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Opinião e análise breve – Energias do Brasil ($ENBR3) – 2T/2022

Mais um ótimo trimestre, sem grandes surpresas, com crescimento em linha com o esperado e o resultado financeiro machucando por conta da alta de juros e inflação – como sempre.

Talvez você não se lembre, mas na última opinião que demos sobre o resultado da EDP, citamos justamente ela: a dívida e seu custo com essa alta de juros irrefreável (e questionável) praticada pelo Banco Central do país. Nesse resultado, ocorreu justamente o que esperávamos, com o custo da dívida batendo. Não é algo tão ruim quanto parece e longe de preocupar, mas ainda assim, um fator que machuca o lucro no curto prazo.

Enfim, vamos aos números.

No 2T22 a EDP entregou um crescimento de receita de 7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O número foi potencializado pelo crescimento do trading (trading de energia, no caso, o mercado de venda de energia que ela atua) com um crescimento de 47,7%, pelo crescimento do segmento de transmissão com 50,2% e uma ligeira melhora na geração hídrica, com um crescimento de 1,7%. É interessante destacar aqui o crescimento da linha de transmissão da companhia, que tem crescido bem e de forma segura, sendo uma diversificação muito boa a ser realizada pela EDP, visto que o segmento de transmissão é conhecimento pela sua segurança e alta rentabilidade.

Sem dúvidas, o destaque do trimestre foi o crescimento das margens da companhia, em especial a margem bruta: o crescimento foi de 35,7% por três fatores principais: (I) os reajustes tarifários do segmento de distribuição (principal linha de atuação da companhia), (II) os reajustes contratuais do segmento de geração hídrica somado a melhora do cenário hidrológico com reservatórios mais cheios, e (III) a eficiência do trading da companhia, aproveitando as flutuações de preços do período. É interessante pontuar principalmente o fatores de reajuste tarifário, que ilustra como empresas do segmento de energia elétrica tem um altíssimo potencial de proteger contra a inflação no longo prazo, com sua dinâmica de ajuste de tarifas de acordo com os índices inflacionários. O reajuste do segmento de distribuição por si só causou um impacto positivo expressivo nas margens.

Seguindo, sob o prisma das despesas da companhia, tudo sob controle, com a companhia demonstrando responsabilidade ao controlar bem os gastos que estão sob seu alcance. Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, o crescimento do PMSO (caso você não saiba, é um acrônimo muito usado para determinar os gastos com Pessoal, Material, Serviços e Outras despesas) foi de apenas 9,9%, abaixo da inflação do período. O principal fator que elevou o PMSO foi o grupo de Pessoal, por conta da incorporação da EDP Goiás (aumento de funcionários) e reajustes salariais segundo acordo vigente de novembro de 2021.

Agora, o ponto mais importante do release da companhia – a linha de resultado financeiro.
Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a companhia teve um aumento de 204% de despesas financeiras – colocando sob uma ótica um pouco menos impactante, visto que percentuais em valores altos acabam distorcendo a percepção: a despesa financeira cresceu de R$216 milhões para R$657 milhões trimestre a trimestre. O motivo, como esperado: o aumento forte da SELIC (CDI) e do IPCA no período, lembrando que 63% da dívida da EDP está indexada ao CDI e 32% ao IPCA.

Apesar desse crescimento de gasto com despesa financeira ser expressivo, não é preocupante pelos seguintes motivos: (I) a dívida está extremamente controlada, com a alavancagem ainda baixa (2,1x DL/EBITDA), (II) o custo médio está bem abaixo do retorno que a companhia consegue gerar (cresceu de 9,0% para 11,8% atualmente) e (III) a dívida é alongada e a companhia possui bastante dinheiro em caixa para honrar as obrigações nos próximos anos, além da facilidade de pagamento em um cenário caótico (e improvável) para o pagamento cortando parte dos proventos e relacionados. Isso não é cenário base, é apenas uma evidência da alta capacidade da companhia para honrar as dívidas.
Como resultado final, mesmo com essa pressão da despesa financeira sobre a companhia por conta do cenário adverso, a EDP se mostra resiliente, forte e atravessou o trimestre com um crescimento de lucro de 10,6% no período, gerando quase R$1 bilhão de caixa livre.

