Resumindo, achamos o resultado da WEG muito bom para o trimestre – bem forte, sendo sinceros, considerando os temores recessivos do exterior. Quem lê só manchetes, como sempre se assusta, deixando passar batido o fator não recorrente que gerou essa queda de lucro na comparação com o mesmo trimestre do ano passado e deixa de saber o fato de que a companhia bateu mais recordes nos resultados.
Para o próximo trimestre, esperamos menor pressão nos custos da companhia, visto que o ferro tem caído bem de preço e o cobre tem desabado, caindo mais de 30% do valor que estava até algumas semanas atrás. Isso aliviará muito os custos da empresa, considerando ser os dois principais insumos que ela utiliza.
Ainda assim, o horizonte futuro é desafiador: com uma recessão batendo na porta das principais economias do globo, o investimento em bens de capital tende a cair, e consequentemente as empresas compram menos dos produtos que a WEG vende. Se o próximo trimestre vier com desaceleração, não se assuste. Não é uma certeza, afinal, a WEG é uma máquina que surpreende em todo trimestre, mas lembre-se que em cenário recessivo empresas que vendem bens de capital tendem a vender menos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Ainda assim, o horizonte futuro é desafiador: com uma recessão batendo na porta das principais economias do globo, o investimento em bens de capital tende a cair, e consequentemente as empresas compram menos dos produtos que a WEG vende. Se o próximo trimestre vier com desaceleração, não se assuste. Não é uma certeza, afinal, a WEG é uma máquina que surpreende em todo trimestre, mas lembre-se que em cenário recessivo empresas que vendem bens de capital tendem a vender menos.
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As últimas semanas foram acaloradas no campo do debate tributário: apesar do atual governo estar cortando diversos impostos desde 2021, foi com o corte do ICMS sobre os combustíveis, a energia elétrica e o gás de cozinha que o assunto entrou em voga e mais uma vez um assunto que deveria ser tratado unicamente sob o ponto de vista econômico (e suas consequências) virou briga política, clubismo e desinformação.
Não entraremos nesse mérito: pouco nos importa se é uma medida eleitoreira, se o corte está sendo feito para angarias votos ou coisas do tipo. Nos trataremos sob a lente econômica e falaremos sobre algo que muitos não sabem (e ainda insistem em debater com completa convicção): corte de impostos pode também aumentar a arrecadação de um país e gerar justamente o efeito que a maioria teme, de que o país vai quebrar e ficar sem dinheiro para pagar contas.
Em nossa página, num story, respondemos a pergunta se um seguidor sobre isso de forma resumida, sucinta, sem muitas explicações, dada a falta de espaço do local. Atendendo a pedidos de outros seguidores, nos aprofundaremos um pouco mais no tema.
O gráfico acima se chama Curva de Laffer. A Curva de Laffer é amplamente conhecida no campo econômico, sendo criada em 1974, pelo economista Arthur Laffer. Com sua ilustração simples, ele diz muito: no eixo horizontal, está a carga tributária, que vai de 0% a 100%, enquanto no eixo vertical, a quantidade arrecadada.
O formato em sino da curva significa o seguinte: se a carga tributária é 0%, o dinheiro que o Estado arrecadará é 0, afinal, não há alíquota de arrecadação. Se a carga tributária é 100%, o dinheiro que o Estado arrecadará também é 0, afinal, quem trabalhará tendo que dar 100% do seu esforço para o Estado?
No meio da curva, há o ponto ótimo: um nível onde a carga tributária consegue maximizar a quantidade arrecadada. Diferente do que a maioria pensa, mais carga tributária não significa mais arrecadação.
Dependendo do atual nível de tributação que o país se encontra, se você reduz a carga, haverá aumento de arrecadação pois sobrará mais dinheiro na mão da população para o consumo. Veja, pense que da noite para o dia, passou a sobrar 10% mais de dinheiro na sua mão, resultante da queda de impostos. Provavelmente você utilizará parte desse dinheiro para consumir, ou seja, haverá mais dinheiro rodando na economia, que consequentemente ocasionará mais consumo, mais investimentos e mais produção. Todo esse efeito, causa o crescimento do PIB, o aumento da atividade econômica e advinhe: o resultado final é aumento de arrecadação! Haverá, de fato, queda no percentual de carga tributária, mas por conta do maior estímulo econômico, a atividade cresce e consequemente o Estado passa a ganhar mais dinheiro com o volume da atividade. Percebe como não é uma relação exata?
Em contrapartida, num cenário onde as pessoas já são enforcadas com impostos demais, um aumento acabará desestimulando ainda mais o trabalho, o investimento e o consumo, que como consequência vai gerar queda na arrecadação, afinal, por que raios alguém vai trabalhar e investir mais se o Estado é quem tá levando a maior parte?
É justamente por isso que esse tipo de assunto não deve ser politizado. A Curva de Laffer é uma relação simples que absolutamente qualquer pessoa que quer falar sobre política deveria compreender. Mais imposto não significa maior arrecadação, assim como menos imposto não significa menos arrecadação.
A economia não é um jogo exato.
É por isso que estamos vendo tantos cortes de impostos ocorrendo há algum tempo – hoje o atual governo está apostando que a atividade econômica continuará forte, e todos esses cortes fortalecerão ainda mais a economia e causarão aumento de arrecadação na ponta final. Ressaltando – isso é o esperado, não necessariamente o que vai ocorrer. Só o tempo dirá se a estratégia dará certo.
Não entraremos nesse mérito: pouco nos importa se é uma medida eleitoreira, se o corte está sendo feito para angarias votos ou coisas do tipo. Nos trataremos sob a lente econômica e falaremos sobre algo que muitos não sabem (e ainda insistem em debater com completa convicção): corte de impostos pode também aumentar a arrecadação de um país e gerar justamente o efeito que a maioria teme, de que o país vai quebrar e ficar sem dinheiro para pagar contas.
