Na linha de endividamento, houve crescimento de 12% da sua dívida bruta, para os R$ 8.5 bilhões. Apesar da dívida alta, é importante analisar seu perfil, como sempre chamamos a atenção, a dívida em si não é necessariamente ruim, mas como ela é constituída. Hoje apenas 10% da dívida bruta da Taesa é de curto prazo, sendo que no trimestre houve uma redução de 16% dessa dívida de curto prazo. Os outros 90% são de longo prazo e diluídos até 2040. O caixa que a companhia tem hoje possibilita o pagamento dessa dívida de curto prazo 3 vezes. Além disso, sua alavancagem não mudou nos últimos trimestres, estacionou nos 3,7x de dívida líquida sobre o EBITDA (ou 2,0x desconsiderando as coligadas, participações e afins). Além disso, todas as suas dívidas são emitidas com o rating máximo segundo as agências de crédito, o que demonstra a solidez da companhia.
No lucro líquido, houve um crescimento de 27%, de R$ 112 milhões para R$ 142 milhões.
Enfim, como sempre, sem grandes surpresas no resultado da Taesa. A companhia é de um setor seguro e perene (elétrico) e de um segmento tranquilo com fácil repasse inflacionário (transmissão), sua leitura de resultado pode parecer meio complexa aos mais novos no mundo dos investimentos, mas o segredo é conseguir discernir o resultado IFRS do regulatório. A empresa segue renovando seus contratos, tomando mais concessões e expandindo suas linhas, com os resultados mostrando essa expansão. Lembre-se: é um negócio altamente impactado pela inflação. Se você pegar alguns resultados de 2020 e 2021 como referência, pode distorcer, afinal, tivemos um IGP-M e IPCA obsceno que não repetirá (ao menos esperamos que não). O ponto de atenção é sua dívida e suas concessões, mas até então, nenhuma evidência para a preocupação (o que, como sempre lembramos, não significa que você deve menosprezar os riscos).
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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No lucro líquido, houve um crescimento de 27%, de R$ 112 milhões para R$ 142 milhões.
Enfim, como sempre, sem grandes surpresas no resultado da Taesa. A companhia é de um setor seguro e perene (elétrico) e de um segmento tranquilo com fácil repasse inflacionário (transmissão), sua leitura de resultado pode parecer meio complexa aos mais novos no mundo dos investimentos, mas o segredo é conseguir discernir o resultado IFRS do regulatório. A empresa segue renovando seus contratos, tomando mais concessões e expandindo suas linhas, com os resultados mostrando essa expansão. Lembre-se: é um negócio altamente impactado pela inflação. Se você pegar alguns resultados de 2020 e 2021 como referência, pode distorcer, afinal, tivemos um IGP-M e IPCA obsceno que não repetirá (ao menos esperamos que não). O ponto de atenção é sua dívida e suas concessões, mas até então, nenhuma evidência para a preocupação (o que, como sempre lembramos, não significa que você deve menosprezar os riscos).
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – B3 ($B3SA3) – 2T/2022
Um trimestre fraco... e dentro do esperado. A B3 conquista muitos investidores por um só motivo: ser um monopólio. Como bem diz aquela frase: o melhor negócio do mundo é um monopólio bem gerido, e o segundo melhor negócio do mundo, um negócio monopólio mal gerido. No caso da B3, é um monopólio muito bem gerido – com resultados consistentes e um histórico muito bom, mas o assim como grande parte das empresas, seus resultados são cíclicos.
A B3 é a bolsa do país, basicamente. Num país que a SELIC atinge quase 14% e a renda fixa passa a pagar mais de 1% ao mês sem que o investidor tenha que tomar risco, é completamente natural que a bolsa se torne segunda opção e deixe de ser a prioridade de muita gente (apesar de ser um movimento completamente errado nos investimentos). E é justamente isso que aconteceu nesse trimestre (e vem acontecendo desde o ano passado): com a SELIC tão alta, houve menor volume de negociação na bolsa e consequentemente a B3 teve queda de seus resultados. Dentro do esperado, algo natural. Vamos aos números.
No 2T22 a B3 entregou uma receita de R$ 2.2 bilhões, o que representa uma queda de 7,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa queda de receita ocorreu principalmente pelos seguintes motivos: (I) queda de volume de negociação de ações no mercado à vista de 13,1% (de R$ 33.1 bilhões para R$ 28.8 bilhões de volume diário médio), (II) queda no volume de termo de ações de R$ 427 milhões para R$ 308 milhões no volume médio diário, representando queda percentual de 28% e (III) queda no volume de negociação de contratos de juros em 3,5% (de R$ 2.9 bilhões para R$ 2.8 bilhões de volume médio diário).
Na ponta contrária, o resultado foi impactado positivamente por (I) crescimento do número de investidores PF de 3.1 milhões para 4.3 milhões (+38%), (II) crescimento do número de investidores de tesouro direto de 1.5 milhão para 1.9 milhão (+29%) e (III) a expansão do balcão em produtos de renda fixa, com crescimento na linha de emissões e estoques em todos os segmentos.
A dinâmica da taxa de juros aqui fica evidente quando tratamos sobre o impacto da SELIC na empresa – enquanto o segmento de renda variável contraiu no período, o segmento de renda fixa disparou, resultante dos investidores deixando de lado a tomada de risco e voltando a atenção para produtos como CDBs (que representaram 73% das emissões do trimestre) e relacionados.
Na linha de despesas não há muito o que tratar – houve crescimento de 12,4% no período, mas com uma série de não recorrentes por conta de da aquisição da Neoway, empresa de big data que a B3 adquiriu por quase R$ 2 bilhões. Sem essas não recorrentes a despesa teria subido apenas 3,7%.
Considerando todos esses fatores com certa pressão resultante das despesas não recorrentes, isso é, uma queda de receita somada ao aumento de gastos, a B3 entregou um lucro líquido de R$ 1.09 bilhão, o que significa uma queda de 8,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
A análise da B3 é simples e sem rodeios – trata-se de um monopólio completamente dependente da taxa de juros do país para performar. É uma dinâmica simples: SELIC em 15% afasta investidor da renda variável e reduz a receita da B3. SELIC em 2% atras investidor pra renda variável e aumenta a receita da B3. A companhia também ganha dinheiro com renda fixa graças a CETIP, mas as margens no segmento de renda variável – ainda mais considerando os que vivem girando o patrimônio, fazendo trade, pagando taxas e afins – é bem maior, sendo que a renda fixa dificilmente compensa esses movimentos.
Um trimestre fraco... e dentro do esperado. A B3 conquista muitos investidores por um só motivo: ser um monopólio. Como bem diz aquela frase: o melhor negócio do mundo é um monopólio bem gerido, e o segundo melhor negócio do mundo, um negócio monopólio mal gerido. No caso da B3, é um monopólio muito bem gerido – com resultados consistentes e um histórico muito bom, mas o assim como grande parte das empresas, seus resultados são cíclicos.
A B3 é a bolsa do país, basicamente. Num país que a SELIC atinge quase 14% e a renda fixa passa a pagar mais de 1% ao mês sem que o investidor tenha que tomar risco, é completamente natural que a bolsa se torne segunda opção e deixe de ser a prioridade de muita gente (apesar de ser um movimento completamente errado nos investimentos). E é justamente isso que aconteceu nesse trimestre (e vem acontecendo desde o ano passado): com a SELIC tão alta, houve menor volume de negociação na bolsa e consequentemente a B3 teve queda de seus resultados. Dentro do esperado, algo natural. Vamos aos números.
No 2T22 a B3 entregou uma receita de R$ 2.2 bilhões, o que representa uma queda de 7,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Essa queda de receita ocorreu principalmente pelos seguintes motivos: (I) queda de volume de negociação de ações no mercado à vista de 13,1% (de R$ 33.1 bilhões para R$ 28.8 bilhões de volume diário médio), (II) queda no volume de termo de ações de R$ 427 milhões para R$ 308 milhões no volume médio diário, representando queda percentual de 28% e (III) queda no volume de negociação de contratos de juros em 3,5% (de R$ 2.9 bilhões para R$ 2.8 bilhões de volume médio diário).
Na ponta contrária, o resultado foi impactado positivamente por (I) crescimento do número de investidores PF de 3.1 milhões para 4.3 milhões (+38%), (II) crescimento do número de investidores de tesouro direto de 1.5 milhão para 1.9 milhão (+29%) e (III) a expansão do balcão em produtos de renda fixa, com crescimento na linha de emissões e estoques em todos os segmentos.
A dinâmica da taxa de juros aqui fica evidente quando tratamos sobre o impacto da SELIC na empresa – enquanto o segmento de renda variável contraiu no período, o segmento de renda fixa disparou, resultante dos investidores deixando de lado a tomada de risco e voltando a atenção para produtos como CDBs (que representaram 73% das emissões do trimestre) e relacionados.
