Opinião e análise breve – Engie ($EGIE3) – 2T/2022
Um trimestre sem surpresas. Como uma boa companhia do segmento de geração elétrico, o resultado da Engie veio em linha com o que era esperado, tendo melhora significativa por conta do fim da crise hídrica com um período de reservatórios mais cheios e dos seus investimentos em geração e transmissão que começam a dar as caras. Vamos aos números.
No 2T22 a Engie entregou uma receita 4,4% menor do que a do 2T21, de R$ 3.1 bilhões pra R$ 2.9 bilhões. A princípio o número parece negativo, afinal, queda de receita tende a ser mau sinal, mas há explicação. O número foi fortemente impactado por conta de dois fatores: (I) a alteração das parcelas da transmissão no que tange a RAP (receita anual permitida), e (II) o volume de trading de trading de energia realizado no mesmo período do ano passado, que foi altíssimo decorrente da estiagem que estávamos passando. Ou seja, não é fator negativo, pelo contrário, nas entrelinhas há melhora de cenário com o fim da estiagem.
Na parte da produção de energia, houve forte crescimento no período, refletindo a melhora do cenário dos reservatórios e o alinhamento da Engie em investimentos de novas fontes de geração de energia em termos complementares que contemplam sua estratégia de transição energética. A quantidade foi de 10.303 GWh gerados, 60% acima da quantidade gerada no mesmo trimestre do ano passado. Como mencionado, vale o destaque pro crescimento da quantidade gerada em suas fontes complementares (eólica e solar) e o fato de que no 2T22 já não houve funcionamento de nenhuma termelétrica, com a companhia atingindo resultados recordes sem que fossem utilizadas suas usinas “emergenciais”.
Sobre o preço da energia vendida, a cereja do bolo: houve crescimento de 6,9% comparado ao 2T21, de R$ 205,40 para R$ 219,5 por MWh. Esse crescimento ocorreu por dois fatores: a revisão dos contratos de concessão vigentes sendo atualizados de acordo com os seus respectivos índices, refletindo naquela mecânica simples de repasse inflacionário do segmento de energia que sempre tratamos, e por conta da melhora de performance da própria companhia com suas novas formas de geração de energia que exploram mais o segmento de renováveis (solar, principalmente). No semestral (comparando os primeiros seis meses de 2021 com os primeiros seis meses de 2022) a melhora é ainda maior, com um crescimento de 9,5% (de R$ 205,20 para R$ 224,8 por MWh).
Esse crescimento no preço de venda de energia junto da retomada da geração aos patamares saudáveis que o fim do período de estiagem causou e a sinergia das novas formas de geração, fez com que a margem operacional da companhia melhorasse violentamente, saindo dos 48,9% no 2T21 para os 63,3% no 2T22, atingindo um recorde de EBITDA pra um segundo trimestre e retomando patamares de mesmo grau de importância.
Na parte do endividamento, não houve surpresa: apesar do crescimento das despesas financeiras da companhia por conta do aumento do CDI e IPCA no período que ocasionou crescimento de 84,2% (de R$ 476 milhões para R$ 877 milhões), o endividamento da Engie segue controlado, no patamar de 2,1x de dívida líquida sobre o EBITDA (tendo ligeira redução de 2,2x em relação ao 1T22) e com a empresa gerando forte caixa sem qualquer indício de problema com esse montando de dívida. Lembrando que a maior parte da dívida da Engie está atrelada ao IPCA (76%) e a companhia tem em caixa dinheiro suficiente para honrar suas obrigações até 2024. Elétricas funcionam justamente dessa forma: face a previsibilidade da geração de seus resultados, elas se alavancam mais do que o normal. A Engie ilustra claramente esse ponto, com R$ 16 bilhões de dívida líquida, mas uma posição confortável gerando bilhões em caixa todo trimestre e tendo plena capacidade de arcar com isso de forma emergencial caso necessário – em outras palavras, não falta dinheiro ou geração de resultados para bancar a alavancagem.
Um trimestre sem surpresas. Como uma boa companhia do segmento de geração elétrico, o resultado da Engie veio em linha com o que era esperado, tendo melhora significativa por conta do fim da crise hídrica com um período de reservatórios mais cheios e dos seus investimentos em geração e transmissão que começam a dar as caras. Vamos aos números.
No 2T22 a Engie entregou uma receita 4,4% menor do que a do 2T21, de R$ 3.1 bilhões pra R$ 2.9 bilhões. A princípio o número parece negativo, afinal, queda de receita tende a ser mau sinal, mas há explicação. O número foi fortemente impactado por conta de dois fatores: (I) a alteração das parcelas da transmissão no que tange a RAP (receita anual permitida), e (II) o volume de trading de trading de energia realizado no mesmo período do ano passado, que foi altíssimo decorrente da estiagem que estávamos passando. Ou seja, não é fator negativo, pelo contrário, nas entrelinhas há melhora de cenário com o fim da estiagem.
Na parte da produção de energia, houve forte crescimento no período, refletindo a melhora do cenário dos reservatórios e o alinhamento da Engie em investimentos de novas fontes de geração de energia em termos complementares que contemplam sua estratégia de transição energética. A quantidade foi de 10.303 GWh gerados, 60% acima da quantidade gerada no mesmo trimestre do ano passado. Como mencionado, vale o destaque pro crescimento da quantidade gerada em suas fontes complementares (eólica e solar) e o fato de que no 2T22 já não houve funcionamento de nenhuma termelétrica, com a companhia atingindo resultados recordes sem que fossem utilizadas suas usinas “emergenciais”.
Sobre o preço da energia vendida, a cereja do bolo: houve crescimento de 6,9% comparado ao 2T21, de R$ 205,40 para R$ 219,5 por MWh. Esse crescimento ocorreu por dois fatores: a revisão dos contratos de concessão vigentes sendo atualizados de acordo com os seus respectivos índices, refletindo naquela mecânica simples de repasse inflacionário do segmento de energia que sempre tratamos, e por conta da melhora de performance da própria companhia com suas novas formas de geração de energia que exploram mais o segmento de renováveis (solar, principalmente). No semestral (comparando os primeiros seis meses de 2021 com os primeiros seis meses de 2022) a melhora é ainda maior, com um crescimento de 9,5% (de R$ 205,20 para R$ 224,8 por MWh).
Esse crescimento no preço de venda de energia junto da retomada da geração aos patamares saudáveis que o fim do período de estiagem causou e a sinergia das novas formas de geração, fez com que a margem operacional da companhia melhorasse violentamente, saindo dos 48,9% no 2T21 para os 63,3% no 2T22, atingindo um recorde de EBITDA pra um segundo trimestre e retomando patamares de mesmo grau de importância.
Na parte do endividamento, não houve surpresa: apesar do crescimento das despesas financeiras da companhia por conta do aumento do CDI e IPCA no período que ocasionou crescimento de 84,2% (de R$ 476 milhões para R$ 877 milhões), o endividamento da Engie segue controlado, no patamar de 2,1x de dívida líquida sobre o EBITDA (tendo ligeira redução de 2,2x em relação ao 1T22) e com a empresa gerando forte caixa sem qualquer indício de problema com esse montando de dívida. Lembrando que a maior parte da dívida da Engie está atrelada ao IPCA (76%) e a companhia tem em caixa dinheiro suficiente para honrar suas obrigações até 2024. Elétricas funcionam justamente dessa forma: face a previsibilidade da geração de seus resultados, elas se alavancam mais do que o normal. A Engie ilustra claramente esse ponto, com R$ 16 bilhões de dívida líquida, mas uma posição confortável gerando bilhões em caixa todo trimestre e tendo plena capacidade de arcar com isso de forma emergencial caso necessário – em outras palavras, não falta dinheiro ou geração de resultados para bancar a alavancagem.
Enfim, toda essa melhora de cenário na parte de geração, com o aumento do preço da venda de energia e o crescimento das margens fez com que o lucro líquido da Engie aumentasse 23,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 395 milhões.
A análise da Engie é simples, sem surpresas, ilustrando a princípio como companhias do setor elétrico possuem aquele cenário de calmaria na volatilidade dos resultados. É fato que 2021 foi um ano mais turbulento para a Engie, mas por fator obvio da crise hídrica sem precedentes que vivemos no período. A Engie como gigante geradora de energia hidrelétrica, sofreu forte, mas agora com a normalidade do cenário, a retomada dos resultados, margens e elevação dos números a patamares saudáveis fica evidente. Vale mencionar também que a Engie tem investido bilhões anualmente para a expansão do seu segmento de energia renovável e também no segmento de transmissão, então não se assuste com o endividamento – alavancagem bem realizada é mais dinheiro no bolso do acionista, e a companhia tem ótimo histórico nesse sentido.