Repetindo o que sempre falamos: o fato da companhia ser gigante, conservadora e ter resultados fenomenais, não isenta o investidor de sua obrigação de manter o policiamento sobre a gestão da dívida da companhia e afins. A EDP segue uma vencedora que sequer num cenário adverso com um custo de dívida astronômico (o que é normal em tempos de SELIC mais alta) fraqueja, mas jamais tenha o viés ou deixe seu apreço pela companhia subjugar os pontos de risco.

Em tempo, na nossa leitura, mais um bom trimestre para a EDP.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 2T/2022

Em tempos adversos, nunca da para esperar um desempenho excelente do segmento de bebidas por dois motivos: o primeiro, a tendência a diminuição de consumo de algumas linhas (como o de cerveja entre outros produtos alcoólicos, que é o caso da Ambev), o segundo, a inflação, que no curto prazo tende a esmagar as margens até que as empresas consigam repassar os custos em totalidade. Mesmo sem esperar esse desempenho, a Ambev tem surpreendido positivamente atravessando o cenário inflacionário conseguindo realizar a manutenção das margens somado a um crescimento de volume de vendas. Vamos aos números.

Na linha de volume produzido, a Ambev atingiu um recorde histórico para o trimestre: foram 42.2 milhões de hectolitros vendidos, um crescimento de 6,1% comparado ao último trimestre. Os destaques de volume vão para o segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil, com +16,5%, cerveja no Brasil, com +8,5%, a América Latina, com +1,5%, com crescimento mesmo face a adversidade do problema hiperinflacionário argentino (que é um mercado significativo para a companhia). Na ponta negativa, houve queda de volume vendido na América Central e Caribe e no Canadá, com quedas de 10,5% e 2,9%, respectivamente. Essa queda é explicada por dois fatores: (I) problemas de cadeia logística na América Central, com escassez de garrafas de vidro, e (II) inflação reduzindo o consumo no Canadá, sendo que a companhia até evidência o problema estrutural com o fato de que a Ambev ganhou market share no período mesmo com queda de volume vendido, o que indica claramente o fato de que todo o segmento está passando pelo problema.

Com todo esse aumento de volume vendido, a companhia atingiu também recorde de receita líquida pro segundo trimestre de um ano. Houve crescimento expressivo de 14,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$18 bilhões, sendo que todas as linhas de vendas apresentaram aumento de receita (mesmo com queda de volume em na América Central e Canadá) expressando o sucesso do repasse de inflação aos produtos. Na ponta negativa, a margem bruta da companhia, já que estamos falando de inflação. Houve queda ligeira de 1,4pps (de 49,3% para 47,9%) da margem bruta, refletindo ainda a inflação batendo forte nas margens da companhia.

O custo por produto vendido (principal fator que ataca as margens) teve um crescimento de 17,7% comparando ao mesmo trimestre do ano passado. O problema não é surpresa, são as commodities e a escassez de alguns produtos batendo nas margens. Como citamos, na própria América Central houve escassez de garrafas de vidro a ponto de parar a produção da companhia em alguns momentos (não em vão houve queda de volume vendido por lá), a queda por si só já significa que as garrafas estão sendo vendidas a preços maiores e consequentemente as margens apertam.

O ponto positivo nessa relação é: mesmo com toda a alta de custos e a margem sendo atacada pela inflação, a Ambev está conseguindo repassar os preços – e vai continuar repassando, até que o ponto de equilíbrio da companhia seja atingido novamente. O melhor indicador possível para identificar isso é o fato de que mesmo com os aumentos de preços dos produtos, o volume por litro vendido segue subindo forte, o que expressa claramente a capacidade da companhia em repasse inflacionário aos seus produtos.

Na linha de lucro líquido, sem grandes surpresas: a Ambev atingiu também recorde de lucro histórico para o trimestre, atingindo R$3.1 bilhões e crescendo 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Nosso ponto de vista sobre o resultado da companhia é simples: no cenário caótico e adverso que a economia se encontra, demonstrar crescimento sólido como a Ambev tem demonstrado, já diz muito sobre a qualidade da empresa. É uma companhia que está atravessando inflação na veia de seus produtos (milho e trigo foram as commodities que mais subiram no último trimestre, mas caíram forte no último mês, então espere um cenário mais positivo para o 3T22), uma hiperinflação na argentina, escassez de alguns materiais e ainda assim consegue atingir recorde de volume vendido, receita e lucro líquido. Realmente respeitável.