Em nossa página, num story, respondemos a pergunta se um seguidor sobre isso de forma resumida, sucinta, sem muitas explicações, dada a falta de espaço do local. Atendendo a pedidos de outros seguidores, nos aprofundaremos um pouco mais no tema.
O gráfico acima se chama Curva de Laffer. A Curva de Laffer é amplamente conhecida no campo econômico, sendo criada em 1974, pelo economista Arthur Laffer. Com sua ilustração simples, ele diz muito: no eixo horizontal, está a carga tributária, que vai de 0% a 100%, enquanto no eixo vertical, a quantidade arrecadada.
O formato em sino da curva significa o seguinte: se a carga tributária é 0%, o dinheiro que o Estado arrecadará é 0, afinal, não há alíquota de arrecadação. Se a carga tributária é 100%, o dinheiro que o Estado arrecadará também é 0, afinal, quem trabalhará tendo que dar 100% do seu esforço para o Estado?
No meio da curva, há o ponto ótimo: um nível onde a carga tributária consegue maximizar a quantidade arrecadada. Diferente do que a maioria pensa, mais carga tributária não significa mais arrecadação.
Dependendo do atual nível de tributação que o país se encontra, se você reduz a carga, haverá aumento de arrecadação pois sobrará mais dinheiro na mão da população para o consumo. Veja, pense que da noite para o dia, passou a sobrar 10% mais de dinheiro na sua mão, resultante da queda de impostos. Provavelmente você utilizará parte desse dinheiro para consumir, ou seja, haverá mais dinheiro rodando na economia, que consequentemente ocasionará mais consumo, mais investimentos e mais produção. Todo esse efeito, causa o crescimento do PIB, o aumento da atividade econômica e advinhe: o resultado final é aumento de arrecadação! Haverá, de fato, queda no percentual de carga tributária, mas por conta do maior estímulo econômico, a atividade cresce e consequemente o Estado passa a ganhar mais dinheiro com o volume da atividade. Percebe como não é uma relação exata?
Em contrapartida, num cenário onde as pessoas já são enforcadas com impostos demais, um aumento acabará desestimulando ainda mais o trabalho, o investimento e o consumo, que como consequência vai gerar queda na arrecadação, afinal, por que raios alguém vai trabalhar e investir mais se o Estado é quem tá levando a maior parte?
É justamente por isso que esse tipo de assunto não deve ser politizado. A Curva de Laffer é uma relação simples que absolutamente qualquer pessoa que quer falar sobre política deveria compreender. Mais imposto não significa maior arrecadação, assim como menos imposto não significa menos arrecadação.
A economia não é um jogo exato.
É por isso que estamos vendo tantos cortes de impostos ocorrendo há algum tempo – hoje o atual governo está apostando que a atividade econômica continuará forte, e todos esses cortes fortalecerão ainda mais a economia e causarão aumento de arrecadação na ponta final. Ressaltando – isso é o esperado, não necessariamente o que vai ocorrer. Só o tempo dirá se a estratégia dará certo.
Indo um pouco além, o resultado de arrecadação do mês de junho ilustra um pouco sobre o que tratamos aqui. No mês passado o Governo Federal arrecadou R$ 181 bilhões. Sim, você não leu errado, R$ 181 bilhões em um único mês, foi o recorde da série histórica que começou a ser mensurada em 1995, no ínicio do plano real. Esse valor significa uma alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado e já é um número ajustado pela inflação, ou seja, é 18% de aumento real do número. As projeções trabalhavam com números na casa dos R$ 170 bilhões e eram de viés pessimista justamente refletindo parte de centenas de corte de impostos que estão ocorrendo.
Ressaltando, mais uma vez: esse assunto não deve ser tratado sob a lente política, mas sob a lente econômica. É um assunto que tange a economia. São números, dados. Pouco importa o seu lado, sua ideologia ou o que você acredita – números não possuem partido e devem ser tratados de forma completamente imparcial.
Ao menos, essa é a estratégia esperada com tantos cortes de impostos. Se vai ocorrer ou não, ninguém sabe. Há completa chance de daqui 6 meses voltarmos a esse assunto e mostrarmos gráficos falando sobre queda forte na arrecadação e aumento da dívida pública, como há também chance de voltarmos e falarmos sobre queda da dívida e que a arrecadação segue atingindo patamares recordes.
É obrigação de absolutamente qualquer governo cortar impostos quando há bonança nas contas públicas – caso contrário, deixamos de ser contribuintes e nos tornamos meros escravos de uma elite minúscula que enxergará orçamentos cada vez maiores como oportunidade de gastos, e não como oportunidade de corte de impostos para honrar suas obrigações e dívidas.
Tema sobre os riscos, mas jamais deixe de falar sobre números.
Reforçando: evite a politização do assunto. Estamos falando sobre políticas públicas, dados econômicos, arrecadação federal, ciências econômicas. O mérito do debate aqui não cabe a absolutamente nenhum contraponto político, mas ao racional das medidas de cortes em relação ao atual cenário que o país se encontra e possíveis riscos/benefícios.
Mensalmente publicamos um relatório tratando sobre dados econômicos, de forma didática, explicando conceitos importantes para todos que investem.
Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
www.findocs.com.br
Ressaltando, mais uma vez: esse assunto não deve ser tratado sob a lente política, mas sob a lente econômica. É um assunto que tange a economia. São números, dados. Pouco importa o seu lado, sua ideologia ou o que você acredita – números não possuem partido e devem ser tratados de forma completamente imparcial.
