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Opinião e análise breve – Grupo Mateus ($GMAT3) – 2T/2022

Como já dissemos algumas vezes, a última safra de IPOs da bolsa brasileira foi dura. Dura por um simples motivo: quase 50 companhias abriram capital entre 2020 e 2021, mas da para contar nos dedos as que realmente fizeram por preços condizentes a realidade do negócio, além de que muitas passam longe de ter fundamentos mais sólidos.

Em meio a esse mar de IPOs do período, um ou outro bom ativo em formação pode ser encontrado. Em formação porque faltam dados para realizar análises mais aprofundadas, mas os que estão disponíveis para a leitura, mostram solidez e números interessantes. Esse é o caso do Grupo Mateus.

A companhia está num segmento conturbado – o de varejo, supermercados. Com todas as suas lojas presentes na região Norte e Nordeste do país, seus números tem surpreendido positivamente, mostrando ótima gestão e conservação das margens, algo raro de se ver num segmento como esse. No 2T22, os números continuaram bons. Vamos lá.

No 2T22 o Grupo Mateus entregou uma receita líquida de R$ 5.2 bilhões – número 40% maior do que o atingindo no 2T21, um crescimento expressivo. Esse crescimento de receita foi impulsionado pela abertura de lojas ocorridas nos últimos 12 meses (40 aberturas no total, sendo 13 no varejo, 12 no atacarejo, 15 no eletro e 10 no B2B) e não só por isso. O SSS (same store sales, isso é, crescimento de vendas de forma orgânica no período desconsiderando a abertura de lojas novas) cresceu 15% no período – um crescimento também forte.

Indo um pouco além e dissecando os números por segmento, o crescimento fica mais claro. O varejo teve um crescimento de receita de 33,4%, o atacarejo um crescimento de receita de receita de 47,5% (e aqui vale mencionar que é o segmento mais importante para a companhia, representando 50% do faturamento total do Grupo Mateus), o Eletro cresceu 16% e o B2B 34,6%. Ou seja, houve crescimento de todos os seus segmentos, sendo que o atacarejo foi o de maior e segue sendo o mais importante.

Na linha de lucro bruto, um dos destaques da companhia. O lucro bruto cresceu 36%, enquanto a margem foi de 22,6%. Houve queda de margem de apenas 0,6pp, e apesar de parecer algo negativo, foi um número excelente.

Em períodos de alta inflação, segmentos de varejo de supermercados tendem a perder muito espaço por falta de capacidade de repasse de preço para seus consumidores no curto prazo. Como a gestão destacou, essa perda de margem ocorreu por 3 principais fatores: (I) inflação, que como obvio ataca a margem no curto prazo, (II) o aumento de participação do atacarejo, que estruturalmente possui menores margens e (III) o período de maturação das novas lojas, isso é, toda loja quando inaugurada, leva alguns anos para atingir seu total potencial de retorno. No caso do Grupo Mateus, que abriu 40 lojas no período, há um delay para que elas atinjam seu total potencial, e nesse meio tempo é natural que as margens sofram um pouco. Faz parte do plano de expansão. Mesmo com todos esses fatores, a margem foi praticamente mantida, com uma alteração mínima de 0,6pp.

Na linha de despesas, mais números positivos. A companhia prestou um serviço excelente no controle de gastos no 2T22. Apesar das despesas cresceram 36% no período em comparação ao 2T21, elas representaram apenas 15,1% da receita líquida, uma melhora de 0,4pp comparado ao 2T21. Os destaques de crescimento foram a linha de pessoal e fretes e combustíveis, resultante da expansão da companhia pela contratação de mais funcionários e da expansão logística com centros de distribuições aumentando o tráfego de frota própria.
Na parte de resultado financeiro e endividamento, sem muito o que falar. A companhia teve um aumento de 144% de gasto com dívida (de R$13.3 milhões para R$ 32 milhões), mas um número bem baixo. O crescimento é o motivo de sempre, alta do CDI e IPCA do período. O endividamento também segue completamente controlado com uma alavancagem baixíssima de 1,1 de dívida líquida sobre EBITDA, com R$1.4 bilhão de dívida líquida sendo que apenas 10% disso é de curto prazo e há caixa de sobra para pagar.

Enfim, com todos esses fatores, a companhia entregou um lucro líqudo de R$ 264 milhões no trimestre, representando um crescimento de 39% comparado ao mesmo período do ano passado. A margem líquida continuar no mesmo patamar, de 5,1%, e isso é ótimo, como mencionamos, mesmo com todos os desafios num segmento difícil a margem está sendo conservada com sucesso.

Na nossa leitura, o Grupo Mateus faz parte da safra boa de IPOs dos últimos 2 anos. IPOs sempre carregando consigo riscos gigantes, principalmente pela falta de histórico e afins, mas tanto por fator qualitativo quanto quantitativo a gestão tem impressionado em tempos tão problemáticos quanto o que estamos vivendo agora. Não se empolgue na leitura dos resultados, mas vale dar uma conferida com maior aprofundamento nesse case que tem mostrado sucesso em seu plano de expansão.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Cielo ($CIEL3) – 2T/2022

A Cielo é uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira. Mesmo sendo um case de investimento extremamente antigo e que sofreu o seu primeiro golpe em 2010, foi apenas anos depois, em 2017 que a companhia começou a sofrer de fato.