Sobre dívida, caixa e afins, não vemos necessidade de análise, visto que a companhia é uma gigante sólida que sequer possui dívidas – e esse é inclusive um dos seus grandes benefícios.

Não enxergamos nenhum risco em relação a toda aqueles boatos que ocorriam há alguns anos tratando sobre perda de mercado por conta da Heineken, artesanais e afins. Até o momento, o filme tem sido de ganho de mercado com perda de margem por conta de inflação – e tenha certeza, se a maior empresa do planeta no seu segmento sofre nas margens com toda sua capacidade de barganha, as menores sofrem bem mais. Como dissemos, no 3T22 há grandes chances de uma folga nas margens por conta da queda do preço do trigo e do milho entre outras commodities, mas o cenário nesse aspecto anda completamente incerto, então é só uma ideia a ser considerada mesmo.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Alguns Dados do 2T22 da Multiplan e as entrelinhas.

Como vocês devem acompanhar, publicamos uma série de indicadores econômicos do país de forma recorrente – hoje saiu a taxa de desemprego, que segue em forte queda, na casa dos 9,3% no menor patamar desde 2015 (contra os 14,9% em fevereiro de 2021, máxima registrada na década). Além disso, o PIB também tem surpreendido positivamente, sendo revisado para cima com estimativas de até 3,5% para o final do ano, enquanto se falava sobre recessão no ano passado.

Analisando os dados da Multiplan do segundo trimestre de 2022, mais alguns números que evidenciam fatores positivos.

As vendas dos lojistas dos shoppings da rede cresceram quase 30% comparado ao mesmo trimestre de 2019 – é um crescimento bem expressivo que supera com folga a inflação acumulada. Além disso, dividendo por segmentos, com exceção do segmento de artigos de lar e escritório, os demais apresentaram forte alta, com destaque ao segmento de vestuário, que cresceu 47%. Ou seja, um indício de que o resultado da Renner entre outras varejistas de moda podem vir fortes no trimestre.

É obvio que esse tipo de análise não representa em totalidade a atividade econômica do país, afinal, estamos falando de uma rede de shoppings – mas considerando outros dados econômicos, corrobora forte com o que tem acontecido nos últimos meses, expressando a retomada econômica que o país guinou em termos de amostragem, visto que shoppings são indicadores fortes de consumo por ainda serem locais adorados pelos brasileiros.

Independente da ótica, é excelente ver todos esses dados de atividade econômica com viés tão positivo em um cenário recessão nos EUA, turbulência na Europa e desaceleração na China.
Opinião e análise breve – Raia Drogasil ($RADL3) – 2T/2022

Já era esperado um trimestre forte para a Raia Drogasil no 2T22. É nesse período que as varejistas recebem a permissão de repasse de inflação para o preço de seus remédios (lembrando que o segmento é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED) e as margens melhoram. A questão é: a melhora foi bem além das estimativas mais otimistas. No período, a varejista farmacêutica surpreendeu em todas as linhas de resultados, literalmente, sem deixar de demonstrar a força da sua marca em momento algum. Vamos aos números.

Em linha com seu guidance, no 2T22 a Raia Drogasil continuou com sua estratégia agressiva de expansão, abrindo 64 novas farmácias no período – ressaltando aqui que o guidance da companhia é de uma abertura total de 260 aberturas para 2022 e a empresa tem cumprido o guidance com maestria. Com isso, a quantidade de farmácias abertas subiu de 2.374 para 2.581 comparado com o mesmo trimestre do ano passado (+207 farmácias) e a quantidade de municípios que ela cobra subiu de 436 para 512 comparado ao mesmo trimestre do ano passado (+76 municípios). Esses números são importantes por dois motivos: (I) expressa a presença da companhia além dos locais que ela já tem força, significa expansão de fato, e (II) o segmento farmacêutico ainda é altamente dependente de vendas físicas. O digital tem crescido muito, mas muitas pessoas ainda preferem comprar remédios e relacionados em lojas físicas dada a natureza dos produtos em termos de urgência de uso. Vale mencionar também que essas aberturas melhoram a logística do segmento digital da companhia, visto que as farmácias tornam-se os “centros de distribuição” de suas vendas nesses canais (93% das vendas no digital são entregues por uma loja física).

