O primeiro, suas despesas. Ainda com pressão inflacionária, o lucro operacional da companhia caiu 0,5%, fazendo com que o crescimento de volume e receita fosse ofuscado. O segundo ponto foi a linha de resultado financeiro, que por conta de derivativos, a companhia teve um prejuízo no resultado financeiro de R$ 1.25 bilhão.
Esses dois fatores fizeram com que a Ambev entregasse um lucro líquido de R$ 3.2 bilhões, 13,4% abaixo do lucro líquido reportado no mesmo trimestre do ano passado.
Ou seja, a razão da queda do lucro é clara: ainda há pressão inflacionária batendo nas linhas finais e o resultado financeiro também apertou um pouco por conta de derivativos.
Nossa opinião sobre é: esses fatores são temporários. A inflação já tem dado sinal de arrefecimento e uma hora ou outra o cenário irá estabilizar. A lição de casa a Ambev tem feito, conseguindo aumentar o volume vendido da companhia ao passo que repassa preço nos produtos, vide o cenário de Cervejas Brasil, principal linha operacional da companhia, que mesmo sem crescimento significante de volume, teve crescimento forte de receita mostrando como o consumidor ainda compra muito seus produtos mesmo aumentando forte o preço. A melhora nas linhas finais irá ocorrer na calmaria do cenário. Enquanto isso, nenhuma evidência de perda de market share ou afins, como alguns tanto pregavam há alguns anos. Vale também mencionar o crescimento no segmento não alcóolico, segmento de altíssimo potencial que a Ambev tem muito a ganhar espaço ainda.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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O destaque negativo da companhia vai para dois pontos. O primeiro, suas despesas. Ainda com pressão inflacionária, o lucro operacional da companhia caiu 0,5%, fazendo com que o crescimento de volume e receita fosse ofuscado. O segundo ponto foi a linha de resultado financeiro, que por conta de derivativos, a companhia teve um prejuízo no resultado financeiro de R$ 1.25 bilhão.
Esses dois fatores fizeram com que a Ambev entregasse um lucro líquido de R$ 3.2 bilhões, 13,4% abaixo do lucro líquido reportado no mesmo trimestre do ano passado.
Ou seja, a razão da queda do lucro é clara: ainda há pressão inflacionária batendo nas linhas finais e o resultado financeiro também apertou um pouco por conta de derivativos.
Nossa opinião sobre é: esses fatores são temporários. A inflação já tem dado sinal de arrefecimento e uma hora ou outra o cenário irá estabilizar. A lição de casa a Ambev tem feito, conseguindo aumentar o volume vendido da companhia ao passo que repassa preço nos produtos, vide o cenário de Cervejas Brasil, principal linha operacional da companhia, que mesmo sem crescimento significante de volume, teve crescimento forte de receita mostrando como o consumidor ainda compra muito seus produtos mesmo aumentando forte o preço. A melhora nas linhas finais irá ocorrer na calmaria do cenário. Enquanto isso, nenhuma evidência de perda de market share ou afins, como alguns tanto pregavam há alguns anos. Vale também mencionar o crescimento no segmento não alcóolico, segmento de altíssimo potencial que a Ambev tem muito a ganhar espaço ainda.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Grendene ($GRND3) – 3T/2022
Um banco que vende sapatos. Não estamos exagerando – é essa percepção que a análise dos resultados da Grendene causa a cada trimestre que passa. Em termos financeiros, os números são extremamente agradáveis, afinal, a empresa é conservadora e gera caixa, lucro e dividendos de forma consistente. Por outro lado, as suas operações parecem estar travadas há um tempo. No 3T22 da Grendene não fui ruim, ainda com a inflação batendo em alguns números, houve melhora, mas esperamos pelo movimento que fará com que ela realmente cresça como vendedora de sapatos. Vamos aos números.
No 3T22 a Grendene entregou uma receita de R$ 910 milhões, 11% acima da receita entregue no mesmo trimestre do ano passado e marcando seu segundo trimestre da história (lembrando que o último trimestre do ano costuma ser o melhor por conta de datas festivas).
A quantidade de pares vendidos, ponto importantíssimo na análise que denota potencial ou linha de crescimento da companhia, seguiu estável, com crescimento de 0,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado com 44.2 milhões de pares. O ponto positivo é a receita por par, que subiu 10,4%, de R$ 18,61 para R$ 20,54 mostrando que a companhia tem obtido sucesso em repassar a inflação para os seus produtos, sem queda de pares vendidos ou sinalização de consumo. Outro dado interessante a mencionar é que a participação de vendas de pares no mercado externo caiu de 19% da receita para 18,5% da receita, mas algo esperado, considerando a situação de alguns mercados de países com a economia ainda em período problemático, seja por fator inflacionário ou qualquer outro aspecto relacionado.
Na linha de CPV (custos de produtos vendidos) há bons sinais. O CPV por par vendido subiu 13,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (de R$ 8,53 para R$ 9,70), mas analisando os últimos 2 anos, percebe-se como é o terceiro trimestre seguido de queda. A máxima que a companhia atingiu foi em fevereiro desse ano, quando explodiu a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e causou a alta do preço de diversas commodities (sendo a Grendene impactada principalmente pelo preço da resina de PVC). De R$ 11,24 em fevereiro desse ano, no último trimestre caiu para os R$ 9,70 cada par, e há sinais claros de queda para o 4T22, ou seja, mais fôlego para as margens da companhia, que tem conseguido repassar o preço para os pares e aproveitará a situação para melhorar o operacional.
Com a pressão inflacionária sobre a operação da companhia ainda em foco, a Grendene registrou um EBITDA de R$ 112 milhões, contra R$ 148 milhões no mesmo período do ano passado, ou seja, uma queda de 24,1%.
Na linha de resultado financeiro da companhia, sua benção e maldição ao mesmo tempo. A Grendene entregou R$ 123 milhões de lucro sob a linha de resultado financeiro, significando um crescimento de 843% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento cavalar foi em virtude do rendimento de aplicações financeiras dado o aumento da SELIC, e da melhora do cenário de renda variável (bolsa a vista, derivativos e afins).
