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Opinião e análise breve – Nu Holdings ($NUBR33) – 2T/2022

O Nubank roubou a cena do mercado brasileiro ao realizar seu IPO, no final do ano passado. Foi no começo de dezembro de 2021 que a companhia finalmente abriu seu capital e o mundo conheceu todos os seus dados financeiros com a real transparência necessária.

Inicialmente, foi uma febre: em apenas uma semana depois de ter surgido na bolsa, seu valor de mercado atingira quase US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões na época) e o banco se tornou uma das empresas mais valiosas não só do Brasil, mas da América Latina, com um valor de mercado ainda maior do que o do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e todos seus pares gigantes com décadas de mercado (lembrando que o Nubank surgiu em 2013).

Tempo vai e tempo vem, não tardou até que as ações começassem a derreter. Hoje a companhia negocia com uma desvalorização de aproximadamente 65% desde o seu IPO e o seu valor de mercado gira na casa dos US$ 23 bilhões, algo próximo de R$ 117 bilhões na cotação atual.

Essa queda é difícil de ser explicada. Pode ser uma queda de expectativa sobre o banco ou somente um estouro da bolha que foi criada no período de seu lançamento. O que podemos afirmar é: o Nubank segue crescendo forte. O seu problema não é sobre seu crescimento, a instituição realmente está crescendo a passos largos, inclusive no último trimestre ela se tornou maior que o Santander em quantidade de clientes. O seu problema é que talvez ela não esteja atendendo o crescimento esperado pelo mercado, assim como ainda não há de fato algum tipo de horizonte mais sólido sobre o “quando” eles de fato darão lucro e retorno para o acionista. Enfim, vamos aos números.

No 2T22 o Nubank atingiu uma receita de US$ 1.1 bilhão, seguindo em linha com seu forte viés de crescimento e estratégia de expansão da companhia, representando um crescimento de 230% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando a receita foi de US$ 351 milhões. Até mesmo comparando ao 1T22 o crescimento foi forte, de 30%.

No período, também houve forte crescimento da base de clientes, de 41 milhões no 2T21 para 65 milhões no 2T22 – uma adição de 23 milhões de novos clientes, o que torna o Nubank um banco ainda maior do que o Santander e consagrando-o como um dos 5 maiores bancos do país em quantidade de clientes. Dessa base, houve também melhora forte da taxa de atividade, que vem crescendo consistentemente trimestre a trimestre (isso é, clientes que utilizaram algum serviço do banco nos último 30 dias) saindo dos 72% no 2T21 para os 80% no 2T22 (e subindo dos 78% no 1T22). Isso expressa uma base de clientes ativos de 52 milhões. Vale pontuar outro fator interessante: a quantidade de clientes do Nubank no México atingiu 2.7 milhões, multiplicando por 6 nos últimos 12 meses.

A carteira de crédito da instituição não é aberta nos detalhes, mas também houve crescimento forte de 220% atingindo os US$ 3.2 bilhões – lembrando que o Nubank é um banco completamente focando nos cartões de crédito e suas linhas de crédito são mais segmentadas ao público mais jovem, diferente dos grandes bancos que possuem carteiras colossais que atacam toda a economia brasileira, do agro ao imobiliário. Essa carteira de crédito teve um crescimento forte de inadimplência no período, assim como todo o setor bancário passou dados os desafios do cenário macroeconômico do país e o aumento forte da taxa SELIC no período, com a inadimplência saindo dos 3,0% para os 4,1%, o que representa um crescimento de 1,1pp e uma taxa ligeiramente acima da média dos grandes bancos.
Na linha de receita média mensal por cliente ativo, houve forte crescimento, de US$ 4,0 para US$ 7,8 – o número dobrou no período, resultado do amadurecimento das safras de novos clientes da instituição (lembrando que a partir do momento que um cliente entra em alguma instituição, leva um tempo até que ele seja plenamente “convertido” ao uso de todos os serviços) e também resultado do lançamento de uma série de novos produtos e funcionalidades que o Nubank tem criado, em linha com o plano da companhia da diversificação de receita e criação de algo semelhante a um superapp. Esse número fica ainda melhor sob a ótica do custo médio mensal por cliente, que ficou estável na casa dos US$ 0,8 comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mostrando ganho de escala da companhia e boa diligência em relação aos seus gastos.

Retornando um pouco e falando novamente sobre a receita, o que impulsionou o crescimento da receita da companhia no trimestre foi a receita de juros e ganhos sobre instrumentos financeiros, justamente a linha mais importante para um banco, saindo dos US$ 193 milhões no 2T21 e atingindo os US$ 853 milhões no 2T22 – um crescimento de 342%, impulsionado pela linha de crédito da companhia e cartões de crédito, principalmente.

Na linha de custos dos serviços, houve forte aumento de 348% no trimestre, de US$ 177 milhões para US$ 794 milhões. Esse aumento é explicado por (I) uma SELIC mais alta, aumentando o gasto de juros sobre os depósitos de varejo da companhia, e (II) o aumento do PDD, isso é, dinheiro que o banco destina para enfrentar uma possível inadimplência no período. Todo esse crescimento resultou numa despesa que cresceu de 50% da receita líquida para 69% da receita líquida.