Na linha de despesas não há muito o que tratar – houve crescimento de 12,4% no período, mas com uma série de não recorrentes por conta de da aquisição da Neoway, empresa de big data que a B3 adquiriu por quase R$ 2 bilhões. Sem essas não recorrentes a despesa teria subido apenas 3,7%.
Considerando todos esses fatores com certa pressão resultante das despesas não recorrentes, isso é, uma queda de receita somada ao aumento de gastos, a B3 entregou um lucro líquido de R$ 1.09 bilhão, o que significa uma queda de 8,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
A análise da B3 é simples e sem rodeios – trata-se de um monopólio completamente dependente da taxa de juros do país para performar. É uma dinâmica simples: SELIC em 15% afasta investidor da renda variável e reduz a receita da B3. SELIC em 2% atras investidor pra renda variável e aumenta a receita da B3. A companhia também ganha dinheiro com renda fixa graças a CETIP, mas as margens no segmento de renda variável – ainda mais considerando os que vivem girando o patrimônio, fazendo trade, pagando taxas e afins – é bem maior, sendo que a renda fixa dificilmente compensa esses movimentos.
No mais, queda de resultado esperado que e que sob a nossa leitura não expressa qualquer problema. O recorde de lucro da companhia foi no primeiro trimestre de 2021, tempo áureo em que a SELIC estava em 2% - isso não é coincidência, é o que move a companhia. Não espere recorde de resultado nem explosão de lucro enquanto estivermos com a SELIC no atual patamar. O que podemos afirmar é que em algum momento a SELIC vai voltar a cair e a B3 a se expandir (não que R$ 1.1 bilhão de lucro num trimestre seja algo ruim, aliás, ainda mais considerando uma margem líquida de quase 50%, praticamente uma impressora de dinheiro).
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Magazine Luíza ($MGLU3) – 2T/2022
E a maior estrela do mercado financeiro passa por problemas. Não em vão, tem se tornado tão odiada nos últimos trimestres: 97% dos investidores começaram a investir na companhia em 2019, sendo que seu preço de tela hoje está mais de 50% abaixo do patamar da época.
A Magazine Luiza ficou famosíssima por conseguir realizar um turnaround espetacular em seu negócio: a varejista saiu de um cenário duro entre 2015-2016 e cresceu violentamente até 2021... eis que a SELIC passou a subir, a inflação explodiu e a tempestade perfeita para impactar negativamente a companhia se desenhou. Em mais um trimestre a Magalu não sai do lugar e batalha contra os desafios de sua própria alavancagem. Vamos aos números.
No 2T22 a Magalu entregou uma receita líquida de R$ 8.5 bilhões, o que significa uma queda de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Apesar dessa queda de receita, o volume de mercadoria vendida no período cresceu 1,3% graças ao marketplace. Destrinchando a linha de receita, fica evidente como foi justamente a operação de marketplace que evitou que um resultado pior fosse entregue – com a própria revenda de suas mercadorias, a Magalu teve uma retração de 6% (de R$ 8.4 bilhões de receita para R$ 7.9 bilhões) mas na linha de prestação de serviços (que agrega o marketplace e o Magalu Pagamentos) cresceu 26,5%, de R$ 498 milhões para R$ 630 milhões de receita. Ou seja, em virtude da linha de receita secundária da companhia que a receita consolidada teve menor impacto negativo.
Indo um pouco além, sob a ótica de crescimento das vendas totais, com exceção do marketplace, praticamente todas as linhas demonstraram retração ou estabilidade, com destaque para o crescimento de venda das mesmas lojas físicas (crescimento orgânico sem aberturas) que caiu 8,2% e do e-commerce da própria companhia que caiu 6,8%. O destaque positivo vai para o marketplace, como mencionado, que cresceu 22%. Um fator que conversa com esses números e a evolução de número de lojas da companhia: a abertura líquida de lojas nos últimos 12 meses foi de 90 (de 1.339 no 2T21 para 1.429 no 2T22), mas no comparativo com o 1T22 houve fechamento de 48 lojas (de 1.477 para 1.429 no 2T22).
Na linha de despesas operacionais, houve crescimento ligeiro, quase que estabilidade (apenas 3,7% de aumento comparado ao mesmo trimestre do ano passado), mas face a uma receita líquida menor, o impacto nas margens foi maior. Enquanto no 2T21 essas despesas representavam 20,9% da receita líquida, no 2T22 elas representaram 22,8% da receita líquida.
A linha de resultado financeiro é um dos principais pontos de análise da companhia, o que mais tem machucado o seu resultado e levado a empresa ao prejuízo no trimestre. No 2T22 a companhia teve uma despesa financeira de R$ 583 milhões, contra uma despesa financeira de R$ 221 milhões no 2T21, representando uma alta de 163%. A despesa foi impulsionada por pagamento de juros tanto com seus próprios empréstimos quanto com linhas relacionadas a Luizacred, seu segmento de crédito próprio. Enquanto no 2T21 o resultado financeiro impactava apenas 2,5% da receita líquida da companhia, no 2T22 representou 5,8%. A sua linha de crédito próprio também foi problemática e houve crescimento forte de inadimplência no período, atingindo 7,7% (acima de 90 dias) no trimestre ou 10,7% total (de 15 a 360 dias), o que representa um valor de R$ 2.1 bilhões não pagos.
Por fim, o lucro líquido da companhia foi negativo (prejuízo, no caso) em -R$135 milhões. O motivo desse prejuízo é claro: aumento violento com gastos de despesas financeiras, aumento da inadimplência da sua própria linha de crédito do Luizacred e uma retração do operacional no período.
E a maior estrela do mercado financeiro passa por problemas. Não em vão, tem se tornado tão odiada nos últimos trimestres: 97% dos investidores começaram a investir na companhia em 2019, sendo que seu preço de tela hoje está mais de 50% abaixo do patamar da época.
A Magazine Luiza ficou famosíssima por conseguir realizar um turnaround espetacular em seu negócio: a varejista saiu de um cenário duro entre 2015-2016 e cresceu violentamente até 2021... eis que a SELIC passou a subir, a inflação explodiu e a tempestade perfeita para impactar negativamente a companhia se desenhou. Em mais um trimestre a Magalu não sai do lugar e batalha contra os desafios de sua própria alavancagem. Vamos aos números.
No 2T22 a Magalu entregou uma receita líquida de R$ 8.5 bilhões, o que significa uma queda de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Apesar dessa queda de receita, o volume de mercadoria vendida no período cresceu 1,3% graças ao marketplace. Destrinchando a linha de receita, fica evidente como foi justamente a operação de marketplace que evitou que um resultado pior fosse entregue – com a própria revenda de suas mercadorias, a Magalu teve uma retração de 6% (de R$ 8.4 bilhões de receita para R$ 7.9 bilhões) mas na linha de prestação de serviços (que agrega o marketplace e o Magalu Pagamentos) cresceu 26,5%, de R$ 498 milhões para R$ 630 milhões de receita. Ou seja, em virtude da linha de receita secundária da companhia que a receita consolidada teve menor impacto negativo.
Indo um pouco além, sob a ótica de crescimento das vendas totais, com exceção do marketplace, praticamente todas as linhas demonstraram retração ou estabilidade, com destaque para o crescimento de venda das mesmas lojas físicas (crescimento orgânico sem aberturas) que caiu 8,2% e do e-commerce da própria companhia que caiu 6,8%. O destaque positivo vai para o marketplace, como mencionado, que cresceu 22%. Um fator que conversa com esses números e a evolução de número de lojas da companhia: a abertura líquida de lojas nos últimos 12 meses foi de 90 (de 1.339 no 2T21 para 1.429 no 2T22), mas no comparativo com o 1T22 houve fechamento de 48 lojas (de 1.477 para 1.429 no 2T22).
Na linha de despesas operacionais, houve crescimento ligeiro, quase que estabilidade (apenas 3,7% de aumento comparado ao mesmo trimestre do ano passado), mas face a uma receita líquida menor, o impacto nas margens foi maior. Enquanto no 2T21 essas despesas representavam 20,9% da receita líquida, no 2T22 elas representaram 22,8% da receita líquida.
A linha de resultado financeiro é um dos principais pontos de análise da companhia, o que mais tem machucado o seu resultado e levado a empresa ao prejuízo no trimestre. No 2T22 a companhia teve uma despesa financeira de R$ 583 milhões, contra uma despesa financeira de R$ 221 milhões no 2T21, representando uma alta de 163%. A despesa foi impulsionada por pagamento de juros tanto com seus próprios empréstimos quanto com linhas relacionadas a Luizacred, seu segmento de crédito próprio. Enquanto no 2T21 o resultado financeiro impactava apenas 2,5% da receita líquida da companhia, no 2T22 representou 5,8%. A sua linha de crédito próprio também foi problemática e houve crescimento forte de inadimplência no período, atingindo 7,7% (acima de 90 dias) no trimestre ou 10,7% total (de 15 a 360 dias), o que representa um valor de R$ 2.1 bilhões não pagos.