Todos esses fatores levaram a Grendene a reportar um lucro líquido de R$ 198 milhões no trimestre, crescimento de 45,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Agora, colocando os pingos nos is sobre a razão de acharmos a linha de resultado financeiro da companhia uma maldição e uma benção ao mesmo tempo.
A Grendene tem hoje quase R$ 1.2 bilhão em caixa. Isso é muita coisa para o seu tamanho, mas ela é obrigada a manter um caixa gordo por conta de algumas obrigações que concedem a ela isenção fiscal em seus parques fabris. Achamos isso uma benção porque em um país como o Brasil, com juros alto estrutural e incertezas recorrentes, ela é extremamente conservadora e segura tendo sempre um caixa gigante. Achamos uma maldição porque hoje esse caixa desempenha a maior parte do seu resultado e pode acabar sendo um dos fatores da companhia não se mexer muito.
Um banco que vende sapatos. Não estamos exagerando – é essa percepção que a análise dos resultados da Grendene causa a cada trimestre que passa. Em termos financeiros, os números são extremamente agradáveis, afinal, a empresa é conservadora e gera caixa, lucro e dividendos de forma consistente. Por outro lado, as suas operações parecem estar travadas há um tempo. No 3T22 da Grendene não fui ruim, ainda com a inflação batendo em alguns números, houve melhora, mas esperamos pelo movimento que fará com que ela realmente cresça como vendedora de sapatos. Vamos aos números.
No 3T22 a Grendene entregou uma receita de R$ 910 milhões, 11% acima da receita entregue no mesmo trimestre do ano passado e marcando seu segundo trimestre da história (lembrando que o último trimestre do ano costuma ser o melhor por conta de datas festivas).
A quantidade de pares vendidos, ponto importantíssimo na análise que denota potencial ou linha de crescimento da companhia, seguiu estável, com crescimento de 0,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado com 44.2 milhões de pares. O ponto positivo é a receita por par, que subiu 10,4%, de R$ 18,61 para R$ 20,54 mostrando que a companhia tem obtido sucesso em repassar a inflação para os seus produtos, sem queda de pares vendidos ou sinalização de consumo. Outro dado interessante a mencionar é que a participação de vendas de pares no mercado externo caiu de 19% da receita para 18,5% da receita, mas algo esperado, considerando a situação de alguns mercados de países com a economia ainda em período problemático, seja por fator inflacionário ou qualquer outro aspecto relacionado.
Na linha de CPV (custos de produtos vendidos) há bons sinais. O CPV por par vendido subiu 13,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (de R$ 8,53 para R$ 9,70), mas analisando os últimos 2 anos, percebe-se como é o terceiro trimestre seguido de queda. A máxima que a companhia atingiu foi em fevereiro desse ano, quando explodiu a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e causou a alta do preço de diversas commodities (sendo a Grendene impactada principalmente pelo preço da resina de PVC). De R$ 11,24 em fevereiro desse ano, no último trimestre caiu para os R$ 9,70 cada par, e há sinais claros de queda para o 4T22, ou seja, mais fôlego para as margens da companhia, que tem conseguido repassar o preço para os pares e aproveitará a situação para melhorar o operacional.
Com a pressão inflacionária sobre a operação da companhia ainda em foco, a Grendene registrou um EBITDA de R$ 112 milhões, contra R$ 148 milhões no mesmo período do ano passado, ou seja, uma queda de 24,1%.
Na linha de resultado financeiro da companhia, sua benção e maldição ao mesmo tempo. A Grendene entregou R$ 123 milhões de lucro sob a linha de resultado financeiro, significando um crescimento de 843% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento cavalar foi em virtude do rendimento de aplicações financeiras dado o aumento da SELIC, e da melhora do cenário de renda variável (bolsa a vista, derivativos e afins).
Todos esses fatores levaram a Grendene a reportar um lucro líquido de R$ 198 milhões no trimestre, crescimento de 45,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Agora, colocando os pingos nos is sobre a razão de acharmos a linha de resultado financeiro da companhia uma maldição e uma benção ao mesmo tempo.
A Grendene tem hoje quase R$ 1.2 bilhão em caixa. Isso é muita coisa para o seu tamanho, mas ela é obrigada a manter um caixa gordo por conta de algumas obrigações que concedem a ela isenção fiscal em seus parques fabris. Achamos isso uma benção porque em um país como o Brasil, com juros alto estrutural e incertezas recorrentes, ela é extremamente conservadora e segura tendo sempre um caixa gigante. Achamos uma maldição porque hoje esse caixa desempenha a maior parte do seu resultado e pode acabar sendo um dos fatores da companhia não se mexer muito.
Não achamos a Grendene ruim, mas alguns pontos como a maior parte do seu lucro vir do resultado financeiro como se ela fosse um banco e a sua venda de pares ter parado no tempo há alguns bons anos são fatores que incomodam. Quando você pega a Arezzo como par de comparação, você percebe movimentos mais agressivos, expansão para outros mercados de moda e aquisições estratégias. Com a Grendene isso não acontece. A Arezzo não é um par perfeito para comparação, de fato, visto que ela ataca outros tipos de público (de classe social mais alta), mas ainda assim fica perceptível como alguns movimentos se encaixariam para maximizar o retorno dos investidores.
Obviamente que entre uma gestão agressiva e irresponsável que leva a empresa pro buraco ou uma gestão mais pé no chão que custa a crescer, a segunda opção é a escolha obvia, mas sejamos sinceros, não existem somente esses dois tipos de gestão.