Como resultado de todos esses fatores, o prejuízo líquido da companhia no período foi de US$ 29.9 milhões. Lembrando que eles sempre divulgam um “ajustado” que implica em lucro, mas que não reflete o auferido de fato, afinal, não é o que realmente ocorreu, mas o que deveria ocorrer se desconsiderasse os não recorrentes. O lucro “ajustado” foi de US$ 17 milhões – e aí cabe ao investidor qual leitura ele prefere realizar. Nós preferimos considerar o não ajustado.

Enfim, em linhas gerais o Nubank segue crescendo fortemente. É inegável o crescimento que a companhia tem realizado em todas as linhas – clientes, carteira de crédito, serviços, taxa de atividade e afins. A violenta desvalorização das ações é explicada provavelmente porque o mercado depositou uma confiança imensurável no crescimento da companhia no trimestre. Ter uma precificação ainda maior do que a do Itaú foi uma verdadeira forçada de barra, isso é, não era difícil analisar e concluir que um banco minúsculo com uma receita de menos de R$ 3 bilhões não valia o mesmo tanto que um banco centenário que lucra mais de R$ 2 bilhões por mês com uma carteira de crédito trilionária.

Nada disso exclui o fato de seu crescimento – em discussões sobre o assunto, é fácil de identificar quando um investidor menospreza a instituição por conta do seu prejuízo. Dar lucro e ter um bom operacional é sim um dos seus maiores desafios, mas o trabalho sob a ótica do crescimento que o Nubank tem exercido é primoroso. A grande questão é: quando todo esse crescimento vai começar a remunerar o bolso do acionista? É o ceticismo do mercado sobre isso que tem causado o derretimento de suas ações, provavelmente.

Crescimento forte, mas desafios e obstáculos ainda existentes.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Equatorial ($EQTL3) – 2T/2022

Antes de falar sobre o resultado da Equatorial, é importante saber de fato o que é a companhia, o que ela faz, como ela funciona e quais são os seus planos. Muita gente investe na companhia achando que é um negócio simples que investe em distribuidoras e cresce ao longo do tempo (o que é, de fato, uma verdade), mas não para por aí. Vamos dar um breve resumo.

A Equatorial é uma holding que predominantemente gera seus resultados com a distribuição de energia – repetindo, predominantemente. Além do seu segmento de distribuição de energia, ela também está no segmento de geração e transmissão de energia, sendo que também atual no segmento de comercialização de energia, telecomunicações e recentemente entrou no segmento de saneamento. Ou seja, a Equatorial é uma holding que está inserida em toda a malha de utilities do país, sendo que ela nasceu em 1999 com serviços mais específicos na área de distribuição.

Outro ponto importante é saber que a companhia tem uma mecânica de crescimento diferenciada: ela compra empresas quebradas, realiza o turnaround e ganha dinheiro com elas. É isso que ela vem fazendo há décadas. É algo arriscado? Sim, de fato. Mas é o que ela sabe fazer. Não é um business que ela começou há 2 anos – ela nasceu assim. Ela tem vasta experiência nisso. É o que ela sabe fazer e tem feito com maestria desde sempre, multiplicando sua receita por mais de 10 vezes saindo da casa do R$ 1.7 bilhão para quase R$ 30 bilhões de 2010 até então.

Essa dinâmica da companhia causa certa “instabilidade” nos seus resultados – vide o último trimestre. Recentemente a companhia fez a aquisição de uma empresa de saneamento e da Echoenergia, uma gigante inserida no segmento de energia eólica e uma das maiores do país.

Enfim, toda essa introdução serve para deixar claro um fator: a empresa não é o reloginho que a maioria conhece como outras do setor elétrico quando o assunto é lucro e geração de caixa. Ela chacoalha muito por conta de fatores não recorrentes todo trimestre. É uma empresa de crescimento raiz com seus riscos e um histórico excelente nos últimos anos. Por isso, não pense nela somente como uma “distribuidora”. Vamos aos números.

No 2T22 a Equatorial entregou uma receita líquida de R$ 6.4 bilhões, representando um aumento de 52% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Essa receita foi impulsionada principalmente pelo seu segmento de distribuição de energia, que sob a ótica operacional, gerou um crescimento de R$ 400 milhões a companhia, seguido do segmento de gerações renováveis, que representou um crescimento de R$ 111 milhões a companhia, então do segmento de transmissão, que representou um crescimento de R$ 57 milhões e por último o segmento de outros, caracterizado pelo saneamento, com crescimento de R$ 13 milhões. Lembrando, aqui é a ótica do operacional, o EBITDA, já com todos os custos operacionais deduzidos. Como mencionamos inicialmente, fica evidente como a distribuição é o carro-chefe da companhia, mas as outras linhas de resultados têm ganhado mais espaço, dando maior ar de diversificação da holding.