Por fim, o lucro líquido da companhia foi negativo (prejuízo, no caso) em -R$135 milhões. O motivo desse prejuízo é claro: aumento violento com gastos de despesas financeiras, aumento da inadimplência da sua própria linha de crédito do Luizacred e uma retração do operacional no período.
A companhia sem dúvidas está passando por um período extremamente desafiador. No cenário macroeconômico ela lida com o fato de que a inflação pressionou o orçamento de boa parte da população e reduziu a demanda pelo seus produtos (em especial os de linha branca, que possuem maiores margens) e uma alta violenta da taxa de juros que também força a redução de consumo com maiores incentivos para a poupança (afinal, quando você vê seu dinheiro rendendo 1% ao mês sem risco, você passa a pesar melhor suas decisões de gasto), no cenário micro ela tem que pagar por toda a alavancagem realizada com uma despesa financeira gigante e custosa por conta da SELIC mais alta e um aumento de inadimplência no seus cartões.
Empresas de varejo são completamente dependentes de ciclos econômicos. Não há vendas gordas se não estivermos em tempos de bonança, assim como a alavancagem custa caríssimo em tempos de juros mais alto.
Alguns fatores no segundo semestre desse ano podem impulsionar os resultados da companhia (vide Copa do Mundo, Black Friday, natal e ano novo), mas não esperamos resultados fantásticos como os que ocorriam em 2020 enquanto não houver estabilização do cenário econômico do país e o início do ciclo de queda da SELIC.
Finalizando: se você estiver se perguntando a razão da disparada das varejistas, o melhor que podemos recomendar é que você esqueça esses movimentos de curto prazo. Simplesmente esqueça. Nós poderíamos muito bem fazer como boa parte dos analistas do mercado gostam de fazer, de tentar achar explicação para absolutamente qualquer movimento possível de um ativo no curto prazo, mas a verdade é que não há explicação.
Pode ser algum gigante fazendo compra massiva de ativo movendo preço, pode ser algum bear trap somente para pegar emocionados que irão comprar o ativo agora só porque está subindo, pode ser o mercado apostando na melhora dos resultados por conta do pagamento de auxílios junto a todos esses fatores do segundo semestre que aumenta o consumo dos produtos que essas varejistas vendem, pode ser o mercado mirando menor pressão inflacionária e maior poder de compra para a população gastar dando maior respiro para varejistas, pode ser o mercado mirando uma redução da SELIC pelo BCB em um horizonte mais próximo... enfim, poderíamos passar horas dando motivos aqui, mas um bom investidor se atenta aos fundamentos, não aos movimentos inexplicáveis de curto prazo como alguns tentam explicar a todo custo para ter aquele sentimento de controle sobre o que não conseguem. Esqueça esses movimentos cavalares de curto prazo e foco nos fundamentos. Algumas coisas servem somente para massagear o ego.
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Empresas de varejo são completamente dependentes de ciclos econômicos. Não há vendas gordas se não estivermos em tempos de bonança, assim como a alavancagem custa caríssimo em tempos de juros mais alto.
Alguns fatores no segundo semestre desse ano podem impulsionar os resultados da companhia (vide Copa do Mundo, Black Friday, natal e ano novo), mas não esperamos resultados fantásticos como os que ocorriam em 2020 enquanto não houver estabilização do cenário econômico do país e o início do ciclo de queda da SELIC.
Finalizando: se você estiver se perguntando a razão da disparada das varejistas, o melhor que podemos recomendar é que você esqueça esses movimentos de curto prazo. Simplesmente esqueça. Nós poderíamos muito bem fazer como boa parte dos analistas do mercado gostam de fazer, de tentar achar explicação para absolutamente qualquer movimento possível de um ativo no curto prazo, mas a verdade é que não há explicação.
Pode ser algum gigante fazendo compra massiva de ativo movendo preço, pode ser algum bear trap somente para pegar emocionados que irão comprar o ativo agora só porque está subindo, pode ser o mercado apostando na melhora dos resultados por conta do pagamento de auxílios junto a todos esses fatores do segundo semestre que aumenta o consumo dos produtos que essas varejistas vendem, pode ser o mercado mirando menor pressão inflacionária e maior poder de compra para a população gastar dando maior respiro para varejistas, pode ser o mercado mirando uma redução da SELIC pelo BCB em um horizonte mais próximo... enfim, poderíamos passar horas dando motivos aqui, mas um bom investidor se atenta aos fundamentos, não aos movimentos inexplicáveis de curto prazo como alguns tentam explicar a todo custo para ter aquele sentimento de controle sobre o que não conseguem. Esqueça esses movimentos cavalares de curto prazo e foco nos fundamentos. Algumas coisas servem somente para massagear o ego.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 2T/2022
Um respiro nos custos da companhia e sucesso em repasse de preço. Num trimestre forte, a M. Dias Branco conseguiu atingir uma receita líquida recorde e suas margens cresceram de forma expressiva, mostrando como sua estratégia operacional tem dado certo.
Como sempre falamos: o repasse da inflação pode demorar, mas sempre ocorre. Sempre. Não é tão rápido quanto se tivesse investindo em algum título indexado, mas uma hora ou outra, se a companhia quiser seguir sobrevivendo, ela passará a inflação para os seus produtos. E é isso que a M. Dias Branco tem feito. Vamos aos números.
No 2T22 a companhia entregou uma receita líquida de R$ 2.5 bilhões – um recorde histórico, superando com folga os R$ 2.1 bilhões alcançados no 3T21 e representando uma alta de 26% em relação ao 2T21. Pela ótica do volume de vendas (isso é, toneladas de cada produto vendido) houve uma queda de 7% comparando o 2T22 com o 2T21 (de 450 toneladas para 419 toneladas), mas um crescimento de 12% comparando o 1T22 com o 2T22, o que indica recuperação. A princípio preocupante, essa queda de volume é normal e explicada por 2 fatores: (I) a base de comparação é levemente anormal por conta do período de isolamento e pandemia que ocorreu no ano passado, não em totalidade, mas de forma parcial, o que muda os hábitos de consumo das pessoas nessa área e (II) o repasse de preço que a companhia fez aos seus produtos. Lógica simples: se ela eleva o preço do produto, no curto prazo vende-se menos. A questão é que inevitavelmente todas as companhias terão de aumentar seus preços para fazer a manutenção de suas margens, ou seja, é uma queda momentânea, considerando que a M. Dias Branco consegue passar os melhores preços do mercado.
Sob a ótica do preço médio de seus produtos em relação ao R$/Kg, a demonstração da força da marca da companhia: do 2T21 para o 2T22 ela elevou esse preço médio de R$4,4 para R$6,0 o Kg. Indo um pouco além, em 2020, ano que iniciou a pandemia, esse valor era de R$3,4 o Kg. Aqui temos uma ilustração do poder de repasse inflacionário que a companhia possui aos seus produtos, já elevando em 77% o preço médio do kg do início da pandemia até então.
Na linha de market share, apenas um ponto de atenção, mas que pode ser facilmente explicado, também. O segmento de massas atingiu os 31% de market share e vem subindo trimestralmente desde o 3T21, o segmento de farinha atingiu os 9,2% de market share e vem subindo trimestralmente desde o 2T21 (merece o destaque, visto que saiu de 5,5% para os 9,2% atualmente, um ganho expressivo) e o segmento de biscoitos é o ponto de atenção. Houve queda de 31,9% no 2T21 para os 29,9% atualmente, sendo que caiu de 33,5% no 1T22. Essa queda é explicada por um fator simples: o aumento de preço dos seus produtos. Realizando a manutenção de suas margens, a M. Dias Branco reajustou o preço de seus produtos e perdeu mercado com isso. Aqui vale pontuar algo importante: o market share é um indicador extremamente volátil em períodos mais curtos, ainda mais em tempos de inflação alta, onde algumas companhias esperam para repassar seus preços, enquanto outras repassam com maior velocidade. Ou seja: tanto ganho quanto perda de participação mais forte no curto prazo é algo que deve ser relevado, visto que o dado pode ser distorcido por esses reajustes.