Não em vão, a companhia conseguiu crescer em participação de mercado em absolutamente todas as regiões do país. Foi atingido 14,4% do total com um crescimento de 0,4% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Outra evidência do sucesso de sua estratégia de expansão, visto que ela tem crescido tanto no Norte/Nordeste quanto no Sul, que são mercados de “ataque”, isso é, que ela ainda é menor e pretende aumentar sua penetração. A título de curiosidade, em SP ela atingiu praticamente os 30% de participação de mercado (25,94% para ser mais exato) e é a maior do segmento disparadamente – não em vão se você é paulista, vê tantas Raias/Drogasil por aí.

Na área digital, mais números fortes. A companhia atingiu 10,5% de penetração de vendas vias canais digitais, representando R$ 764 milhões da receita do período. Vale destacar que o crescimento do digital segue forte (com quantidade de downloads do aplicativo da companhia numa média acima de 20% t/t ultrapassando os 20 milhões no 2T22) e que ele também serve como marketplace, já abrangendo quase 600 vendedores em sua rede.

A receita bruta da companhia disparou, crescendo 22,4% potencializada por dois motivos, (I) o reajuste de preço dos medicamentos concedido pela CMED, e (II) maior incidência de problemas com doenças respiratórias no período (vide boom de gripe e COVID com a ida as farmácias forçando a venda de remédios como expectorantes e relacionados). Apesar desse cenário atípico, o crescimento da receita vai bem além, visto que estamos falando de um crescimento de R$ 6.2 bilhões para R$ 7.6 bilhões – ou seja, o cenário corroborou, mas é uma alta de R$ 1.4 bilhão de faturamento, com todas as linhas crescendo forte (+18,7% perfumaria, +28,6% OTC, +22,7% genéricos e +22,8% de Marca).
Nas linhas de despesas, as despesas com vendas cresceram 18% no período, de R$ 1.1 bilhão para R$ 1.3 bilhão, a margem teve melhora, sendo que houve queda de 17,9% da receita total despendida com isso para 17,4%, ou seja, uma diluição de 0,5pp nos custos, melhora de performance. As despesas gerais e administrativas subiram 44% no período, de R$ 180 milhões para R$ 260 milhões e passaram a representar 3,4% da receita bruta total, ante 2,9% no mesmo período do ano passado. Esse crescimento é explicado principalmente pelos investimentos da companhia realizados no segmento digital no período (que, como mostramos, tem gerado fortes resultados, já representando 10,5% da receita total da companhia). Nas despesas financeiras, houve crescimento de R$ 27 milhões para R$ 98 milhões no período, crescendo de 0,4% para 1,3% - o motivo de sempre que vocês verão na maioria das análises... SELIC. É assim que a SELIC breca completamente a inflação, sugando o dinheiro das companhias e repensando novos investimentos pelo custo alto demais. Não são todos que podem ou querem contrair dívida para a expansão com uma SELIC de 13,25% ao ano. Ainda assim, para a Raia Drogasil isso é irrelevante e o custo é mínimo, além da dívida bem controlada da companhia e a alavancagem baixíssima.

Na parte de lucro, talvez o que mais surpreendeu – a melhora das margens. No lucro bruto, a companhia teve um crescimento de margem de 28,8% para 30,3%, nos R$ 2.3 bilhões (contra R$ 1.8 bilhão no mesmo trimestre do ano passado), enquanto no lucro líquido, houve crescimento de 48,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com melhora de margem líquida de 3,7% para 4,5% - uma margem altíssima dada a natureza do setor (farmacêuticas costumam trabalhas com margens próximas a 1,5%).