Na linha de distribuição, há 6 ativos em operação, sendo que 2 deles estão operando de forma saudável (Maranhão e Pará) e 4 estão ainda em processo de turnaround (Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul e Amapá). Dois indicadores são bem interessantes de analisar ao realizar a análise das distribuidoras, principalmente da Equatorial, que adquire ativos problemáticos e realiza o turnaround: o PECLD, isso é, o dinheiro que a companhia dedicada da receita para enfrentar calotes nas contas, e as perdas, isso é, os famosos “gatos” que as companhias enfrentam sobre o uso de suas energias.
Na linha de PECLD consolidado a Equatorial demonstrou números excelentes, com o indicador praticamente demonstrando estabilidade, subindo apenas 0,1pp, enquanto na linha de perdas, no consolidado, o número também é ótimo, com as perdas totais saindo da casa dos 24,3% no 2T21 para os 23,0% no 2T22, sendo que esse número vem caindo consistentemente trimestre a trimestre desde 2020.

As demais linhas da companhia não vamos entrar no mérito, visto que nenhuma demonstrou qualquer viés problemático e o crescimento seguiu – detalhar uma por uma levaria muito tempo e não é necessário considerando a menor representatividade nos resultados, ainda assim é interessante que o investidor entre no release e leia mesmo que por cima para ter ideia do funcionamento de cada segmento.

Na linha do resultado financeiro, eis o grande vilão da maioria das empresas alavancadas atualmente. No período a Equatorial teve um prejuízo de R$ 1.1 bilhão na linha do resultado financeiro, representando um crescimento de 255% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que foi na ordem de um prejuízo de R$ 310 milhões. Esse crescimento é explicado, como sempre, por conta do aumento do CDI no período e em parte também por conta do IPCA, mas é interessante mencionar um não recorrente importante: houve gasto de R$ 374 milhões no 2T22 com SPEs de transmissão de energia (além disso, fatores não recorrentes que partem daquilo que falamos inicialmente, sobre a dinâmica da companhia de turnarounds e investimentos nas aquisições. Sem esse não recorrente, o prejuízo no resultado financeiro seria de R$ 727 milhões, um número ainda alto, mas tranquilo pra a estrutura da companhia.

Na parte de endividamento, o ponto mais importante de análise da companhia. Como sempre falamos, mais importante do que saber o tamanho da dívida da companhia, é compreender seu perfil – como ela realmente é constituída. A Equatorial está hoje com uma dívida líquida de R$ 23 bilhões, sendo que a dívida está praticamente indexada ao IPCA e ao CDI, em proporções iguais, metade/metade. Apesar da dívida ser gigante, ela é bem distribuída – hoje a companhia tem dinheiro em caixa para bancar suas obrigações até 2024, sendo que a maior parte da dívida está para 2026 para frente. A alavancagem, por sua vez, está em 3,3x dívida líquida sobre EBITDA. Se você estiver se perguntando o motivo dessa dívida, é resultado da dinâmica que citamos: a companhia cresce com aquisições. Se alavanca, compra companhia quebrada, reestrutura, ganha dinheiro e paga as dívidas. É o que ela sempre fez, ou seja, nada fora do normal.

Na linha final, o lucro líquido, que preocupou muita gente por conta das manchetes. A companhia entregou um prejuízo líquido de R$ 170 milhões, porém, esse resultado foi impactado por fatores não recorrentes como a devolução do ICMS e PIS/COFINS a base de clientes, gastos para iniciar a operacionalização de novas linhas de transmissão e o início das operações do seu segmento de saneamento no estado do Amapá. Sem esses não recorrentes, o lucro seria de R$ 197 milhões. Como sempre falamos, cabe ao investidor interpretar a linha que achar mais adequado, mas no caso da equatorial, com sua dinâmica de aquisições e afins, esses gastos de fato podem ser honrados como “não recorrentes”, ainda mais se tratando do início da operacionalização de algum novo negócio.

Como sempre, a Equatorial mostrou resultados fortíssimos. Seu business é extremamente arriscado, mas a gestão da companhia tem competência na mesma proporção. É o que eles sempre fizeram. Investir na Equatorial é investir numa gigante de growth que futuramente terá um dos maiores espaços no segmento elétrico do país. Assim como as demais elétricas, em tempos de SELIC mais alta o resultado financeiro vai bater forte e tirar o brilho dos resultados, mas é algo transitório, e acreditamos que a SELIC não ficará nesse patamar por muito tempo. Ou seja, no momento que o ciclo começar a virar, espere forte impulso dos resultados da Equatorial.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião sobre os resultados divulgados pelas companhias no segundo trimestre desse ano.

Com praticamente todas as companhias tendo já divulgado seus resultados do último trimestre, é possível ter algum tipo de opinião mais bem embasada em termos técnicos em relação ao desempenho do cenário econômico do país.

De forma geral, de todos resultados que realizamos a leitura – isso é, centenas de companhias de dezenas de segmentos diferentes abrangendo todo o cenário: a maioria das companhias surpreenderam positivamente. Sim, positivamente – estamos dizendo mais uma vez aquilo que os dados econômicos vêm mostrando desde o começo do ano, de que a recuperação da economia brasileira é genuína e tem sido bem melhor do que o esperado.

