Ações protegem contra a inflação, mas não seja enganado por mantras por aí
Quem leu os resultados das companhias do segundo trimestre desse ano, certamente percebeu como o crescimento da receita foi forte: enquanto no 2T21 a receita líquida foi de R$ 894 bilhões, no 2T22 a receita líquida foi de R$ 1.079 – ou seja, o mercado superou o marco do trilhão e apresentou um crescimento de pouco mais de 20% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. De qualquer forma, não é da receita que uma companhia vive – então vamos um pouco além e falar sobre os outros números que importam.
Quando olhamos sob a ótica do operacional, isso é, o EBITDA das 335 empresas apuradas (lembrando que esse número não é aleatório, mas sim a quantidade de companhias do nosso mercado que possuem liquidez), o crescimento ainda é claro – em menor escala, mas há crescimento (o que significa compressão das margens), com o EBITDA subindo de R$ 277 bilhões no 2T21 para R$ 291 bilhões no 2T22, um crescimento de 5,1%.
O problema ocorre quando chegamos na linha de lucro líquido: dos R$ 170 bilhões no 2T21, houve queda para os R$ 122 bilhões no 2T22, representando uma derrocada de violentos 28,4% comparando os dois trimestres. Um cenário de terror, praticamente.
Nas linhas das margens, a ilustração desse cenário: tanto a margem bruta, quanto a margem EBITDA quanto a margem líquida também sofreram pressão no período, atingindo números bem mais baixos dos registrados no ano passado.
A explicação para isso tudo gira em torno de uma só palavra, que você já deve estar cansado de ouvir: inflação.
Por um lado, o crescimento de receita é excelente, sinalizando que ainda que as companhias estejam atravessando um péssimo período, o mercado ainda está aquecido e parte dos preços está sendo repassado, mas pelo lado do lucro, percebe-se que ainda há muito trabalho a ser feito em termos de repasse de inflação.
Como já mencionamos diversas vezes, um mantra é repetido constantemente aos novos investidores do mercado acionário: “ações protegem contra a inflação! Boas empresas protegem contra a inflação!” – isso é real, pura verdade, e não é questão de opinião ou achismo, é uma afirmação pautada não em décadas, mas mais de um século (literalmente) de dados. O que esquecem de dizer é: essa proteção não ocorre no curto prazo nem é algo instantâneo.
No momento que as companhias sofrem com a inflação, elas precisam de tempo para se adequar a esse problema. Estoques, concorrência, participação de mercado, entraves regulatórios... Peguemos a M. Dias Branco, gigante produtora de massas e biscoitos da bolsa.
Desde o ano passado ela tem sofrido com compressão de margens por conta do aumento do preço do trigo. Sua dinâmica é bem simples: ela compra o trigo, processa, desenvolve os seus produtos e então vende ao consumidor final. Na base produtiva com o preço do trigo subindo no mercado internacional, significa que ela terá forte aumento de custos, afinal, sua matéria-prima encareceu.
A princípio, o investidor (e não só o investidor, mas absolutamente qualquer consumidor) pensa: empresas não sofrem com inflação, elas repassam os preços – tanto faz esses aumentos. Não é verdade. Talvez seja no médio prazo, mas não no curto prazo.
Por mais que a M. Dias Branco possa repassar 100% do seus custos aos seus produtos no curto prazo, ela não faz isso porque (I) existem outros players no mercado concorrendo com ela, se ela repassa 100% dos custos de uma só vez, ela perde espaço para a concorrência e fere o nome de sua marca, (II) a lei é dura e sabemos muito bem quão complicado é esse assunto de aumento de preços aqui no Brasil, com a maior parte da população achando que as empresas são as grandes inimigas sendo que são apenas veículos que sofrem e repassam custos – e o Estado (principalmente políticos) utilizam essa veia emocional como palanque para ganhar popularidade, e (III) há também a dinâmica de estoques que causa certa “disfunção” de timing quando o assunto é repasse de preços.
Quem leu os resultados das companhias do segundo trimestre desse ano, certamente percebeu como o crescimento da receita foi forte: enquanto no 2T21 a receita líquida foi de R$ 894 bilhões, no 2T22 a receita líquida foi de R$ 1.079 – ou seja, o mercado superou o marco do trilhão e apresentou um crescimento de pouco mais de 20% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. De qualquer forma, não é da receita que uma companhia vive – então vamos um pouco além e falar sobre os outros números que importam.
Quando olhamos sob a ótica do operacional, isso é, o EBITDA das 335 empresas apuradas (lembrando que esse número não é aleatório, mas sim a quantidade de companhias do nosso mercado que possuem liquidez), o crescimento ainda é claro – em menor escala, mas há crescimento (o que significa compressão das margens), com o EBITDA subindo de R$ 277 bilhões no 2T21 para R$ 291 bilhões no 2T22, um crescimento de 5,1%.
O problema ocorre quando chegamos na linha de lucro líquido: dos R$ 170 bilhões no 2T21, houve queda para os R$ 122 bilhões no 2T22, representando uma derrocada de violentos 28,4% comparando os dois trimestres. Um cenário de terror, praticamente.
Nas linhas das margens, a ilustração desse cenário: tanto a margem bruta, quanto a margem EBITDA quanto a margem líquida também sofreram pressão no período, atingindo números bem mais baixos dos registrados no ano passado.
A explicação para isso tudo gira em torno de uma só palavra, que você já deve estar cansado de ouvir: inflação.
Por um lado, o crescimento de receita é excelente, sinalizando que ainda que as companhias estejam atravessando um péssimo período, o mercado ainda está aquecido e parte dos preços está sendo repassado, mas pelo lado do lucro, percebe-se que ainda há muito trabalho a ser feito em termos de repasse de inflação.
Como já mencionamos diversas vezes, um mantra é repetido constantemente aos novos investidores do mercado acionário: “ações protegem contra a inflação! Boas empresas protegem contra a inflação!” – isso é real, pura verdade, e não é questão de opinião ou achismo, é uma afirmação pautada não em décadas, mas mais de um século (literalmente) de dados. O que esquecem de dizer é: essa proteção não ocorre no curto prazo nem é algo instantâneo.
No momento que as companhias sofrem com a inflação, elas precisam de tempo para se adequar a esse problema. Estoques, concorrência, participação de mercado, entraves regulatórios... Peguemos a M. Dias Branco, gigante produtora de massas e biscoitos da bolsa.
Desde o ano passado ela tem sofrido com compressão de margens por conta do aumento do preço do trigo. Sua dinâmica é bem simples: ela compra o trigo, processa, desenvolve os seus produtos e então vende ao consumidor final. Na base produtiva com o preço do trigo subindo no mercado internacional, significa que ela terá forte aumento de custos, afinal, sua matéria-prima encareceu.