Aguardemos os próximos capítulos para ver se a Grendene consegue entregar resultados mais interessantes por conta da parceria com a 3G capital entre outros pontos recentes. Por agora, os dois maiores pontos positivos a citar são a capacidade da empresa em repassar a inflação aos produtos, o que tem sido inegavelmente um sucesso, e a solidez de sua estrutura de capital.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 300h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Obviamente que entre uma gestão agressiva e irresponsável que leva a empresa pro buraco ou uma gestão mais pé no chão que custa a crescer, a segunda opção é a escolha obvia, mas sejamos sinceros, não existem somente esses dois tipos de gestão.
Aguardemos os próximos capítulos para ver se a Grendene consegue entregar resultados mais interessantes por conta da parceria com a 3G capital entre outros pontos recentes. Por agora, os dois maiores pontos positivos a citar são a capacidade da empresa em repassar a inflação aos produtos, o que tem sido inegavelmente um sucesso, e a solidez de sua estrutura de capital.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Vamos ($VAMO3) – 3T/2022
Se tem um ticker que é autoexplicativo na bolsa brasileira, esse ticker é o da Vamos: definitivamente a empresa tem ido, e parece não querer parar.
Relevando a piada, mais um trimestre em que a Vamos entrega resultados espetaculares sendo um dos principais cases de crescimento da bolsa brasileira. Mesmo com um IPO recente, o que tende a causar desconfiança aos investidores, tem honrado seus planos e o que a companhia pretendia entregar ao longo de 2022 inteiro, conseguiu entregar já no final do terceiro trimestre, ou seja, cumpriu seu guidance com grande folga. Todo esse crescimento, obviamente, tem um custo e traz riscos a estrutura do negócio, e trataremos sobre brevemente por aqui. Vamos aos números.
No 3T22 a frota da Vamos continuou em plena expansão, crescendo 90% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com uma frota total de 38.561 veículos, sendo 7.947 de máquinas e 30.614 e caminhões. Vale mencionar também o crescimento comparado ao trimestre passado (2T22), com um crescimento de 14%, quando a frota total era de 33.940 – em cases de crescimento como o da Vamos, é sempre interessante analisar também as janelas de curto espaço de tempo pois os movimentos que essas companhias costumam realizar são grandes, acelerado, fica evidente como as mudanças são bruscas. A carteira de clientes da companhia também cresceu bem, de 1.470 no 3T21 para 3.042 no 3T22, e a companhia destaca que essa carteira de clientes é bem diversificada em perfis distintos em termos setoriais, o que a protege de crises mais “segmentadas”. Outro ponto positivo. Quanto maior a carteira, maior previsibilidade de receita, e quanto maior a diversificação, menor o risco conjuntural.
Outro ponto interessante a analisar sobre a Vamos, é o valor de mercado de aquisição dos ativos em relação ao valor da FIPE. Sendo uma gigante do segmento, ela consegue comprar esses caminhões por preços mais baixos, e em determinado momento, revender como seminovo com lucro. Para se ter ideia dessa situação, se a Vamos vendesse todos seus ativos hoje mesmo pelo preço da tabela FIPE, lucraria 40% - algo em torno de R$ 1.1 bilhão. Essa é uma de suas vantagens de escala que torna o negócio ainda mais sólido.
Partindo para as linhas financeiras tradicionais, a Vamos registrou uma receita líquida de R$ 1.37 bilhão no 3T22, representando um crescimento de 66% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando registrou R$ 830 milhões. Além do crescimento da receita, o operacional também tem se fortalecido, com um crescimento de EBITDA de 90% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 554 milhões, enquanto o lucro líquido da companhia cresceu 35%, atingindo R$ 150 milhões.
Ou seja, em termos de crescimento, a Vamos tem realizado um trabalho exemplar. Como já mencionamos, é uma das poucas empresas da recente safra de IPOs que tem realmente entregue o que prometeu sem uma porrada de jargões tech para enrolar o investidor. É um case de crescimento clássico onde a alavancagem e a boa gestão demonstram como um plano bem traçado gera resultados satisfatórios. E é sobre isso que veremos agora: alavancagem.
A dívida líquida da Vamos atingiu o valor de R$ 4.4 bilhões no 3T22, representando um crescimento de 132% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Porém, movimentos relevantes ocorreram entre o 2T22 e o 3T22.
Em setembro a companhia realizou um follow on de R$ 641 milhões e captou R$ 1.3 bilhão do mercado. Ambas operações reduziram a alavancagem da companhia, fazendo com que a dívida apresentasse ligeira queda entre o 2T22 e o 3T22 (de R$ 4.6 bilhões para R$ 4.4 bilhões), mas uma forte queda da alavancagem (dívida líquida sobre o EBITDA) de 3.2x no 2T22 para 2.6x no 3T22. Além disso, a Fitch Ratings elevou a nota de crédito da dívida da companhia para AAA, ou seja, hoje a Vamos tem a melhor nota possível em termos de risco de crédito demonstrando risco de inadimplência mínimo segundo a Fitch.
Se tem um ticker que é autoexplicativo na bolsa brasileira, esse ticker é o da Vamos: definitivamente a empresa tem ido, e parece não querer parar.
Relevando a piada, mais um trimestre em que a Vamos entrega resultados espetaculares sendo um dos principais cases de crescimento da bolsa brasileira. Mesmo com um IPO recente, o que tende a causar desconfiança aos investidores, tem honrado seus planos e o que a companhia pretendia entregar ao longo de 2022 inteiro, conseguiu entregar já no final do terceiro trimestre, ou seja, cumpriu seu guidance com grande folga. Todo esse crescimento, obviamente, tem um custo e traz riscos a estrutura do negócio, e trataremos sobre brevemente por aqui. Vamos aos números.
No 3T22 a frota da Vamos continuou em plena expansão, crescendo 90% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com uma frota total de 38.561 veículos, sendo 7.947 de máquinas e 30.614 e caminhões. Vale mencionar também o crescimento comparado ao trimestre passado (2T22), com um crescimento de 14%, quando a frota total era de 33.940 – em cases de crescimento como o da Vamos, é sempre interessante analisar também as janelas de curto espaço de tempo pois os movimentos que essas companhias costumam realizar são grandes, acelerado, fica evidente como as mudanças são bruscas. A carteira de clientes da companhia também cresceu bem, de 1.470 no 3T21 para 3.042 no 3T22, e a companhia destaca que essa carteira de clientes é bem diversificada em perfis distintos em termos setoriais, o que a protege de crises mais “segmentadas”. Outro ponto positivo. Quanto maior a carteira, maior previsibilidade de receita, e quanto maior a diversificação, menor o risco conjuntural.