Alguns segmentos, ainda estão sofrendo forte com o cenário inflacionário, vide o de seguros de autos e varejão de supermercados. Outros, como tradicionalmente sabido, estão atravessando muito bem, como os bancos, mostrando como são colossos resilientes que desempenham bem seja em cenários turbulentos ou cenários de maior bonança econômica.

Outros segmentos tem sofrido violentamente por conta da pressão da SELIC: aqui as varejistas se destacaram. Na verdade, não só as varejistas, mas quaisquer companhias alavancadas. O problema é que as varejistas estão passando pela tempestade perfeita que nunca desejaram ter: uma pressão forte no segmento de consumo principal que possuem (vide Via e Magalu vendendo menos os produtos de linha branca) enquanto uma SELIC de quase 14% ao ano tem sugado todo o dinheiro do caixa, obrigando gastos com pagamento de dívidas que não existiam há pouco mais de 1 ano, quando a SELIC ainda era algo na ordem de 2% ao ano.

Uma série de empresas surpreenderam forte, apesar de quem estuda, saber que tais surpresas não são tão surpreendentes assim: aqui falamos sobre a M. Dias Branco. É a ilustração perfeita de como um cenário turbulento pode desafiar completamente a convicção de um bom investidor. Por mais que os fundamentos continuem sólidos e você saiba que toda a alta do preço do trigo é apenas algo transitório resultante de um impasse geopolítico, a queda contínua da cotação da ação incomoda e faz você questionar toda suas convicções. Até que o resultado da companhia é entregue e ela mostra a consolidação de tudo aquilo que você já esperava: uma líder de mercado aumentando o preço dos seus produtos, ganhando margem e utilizando do poder de sua marca para atravessar a crise – momento onde os gigantes se tornam ainda maiores e os pequenos infelizmente acabam perdendo mercado e deixando de existir por não conseguir atravessar toda a turbulência. A Renner e a Ambev, outros dois colossos líderes de seus respectivos mercados também serve de exemplo: ambas as companhias tiveram ganhos de market share na crise. É aquilo: os grandes ganham o mercado dos pequenos que não conseguiram atravessar.

Na ponta das commodities, a incógnita segue. Apesar da forte queda do preço de uma série de commodities desde o começo do ano, absolutamente ninguém sabe de fato em qual parte do ciclo estamos. E quem disser a você com completa convicção que sabe, desconfie. De um lado temos países desenvolvidos, como os EUA, com alguns dados apontando possível desaceleração econômica, vide queda de PIB, ao mesmo tempo, os dados de emprego são entregues mostrando números cada vez mais fortes, com praticamente toda a população do país empregada e a abertura de vagas de empregos surpreendendo. Isso é: o fim de um ciclo de commodities é pintado pela desaceleração de uma economia. Uma parte do mercado acredita que essa desaceleração ocorrerá em breve, e com isso, as commodities desabam, pois haverá menos investimento em infraestrutura e consumo de bens de expansão. Outra parte do mercado entende que as economias se reerguerão mais rápido do que a maioria imagina, e em breve as commodities voltarão a ser fortemente demandadas.
Nesse cenário as companhias como a Vale, Petrobras e outras commoditizadas negociam por preços praticamente obscenos, lembrando daquela máxima: empresa de commodity com preço sobre lucro baixo é evidência de fim de ciclo. Por obvio, se o mercado espera que as commodities vão desabar, significa o fim do ciclo e consequentemente piores resultados para as empresas do segmento. Ainda assim, as gigantes desse setor no Brasil estão entregando números ainda fortíssimos, com dividend yield surpreendentes e dezenas de bilhões em geração de caixa. Talvez um prato cheio para quem aceita tomar um risco um pouco maior.

Como mencionamos, de forma geral, a maioria dos resultados nos surpreendeu positivamente. Infelizmente o varejo – em específico os varejões como Magalu e Via – estão sofrendo forte por conta de uma base comparativa “injusta” (afinal, 2021 foi um ano recheado de estímulos econômicos) e uma alavancagem destrutiva com a SELIC na casa dos 14%, mas vimos muitos outros dados que apontam retomada econômica mais sólida (vide empresas de shoppings, assim como FIIs do mesmo segmento, que já apontam números mais fortes que 2019).

O Brasil tem uma posição beneficiada economicamente na atual situação do planeta com a “independência” que temos em relação a produção de uma série de bens básicos (comida e energia) além de nossa neutralidade que tem garantido o fluxo normal de importação de fertilizantes entre outros produtos essenciais para o funcionamento agro do país (diferente da Europa, que está literalmente cortando o pouco da produção que tem porque os maiores produtores de fertilizantes do planeta estão sancionados).

Acreditamos que a SELIC já atingiu o topo (afinal, de 13,75% pra 14,00% tanto faz, caso haja mais um aumento, embora não deva passar disso) e o país pode começar a enxergar uma queda significativa de juros ainda no começo do ano que vem. Nessa ordem, como sempre falamos, não tente ser o mais esperto da sala achando que você conseguirá pegar o momento exato que preceda um rally da bolsa brasileira caso os juros comecem a desabar, vendendo toda sua renda fixa para investir em renda variável no momento que ocorrer o primeiro corte da SELIC. O mercado antecipa esse tipo de movimento com questão de meses – não dias nem semanas. O melhor momento para investir em ações é “sempre”, lembrando sempre daquela frase – tempo no mercado é melhor do que tentar acertar o tempo do mercado.