Aos que gostam: a companhia pagará R$0,70 de dividendo por ação com data de corte no dia 17 de agosto, sem data de pagamento ainda definida, e representando 55% do lucro líquido já atingido no ano (lembrando que a Engie costuma pagar algo próximo a 100% do lucro auferido.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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A análise da Engie é simples, sem surpresas, ilustrando a princípio como companhias do setor elétrico possuem aquele cenário de calmaria na volatilidade dos resultados. É fato que 2021 foi um ano mais turbulento para a Engie, mas por fator obvio da crise hídrica sem precedentes que vivemos no período. A Engie como gigante geradora de energia hidrelétrica, sofreu forte, mas agora com a normalidade do cenário, a retomada dos resultados, margens e elevação dos números a patamares saudáveis fica evidente. Vale mencionar também que a Engie tem investido bilhões anualmente para a expansão do seu segmento de energia renovável e também no segmento de transmissão, então não se assuste com o endividamento – alavancagem bem realizada é mais dinheiro no bolso do acionista, e a companhia tem ótimo histórico nesse sentido.
Aos que gostam: a companhia pagará R$0,70 de dividendo por ação com data de corte no dia 17 de agosto, sem data de pagamento ainda definida, e representando 55% do lucro líquido já atingido no ano (lembrando que a Engie costuma pagar algo próximo a 100% do lucro auferido.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3) – 2T/2022
Recorde de lucro histórico, com forte melhora de eficiência, margem e receita, mas com um sinal de alerta: a inadimplência, que tem sido tecla batida nos últimos trimestres e segue subindo.
Como de costume, os números do Bradesco vieram fortes, demonstrando que bancos, independente do cenário, desempenham crescimento e melhora de resultados.
No 2T22 o banco atingiu um lucro recorde histórico de R$ 7.04 bilhão, com um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi potencializado por alguns fatores, entre eles: (I) crescimento da receita de prestação de serviços, mesmo com a pressão do Pix e das fintechs a receita com cartões do Bradesco cresceu incríveis 26% comparado ao 2T21, resultante de benefícios agressivos que são concedidos (principalmente pela linha prime de clientes de alta renda, (II) melhora da margem financeira do banco, que cresceu com essa alta de juros (a diferença entre o quanto cobram para o quanto pagam de juros) e (III) forte melhora do segmento de seguros – lembrando que o Bradesco é o líder no segmento de seguros de saúde do país e com a melhora do cenário pandêmico, tem ocorrido queda da sinistralidade, que somado ao aumento da base de clientes fez o segmento de seguros atingir lucro histórico de quase R$ 2 bilhões. O destaque negativo nessa linha vai para a receita de contas correntes que caiu 4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e a receita de fundos de investimento, que com a disparada da SELIC, afugentou dinheiro da renda variável e acaba reduzindo o quanto as instituições ganham com taxa de administração. De modo geral, a receita com serviços pode ser considerado o destaque, crescendo quase 7% mesmo com todo o cenário de concorrência em cima dos bancões, que até o momento não tem demonstrado queda, apesar da narrativa sobre as fintechs dizer o contrário desde 2016.
A carteira de crédito, considerada a estrela do banco (afinal, faz parte de sua operação principal) cresceu 17,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado atingindo R$ 855 bilhões, sendo impulsionada principalmente por conta das grandes empresas e de pessoas físicas. Quando falamos sobre crédito, é importante que o investidor se atente a dois pontos principais: inadimplência e rating da carteira. Em termos de rating, 90% do crédito da carteira do banco está em clientes com boa nota (AAA – C) e isso expressa como o banco é seguro e mais seletivo nesse ponto, mas ainda assim, o destaque negativo do trimestre certamente vai para a inadimplência, que apesar de estar longe de ser algo preocupante, vem subindo desde janeiro, atingindo em junho os 3,5%, ante os 2,2% de janeiro. Esse crescimento de inadimplência já é sabido há um bom tempo, principalmente considerando essa alta violenta da SELIC no período e que boa parte das dívidas da pandemia acabaram sendo postergadas para agora, aquela “empurrada com a barriga”, digamos. Não é um número preocupante, mas como sempre falamos, independente do quanto você gosta da empresa, mais importante do que extrair o que é bom dela, é extrair o que é ruim, pois é nesse tipo de coisa que se encontra o risco.
A PDD (dinheiro que o banco destina para tomadores que não pagam suas dívidas) vem subindo desde o terceiro trimestre de 2021, atingindo R$ 5.3 bilhões nesse trimestre, refletindo justamente esse aumento de inadimplência e a postura mais defensiva da gestão para conter qualquer onda de calotes caso ocorra – lembrando que o PDD nada mais é do que uma espécie de dedução do banco para arcar com prejuízos de calotes no dinheiro que emprestam.
Entre outros destaques, vale mencionar a digitalização do banco, que é outro ponto que deve ser sempre bem analisado pelo investidor porque é a tendência que o cenário bancário tem seguido, com as fintechs forçando os gigantes a se mexere.
Recorde de lucro histórico, com forte melhora de eficiência, margem e receita, mas com um sinal de alerta: a inadimplência, que tem sido tecla batida nos últimos trimestres e segue subindo.
Como de costume, os números do Bradesco vieram fortes, demonstrando que bancos, independente do cenário, desempenham crescimento e melhora de resultados.
No 2T22 o banco atingiu um lucro recorde histórico de R$ 7.04 bilhão, com um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi potencializado por alguns fatores, entre eles: (I) crescimento da receita de prestação de serviços, mesmo com a pressão do Pix e das fintechs a receita com cartões do Bradesco cresceu incríveis 26% comparado ao 2T21, resultante de benefícios agressivos que são concedidos (principalmente pela linha prime de clientes de alta renda, (II) melhora da margem financeira do banco, que cresceu com essa alta de juros (a diferença entre o quanto cobram para o quanto pagam de juros) e (III) forte melhora do segmento de seguros – lembrando que o Bradesco é o líder no segmento de seguros de saúde do país e com a melhora do cenário pandêmico, tem ocorrido queda da sinistralidade, que somado ao aumento da base de clientes fez o segmento de seguros atingir lucro histórico de quase R$ 2 bilhões. O destaque negativo nessa linha vai para a receita de contas correntes que caiu 4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e a receita de fundos de investimento, que com a disparada da SELIC, afugentou dinheiro da renda variável e acaba reduzindo o quanto as instituições ganham com taxa de administração. De modo geral, a receita com serviços pode ser considerado o destaque, crescendo quase 7% mesmo com todo o cenário de concorrência em cima dos bancões, que até o momento não tem demonstrado queda, apesar da narrativa sobre as fintechs dizer o contrário desde 2016.
A carteira de crédito, considerada a estrela do banco (afinal, faz parte de sua operação principal) cresceu 17,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado atingindo R$ 855 bilhões, sendo impulsionada principalmente por conta das grandes empresas e de pessoas físicas. Quando falamos sobre crédito, é importante que o investidor se atente a dois pontos principais: inadimplência e rating da carteira. Em termos de rating, 90% do crédito da carteira do banco está em clientes com boa nota (AAA – C) e isso expressa como o banco é seguro e mais seletivo nesse ponto, mas ainda assim, o destaque negativo do trimestre certamente vai para a inadimplência, que apesar de estar longe de ser algo preocupante, vem subindo desde janeiro, atingindo em junho os 3,5%, ante os 2,2% de janeiro. Esse crescimento de inadimplência já é sabido há um bom tempo, principalmente considerando essa alta violenta da SELIC no período e que boa parte das dívidas da pandemia acabaram sendo postergadas para agora, aquela “empurrada com a barriga”, digamos. Não é um número preocupante, mas como sempre falamos, independente do quanto você gosta da empresa, mais importante do que extrair o que é bom dela, é extrair o que é ruim, pois é nesse tipo de coisa que se encontra o risco.
A PDD (dinheiro que o banco destina para tomadores que não pagam suas dívidas) vem subindo desde o terceiro trimestre de 2021, atingindo R$ 5.3 bilhões nesse trimestre, refletindo justamente esse aumento de inadimplência e a postura mais defensiva da gestão para conter qualquer onda de calotes caso ocorra – lembrando que o PDD nada mais é do que uma espécie de dedução do banco para arcar com prejuízos de calotes no dinheiro que emprestam.