Dando contexto: a Cielo é uma empresa de adquirência, em termos mais simples, de maquininhas. Até 2009 a empresa gozou do benefício da reserva de mercado com uma margem de lucro astronômica. Para se ter melhor ideia, na época a Cielo e a Rede (Cielo sendo do Bradesco e Banco do Brasil, enquanto a rede é do Itaú) representavam quase 93% das transações realizadas no mercado. Foi então que o Banco Central Brasileiro começou a tomar medidas para desconcentrar o mercado.

Não era mais necessário que cada estabelecimento tivesse uma maquininha para cada cartão: com o tempo, toda maquininha aceitava todo tipo de cartão (ao menos em termos de permissão), as bandeiras passaram a disputar entre si e o mercado de adquirência perdeu todas as suas barreiras de entrada, isso é, a Cielo perdeu sua reserva de mercado que era garantida por lei.

Desde 2017 a companhia vem diminuindo, perdendo cada vez mais mercado, e, apesar de ter uma volume transacionado ainda alto, a base de clientes tem diminuído todo trimestre, sem exceção. Nesse trimestre, não foi diferente. Vamos aos números.

No 2T22 a Cielo entregou uma receita líquida de R$ 2.5 bilhões, representando um crescimento de 34% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento pode ser explicado principalmente por dois fatores: (I) a retomada da atividade econômica brasileira em maior intensidade, que vem surpreendendo, vide crescimento de PIB e vendas no varejo, e (II) uma base de comparação mais fraca, sendo que no 2T21 uma série de lojas ficaram com restrições de horário para abrir por conta de medidas de isolamento da época. Esse número pode ser bem visto pelo volume financeiro: no 2T21 o volume negociado foi de R$ 165.2 bilhões, enquanto no 2T22 foi de R$ 221.0 bilhões. O valor do 2T21 foi atipicamente mais baixo, demonstrando bem o segundo ponto citado sobre a base comparativa mais fraca.

A linha de base ativa de clientes é a mais preocupante. No 2T21 a base era de 1.3 milhão de clientes, enquanto no 2T22 foi de 1.1 milhão, uma redução de 15%. Quando analisamos sob a ótica histórica, esse problema de contração da base fica ainda mais evidente: em 2016 a base de clientes ativos era de 1.9 milhão – isso é, houve queda de 42% entre 2016 e 2022 e o número não parece ter se acomodado, caindo todo trimestre sem parar. De fato, o crescimento de receita e volume transacionado são bons indicadores, mas não são suficientes se a companhia perde cada vez mercado.

Finalizando, a Cielo entregou um lucro líquido de R$ 635 milhões e em seu release anuncia ser o maior lucro desde o 4T18 – de certa forma, uma meia verdade. De fato, a Cielo atingiu esse lucro líquido, mas foi resultado de um não recorrente: a venda da MerchantE, que agregou ao trimestre um lucro de R$ 282 milhões. Sem esse desinvestimento, o resultado seria de um lucro de R$ 383 milhões, também forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado, que foi de R$ 180 milhões. A questão aqui é: não é correto considerar a venda de um ativo no lucro líquido por ser um fator que ocorre apenas uma vez, afinal, se você contar sempre com isso, em pouco tempo a companhia deixará de existir.
Enfim, a situação ainda não é boa. Apesar do quantitativo apontar recuperação em algumas linhas (vide receita e lucro), dissecando para compreender melhor, é fácil de identificar que a Cielo segue perdendo mercado e esse lucro recorde do trimestre foi fruto de desinvestimento, isso é, venda de ativos da companhia que significam menos resultado gerado nos próximos trimestres. A Cielo é um bom case para refletir sobre o fato de que independente de quão fenomenal seja um negócio, diversificar sempre é a chave. Sempre. Antes do BCB tomar uma medida que desmontasse a reserva de mercado da empresa, era praticamente o melhor negócio do mundo: margem de lucro de quase 60%, ROE de 40%, bilhões e bilhões de pagamento e bilhões de caixa gerados. Até que uma canetada destruiu toda sua estrutura de vantagem. O investidor sabia disso – na verdade, era obrigado a saber, mesmo que não soubesse. É por isso que é tão importante conhecer a companhia nos detalhes, e lembrar sempre: uma vantagem legislativa pode ser derrubada numa só canetada.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Itaúsa ($ITSA3) – 2T/2022

E o resultado da Itaúsa finalmente foi divulgado – sendo uma das empresas com a maior quantidade de investidores pessoas físicas da bolsa com pouco mais de 900 mil acionistas, a gestão tem tomado alguns movimentos interessantes nos últimos anos buscando deixar de depender do Banco Itaú para gerar seus resultados.