A princípio, o investidor (e não só o investidor, mas absolutamente qualquer consumidor) pensa: empresas não sofrem com inflação, elas repassam os preços – tanto faz esses aumentos. Não é verdade. Talvez seja no médio prazo, mas não no curto prazo.
Por mais que a M. Dias Branco possa repassar 100% do seus custos aos seus produtos no curto prazo, ela não faz isso porque (I) existem outros players no mercado concorrendo com ela, se ela repassa 100% dos custos de uma só vez, ela perde espaço para a concorrência e fere o nome de sua marca, (II) a lei é dura e sabemos muito bem quão complicado é esse assunto de aumento de preços aqui no Brasil, com a maior parte da população achando que as empresas são as grandes inimigas sendo que são apenas veículos que sofrem e repassam custos – e o Estado (principalmente políticos) utilizam essa veia emocional como palanque para ganhar popularidade, e (III) há também a dinâmica de estoques que causa certa “disfunção” de timing quando o assunto é repasse de preços.
Ou seja, no curto prazo não há qualquer repasse de inflação e as ações não protegem como a maioria pensa. Não protegem. Salvando as exceções das companhias que possuem indexação em seus contratos e repassam prontamente a inflação para os preços (como são as companhias do setor elétrico) ou companhias mais commoditizadas que caracterizam proteção por se tratarem da base da produção da economia, não espere proteção contra a inflação no curto prazo.
Foi no segundo trimestre que a M. Dias Branco já repassou boa parte da inflação nos seus preços (saindo de R$ 4,90 o preço médio do kg dos seus produtos para R$ 6,0), mas sofreu bem em alguns trimestres antes disso – você deve se lembrar da ação subindo quase 25% no dia... pois então, foi o mercado digerindo finalmente a ideia de que a inflação pela companhia estava sendo repassada, apesar do tempo de espera.
Por que estamos escrevendo esse texto? Para lembrar sempre que em momentos de turbulência econômica os números podem causar maior ceticismo e te induzir ao erro, fazendo você questionar de fato quão legítimo é dizer que as ações são boas protetoras de patrimônio pro longo prazo... pois pode ter certeza – elas são, mas assim como qualquer movimento econômico, essa proteção leva tempo. As empresas repassam a inflação para os seus produtos aos poucos, até que suas margens estejam plenamente ajustadas para o real nível de mercado e então o cenário estabiliza.
Ações protegem contra a inflação no longo prazo e ainda faremos um texto dissecando esses dados de mais de um século de mercado que citamos. Se você investe em companhias boas, apenas acompanhe os fundamentos trimestralmente e se acostume – esse sobe e desce de margens faz parte do cenário.
Se você busca proteção no curto prazo, vá atrás da renda fixa. Se você busca proteção e multiplicação de capital no longo prazo, a renda variável é o seu lugar – mas lembre-se, selecionando bons ativos e investindo de fato em empresas que tem essa capacidade de repasse.
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Foi no segundo trimestre que a M. Dias Branco já repassou boa parte da inflação nos seus preços (saindo de R$ 4,90 o preço médio do kg dos seus produtos para R$ 6,0), mas sofreu bem em alguns trimestres antes disso – você deve se lembrar da ação subindo quase 25% no dia... pois então, foi o mercado digerindo finalmente a ideia de que a inflação pela companhia estava sendo repassada, apesar do tempo de espera.
Por que estamos escrevendo esse texto? Para lembrar sempre que em momentos de turbulência econômica os números podem causar maior ceticismo e te induzir ao erro, fazendo você questionar de fato quão legítimo é dizer que as ações são boas protetoras de patrimônio pro longo prazo... pois pode ter certeza – elas são, mas assim como qualquer movimento econômico, essa proteção leva tempo. As empresas repassam a inflação para os seus produtos aos poucos, até que suas margens estejam plenamente ajustadas para o real nível de mercado e então o cenário estabiliza.
Ações protegem contra a inflação no longo prazo e ainda faremos um texto dissecando esses dados de mais de um século de mercado que citamos. Se você investe em companhias boas, apenas acompanhe os fundamentos trimestralmente e se acostume – esse sobe e desce de margens faz parte do cenário.
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Você já deve ter ouvido falar que o nosso Banco Central começou a agir antes das demais autoridades monetárias dos países elevando a taxa de juros do Brasil ainda no começo de 2021. Nós mesmos já falamos isso diversas vezes na nossa caixinha de perguntas no Instagram. Não é novidade.
O gráfico acima é a ilustração disso: o ritmo do aumento da taxa de juros das principais economias do planeta.
A princípio, o movimento é péssimo, ainda mais considerando a magnitude desse aumento de juros, beirando os 14% e com um potencial altíssimo de destroçar a atividade econômica do país. Porém, sob o prisma relativo, assim como o Brasil foi o primeiro país a começar o ciclo de aumento, temos um grande potencial de ser também o primeiro a iniciar a reversão desse ciclo, apresentando antes dos pares um controle inflacionário desejável – um assunto difícil de ser tratado atualmente, visto que popularmente a redução da inflação está sendo creditada unicamente pelo corte do ICMS, o que não é procede e já abordamos em outro texto com outros indicadores econômicos.
Sobre esse ciclo da SELIC, achamos importante pontuar dois fatores:
(I) Não necessariamente teremos de aumentar a SELIC mais do que já foi elevada até o momento – o efeito da taxa de juros de um país tem efeito limitado para conter a inflação. A maioria dos investidores criaram essa falsa associação onde a taxa de juros dos EUA em um patamar maior significa uma SELIC em patamar maior, visto que a taxa nos EUA mais alta poderia causar fuga de capital no Brasil e depreciar nosso câmbio, forçando aumento da SELIC para tornar novamente o país atrativo e reduzir o câmbio na ponta final. Não funciona de forma estrita como pensam. Uma elevação desmedida da SELIC pressiona a dívida pública, que por conseguinte começa a ameaçar a sustentabilidade do pagamento da dívida e a pressão do câmbio vem de outra forma. Resumindo: elevar mais a SELIC pode fazer com que o câmbio fique ainda mais depreciado.
(II) A taxa de juros dos EUA não é a única determinante da nossa taxa de juros. Assim como o último ciclo das commodities que tivemos entre 2000 e 2006 aproximadamente, o Brasil pode entrar em um ciclo virtuoso de crescimento novamente, fazendo com que a taxa de juros seja o fator que menos importa em meio a tantos pontos de decisão para os investidores que colocam dinheiro aqui dentro. Com um cenário de crescimento e de teor atrativo para o investidor, temos capital entrando, menor pressão no câmbio, mais investimentos no país e mais motivos para a SELIC ser reduzida. Resumindo: não ache que o Banco Central balize nossa taxa de juros somente pela taxa de juros dos EUA. Economia é mais do que comparativo de duas variáveis.