Outro ponto interessante a analisar sobre a Vamos, é o valor de mercado de aquisição dos ativos em relação ao valor da FIPE. Sendo uma gigante do segmento, ela consegue comprar esses caminhões por preços mais baixos, e em determinado momento, revender como seminovo com lucro. Para se ter ideia dessa situação, se a Vamos vendesse todos seus ativos hoje mesmo pelo preço da tabela FIPE, lucraria 40% - algo em torno de R$ 1.1 bilhão. Essa é uma de suas vantagens de escala que torna o negócio ainda mais sólido.
Partindo para as linhas financeiras tradicionais, a Vamos registrou uma receita líquida de R$ 1.37 bilhão no 3T22, representando um crescimento de 66% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando registrou R$ 830 milhões. Além do crescimento da receita, o operacional também tem se fortalecido, com um crescimento de EBITDA de 90% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 554 milhões, enquanto o lucro líquido da companhia cresceu 35%, atingindo R$ 150 milhões.
Ou seja, em termos de crescimento, a Vamos tem realizado um trabalho exemplar. Como já mencionamos, é uma das poucas empresas da recente safra de IPOs que tem realmente entregue o que prometeu sem uma porrada de jargões tech para enrolar o investidor. É um case de crescimento clássico onde a alavancagem e a boa gestão demonstram como um plano bem traçado gera resultados satisfatórios. E é sobre isso que veremos agora: alavancagem.
A dívida líquida da Vamos atingiu o valor de R$ 4.4 bilhões no 3T22, representando um crescimento de 132% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Porém, movimentos relevantes ocorreram entre o 2T22 e o 3T22.
Em setembro a companhia realizou um follow on de R$ 641 milhões e captou R$ 1.3 bilhão do mercado. Ambas operações reduziram a alavancagem da companhia, fazendo com que a dívida apresentasse ligeira queda entre o 2T22 e o 3T22 (de R$ 4.6 bilhões para R$ 4.4 bilhões), mas uma forte queda da alavancagem (dívida líquida sobre o EBITDA) de 3.2x no 2T22 para 2.6x no 3T22. Além disso, a Fitch Ratings elevou a nota de crédito da dívida da companhia para AAA, ou seja, hoje a Vamos tem a melhor nota possível em termos de risco de crédito demonstrando risco de inadimplência mínimo segundo a Fitch.
Em suma, a Vamos continua honrando seu plano e crescendo de forma acelerada. Sua dívida tem machucado um pouco, vide crescimento de custo médio subindo de 8,3% para 11,9% ao ano com essa elevação da SELIC e afins, mas esse é um dos benefícios que ela possui sendo líder do segmento com uma receita previsível e uma estrutura de capital sólida. Além de tudo isso, hoje o caixa da Vamos é suficiente para honrar todas as dívidas da companhia até 2027, praticamente. Mesmo com o resultado financeiro machucando, o operacional da companhia tem crescido junto com a receita, e provavelmente é uma das que vai brilhar forte no primeiro momento de uma possível queda de nossos juros. Nada disso significa que você deva menosprezar seus riscos relacionados a alavancagem, sempre lembrando.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – PetroRio ($PRIO3) – 3T/2022
Num mercado onde a Petrobras rouba tanta atenção, a PetroRio segue atingindo recordes atrás de recordes graças ao ciclo que estamos vivendo, mostrando como mesmo num setor completamente dominado por um colosso estatal, uma pequena empresa privada também pode dar um verdadeiro show de desempenho. Vamos aos números.
No 3T22, com o arrefecimento do preço do barril de petróleo no mercado global, o preço médio de venda do barril realizado pela PetroRio caiu 13% em relação ao 2T22, de US$ 108 o barril para US$ 94, mas comparando com o mesmo trimestre do ano passado, o aumento foi forte, na ordem de 27%, de US$ 74 para os US$ 94 – ou seja, o cenário beneficiou forte o resultado da companhia com o barril mais caro.
Na linha de produção, graças aos investimentos em novos campos e demais aquisições, a PetroRio segue expandindo a quantidade de barris de petróleo produzidos por dia. No 3T21 eram 31.6 mil barris, enquanto no 3T22 foi 45.8 mil barris, representando um aumento de 45% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. É importante citar aqui que o crescimento de produção tem crescido trimestre a trimestre graças as aquisições e investimentos em novos campos realizados pela empresa.
O lifting cost, jóia da coroa da companhia, segue melhorando e surpreendendo. No 3T22 foi registrado um lifting cost de US$ 9,5, contra um lifting cost de US$ 12,3 no 3T21, ou seja, queda de 23% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Os números ficam ainda mais surpreendentes quando a comparação é da máxima do lifting cost com a minimiza registrada nesse trimestre, significando uma queda de 80%. Ou seja, a companhia tem mostrado um trabalho incrível em eficiência. Lembrando que lifting cost nada mais é do que o custo de extração da companhia. Ou seja, ela tem um custo de pouco mais de nove dólares, enquanto o barril foi vendido por noventa e quadro dólares cada no trimestre. Sim, a margem é assustadoramente alta, por isso esse número é tão importante.
Sobre os campos de extração, não trataremos aqui para não tornar a análise (que tem o intuito de ser breve) tão extensa, mas o trabalho de expansão nos campos e melhora de eficiência segue, como citado, atingindo recorde e extração em alguns. Vale a leitura detalhada pelo release diretamente.