Ao menos, essa é a estratégia esperada com tantos cortes de impostos. Se vai ocorrer ou não, ninguém sabe. Há completa chance de daqui 6 meses voltarmos a esse assunto e mostrarmos gráficos falando sobre queda forte na arrecadação e aumento da dívida pública, como há também chance de voltarmos e falarmos sobre queda da dívida e que a arrecadação segue atingindo patamares recordes.
É obrigação de absolutamente qualquer governo cortar impostos quando há bonança nas contas públicas – caso contrário, deixamos de ser contribuintes e nos tornamos meros escravos de uma elite minúscula que enxergará orçamentos cada vez maiores como oportunidade de gastos, e não como oportunidade de corte de impostos para honrar suas obrigações e dívidas.
Tema sobre os riscos, mas jamais deixe de falar sobre números.
Reforçando: evite a politização do assunto. Estamos falando sobre políticas públicas, dados econômicos, arrecadação federal, ciências econômicas. O mérito do debate aqui não cabe a absolutamente nenhum contraponto político, mas ao racional das medidas de cortes em relação ao atual cenário que o país se encontra e possíveis riscos/benefícios.
Mensalmente publicamos um relatório tratando sobre dados econômicos, de forma didática, explicando conceitos importantes para todos que investem.
Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
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Levantamento de variação de preço das principais commodities relacionando com o pré-guerra e começo do ano.
Relação simples: queda de preço de commodity significa maior pressão deflacionária, mas também maiores obstáculos para o Brasil em termos fiscais, como já escrevemos aqui em um texto citando a relação entre commodity alta e aumento de arrecadação do país.
Relação simples: queda de preço de commodity significa maior pressão deflacionária, mas também maiores obstáculos para o Brasil em termos fiscais, como já escrevemos aqui em um texto citando a relação entre commodity alta e aumento de arrecadação do país.
Estudo de análise interessante realizado pela Wealth High Governance sobre o atual patamar de preço da bolsa brasileira.
Levantando a média de preço sobre lucro estimado (isso é, considerando o lucro dos próximos 12 meses) dos 11 principais setores da bolsa, atualmente 9 estão negociando abaixo da média dos últimos 5 anos, sendo eles o setor de utilities (que reúne energia, saneamento e relacionados) e o setor de telecomunicação.
Os demais setores negociam entre -2% e -52%, que é o caso do setor de energia – lembrando que quando nos referimos ao setor de “energia”, tratamos sobre segmentos de petróleo, gás e relacionados – termo padrão utilizado na bolsa americana (enquanto utilities se refere a geração, transmissão e distribuição de energia, como citado).
Indo um pouco além, outro gráfico interessante publicado pela gestora foi o de preço sobre lucro da bolsa brasileira nos últimos 20 anos.
Atualmente o IBOV negocia num preço sobre lucro de 5,8x, abaixo do fundo do COVID de 8,5x e em patamar próximo a Crise do Subprime em 2008.
Três pontos interessantes a citar:
(I) Considerando fator de regressão a média, como já falamos diversas vezes, nossa bolsa está extremamente barata. Isso não significa que ela não possa ficar ainda mais – ela pode, e muita gente confunde isso. Estar barata não significa que ela não possa ficar mais, e esses indicadores são apenas evidenciais.
(II) O setor de energia precisa ser avaliado com maior cautela. Uma máxima simplifica o racional sobre oportunidades no setor: tratando-se de commodities, preço sobre lucro baixo sempre expressa que o mercado já precifica uma queda futura no preço das commodities, e consequentemente queda no lucro dessas companhias. No Brasil há também o agravante da intervenção estatal na Petrobras, o que precifica ainda mais pra baixo, visto que praticamente todo o segmento é composto pela companhia. Alguns enxergam riscos, outros enxergam oportunidades – cabe ao seu apetite.
(III) Essa é uma análise mais abrangente, tratando sobre o índice e os setores. Não significa necessariamente que toda companhia de telecomunicação ou do segmento de energia elétrica está caro nem que os demais setores estão exageradamente baratos. Investir é como jogar poker, você coloca as probabilidades ao seu favor, sendo que os números ajudam muito na identificação desse tipo de oportunidade.
Como sempre, parece tecla já batida e assunto saturado tratar sobre isso, mas vale sempre refrescar a memória e citar pontos básicos como o fato de que as melhores oportunidades aparecem em momentos de incerteza (não espere ações por preços atrativos com um cenário limpo e de calmaria) e que os melhores aportes foram feitos em 2002, 2008, 2014 e 2020 – momentos em que ninguém sabia sobre como seria o futuro e o mercado queimava em crise. Não tente encontrar o fundo para começar a investir, se você já identifica boas oportunidades e acredita que essa é só mais uma crise que vai passar (afinal, sempre passam), aproveite.
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Levantando a média de preço sobre lucro estimado (isso é, considerando o lucro dos próximos 12 meses) dos 11 principais setores da bolsa, atualmente 9 estão negociando abaixo da média dos últimos 5 anos, sendo eles o setor de utilities (que reúne energia, saneamento e relacionados) e o setor de telecomunicação.
Os demais setores negociam entre -2% e -52%, que é o caso do setor de energia – lembrando que quando nos referimos ao setor de “energia”, tratamos sobre segmentos de petróleo, gás e relacionados – termo padrão utilizado na bolsa americana (enquanto utilities se refere a geração, transmissão e distribuição de energia, como citado).
Indo um pouco além, outro gráfico interessante publicado pela gestora foi o de preço sobre lucro da bolsa brasileira nos últimos 20 anos.