Ademais, achamos importante elencar esses dois pontos sobre esse assunto de juros pois a inflação nos EUA parece não ceder e cada vez mais o mercado acredita que os juros por lá será elevado a níveis inimagináveis – digamos que 6% ou 7% é uma realidade caso a inflação demonstre ser mais persistente do que parece.
Em meio a todo esse barulho, o investidor tem que descontruir esse viés de ancoragem e essa relação exata de condições. O aumento dos juros nos EUA pressiona sim os juros por aqui, mas não só. O aumento de juros nos EUA pode sim obrigar o Banco Central brasileiro a elevar mais a SELIC, mas não só. Não existe motivo nenhum para o BCB elevar a SELIC além do atual patamar se o cenário internet estiver fluindo em ventos positivos como tem fluido nos últimos meses – pelo contrário, caso o ritmo siga, num cenário base, o Brasil tem a chance de ser um dos primeiros países a começar esse ciclo de reversão de juros.
A questão é: não ancore absolutamente nenhuma análise num só número – suas opiniões sempre refletem nas suas decisões, e é extremamente perigoso que essas opiniões distorçam as análises que você realiza.
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A princípio, o movimento é péssimo, ainda mais considerando a magnitude desse aumento de juros, beirando os 14% e com um potencial altíssimo de destroçar a atividade econômica do país. Porém, sob o prisma relativo, assim como o Brasil foi o primeiro país a começar o ciclo de aumento, temos um grande potencial de ser também o primeiro a iniciar a reversão desse ciclo, apresentando antes dos pares um controle inflacionário desejável – um assunto difícil de ser tratado atualmente, visto que popularmente a redução da inflação está sendo creditada unicamente pelo corte do ICMS, o que não é procede e já abordamos em outro texto com outros indicadores econômicos.
Sobre esse ciclo da SELIC, achamos importante pontuar dois fatores:
(I) Não necessariamente teremos de aumentar a SELIC mais do que já foi elevada até o momento – o efeito da taxa de juros de um país tem efeito limitado para conter a inflação. A maioria dos investidores criaram essa falsa associação onde a taxa de juros dos EUA em um patamar maior significa uma SELIC em patamar maior, visto que a taxa nos EUA mais alta poderia causar fuga de capital no Brasil e depreciar nosso câmbio, forçando aumento da SELIC para tornar novamente o país atrativo e reduzir o câmbio na ponta final. Não funciona de forma estrita como pensam. Uma elevação desmedida da SELIC pressiona a dívida pública, que por conseguinte começa a ameaçar a sustentabilidade do pagamento da dívida e a pressão do câmbio vem de outra forma. Resumindo: elevar mais a SELIC pode fazer com que o câmbio fique ainda mais depreciado.
(II) A taxa de juros dos EUA não é a única determinante da nossa taxa de juros. Assim como o último ciclo das commodities que tivemos entre 2000 e 2006 aproximadamente, o Brasil pode entrar em um ciclo virtuoso de crescimento novamente, fazendo com que a taxa de juros seja o fator que menos importa em meio a tantos pontos de decisão para os investidores que colocam dinheiro aqui dentro. Com um cenário de crescimento e de teor atrativo para o investidor, temos capital entrando, menor pressão no câmbio, mais investimentos no país e mais motivos para a SELIC ser reduzida. Resumindo: não ache que o Banco Central balize nossa taxa de juros somente pela taxa de juros dos EUA. Economia é mais do que comparativo de duas variáveis.
Ademais, achamos importante elencar esses dois pontos sobre esse assunto de juros pois a inflação nos EUA parece não ceder e cada vez mais o mercado acredita que os juros por lá será elevado a níveis inimagináveis – digamos que 6% ou 7% é uma realidade caso a inflação demonstre ser mais persistente do que parece.
Em meio a todo esse barulho, o investidor tem que descontruir esse viés de ancoragem e essa relação exata de condições. O aumento dos juros nos EUA pressiona sim os juros por aqui, mas não só. O aumento de juros nos EUA pode sim obrigar o Banco Central brasileiro a elevar mais a SELIC, mas não só. Não existe motivo nenhum para o BCB elevar a SELIC além do atual patamar se o cenário internet estiver fluindo em ventos positivos como tem fluido nos últimos meses – pelo contrário, caso o ritmo siga, num cenário base, o Brasil tem a chance de ser um dos primeiros países a começar esse ciclo de reversão de juros.
A questão é: não ancore absolutamente nenhuma análise num só número – suas opiniões sempre refletem nas suas decisões, e é extremamente perigoso que essas opiniões distorçam as análises que você realiza.
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Corte de ICMS vai deixar uma conta para nós pagarmos? Não exatamente.
Um dos pontos que os céticos em relação ao corte do ICMS mais constatam, é o fato de que esse corte de imposto pode “deixar uma conta” para nós, a população, pagarmos, isso é, com os estados arrecadando menos dinheiro, alguns acham que haverá um buraco nas contas que terá que ser compensado com mais impostos e coisas do tipo. A afirmação é falsa e não conversa com a realidade – ao menos quando avaliamos dados.
Há algum tempo citamos que o Estado (de forma geral, da esfera federal aos governos regionais) está atingindo níveis altíssimos de arrecadação por conta da inflação, atividade econômica e ciclo das commodities. O gráfico acima é a ilustração disso.
A linha azul claro é o superávit que os governos regionais atingiram nos últimos 12 meses, perceba que desse número começou a disparar no início de 2020 como resultado principalmente da alta dos combustíveis, que é o maior fator de arrecadação da esfera. Combustíveis mais caros resultam em mais dinheiro no bolso dos estados – não em vão o superávit acumulado entre 2020 e 2022 é de R$210 bilhões na esfera dos governos regionais. Sim, R$ 210 bilhões.
Ou seja: qualquer argumento que você veja alegando uma “conta para pagar”, que isso “tira dinheiro dos estados” ou coisas do tipo, é afirmação falsa – disseminação de desinformação.
Os estados, assim como o Governo Central, estão com um grau altíssimo de arrecadação por conta do ciclo que estamos vivendo entre outros fatores. Não há perda de arrecadação, não há buraco fiscal algum.
Defender 30% de tributação sobre um dos bens que mais impactam as camadas mais vulneráveis da sociedade mesmo face a bonança da arrecadação pública é algo questionável.
Se sobra dinheiro para o Estado, é ele que tem que reduzir seus gastos para compensar a população que o sustenta, e não o contrário.
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Há algum tempo citamos que o Estado (de forma geral, da esfera federal aos governos regionais) está atingindo níveis altíssimos de arrecadação por conta da inflação, atividade econômica e ciclo das commodities. O gráfico acima é a ilustração disso.