Em suma, trimestre fortíssimo pra Raia Drogasil. O segundo trimestre do ano sempre tende a ser o mais forte para o setor por conta dos reajustes de preço dos medicamentos permitido pela CMED, o que causa maior efeito de ganho para as companhias por fator de estoque e afins, mas ainda assim, o trimestre da empresa foi ainda mais forte do que o esperado, com ganhos bem além do que os mais otimistas projetavam. Fatores como a expansão física da rede e do digital pesam muito nas análises e acabam passando despercebido pelos que focam muito na linha de lucro, sendo que esses foram outros dois pontos fortes da empresa no trimestre.

O lucro encanta, mas lembre-se sempre que ele é o resultado final de um conjunto de fatores construídos pela companhia. A Raia Drogasil tem criado todos esses fatores com maestria, e não em vão você sempre verá a ação sendo precificada com um P/L mais alto pelo mercado – é uma empresa com não 5 ou 10 anos de crescimento sólido como um relógio, mas 20 anos. Duas décadas andando nos trilhos, atravessando cenários adversos e mostrando como o segmento é resiliente e faz sentido numa carteira de longo prazo.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Breve “spoiler” sobre a inflação de julho.

Como esperado, o mês de julho provavelmente terá forte deflação, com 5 dos 8 grupos apurados pela FGV demonstrando queda de preços.

No período, a ponta negativa foi o leite (como todos já devem saber) que disparou em preço subindo 22,11% nas últimas 4 semanas, enquanto na ponta positiva está o tomate, com uma queda de 22,39%.

Citamos que era esperado porque essa deflação ocorreu de forma não recorrente, com o corte de ICMS sobre o preço dos combustíveis (gasolina, diesel e etanol), corte de ICMS na energia elétrica entre outros fatores. É importante mencionar também a queda das commodities no período que corroboraram positivamente com esses números. Para se ter ideia, o mercado esperava -0,82%, enquanto as projeções mais otimistas falavam sobre -1,12% e o realizado foi de -1,19%, ou seja, números bem melhores que até mesmo as mais otimistas das projeções.

Se a deflação vier forte sobre o IPCA de julho e isso impactar de alguma forma a indexação de alguns dos seus investimentos (vide FIIs de papéis), não se preocupe – o Brasil não está entrando em uma espiral deflacionária, embora uma queda de preços talvez também seja motivo para comemoração.
Opinião e análise breve – Engie ($EGIE3) – 2T/2022

Um trimestre sem surpresas. Como uma boa companhia do segmento de geração elétrico, o resultado da Engie veio em linha com o que era esperado, tendo melhora significativa por conta do fim da crise hídrica com um período de reservatórios mais cheios e dos seus investimentos em geração e transmissão que começam a dar as caras. Vamos aos números.

No 2T22 a Engie entregou uma receita 4,4% menor do que a do 2T21, de R$ 3.1 bilhões pra R$ 2.9 bilhões. A princípio o número parece negativo, afinal, queda de receita tende a ser mau sinal, mas há explicação. O número foi fortemente impactado por conta de dois fatores: (I) a alteração das parcelas da transmissão no que tange a RAP (receita anual permitida), e (II) o volume de trading de trading de energia realizado no mesmo período do ano passado, que foi altíssimo decorrente da estiagem que estávamos passando. Ou seja, não é fator negativo, pelo contrário, nas entrelinhas há melhora de cenário com o fim da estiagem.

Na parte da produção de energia, houve forte crescimento no período, refletindo a melhora do cenário dos reservatórios e o alinhamento da Engie em investimentos de novas fontes de geração de energia em termos complementares que contemplam sua estratégia de transição energética. A quantidade foi de 10.303 GWh gerados, 60% acima da quantidade gerada no mesmo trimestre do ano passado. Como mencionado, vale o destaque pro crescimento da quantidade gerada em suas fontes complementares (eólica e solar) e o fato de que no 2T22 já não houve funcionamento de nenhuma termelétrica, com a companhia atingindo resultados recordes sem que fossem utilizadas suas usinas “emergenciais”.