Atualmente o IBOV negocia num preço sobre lucro de 5,8x, abaixo do fundo do COVID de 8,5x e em patamar próximo a Crise do Subprime em 2008.
Três pontos interessantes a citar:
(I) Considerando fator de regressão a média, como já falamos diversas vezes, nossa bolsa está extremamente barata. Isso não significa que ela não possa ficar ainda mais – ela pode, e muita gente confunde isso. Estar barata não significa que ela não possa ficar mais, e esses indicadores são apenas evidenciais.
(II) O setor de energia precisa ser avaliado com maior cautela. Uma máxima simplifica o racional sobre oportunidades no setor: tratando-se de commodities, preço sobre lucro baixo sempre expressa que o mercado já precifica uma queda futura no preço das commodities, e consequentemente queda no lucro dessas companhias. No Brasil há também o agravante da intervenção estatal na Petrobras, o que precifica ainda mais pra baixo, visto que praticamente todo o segmento é composto pela companhia. Alguns enxergam riscos, outros enxergam oportunidades – cabe ao seu apetite.
(III) Essa é uma análise mais abrangente, tratando sobre o índice e os setores. Não significa necessariamente que toda companhia de telecomunicação ou do segmento de energia elétrica está caro nem que os demais setores estão exageradamente baratos. Investir é como jogar poker, você coloca as probabilidades ao seu favor, sendo que os números ajudam muito na identificação desse tipo de oportunidade.
Como sempre, parece tecla já batida e assunto saturado tratar sobre isso, mas vale sempre refrescar a memória e citar pontos básicos como o fato de que as melhores oportunidades aparecem em momentos de incerteza (não espere ações por preços atrativos com um cenário limpo e de calmaria) e que os melhores aportes foram feitos em 2002, 2008, 2014 e 2020 – momentos em que ninguém sabia sobre como seria o futuro e o mercado queimava em crise. Não tente encontrar o fundo para começar a investir, se você já identifica boas oportunidades e acredita que essa é só mais uma crise que vai passar (afinal, sempre passam), aproveite.
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Opinião e análise breve – Telefônica ($VIVT3) – 2T/2022
A Vivo é gigante. Junto da Claro, Tim e Oi, as quatro dominam praticamente 90% do mercado de telecomunicação brasileiro. Não em vão alguns investidores gostam tanto de investir em empresas desse setor: normalmente são empresas gigantes, sólidas, num setor extremamente regulamentado e de difícil entrada de novos competidores.
No segundo trimestre de 2022, os resultados da Telefônica reforçaram isso. Um trimestre sem surpresas, onde o crescimento seguiu em linha com o esperado, mas com um detalhe: a aquisição da Oi móvel – que apesar de obrigatório, nem todo investidor da companhia sabe, mas a Vivo ganhou alguns milhões de clientes no trimestre porque ela comprou parte da Oi Móvel. Enfim, falaremos sobre.
No 1T22 a Vivo atingiu um recorde de acessos de clientes, em 114 milhões. Um crescimento de 14 milhões comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo 12.6 milhões não-orgânicos com a aquisição da Oi Móvel – ou seja, houve crescimento também orgânico.
A receita ao analisar o resultado da companhia, é importante sempre realizar sob dois prismas: o móvel e o fixo. A companhia teve crescimento tanto de forma orgânica quanto não-orgânica em ambas as linhas. Na receita móvel houve crescimento de 16% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que sem a contabilização dos clientes da Oi Móvel, seria de 9,4% (ligeiramente abaixo da inflação, um ponto negativo, embora compreensível dado o momento). Um dado interessante a destacar que acaba passando despercebido é o churn (taxa de cancelamento) dos serviços pós-pagos, que tem caído de forma consistente, de 1,5% no 1T21 para 1,1% no 2T22, parece pouco, mas para uma base de clientes de milhões, representa um avanço enorme.
A linha de receita fixa apresentou tímido crescimento de 1,7% no total (lembrando que é a menor parte da receita da companhia, representando em torno de 30% da receita total). A parte positiva foi o crescimento da receita da fibra ótica, que cresceu quase 10% comparado ao 2T21 e a expansão da rede: a quantidade de casas passadas cresceu 22% (de 17.3 milhões para 21 milhões) enquanto a quantidade de casas conectadas passou de 4 para 5 milhões crescendo 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Lembrando que casas passadas significa potenciais novos clientes, isso é, domicílios que já possuem a tecnologia a disposição e só falta a conversão do cliente. A parte ruim foi a queda da receita não essencial da parte fixa, com queda de 17,1%, mas compreensível por tratar de serviços que não tardarão para sumir.
Os custos foram onde a inflação bateu e um dos destaques negativos do trimestre: o crescimento foi de 12,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Os três principais motivos: (I) aumento de custo de produtos vendidos, vide aparelhinhos de internet, TV e afins que ficaram mais caros, (II) aumento de custo de serviços com custos terceirizados e licenças necessárias para o funcionamento da companhia e (III) aumento com o pessoal provindo de reajuste salarial, benefícios e distribuição de lucros. Esse crescimento é tolerável porque constata o problema que sempre citamos nas análises, da inflação batendo. Inflação não dura pra sempre e em um período de calmaria, o custo crescerá em menor ritmo, além do que nesse trimestre houve o não-recorrente de reajuste salarial. Vale considerar também o fato da aquisição da Oi Móvel, que demandou uma contratação de novos funcionários por conta da expansão forte da companhia.
O lucro líquido da companhia por sua vez teve uma queda de 44,6%, atingindo os R$746 milhões no trimestre. A principal razão da queda do lucro foi o crescimento de despesas financeiras, que consumiu quase metade da linha final no trimestre, crescendo 282% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$601 milhões.