A linha azul claro é o superávit que os governos regionais atingiram nos últimos 12 meses, perceba que desse número começou a disparar no início de 2020 como resultado principalmente da alta dos combustíveis, que é o maior fator de arrecadação da esfera. Combustíveis mais caros resultam em mais dinheiro no bolso dos estados – não em vão o superávit acumulado entre 2020 e 2022 é de R$210 bilhões na esfera dos governos regionais. Sim, R$ 210 bilhões.
Ou seja: qualquer argumento que você veja alegando uma “conta para pagar”, que isso “tira dinheiro dos estados” ou coisas do tipo, é afirmação falsa – disseminação de desinformação.
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7 dicas valiosas sobre investimentos segundo John Bogle
O John Bogle foi um dos maiores nomes dos investimentos que nem todos conhecem.
Fundador da Vanguard Group (uma das maiores gestoras de investimentos do planeta com US$ 7.5 trilhões sob gestão) e creditado por ser o pai dos ETFs, foi ele o criador do primeiro fundo de índice da história. Uma revolução nos investimentos.
Seus 90 anos de história trouxeram diversas lições, entre livros escritos, entrevistas concedidas e muito material criado, segundo Bogle, em um de seus ensaios ele resumiu seus mais de 70 anos de experiência no mercado em 7 lições:
1. Apenas invista. O maior risco pra o investidor, não é a volatilidade de curto prazo, mas sim o fato de não obter um retorno suficiente sobre seu capital à medida que se acumula sob a ótica de acumulo de capital. Sempre invista, tenha consistência e foque no tempo – tempo sempre ganha de taxa. Tenha consistência.
2. O tempo é o seu amigo. Investir deve ser um hábito, e quanto antes você desenvolver esse hábito, melhor e você apreciará mais cedo a mágica do efeito dos juros compostos. Como Bogle cita, até mesmos os investimentos mais modestos realizados na década de 30 trouxeram retornos astronômicos para ele, mesmo com taxas tímidas, o tempo fez o seu trabalho. Mais uma vez o gigante da ênfase na importância do fator “tempo”.
3. Agir de forma impulsiva pode ser seu maior inimigo: elimine a emoção da sua estratégia de investimentos – e mesmo que não esteja na estratégia, evite isso ao máximo. Tenha expectativas racionais sobre o retorno futuro dos ativos que você investe (isso é, evite narrativas fantasiosas de retornos estratosféricos que quase sempre culminam em destruição de patrimônio) e evite absolutamente qualquer ruído que você conceber por notícias ou boatos do mercado. O ser humano odeia a incerteza, e é justamente por isso que ele sempre busca explicar fatores aleatórios de curto prazo – a questão é que explicar não significa que está correto. Não agir por impulso e ignorar burburinhos te evitará muita dor de cabeça.
4. A aritmética básica funciona: o retorno líquido é simplesmente o retorno bruto do seu portfólio de investimentos menos os custos incorridos – incluindo impostos. Seja superavitário, invista o que sobra do seu dinheiro e evite colocar os números contra você girando seus investimentos a todo momento empilhando taxas e impostos que destruirão completamente o seu retorno. Pense que seu portfólio é como um sabonete – quanto mais mexe, menor fica – isso obviamente sobre a ótica de venda incessante de ativos buscando acertar timing e afins.
5. Atenha-se à simplicidade: você não precisa reinventar a roda. Não precisa. É tentadora a ideia de criar uma metodologia inovadora ou uma estratégia disruptiva de investimentos, mas dificilmente isso funciona. O mercado é antigo, muito já foi tentado e existe documental o suficiente para mostrar que o simples é que funciona. Uma alocação sensata entre ações, títulos e reservas de caixa; uma seleção diversificada de ativos e cuidado com o risco e retorno serão fatores mais do que suficientes para você prosperar com seus investimentos. Você não precisa reinventar a roda.
6. Nunca esqueça a regressão à média: um retorno violentamente alto de um ativo no curto prazo é bem suscetível a uma queda, não se emocione com gráficos parabólicos. Em momentos de euforia e ciclos de alta, é bem comum ver alguns ativos passando por rallys admiráveis que praticamente sussurram nos ouvidos e imploram pelos seus investimentos – tome muito cuidado com isso. O mercado não é bobo e não deixa dinheiro na mesa, é bem provável que em algum momento esse ativo passe por uma regressão à média.
O John Bogle foi um dos maiores nomes dos investimentos que nem todos conhecem.
Fundador da Vanguard Group (uma das maiores gestoras de investimentos do planeta com US$ 7.5 trilhões sob gestão) e creditado por ser o pai dos ETFs, foi ele o criador do primeiro fundo de índice da história. Uma revolução nos investimentos.
Seus 90 anos de história trouxeram diversas lições, entre livros escritos, entrevistas concedidas e muito material criado, segundo Bogle, em um de seus ensaios ele resumiu seus mais de 70 anos de experiência no mercado em 7 lições:
1. Apenas invista. O maior risco pra o investidor, não é a volatilidade de curto prazo, mas sim o fato de não obter um retorno suficiente sobre seu capital à medida que se acumula sob a ótica de acumulo de capital. Sempre invista, tenha consistência e foque no tempo – tempo sempre ganha de taxa. Tenha consistência.
2. O tempo é o seu amigo. Investir deve ser um hábito, e quanto antes você desenvolver esse hábito, melhor e você apreciará mais cedo a mágica do efeito dos juros compostos. Como Bogle cita, até mesmos os investimentos mais modestos realizados na década de 30 trouxeram retornos astronômicos para ele, mesmo com taxas tímidas, o tempo fez o seu trabalho. Mais uma vez o gigante da ênfase na importância do fator “tempo”.
3. Agir de forma impulsiva pode ser seu maior inimigo: elimine a emoção da sua estratégia de investimentos – e mesmo que não esteja na estratégia, evite isso ao máximo. Tenha expectativas racionais sobre o retorno futuro dos ativos que você investe (isso é, evite narrativas fantasiosas de retornos estratosféricos que quase sempre culminam em destruição de patrimônio) e evite absolutamente qualquer ruído que você conceber por notícias ou boatos do mercado. O ser humano odeia a incerteza, e é justamente por isso que ele sempre busca explicar fatores aleatórios de curto prazo – a questão é que explicar não significa que está correto. Não agir por impulso e ignorar burburinhos te evitará muita dor de cabeça.
4. A aritmética básica funciona: o retorno líquido é simplesmente o retorno bruto do seu portfólio de investimentos menos os custos incorridos – incluindo impostos. Seja superavitário, invista o que sobra do seu dinheiro e evite colocar os números contra você girando seus investimentos a todo momento empilhando taxas e impostos que destruirão completamente o seu retorno. Pense que seu portfólio é como um sabonete – quanto mais mexe, menor fica – isso obviamente sobre a ótica de venda incessante de ativos buscando acertar timing e afins.