Entre outros destaques, vale mencionar a digitalização do banco, que é outro ponto que deve ser sempre bem analisado pelo investidor porque é a tendência que o cenário bancário tem seguido, com as fintechs forçando os gigantes a se mexere.
Entre o 2T21 e o 2T22 o Bradesco fechou 500 agências bancárias, zelando pelo seu compromisso com um estrutura mais enxuta, seus veículos digitais cresceram de forma sólida (Banco Next de 5mi para 12mi clientes, Bitz de 1mi para 8mi clientes e Digio de 2mi para 4mi clientes) sendo que hoje 98% das transações realizadas no banco são digitalmente e no trimestre foram dados R$30 bi em crédito via veículos digitais, mostrando como o banco tem se inclinado a ganhar dinheiro principalmente dessa forma. A Ágora, corretora do Bradesco que faz concorrência face as demais corretoras do mercado, também vem crescendo, atingido 825 mil clientes (contra 600 mil clientes no 2T21) e sendo a terceira maior corretora de pessoas físicas do país.
Enfim, análise de bancão é sem graça – dificilmente você verá movimentação forte de alguma forma. Todo trimestre é sempre a mesma coisa: continua crescendo, aumentando receita, aumentando base de cliente, aumentando lucro, gerando mais resultado... Aqui é questão de opinião, dando ênfase, é claro, e nós não achamos que as fintechs irão sobrepor os grandes bancos. Eles têm realizado um trabalho excepcional em digitalização e trocado a roda do carro com ele em movimento, fazendo aqui uma analogia breve. A diferença é que eles já possuem estruturas colossais e lucros multibilionários, o que facilita ainda mais o jogo.
Se você quer paz nos investimentos e é adepto de filosofia de investimento em qualidade e valor, os grandes bancos são ótimos cases de estudo. Não espere porrada de rentabilidade ou coisas do tipo, considere essas empresas como verdadeiras armaduras para a carteira.
Mais um trimestre do Bradesco, mais bons resultados e nada de surpresas. Fique apenas de olho na inadimplência e nas principais linhas que a revolução tecnológica tem atacado.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Enfim, análise de bancão é sem graça – dificilmente você verá movimentação forte de alguma forma. Todo trimestre é sempre a mesma coisa: continua crescendo, aumentando receita, aumentando base de cliente, aumentando lucro, gerando mais resultado... Aqui é questão de opinião, dando ênfase, é claro, e nós não achamos que as fintechs irão sobrepor os grandes bancos. Eles têm realizado um trabalho excepcional em digitalização e trocado a roda do carro com ele em movimento, fazendo aqui uma analogia breve. A diferença é que eles já possuem estruturas colossais e lucros multibilionários, o que facilita ainda mais o jogo.
Se você quer paz nos investimentos e é adepto de filosofia de investimento em qualidade e valor, os grandes bancos são ótimos cases de estudo. Não espere porrada de rentabilidade ou coisas do tipo, considere essas empresas como verdadeiras armaduras para a carteira.
Mais um trimestre do Bradesco, mais bons resultados e nada de surpresas. Fique apenas de olho na inadimplência e nas principais linhas que a revolução tecnológica tem atacado.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Renner ($LREN3) – 2T/2022
Como falamos há alguns meses segundo as evidências da melhora dos indicadores econômicos, de consumo e dos fundos imobiliários de shoppings, o trimestre da Renner foi uma porrada – no bom sentido. Talvez o melhor resultado que lemos até então, superior até mesmo que o da Raia Drogasil, superando todas as expectativas, até as mais otimistas.
No segundo trimestre de 2022, a Renner seguiu mostrando a recuperação de suas operações após dois anos muito turbulentos com a pandemia obrigando o fechamento de todos os shoppings ao redor do Brasil – lembrando aqui que 99% das lojas da Renner estão situadas em shoppings, ou seja, shoppings fechados, Renner fechada.
Sua receita foi de R$ 3.2 bilhões no trimestre, com um crescimento de 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que houve crescimento de 43% nas lojas Renner em si (que contemplam também as lojas da Ashua e a Repassa) e crescimento de 66% da YouCom. O destaque negativo vai para a Camicado, com queda de 14% na receita com a companhia alegando um cenário mais desafiador com gastos nesse segmento – pontuando aqui que a Camicado representa uma parcela irrelevante do resultado da companhia. E se você não sabia que a Renner é dona da Ashua, Repassa, Youcom e Camicado, agora você sabe.
Nas vendas digitais, mais surpresas positivas – houve crescimento de 27% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse número é excelente por um motivo em especial: se você é investidor da companhia há um pouco mais de tempo, você deve se lembrar que a Renner começou a se movimentar tardiamente para digitalizar suas operações. Ela sempre foi completamente focada nas operações físicas, isso é, nos shoppings, e foi praticamente com a pandemia que ela começou a entrar no e-commerce de fato. Desde 2020 a evolução foi violentamente boa, ganhando cada vez mais espaço e atingido alguns números interessantes: (I) hoje 45% das vendas da companhia são entregues em até 2 dias, 48% entregues no mesmo dia ou em até 1 dia e a companhia conseguiu reduzir seu custo por entrega em quase 20% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Um ponto interessante a citar: a Renner tem um dos maiores centros de distribuição do país, com 163.000m² - o CD Cabreúva. Esse imóvel é também da Kinea, e está no fundo KNRI11, tendo sua obra finalizada recentemente. Isso ilustra bem o quanto a companhia tem investido em logística.
Sob a ótica das despesas, houve crescimento de 26,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas em virtude do crescimento da receita e da melhor performance da companhia, essas despesas foram diluídas e a Renner conseguiu ter aumento de margem de 1,1pp no período, para 56,1%. Outro ótimo ponto, ainda mais em tempos de inflação mais alta, surpreende, visto que ela está conseguindo repassar todas as altas de custos com seu poder de marca.
Na parte da dívida e resultado financeiro, sem comentários a citar. Nosso único ponto é sobre o follow-on que a companhia realizou de R$ 4 bilhões que até agora não tem sido muito utilizado. O CD de Cabreúva é um fator, mas R$ 4 bilhões é muito dinheiro. Acreditamos que a companhia tivesse algum deal na manga que acabou desandando, fazendo com que o uso desse dinheiro fosse adiado. Ainda assim, seguimos confiantes com a gestão da companhia em relação ao uso desse capital, mas é inegável que é um ponto que incomoda.
Em linhas finais, seu lucro líquido atingiu R$ 360 milhões no trimestre com uma margem líquida de 11,3%. Crescimento de 87% e 2,8pp respectivamente.
Resumindo, trimestre muito forte para a companhia. Esperávamos algo bom, como citamos, quem analisa dados econômicos e fundos imobiliários de shoppings já tem uma ideia melhor sobre como a companhia vai performar, mas não esperávamos algo tão forte assim. Surpreendeu e a qualidade da governança e gestão da companhia tem ficado claro.
Como falamos há alguns meses segundo as evidências da melhora dos indicadores econômicos, de consumo e dos fundos imobiliários de shoppings, o trimestre da Renner foi uma porrada – no bom sentido. Talvez o melhor resultado que lemos até então, superior até mesmo que o da Raia Drogasil, superando todas as expectativas, até as mais otimistas.
No segundo trimestre de 2022, a Renner seguiu mostrando a recuperação de suas operações após dois anos muito turbulentos com a pandemia obrigando o fechamento de todos os shoppings ao redor do Brasil – lembrando aqui que 99% das lojas da Renner estão situadas em shoppings, ou seja, shoppings fechados, Renner fechada.
Sua receita foi de R$ 3.2 bilhões no trimestre, com um crescimento de 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que houve crescimento de 43% nas lojas Renner em si (que contemplam também as lojas da Ashua e a Repassa) e crescimento de 66% da YouCom. O destaque negativo vai para a Camicado, com queda de 14% na receita com a companhia alegando um cenário mais desafiador com gastos nesse segmento – pontuando aqui que a Camicado representa uma parcela irrelevante do resultado da companhia. E se você não sabia que a Renner é dona da Ashua, Repassa, Youcom e Camicado, agora você sabe.