Para se ter ideia, em 2018 cerca de 97% do resultado da companhia era gerado por conta do Itaú, sendo que agora no último trimestre, refletindo o crescimento de algumas participações entre outras aquisições, essa participação já caiu para 81%. A intenção da gestão é justamente essa: se tornar uma holding de fato, com diversificação de participações, e não só depender de uma só companhia. Enfim, vamos aos números.

No 2T22 a Itaúsa atingiu um resultado de R$ 3.3 bilhões (lembrando que holdings utilizam o método de REP, isso é, resultado de equivalência patrimonial – se a companhia tem 10% de participação na empresa “x” que lucrou R$ 1 bilhão, significa que no resultado da holding aparecerá que a empresa “x” deu R$ 100 milhões de lucro), um crescimento de 12% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

No setor financeiro, que se resume a participação do Itaú e da XP, houve crescimento de 3%, sendo +0,5% do Itaú (representando R$ 2.7 bilhões) e crescimento de 138% da XP (representando R$ 121 milhões). Ou seja, como mencionamos anteriormente, o setor financeiro é predominante na holding ainda, sendo que 81% do resultado total é do Itaú.

No setor não financeiro, há a participação em 5 companhias: Alpagartas, Dexco, Aegea Saneamento, Copa Energia e NTS – juntas elas representaram R$ 486 milhões do resultado da holding. A Alpagartas, gigante do segmento de calçados que está listada em bolsa, representou apenas R$ 19 milhões, com uma queda de 46% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A Dexco, gigante do segmento de materiais para construção civil também listada em bolsa, representou um resultado de R$ 77 milhões, com uma queda de 18% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Ambos resultados foram ruins, mas explicados principalmente por conta de pressão inflacionária, como a gestão bem pontua. Para o investidor, considerando que as duas empresas estão listadas na bolsa, vale a analise dos dados das duas em específico para compreender melhor a queda de resultados, mas a inflação batendo nas margens explica bem.

Mais adiante, a Aegea Saneamento representou um prejuízo líquido de R$ 6 milhões para a holding. Apesar do prejuízo assustar, o resultado da companhia foi impactado por um não recorrente de antecipação de dívidas – houve crescimento de quase 30% da receita, EBITDA e a companhia segue investindo forte em expansão. Ou seja, na nossa leitura, nada preocupante, algo completamente normal pra um cenário de investimento e amortização da dívida, como bem é pontuado nas linhas do resultado.

Na Copa Energia, um crescimento forte de resultados, de 433% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os R$ 33 milhões. O aumento de resultado reflete crescimento de market share da companhia, aumento de preço médio dos serviços e revisão de tarifas, enquanto na NTS, também houve crescimento forte, de 281% no período, atingindo R$ 364 milhões. Esse crescimento é explicado por conta da distribuição de proventos pela companhia, a revisão de ativos ao valor justo e, não menos importante, a melhora de resultados com expansão dos negócios.

Ainda falando sobre participações, é válido mencionar que em julho a Itaúsa investiu R$ 2.9 bilhões na CCR, mostrando mais uma vez movimentos para desconcentrar sua base de resultados da mão do Itaú. Esse investimento corresponde a 10,3% do capital da CCR.
No resultado financeiro, houve um prejuízo de R$ 138 milhões, contra R$ 19 milhões no 2T21, representando um crescimento de 626%. Esse aumento é explicado por dois fatores: (I) a 4ª emissão de debentures e seus respectivos gastos, utilizados para financiar a aquisição da Aegea Saneamento, e (II) como sempre, o aumento da SELIC batendo forte e causando maior gastos por conta da elevação da taxa em si. Apesar desse crescimento, não é algo preocupante, considerando que hoje a dívida da Itaúsa é baixa, sua posição em caixa é suficiente para honrar todas suas necessidades até 2025 e o custo médio da dívida é de CDI + 1,6%.

Finalizando, na linha de lucro líquido a companhia entregou um crescimento de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que mesmo com um crescimento mais forte dos resultados, a parte financeira deteriorou um pouco.

Enfim, a Itaúsa tem demonstrado movimentos interessantes buscando essa menor concentração do Banco Itaú em seus resultados. Como dissemos, há alguns anos o Itaú representava quase 100% do resultado da empresa, enquanto hoje está em algo próximo de 80%. É ótimo, afinal, na nossa leitura, é justamente para isso que serve a holding: expor o investidor a um leque de companhias num só investimento com a capacidade de gestão profissional. É por isso que não vemos muito racional ao comprar Itaúsa só para ter exposição ao Itaú – isso é tomada de risco desnecessária. De qualquer foram, um bom trimestre, marcado principalmente por conta desse investimento na CCR.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Nu Holdings ($NUBR33) – 2T/2022

O Nubank roubou a cena do mercado brasileiro ao realizar seu IPO, no final do ano passado. Foi no começo de dezembro de 2021 que a companhia finalmente abriu seu capital e o mundo conheceu todos os seus dados financeiros com a real transparência necessária.

Inicialmente, foi uma febre: em apenas uma semana depois de ter surgido na bolsa, seu valor de mercado atingira quase US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões na época) e o banco se tornou uma das empresas mais valiosas não só do Brasil, mas da América Latina, com um valor de mercado ainda maior do que o do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e todos seus pares gigantes com décadas de mercado (lembrando que o Nubank surgiu em 2013).