Sobre o preço da energia vendida, a cereja do bolo: houve crescimento de 6,9% comparado ao 2T21, de R$ 205,40 para R$ 219,5 por MWh. Esse crescimento ocorreu por dois fatores: a revisão dos contratos de concessão vigentes sendo atualizados de acordo com os seus respectivos índices, refletindo naquela mecânica simples de repasse inflacionário do segmento de energia que sempre tratamos, e por conta da melhora de performance da própria companhia com suas novas formas de geração de energia que exploram mais o segmento de renováveis (solar, principalmente). No semestral (comparando os primeiros seis meses de 2021 com os primeiros seis meses de 2022) a melhora é ainda maior, com um crescimento de 9,5% (de R$ 205,20 para R$ 224,8 por MWh).

Esse crescimento no preço de venda de energia junto da retomada da geração aos patamares saudáveis que o fim do período de estiagem causou e a sinergia das novas formas de geração, fez com que a margem operacional da companhia melhorasse violentamente, saindo dos 48,9% no 2T21 para os 63,3% no 2T22, atingindo um recorde de EBITDA pra um segundo trimestre e retomando patamares de mesmo grau de importância.

Na parte do endividamento, não houve surpresa: apesar do crescimento das despesas financeiras da companhia por conta do aumento do CDI e IPCA no período que ocasionou crescimento de 84,2% (de R$ 476 milhões para R$ 877 milhões), o endividamento da Engie segue controlado, no patamar de 2,1x de dívida líquida sobre o EBITDA (tendo ligeira redução de 2,2x em relação ao 1T22) e com a empresa gerando forte caixa sem qualquer indício de problema com esse montando de dívida. Lembrando que a maior parte da dívida da Engie está atrelada ao IPCA (76%) e a companhia tem em caixa dinheiro suficiente para honrar suas obrigações até 2024. Elétricas funcionam justamente dessa forma: face a previsibilidade da geração de seus resultados, elas se alavancam mais do que o normal. A Engie ilustra claramente esse ponto, com R$ 16 bilhões de dívida líquida, mas uma posição confortável gerando bilhões em caixa todo trimestre e tendo plena capacidade de arcar com isso de forma emergencial caso necessário – em outras palavras, não falta dinheiro ou geração de resultados para bancar a alavancagem.
Enfim, toda essa melhora de cenário na parte de geração, com o aumento do preço da venda de energia e o crescimento das margens fez com que o lucro líquido da Engie aumentasse 23,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 395 milhões.

A análise da Engie é simples, sem surpresas, ilustrando a princípio como companhias do setor elétrico possuem aquele cenário de calmaria na volatilidade dos resultados. É fato que 2021 foi um ano mais turbulento para a Engie, mas por fator obvio da crise hídrica sem precedentes que vivemos no período. A Engie como gigante geradora de energia hidrelétrica, sofreu forte, mas agora com a normalidade do cenário, a retomada dos resultados, margens e elevação dos números a patamares saudáveis fica evidente. Vale mencionar também que a Engie tem investido bilhões anualmente para a expansão do seu segmento de energia renovável e também no segmento de transmissão, então não se assuste com o endividamento – alavancagem bem realizada é mais dinheiro no bolso do acionista, e a companhia tem ótimo histórico nesse sentido.

Aos que gostam: a companhia pagará R$0,70 de dividendo por ação com data de corte no dia 17 de agosto, sem data de pagamento ainda definida, e representando 55% do lucro líquido já atingido no ano (lembrando que a Engie costuma pagar algo próximo a 100% do lucro auferido.

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Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3) – 2T/2022

Recorde de lucro histórico, com forte melhora de eficiência, margem e receita, mas com um sinal de alerta: a inadimplência, que tem sido tecla batida nos últimos trimestres e segue subindo.

Como de costume, os números do Bradesco vieram fortes, demonstrando que bancos, independente do cenário, desempenham crescimento e melhora de resultados.