Na linha de receita, a porrada no resultado, lembrando que ela divulga os números dolarizados. A receita da companhia subiu de US$ 179 milhões para US$ 378 milhões, representando um crescimento de 110% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto o CPV não saiu do lugar, denotando o poder que uma companhia do tipo tem na alta do ciclo, dobrando sua receita sem ter um aumento de CPV relevante.
O resultado financeiro, por sua vez, teve uma melhora forte. Mesmo com a companhia alavancando suas operações para o investimento em campos existentes e aquisição de novos campos, a receita financeira por conta de captação recente causou uma queda de 96% no prejuízo, saindo de US$ 41 milhões para apenas US$ 1 milhão – ou seja, a alavancagem foi bem realizada, reduzindo custo e aumentando retorno.
Todos esses fatores levaram a PetroRio a entregar um lucro de US$ 154 milhões, representando um crescimento de 542% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, com melhora do operacional e eficiência em todos os pontos possíveis.
Finalizando, vale mencionar também que a companhia conseguiu apresentar melhora no seu perfil de dívida, com uma elevação de duration de 2.8 anos para 3.4 anos e uma queda de custo médio de 0,2pp atingindo os 5,8%. Vale salientar que o caixa disponível na companhia é suficiente para arcar com absolutamente toda a sua dívida, ou seja, em termos práticos a dívida líquida dela é zero e a alavancagem estratégica.
Num mercado onde a Petrobras rouba tanta atenção, a PetroRio segue atingindo recordes atrás de recordes graças ao ciclo que estamos vivendo, mostrando como mesmo num setor completamente dominado por um colosso estatal, uma pequena empresa privada também pode dar um verdadeiro show de desempenho. Vamos aos números.
No 3T22, com o arrefecimento do preço do barril de petróleo no mercado global, o preço médio de venda do barril realizado pela PetroRio caiu 13% em relação ao 2T22, de US$ 108 o barril para US$ 94, mas comparando com o mesmo trimestre do ano passado, o aumento foi forte, na ordem de 27%, de US$ 74 para os US$ 94 – ou seja, o cenário beneficiou forte o resultado da companhia com o barril mais caro.
Na linha de produção, graças aos investimentos em novos campos e demais aquisições, a PetroRio segue expandindo a quantidade de barris de petróleo produzidos por dia. No 3T21 eram 31.6 mil barris, enquanto no 3T22 foi 45.8 mil barris, representando um aumento de 45% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. É importante citar aqui que o crescimento de produção tem crescido trimestre a trimestre graças as aquisições e investimentos em novos campos realizados pela empresa.
O lifting cost, jóia da coroa da companhia, segue melhorando e surpreendendo. No 3T22 foi registrado um lifting cost de US$ 9,5, contra um lifting cost de US$ 12,3 no 3T21, ou seja, queda de 23% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Os números ficam ainda mais surpreendentes quando a comparação é da máxima do lifting cost com a minimiza registrada nesse trimestre, significando uma queda de 80%. Ou seja, a companhia tem mostrado um trabalho incrível em eficiência. Lembrando que lifting cost nada mais é do que o custo de extração da companhia. Ou seja, ela tem um custo de pouco mais de nove dólares, enquanto o barril foi vendido por noventa e quadro dólares cada no trimestre. Sim, a margem é assustadoramente alta, por isso esse número é tão importante.
Sobre os campos de extração, não trataremos aqui para não tornar a análise (que tem o intuito de ser breve) tão extensa, mas o trabalho de expansão nos campos e melhora de eficiência segue, como citado, atingindo recorde e extração em alguns. Vale a leitura detalhada pelo release diretamente.
Na linha de receita, a porrada no resultado, lembrando que ela divulga os números dolarizados. A receita da companhia subiu de US$ 179 milhões para US$ 378 milhões, representando um crescimento de 110% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto o CPV não saiu do lugar, denotando o poder que uma companhia do tipo tem na alta do ciclo, dobrando sua receita sem ter um aumento de CPV relevante.
O resultado financeiro, por sua vez, teve uma melhora forte. Mesmo com a companhia alavancando suas operações para o investimento em campos existentes e aquisição de novos campos, a receita financeira por conta de captação recente causou uma queda de 96% no prejuízo, saindo de US$ 41 milhões para apenas US$ 1 milhão – ou seja, a alavancagem foi bem realizada, reduzindo custo e aumentando retorno.
Todos esses fatores levaram a PetroRio a entregar um lucro de US$ 154 milhões, representando um crescimento de 542% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, com melhora do operacional e eficiência em todos os pontos possíveis.
Finalizando, vale mencionar também que a companhia conseguiu apresentar melhora no seu perfil de dívida, com uma elevação de duration de 2.8 anos para 3.4 anos e uma queda de custo médio de 0,2pp atingindo os 5,8%. Vale salientar que o caixa disponível na companhia é suficiente para arcar com absolutamente toda a sua dívida, ou seja, em termos práticos a dívida líquida dela é zero e a alavancagem estratégica.
Não é exagero dizer que a PetroRio virou uma máquina de imprimir dinheiro. É isso: uma empresa em topo de ciclo fazendo o que uma empresa em topo de ciclo faz. Com um lifting cost cada vez menor, um ROE cada vez maior e uma margem líquida de quase 50%, a PetroRio é minúscula perto da Petrobras, mas uma gigante nos resultados. Se você gosta de empresa, lembre-se sempre da ciclicidade existente. Extrapolar o resultado atual da companhia para a perpetuidade não é correto – em algum momento o barril vai desabar de preço, o lucro da PetroRio vai cair junto e tudo mais, e aí entra o trabalho do investidor, entendendo que essa impressora de dinheiro tem momentos certos para funcionar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3) – 3T/2022
Mais um trimestre sólido, mas ofuscado pela pressão inflacionária. Quem já investe na Sanepar, sabe muito bem como ela funciona: uma companhia conservadora, que trimestre a trimestre da pequenos passos, sem muito para onde crescer, entregando o crescimento já contratado de seus ligamentos e reajuste tarifário. No terceiro trimestre de 2022 isso seguiu, mas a inflação ainda machucou algumas linhas e o crescimento de lucro foi tímido. Vamos aos números.