O 3T22 será interessante para mostrar como seguirá a dinâmica de várias empresas que continuam mostrando resultados mais fortes, além da continuidade dessa SELIC que tem deteriorado o quadro de muitas companhias mais alavancadas.

Resumindo: o 2T22 nos surpreendeu positivamente na maioria dos resultados, consolidando o que os dados tem mostrado de uma atividade econômica mais forte do país – ainda longe do ideal, mas mostrando recuperação em sua gradualidade. Isso não significa que você possa desrespeitar sua estratégia de alocação de capital – siga firme.

Daqui 3 meses a temporada do 3T22 começará, e estaremos aqui, novamente, conversando com vocês sobre a maioria dos ativos mais populares ou interessantes de nossa bolsa. Em nossa plataforma vocês podem realizar a leitura de diversos resultados que analisamos além dos que foram postados aqui, além de mais de 250 horas de aulas, milhares de páginas de relatórios, teses de investimentos e afins. Tudo isso numa só assinatura.

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Aproveitando o espaço pra falar um pouco sobre um dos cases mais conturbados dos últimos anos... Cogna.

A companhia foi completamente destruída pela pandemia. Ao lado do segmento de turismo, o segmento de educação sofreu um revés nunca antes visto com a obrigatoriedade do fechamento de suas unidades de ensino e a transição das aulas para o 100% digital.

Essa transição causou diversos problemas, entre eles, o principal: a fuga de uma série de alunos das instituições. Para somar, um cenário econômico problemático onde o desemprego explodiu, a inflação começou a apertar e o orçamento das famílias começou a ficar cada vez menor dando menos espaço para os gastos “desnecessários”.

Com tudo isso, a Cogna passou pela tempestade perfeita que nunca desejou ter passado.

Com uma alavancagem altíssima e um custo de dívida colossal, todos esses problemas levaram a companhia a um cenário financeiro caótico de prejuízos bilionários e o derretimento de suas ações, fazendo com que a companhia registrasse quase 80% de queda desde o inicio da pandemia.

Essa situação atraiu muito investidor por um fator: turnaround.

Hoje a Cogna, junto da Oi e outras companhias problemáticas, desempenha o papel de companhia de reestruturação. Em termos simples, uma companhia que dificilmente sairá da situação atual que está, mas caso saia, as suas ações explodirão em preço, dando retornos altíssimos. Assim foi com a Magazine Luiza entre 2015 e atualmente, que mesmo com toda a queda recente, a ação ainda registra uma alta de mais de 1.000% por conta do sucesso de seu turnaround, saindo de um cenário de empresa quebrada para uma das maiores varejistas do país.

Um dado sobre a Cogna é interessante de mencionar, e denota certa evolução no seu processo de reestruturação: a evolução da base EAD.

Um dos planos da Cogna é fazer com que a companhia se digitalize – isso é, tenha cursos presenciais apenas em casos mais específicos. A pandemia mostrou que grande parte do público prefere de fato o digital. Grande parte do público opta pelo ensino virtual por fator de tempo, despesas e conforto. Escolas de ensino gigantes têm optado cada vez mais por esse tipo de estruturação e tem dado muito certo, é acessibilidade em essência.

Entre 2017 e o último trimestre de 2022, a Cogna conseguiu expandir a base de seus alunos para o digital em 26,0pp – isso é, enquanto em 2017 apenas 55% da sua base de alunos era via EAD, hoje esse número está na casa dos 81% e tem crescido consistentemente trimestre a trimestre, tornando hoje, entre todas as companhias de educação listadas em bolsa, a que está mais exposta a esse tipo de estrutura.

Essa mudança estrutural somada ao corte de custos da companhia é inclusive um dos motivos que a Cogna voltou ao lucro operacional nos últimos trimestres, mostrando que a iniciativa tem dado certo.

Se você investe na Cogna, lembre-se: atualmente os principais drivers de mudança para que a companhia saia do buraco são qualitativos. A companhia deseja digitalizar boa parte de seus segmentos de ensino e tirar das costas grandes custos fixos que seus campos de ensino demandavam.

É difícil, alias, tratar sobre a empresa depois que alguns influenciadores acabaram fazendo com que ela se tornasse chacota, mas não busque investir nesse tipo de companhia para enriquecer rapidamente ou coisas do tipo. Esses cases de turnaround são complexos e raramente dão certo. A cada Magalu que obtém sucesso, outra dezena de Ricardos Eletros vão a falência e acabam sendo esquecidas. Lendo os dados do 2T22 da Cogna, achamos válido tratar sobre esse assunto de turnaround, ainda mais reconhecendo um ponto positivo nos seus dados como esse que mostramos aqui agora.