No 2T22 o banco atingiu um lucro recorde histórico de R$ 7.04 bilhão, com um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento foi potencializado por alguns fatores, entre eles: (I) crescimento da receita de prestação de serviços, mesmo com a pressão do Pix e das fintechs a receita com cartões do Bradesco cresceu incríveis 26% comparado ao 2T21, resultante de benefícios agressivos que são concedidos (principalmente pela linha prime de clientes de alta renda, (II) melhora da margem financeira do banco, que cresceu com essa alta de juros (a diferença entre o quanto cobram para o quanto pagam de juros) e (III) forte melhora do segmento de seguros – lembrando que o Bradesco é o líder no segmento de seguros de saúde do país e com a melhora do cenário pandêmico, tem ocorrido queda da sinistralidade, que somado ao aumento da base de clientes fez o segmento de seguros atingir lucro histórico de quase R$ 2 bilhões. O destaque negativo nessa linha vai para a receita de contas correntes que caiu 4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e a receita de fundos de investimento, que com a disparada da SELIC, afugentou dinheiro da renda variável e acaba reduzindo o quanto as instituições ganham com taxa de administração. De modo geral, a receita com serviços pode ser considerado o destaque, crescendo quase 7% mesmo com todo o cenário de concorrência em cima dos bancões, que até o momento não tem demonstrado queda, apesar da narrativa sobre as fintechs dizer o contrário desde 2016.

A carteira de crédito, considerada a estrela do banco (afinal, faz parte de sua operação principal) cresceu 17,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado atingindo R$ 855 bilhões, sendo impulsionada principalmente por conta das grandes empresas e de pessoas físicas. Quando falamos sobre crédito, é importante que o investidor se atente a dois pontos principais: inadimplência e rating da carteira. Em termos de rating, 90% do crédito da carteira do banco está em clientes com boa nota (AAA – C) e isso expressa como o banco é seguro e mais seletivo nesse ponto, mas ainda assim, o destaque negativo do trimestre certamente vai para a inadimplência, que apesar de estar longe de ser algo preocupante, vem subindo desde janeiro, atingindo em junho os 3,5%, ante os 2,2% de janeiro. Esse crescimento de inadimplência já é sabido há um bom tempo, principalmente considerando essa alta violenta da SELIC no período e que boa parte das dívidas da pandemia acabaram sendo postergadas para agora, aquela “empurrada com a barriga”, digamos. Não é um número preocupante, mas como sempre falamos, independente do quanto você gosta da empresa, mais importante do que extrair o que é bom dela, é extrair o que é ruim, pois é nesse tipo de coisa que se encontra o risco.

A PDD (dinheiro que o banco destina para tomadores que não pagam suas dívidas) vem subindo desde o terceiro trimestre de 2021, atingindo R$ 5.3 bilhões nesse trimestre, refletindo justamente esse aumento de inadimplência e a postura mais defensiva da gestão para conter qualquer onda de calotes caso ocorra – lembrando que o PDD nada mais é do que uma espécie de dedução do banco para arcar com prejuízos de calotes no dinheiro que emprestam.

Entre outros destaques, vale mencionar a digitalização do banco, que é outro ponto que deve ser sempre bem analisado pelo investidor porque é a tendência que o cenário bancário tem seguido, com as fintechs forçando os gigantes a se mexere.
Entre o 2T21 e o 2T22 o Bradesco fechou 500 agências bancárias, zelando pelo seu compromisso com um estrutura mais enxuta, seus veículos digitais cresceram de forma sólida (Banco Next de 5mi para 12mi clientes, Bitz de 1mi para 8mi clientes e Digio de 2mi para 4mi clientes) sendo que hoje 98% das transações realizadas no banco são digitalmente e no trimestre foram dados R$30 bi em crédito via veículos digitais, mostrando como o banco tem se inclinado a ganhar dinheiro principalmente dessa forma. A Ágora, corretora do Bradesco que faz concorrência face as demais corretoras do mercado, também vem crescendo, atingido 825 mil clientes (contra 600 mil clientes no 2T21) e sendo a terceira maior corretora de pessoas físicas do país.

Enfim, análise de bancão é sem graça – dificilmente você verá movimentação forte de alguma forma. Todo trimestre é sempre a mesma coisa: continua crescendo, aumentando receita, aumentando base de cliente, aumentando lucro, gerando mais resultado... Aqui é questão de opinião, dando ênfase, é claro, e nós não achamos que as fintechs irão sobrepor os grandes bancos. Eles têm realizado um trabalho excepcional em digitalização e trocado a roda do carro com ele em movimento, fazendo aqui uma analogia breve. A diferença é que eles já possuem estruturas colossais e lucros multibilionários, o que facilita ainda mais o jogo.