No 3T22 a Sanepar seguiu com sua expansão já lenta mas promovida, com 67 mil novas ligações de águas comparado ao 3T21 (+2,0% atingindo 3.4 milhões) e 64 mil novas ligações de esgoto (+2,7% atingindo 2.4 milhões). Na linha de volume faturado de água, isso é, o consumo de água, houve aumento de 3,2% atingindo 132 milhões de metros cúbicos, enquanto no volume faturado de esgoto houve um crescimento mais expressivo, de 4,9%, ultrapassando a marca de 100 milhões de metros cúbicos, atingindo os 102 milhões, mais precisamente.
É importante destacar o volume dos reservatórios. Para refrescar a memória, em 2021 durante um longo tempo (mais de um ano, considerando também 2020) o estado do Paraná passou por forte racionamento de água por conta dos níveis dos reservatórios, e isso acabou gerando certas distorções nos números da Sanepar, inclusive melhorando alguns números de consumo em relação a perda e afins. Hoje a Sanepar está com 96% de seus reservatórios lotados, e para se ter ideia, no mesmo trimestre do ano passado esse número estava em 49% e chegou a quase 40% em determinado momento – um ponto crítico. Graças a volta das chuvas, esse risco de racionamento não existe para a companhia por agora.
Com todos os fatores qualitativos já destacados, falemos sobre a receita operacional. No 3T22 a Sanepar entregou um crescimento de receita de 8,4% atingindo os R$ 1.4 bilhão, recorde histórico da companhia. A receita de água cresceu 9,6% (representando R$ 950 milhões) e a receita de esgoto cresceu 7,6% (representando 547 milhões). O crescimento da receita foi em virtude de três fatores principais: (I) reajuste tarifário de 5%, (II) crescimento de volume faturado e (III) aumento do número de ligações – isso para ambas as linhas de serviço (água e esgoto).
Na linha de despesas e custos, o vilão da Sanepar que tem feito com que o crescimento de lucro seja tão tímido. Quatro linhas principais importam e serão mencionadas: (I) a linha de pessoal, com um crescimento de 22% por conta de reajustes salariais e acordos trabalhistas, (II) a linha de materiais com crescimento de 44% por conta de materiais utilizados no tratamento de esgoto entre outros produtos que sofreram forte inflação, (III) a linha de provisões para contingências, com um crescimento de 384% em virtude de valor provisionado para ações trabalhistas, e (IV) na ponta positiva a linha de energia elétrica, que registrou queda de 26,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado em virtude do corte de ICMS no preço da energia (de 29% para 18%). Tudo isso fez com que a Sanepar aumentasse suas despesas e custos em 16,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 967 milhões. Inflação machucando as margens.
Na linha do resultado financeiro, uma surpresa positiva. Com a alta de SELIC, a empresa tendia a ser mais atingida e ter mais gastos com juros, mas graças ao crescimento de sua receita financeira na ordem de 203% (de R$ 25 milhões para R$ 70 milhões) a companhia conseguiu mitigar o gasto com juros no período (que subiu 35% de R$ 93 milhões para R$ 126 milhões) fazendo com que o resultado financeiro consolidado tivesse uma queda de prejuízo de 39%, caindo de um prejuízo de R$ 93 milhões para um prejuízo de R$ 57 milhões. Não é algo expressivo, mas uma ótima notícia, visto que sem esse ganho financeiro o resultado poderia ser bem pior e fazer com que a Sanepar até mesmo entregasse queda no lucro comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Mais um trimestre sólido, mas ofuscado pela pressão inflacionária. Quem já investe na Sanepar, sabe muito bem como ela funciona: uma companhia conservadora, que trimestre a trimestre da pequenos passos, sem muito para onde crescer, entregando o crescimento já contratado de seus ligamentos e reajuste tarifário. No terceiro trimestre de 2022 isso seguiu, mas a inflação ainda machucou algumas linhas e o crescimento de lucro foi tímido. Vamos aos números.
No 3T22 a Sanepar seguiu com sua expansão já lenta mas promovida, com 67 mil novas ligações de águas comparado ao 3T21 (+2,0% atingindo 3.4 milhões) e 64 mil novas ligações de esgoto (+2,7% atingindo 2.4 milhões). Na linha de volume faturado de água, isso é, o consumo de água, houve aumento de 3,2% atingindo 132 milhões de metros cúbicos, enquanto no volume faturado de esgoto houve um crescimento mais expressivo, de 4,9%, ultrapassando a marca de 100 milhões de metros cúbicos, atingindo os 102 milhões, mais precisamente.
É importante destacar o volume dos reservatórios. Para refrescar a memória, em 2021 durante um longo tempo (mais de um ano, considerando também 2020) o estado do Paraná passou por forte racionamento de água por conta dos níveis dos reservatórios, e isso acabou gerando certas distorções nos números da Sanepar, inclusive melhorando alguns números de consumo em relação a perda e afins. Hoje a Sanepar está com 96% de seus reservatórios lotados, e para se ter ideia, no mesmo trimestre do ano passado esse número estava em 49% e chegou a quase 40% em determinado momento – um ponto crítico. Graças a volta das chuvas, esse risco de racionamento não existe para a companhia por agora.
Com todos os fatores qualitativos já destacados, falemos sobre a receita operacional. No 3T22 a Sanepar entregou um crescimento de receita de 8,4% atingindo os R$ 1.4 bilhão, recorde histórico da companhia. A receita de água cresceu 9,6% (representando R$ 950 milhões) e a receita de esgoto cresceu 7,6% (representando 547 milhões). O crescimento da receita foi em virtude de três fatores principais: (I) reajuste tarifário de 5%, (II) crescimento de volume faturado e (III) aumento do número de ligações – isso para ambas as linhas de serviço (água e esgoto).