Entre outros dados interessantes que valem ser mencionados: a verticalização da companhia, uma de suas principais vantagens, atingiu entre 99,5% e 100% tanto em farinha de trigo quanto em gordura, isso reduz expressivamente seus custos. A companhia adquiriu uma marca forte no mercado mais fit, a Jasmine, a Piraquê tem mostrado forte crescimento, crescendo quase 50% no trimestre e afirmado o sucesso de sua estratégia de expansão, e a companhia e segue realizando a alteração de seu mix de seu portfólio de produtos pra marcas mais premium, isso é, produtos de maior margem agregada.
Um respiro nos custos da companhia e sucesso em repasse de preço. Num trimestre forte, a M. Dias Branco conseguiu atingir uma receita líquida recorde e suas margens cresceram de forma expressiva, mostrando como sua estratégia operacional tem dado certo.
Como sempre falamos: o repasse da inflação pode demorar, mas sempre ocorre. Sempre. Não é tão rápido quanto se tivesse investindo em algum título indexado, mas uma hora ou outra, se a companhia quiser seguir sobrevivendo, ela passará a inflação para os seus produtos. E é isso que a M. Dias Branco tem feito. Vamos aos números.
No 2T22 a companhia entregou uma receita líquida de R$ 2.5 bilhões – um recorde histórico, superando com folga os R$ 2.1 bilhões alcançados no 3T21 e representando uma alta de 26% em relação ao 2T21. Pela ótica do volume de vendas (isso é, toneladas de cada produto vendido) houve uma queda de 7% comparando o 2T22 com o 2T21 (de 450 toneladas para 419 toneladas), mas um crescimento de 12% comparando o 1T22 com o 2T22, o que indica recuperação. A princípio preocupante, essa queda de volume é normal e explicada por 2 fatores: (I) a base de comparação é levemente anormal por conta do período de isolamento e pandemia que ocorreu no ano passado, não em totalidade, mas de forma parcial, o que muda os hábitos de consumo das pessoas nessa área e (II) o repasse de preço que a companhia fez aos seus produtos. Lógica simples: se ela eleva o preço do produto, no curto prazo vende-se menos. A questão é que inevitavelmente todas as companhias terão de aumentar seus preços para fazer a manutenção de suas margens, ou seja, é uma queda momentânea, considerando que a M. Dias Branco consegue passar os melhores preços do mercado.
Sob a ótica do preço médio de seus produtos em relação ao R$/Kg, a demonstração da força da marca da companhia: do 2T21 para o 2T22 ela elevou esse preço médio de R$4,4 para R$6,0 o Kg. Indo um pouco além, em 2020, ano que iniciou a pandemia, esse valor era de R$3,4 o Kg. Aqui temos uma ilustração do poder de repasse inflacionário que a companhia possui aos seus produtos, já elevando em 77% o preço médio do kg do início da pandemia até então.
Na linha de market share, apenas um ponto de atenção, mas que pode ser facilmente explicado, também. O segmento de massas atingiu os 31% de market share e vem subindo trimestralmente desde o 3T21, o segmento de farinha atingiu os 9,2% de market share e vem subindo trimestralmente desde o 2T21 (merece o destaque, visto que saiu de 5,5% para os 9,2% atualmente, um ganho expressivo) e o segmento de biscoitos é o ponto de atenção. Houve queda de 31,9% no 2T21 para os 29,9% atualmente, sendo que caiu de 33,5% no 1T22. Essa queda é explicada por um fator simples: o aumento de preço dos seus produtos. Realizando a manutenção de suas margens, a M. Dias Branco reajustou o preço de seus produtos e perdeu mercado com isso. Aqui vale pontuar algo importante: o market share é um indicador extremamente volátil em períodos mais curtos, ainda mais em tempos de inflação alta, onde algumas companhias esperam para repassar seus preços, enquanto outras repassam com maior velocidade. Ou seja: tanto ganho quanto perda de participação mais forte no curto prazo é algo que deve ser relevado, visto que o dado pode ser distorcido por esses reajustes.
Entre outros dados interessantes que valem ser mencionados: a verticalização da companhia, uma de suas principais vantagens, atingiu entre 99,5% e 100% tanto em farinha de trigo quanto em gordura, isso reduz expressivamente seus custos. A companhia adquiriu uma marca forte no mercado mais fit, a Jasmine, a Piraquê tem mostrado forte crescimento, crescendo quase 50% no trimestre e afirmado o sucesso de sua estratégia de expansão, e a companhia e segue realizando a alteração de seu mix de seu portfólio de produtos pra marcas mais premium, isso é, produtos de maior margem agregada.
Ainda falando sobre a receita líquida, dissecando o aumento de preço médio de seus produtos, fica ainda mais claro o sucesso da companhia em repassar inflação ao preço. Os biscoitos tiveram aumento de preço médio de 35%, as massas de 34%, a farinha e farelo de 30% e as margarinas e gorduras de 44% - tudo isso em apenas 1 ano.
Na parte de custos, a grande estrela do relatório, responsável pelo respiro que a companhia teve no período. O CPV (custo dos produtos vendidos) da companhia atingiu 78% da receita líquida no 2T21, enquanto agora no 2T22, esse percentual caiu para 71%. Comparando com o 1T22 o cenário fica ainda melhor: estava em 80%. Ou seja, de um trimestre pra outro, a companhia teve uma redução de 9,0pp, um belíssimo respiro de margem. Esse fator é explicado por dois motivos: (I) repasse obvio de custo da M. Dias Brancos sobre o preço de seus produtos e (II) preço médio de aquisição de trigo da M. Dias Branco ser expressivamente mais baixo que do mercado. Para se ter ideia, o preço de mercado da tonelada do trigo é de US$ 450, enquanto a M. Dias Branco pagou em média US$ 353. É válido também dizer que o trigo vem desabando de preço, com mais de 30% de queda acumulada nos últimos meses, mas essa queda foi acentuada principalmente em junho, ou seja, é um efeito que não pegou o trimestre inteiro, sendo que se tivesse ocorrido, a M. Dias Branco se beneficiaria ainda mais. Se o preço do trigo se mantiver no atual patamar, o 3T22 também promete ser ótimo para a companhia.
Finalizando, com todo esse cenário de repasse de preço e queda de custos, a M. Dias Branco entregou um lucro líquido de R$ 234 milhões, representando uma alta de 64% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e uma margem de lucro líquido de 9,4%, uma melhora de 2,2pp em comparação ao mesmo trimestre do ano passado e 7,4pp comparado ao 1T22. A margem EBITDA também merece menção, retornando ao patamar próximo do pré pandemia, em 14,3%.
Ou seja, o resultado da M. Dias Branco realmente foi surpreendente. Foi uma porrada nas margens que absolutamente ninguém esperava, com uma retomada forte do operacional. O 1T22 foi catastrófico devido a pressão nas margens que a companhia já sofria com a inflação, veio a guerra entre a Rússia e a Ucrânia causando uma disparada no preço do trigo e isso piorou. A análise da companhia deve ser realizada principalmente com o 1T22, não somente com o 2T21, pois sinaliza como ela está conseguindo atravessar toda a turbulência e repassar seus preços num cenário adverso. Pro 3T22, é bem provável mais um trimestre forte caso o preço das commodities não dispare novamente, ainda mais agora que os preços já foram elevados e há chances de a ponta de custos aliviar bem.
Enfim, como sempre falamos: empresas boas sempre repassam a inflação. Nunca ocorre de imediato, mas sempre ocorre. O mercado prega peças e arma armadilhas esmagando o preço da ação fazendo com que o investidor mais novato tema pelo futuro da companhia, mas no final do dia, o que importa são os fundamentos. Apenas os fundamentos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Na parte de custos, a grande estrela do relatório, responsável pelo respiro que a companhia teve no período. O CPV (custo dos produtos vendidos) da companhia atingiu 78% da receita líquida no 2T21, enquanto agora no 2T22, esse percentual caiu para 71%. Comparando com o 1T22 o cenário fica ainda melhor: estava em 80%. Ou seja, de um trimestre pra outro, a companhia teve uma redução de 9,0pp, um belíssimo respiro de margem. Esse fator é explicado por dois motivos: (I) repasse obvio de custo da M. Dias Brancos sobre o preço de seus produtos e (II) preço médio de aquisição de trigo da M. Dias Branco ser expressivamente mais baixo que do mercado. Para se ter ideia, o preço de mercado da tonelada do trigo é de US$ 450, enquanto a M. Dias Branco pagou em média US$ 353. É válido também dizer que o trigo vem desabando de preço, com mais de 30% de queda acumulada nos últimos meses, mas essa queda foi acentuada principalmente em junho, ou seja, é um efeito que não pegou o trimestre inteiro, sendo que se tivesse ocorrido, a M. Dias Branco se beneficiaria ainda mais. Se o preço do trigo se mantiver no atual patamar, o 3T22 também promete ser ótimo para a companhia.