Tempo vai e tempo vem, não tardou até que as ações começassem a derreter. Hoje a companhia negocia com uma desvalorização de aproximadamente 65% desde o seu IPO e o seu valor de mercado gira na casa dos US$ 23 bilhões, algo próximo de R$ 117 bilhões na cotação atual.

Essa queda é difícil de ser explicada. Pode ser uma queda de expectativa sobre o banco ou somente um estouro da bolha que foi criada no período de seu lançamento. O que podemos afirmar é: o Nubank segue crescendo forte. O seu problema não é sobre seu crescimento, a instituição realmente está crescendo a passos largos, inclusive no último trimestre ela se tornou maior que o Santander em quantidade de clientes. O seu problema é que talvez ela não esteja atendendo o crescimento esperado pelo mercado, assim como ainda não há de fato algum tipo de horizonte mais sólido sobre o “quando” eles de fato darão lucro e retorno para o acionista. Enfim, vamos aos números.

No 2T22 o Nubank atingiu uma receita de US$ 1.1 bilhão, seguindo em linha com seu forte viés de crescimento e estratégia de expansão da companhia, representando um crescimento de 230% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando a receita foi de US$ 351 milhões. Até mesmo comparando ao 1T22 o crescimento foi forte, de 30%.

No período, também houve forte crescimento da base de clientes, de 41 milhões no 2T21 para 65 milhões no 2T22 – uma adição de 23 milhões de novos clientes, o que torna o Nubank um banco ainda maior do que o Santander e consagrando-o como um dos 5 maiores bancos do país em quantidade de clientes. Dessa base, houve também melhora forte da taxa de atividade, que vem crescendo consistentemente trimestre a trimestre (isso é, clientes que utilizaram algum serviço do banco nos último 30 dias) saindo dos 72% no 2T21 para os 80% no 2T22 (e subindo dos 78% no 1T22). Isso expressa uma base de clientes ativos de 52 milhões. Vale pontuar outro fator interessante: a quantidade de clientes do Nubank no México atingiu 2.7 milhões, multiplicando por 6 nos últimos 12 meses.

A carteira de crédito da instituição não é aberta nos detalhes, mas também houve crescimento forte de 220% atingindo os US$ 3.2 bilhões – lembrando que o Nubank é um banco completamente focando nos cartões de crédito e suas linhas de crédito são mais segmentadas ao público mais jovem, diferente dos grandes bancos que possuem carteiras colossais que atacam toda a economia brasileira, do agro ao imobiliário. Essa carteira de crédito teve um crescimento forte de inadimplência no período, assim como todo o setor bancário passou dados os desafios do cenário macroeconômico do país e o aumento forte da taxa SELIC no período, com a inadimplência saindo dos 3,0% para os 4,1%, o que representa um crescimento de 1,1pp e uma taxa ligeiramente acima da média dos grandes bancos.
Na linha de receita média mensal por cliente ativo, houve forte crescimento, de US$ 4,0 para US$ 7,8 – o número dobrou no período, resultado do amadurecimento das safras de novos clientes da instituição (lembrando que a partir do momento que um cliente entra em alguma instituição, leva um tempo até que ele seja plenamente “convertido” ao uso de todos os serviços) e também resultado do lançamento de uma série de novos produtos e funcionalidades que o Nubank tem criado, em linha com o plano da companhia da diversificação de receita e criação de algo semelhante a um superapp. Esse número fica ainda melhor sob a ótica do custo médio mensal por cliente, que ficou estável na casa dos US$ 0,8 comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mostrando ganho de escala da companhia e boa diligência em relação aos seus gastos.

Retornando um pouco e falando novamente sobre a receita, o que impulsionou o crescimento da receita da companhia no trimestre foi a receita de juros e ganhos sobre instrumentos financeiros, justamente a linha mais importante para um banco, saindo dos US$ 193 milhões no 2T21 e atingindo os US$ 853 milhões no 2T22 – um crescimento de 342%, impulsionado pela linha de crédito da companhia e cartões de crédito, principalmente.

Na linha de custos dos serviços, houve forte aumento de 348% no trimestre, de US$ 177 milhões para US$ 794 milhões. Esse aumento é explicado por (I) uma SELIC mais alta, aumentando o gasto de juros sobre os depósitos de varejo da companhia, e (II) o aumento do PDD, isso é, dinheiro que o banco destina para enfrentar uma possível inadimplência no período. Todo esse crescimento resultou numa despesa que cresceu de 50% da receita líquida para 69% da receita líquida.

Como resultado de todos esses fatores, o prejuízo líquido da companhia no período foi de US$ 29.9 milhões. Lembrando que eles sempre divulgam um “ajustado” que implica em lucro, mas que não reflete o auferido de fato, afinal, não é o que realmente ocorreu, mas o que deveria ocorrer se desconsiderasse os não recorrentes. O lucro “ajustado” foi de US$ 17 milhões – e aí cabe ao investidor qual leitura ele prefere realizar. Nós preferimos considerar o não ajustado.