Na linha de despesas e custos, o vilão da Sanepar que tem feito com que o crescimento de lucro seja tão tímido. Quatro linhas principais importam e serão mencionadas: (I) a linha de pessoal, com um crescimento de 22% por conta de reajustes salariais e acordos trabalhistas, (II) a linha de materiais com crescimento de 44% por conta de materiais utilizados no tratamento de esgoto entre outros produtos que sofreram forte inflação, (III) a linha de provisões para contingências, com um crescimento de 384% em virtude de valor provisionado para ações trabalhistas, e (IV) na ponta positiva a linha de energia elétrica, que registrou queda de 26,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado em virtude do corte de ICMS no preço da energia (de 29% para 18%). Tudo isso fez com que a Sanepar aumentasse suas despesas e custos em 16,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 967 milhões. Inflação machucando as margens.
Na linha do resultado financeiro, uma surpresa positiva. Com a alta de SELIC, a empresa tendia a ser mais atingida e ter mais gastos com juros, mas graças ao crescimento de sua receita financeira na ordem de 203% (de R$ 25 milhões para R$ 70 milhões) a companhia conseguiu mitigar o gasto com juros no período (que subiu 35% de R$ 93 milhões para R$ 126 milhões) fazendo com que o resultado financeiro consolidado tivesse uma queda de prejuízo de 39%, caindo de um prejuízo de R$ 93 milhões para um prejuízo de R$ 57 milhões. Não é algo expressivo, mas uma ótima notícia, visto que sem esse ganho financeiro o resultado poderia ser bem pior e fazer com que a Sanepar até mesmo entregasse queda no lucro comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Sobre o endividamento não falaremos tanto: a dívida da Sanepar é extremamente alongada, ela possui um caixa gordo e a alavancagem é bem baixa, longe de ser preocupante ou fator de atenção extrema. Vale o investidor fazer a própria leitura no release, visto que a Sanepar é uma das poucas companhias que detalha muito bem seu endividamento tornando a leitura até mesmo prazerosa. Ponto positivo, ainda mais num mercado onde algumas companhias fazem questão de praticamente omitir o próprio endividamento.
Tudo isso fez com que o lucro da Sanepar no período fosse de R$ 275 milhões, representando um crescimento tímido de 2,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Como pontuamos no começo da análise, o lucro não foi espetacular. O crescimento foi pequeno, e isso ocorreu em razão da inflação ainda machucando as margens da companhia. É questão de tempo até que ela recupere essas margens e ainda achamos que a Sanepar é uma das estatais mais bem tocadas do país. Quanto algumas linhas de despesas, não há muito o que fazer: o que mais machucou no trimestre foi reajuste salarial, uma linha mais do que necessária de ocorrer e provisões para contingências trabalhistas. A linha de materiais usados também teve forte aumento, reflexo provavelmente do preço de alguns produtos químicos que tem sido inflacionados nos últimos meses muito por conta da guerra da Rússia e da Ucrânia, tendo em vista a questão de importação de alguns insumos.
Não achamos o resultado ruim – o crescimento de volume faturado e expansão de ligações é algo relevante, mas tratando-se de uma empresa de saneamento já estabelecida, não tem muita surpresa. Não adianta ler o release esperando um boom de lucro ou coisa do tipo: é o exemplo de companhia que podemos chamar de “devagar e sempre”, visto que sua receita já é contratada e garantida por reajustes.
Por agora, apenas esperar que a inflação passe a bater menos e deixar que os reajustes façam o trabalho das margens.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Tudo isso fez com que o lucro da Sanepar no período fosse de R$ 275 milhões, representando um crescimento tímido de 2,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Como pontuamos no começo da análise, o lucro não foi espetacular. O crescimento foi pequeno, e isso ocorreu em razão da inflação ainda machucando as margens da companhia. É questão de tempo até que ela recupere essas margens e ainda achamos que a Sanepar é uma das estatais mais bem tocadas do país. Quanto algumas linhas de despesas, não há muito o que fazer: o que mais machucou no trimestre foi reajuste salarial, uma linha mais do que necessária de ocorrer e provisões para contingências trabalhistas. A linha de materiais usados também teve forte aumento, reflexo provavelmente do preço de alguns produtos químicos que tem sido inflacionados nos últimos meses muito por conta da guerra da Rússia e da Ucrânia, tendo em vista a questão de importação de alguns insumos.
Não achamos o resultado ruim – o crescimento de volume faturado e expansão de ligações é algo relevante, mas tratando-se de uma empresa de saneamento já estabelecida, não tem muita surpresa. Não adianta ler o release esperando um boom de lucro ou coisa do tipo: é o exemplo de companhia que podemos chamar de “devagar e sempre”, visto que sua receita já é contratada e garantida por reajustes.
Por agora, apenas esperar que a inflação passe a bater menos e deixar que os reajustes façam o trabalho das margens.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT. Por lá postamos a análise e opinião de dezenas de companhias que não são postadas aqui no Telegram.
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Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 3T/2022
Pé ainda no acelerador, recorde de faturamento, muito crescimento e o mesmo vilão se sempre, mas dessa vez, com melhoras de margens. O 3T22 da Fleury foi bem semelhante aos trimestres passados com a companhia seguindo seu plano de expansão via aquisição. Apesar do cenário de juros puxar o resultado financeiro da companhia para baixo, as margens tem melhorado e o operacional da Fleury segue se mostrando sadio. Vamos aos números.
No 3T22 a Fleury anunciou mais duas aquisições: Méthodos Laboratório, no valor de R$ 27,4 milhões e Retina Clinic no valor de R$ 21,0 milhões, além do fechamento da aquisição da Saga, no valor de R$ 156 milhões. As três aquisições estão em linha com a estratégia da Fleury de expansão a segmentos diversificados, sendo um do segmento de medicina diagnóstica, um do segmento de oftalmologia e um do segmento de infusão de sangue.