Nas vendas digitais, mais surpresas positivas – houve crescimento de 27% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse número é excelente por um motivo em especial: se você é investidor da companhia há um pouco mais de tempo, você deve se lembrar que a Renner começou a se movimentar tardiamente para digitalizar suas operações. Ela sempre foi completamente focada nas operações físicas, isso é, nos shoppings, e foi praticamente com a pandemia que ela começou a entrar no e-commerce de fato. Desde 2020 a evolução foi violentamente boa, ganhando cada vez mais espaço e atingido alguns números interessantes: (I) hoje 45% das vendas da companhia são entregues em até 2 dias, 48% entregues no mesmo dia ou em até 1 dia e a companhia conseguiu reduzir seu custo por entrega em quase 20% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Um ponto interessante a citar: a Renner tem um dos maiores centros de distribuição do país, com 163.000m² - o CD Cabreúva. Esse imóvel é também da Kinea, e está no fundo KNRI11, tendo sua obra finalizada recentemente. Isso ilustra bem o quanto a companhia tem investido em logística.
Sob a ótica das despesas, houve crescimento de 26,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas em virtude do crescimento da receita e da melhor performance da companhia, essas despesas foram diluídas e a Renner conseguiu ter aumento de margem de 1,1pp no período, para 56,1%. Outro ótimo ponto, ainda mais em tempos de inflação mais alta, surpreende, visto que ela está conseguindo repassar todas as altas de custos com seu poder de marca.
Na parte da dívida e resultado financeiro, sem comentários a citar. Nosso único ponto é sobre o follow-on que a companhia realizou de R$ 4 bilhões que até agora não tem sido muito utilizado. O CD de Cabreúva é um fator, mas R$ 4 bilhões é muito dinheiro. Acreditamos que a companhia tivesse algum deal na manga que acabou desandando, fazendo com que o uso desse dinheiro fosse adiado. Ainda assim, seguimos confiantes com a gestão da companhia em relação ao uso desse capital, mas é inegável que é um ponto que incomoda.
Em linhas finais, seu lucro líquido atingiu R$ 360 milhões no trimestre com uma margem líquida de 11,3%. Crescimento de 87% e 2,8pp respectivamente.
Resumindo, trimestre muito forte para a companhia. Esperávamos algo bom, como citamos, quem analisa dados econômicos e fundos imobiliários de shoppings já tem uma ideia melhor sobre como a companhia vai performar, mas não esperávamos algo tão forte assim. Surpreendeu e a qualidade da governança e gestão da companhia tem ficado claro.
Outros pontos que valem ser mencionados: a base de clientes ativos segue subindo (+20% comparado ao mesmo trimestre do ano passado atingindo 19 milhões), a companhia ganhou market share no período e o market place está crescendo de forma consistente, com atualmente 294 vendedores e mais de 80 mil produtos listados.
Há um último ponto a citar... o risco das varejistas de moda nacionais face ao crescimento dessas gigantes chinesas como a Shein. Nós reconhecemos que é um risco sim, que não deve ser minimizado, inclusive, mas vemos algo importante na Renner: experiência e logística facilitada. Provar uma roupa que você vai usar e ter uma entrega extremamente rápida (como falamos, 90% é entregue em menos de 2 dias, 48% entregue no mesmo dia ou no máximo até o próximo) ainda são fatores que pesam muito em lojas nacionais. Há também riscos políticos e tributários que pesam muito nesses aplicativos (que vira e mexem trazem a luz papos de aumento de tributação dos produtos desses apps e afins) que não podem ser desconsiderados. Enfim, tudo isso é sabido pela gestão da Renner e tratamos aqui de uma companhia com 57 anos de história atuando num país que já passou por mais crises do que tempos de calmaria.
Reconheça os riscos e trabalhe com eles – nunca minimizando.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Há um último ponto a citar... o risco das varejistas de moda nacionais face ao crescimento dessas gigantes chinesas como a Shein. Nós reconhecemos que é um risco sim, que não deve ser minimizado, inclusive, mas vemos algo importante na Renner: experiência e logística facilitada. Provar uma roupa que você vai usar e ter uma entrega extremamente rápida (como falamos, 90% é entregue em menos de 2 dias, 48% entregue no mesmo dia ou no máximo até o próximo) ainda são fatores que pesam muito em lojas nacionais. Há também riscos políticos e tributários que pesam muito nesses aplicativos (que vira e mexem trazem a luz papos de aumento de tributação dos produtos desses apps e afins) que não podem ser desconsiderados. Enfim, tudo isso é sabido pela gestão da Renner e tratamos aqui de uma companhia com 57 anos de história atuando num país que já passou por mais crises do que tempos de calmaria.
Reconheça os riscos e trabalhe com eles – nunca minimizando.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3) – 2T/2022
A princípio, lendo o headline, o resultado da Sanepar pode assustar. De fato, o trimestre foi fraco, com uma queda forte de lucro no período, explicado por dois fatores principais que citaremos ao longo do texto. Apesar da queda de lucro, sua expansão avança. Vamos aos números.
No 2T22 a Sanepar seguiu em linha com seu plano de investimento em expansão de rede nos municípios que atua, tendo realizado 69.392 ligações de água (+2,1% em relação ao 2T21) e 62.345 ligações de esgoto (+2,7% em relação ao 2T22). No trimestral, houve estabilidade na evolução de volume faturado de água (e crescimento de 2,5% no semestre, atingindo 267 milhões de m³ de água) e crescimento de 1,9% no volume faturado de esgoto (+3,9% no semestre atingindo 205 milhões de m³ de esgoto).
Sob a ótica de perdas e inadimplência, um ponto negativo, mas até que esperado (seguindo em linha com o racional do que houve no setor bancário sob postergação de cobranças e aumento dos juros que pressiona clientes com maior propensão a inadimplência): a evasão de receitas subiu de 3,6% para 4,8% - um aumento significativo, mas ainda em linha com o histórico da companhia. Aqui vale pontuar um dos efeitos da alta de juros e inflação em tempos de crise – famílias de baixa renda que possuem orçamentos mais apertados, em um cenário mais difícil como o atual, nem sempre tem capacidade de arcar com gastos obrigatórios – e se tratando do segmento de saneamento, não é como se a Sanepar pudesse simplesmente cortar o seu serviço e deixar a população sem serviços básicos – ou seja, a única via é a absorção dessa inadimplência.
Na linha da receita, como resultado dessa expansão de ligações e afins, houve crescimento de 6,7% no período, atingindo R$ 1.35 bilhão (+6,3% no segmento de água e +8,4% no segmento de esgoto). Outro ponto foi a revisão tarifária de 4,96% no período. Aqui, um adendo – fator importante que apertou muito o resultado da Sanepar no trimestre e que você deve saber: a companhia não teve repasse em totalidade do reajuste tarifário pretendido no período citado, isso causou um descasamento entre os resultados e consequentemente queda dos números. Ou seja, enquanto era pra ocorrer um reajuste das tarifas no período, não houve devidamente, o que pressionou o resultado da companhia.
Na linha das despesas, houve crescimento forte no período, de 29,6%, explicado basicamente pela inflação, que bateu forte em dois pontos principais: (I) gasto com pessoal, que subiu 15,4% em função de reajustes salariais, benefícios, verbas trabalhistas, acordos coletivos e afins (muitos fatores não recorrentes, inclusive, prestar atenção nisso) e (II) gasto com materiais: inflação forte de produtos importantíssimos para a companhia, vide plástico, materiais de limpeza, tratamento, corte e afins, fazendo crescer em 37,5% no período. É válido também dizer que a Sanepar dedicou parte da receita para provisionar problemas com inadimplência. Esses fatores elevaram os gastos de R$ 789 milhões para R$ 1 bilhão.
Sobre o endividamento, sem muito a comentar – dívida segue extremamente controlada e com baixa alavancagem (1,6x DL/EBITDA).
Na última linha, o lucro líquido. Apesar das manchetes citarem queda de 29,5%, é uma meia verdade – há alguns não recorrentes sem efeito prático nas linhas do resultado. Na verdade, o lucro líquido foi de R$277 milhões, o que significa uma queda de 16,3% - ainda forte, mas de menor magnitude do que as notícias fazem aparentar.
A princípio, lendo o headline, o resultado da Sanepar pode assustar. De fato, o trimestre foi fraco, com uma queda forte de lucro no período, explicado por dois fatores principais que citaremos ao longo do texto. Apesar da queda de lucro, sua expansão avança. Vamos aos números.