A Vivo é gigante. Junto da Claro, Tim e Oi, as quatro dominam praticamente 90% do mercado de telecomunicação brasileiro. Não em vão alguns investidores gostam tanto de investir em empresas desse setor: normalmente são empresas gigantes, sólidas, num setor extremamente regulamentado e de difícil entrada de novos competidores.
No segundo trimestre de 2022, os resultados da Telefônica reforçaram isso. Um trimestre sem surpresas, onde o crescimento seguiu em linha com o esperado, mas com um detalhe: a aquisição da Oi móvel – que apesar de obrigatório, nem todo investidor da companhia sabe, mas a Vivo ganhou alguns milhões de clientes no trimestre porque ela comprou parte da Oi Móvel. Enfim, falaremos sobre.
No 1T22 a Vivo atingiu um recorde de acessos de clientes, em 114 milhões. Um crescimento de 14 milhões comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo 12.6 milhões não-orgânicos com a aquisição da Oi Móvel – ou seja, houve crescimento também orgânico.
A receita ao analisar o resultado da companhia, é importante sempre realizar sob dois prismas: o móvel e o fixo. A companhia teve crescimento tanto de forma orgânica quanto não-orgânica em ambas as linhas. Na receita móvel houve crescimento de 16% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que sem a contabilização dos clientes da Oi Móvel, seria de 9,4% (ligeiramente abaixo da inflação, um ponto negativo, embora compreensível dado o momento). Um dado interessante a destacar que acaba passando despercebido é o churn (taxa de cancelamento) dos serviços pós-pagos, que tem caído de forma consistente, de 1,5% no 1T21 para 1,1% no 2T22, parece pouco, mas para uma base de clientes de milhões, representa um avanço enorme.
A linha de receita fixa apresentou tímido crescimento de 1,7% no total (lembrando que é a menor parte da receita da companhia, representando em torno de 30% da receita total). A parte positiva foi o crescimento da receita da fibra ótica, que cresceu quase 10% comparado ao 2T21 e a expansão da rede: a quantidade de casas passadas cresceu 22% (de 17.3 milhões para 21 milhões) enquanto a quantidade de casas conectadas passou de 4 para 5 milhões crescendo 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Lembrando que casas passadas significa potenciais novos clientes, isso é, domicílios que já possuem a tecnologia a disposição e só falta a conversão do cliente. A parte ruim foi a queda da receita não essencial da parte fixa, com queda de 17,1%, mas compreensível por tratar de serviços que não tardarão para sumir.
Os custos foram onde a inflação bateu e um dos destaques negativos do trimestre: o crescimento foi de 12,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Os três principais motivos: (I) aumento de custo de produtos vendidos, vide aparelhinhos de internet, TV e afins que ficaram mais caros, (II) aumento de custo de serviços com custos terceirizados e licenças necessárias para o funcionamento da companhia e (III) aumento com o pessoal provindo de reajuste salarial, benefícios e distribuição de lucros. Esse crescimento é tolerável porque constata o problema que sempre citamos nas análises, da inflação batendo. Inflação não dura pra sempre e em um período de calmaria, o custo crescerá em menor ritmo, além do que nesse trimestre houve o não-recorrente de reajuste salarial. Vale considerar também o fato da aquisição da Oi Móvel, que demandou uma contratação de novos funcionários por conta da expansão forte da companhia.
O lucro líquido da companhia por sua vez teve uma queda de 44,6%, atingindo os R$746 milhões no trimestre. A principal razão da queda do lucro foi o crescimento de despesas financeiras, que consumiu quase metade da linha final no trimestre, crescendo 282% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$601 milhões.
Em linhas gerais, sem grandes surpresas na análise do resultado da companhia pro trimestre. A receita segue subindo e os pontos de atenção para os próximos trimestre se resumem a sinergia da aquisição dos clientes da Oi Móvel (são 13 milhões de novos clientes que a Vivo colocou dentro de casa) e o endividamento.
Não se assuste com gasto financeiro, dívidas e afins, desde que a empresa demonstre capacidade de lidar com isso contratando dívidas de forma inteligente, que é o que a Vivo tem feito. Hoje o setor de Telecom brasileiro passa por dois grandes fatores de mudança: (I) a migração dos clientes da Oi para as demais operadoras (foi criado um consórcio para comprar os 41 milhões de clientes da Oi móvel, sendo que a Vivo levou 13 milhões) e (II) o surgimento do 5G. As empresas estão se endividando e investindo para se atualizar em relação ao 5G, sendo algo praticamente obrigatório. Isso explica o gasto financeiro desse trimestre, inclusive, mas não negligenciando o aumento da SELIC somado ao IPCA alto, que também eleva o custo da dívida da companhia.
Enfim – a empresa passa por grandes mudanças, não se assuste com maior volatilidade dos resultados no curto prazo e entenda sobre as licenças do 5G para conseguir compreender melhor a situação da companhia. Setor de telecom é isso, se mexe pouco, vez ou outra tem que tirar um dinheiro maior para atualizar sua tecnologia e o cenário brasileiro goza de um “benefício” de ser um mercado com praticamente um oligopólio, o que consequentemente torna as gigantes do segmento mais seguras e máquinas de imprimir dinheiro e dividendos.
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Não se assuste com gasto financeiro, dívidas e afins, desde que a empresa demonstre capacidade de lidar com isso contratando dívidas de forma inteligente, que é o que a Vivo tem feito. Hoje o setor de Telecom brasileiro passa por dois grandes fatores de mudança: (I) a migração dos clientes da Oi para as demais operadoras (foi criado um consórcio para comprar os 41 milhões de clientes da Oi móvel, sendo que a Vivo levou 13 milhões) e (II) o surgimento do 5G. As empresas estão se endividando e investindo para se atualizar em relação ao 5G, sendo algo praticamente obrigatório. Isso explica o gasto financeiro desse trimestre, inclusive, mas não negligenciando o aumento da SELIC somado ao IPCA alto, que também eleva o custo da dívida da companhia.