Nós daremos uma análise mais aprofundada no relatório mensal que emitimos no INT e por lá faremos uma leitura mais completa sobre o resultado do trimestre, além de diversas outras companhias.
Nunca é demais ressaltar: não trate empresas de turnaround como oportunidade de ganho de dinheiro rápido – dificilmente essas reestruturações dão certo. Se você deseja se expor a cases do tipo (vide Oi, Cogna e afins) destine um percentual pequeno do seu capital, coisa de 1% ou 2% - ainda mais considerando que esses ativos costumam multiplicar em várias vezes seus valores e o ganho será alto mesmo com baixa exposição.
Sim, impostos devem ser reduzidos.

O debate sobre o corte de impostos no Brasil, assim como a maioria dos assuntos de natureza econômica, se tornou briga política. Hoje é quase impossível opinar sobre a razoabilidade desses cortes de impostos sem que existe alguém trazendo a discussão qualquer fator político com viés de invalidação aos dados citados.

Aliás, dados têm sido amplamente ignorados. Em tempos de pandemia, o termo “negacionista” se popularizou justamente por conta da postura que muitos tomaram ao começar a negar dados referentes ao cenário sanitário, e hoje, por mais irônico que seja, os que mais utilizavam o termo praticam o mesmo tipo de postura quando se trata de finanças e economia.

Nossa intenção aqui é tentar jogar uma luz sobre o assunto mostrando como muito tem sido alegado negativamente sobre cortes de impostos recentes sem trazer números para a mesa e que ao analisar os dados de fato, fatores interessantes podem ser evidenciados – além de nossa opinião, como sempre, sobre o assunto. Enfim.

O gráfico do texto é a evolução da carga tributária brasileira, de autoria da economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória. É a soma da receita de arrecadação de impostos de absolutamente todas as esferas do Estado – municipal, estadual e federal em relação ao PIB.

Percebe-se que desde 1997, quando o Brasil passou pela “revolução” do plano real em seu cenário monetário, o número subiu forte, fazendo com que esse percentual trabalhasse na faixa dos 32% aos 34%. Nós não vamos abordar uma análise que contemple toda a série histórica para não alongar desnecessariamente o texto, mas essa informação é importante: desde 2003, estivemos entre os 32% e os 34%.

No mesmo tempo, o Brasil caracteriza o papel de um dos países com carga tributária mais pesada e complexa do mundo. Na América Latina, esse percentual é de uma média de 23%. Na OCDE (bloco composto diversificado com potências que possuem perfil para tributação mais alta) a média é 33%. Ou seja – o Brasil tem um número bem acima de seus pares emergentes (América Latina) e em linha com um bloco de potências econômicas que aguentam esse tipo de carga tributária por já serem desenvolvidos.

Sendo assim: os números atuais.

Desde 2020 a arrecadação tributária disparou no país. Como mostra o gráfico, saiu da casa dos 32% e atingiu os 34%. Dados preliminares até o momento de 2022 apontam que em junho inclusive o número já passou dos 34,2%. Essa forte alta no período tem explicação.

(I) Alta das commodities: como sempre mencionamos, o Brasil é um país de commodities. Nossa economia é completamente baseada no agronegócio (soja, milho, café, celulose, pecuária e afins) além de outros produtos, como o petróleo e o segmento de mineração. O mundo está na fase da alta do ciclo das commodities, com todos os preços desses produtos em patamares mais altos. Como o Brasil é um gigante produtor e exportador, significa que ele ganha muito dinheiro com isso – ou seja, as contas públicas enchem com arrecadação da venda disso. Você percebe a pernada de alta de arrecadação de 2003? Pois é, o mesmo ciclo que estamos passando agora, passamos nessa época – não em vão o país teve um crescimento tão bom no período.

(II) Crescimento da economia brasileira: sim, a economia está crescendo. O desemprego caiu de 14,9% no começo de 2021 para a casa dos 9,0% atualmente. O consumo tem atingido números recordes dos últimos anos. A renda, mesmo que lentamente, tem retomado. Com maior entrada de dinheiro no país por conta do ciclo, a economia prospera. Maior renda e produtividade aumenta a arrecadação.

(III) Inflação: ela não pode ser ignorada – isso é um ponto de atenção. Se você ver um analista ignorando o impacto da inflação na arrecadação, é bem provável que haja viés por trás. A inflação corroborou com o aumento da arrecadação de forma significativa. Não foi somente por isso, alegar que foi só por conta da inflação também é viés – tem ocorrido aumento de arrecadação real forte e próximo dos 10%. Todos os dados são mensurados já com os devidos deflatores.
Em suma: o Brasil está passando pelo momento do ciclo que nos cantamos há algum tempo, o boom das commodities. O crescimento brasileiro tem completa relação com isso. Se as commodities seguirem nesse patamar alto, a arrecadação vai continuar subindo em relação ao PIB e atingiremos valores obscenos (não que atualmente não seja).

Aqui fica a grande questão do atual debate: por que raios não devemos cortar impostos em um cenário como o atual?

O país nunca arrecadou tanto dinheiro com impostos como tem arrecadado atualmente. Uma conjunção de fatores tem beneficiado o cenário fiscal brasileiro (vide queda de PIB da casa dos 90% para os 72% atualmente, superávits nas contas públicas e arrecadação recorde de impostos) e não há momento mais propício para cortar impostos do que agora. Simplesmente não há.