5. Atenha-se à simplicidade: você não precisa reinventar a roda. Não precisa. É tentadora a ideia de criar uma metodologia inovadora ou uma estratégia disruptiva de investimentos, mas dificilmente isso funciona. O mercado é antigo, muito já foi tentado e existe documental o suficiente para mostrar que o simples é que funciona. Uma alocação sensata entre ações, títulos e reservas de caixa; uma seleção diversificada de ativos e cuidado com o risco e retorno serão fatores mais do que suficientes para você prosperar com seus investimentos. Você não precisa reinventar a roda.
6. Nunca esqueça a regressão à média: um retorno violentamente alto de um ativo no curto prazo é bem suscetível a uma queda, não se emocione com gráficos parabólicos. Em momentos de euforia e ciclos de alta, é bem comum ver alguns ativos passando por rallys admiráveis que praticamente sussurram nos ouvidos e imploram pelos seus investimentos – tome muito cuidado com isso. O mercado não é bobo e não deixa dinheiro na mesa, é bem provável que em algum momento esse ativo passe por uma regressão à média.
7. Mantenha-se em curso: independente do que aconteça com o mercado, atenha-se a sua estratégia e mantenha-se em curso. É de fato difícil ir em direção contrária ao mercado e investir em momentos que tudo cai e parece que o mundo vai acabar, mas é justamente em momentos como esse que os melhores aportes são realizados. A mudança abrupta da sua estratégia e o comprometimento dos seus aportes pode ser algo devastador para sua carteira no longo prazo. Ignorar as narrativas que fazem terror ao emocional, os anunciadores da hecatombe econômica e coisas do tipo irá te ajudar muito, mas independente do que aconteça, siga com sua estratégia e mantenha os aportes.
Como última dica, recomendamos fortemente a leitura do livro “O Investidor de Bom Senso”, escrito pelo John Bogle – é essencial que o investidor conheça sobre as lições que esse gigante tem a ensinar.
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Como última dica, recomendamos fortemente a leitura do livro “O Investidor de Bom Senso”, escrito pelo John Bogle – é essencial que o investidor conheça sobre as lições que esse gigante tem a ensinar.
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Dividend Yield: porque a maioria dos investidores erra ao analisar esse indicador
A estratégia de dividendos talvez seja a estratégia mais tradicional da bolsa de valores – sendo extremamente popular no exterior, ela é ainda mais aqui no Brasil, impulsionada principalmente por conta do lendário investidor Luiz Barsi, com seus 83 anos de idade e quase 70 anos de experiência de mercado, sendo um defensor inveterado da estratégia e a porta de entrada de diversos investidores novos para o mercado acionário.
Nosso texto não é um contraponto a estratégia – pelo contrário, assim como a maioria dos investidores, achamos que a estratégia de dividendos é uma das melhores existentes no mercado pois caso praticada de forma correta, fará com que o investidor compre apenas empresas fenomenais, visto que pagamento de dividendo com recorrência em em maior quantidade é quase sempre sinal de boa saúde financeira de uma companhia.
A intenção aqui é mostrar como a leitura do dividend yield de forma equivocada pode acabar tirando do seu leque de opções diversas empresas de altíssimo valor. A estratégia de dividendos é excelente e precisa saber ser feita – não é tão somente abrir algum site consolidador de dados que existe aos montes hoje em dia, comprar ações com 6% de dividend yield e esperar para ganhar dinheiro – muito investidor se afunda com isso, inclusive, ao perceber tardiamente que fez algo errado.
Pois bem, nesse estudo explicativo pegamos uma empresa velha de mercado (RaiaDrogasil) e que não é uma “pagadora de dividendos” justamente para mostrar como uma companhia que não é uma pagadora de dividendos também pode desempenhar esse papel na sua carteira ao longo do tempo – e pouca gente se dá conta disso.
Na tabela, há alguns dados da RaiaDrogasil desde os anos 2000.
Na primeira coluna, seu lucro líquido = que em 2000 foi de R$ 2 milhões, enquanto em 2021 foi de R$ 760 milhões.
Na segunda coluna, os dividendos distribuídos pela companhia, que em 2000 foi R$ 1 milhão, enquanto em 2021 foi R$ 265 milhões.
Na terceira coluna, seu payout, que nada mais é do que o percentual do lucro líquido que a companhia distribuiu como proventos para seus acionistas. Ou seja, em 2000 a RaiaDrogasil realizou um payout de 50% (pagou metade do seu lucro como proventos aos acionistas) enquanto em 2021 ela pagou 35% do lucro como proventos para os acionistas.
Na quarta, quinta e sexta colunas, os dividendos pagos por ação e respectivo yields considerando o preço da ação nos períodos (a Droga Raia e a Drogasil realizaram fusão em 2011 e alguns dados como a quantidade de ações emitidas são impossíveis de encontrar, o que impossibilitou o cálculo de dividendo por ação e yield de 2000 e 2005).
Primeiramente, perceba um fator estrutural: a RaiaDrogasil nunca foi uma boa pagadora de dividendos. A tabela está resumida e datando de 5 em 5 anos, mas a média histórica de seu payout sempre foi de 33,8% nos últimos 22 anos – ou seja, a companhia destina apenas um terço do lucro gerado para remunerar diretamente seus acionistas com proventos. Isso por si só já causaria um efeito de recusa sobre o ativo para quem procura bons pagamentos de dividendos – o que nos leva a outro indicador, seu dividend yield. Como dissemos, infelizmente não temos dados de 2000 e 2005, mas desde 2011, a média de seu dividend yield anual foi de 0,86%.
Veja: os dois indicadores principais de análise de dividendos deixam bem evidente que a companhia é uma péssima pagadora de dividendos. E isso é verdade – é impossível de alegar que uma companhia que paga somente um terço do seu lucro por ano em proventos e possui um yield de menos de 1% caracteriza uma boa pagadora de dividendos. Mas achamos legal analisar sobre outra ótica.
Ao longo do tempo, é natural que as empresas bem geridas valorizem. No caso da RaiaDrogasil, enquanto em 2000 a ação da companhia estava na casa de um centavo, em 2021 seu preço fechou nos R$ 24,30. Pegue agora a coluna de dividendo por ação e compare com o preço da ação em períodos passados.
A estratégia de dividendos talvez seja a estratégia mais tradicional da bolsa de valores – sendo extremamente popular no exterior, ela é ainda mais aqui no Brasil, impulsionada principalmente por conta do lendário investidor Luiz Barsi, com seus 83 anos de idade e quase 70 anos de experiência de mercado, sendo um defensor inveterado da estratégia e a porta de entrada de diversos investidores novos para o mercado acionário.