Enfim, em linhas gerais o Nubank segue crescendo fortemente. É inegável o crescimento que a companhia tem realizado em todas as linhas – clientes, carteira de crédito, serviços, taxa de atividade e afins. A violenta desvalorização das ações é explicada provavelmente porque o mercado depositou uma confiança imensurável no crescimento da companhia no trimestre. Ter uma precificação ainda maior do que a do Itaú foi uma verdadeira forçada de barra, isso é, não era difícil analisar e concluir que um banco minúsculo com uma receita de menos de R$ 3 bilhões não valia o mesmo tanto que um banco centenário que lucra mais de R$ 2 bilhões por mês com uma carteira de crédito trilionária.

Nada disso exclui o fato de seu crescimento – em discussões sobre o assunto, é fácil de identificar quando um investidor menospreza a instituição por conta do seu prejuízo. Dar lucro e ter um bom operacional é sim um dos seus maiores desafios, mas o trabalho sob a ótica do crescimento que o Nubank tem exercido é primoroso. A grande questão é: quando todo esse crescimento vai começar a remunerar o bolso do acionista? É o ceticismo do mercado sobre isso que tem causado o derretimento de suas ações, provavelmente.

Crescimento forte, mas desafios e obstáculos ainda existentes.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Equatorial ($EQTL3) – 2T/2022

Antes de falar sobre o resultado da Equatorial, é importante saber de fato o que é a companhia, o que ela faz, como ela funciona e quais são os seus planos. Muita gente investe na companhia achando que é um negócio simples que investe em distribuidoras e cresce ao longo do tempo (o que é, de fato, uma verdade), mas não para por aí. Vamos dar um breve resumo.

A Equatorial é uma holding que predominantemente gera seus resultados com a distribuição de energia – repetindo, predominantemente. Além do seu segmento de distribuição de energia, ela também está no segmento de geração e transmissão de energia, sendo que também atual no segmento de comercialização de energia, telecomunicações e recentemente entrou no segmento de saneamento. Ou seja, a Equatorial é uma holding que está inserida em toda a malha de utilities do país, sendo que ela nasceu em 1999 com serviços mais específicos na área de distribuição.

Outro ponto importante é saber que a companhia tem uma mecânica de crescimento diferenciada: ela compra empresas quebradas, realiza o turnaround e ganha dinheiro com elas. É isso que ela vem fazendo há décadas. É algo arriscado? Sim, de fato. Mas é o que ela sabe fazer. Não é um business que ela começou há 2 anos – ela nasceu assim. Ela tem vasta experiência nisso. É o que ela sabe fazer e tem feito com maestria desde sempre, multiplicando sua receita por mais de 10 vezes saindo da casa do R$ 1.7 bilhão para quase R$ 30 bilhões de 2010 até então.

Essa dinâmica da companhia causa certa “instabilidade” nos seus resultados – vide o último trimestre. Recentemente a companhia fez a aquisição de uma empresa de saneamento e da Echoenergia, uma gigante inserida no segmento de energia eólica e uma das maiores do país.

Enfim, toda essa introdução serve para deixar claro um fator: a empresa não é o reloginho que a maioria conhece como outras do setor elétrico quando o assunto é lucro e geração de caixa. Ela chacoalha muito por conta de fatores não recorrentes todo trimestre. É uma empresa de crescimento raiz com seus riscos e um histórico excelente nos últimos anos. Por isso, não pense nela somente como uma “distribuidora”. Vamos aos números.

No 2T22 a Equatorial entregou uma receita líquida de R$ 6.4 bilhões, representando um aumento de 52% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Essa receita foi impulsionada principalmente pelo seu segmento de distribuição de energia, que sob a ótica operacional, gerou um crescimento de R$ 400 milhões a companhia, seguido do segmento de gerações renováveis, que representou um crescimento de R$ 111 milhões a companhia, então do segmento de transmissão, que representou um crescimento de R$ 57 milhões e por último o segmento de outros, caracterizado pelo saneamento, com crescimento de R$ 13 milhões. Lembrando, aqui é a ótica do operacional, o EBITDA, já com todos os custos operacionais deduzidos. Como mencionamos inicialmente, fica evidente como a distribuição é o carro-chefe da companhia, mas as outras linhas de resultados têm ganhado mais espaço, dando maior ar de diversificação da holding.

Na linha de distribuição, há 6 ativos em operação, sendo que 2 deles estão operando de forma saudável (Maranhão e Pará) e 4 estão ainda em processo de turnaround (Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul e Amapá). Dois indicadores são bem interessantes de analisar ao realizar a análise das distribuidoras, principalmente da Equatorial, que adquire ativos problemáticos e realiza o turnaround: o PECLD, isso é, o dinheiro que a companhia dedicada da receita para enfrentar calotes nas contas, e as perdas, isso é, os famosos “gatos” que as companhias enfrentam sobre o uso de suas energias.
Na linha de PECLD consolidado a Equatorial demonstrou números excelentes, com o indicador praticamente demonstrando estabilidade, subindo apenas 0,1pp, enquanto na linha de perdas, no consolidado, o número também é ótimo, com as perdas totais saindo da casa dos 24,3% no 2T21 para os 23,0% no 2T22, sendo que esse número vem caindo consistentemente trimestre a trimestre desde 2020.