No 2T22 a Sanepar seguiu em linha com seu plano de investimento em expansão de rede nos municípios que atua, tendo realizado 69.392 ligações de água (+2,1% em relação ao 2T21) e 62.345 ligações de esgoto (+2,7% em relação ao 2T22). No trimestral, houve estabilidade na evolução de volume faturado de água (e crescimento de 2,5% no semestre, atingindo 267 milhões de m³ de água) e crescimento de 1,9% no volume faturado de esgoto (+3,9% no semestre atingindo 205 milhões de m³ de esgoto).
Sob a ótica de perdas e inadimplência, um ponto negativo, mas até que esperado (seguindo em linha com o racional do que houve no setor bancário sob postergação de cobranças e aumento dos juros que pressiona clientes com maior propensão a inadimplência): a evasão de receitas subiu de 3,6% para 4,8% - um aumento significativo, mas ainda em linha com o histórico da companhia. Aqui vale pontuar um dos efeitos da alta de juros e inflação em tempos de crise – famílias de baixa renda que possuem orçamentos mais apertados, em um cenário mais difícil como o atual, nem sempre tem capacidade de arcar com gastos obrigatórios – e se tratando do segmento de saneamento, não é como se a Sanepar pudesse simplesmente cortar o seu serviço e deixar a população sem serviços básicos – ou seja, a única via é a absorção dessa inadimplência.
Na linha da receita, como resultado dessa expansão de ligações e afins, houve crescimento de 6,7% no período, atingindo R$ 1.35 bilhão (+6,3% no segmento de água e +8,4% no segmento de esgoto). Outro ponto foi a revisão tarifária de 4,96% no período. Aqui, um adendo – fator importante que apertou muito o resultado da Sanepar no trimestre e que você deve saber: a companhia não teve repasse em totalidade do reajuste tarifário pretendido no período citado, isso causou um descasamento entre os resultados e consequentemente queda dos números. Ou seja, enquanto era pra ocorrer um reajuste das tarifas no período, não houve devidamente, o que pressionou o resultado da companhia.
Na linha das despesas, houve crescimento forte no período, de 29,6%, explicado basicamente pela inflação, que bateu forte em dois pontos principais: (I) gasto com pessoal, que subiu 15,4% em função de reajustes salariais, benefícios, verbas trabalhistas, acordos coletivos e afins (muitos fatores não recorrentes, inclusive, prestar atenção nisso) e (II) gasto com materiais: inflação forte de produtos importantíssimos para a companhia, vide plástico, materiais de limpeza, tratamento, corte e afins, fazendo crescer em 37,5% no período. É válido também dizer que a Sanepar dedicou parte da receita para provisionar problemas com inadimplência. Esses fatores elevaram os gastos de R$ 789 milhões para R$ 1 bilhão.
Sobre o endividamento, sem muito a comentar – dívida segue extremamente controlada e com baixa alavancagem (1,6x DL/EBITDA).
Na última linha, o lucro líquido. Apesar das manchetes citarem queda de 29,5%, é uma meia verdade – há alguns não recorrentes sem efeito prático nas linhas do resultado. Na verdade, o lucro líquido foi de R$277 milhões, o que significa uma queda de 16,3% - ainda forte, mas de menor magnitude do que as notícias fazem aparentar.
O trimestre realmente foi fraco, é inegável. Dizer que a queda de lucro é algo ok seria menosprezar resultados ruins – mas mais importante do que identificar que o resultado foi ruim, é compreender a razão dele ter vindo assim. Como citamos, a Sanepar foi prejudicada por fator tarifário em virtude de falta de reajuste e uma porrada inflacionária que causou aumento forte de acordos e benefícios salariais além do aumento de preços de alguns materiais que a companhia utiliza em seu rol de investimentos. Não vemos isso como um problema, ainda mais dada a natureza da segurança do segmento que ela atua, considerando a expansão de ligações e afins, e compreendemos que essas chacoalhadas em tempos de alta inflação acabam fazendo parte. Não há perda de fundamentos, apenas o natural de uma companhia surfando na selva que é o mercado real.
O maior risco para a Sanepar é o que sempre tratamos – seu reajuste tarifário. O regulador em virtude de políticas públicas mais “populistas” pode condenar o resultado da empresa com reajustes mínimos, o que impacta diretamente os resultados da Sanepar em si. Não foi o caso dessa vez, visto que houve apenas postergação, mas vale sempre o lembrete.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Porto ($PSSA3) – 2T/2022
Forte expansão com margens esmagadas. Essa frase define perfeitamente o trimestre da Porto, que está passando por uma transformação estrutural significativa depois da mudança de identidade e algumas aquisições relevantes. Como era esperado (talvez não nessa magnitude), as margens sofreram ainda refletindo a sinistralidade do segmento de auto, principal avenida de ganho da Porto. Vamos aos números.
No 2T22 a Porto teve uma expansão relevante de todas as suas verticais de seguros em prêmios emitidos: o segmento de auto cresceu 35,8% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (e 0,6% na frota total para 5.7 milhões), o segmento patrimonial cresceu 28% (e 3,0% em itens segurados para 2.4 milhões), o segmento de vidas cresceu 17% (e 19,7% em número de vidas para 4.8 milhões) e o segmento de saúde cresceu 45,7% (e 35% em número de beneficiários para 1.2 milhão). Todo esse crescimento de prêmios emitidos resultou num resultado recorde para a Porto, com uma receita total de R$ 6.7 bilhões num único trimestre (isso é metade de toda a receita que a companhia teve em 2013, para se ter ideia, ou a receita inteira de 2009).
O problema ficou em termos de sinistralidade: no seguro auto, seu principal segmento, a Porto atingiu uma sinistralidade de 67,5%, um crescimento de 23,4pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado – um valor enorme, inegavelmente, e esse é o destaque negativo do trimestre. Para se ter ideia, mesmo com esse tamanho gigante de sinistralidade, a Porto ainda é a seguradora veicular de menor sinistralidade do mercado (e é também a líder de seguro auto no Brasil). O motivo desses sinistros tão altos é simples: a escassez de semicondutores que reflete na menor produção de veículos na economia e faz com que os preços de veículos e peças disparem, impacta principalmente a Porto, que é seguradora do segmento. O repasse desses custos leva tempo a ser repassado em totalidade para o consumidor e a própria gestão da Porto trata isso desde o 4T21 (e quem leu nossas análises dos trimestres passados, deve lembrar que falamos sobre isso também). Enquanto não houver normalidade no setor, a Porto tende a passar por maior instabilidade. O destaque positivo foi que a gestão da Porto falou sobre isso hoje em teleconferência mencionou já melhora significativa para o próximo trimestre. Se é algo passageiro ou não, descobriremos apenas no 3T22.
Ainda sobre sinistralidade, o destaque positivo vai para o segmento de vidas, que retornou ao patamar normal (caiu de 75,4% para 36,5%) refletindo melhora sobre o cenário pandêmico, assim como o segmento de saúde, também com queda de sinistralidade, de 85,4% para 82,7%, reflexo do mesmo fator.
A Porto Bank, seu braço financeiro, também cresceu forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Houve crescimento de 39% da receita (de R$ 514 milhões para R$ 714 milhões) e um crescimento de 7,6% de cartões de crédito, atingindo os 2.8 milhões. O destaque negativo desse segmento vale ser mencionado: a inadimplência. Assim como todo o segmento financeiro atualmente, a Porto passou por uma alta de inadimplência, atingindo os 6,3%, 0,3pp acima da média do mercado. Esse fator obrigou a companhia a deduzir um percentual maior a PDD no período e também foi fator que acarretou queda de lucro. Também em teleconferência, hoje a gestão citou melhora no indicador nos últimos 2 meses. Teleconferências agregam bastante na maioria das vezes – se você tem mais tempo livre ou gosta de se aprofundar nos estudos da companhia, vale ouvir.
Forte expansão com margens esmagadas. Essa frase define perfeitamente o trimestre da Porto, que está passando por uma transformação estrutural significativa depois da mudança de identidade e algumas aquisições relevantes. Como era esperado (talvez não nessa magnitude), as margens sofreram ainda refletindo a sinistralidade do segmento de auto, principal avenida de ganho da Porto. Vamos aos números.
No 2T22 a Porto teve uma expansão relevante de todas as suas verticais de seguros em prêmios emitidos: o segmento de auto cresceu 35,8% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (e 0,6% na frota total para 5.7 milhões), o segmento patrimonial cresceu 28% (e 3,0% em itens segurados para 2.4 milhões), o segmento de vidas cresceu 17% (e 19,7% em número de vidas para 4.8 milhões) e o segmento de saúde cresceu 45,7% (e 35% em número de beneficiários para 1.2 milhão). Todo esse crescimento de prêmios emitidos resultou num resultado recorde para a Porto, com uma receita total de R$ 6.7 bilhões num único trimestre (isso é metade de toda a receita que a companhia teve em 2013, para se ter ideia, ou a receita inteira de 2009).