Se a arrecadação está aumentando e estamos gerando superávit, significa que está literalmente sobrando dinheiro no orçamento do Estado – temos um cenário fiscal superavitário e que está bem acima de qualquer projeção que o mercado havia traçado!

As duas opções que o governo pode tomar em relação a isso é: (I) cortar impostos aproveitando que a arrecadação subiu, potencializando o crescimento econômico fazendo com que o país cresça ainda mais e entre naquele ciclo virtuoso onde sobra mais dinheiro na mão da população, esse dinheiro é injetado na economia, a produtividade sobe, mais empregos e renda é gerado e por conseguinte o crescimento segue, ou (II) o Estado arranja mais gastos, visto que há mais dinheiro arrecadado.

O problema da segunda decisão é: na narrativa de que o Estado deve tomar cuidado cortando impostos, a elite política se aproveita e utiliza desse dinheiro residual para criar gastos que não existem – sem contar, obviamente, os ralos da corrupção que existem nos meandros do nosso sistema que todos sabem. Isso é – dar espaço para que o lobo conduza as ovelhas.

É dever do Estado que a tributação sobre a população seja reduzida mediante recorde de arrecadação, caso contrário somos nós os responsáveis por arcarem com uma máquina inflada que absorve todo dinheiro extra que é gerado. Corte de imposto significa mais dinheiro na mão da população, dinheiro na mão de quem realmente produziu.

Você pode estar se questionando: “tudo bem, todo esse corte é aceitável agora, estamos com arrecadação recorde... mas isso é só por conta das commodities – commodities caindo, sofreremos!” – e aí que entra a palavra mais usada da economia: depende.

Sim, haverá queda de receita com impostos caso as commodities desabem. Essa é a principal força motriz da arrecadação brasileira. A questão é que uma redução um percentual 1,0pp de arrecadação/PIB não é o fim do mundo que muitos pintam por aí, e uma queda de commodities também causaria menor inflação, que por sua vez, também criaria um cenário propício ao crescimento econômico. Além disso, existe um timing sobre as medidas a serem tomadas: imagine que essa série de corte de impostos realizadas consigam seguir com o impulso ao cenário econômico brasileiro. Mesmo que o ciclo perdure por mais 2 anos e nesse meio tempo a taxa de desemprego caia para 6%, por exemplo – pense na arrecadação que o Estado terá graças a esse cenário de maior produtividade. Em resumo, uma variável compensa a outra, literalmente, e é necessário aproveitar essas janelas de arrecadação maior para realizar as mudanças que não poderiam ser feitas em outros tempos.

Nossa opinião é clara e cristalina: o Estado deve reduzir impostos sempre que houver espaço. Hoje o cenário fiscal está propício a isso. Não é dever da população arcar com um Estado inchado e muito menos pagar 50% de imposto sobre combustível para pagar contas de uma má gestão. Se há espaço para cortar, que corte e a população utilize dos próprios frutos que gerou com a força de seu trabalho.
Acreditamos sim que há uma veia eleitoreira em cada decisão de corte de imposto que tem sido tomada atualmente, apesar de ocorrer cortes de impostos desde 2019, muitos que já poderiam ter sido tomados há um bom tempo foram tomados apenas recentemente, mas isso não significa que as medidas necessárias devam parar de ser tomadas somente por estarmos em ano de eleição. A narrativa sobre “medida eleitoreira” é perigosa justamente por isso – tira completamente a legitimidade dos dados com um espantalho argumentativo de viés político.

Se trata de dados, números, fatos. Pouco importa sua opinião política. O mundo real conversa com a realidade, e nem tudo é questão de opinião. O fato é que hoje há espaço para corte de imposto, a opinião é você quem decide: se é a favor ou não do corte. Nós somos, e independente do governo, seja ele do Bolsonaro, Lula ou Cabo Daciolo, se os dados apontarem uma arrecadação recorde de impostos, por mais que esteja perto das eleições e beneficie qualquer candidato que seja, defenderemos corte de impostos, novamente, sendo o beneficiado o Bolsonaro, Lula ou Cabo Daciolo.

Não deixe que o viés político sustente uma narrativa inexistente. Muita gente tem falado que “pagaremos a conta” e que “o risco fiscal é gigante”, mas não tem falado sobre número nenhum, um discurso inflado de achismos para criar uma postura intelectual falsa.

Conta nós já estamos pagando: eu, você e qualquer outra pessoa que você conhece, a arrecadação de impostos em relação ao PIB nunca foi tão alta, e sem corte de impostos, continuará crescendo, atingindo níveis recordes, enquanto uma parcela das pessoas por aí é contra redução porque ouviu algum boato de risco fiscal ou acha que cortar imposto é medida eleitoreira. Até quanto devemos chegar? 37%? 40%? Você não acha que já paga imposto demais?

No final das contas, aquele que mais achava estar sendo de fato responsável, é quem mais está defendendo que o bolso do brasileiro seja sugado pelo Estado.