As demais linhas da companhia não vamos entrar no mérito, visto que nenhuma demonstrou qualquer viés problemático e o crescimento seguiu – detalhar uma por uma levaria muito tempo e não é necessário considerando a menor representatividade nos resultados, ainda assim é interessante que o investidor entre no release e leia mesmo que por cima para ter ideia do funcionamento de cada segmento.

Na linha do resultado financeiro, eis o grande vilão da maioria das empresas alavancadas atualmente. No período a Equatorial teve um prejuízo de R$ 1.1 bilhão na linha do resultado financeiro, representando um crescimento de 255% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que foi na ordem de um prejuízo de R$ 310 milhões. Esse crescimento é explicado, como sempre, por conta do aumento do CDI no período e em parte também por conta do IPCA, mas é interessante mencionar um não recorrente importante: houve gasto de R$ 374 milhões no 2T22 com SPEs de transmissão de energia (além disso, fatores não recorrentes que partem daquilo que falamos inicialmente, sobre a dinâmica da companhia de turnarounds e investimentos nas aquisições. Sem esse não recorrente, o prejuízo no resultado financeiro seria de R$ 727 milhões, um número ainda alto, mas tranquilo pra a estrutura da companhia.

Na parte de endividamento, o ponto mais importante de análise da companhia. Como sempre falamos, mais importante do que saber o tamanho da dívida da companhia, é compreender seu perfil – como ela realmente é constituída. A Equatorial está hoje com uma dívida líquida de R$ 23 bilhões, sendo que a dívida está praticamente indexada ao IPCA e ao CDI, em proporções iguais, metade/metade. Apesar da dívida ser gigante, ela é bem distribuída – hoje a companhia tem dinheiro em caixa para bancar suas obrigações até 2024, sendo que a maior parte da dívida está para 2026 para frente. A alavancagem, por sua vez, está em 3,3x dívida líquida sobre EBITDA. Se você estiver se perguntando o motivo dessa dívida, é resultado da dinâmica que citamos: a companhia cresce com aquisições. Se alavanca, compra companhia quebrada, reestrutura, ganha dinheiro e paga as dívidas. É o que ela sempre fez, ou seja, nada fora do normal.

Na linha final, o lucro líquido, que preocupou muita gente por conta das manchetes. A companhia entregou um prejuízo líquido de R$ 170 milhões, porém, esse resultado foi impactado por fatores não recorrentes como a devolução do ICMS e PIS/COFINS a base de clientes, gastos para iniciar a operacionalização de novas linhas de transmissão e o início das operações do seu segmento de saneamento no estado do Amapá. Sem esses não recorrentes, o lucro seria de R$ 197 milhões. Como sempre falamos, cabe ao investidor interpretar a linha que achar mais adequado, mas no caso da equatorial, com sua dinâmica de aquisições e afins, esses gastos de fato podem ser honrados como “não recorrentes”, ainda mais se tratando do início da operacionalização de algum novo negócio.

Como sempre, a Equatorial mostrou resultados fortíssimos. Seu business é extremamente arriscado, mas a gestão da companhia tem competência na mesma proporção. É o que eles sempre fizeram. Investir na Equatorial é investir numa gigante de growth que futuramente terá um dos maiores espaços no segmento elétrico do país. Assim como as demais elétricas, em tempos de SELIC mais alta o resultado financeiro vai bater forte e tirar o brilho dos resultados, mas é algo transitório, e acreditamos que a SELIC não ficará nesse patamar por muito tempo. Ou seja, no momento que o ciclo começar a virar, espere forte impulso dos resultados da Equatorial.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião sobre os resultados divulgados pelas companhias no segundo trimestre desse ano.

Com praticamente todas as companhias tendo já divulgado seus resultados do último trimestre, é possível ter algum tipo de opinião mais bem embasada em termos técnicos em relação ao desempenho do cenário econômico do país.

De forma geral, de todos resultados que realizamos a leitura – isso é, centenas de companhias de dezenas de segmentos diferentes abrangendo todo o cenário: a maioria das companhias surpreenderam positivamente. Sim, positivamente – estamos dizendo mais uma vez aquilo que os dados econômicos vêm mostrando desde o começo do ano, de que a recuperação da economia brasileira é genuína e tem sido bem melhor do que o esperado.

Alguns segmentos, ainda estão sofrendo forte com o cenário inflacionário, vide o de seguros de autos e varejão de supermercados. Outros, como tradicionalmente sabido, estão atravessando muito bem, como os bancos, mostrando como são colossos resilientes que desempenham bem seja em cenários turbulentos ou cenários de maior bonança econômica.