Enfim – a empresa passa por grandes mudanças, não se assuste com maior volatilidade dos resultados no curto prazo e entenda sobre as licenças do 5G para conseguir compreender melhor a situação da companhia. Setor de telecom é isso, se mexe pouco, vez ou outra tem que tirar um dinheiro maior para atualizar sua tecnologia e o cenário brasileiro goza de um “benefício” de ser um mercado com praticamente um oligopólio, o que consequentemente torna as gigantes do segmento mais seguras e máquinas de imprimir dinheiro e dividendos.
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Gráfico de simples entendimento sobre os ciclos da bolsa.
Juros longo sobe, bolsa de valores cai.
As partes em verde são os ciclos de queda da taxa de juros dos títulos NTNB, enquanto as partes em vermelho, são os ciclos de alta da taxa de juros dos títulos NTNB.
(I) Não estamos passando pelo fim do mundo – as taxas já passaram dos 10%, atingiram seu ponto de inflexão e caíram. 6% não é a hecatombe econômico como dizem por aí, sendo bem sincero, é até que normal para o padrão brasileiro.
(II) Não é a primeira vez nem a última que as taxas apertam assim. São ciclos, eles vêm e vão e a sistemática é sempre a mesa, com euforia desmedida nos momentos de queda com a bolsa de valores explodindo em rentabilidade e depressão e pessimismo exagerado com a bolsa de valores afundando em rentabilidade.
(III) Ciclos duram meses ou anos. Com exceção da crise do Subprime e da pandemia de 2020 que foram “relâmpagos” no mercado que causaram incertezas e sustos por se tratarem de cisnes negros (no caso de 2008, mais por conta da falência do setor bancário americano que surgiu do nada), não espere que os ciclos virem em questão de dias. Se você quer investir em renda variável, se prepare para ciclos que duram anos, tenha paciência. É o mínimo e o mais necessário para jogar o jogo, e caso você não tenha, é recomendável que nem se envolva.
No mais, o mesmo ciclo duradouro que te faz ver seu patrimônio desvalorizar em dado momento, irá virar e causar o efeito contrário em algum momento. O jogo do longo prazo consiste unicamente em você direcionar seus esforços em controlar aquilo que está sob seu alcance e suportar esses ciclos.
Não é o fim do mundo e em algum momento o ponto de inflexão irá chegar, as taxas vão cair e a bolsa voltar a subir. Não queira ser o investidor que toma a decisão de aproveitar as oportunidades da bolsa de valores tarde demais.
Lembre-se dessa relação e sua vida nos investimentos ficará mais simples: spread NTNB longa sobe, bolsa desce. Spread NTNB desce, bolsa sobe.
“It's the cycle, stupid!”
www.findocs.com.br
Juros longo sobe, bolsa de valores cai.
As partes em verde são os ciclos de queda da taxa de juros dos títulos NTNB, enquanto as partes em vermelho, são os ciclos de alta da taxa de juros dos títulos NTNB.
(I) Não estamos passando pelo fim do mundo – as taxas já passaram dos 10%, atingiram seu ponto de inflexão e caíram. 6% não é a hecatombe econômico como dizem por aí, sendo bem sincero, é até que normal para o padrão brasileiro.
(II) Não é a primeira vez nem a última que as taxas apertam assim. São ciclos, eles vêm e vão e a sistemática é sempre a mesa, com euforia desmedida nos momentos de queda com a bolsa de valores explodindo em rentabilidade e depressão e pessimismo exagerado com a bolsa de valores afundando em rentabilidade.
(III) Ciclos duram meses ou anos. Com exceção da crise do Subprime e da pandemia de 2020 que foram “relâmpagos” no mercado que causaram incertezas e sustos por se tratarem de cisnes negros (no caso de 2008, mais por conta da falência do setor bancário americano que surgiu do nada), não espere que os ciclos virem em questão de dias. Se você quer investir em renda variável, se prepare para ciclos que duram anos, tenha paciência. É o mínimo e o mais necessário para jogar o jogo, e caso você não tenha, é recomendável que nem se envolva.
No mais, o mesmo ciclo duradouro que te faz ver seu patrimônio desvalorizar em dado momento, irá virar e causar o efeito contrário em algum momento. O jogo do longo prazo consiste unicamente em você direcionar seus esforços em controlar aquilo que está sob seu alcance e suportar esses ciclos.
Não é o fim do mundo e em algum momento o ponto de inflexão irá chegar, as taxas vão cair e a bolsa voltar a subir. Não queira ser o investidor que toma a decisão de aproveitar as oportunidades da bolsa de valores tarde demais.
Lembre-se dessa relação e sua vida nos investimentos ficará mais simples: spread NTNB longa sobe, bolsa desce. Spread NTNB desce, bolsa sobe.
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Opinião e análise breve – Energias do Brasil ($ENBR3) – 2T/2022
Mais um ótimo trimestre, sem grandes surpresas, com crescimento em linha com o esperado e o resultado financeiro machucando por conta da alta de juros e inflação – como sempre.
Talvez você não se lembre, mas na última opinião que demos sobre o resultado da EDP, citamos justamente ela: a dívida e seu custo com essa alta de juros irrefreável (e questionável) praticada pelo Banco Central do país. Nesse resultado, ocorreu justamente o que esperávamos, com o custo da dívida batendo. Não é algo tão ruim quanto parece e longe de preocupar, mas ainda assim, um fator que machuca o lucro no curto prazo.