O problema ficou em termos de sinistralidade: no seguro auto, seu principal segmento, a Porto atingiu uma sinistralidade de 67,5%, um crescimento de 23,4pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado – um valor enorme, inegavelmente, e esse é o destaque negativo do trimestre. Para se ter ideia, mesmo com esse tamanho gigante de sinistralidade, a Porto ainda é a seguradora veicular de menor sinistralidade do mercado (e é também a líder de seguro auto no Brasil). O motivo desses sinistros tão altos é simples: a escassez de semicondutores que reflete na menor produção de veículos na economia e faz com que os preços de veículos e peças disparem, impacta principalmente a Porto, que é seguradora do segmento. O repasse desses custos leva tempo a ser repassado em totalidade para o consumidor e a própria gestão da Porto trata isso desde o 4T21 (e quem leu nossas análises dos trimestres passados, deve lembrar que falamos sobre isso também). Enquanto não houver normalidade no setor, a Porto tende a passar por maior instabilidade. O destaque positivo foi que a gestão da Porto falou sobre isso hoje em teleconferência mencionou já melhora significativa para o próximo trimestre. Se é algo passageiro ou não, descobriremos apenas no 3T22.
Ainda sobre sinistralidade, o destaque positivo vai para o segmento de vidas, que retornou ao patamar normal (caiu de 75,4% para 36,5%) refletindo melhora sobre o cenário pandêmico, assim como o segmento de saúde, também com queda de sinistralidade, de 85,4% para 82,7%, reflexo do mesmo fator.
A Porto Bank, seu braço financeiro, também cresceu forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Houve crescimento de 39% da receita (de R$ 514 milhões para R$ 714 milhões) e um crescimento de 7,6% de cartões de crédito, atingindo os 2.8 milhões. O destaque negativo desse segmento vale ser mencionado: a inadimplência. Assim como todo o segmento financeiro atualmente, a Porto passou por uma alta de inadimplência, atingindo os 6,3%, 0,3pp acima da média do mercado. Esse fator obrigou a companhia a deduzir um percentual maior a PDD no período e também foi fator que acarretou queda de lucro. Também em teleconferência, hoje a gestão citou melhora no indicador nos últimos 2 meses. Teleconferências agregam bastante na maioria das vezes – se você tem mais tempo livre ou gosta de se aprofundar nos estudos da companhia, vale ouvir.
Na linha de resultado financeiro, a companhia foi negativamente impactada por conta da sua alocação em renda variável e ajustes a valor presente de alguns ativos existentes. A princípio, se você é novo nos investimentos, pode pensar “oh, mas sempre dizem que as seguradoras irão se beneficiar com a SELIC em alta!” – sim, irão. A questão é que nem se a SELIC estivesse em 30% seria suficiente para cobrir essa perda de margens com a porrada na sinistralidade que a porto tem tomado. Além do mais, as seguradoras não deixam 100% do seu caixa atrelado a SELIC pelo simples fato de otimização de alocação – afinal, você mesmo já deve ter visto títulos NTNB pagando 6,2%+IPCA, coisa que essas gigantes também aproveitam para comprar.
Enfim, momento difícil para a Porto e todo o segmento auto. Nada fora do normal ou que somente ela esteja sofrendo. Não há mágica – o momento econômico que atravessamos é ímpar, é difícil de lembrar na história econômica algum momento como o de agora, com filas de mais de um ano para entrega de carros e preços atingindo valores obscenos por conta de quebra de produção. Infelizmente faz parte. A Porto ainda goza do benefício de ser a líder de seu segmento com menor sinistralidade e maior parte do mercado com poder de marca para repassar preço, mas não espere estabilidade nos resultados enquanto não houver maior solidez sobre o cenário automotivo. Como citamos, em teleconferência a gestão mencionou melhorar significativas já para o 3T22 nesses dois meses corridos. Esperemos para avaliar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Enfim, momento difícil para a Porto e todo o segmento auto. Nada fora do normal ou que somente ela esteja sofrendo. Não há mágica – o momento econômico que atravessamos é ímpar, é difícil de lembrar na história econômica algum momento como o de agora, com filas de mais de um ano para entrega de carros e preços atingindo valores obscenos por conta de quebra de produção. Infelizmente faz parte. A Porto ainda goza do benefício de ser a líder de seu segmento com menor sinistralidade e maior parte do mercado com poder de marca para repassar preço, mas não espere estabilidade nos resultados enquanto não houver maior solidez sobre o cenário automotivo. Como citamos, em teleconferência a gestão mencionou melhorar significativas já para o 3T22 nesses dois meses corridos. Esperemos para avaliar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 2T/2022
Sem dúvidas, a Fleury é uma das companhias com um dos trimestres mais movimentados da bolsa brasileira. Uma porrada de aquisições, num setor sensível à pandemia e com um anuncio de uma gigantesca fusão no início de junho – a fusão com a Hermes Pardini.
Para contextualizar: a fusão com a Hermes Pardini criará a maior companhia do segmento diagnóstico do Brasil. Uma gigante com R$ 6.1 bilhões (LTM) de receita, 20.8 mil funcionários, 487 unidades de atendimento, 6.6 mil laboratórios e 39 marcas e complementariedade geográfica excelente, visto que ambas companhias atuam em regiões distintas, fazendo com que a companhia passe a ter presença nacional. Ainda sob a responsabilidade da decisão do CADE para ver se o processo realmente irá pra frente, é inegável que essa fusão acarretará num colosso do segmento de saúde, um movimento defensivo (ou ofensivo, dependendo da ótica) interessante num mercado que está passando por mudanças fortes com players gigantes (como a própria Rede D’or) verticalizando seus negócios.
Enfim como dito, é um movimento que ainda depende da aprovação do CADE, mas que o investidor da Fleury tem obrigação desse conhecimento. Ao que interessa, vamos falar sobre os números da Fleury no 2T22.
No 2T22 a Fleury reportou crescimento de receita sob as duas formas de análise viáveis: orgânica (sem considerar aquisições) e não orgânica (desconsiderando aquisições). De forma não orgânica o crescimento foi de 19%, de R$ 1 bilhão para R$ 1.2 bilhão, atingindo recorde de receita trimestral. Desconsiderando as aquisições, o crescimento foi de 10% - e aqui é importante sempre analisar sob as duas óticas, visto que uma companhia que depende do crescimento somente via aquisição, pode caminhar uma trajetória problemática.
Outro ponto interessante de citar é o fato de que a companhia está zerando o impacto dos exames de Covid-19 na sua receita bruta. Isso é ótimo. Para se ter ideia, no 3T20 quase 11% da receita da Fleury foi graças a testes de Covid-190, enquanto no 2T22 foi apenas 3,9%. Desconsiderando esses testes (que de certa forma podem ser encarados como não recorrentes), o crescimento de receita foi de 24,7% no não orgânico e 16% no orgânico – ou seja, crescimento ainda mais forte do que as headlines apontam.
Dissecando por unidades de atendimento, todas marcas tiveram forte crescimento comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com destaque a marca própria “Fleury”, com crescimento de 14,2%, e a marca a+ SP, com crescimento de 16,5%. O destaque “negativo” são as marcas do RJ que tiveram o menor crescimento, de 8,0%, mas ainda um crescimento reconhecível, visto que a é uma mudança de tendencia de retração que vinha ocorrendo e a gestão inclusive apontou ganho de market share.
Os atendimentos tiveram forte crescimento, de 17,7% (não orgânico) e 7,2% (orgânico), mas a receita bruta por exame caiu de R$ 52,9 para R$ 48,0. A queda é explicada pela mudança de mix e aquisições da companhia, o que não é necessariamente ruim. Visando expandir a marca, é necessário também atacar outros públicos, o que significa cobrir exames de tickets menores. A estratégia é vencedora no momento em que o volume compensa essa queda de receita por exame, que é o que tem ocorrendo (vide o lucro operacional subindo no trimestre). Ainda assim, aqui é um ponto pessoal sob a análise de cada investidor. Alguns preferem ticket maior e ataque a linha mais premium, outros acham estratégia melhor no ganho de volume... enfim, em termos financeiros, nada de errado com a queda.