Não deixe seu viés político ofuscar a sua capacidade de analisar os dados.

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Opinião e análise breve – PetroRio ($PRIO3) – 2T/2022


Em tempos de alta do barril de petróleo, só se fala em Petrobras. Todos querem ganhar dinheiro com o momento, a Petrobras é, de fato, uma impressora de dinheiro nesse cenário e entrega lucro centiblionários – e nessa seara de tratar somente sobre ela ao abordar sobre o petróleo, as menores acabam passando despercebidas. Estamos falando sobre a Petrorio.

A PetroRio é uma já velha de bolsa. Ela nasceu da reestruturação de uma companhia que estava listada em bolsa desde 2010, a HRT, mudando de nome 5 anos depois para o que usa atualmente. Antes disso, era apenas mais uma empresa problemática do mercado, dando prejuízos, flertando com a bancarrota.

Em 2015 seu turnaround finalmente ocorreu e ela começou a mostrar solidez de fato. Daí pra frente, mesmo com a ciclicidade do de petróleo, ela deslanchou, e no 2T22, reforçou ainda mais sua consolidação com números fortíssimos e diversos recordes. Vamos tratar sobre. Lembrando que a companhia registra seus números em dólares americanos.

É bom começar falando sobre o release do 2T22 da companhia com o seu trunfo: seu lifting cost. O lifting cost nada mais é do que o custo médio de extração de petróleo de um barril. A PetroRio no trimestre apresentou um lifting cost de US$ 11.1 por barril, enquanto no 2T21 esse custo foi de US$ 14.2 por barril. Indo um pouco além, a companhia reduziu esse custo de uma máxima de US$ 44.2 por barril no 1T18 e vem reduzindo trimestre a trimestre consistentemente – algo extraordinário que eleva significativamente suas margens e eficiência.

Ainda sobre indicadores operacionais, o preço do brent médio do 2T22 foi de US$ 112 (contra US$ 69 no 2T21) enquanto o preço médio de venda do barril da companhia foi de US$ 108 (contra US$ 67 no 2T21), ou seja, um crescimento expressivo de 62% por barril, sendo que o custo de extração foram míseros US$ 11.2 – lembrando que a taxa de câmbio no período “prejudicou” os resultados, caindo 7% (de R$ 5,29 no 2T21 pra R$ 4,92 no 2T22).

Na linha de produção, a companhia entregou um montante equivalente a 33.3 mil barris produzidos por dia, contra 31.2 mil no 2T21, representando uma alta de 7%. Apesar disso, o recorde de produção foi registrado no 1T22 numa quantia de 35.1 mil barris por dia. A queda em relação ao 1T22 é explicada pelo fechamento de alguns poços, além de algumas pausas para manutenção e planos de revitalização – ou seja, não é um sinal de deterioração.

Nas linhas operacionais, mais recordes da companhia. A receita total da Petrorio foi de US$ 377 milhões, representando uma alta de 95% em relação ao 2T21. Seu lucro operacional subiu 127%, para US$ 249 milhões, tendo uma melhora de margem de 9,0pp para 66% (aqui o lifting cost mostra a sua cara, com a companhia tendo uma margem operacional altíssima, quase obscena) e um lucro líquido de US$ 140 milhões, representando uma alta de 112% no período.

Nós passamos pelos números de forma rápida pois não há nada de negativo a ser mencionado. O crescimento com os indicadores operacionais, falam por si só. A empresa nesse cenário de alta do barril de petróleo é uma genuína impressora de dinheiro e está surfando muito bem, principalmente considerando o fato de que sua expansão de dá via aquisições de campos e outras companhias menores e mesmo assim a margem tem melhorado, e não se deteriorado, como normalmente acontece com aquisições.

Dado o seu caixa gigante de US$ 1.3 bilhões, hoje a companhia não possui problemas com dívidas – sendo que a alavancagem é zero e seu caixa é suficiente para pagar toda a sua dívida quando quiser (e 70% dela está ancorada no longo prazo para ser paga apenas depois de 2026). Fora isso, existe também o fato de que ela tem reduzido o custo da dívida para níveis baixíssimos e seu operacional no atual momento do ciclo gera muito resultado.
Entre outros pontos, não entraremos em detalhes para não alongar muito o texto, mas caso o investidor tenha interesse, vale averiguais os campos de extração e seus devidos números – já adiantando que todos estão saudáveis e plenamente operantes com a companhia realizando a expansão via aquisições.

A PetroRIo é um ovo de ouro na bolsa brasileira, mas possui o risco cíclico em sua estrutura. Hoje está tudo maravilhoso, mas tem que saber também que em algum momento do ciclo o Brent pode ir para a região dos U$ 60 novamente. Não tornaria a companhia inoperante de forma alguma, ainda mais considerando que seu lifting cost é extremamente baixo, mas levaria os resultados para um patamar menor do que metade do que está ocorrendo atualmente. Ela é forte e tem uma ótima gestão, realizou um belo turnaround e está num segmento interessante para fatores cíclicos, mas não é uma Petrobras da vida que gera bilhões e bilhões de caixa livre independente do cenário.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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