Nosso texto não é um contraponto a estratégia – pelo contrário, assim como a maioria dos investidores, achamos que a estratégia de dividendos é uma das melhores existentes no mercado pois caso praticada de forma correta, fará com que o investidor compre apenas empresas fenomenais, visto que pagamento de dividendo com recorrência em em maior quantidade é quase sempre sinal de boa saúde financeira de uma companhia.
A intenção aqui é mostrar como a leitura do dividend yield de forma equivocada pode acabar tirando do seu leque de opções diversas empresas de altíssimo valor. A estratégia de dividendos é excelente e precisa saber ser feita – não é tão somente abrir algum site consolidador de dados que existe aos montes hoje em dia, comprar ações com 6% de dividend yield e esperar para ganhar dinheiro – muito investidor se afunda com isso, inclusive, ao perceber tardiamente que fez algo errado.
Pois bem, nesse estudo explicativo pegamos uma empresa velha de mercado (RaiaDrogasil) e que não é uma “pagadora de dividendos” justamente para mostrar como uma companhia que não é uma pagadora de dividendos também pode desempenhar esse papel na sua carteira ao longo do tempo – e pouca gente se dá conta disso.
Na tabela, há alguns dados da RaiaDrogasil desde os anos 2000.
Na primeira coluna, seu lucro líquido = que em 2000 foi de R$ 2 milhões, enquanto em 2021 foi de R$ 760 milhões.
Na segunda coluna, os dividendos distribuídos pela companhia, que em 2000 foi R$ 1 milhão, enquanto em 2021 foi R$ 265 milhões.
Na terceira coluna, seu payout, que nada mais é do que o percentual do lucro líquido que a companhia distribuiu como proventos para seus acionistas. Ou seja, em 2000 a RaiaDrogasil realizou um payout de 50% (pagou metade do seu lucro como proventos aos acionistas) enquanto em 2021 ela pagou 35% do lucro como proventos para os acionistas.
Na quarta, quinta e sexta colunas, os dividendos pagos por ação e respectivo yields considerando o preço da ação nos períodos (a Droga Raia e a Drogasil realizaram fusão em 2011 e alguns dados como a quantidade de ações emitidas são impossíveis de encontrar, o que impossibilitou o cálculo de dividendo por ação e yield de 2000 e 2005).
Primeiramente, perceba um fator estrutural: a RaiaDrogasil nunca foi uma boa pagadora de dividendos. A tabela está resumida e datando de 5 em 5 anos, mas a média histórica de seu payout sempre foi de 33,8% nos últimos 22 anos – ou seja, a companhia destina apenas um terço do lucro gerado para remunerar diretamente seus acionistas com proventos. Isso por si só já causaria um efeito de recusa sobre o ativo para quem procura bons pagamentos de dividendos – o que nos leva a outro indicador, seu dividend yield. Como dissemos, infelizmente não temos dados de 2000 e 2005, mas desde 2011, a média de seu dividend yield anual foi de 0,86%.
Veja: os dois indicadores principais de análise de dividendos deixam bem evidente que a companhia é uma péssima pagadora de dividendos. E isso é verdade – é impossível de alegar que uma companhia que paga somente um terço do seu lucro por ano em proventos e possui um yield de menos de 1% caracteriza uma boa pagadora de dividendos. Mas achamos legal analisar sobre outra ótica.
Ao longo do tempo, é natural que as empresas bem geridas valorizem. No caso da RaiaDrogasil, enquanto em 2000 a ação da companhia estava na casa de um centavo, em 2021 seu preço fechou nos R$ 24,30. Pegue agora a coluna de dividendo por ação e compare com o preço da ação em períodos passados.
Em 2010 a Raia Drogasil pagou R$ 0,01 por ação – é o mesmo valor que a ação da companhia valia em 2000. Em 2015 ela pagou R$ 0,11 – quase 3 vezes o valor que estava a ação em 2005. Em 2021 ela pagou R$ 0,22 por ação – isso é 22 vezes o valor da ação em 2000.
O ponto central é: ao longo do tempo, o preço da ação sobe, os indicadores acompanham e até mesmo investimentos em companhias que não são pagadoras de dividendos podem trazer retornos cavalares de dividendos para o investidor com um “brinde” de uma valorização forte no ativo.
Quando você for analisar um ativo para investir e olhar somente sob a ótica do dividend yield, é bem provável que você esteja cometendo um terrível erro que pode custar o seu dinheiro lá na frente. Analise também o payout e veja o histórico do valor do ativo para evidenciar como o crescimento pode fazer com que o seu yield on cost (o dividend yield do ativo considerando seu preço de compra) se torne gigante com o tempo.
Outro bom exemplo sobre isso é a Ambev, veja, muita gente descarta investir no ativo pelo seu yield ser baixo – não estamos aqui advogando para você investir no ativo nem nada do tipo, mas a maioria analisa o ativo de forma errada e tem uma conclusão completamente distorcida.
A Ambev quase sempre paga acima de 80% do seu lucro em dividendos. Se você busca investir em dividendos é o payout médio dela em relação ao possível lucro futuro que ela dará que você tem que analisar. Em seu caso, é um payout de 80% com um lucro que tem crescido todo ano em um ritmo próximo de 10%. Em uma situação do tipo, se o lucro da companhia dobra e o payout se mantém, a quantidade que ela paga em dividendos também dobra, e consequentemente o seu yield on cost também, mas por estar analisando somente o dividend yield de tela (que considera os valores de tela, e não os que você pagou) você tem uma conclusão distorcida e consequentemente toma uma decisão errada.
Analise o payout, faça uma tabela semelhante a que fizemos acima e tire suas próprias conclusões: no longo prazo, qualquer ativo tem potencial de gerar retornos altíssimos para o investidor em termos de proventos, até mesmo aqueles ativos que não são populares quando falamos sobre dividendos.
O preço de tela engana e pode te fazer tomar decisões erradas – investir é mais do que entrar em algum site que consolida indicadores ou usar filtros para encontrar ações com dividend yield acima de 6%. Faça uma análise muito bem feita sobre o histórico - preço de tela engana.
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O ponto central é: ao longo do tempo, o preço da ação sobe, os indicadores acompanham e até mesmo investimentos em companhias que não são pagadoras de dividendos podem trazer retornos cavalares de dividendos para o investidor com um “brinde” de uma valorização forte no ativo.
Quando você for analisar um ativo para investir e olhar somente sob a ótica do dividend yield, é bem provável que você esteja cometendo um terrível erro que pode custar o seu dinheiro lá na frente. Analise também o payout e veja o histórico do valor do ativo para evidenciar como o crescimento pode fazer com que o seu yield on cost (o dividend yield do ativo considerando seu preço de compra) se torne gigante com o tempo.