Na linha de despesas, nada anormal. Em meio a todas essas aquisições que estão sendo realizadas, a despesa tende a vir maior que o normal até que a sinergia, gastos desnecessários, gastos não recorrentes e afins sejam realizados.
O ponto de atenção além das evidências de eficiência de todas essas aquisições é o resultado financeiro da companhia, visto que a Fleury tem se alavancado para comprar todas essas companhias nos últimos meses.
Sem dúvidas, a Fleury é uma das companhias com um dos trimestres mais movimentados da bolsa brasileira. Uma porrada de aquisições, num setor sensível à pandemia e com um anuncio de uma gigantesca fusão no início de junho – a fusão com a Hermes Pardini.
Para contextualizar: a fusão com a Hermes Pardini criará a maior companhia do segmento diagnóstico do Brasil. Uma gigante com R$ 6.1 bilhões (LTM) de receita, 20.8 mil funcionários, 487 unidades de atendimento, 6.6 mil laboratórios e 39 marcas e complementariedade geográfica excelente, visto que ambas companhias atuam em regiões distintas, fazendo com que a companhia passe a ter presença nacional. Ainda sob a responsabilidade da decisão do CADE para ver se o processo realmente irá pra frente, é inegável que essa fusão acarretará num colosso do segmento de saúde, um movimento defensivo (ou ofensivo, dependendo da ótica) interessante num mercado que está passando por mudanças fortes com players gigantes (como a própria Rede D’or) verticalizando seus negócios.
Enfim como dito, é um movimento que ainda depende da aprovação do CADE, mas que o investidor da Fleury tem obrigação desse conhecimento. Ao que interessa, vamos falar sobre os números da Fleury no 2T22.
No 2T22 a Fleury reportou crescimento de receita sob as duas formas de análise viáveis: orgânica (sem considerar aquisições) e não orgânica (desconsiderando aquisições). De forma não orgânica o crescimento foi de 19%, de R$ 1 bilhão para R$ 1.2 bilhão, atingindo recorde de receita trimestral. Desconsiderando as aquisições, o crescimento foi de 10% - e aqui é importante sempre analisar sob as duas óticas, visto que uma companhia que depende do crescimento somente via aquisição, pode caminhar uma trajetória problemática.
Outro ponto interessante de citar é o fato de que a companhia está zerando o impacto dos exames de Covid-19 na sua receita bruta. Isso é ótimo. Para se ter ideia, no 3T20 quase 11% da receita da Fleury foi graças a testes de Covid-190, enquanto no 2T22 foi apenas 3,9%. Desconsiderando esses testes (que de certa forma podem ser encarados como não recorrentes), o crescimento de receita foi de 24,7% no não orgânico e 16% no orgânico – ou seja, crescimento ainda mais forte do que as headlines apontam.
Dissecando por unidades de atendimento, todas marcas tiveram forte crescimento comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com destaque a marca própria “Fleury”, com crescimento de 14,2%, e a marca a+ SP, com crescimento de 16,5%. O destaque “negativo” são as marcas do RJ que tiveram o menor crescimento, de 8,0%, mas ainda um crescimento reconhecível, visto que a é uma mudança de tendencia de retração que vinha ocorrendo e a gestão inclusive apontou ganho de market share.
Os atendimentos tiveram forte crescimento, de 17,7% (não orgânico) e 7,2% (orgânico), mas a receita bruta por exame caiu de R$ 52,9 para R$ 48,0. A queda é explicada pela mudança de mix e aquisições da companhia, o que não é necessariamente ruim. Visando expandir a marca, é necessário também atacar outros públicos, o que significa cobrir exames de tickets menores. A estratégia é vencedora no momento em que o volume compensa essa queda de receita por exame, que é o que tem ocorrendo (vide o lucro operacional subindo no trimestre). Ainda assim, aqui é um ponto pessoal sob a análise de cada investidor. Alguns preferem ticket maior e ataque a linha mais premium, outros acham estratégia melhor no ganho de volume... enfim, em termos financeiros, nada de errado com a queda.
Na linha de despesas, nada anormal. Em meio a todas essas aquisições que estão sendo realizadas, a despesa tende a vir maior que o normal até que a sinergia, gastos desnecessários, gastos não recorrentes e afins sejam realizados.
O ponto de atenção além das evidências de eficiência de todas essas aquisições é o resultado financeiro da companhia, visto que a Fleury tem se alavancado para comprar todas essas companhias nos últimos meses.
No 2T22 o vilão foi a despesa financeira, o lucro operacional foi forte, mas por conta da dívida mais alta e o CDI nas alturas, a companhia teve um crescimento de despesa financeira de R$ 43 milhões para R$ 108 milhões, um crescimento de 150%. Não é um número preocupante, mas esmagou bem a margem no período. Chegamos a comentar sobre isso nos trimestres que já passaram e que em tempos de CDI mais alto as empresas com alavancagem tendem a apanhar um pouco mais.
Apesar desse resultado financeiro, o endividamento da Fleury ainda é saudável – não preocupa, mas como sempre falamos, não negligencie nem menospreze os riscos independente do apreço que você tem pela companhia. A dívida líquida sobre o EBITDA cresceu de 1,4x para 1,8x e a companhia tem caixa para bancar suas obrigações até o começo de 2024, ou seja, considerando que a Fleury é forte geradora de caixa, nada alarmante por enquanto. A dívida é facilmente honrável.
Na linha de lucro líquido, cresceu 7,6% comparado ao 2T21, com a margem líquida caindo de 7% para 6,3% - resultado, como mencionamos, da pressão do resultado financeiro com o CDI nas alturas.
Enfim, o resultado da Fleury serve para mostrar como a SELIC alta é nociva para a economia real. Nem de longe uma SELIC de 14% inviabiliza o negócio ou torna a Fleury uma destruidora de valor, mas fica claro como muito dinheiro é sugado do negócio para arcar com dívidas – dinheiro esse que poderia ser direcionado para mais investimento e mais crescimento, gerando mais empregos e melhorando ainda mais a economia real.
O destaque positivo da Fleury vai para seu crescimento, a expansão até o momento tem sido um sucesso com a companhia crescendo tanto organicamente quanto de forma total com suas aquisições, mas o CDI alto comendo pelo resultado financeiro acaba ofuscando o brilho desse crescimento. Não acreditamos que o CDI permaneça nesse patamar alto por muito tempo, e mesmo se permanecer, a Fleury até o momento não tem qualquer evidência de dificuldade para sobreviver ao cenário, com completa capacidade de solvência e pagamento das dívidas, mas quando o CDI cair, espere uma verdadeira potencializada do resultado de toda essa expansão da companhia.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Apesar desse resultado financeiro, o endividamento da Fleury ainda é saudável – não preocupa, mas como sempre falamos, não negligencie nem menospreze os riscos independente do apreço que você tem pela companhia. A dívida líquida sobre o EBITDA cresceu de 1,4x para 1,8x e a companhia tem caixa para bancar suas obrigações até o começo de 2024, ou seja, considerando que a Fleury é forte geradora de caixa, nada alarmante por enquanto. A dívida é facilmente honrável.
Na linha de lucro líquido, cresceu 7,6% comparado ao 2T21, com a margem líquida caindo de 7% para 6,3% - resultado, como mencionamos, da pressão do resultado financeiro com o CDI nas alturas.
Enfim, o resultado da Fleury serve para mostrar como a SELIC alta é nociva para a economia real. Nem de longe uma SELIC de 14% inviabiliza o negócio ou torna a Fleury uma destruidora de valor, mas fica claro como muito dinheiro é sugado do negócio para arcar com dívidas – dinheiro esse que poderia ser direcionado para mais investimento e mais crescimento, gerando mais empregos e melhorando ainda mais a economia real.
O destaque positivo da Fleury vai para seu crescimento, a expansão até o momento tem sido um sucesso com a companhia crescendo tanto organicamente quanto de forma total com suas aquisições, mas o CDI alto comendo pelo resultado financeiro acaba ofuscando o brilho desse crescimento. Não acreditamos que o CDI permaneça nesse patamar alto por muito tempo, e mesmo se permanecer, a Fleury até o momento não tem qualquer evidência de dificuldade para sobreviver ao cenário, com completa capacidade de solvência e pagamento das dívidas, mas quando o CDI cair, espere uma verdadeira potencializada do resultado de toda essa expansão da companhia.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – BB Seguridade ($BBSE3) – 2T/2022
Sem muito o que falar, mais um trimestre como outro qualquer, com o lucro de sempre (literalmente) – apontando para talvez uma “acelerada”.