Finalizando, com todo esse cenário de repasse de preço e queda de custos, a M. Dias Branco entregou um lucro líquido de R$ 234 milhões, representando uma alta de 64% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e uma margem de lucro líquido de 9,4%, uma melhora de 2,2pp em comparação ao mesmo trimestre do ano passado e 7,4pp comparado ao 1T22. A margem EBITDA também merece menção, retornando ao patamar próximo do pré pandemia, em 14,3%.
Ou seja, o resultado da M. Dias Branco realmente foi surpreendente. Foi uma porrada nas margens que absolutamente ninguém esperava, com uma retomada forte do operacional. O 1T22 foi catastrófico devido a pressão nas margens que a companhia já sofria com a inflação, veio a guerra entre a Rússia e a Ucrânia causando uma disparada no preço do trigo e isso piorou. A análise da companhia deve ser realizada principalmente com o 1T22, não somente com o 2T21, pois sinaliza como ela está conseguindo atravessar toda a turbulência e repassar seus preços num cenário adverso. Pro 3T22, é bem provável mais um trimestre forte caso o preço das commodities não dispare novamente, ainda mais agora que os preços já foram elevados e há chances de a ponta de custos aliviar bem.
Enfim, como sempre falamos: empresas boas sempre repassam a inflação. Nunca ocorre de imediato, mas sempre ocorre. O mercado prega peças e arma armadilhas esmagando o preço da ação fazendo com que o investidor mais novato tema pelo futuro da companhia, mas no final do dia, o que importa são os fundamentos. Apenas os fundamentos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Grupo Mateus ($GMAT3) – 2T/2022
Como já dissemos algumas vezes, a última safra de IPOs da bolsa brasileira foi dura. Dura por um simples motivo: quase 50 companhias abriram capital entre 2020 e 2021, mas da para contar nos dedos as que realmente fizeram por preços condizentes a realidade do negócio, além de que muitas passam longe de ter fundamentos mais sólidos.
Em meio a esse mar de IPOs do período, um ou outro bom ativo em formação pode ser encontrado. Em formação porque faltam dados para realizar análises mais aprofundadas, mas os que estão disponíveis para a leitura, mostram solidez e números interessantes. Esse é o caso do Grupo Mateus.
A companhia está num segmento conturbado – o de varejo, supermercados. Com todas as suas lojas presentes na região Norte e Nordeste do país, seus números tem surpreendido positivamente, mostrando ótima gestão e conservação das margens, algo raro de se ver num segmento como esse. No 2T22, os números continuaram bons. Vamos lá.
No 2T22 o Grupo Mateus entregou uma receita líquida de R$ 5.2 bilhões – número 40% maior do que o atingindo no 2T21, um crescimento expressivo. Esse crescimento de receita foi impulsionado pela abertura de lojas ocorridas nos últimos 12 meses (40 aberturas no total, sendo 13 no varejo, 12 no atacarejo, 15 no eletro e 10 no B2B) e não só por isso. O SSS (same store sales, isso é, crescimento de vendas de forma orgânica no período desconsiderando a abertura de lojas novas) cresceu 15% no período – um crescimento também forte.
Indo um pouco além e dissecando os números por segmento, o crescimento fica mais claro. O varejo teve um crescimento de receita de 33,4%, o atacarejo um crescimento de receita de receita de 47,5% (e aqui vale mencionar que é o segmento mais importante para a companhia, representando 50% do faturamento total do Grupo Mateus), o Eletro cresceu 16% e o B2B 34,6%. Ou seja, houve crescimento de todos os seus segmentos, sendo que o atacarejo foi o de maior e segue sendo o mais importante.
Na linha de lucro bruto, um dos destaques da companhia. O lucro bruto cresceu 36%, enquanto a margem foi de 22,6%. Houve queda de margem de apenas 0,6pp, e apesar de parecer algo negativo, foi um número excelente.
Em períodos de alta inflação, segmentos de varejo de supermercados tendem a perder muito espaço por falta de capacidade de repasse de preço para seus consumidores no curto prazo. Como a gestão destacou, essa perda de margem ocorreu por 3 principais fatores: (I) inflação, que como obvio ataca a margem no curto prazo, (II) o aumento de participação do atacarejo, que estruturalmente possui menores margens e (III) o período de maturação das novas lojas, isso é, toda loja quando inaugurada, leva alguns anos para atingir seu total potencial de retorno. No caso do Grupo Mateus, que abriu 40 lojas no período, há um delay para que elas atinjam seu total potencial, e nesse meio tempo é natural que as margens sofram um pouco. Faz parte do plano de expansão. Mesmo com todos esses fatores, a margem foi praticamente mantida, com uma alteração mínima de 0,6pp.
Na linha de despesas, mais números positivos. A companhia prestou um serviço excelente no controle de gastos no 2T22. Apesar das despesas cresceram 36% no período em comparação ao 2T21, elas representaram apenas 15,1% da receita líquida, uma melhora de 0,4pp comparado ao 2T21. Os destaques de crescimento foram a linha de pessoal e fretes e combustíveis, resultante da expansão da companhia pela contratação de mais funcionários e da expansão logística com centros de distribuições aumentando o tráfego de frota própria.
Como já dissemos algumas vezes, a última safra de IPOs da bolsa brasileira foi dura. Dura por um simples motivo: quase 50 companhias abriram capital entre 2020 e 2021, mas da para contar nos dedos as que realmente fizeram por preços condizentes a realidade do negócio, além de que muitas passam longe de ter fundamentos mais sólidos.
Em meio a esse mar de IPOs do período, um ou outro bom ativo em formação pode ser encontrado. Em formação porque faltam dados para realizar análises mais aprofundadas, mas os que estão disponíveis para a leitura, mostram solidez e números interessantes. Esse é o caso do Grupo Mateus.
A companhia está num segmento conturbado – o de varejo, supermercados. Com todas as suas lojas presentes na região Norte e Nordeste do país, seus números tem surpreendido positivamente, mostrando ótima gestão e conservação das margens, algo raro de se ver num segmento como esse. No 2T22, os números continuaram bons. Vamos lá.
No 2T22 o Grupo Mateus entregou uma receita líquida de R$ 5.2 bilhões – número 40% maior do que o atingindo no 2T21, um crescimento expressivo. Esse crescimento de receita foi impulsionado pela abertura de lojas ocorridas nos últimos 12 meses (40 aberturas no total, sendo 13 no varejo, 12 no atacarejo, 15 no eletro e 10 no B2B) e não só por isso. O SSS (same store sales, isso é, crescimento de vendas de forma orgânica no período desconsiderando a abertura de lojas novas) cresceu 15% no período – um crescimento também forte.
Indo um pouco além e dissecando os números por segmento, o crescimento fica mais claro. O varejo teve um crescimento de receita de 33,4%, o atacarejo um crescimento de receita de receita de 47,5% (e aqui vale mencionar que é o segmento mais importante para a companhia, representando 50% do faturamento total do Grupo Mateus), o Eletro cresceu 16% e o B2B 34,6%. Ou seja, houve crescimento de todos os seus segmentos, sendo que o atacarejo foi o de maior e segue sendo o mais importante.
Na linha de lucro bruto, um dos destaques da companhia. O lucro bruto cresceu 36%, enquanto a margem foi de 22,6%. Houve queda de margem de apenas 0,6pp, e apesar de parecer algo negativo, foi um número excelente.
Em períodos de alta inflação, segmentos de varejo de supermercados tendem a perder muito espaço por falta de capacidade de repasse de preço para seus consumidores no curto prazo. Como a gestão destacou, essa perda de margem ocorreu por 3 principais fatores: (I) inflação, que como obvio ataca a margem no curto prazo, (II) o aumento de participação do atacarejo, que estruturalmente possui menores margens e (III) o período de maturação das novas lojas, isso é, toda loja quando inaugurada, leva alguns anos para atingir seu total potencial de retorno. No caso do Grupo Mateus, que abriu 40 lojas no período, há um delay para que elas atinjam seu total potencial, e nesse meio tempo é natural que as margens sofram um pouco. Faz parte do plano de expansão. Mesmo com todos esses fatores, a margem foi praticamente mantida, com uma alteração mínima de 0,6pp.
Na linha de despesas, mais números positivos. A companhia prestou um serviço excelente no controle de gastos no 2T22. Apesar das despesas cresceram 36% no período em comparação ao 2T21, elas representaram apenas 15,1% da receita líquida, uma melhora de 0,4pp comparado ao 2T21. Os destaques de crescimento foram a linha de pessoal e fretes e combustíveis, resultante da expansão da companhia pela contratação de mais funcionários e da expansão logística com centros de distribuições aumentando o tráfego de frota própria.