Na linha da receita, como já mencionado, a Fleury bateu um recorde mais uma vez, com R$ 1.23 bilhão no 3T22, um número 11,4% acima do valor registrado no 3T21. Apesar das aquisições acelerarem esse crescimento, a companhia cresceu 6,3% organicamente (ou seja, está crescendo também sem aquisições) e algo importante deve ser destacado: os exames de Covid-19 já representam uma quantidade insignificante da receita da companhia. No 3T22 representou apenas 1,5%, enquanto no 3T21 representou 6,0% e no 3T20 representou quase 11%. Isso é bom porque é praticamente um fator não recorrente, sendo que nos trimestres que já passaram, boa parte da receita veio disso. Para se ter ideia, se excluirmos as receitas de exames de Covid-19 do 3T21, a receita nesse trimestre teria crescido quase 17%, ou seja, sempre analise nos detalhes os fatores que geram a receita da empresa.
Quanto a suas marcas, bons números. Comparado ao 3T21 todas suas marcas cresceram forte: a Fleury cresceu 8,7%, as marcas do Rio de Janeiro cresceram 12,3% e a marca a+ de São Paulo cresceu 19,5%. No consolidado o crescimento foi de 17,7%, lembrando que esse número é mensurado pela receita gerada em cada marca.
Indo um pouco além e falando ainda sobre fatores qualitativos importantes: a Fleury (consolidado) realizou 2.1 milhões de atendimentos no 3T22, 20,4% acima do 3T21, realizou 20.8 milhões de exames, 32% acima do 3T21 e a receita bruta por exame teve queda de 10,6%, de R$ 53,10 no 3T21 para R$ 47,50 no 3T22. O número a princípio parece ruim, mas explicamos. Como já mencionado diversas vezes, a Fleury está crescendo de forma não orgânica, principalmente, comprando marcas e aumentando seu negócio por aquisições. A redução de receita bruta por exame reflete o perfil dessas aquisições e dos novos mercados que ela tem atacado, mercados esses com exames de tickets médios mais baixos, mas com margens mais altas. Ou seja, analisar esse número de forma isolada pode induzir ao erro.
Na linha de custos, bons números no geral: a linha de pessoal foi a que mais cresceu, custando 33,8% da receita líquida contra 33,0% no 3T21. Esse crescimento ocorre principalmente pelas aquisições, movimento normal de aumento de funcionários principalmente para realização de processos temporários.
A linha positiva veio sobre a linha de despesas operacionais, que de 11,8% da receita líquida passou a custar apenas 9,8% da receita líquida no 3T22 em virtude da diluição de custos e melhora de eficiência da companhia.
Pé ainda no acelerador, recorde de faturamento, muito crescimento e o mesmo vilão se sempre, mas dessa vez, com melhoras de margens. O 3T22 da Fleury foi bem semelhante aos trimestres passados com a companhia seguindo seu plano de expansão via aquisição. Apesar do cenário de juros puxar o resultado financeiro da companhia para baixo, as margens tem melhorado e o operacional da Fleury segue se mostrando sadio. Vamos aos números.
No 3T22 a Fleury anunciou mais duas aquisições: Méthodos Laboratório, no valor de R$ 27,4 milhões e Retina Clinic no valor de R$ 21,0 milhões, além do fechamento da aquisição da Saga, no valor de R$ 156 milhões. As três aquisições estão em linha com a estratégia da Fleury de expansão a segmentos diversificados, sendo um do segmento de medicina diagnóstica, um do segmento de oftalmologia e um do segmento de infusão de sangue.
Na linha da receita, como já mencionado, a Fleury bateu um recorde mais uma vez, com R$ 1.23 bilhão no 3T22, um número 11,4% acima do valor registrado no 3T21. Apesar das aquisições acelerarem esse crescimento, a companhia cresceu 6,3% organicamente (ou seja, está crescendo também sem aquisições) e algo importante deve ser destacado: os exames de Covid-19 já representam uma quantidade insignificante da receita da companhia. No 3T22 representou apenas 1,5%, enquanto no 3T21 representou 6,0% e no 3T20 representou quase 11%. Isso é bom porque é praticamente um fator não recorrente, sendo que nos trimestres que já passaram, boa parte da receita veio disso. Para se ter ideia, se excluirmos as receitas de exames de Covid-19 do 3T21, a receita nesse trimestre teria crescido quase 17%, ou seja, sempre analise nos detalhes os fatores que geram a receita da empresa.
Quanto a suas marcas, bons números. Comparado ao 3T21 todas suas marcas cresceram forte: a Fleury cresceu 8,7%, as marcas do Rio de Janeiro cresceram 12,3% e a marca a+ de São Paulo cresceu 19,5%. No consolidado o crescimento foi de 17,7%, lembrando que esse número é mensurado pela receita gerada em cada marca.
Indo um pouco além e falando ainda sobre fatores qualitativos importantes: a Fleury (consolidado) realizou 2.1 milhões de atendimentos no 3T22, 20,4% acima do 3T21, realizou 20.8 milhões de exames, 32% acima do 3T21 e a receita bruta por exame teve queda de 10,6%, de R$ 53,10 no 3T21 para R$ 47,50 no 3T22. O número a princípio parece ruim, mas explicamos. Como já mencionado diversas vezes, a Fleury está crescendo de forma não orgânica, principalmente, comprando marcas e aumentando seu negócio por aquisições. A redução de receita bruta por exame reflete o perfil dessas aquisições e dos novos mercados que ela tem atacado, mercados esses com exames de tickets médios mais baixos, mas com margens mais altas. Ou seja, analisar esse número de forma isolada pode induzir ao erro.
Na linha de custos, bons números no geral: a linha de pessoal foi a que mais cresceu, custando 33,8% da receita líquida contra 33,0% no 3T21. Esse crescimento ocorre principalmente pelas aquisições, movimento normal de aumento de funcionários principalmente para realização de processos temporários.
A linha positiva veio sobre a linha de despesas operacionais, que de 11,8% da receita líquida passou a custar apenas 9,8% da receita líquida no 3T22 em virtude da diluição de custos e melhora de eficiência da companhia.