Outros segmentos tem sofrido violentamente por conta da pressão da SELIC: aqui as varejistas se destacaram. Na verdade, não só as varejistas, mas quaisquer companhias alavancadas. O problema é que as varejistas estão passando pela tempestade perfeita que nunca desejaram ter: uma pressão forte no segmento de consumo principal que possuem (vide Via e Magalu vendendo menos os produtos de linha branca) enquanto uma SELIC de quase 14% ao ano tem sugado todo o dinheiro do caixa, obrigando gastos com pagamento de dívidas que não existiam há pouco mais de 1 ano, quando a SELIC ainda era algo na ordem de 2% ao ano.

Uma série de empresas surpreenderam forte, apesar de quem estuda, saber que tais surpresas não são tão surpreendentes assim: aqui falamos sobre a M. Dias Branco. É a ilustração perfeita de como um cenário turbulento pode desafiar completamente a convicção de um bom investidor. Por mais que os fundamentos continuem sólidos e você saiba que toda a alta do preço do trigo é apenas algo transitório resultante de um impasse geopolítico, a queda contínua da cotação da ação incomoda e faz você questionar toda suas convicções. Até que o resultado da companhia é entregue e ela mostra a consolidação de tudo aquilo que você já esperava: uma líder de mercado aumentando o preço dos seus produtos, ganhando margem e utilizando do poder de sua marca para atravessar a crise – momento onde os gigantes se tornam ainda maiores e os pequenos infelizmente acabam perdendo mercado e deixando de existir por não conseguir atravessar toda a turbulência. A Renner e a Ambev, outros dois colossos líderes de seus respectivos mercados também serve de exemplo: ambas as companhias tiveram ganhos de market share na crise. É aquilo: os grandes ganham o mercado dos pequenos que não conseguiram atravessar.

Na ponta das commodities, a incógnita segue. Apesar da forte queda do preço de uma série de commodities desde o começo do ano, absolutamente ninguém sabe de fato em qual parte do ciclo estamos. E quem disser a você com completa convicção que sabe, desconfie. De um lado temos países desenvolvidos, como os EUA, com alguns dados apontando possível desaceleração econômica, vide queda de PIB, ao mesmo tempo, os dados de emprego são entregues mostrando números cada vez mais fortes, com praticamente toda a população do país empregada e a abertura de vagas de empregos surpreendendo. Isso é: o fim de um ciclo de commodities é pintado pela desaceleração de uma economia. Uma parte do mercado acredita que essa desaceleração ocorrerá em breve, e com isso, as commodities desabam, pois haverá menos investimento em infraestrutura e consumo de bens de expansão. Outra parte do mercado entende que as economias se reerguerão mais rápido do que a maioria imagina, e em breve as commodities voltarão a ser fortemente demandadas.
Nesse cenário as companhias como a Vale, Petrobras e outras commoditizadas negociam por preços praticamente obscenos, lembrando daquela máxima: empresa de commodity com preço sobre lucro baixo é evidência de fim de ciclo. Por obvio, se o mercado espera que as commodities vão desabar, significa o fim do ciclo e consequentemente piores resultados para as empresas do segmento. Ainda assim, as gigantes desse setor no Brasil estão entregando números ainda fortíssimos, com dividend yield surpreendentes e dezenas de bilhões em geração de caixa. Talvez um prato cheio para quem aceita tomar um risco um pouco maior.

Como mencionamos, de forma geral, a maioria dos resultados nos surpreendeu positivamente. Infelizmente o varejo – em específico os varejões como Magalu e Via – estão sofrendo forte por conta de uma base comparativa “injusta” (afinal, 2021 foi um ano recheado de estímulos econômicos) e uma alavancagem destrutiva com a SELIC na casa dos 14%, mas vimos muitos outros dados que apontam retomada econômica mais sólida (vide empresas de shoppings, assim como FIIs do mesmo segmento, que já apontam números mais fortes que 2019).

O Brasil tem uma posição beneficiada economicamente na atual situação do planeta com a “independência” que temos em relação a produção de uma série de bens básicos (comida e energia) além de nossa neutralidade que tem garantido o fluxo normal de importação de fertilizantes entre outros produtos essenciais para o funcionamento agro do país (diferente da Europa, que está literalmente cortando o pouco da produção que tem porque os maiores produtores de fertilizantes do planeta estão sancionados).

Acreditamos que a SELIC já atingiu o topo (afinal, de 13,75% pra 14,00% tanto faz, caso haja mais um aumento, embora não deva passar disso) e o país pode começar a enxergar uma queda significativa de juros ainda no começo do ano que vem. Nessa ordem, como sempre falamos, não tente ser o mais esperto da sala achando que você conseguirá pegar o momento exato que preceda um rally da bolsa brasileira caso os juros comecem a desabar, vendendo toda sua renda fixa para investir em renda variável no momento que ocorrer o primeiro corte da SELIC. O mercado antecipa esse tipo de movimento com questão de meses – não dias nem semanas. O melhor momento para investir em ações é “sempre”, lembrando sempre daquela frase – tempo no mercado é melhor do que tentar acertar o tempo do mercado.

O 3T22 será interessante para mostrar como seguirá a dinâmica de várias empresas que continuam mostrando resultados mais fortes, além da continuidade dessa SELIC que tem deteriorado o quadro de muitas companhias mais alavancadas.