Outro bom exemplo sobre isso é a Ambev, veja, muita gente descarta investir no ativo pelo seu yield ser baixo – não estamos aqui advogando para você investir no ativo nem nada do tipo, mas a maioria analisa o ativo de forma errada e tem uma conclusão completamente distorcida.
A Ambev quase sempre paga acima de 80% do seu lucro em dividendos. Se você busca investir em dividendos é o payout médio dela em relação ao possível lucro futuro que ela dará que você tem que analisar. Em seu caso, é um payout de 80% com um lucro que tem crescido todo ano em um ritmo próximo de 10%. Em uma situação do tipo, se o lucro da companhia dobra e o payout se mantém, a quantidade que ela paga em dividendos também dobra, e consequentemente o seu yield on cost também, mas por estar analisando somente o dividend yield de tela (que considera os valores de tela, e não os que você pagou) você tem uma conclusão distorcida e consequentemente toma uma decisão errada.
Analise o payout, faça uma tabela semelhante a que fizemos acima e tire suas próprias conclusões: no longo prazo, qualquer ativo tem potencial de gerar retornos altíssimos para o investidor em termos de proventos, até mesmo aqueles ativos que não são populares quando falamos sobre dividendos.
O preço de tela engana e pode te fazer tomar decisões erradas – investir é mais do que entrar em algum site que consolida indicadores ou usar filtros para encontrar ações com dividend yield acima de 6%. Faça uma análise muito bem feita sobre o histórico - preço de tela engana.
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Dados positivos sobre a inflação
Hoje foi divulgado o IPCA-15 de setembro. Popularmente, esse indicador é conhecido como uma prévia da inflação do mês, visto que abrange metade do mês de setembro.
No período, o IPCA-15 foi de -0,37%, contra um consenso de -0,20% do mercado – ou seja, o indicador veio bem melhor do que o consenso da projeção e apresenta ainda deflação significativa.
Essa deflação ocorreu principalmente por conta de três grupos: (I) alimentação e bebidas, sendo impactado principalmente pela queda de preço de produtos de feira, leite e óleos, (II) transportes, sendo impactado por todos os combustíveis refletindo a queda do barril de petróleo no mercado internacional – e aqui vale pontuar que não há mais efeito do ICMS, o corto de imposto ocorreu há meses e já não possui mais efeito sobre o indicador, e (III) comunicação, com redução de preços de planos de telefonia fixa, telefonia móvel e internet.
A sobriedade na análise dos números é obrigatória: ainda que a deflação seja excelente para o momento e não seja mais resultante unicamente do corte do ICMS como alguns tem propagado desonestamente, a alta no acumulado ainda é significativa e alguns grupos seguem pressionados. O principal ponto positivo a ser extraído é: tem ocorrido menor pressão em alimentos e transportes, os dois pilares que acabam contaminando o resto dos grupos.
O principal risco que enxergamos para os próximos meses é uma alta nos juros dos EUA que pode acabar pressionando o nosso câmbio, que como consequência, acabaria causando o mesmo efeito que tivemos entre 2020 e 2021: câmbio depreciando rápido demais causando encarecimento de bens importados e consequentemente fazendo a inflação disparar.
O que pode proteger o país desse cenário é a continuidade desse ciclo virtuoso que o Brasil entrou nos últimos meses, com melhora do cenário fiscal, queda do desemprego e uma conjuntura mais atrativa para investidores externos aliviando o câmbio – mas fica o ponto de atenção: câmbio.
No mais, se a sua máxima for dizer que a inflação em queda não tem refletido em melhora de fato para a economia, lembre-se: nada é tão ruim que não possa piorar. O simples fato de uma estabilidade ou melhora ligeira já é um alento em tempo de crise inflacionária.
Hoje foi divulgado o IPCA-15 de setembro. Popularmente, esse indicador é conhecido como uma prévia da inflação do mês, visto que abrange metade do mês de setembro.
No período, o IPCA-15 foi de -0,37%, contra um consenso de -0,20% do mercado – ou seja, o indicador veio bem melhor do que o consenso da projeção e apresenta ainda deflação significativa.
Essa deflação ocorreu principalmente por conta de três grupos: (I) alimentação e bebidas, sendo impactado principalmente pela queda de preço de produtos de feira, leite e óleos, (II) transportes, sendo impactado por todos os combustíveis refletindo a queda do barril de petróleo no mercado internacional – e aqui vale pontuar que não há mais efeito do ICMS, o corto de imposto ocorreu há meses e já não possui mais efeito sobre o indicador, e (III) comunicação, com redução de preços de planos de telefonia fixa, telefonia móvel e internet.
A sobriedade na análise dos números é obrigatória: ainda que a deflação seja excelente para o momento e não seja mais resultante unicamente do corte do ICMS como alguns tem propagado desonestamente, a alta no acumulado ainda é significativa e alguns grupos seguem pressionados. O principal ponto positivo a ser extraído é: tem ocorrido menor pressão em alimentos e transportes, os dois pilares que acabam contaminando o resto dos grupos.
O principal risco que enxergamos para os próximos meses é uma alta nos juros dos EUA que pode acabar pressionando o nosso câmbio, que como consequência, acabaria causando o mesmo efeito que tivemos entre 2020 e 2021: câmbio depreciando rápido demais causando encarecimento de bens importados e consequentemente fazendo a inflação disparar.
O que pode proteger o país desse cenário é a continuidade desse ciclo virtuoso que o Brasil entrou nos últimos meses, com melhora do cenário fiscal, queda do desemprego e uma conjuntura mais atrativa para investidores externos aliviando o câmbio – mas fica o ponto de atenção: câmbio.
No mais, se a sua máxima for dizer que a inflação em queda não tem refletido em melhora de fato para a economia, lembre-se: nada é tão ruim que não possa piorar. O simples fato de uma estabilidade ou melhora ligeira já é um alento em tempo de crise inflacionária.
A posição confortável do Brasil com a SELIC no atual patamar
O aumento da SELIC foi um dos fatores mais criticados nos últimos tempos – de fato, com uma taxa se aproximando a máxima da última década, foi acesso o sinal de alerta sobre como a nossa economia poderia ser negativamente impactada, visto que quase 14% de juros é um grande freio na atividade produtiva.
Hoje, com o cenário mais claro, fica evidente o acerto do Banco Central ao ter iniciado o ciclo de aumento ainda no começo do ano passado e a intensidade desse aumento de taxa.
Até o momento nesse ano, quase 40 bancos centrais ao redor do planeta elevaram as suas taxas de juros mais de 60 vezes – e apesar dos números assustarem, a maioria dos países sequer se aproximam de uma taxa de juros real e ainda enfrentam problemas seríssimos em termos inflacionários.