Na parte de resultado financeiro e endividamento, sem muito o que falar. A companhia teve um aumento de 144% de gasto com dívida (de R$13.3 milhões para R$ 32 milhões), mas um número bem baixo. O crescimento é o motivo de sempre, alta do CDI e IPCA do período. O endividamento também segue completamente controlado com uma alavancagem baixíssima de 1,1 de dívida líquida sobre EBITDA, com R$1.4 bilhão de dívida líquida sendo que apenas 10% disso é de curto prazo e há caixa de sobra para pagar.
Enfim, com todos esses fatores, a companhia entregou um lucro líqudo de R$ 264 milhões no trimestre, representando um crescimento de 39% comparado ao mesmo período do ano passado. A margem líquida continuar no mesmo patamar, de 5,1%, e isso é ótimo, como mencionamos, mesmo com todos os desafios num segmento difícil a margem está sendo conservada com sucesso.
Na nossa leitura, o Grupo Mateus faz parte da safra boa de IPOs dos últimos 2 anos. IPOs sempre carregando consigo riscos gigantes, principalmente pela falta de histórico e afins, mas tanto por fator qualitativo quanto quantitativo a gestão tem impressionado em tempos tão problemáticos quanto o que estamos vivendo agora. Não se empolgue na leitura dos resultados, mas vale dar uma conferida com maior aprofundamento nesse case que tem mostrado sucesso em seu plano de expansão.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Enfim, com todos esses fatores, a companhia entregou um lucro líqudo de R$ 264 milhões no trimestre, representando um crescimento de 39% comparado ao mesmo período do ano passado. A margem líquida continuar no mesmo patamar, de 5,1%, e isso é ótimo, como mencionamos, mesmo com todos os desafios num segmento difícil a margem está sendo conservada com sucesso.
Na nossa leitura, o Grupo Mateus faz parte da safra boa de IPOs dos últimos 2 anos. IPOs sempre carregando consigo riscos gigantes, principalmente pela falta de histórico e afins, mas tanto por fator qualitativo quanto quantitativo a gestão tem impressionado em tempos tão problemáticos quanto o que estamos vivendo agora. Não se empolgue na leitura dos resultados, mas vale dar uma conferida com maior aprofundamento nesse case que tem mostrado sucesso em seu plano de expansão.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Cielo ($CIEL3) – 2T/2022
A Cielo é uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira. Mesmo sendo um case de investimento extremamente antigo e que sofreu o seu primeiro golpe em 2010, foi apenas anos depois, em 2017 que a companhia começou a sofrer de fato.
Dando contexto: a Cielo é uma empresa de adquirência, em termos mais simples, de maquininhas. Até 2009 a empresa gozou do benefício da reserva de mercado com uma margem de lucro astronômica. Para se ter melhor ideia, na época a Cielo e a Rede (Cielo sendo do Bradesco e Banco do Brasil, enquanto a rede é do Itaú) representavam quase 93% das transações realizadas no mercado. Foi então que o Banco Central Brasileiro começou a tomar medidas para desconcentrar o mercado.
Não era mais necessário que cada estabelecimento tivesse uma maquininha para cada cartão: com o tempo, toda maquininha aceitava todo tipo de cartão (ao menos em termos de permissão), as bandeiras passaram a disputar entre si e o mercado de adquirência perdeu todas as suas barreiras de entrada, isso é, a Cielo perdeu sua reserva de mercado que era garantida por lei.
Desde 2017 a companhia vem diminuindo, perdendo cada vez mais mercado, e, apesar de ter uma volume transacionado ainda alto, a base de clientes tem diminuído todo trimestre, sem exceção. Nesse trimestre, não foi diferente. Vamos aos números.
No 2T22 a Cielo entregou uma receita líquida de R$ 2.5 bilhões, representando um crescimento de 34% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento pode ser explicado principalmente por dois fatores: (I) a retomada da atividade econômica brasileira em maior intensidade, que vem surpreendendo, vide crescimento de PIB e vendas no varejo, e (II) uma base de comparação mais fraca, sendo que no 2T21 uma série de lojas ficaram com restrições de horário para abrir por conta de medidas de isolamento da época. Esse número pode ser bem visto pelo volume financeiro: no 2T21 o volume negociado foi de R$ 165.2 bilhões, enquanto no 2T22 foi de R$ 221.0 bilhões. O valor do 2T21 foi atipicamente mais baixo, demonstrando bem o segundo ponto citado sobre a base comparativa mais fraca.
A linha de base ativa de clientes é a mais preocupante. No 2T21 a base era de 1.3 milhão de clientes, enquanto no 2T22 foi de 1.1 milhão, uma redução de 15%. Quando analisamos sob a ótica histórica, esse problema de contração da base fica ainda mais evidente: em 2016 a base de clientes ativos era de 1.9 milhão – isso é, houve queda de 42% entre 2016 e 2022 e o número não parece ter se acomodado, caindo todo trimestre sem parar. De fato, o crescimento de receita e volume transacionado são bons indicadores, mas não são suficientes se a companhia perde cada vez mercado.
Finalizando, a Cielo entregou um lucro líquido de R$ 635 milhões e em seu release anuncia ser o maior lucro desde o 4T18 – de certa forma, uma meia verdade. De fato, a Cielo atingiu esse lucro líquido, mas foi resultado de um não recorrente: a venda da MerchantE, que agregou ao trimestre um lucro de R$ 282 milhões. Sem esse desinvestimento, o resultado seria de um lucro de R$ 383 milhões, também forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado, que foi de R$ 180 milhões. A questão aqui é: não é correto considerar a venda de um ativo no lucro líquido por ser um fator que ocorre apenas uma vez, afinal, se você contar sempre com isso, em pouco tempo a companhia deixará de existir.
A Cielo é uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira. Mesmo sendo um case de investimento extremamente antigo e que sofreu o seu primeiro golpe em 2010, foi apenas anos depois, em 2017 que a companhia começou a sofrer de fato.
Dando contexto: a Cielo é uma empresa de adquirência, em termos mais simples, de maquininhas. Até 2009 a empresa gozou do benefício da reserva de mercado com uma margem de lucro astronômica. Para se ter melhor ideia, na época a Cielo e a Rede (Cielo sendo do Bradesco e Banco do Brasil, enquanto a rede é do Itaú) representavam quase 93% das transações realizadas no mercado. Foi então que o Banco Central Brasileiro começou a tomar medidas para desconcentrar o mercado.
Não era mais necessário que cada estabelecimento tivesse uma maquininha para cada cartão: com o tempo, toda maquininha aceitava todo tipo de cartão (ao menos em termos de permissão), as bandeiras passaram a disputar entre si e o mercado de adquirência perdeu todas as suas barreiras de entrada, isso é, a Cielo perdeu sua reserva de mercado que era garantida por lei.
Desde 2017 a companhia vem diminuindo, perdendo cada vez mais mercado, e, apesar de ter uma volume transacionado ainda alto, a base de clientes tem diminuído todo trimestre, sem exceção. Nesse trimestre, não foi diferente. Vamos aos números.
No 2T22 a Cielo entregou uma receita líquida de R$ 2.5 bilhões, representando um crescimento de 34% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento pode ser explicado principalmente por dois fatores: (I) a retomada da atividade econômica brasileira em maior intensidade, que vem surpreendendo, vide crescimento de PIB e vendas no varejo, e (II) uma base de comparação mais fraca, sendo que no 2T21 uma série de lojas ficaram com restrições de horário para abrir por conta de medidas de isolamento da época. Esse número pode ser bem visto pelo volume financeiro: no 2T21 o volume negociado foi de R$ 165.2 bilhões, enquanto no 2T22 foi de R$ 221.0 bilhões. O valor do 2T21 foi atipicamente mais baixo, demonstrando bem o segundo ponto citado sobre a base comparativa mais fraca.
A linha de base ativa de clientes é a mais preocupante. No 2T21 a base era de 1.3 milhão de clientes, enquanto no 2T22 foi de 1.1 milhão, uma redução de 15%. Quando analisamos sob a ótica histórica, esse problema de contração da base fica ainda mais evidente: em 2016 a base de clientes ativos era de 1.9 milhão – isso é, houve queda de 42% entre 2016 e 2022 e o número não parece ter se acomodado, caindo todo trimestre sem parar. De fato, o crescimento de receita e volume transacionado são bons indicadores, mas não são suficientes se a companhia perde cada vez mercado.
Finalizando, a Cielo entregou um lucro líquido de R$ 635 milhões e em seu release anuncia ser o maior lucro desde o 4T18 – de certa forma, uma meia verdade. De fato, a Cielo atingiu esse lucro líquido, mas foi resultado de um não recorrente: a venda da MerchantE, que agregou ao trimestre um lucro de R$ 282 milhões. Sem esse desinvestimento, o resultado seria de um lucro de R$ 383 milhões, também forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado, que foi de R$ 180 milhões. A questão aqui é: não é correto considerar a venda de um ativo no lucro líquido por ser um fator que ocorre apenas uma vez, afinal, se você contar sempre com isso, em pouco tempo a companhia deixará de existir.