Resumindo: o 2T22 nos surpreendeu positivamente na maioria dos resultados, consolidando o que os dados tem mostrado de uma atividade econômica mais forte do país – ainda longe do ideal, mas mostrando recuperação em sua gradualidade. Isso não significa que você possa desrespeitar sua estratégia de alocação de capital – siga firme.

Daqui 3 meses a temporada do 3T22 começará, e estaremos aqui, novamente, conversando com vocês sobre a maioria dos ativos mais populares ou interessantes de nossa bolsa. Em nossa plataforma vocês podem realizar a leitura de diversos resultados que analisamos além dos que foram postados aqui, além de mais de 250 horas de aulas, milhares de páginas de relatórios, teses de investimentos e afins. Tudo isso numa só assinatura.

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Aproveitando o espaço pra falar um pouco sobre um dos cases mais conturbados dos últimos anos... Cogna.

A companhia foi completamente destruída pela pandemia. Ao lado do segmento de turismo, o segmento de educação sofreu um revés nunca antes visto com a obrigatoriedade do fechamento de suas unidades de ensino e a transição das aulas para o 100% digital.

Essa transição causou diversos problemas, entre eles, o principal: a fuga de uma série de alunos das instituições. Para somar, um cenário econômico problemático onde o desemprego explodiu, a inflação começou a apertar e o orçamento das famílias começou a ficar cada vez menor dando menos espaço para os gastos “desnecessários”.

Com tudo isso, a Cogna passou pela tempestade perfeita que nunca desejou ter passado.

Com uma alavancagem altíssima e um custo de dívida colossal, todos esses problemas levaram a companhia a um cenário financeiro caótico de prejuízos bilionários e o derretimento de suas ações, fazendo com que a companhia registrasse quase 80% de queda desde o inicio da pandemia.

Essa situação atraiu muito investidor por um fator: turnaround.

Hoje a Cogna, junto da Oi e outras companhias problemáticas, desempenha o papel de companhia de reestruturação. Em termos simples, uma companhia que dificilmente sairá da situação atual que está, mas caso saia, as suas ações explodirão em preço, dando retornos altíssimos. Assim foi com a Magazine Luiza entre 2015 e atualmente, que mesmo com toda a queda recente, a ação ainda registra uma alta de mais de 1.000% por conta do sucesso de seu turnaround, saindo de um cenário de empresa quebrada para uma das maiores varejistas do país.

Um dado sobre a Cogna é interessante de mencionar, e denota certa evolução no seu processo de reestruturação: a evolução da base EAD.

Um dos planos da Cogna é fazer com que a companhia se digitalize – isso é, tenha cursos presenciais apenas em casos mais específicos. A pandemia mostrou que grande parte do público prefere de fato o digital. Grande parte do público opta pelo ensino virtual por fator de tempo, despesas e conforto. Escolas de ensino gigantes têm optado cada vez mais por esse tipo de estruturação e tem dado muito certo, é acessibilidade em essência.

Entre 2017 e o último trimestre de 2022, a Cogna conseguiu expandir a base de seus alunos para o digital em 26,0pp – isso é, enquanto em 2017 apenas 55% da sua base de alunos era via EAD, hoje esse número está na casa dos 81% e tem crescido consistentemente trimestre a trimestre, tornando hoje, entre todas as companhias de educação listadas em bolsa, a que está mais exposta a esse tipo de estrutura.

Essa mudança estrutural somada ao corte de custos da companhia é inclusive um dos motivos que a Cogna voltou ao lucro operacional nos últimos trimestres, mostrando que a iniciativa tem dado certo.

Se você investe na Cogna, lembre-se: atualmente os principais drivers de mudança para que a companhia saia do buraco são qualitativos. A companhia deseja digitalizar boa parte de seus segmentos de ensino e tirar das costas grandes custos fixos que seus campos de ensino demandavam.

É difícil, alias, tratar sobre a empresa depois que alguns influenciadores acabaram fazendo com que ela se tornasse chacota, mas não busque investir nesse tipo de companhia para enriquecer rapidamente ou coisas do tipo. Esses cases de turnaround são complexos e raramente dão certo. A cada Magalu que obtém sucesso, outra dezena de Ricardos Eletros vão a falência e acabam sendo esquecidas. Lendo os dados do 2T22 da Cogna, achamos válido tratar sobre esse assunto de turnaround, ainda mais reconhecendo um ponto positivo nos seus dados como esse que mostramos aqui agora.

Nós daremos uma análise mais aprofundada no relatório mensal que emitimos no INT e por lá faremos uma leitura mais completa sobre o resultado do trimestre, além de diversas outras companhias.
Nunca é demais ressaltar: não trate empresas de turnaround como oportunidade de ganho de dinheiro rápido – dificilmente essas reestruturações dão certo. Se você deseja se expor a cases do tipo (vide Oi, Cogna e afins) destine um percentual pequeno do seu capital, coisa de 1% ou 2% - ainda mais considerando que esses ativos costumam multiplicar em várias vezes seus valores e o ganho será alto mesmo com baixa exposição.