O Brasil, junto do México, Arábia Saudita, China e Hong Kong, são os únicos países a gozarem do benefício de uma taxa de juros real, sendo nós atualmente os líderes nesse sentido, com uma taxa real de 5,05%.
Essa tabela levanta a questão sobre dois pontos principais: (I) como a maioria dos países ainda estão bem atrás em todos esses aumentos, diversos países de primeiro mundo estão causando uma verdadeira destruição de valor nunca antes vista na história de forma completamente orquestrada em cima da população, com as taxas de juros reais entre -3% e -10%, e (II) como esse movimento de atraso de aperto monetário é problemático e acaba contaminando a moeda. Explicaremos melhor abaixo.
Se você nos segue no instagram, deve ter visto a publicação que mencionamos que o real é uma das moedas que tem segurado as pontas em 2022 – praticamente todas as moedas do mundo desenvolvido estão sangrando com força, enquanto a moeda brasileira está com ligeira valorização de 5% em 2022. E antes que você pense “ah, mas o real desabou ano passado” – sim, e nada impedia que ele desabasse também esse ano, vide moedas que desabaram e, 2020, 2021 e estão desabando agora.
Esse movimento de desvalorização cambial também ocorre porque o FED está elevando o juros nos EUA, enquanto todos os países ainda estão atrasados para aumentar os juros em suas respectivas casas e causando uma fuga histórica de capital de seus mercados.
Lógica simples: quem irá manter dinheiro em um país de taxas negativas quando outros estão pagando taxas positivas?
É aí que o Brasil tem vantagem no cenário: tendo esse ciclo de juros sido realizado com antecedência, o Brasil conseguiu evitar uma conjuntura de explosão inflacionária esse ano e a manutenção do câmbio, operando dentro da volatilidade de sempre mas sem desandar e desvalorizar em ritmo tão acelerado como nos outros países (reforçando, mais uma vez, que por mais que nossa moeda tenha desvalorizado com força em 2020 e 2021, absolutamente nada impediria o fato de que desvalorizasse também em 2022, ainda mais com a liquidez que temos).
Hoje inclusive o Banco Central emitiu sua ata e deixou claro que não há pressa para a redução da SELIC e a entidade não tomará qualquer decisão sem que ocorra um cenário mais concreto no horizonte – em outras palavras, a SELIC não entrará no seu ciclo de corte nem apontará para ele enquanto o FED não deixar extremamente nítido onde vai parar a taxa de juros dos EUA. Lembrando que uma alta de juros nos EUA coloca absolutamente todos os bancos centrais do planeta contra a parede – o que não está ocorrendo no Brasil, por hora.
Em resumo: não espere uma queda da SELIC tão cedo, enquanto a inflação global não demonstrar perda de força ou o FED falar cristalinamente quando terminará seu ciclo de alta de juros nos EUA, a SELIC seguirá alta para evitar surpresas – ao menos é essa a posição do Banco Central Brasileiro até o momento.
O aumento da SELIC foi um dos fatores mais criticados nos últimos tempos – de fato, com uma taxa se aproximando a máxima da última década, foi acesso o sinal de alerta sobre como a nossa economia poderia ser negativamente impactada, visto que quase 14% de juros é um grande freio na atividade produtiva.
Hoje, com o cenário mais claro, fica evidente o acerto do Banco Central ao ter iniciado o ciclo de aumento ainda no começo do ano passado e a intensidade desse aumento de taxa.
Até o momento nesse ano, quase 40 bancos centrais ao redor do planeta elevaram as suas taxas de juros mais de 60 vezes – e apesar dos números assustarem, a maioria dos países sequer se aproximam de uma taxa de juros real e ainda enfrentam problemas seríssimos em termos inflacionários.
O Brasil, junto do México, Arábia Saudita, China e Hong Kong, são os únicos países a gozarem do benefício de uma taxa de juros real, sendo nós atualmente os líderes nesse sentido, com uma taxa real de 5,05%.
Essa tabela levanta a questão sobre dois pontos principais: (I) como a maioria dos países ainda estão bem atrás em todos esses aumentos, diversos países de primeiro mundo estão causando uma verdadeira destruição de valor nunca antes vista na história de forma completamente orquestrada em cima da população, com as taxas de juros reais entre -3% e -10%, e (II) como esse movimento de atraso de aperto monetário é problemático e acaba contaminando a moeda. Explicaremos melhor abaixo.
Se você nos segue no instagram, deve ter visto a publicação que mencionamos que o real é uma das moedas que tem segurado as pontas em 2022 – praticamente todas as moedas do mundo desenvolvido estão sangrando com força, enquanto a moeda brasileira está com ligeira valorização de 5% em 2022. E antes que você pense “ah, mas o real desabou ano passado” – sim, e nada impedia que ele desabasse também esse ano, vide moedas que desabaram e, 2020, 2021 e estão desabando agora.
Esse movimento de desvalorização cambial também ocorre porque o FED está elevando o juros nos EUA, enquanto todos os países ainda estão atrasados para aumentar os juros em suas respectivas casas e causando uma fuga histórica de capital de seus mercados.
Lógica simples: quem irá manter dinheiro em um país de taxas negativas quando outros estão pagando taxas positivas?
É aí que o Brasil tem vantagem no cenário: tendo esse ciclo de juros sido realizado com antecedência, o Brasil conseguiu evitar uma conjuntura de explosão inflacionária esse ano e a manutenção do câmbio, operando dentro da volatilidade de sempre mas sem desandar e desvalorizar em ritmo tão acelerado como nos outros países (reforçando, mais uma vez, que por mais que nossa moeda tenha desvalorizado com força em 2020 e 2021, absolutamente nada impediria o fato de que desvalorizasse também em 2022, ainda mais com a liquidez que temos).
Hoje inclusive o Banco Central emitiu sua ata e deixou claro que não há pressa para a redução da SELIC e a entidade não tomará qualquer decisão sem que ocorra um cenário mais concreto no horizonte – em outras palavras, a SELIC não entrará no seu ciclo de corte nem apontará para ele enquanto o FED não deixar extremamente nítido onde vai parar a taxa de juros dos EUA. Lembrando que uma alta de juros nos EUA coloca absolutamente todos os bancos centrais do planeta contra a parede – o que não está ocorrendo no Brasil, por hora.
Em resumo: não espere uma queda da SELIC tão cedo, enquanto a inflação global não demonstrar perda de força ou o FED falar cristalinamente quando terminará seu ciclo de alta de juros nos EUA, a SELIC seguirá alta para evitar surpresas – ao menos é essa a posição do Banco Central Brasileiro até o momento.