Enfim, a situação ainda não é boa. Apesar do quantitativo apontar recuperação em algumas linhas (vide receita e lucro), dissecando para compreender melhor, é fácil de identificar que a Cielo segue perdendo mercado e esse lucro recorde do trimestre foi fruto de desinvestimento, isso é, venda de ativos da companhia que significam menos resultado gerado nos próximos trimestres. A Cielo é um bom case para refletir sobre o fato de que independente de quão fenomenal seja um negócio, diversificar sempre é a chave. Sempre. Antes do BCB tomar uma medida que desmontasse a reserva de mercado da empresa, era praticamente o melhor negócio do mundo: margem de lucro de quase 60%, ROE de 40%, bilhões e bilhões de pagamento e bilhões de caixa gerados. Até que uma canetada destruiu toda sua estrutura de vantagem. O investidor sabia disso – na verdade, era obrigado a saber, mesmo que não soubesse. É por isso que é tão importante conhecer a companhia nos detalhes, e lembrar sempre: uma vantagem legislativa pode ser derrubada numa só canetada.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Itaúsa ($ITSA3) – 2T/2022
E o resultado da Itaúsa finalmente foi divulgado – sendo uma das empresas com a maior quantidade de investidores pessoas físicas da bolsa com pouco mais de 900 mil acionistas, a gestão tem tomado alguns movimentos interessantes nos últimos anos buscando deixar de depender do Banco Itaú para gerar seus resultados.
Para se ter ideia, em 2018 cerca de 97% do resultado da companhia era gerado por conta do Itaú, sendo que agora no último trimestre, refletindo o crescimento de algumas participações entre outras aquisições, essa participação já caiu para 81%. A intenção da gestão é justamente essa: se tornar uma holding de fato, com diversificação de participações, e não só depender de uma só companhia. Enfim, vamos aos números.
No 2T22 a Itaúsa atingiu um resultado de R$ 3.3 bilhões (lembrando que holdings utilizam o método de REP, isso é, resultado de equivalência patrimonial – se a companhia tem 10% de participação na empresa “x” que lucrou R$ 1 bilhão, significa que no resultado da holding aparecerá que a empresa “x” deu R$ 100 milhões de lucro), um crescimento de 12% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
No setor financeiro, que se resume a participação do Itaú e da XP, houve crescimento de 3%, sendo +0,5% do Itaú (representando R$ 2.7 bilhões) e crescimento de 138% da XP (representando R$ 121 milhões). Ou seja, como mencionamos anteriormente, o setor financeiro é predominante na holding ainda, sendo que 81% do resultado total é do Itaú.
No setor não financeiro, há a participação em 5 companhias: Alpagartas, Dexco, Aegea Saneamento, Copa Energia e NTS – juntas elas representaram R$ 486 milhões do resultado da holding. A Alpagartas, gigante do segmento de calçados que está listada em bolsa, representou apenas R$ 19 milhões, com uma queda de 46% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A Dexco, gigante do segmento de materiais para construção civil também listada em bolsa, representou um resultado de R$ 77 milhões, com uma queda de 18% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Ambos resultados foram ruins, mas explicados principalmente por conta de pressão inflacionária, como a gestão bem pontua. Para o investidor, considerando que as duas empresas estão listadas na bolsa, vale a analise dos dados das duas em específico para compreender melhor a queda de resultados, mas a inflação batendo nas margens explica bem.
Mais adiante, a Aegea Saneamento representou um prejuízo líquido de R$ 6 milhões para a holding. Apesar do prejuízo assustar, o resultado da companhia foi impactado por um não recorrente de antecipação de dívidas – houve crescimento de quase 30% da receita, EBITDA e a companhia segue investindo forte em expansão. Ou seja, na nossa leitura, nada preocupante, algo completamente normal pra um cenário de investimento e amortização da dívida, como bem é pontuado nas linhas do resultado.
Na Copa Energia, um crescimento forte de resultados, de 433% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os R$ 33 milhões. O aumento de resultado reflete crescimento de market share da companhia, aumento de preço médio dos serviços e revisão de tarifas, enquanto na NTS, também houve crescimento forte, de 281% no período, atingindo R$ 364 milhões. Esse crescimento é explicado por conta da distribuição de proventos pela companhia, a revisão de ativos ao valor justo e, não menos importante, a melhora de resultados com expansão dos negócios.
Ainda falando sobre participações, é válido mencionar que em julho a Itaúsa investiu R$ 2.9 bilhões na CCR, mostrando mais uma vez movimentos para desconcentrar sua base de resultados da mão do Itaú. Esse investimento corresponde a 10,3% do capital da CCR.
E o resultado da Itaúsa finalmente foi divulgado – sendo uma das empresas com a maior quantidade de investidores pessoas físicas da bolsa com pouco mais de 900 mil acionistas, a gestão tem tomado alguns movimentos interessantes nos últimos anos buscando deixar de depender do Banco Itaú para gerar seus resultados.
Para se ter ideia, em 2018 cerca de 97% do resultado da companhia era gerado por conta do Itaú, sendo que agora no último trimestre, refletindo o crescimento de algumas participações entre outras aquisições, essa participação já caiu para 81%. A intenção da gestão é justamente essa: se tornar uma holding de fato, com diversificação de participações, e não só depender de uma só companhia. Enfim, vamos aos números.
No 2T22 a Itaúsa atingiu um resultado de R$ 3.3 bilhões (lembrando que holdings utilizam o método de REP, isso é, resultado de equivalência patrimonial – se a companhia tem 10% de participação na empresa “x” que lucrou R$ 1 bilhão, significa que no resultado da holding aparecerá que a empresa “x” deu R$ 100 milhões de lucro), um crescimento de 12% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
No setor financeiro, que se resume a participação do Itaú e da XP, houve crescimento de 3%, sendo +0,5% do Itaú (representando R$ 2.7 bilhões) e crescimento de 138% da XP (representando R$ 121 milhões). Ou seja, como mencionamos anteriormente, o setor financeiro é predominante na holding ainda, sendo que 81% do resultado total é do Itaú.
No setor não financeiro, há a participação em 5 companhias: Alpagartas, Dexco, Aegea Saneamento, Copa Energia e NTS – juntas elas representaram R$ 486 milhões do resultado da holding. A Alpagartas, gigante do segmento de calçados que está listada em bolsa, representou apenas R$ 19 milhões, com uma queda de 46% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A Dexco, gigante do segmento de materiais para construção civil também listada em bolsa, representou um resultado de R$ 77 milhões, com uma queda de 18% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Ambos resultados foram ruins, mas explicados principalmente por conta de pressão inflacionária, como a gestão bem pontua. Para o investidor, considerando que as duas empresas estão listadas na bolsa, vale a analise dos dados das duas em específico para compreender melhor a queda de resultados, mas a inflação batendo nas margens explica bem.
Mais adiante, a Aegea Saneamento representou um prejuízo líquido de R$ 6 milhões para a holding. Apesar do prejuízo assustar, o resultado da companhia foi impactado por um não recorrente de antecipação de dívidas – houve crescimento de quase 30% da receita, EBITDA e a companhia segue investindo forte em expansão. Ou seja, na nossa leitura, nada preocupante, algo completamente normal pra um cenário de investimento e amortização da dívida, como bem é pontuado nas linhas do resultado.
Na Copa Energia, um crescimento forte de resultados, de 433% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo os R$ 33 milhões. O aumento de resultado reflete crescimento de market share da companhia, aumento de preço médio dos serviços e revisão de tarifas, enquanto na NTS, também houve crescimento forte, de 281% no período, atingindo R$ 364 milhões. Esse crescimento é explicado por conta da distribuição de proventos pela companhia, a revisão de ativos ao valor justo e, não menos importante, a melhora de resultados com expansão dos negócios.
Ainda falando sobre participações, é válido mencionar que em julho a Itaúsa investiu R$ 2.9 bilhões na CCR, mostrando mais uma vez movimentos para desconcentrar sua base de resultados da mão do Itaú. Esse investimento corresponde a 10,3% do capital da CCR.
No resultado financeiro, houve um prejuízo de R$ 138 milhões, contra R$ 19 milhões no 2T21, representando um crescimento de 626%. Esse aumento é explicado por dois fatores: (I) a 4ª emissão de debentures e seus respectivos gastos, utilizados para financiar a aquisição da Aegea Saneamento, e (II) como sempre, o aumento da SELIC batendo forte e causando maior gastos por conta da elevação da taxa em si. Apesar desse crescimento, não é algo preocupante, considerando que hoje a dívida da Itaúsa é baixa, sua posição em caixa é suficiente para honrar todas suas necessidades até 2025 e o custo médio da dívida é de CDI + 1,6%.