Se você quer paz nos investimentos e é adepto de filosofia de investimento em qualidade e valor, os grandes bancos são ótimos cases de estudo. Não espere porrada de rentabilidade ou coisas do tipo, considere essas empresas como verdadeiras armaduras para a carteira.

Mais um trimestre do Bradesco, mais bons resultados e nada de surpresas. Fique apenas de olho na inadimplência e nas principais linhas que a revolução tecnológica tem atacado.

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Opinião e análise breve – Renner ($LREN3) – 2T/2022

Como falamos há alguns meses segundo as evidências da melhora dos indicadores econômicos, de consumo e dos fundos imobiliários de shoppings, o trimestre da Renner foi uma porrada – no bom sentido. Talvez o melhor resultado que lemos até então, superior até mesmo que o da Raia Drogasil, superando todas as expectativas, até as mais otimistas.

No segundo trimestre de 2022, a Renner seguiu mostrando a recuperação de suas operações após dois anos muito turbulentos com a pandemia obrigando o fechamento de todos os shoppings ao redor do Brasil – lembrando aqui que 99% das lojas da Renner estão situadas em shoppings, ou seja, shoppings fechados, Renner fechada.

Sua receita foi de R$ 3.2 bilhões no trimestre, com um crescimento de 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que houve crescimento de 43% nas lojas Renner em si (que contemplam também as lojas da Ashua e a Repassa) e crescimento de 66% da YouCom. O destaque negativo vai para a Camicado, com queda de 14% na receita com a companhia alegando um cenário mais desafiador com gastos nesse segmento – pontuando aqui que a Camicado representa uma parcela irrelevante do resultado da companhia. E se você não sabia que a Renner é dona da Ashua, Repassa, Youcom e Camicado, agora você sabe.

Nas vendas digitais, mais surpresas positivas – houve crescimento de 27% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse número é excelente por um motivo em especial: se você é investidor da companhia há um pouco mais de tempo, você deve se lembrar que a Renner começou a se movimentar tardiamente para digitalizar suas operações. Ela sempre foi completamente focada nas operações físicas, isso é, nos shoppings, e foi praticamente com a pandemia que ela começou a entrar no e-commerce de fato. Desde 2020 a evolução foi violentamente boa, ganhando cada vez mais espaço e atingido alguns números interessantes: (I) hoje 45% das vendas da companhia são entregues em até 2 dias, 48% entregues no mesmo dia ou em até 1 dia e a companhia conseguiu reduzir seu custo por entrega em quase 20% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Um ponto interessante a citar: a Renner tem um dos maiores centros de distribuição do país, com 163.000m² - o CD Cabreúva. Esse imóvel é também da Kinea, e está no fundo KNRI11, tendo sua obra finalizada recentemente. Isso ilustra bem o quanto a companhia tem investido em logística.

Sob a ótica das despesas, houve crescimento de 26,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas em virtude do crescimento da receita e da melhor performance da companhia, essas despesas foram diluídas e a Renner conseguiu ter aumento de margem de 1,1pp no período, para 56,1%. Outro ótimo ponto, ainda mais em tempos de inflação mais alta, surpreende, visto que ela está conseguindo repassar todas as altas de custos com seu poder de marca.

Na parte da dívida e resultado financeiro, sem comentários a citar. Nosso único ponto é sobre o follow-on que a companhia realizou de R$ 4 bilhões que até agora não tem sido muito utilizado. O CD de Cabreúva é um fator, mas R$ 4 bilhões é muito dinheiro. Acreditamos que a companhia tivesse algum deal na manga que acabou desandando, fazendo com que o uso desse dinheiro fosse adiado. Ainda assim, seguimos confiantes com a gestão da companhia em relação ao uso desse capital, mas é inegável que é um ponto que incomoda.

Em linhas finais, seu lucro líquido atingiu R$ 360 milhões no trimestre com uma margem líquida de 11,3%. Crescimento de 87% e 2,8pp respectivamente.

Resumindo, trimestre muito forte para a companhia. Esperávamos algo bom, como citamos, quem analisa dados econômicos e fundos imobiliários de shoppings já tem uma ideia melhor sobre como a companhia vai performar, mas não esperávamos algo tão forte assim. Surpreendeu e a qualidade da governança e gestão da companhia tem ficado claro.