Enfim, vamos aos números.
No 2T22 a EDP entregou um crescimento de receita de 7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O número foi potencializado pelo crescimento do trading (trading de energia, no caso, o mercado de venda de energia que ela atua) com um crescimento de 47,7%, pelo crescimento do segmento de transmissão com 50,2% e uma ligeira melhora na geração hídrica, com um crescimento de 1,7%. É interessante destacar aqui o crescimento da linha de transmissão da companhia, que tem crescido bem e de forma segura, sendo uma diversificação muito boa a ser realizada pela EDP, visto que o segmento de transmissão é conhecimento pela sua segurança e alta rentabilidade.
Sem dúvidas, o destaque do trimestre foi o crescimento das margens da companhia, em especial a margem bruta: o crescimento foi de 35,7% por três fatores principais: (I) os reajustes tarifários do segmento de distribuição (principal linha de atuação da companhia), (II) os reajustes contratuais do segmento de geração hídrica somado a melhora do cenário hidrológico com reservatórios mais cheios, e (III) a eficiência do trading da companhia, aproveitando as flutuações de preços do período. É interessante pontuar principalmente o fatores de reajuste tarifário, que ilustra como empresas do segmento de energia elétrica tem um altíssimo potencial de proteger contra a inflação no longo prazo, com sua dinâmica de ajuste de tarifas de acordo com os índices inflacionários. O reajuste do segmento de distribuição por si só causou um impacto positivo expressivo nas margens.
Seguindo, sob o prisma das despesas da companhia, tudo sob controle, com a companhia demonstrando responsabilidade ao controlar bem os gastos que estão sob seu alcance. Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, o crescimento do PMSO (caso você não saiba, é um acrônimo muito usado para determinar os gastos com Pessoal, Material, Serviços e Outras despesas) foi de apenas 9,9%, abaixo da inflação do período. O principal fator que elevou o PMSO foi o grupo de Pessoal, por conta da incorporação da EDP Goiás (aumento de funcionários) e reajustes salariais segundo acordo vigente de novembro de 2021.
Agora, o ponto mais importante do release da companhia – a linha de resultado financeiro.
Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a companhia teve um aumento de 204% de despesas financeiras – colocando sob uma ótica um pouco menos impactante, visto que percentuais em valores altos acabam distorcendo a percepção: a despesa financeira cresceu de R$216 milhões para R$657 milhões trimestre a trimestre. O motivo, como esperado: o aumento forte da SELIC (CDI) e do IPCA no período, lembrando que 63% da dívida da EDP está indexada ao CDI e 32% ao IPCA.
Apesar desse crescimento de gasto com despesa financeira ser expressivo, não é preocupante pelos seguintes motivos: (I) a dívida está extremamente controlada, com a alavancagem ainda baixa (2,1x DL/EBITDA), (II) o custo médio está bem abaixo do retorno que a companhia consegue gerar (cresceu de 9,0% para 11,8% atualmente) e (III) a dívida é alongada e a companhia possui bastante dinheiro em caixa para honrar as obrigações nos próximos anos, além da facilidade de pagamento em um cenário caótico (e improvável) para o pagamento cortando parte dos proventos e relacionados. Isso não é cenário base, é apenas uma evidência da alta capacidade da companhia para honrar as dívidas.
Mais um ótimo trimestre, sem grandes surpresas, com crescimento em linha com o esperado e o resultado financeiro machucando por conta da alta de juros e inflação – como sempre.
Talvez você não se lembre, mas na última opinião que demos sobre o resultado da EDP, citamos justamente ela: a dívida e seu custo com essa alta de juros irrefreável (e questionável) praticada pelo Banco Central do país. Nesse resultado, ocorreu justamente o que esperávamos, com o custo da dívida batendo. Não é algo tão ruim quanto parece e longe de preocupar, mas ainda assim, um fator que machuca o lucro no curto prazo.
Enfim, vamos aos números.
No 2T22 a EDP entregou um crescimento de receita de 7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. O número foi potencializado pelo crescimento do trading (trading de energia, no caso, o mercado de venda de energia que ela atua) com um crescimento de 47,7%, pelo crescimento do segmento de transmissão com 50,2% e uma ligeira melhora na geração hídrica, com um crescimento de 1,7%. É interessante destacar aqui o crescimento da linha de transmissão da companhia, que tem crescido bem e de forma segura, sendo uma diversificação muito boa a ser realizada pela EDP, visto que o segmento de transmissão é conhecimento pela sua segurança e alta rentabilidade.
Sem dúvidas, o destaque do trimestre foi o crescimento das margens da companhia, em especial a margem bruta: o crescimento foi de 35,7% por três fatores principais: (I) os reajustes tarifários do segmento de distribuição (principal linha de atuação da companhia), (II) os reajustes contratuais do segmento de geração hídrica somado a melhora do cenário hidrológico com reservatórios mais cheios, e (III) a eficiência do trading da companhia, aproveitando as flutuações de preços do período. É interessante pontuar principalmente o fatores de reajuste tarifário, que ilustra como empresas do segmento de energia elétrica tem um altíssimo potencial de proteger contra a inflação no longo prazo, com sua dinâmica de ajuste de tarifas de acordo com os índices inflacionários. O reajuste do segmento de distribuição por si só causou um impacto positivo expressivo nas margens.
Seguindo, sob o prisma das despesas da companhia, tudo sob controle, com a companhia demonstrando responsabilidade ao controlar bem os gastos que estão sob seu alcance. Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, o crescimento do PMSO (caso você não saiba, é um acrônimo muito usado para determinar os gastos com Pessoal, Material, Serviços e Outras despesas) foi de apenas 9,9%, abaixo da inflação do período. O principal fator que elevou o PMSO foi o grupo de Pessoal, por conta da incorporação da EDP Goiás (aumento de funcionários) e reajustes salariais segundo acordo vigente de novembro de 2021.