Quem já buscou por opções de investimento no segmento de seguros da bolsa de valores brasileira, já deve ter se deparado com a BB Seguridade. Os números atraem: lucro alto e consistente, payout alto e consistente e aquela boa caracterização de pagadora de dividendos que a maioria dos investidores gostam. Além disso, seu perfil é diferente das demais do segmento: ela possui ampla participação no segmento rural, o que a torna mais segura em alguns aspectos. Seu único problema é: os números da companhia não saem do lugar já fazem alguns anos, sendo que seu lucro em 2021 foi quase o mesmo 2014. O 2T22 entregou um recorde de lucro que talvez tenha mostrado melhor movimentação da gestão para mudar isso, embora seja cedo para dizer. Enfim, isso não muda o fato de que a empresa pode desempenhar o papel de boa pagadora numa carteira mais conservadora. Vamos aos números.
No 2T22 a BB Seguridade entregou um lucro líquido de R$ 1.4 bilhão, 86,6% acima do lucro atingido no 2T21. No período, todos seus segmentos cresceram forte (lembrando que a holding gera resultados, com a Brasilseg (seguros), Brasilprev (previdência), Brasilcap (capitalização) e com a sua corretora (BB Corretora). O lucro líqudio de fato foi forte, atingindo um recorde histórico para a companhia, mas esse crescimento percentual é explicado principalmente por dois fatores que ocorreram no 2T21 que acabaram esmagando as margens: (I) sinistralidade altíssima no segmento de vida, resultante do infortúnio da pandemia e (II) sinistralidade altíssima no segmento rural, resultante dos problemas climáticos que acabaram prejudicando as safras agros da época, com secas e afins. Ou seja, o resultado de fato foi forte, mas a base de comparação foi relativamente mais fraca por conta de dois fatores que dificilmente se repetem (a não ser que você conte com pandemia e estiagem todo ano) e é necessário tomar cuidado com a percepção tomada sobre os percentuais.
Sobre o resultado financeiro, a companhia reportou um lucro de R$ 166 milhões, uma alta em relação ao 2T21 (que deu prejuízo de R$ 102 milhões) mas uma queda em relação ao 1T22 (que deu lucro de R$ 232 milhões). Aqui vale pontuar um efeito interessante que ocorreu também no balanço da Porto, que alguns investidores se incomodam – a marcação a mercado dos títulos que as companhias possuem. Essa marcação acaba gerando reprecificação dos títulos na curva, o que pode gerar ganhos ou perdas na apuração de curto prazo – que é justamente o que ocorreu aqui também com a BB Seguridade. Não significa necessariamente que a companhia está perdendo dinheiro, a não ser que a venda dos títulos seja realizada.
No segmento de prêmios e sinistro, a ilustração do crescimento do resultado do período. A companhia reportou um crescimento de 23% de prêmios emitidos no 2T22, atingindo R$ 3.9 bilhões, enquanto a sinistralidade teve uma queda de 23,7pp, resultante principalmente do que mencionamos no começo da análise, sobre a melhora no cenário de seguros de vida e do segmento rural. Aqui vale também citar o fato de que a maior parte dos prêmios omitidos foi do segmento rural (+43,1), mostrando a força que a companhia tem nesse sentido.
Entre outras informações interessantes, a companhia sempre divulga seu market share em cada segmentos de seguro, respectivamente. Com exceção do segmento empresarial, todas as outras verticais tiveram crescimento – com destaque ao segmento rural, que é o maior do país e sozinho representa 60,5% de todo o mercado brasileiro.
Sem muito o que falar, mais um trimestre como outro qualquer, com o lucro de sempre (literalmente) – apontando para talvez uma “acelerada”.
Quem já buscou por opções de investimento no segmento de seguros da bolsa de valores brasileira, já deve ter se deparado com a BB Seguridade. Os números atraem: lucro alto e consistente, payout alto e consistente e aquela boa caracterização de pagadora de dividendos que a maioria dos investidores gostam. Além disso, seu perfil é diferente das demais do segmento: ela possui ampla participação no segmento rural, o que a torna mais segura em alguns aspectos. Seu único problema é: os números da companhia não saem do lugar já fazem alguns anos, sendo que seu lucro em 2021 foi quase o mesmo 2014. O 2T22 entregou um recorde de lucro que talvez tenha mostrado melhor movimentação da gestão para mudar isso, embora seja cedo para dizer. Enfim, isso não muda o fato de que a empresa pode desempenhar o papel de boa pagadora numa carteira mais conservadora. Vamos aos números.
No 2T22 a BB Seguridade entregou um lucro líquido de R$ 1.4 bilhão, 86,6% acima do lucro atingido no 2T21. No período, todos seus segmentos cresceram forte (lembrando que a holding gera resultados, com a Brasilseg (seguros), Brasilprev (previdência), Brasilcap (capitalização) e com a sua corretora (BB Corretora). O lucro líqudio de fato foi forte, atingindo um recorde histórico para a companhia, mas esse crescimento percentual é explicado principalmente por dois fatores que ocorreram no 2T21 que acabaram esmagando as margens: (I) sinistralidade altíssima no segmento de vida, resultante do infortúnio da pandemia e (II) sinistralidade altíssima no segmento rural, resultante dos problemas climáticos que acabaram prejudicando as safras agros da época, com secas e afins. Ou seja, o resultado de fato foi forte, mas a base de comparação foi relativamente mais fraca por conta de dois fatores que dificilmente se repetem (a não ser que você conte com pandemia e estiagem todo ano) e é necessário tomar cuidado com a percepção tomada sobre os percentuais.
Sobre o resultado financeiro, a companhia reportou um lucro de R$ 166 milhões, uma alta em relação ao 2T21 (que deu prejuízo de R$ 102 milhões) mas uma queda em relação ao 1T22 (que deu lucro de R$ 232 milhões). Aqui vale pontuar um efeito interessante que ocorreu também no balanço da Porto, que alguns investidores se incomodam – a marcação a mercado dos títulos que as companhias possuem. Essa marcação acaba gerando reprecificação dos títulos na curva, o que pode gerar ganhos ou perdas na apuração de curto prazo – que é justamente o que ocorreu aqui também com a BB Seguridade. Não significa necessariamente que a companhia está perdendo dinheiro, a não ser que a venda dos títulos seja realizada.
No segmento de prêmios e sinistro, a ilustração do crescimento do resultado do período. A companhia reportou um crescimento de 23% de prêmios emitidos no 2T22, atingindo R$ 3.9 bilhões, enquanto a sinistralidade teve uma queda de 23,7pp, resultante principalmente do que mencionamos no começo da análise, sobre a melhora no cenário de seguros de vida e do segmento rural. Aqui vale também citar o fato de que a maior parte dos prêmios omitidos foi do segmento rural (+43,1), mostrando a força que a companhia tem nesse sentido.
Entre outras informações interessantes, a companhia sempre divulga seu market share em cada segmentos de seguro, respectivamente. Com exceção do segmento empresarial, todas as outras verticais tiveram crescimento – com destaque ao segmento rural, que é o maior do país e sozinho representa 60,5% de todo o mercado brasileiro.
Enfim, analisando os números, percebe-se o perfil diferente que a companhia possui no segmento de seguros – diferente da Porto, por exemplo, que está sendo fortemente impactada no momento por conta do cenário no mercado de veículos, o BB Seguridade está inserido em outros mercados e tem passado bem por esse momento turbulento. A desvantagem nisso é seu ritmo de crescimento. Enquanto a Porto mais do que dobrou sua receita na última década, o BB Seguridade segue andando de lado, apesar de ter crescido bem esse trimestre e talvez apresentado alguma evidência de aceleração de crescimento. Isso é resultado do segmento que a companhia está inserida e não necessariamente é algo ruim. Dependendo da ótica, um ativo mais conservador que paga tantos dividendos pode desempenhar um papel interessante na carteira, com aquele rótulo de “vacas leiteiras”.
Veremos o caminhar dos resultados da companhia nos próximos trimestres para ver se há algum tipo de guinada a expansão de seus negócios. Lembrando que pelo fato de ser uma holding, a BB Seguridade não reporta receita nem margens, mas apenas o lucro, resultante da equivalência patrimonial.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Veremos o caminhar dos resultados da companhia nos próximos trimestres para ver se há algum tipo de guinada a expansão de seus negócios. Lembrando que pelo fato de ser uma holding, a BB Seguridade não reporta receita nem margens, mas apenas o lucro, resultante da equivalência patrimonial.
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