Finalizando, na linha de lucro líquido a companhia entregou um crescimento de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que mesmo com um crescimento mais forte dos resultados, a parte financeira deteriorou um pouco.
Enfim, a Itaúsa tem demonstrado movimentos interessantes buscando essa menor concentração do Banco Itaú em seus resultados. Como dissemos, há alguns anos o Itaú representava quase 100% do resultado da empresa, enquanto hoje está em algo próximo de 80%. É ótimo, afinal, na nossa leitura, é justamente para isso que serve a holding: expor o investidor a um leque de companhias num só investimento com a capacidade de gestão profissional. É por isso que não vemos muito racional ao comprar Itaúsa só para ter exposição ao Itaú – isso é tomada de risco desnecessária. De qualquer foram, um bom trimestre, marcado principalmente por conta desse investimento na CCR.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
Finalizando, na linha de lucro líquido a companhia entregou um crescimento de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que mesmo com um crescimento mais forte dos resultados, a parte financeira deteriorou um pouco.
Enfim, a Itaúsa tem demonstrado movimentos interessantes buscando essa menor concentração do Banco Itaú em seus resultados. Como dissemos, há alguns anos o Itaú representava quase 100% do resultado da empresa, enquanto hoje está em algo próximo de 80%. É ótimo, afinal, na nossa leitura, é justamente para isso que serve a holding: expor o investidor a um leque de companhias num só investimento com a capacidade de gestão profissional. É por isso que não vemos muito racional ao comprar Itaúsa só para ter exposição ao Itaú – isso é tomada de risco desnecessária. De qualquer foram, um bom trimestre, marcado principalmente por conta desse investimento na CCR.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Nu Holdings ($NUBR33) – 2T/2022
O Nubank roubou a cena do mercado brasileiro ao realizar seu IPO, no final do ano passado. Foi no começo de dezembro de 2021 que a companhia finalmente abriu seu capital e o mundo conheceu todos os seus dados financeiros com a real transparência necessária.
Inicialmente, foi uma febre: em apenas uma semana depois de ter surgido na bolsa, seu valor de mercado atingira quase US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões na época) e o banco se tornou uma das empresas mais valiosas não só do Brasil, mas da América Latina, com um valor de mercado ainda maior do que o do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e todos seus pares gigantes com décadas de mercado (lembrando que o Nubank surgiu em 2013).
Tempo vai e tempo vem, não tardou até que as ações começassem a derreter. Hoje a companhia negocia com uma desvalorização de aproximadamente 65% desde o seu IPO e o seu valor de mercado gira na casa dos US$ 23 bilhões, algo próximo de R$ 117 bilhões na cotação atual.
Essa queda é difícil de ser explicada. Pode ser uma queda de expectativa sobre o banco ou somente um estouro da bolha que foi criada no período de seu lançamento. O que podemos afirmar é: o Nubank segue crescendo forte. O seu problema não é sobre seu crescimento, a instituição realmente está crescendo a passos largos, inclusive no último trimestre ela se tornou maior que o Santander em quantidade de clientes. O seu problema é que talvez ela não esteja atendendo o crescimento esperado pelo mercado, assim como ainda não há de fato algum tipo de horizonte mais sólido sobre o “quando” eles de fato darão lucro e retorno para o acionista. Enfim, vamos aos números.
No 2T22 o Nubank atingiu uma receita de US$ 1.1 bilhão, seguindo em linha com seu forte viés de crescimento e estratégia de expansão da companhia, representando um crescimento de 230% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando a receita foi de US$ 351 milhões. Até mesmo comparando ao 1T22 o crescimento foi forte, de 30%.
No período, também houve forte crescimento da base de clientes, de 41 milhões no 2T21 para 65 milhões no 2T22 – uma adição de 23 milhões de novos clientes, o que torna o Nubank um banco ainda maior do que o Santander e consagrando-o como um dos 5 maiores bancos do país em quantidade de clientes. Dessa base, houve também melhora forte da taxa de atividade, que vem crescendo consistentemente trimestre a trimestre (isso é, clientes que utilizaram algum serviço do banco nos último 30 dias) saindo dos 72% no 2T21 para os 80% no 2T22 (e subindo dos 78% no 1T22). Isso expressa uma base de clientes ativos de 52 milhões. Vale pontuar outro fator interessante: a quantidade de clientes do Nubank no México atingiu 2.7 milhões, multiplicando por 6 nos últimos 12 meses.
A carteira de crédito da instituição não é aberta nos detalhes, mas também houve crescimento forte de 220% atingindo os US$ 3.2 bilhões – lembrando que o Nubank é um banco completamente focando nos cartões de crédito e suas linhas de crédito são mais segmentadas ao público mais jovem, diferente dos grandes bancos que possuem carteiras colossais que atacam toda a economia brasileira, do agro ao imobiliário. Essa carteira de crédito teve um crescimento forte de inadimplência no período, assim como todo o setor bancário passou dados os desafios do cenário macroeconômico do país e o aumento forte da taxa SELIC no período, com a inadimplência saindo dos 3,0% para os 4,1%, o que representa um crescimento de 1,1pp e uma taxa ligeiramente acima da média dos grandes bancos.
O Nubank roubou a cena do mercado brasileiro ao realizar seu IPO, no final do ano passado. Foi no começo de dezembro de 2021 que a companhia finalmente abriu seu capital e o mundo conheceu todos os seus dados financeiros com a real transparência necessária.
Inicialmente, foi uma febre: em apenas uma semana depois de ter surgido na bolsa, seu valor de mercado atingira quase US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões na época) e o banco se tornou uma das empresas mais valiosas não só do Brasil, mas da América Latina, com um valor de mercado ainda maior do que o do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e todos seus pares gigantes com décadas de mercado (lembrando que o Nubank surgiu em 2013).
Tempo vai e tempo vem, não tardou até que as ações começassem a derreter. Hoje a companhia negocia com uma desvalorização de aproximadamente 65% desde o seu IPO e o seu valor de mercado gira na casa dos US$ 23 bilhões, algo próximo de R$ 117 bilhões na cotação atual.
Essa queda é difícil de ser explicada. Pode ser uma queda de expectativa sobre o banco ou somente um estouro da bolha que foi criada no período de seu lançamento. O que podemos afirmar é: o Nubank segue crescendo forte. O seu problema não é sobre seu crescimento, a instituição realmente está crescendo a passos largos, inclusive no último trimestre ela se tornou maior que o Santander em quantidade de clientes. O seu problema é que talvez ela não esteja atendendo o crescimento esperado pelo mercado, assim como ainda não há de fato algum tipo de horizonte mais sólido sobre o “quando” eles de fato darão lucro e retorno para o acionista. Enfim, vamos aos números.
No 2T22 o Nubank atingiu uma receita de US$ 1.1 bilhão, seguindo em linha com seu forte viés de crescimento e estratégia de expansão da companhia, representando um crescimento de 230% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando a receita foi de US$ 351 milhões. Até mesmo comparando ao 1T22 o crescimento foi forte, de 30%.
No período, também houve forte crescimento da base de clientes, de 41 milhões no 2T21 para 65 milhões no 2T22 – uma adição de 23 milhões de novos clientes, o que torna o Nubank um banco ainda maior do que o Santander e consagrando-o como um dos 5 maiores bancos do país em quantidade de clientes. Dessa base, houve também melhora forte da taxa de atividade, que vem crescendo consistentemente trimestre a trimestre (isso é, clientes que utilizaram algum serviço do banco nos último 30 dias) saindo dos 72% no 2T21 para os 80% no 2T22 (e subindo dos 78% no 1T22). Isso expressa uma base de clientes ativos de 52 milhões. Vale pontuar outro fator interessante: a quantidade de clientes do Nubank no México atingiu 2.7 milhões, multiplicando por 6 nos últimos 12 meses.
A carteira de crédito da instituição não é aberta nos detalhes, mas também houve crescimento forte de 220% atingindo os US$ 3.2 bilhões – lembrando que o Nubank é um banco completamente focando nos cartões de crédito e suas linhas de crédito são mais segmentadas ao público mais jovem, diferente dos grandes bancos que possuem carteiras colossais que atacam toda a economia brasileira, do agro ao imobiliário. Essa carteira de crédito teve um crescimento forte de inadimplência no período, assim como todo o setor bancário passou dados os desafios do cenário macroeconômico do país e o aumento forte da taxa SELIC no período, com a inadimplência saindo dos 3,0% para os 4,1%, o que representa um crescimento de 1,1pp e uma taxa ligeiramente acima da média dos grandes bancos.