Agora, o ponto mais importante do release da companhia – a linha de resultado financeiro.
Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a companhia teve um aumento de 204% de despesas financeiras – colocando sob uma ótica um pouco menos impactante, visto que percentuais em valores altos acabam distorcendo a percepção: a despesa financeira cresceu de R$216 milhões para R$657 milhões trimestre a trimestre. O motivo, como esperado: o aumento forte da SELIC (CDI) e do IPCA no período, lembrando que 63% da dívida da EDP está indexada ao CDI e 32% ao IPCA.
Apesar desse crescimento de gasto com despesa financeira ser expressivo, não é preocupante pelos seguintes motivos: (I) a dívida está extremamente controlada, com a alavancagem ainda baixa (2,1x DL/EBITDA), (II) o custo médio está bem abaixo do retorno que a companhia consegue gerar (cresceu de 9,0% para 11,8% atualmente) e (III) a dívida é alongada e a companhia possui bastante dinheiro em caixa para honrar as obrigações nos próximos anos, além da facilidade de pagamento em um cenário caótico (e improvável) para o pagamento cortando parte dos proventos e relacionados. Isso não é cenário base, é apenas uma evidência da alta capacidade da companhia para honrar as dívidas.
Como resultado final, mesmo com essa pressão da despesa financeira sobre a companhia por conta do cenário adverso, a EDP se mostra resiliente, forte e atravessou o trimestre com um crescimento de lucro de 10,6% no período, gerando quase R$1 bilhão de caixa livre.
Repetindo o que sempre falamos: o fato da companhia ser gigante, conservadora e ter resultados fenomenais, não isenta o investidor de sua obrigação de manter o policiamento sobre a gestão da dívida da companhia e afins. A EDP segue uma vencedora que sequer num cenário adverso com um custo de dívida astronômico (o que é normal em tempos de SELIC mais alta) fraqueja, mas jamais tenha o viés ou deixe seu apreço pela companhia subjugar os pontos de risco.
Em tempo, na nossa leitura, mais um bom trimestre para a EDP.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite nosso site e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 250h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
www.findocs.com.br
Repetindo o que sempre falamos: o fato da companhia ser gigante, conservadora e ter resultados fenomenais, não isenta o investidor de sua obrigação de manter o policiamento sobre a gestão da dívida da companhia e afins. A EDP segue uma vencedora que sequer num cenário adverso com um custo de dívida astronômico (o que é normal em tempos de SELIC mais alta) fraqueja, mas jamais tenha o viés ou deixe seu apreço pela companhia subjugar os pontos de risco.
Em tempo, na nossa leitura, mais um bom trimestre para a EDP.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 2T/2022
Em tempos adversos, nunca da para esperar um desempenho excelente do segmento de bebidas por dois motivos: o primeiro, a tendência a diminuição de consumo de algumas linhas (como o de cerveja entre outros produtos alcoólicos, que é o caso da Ambev), o segundo, a inflação, que no curto prazo tende a esmagar as margens até que as empresas consigam repassar os custos em totalidade. Mesmo sem esperar esse desempenho, a Ambev tem surpreendido positivamente atravessando o cenário inflacionário conseguindo realizar a manutenção das margens somado a um crescimento de volume de vendas. Vamos aos números.
Na linha de volume produzido, a Ambev atingiu um recorde histórico para o trimestre: foram 42.2 milhões de hectolitros vendidos, um crescimento de 6,1% comparado ao último trimestre. Os destaques de volume vão para o segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil, com +16,5%, cerveja no Brasil, com +8,5%, a América Latina, com +1,5%, com crescimento mesmo face a adversidade do problema hiperinflacionário argentino (que é um mercado significativo para a companhia). Na ponta negativa, houve queda de volume vendido na América Central e Caribe e no Canadá, com quedas de 10,5% e 2,9%, respectivamente. Essa queda é explicada por dois fatores: (I) problemas de cadeia logística na América Central, com escassez de garrafas de vidro, e (II) inflação reduzindo o consumo no Canadá, sendo que a companhia até evidência o problema estrutural com o fato de que a Ambev ganhou market share no período mesmo com queda de volume vendido, o que indica claramente o fato de que todo o segmento está passando pelo problema.
Com todo esse aumento de volume vendido, a companhia atingiu também recorde de receita líquida pro segundo trimestre de um ano. Houve crescimento expressivo de 14,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$18 bilhões, sendo que todas as linhas de vendas apresentaram aumento de receita (mesmo com queda de volume em na América Central e Canadá) expressando o sucesso do repasse de inflação aos produtos. Na ponta negativa, a margem bruta da companhia, já que estamos falando de inflação. Houve queda ligeira de 1,4pps (de 49,3% para 47,9%) da margem bruta, refletindo ainda a inflação batendo forte nas margens da companhia.
O custo por produto vendido (principal fator que ataca as margens) teve um crescimento de 17,7% comparando ao mesmo trimestre do ano passado. O problema não é surpresa, são as commodities e a escassez de alguns produtos batendo nas margens. Como citamos, na própria América Central houve escassez de garrafas de vidro a ponto de parar a produção da companhia em alguns momentos (não em vão houve queda de volume vendido por lá), a queda por si só já significa que as garrafas estão sendo vendidas a preços maiores e consequentemente as margens apertam.
O ponto positivo nessa relação é: mesmo com toda a alta de custos e a margem sendo atacada pela inflação, a Ambev está conseguindo repassar os preços – e vai continuar repassando, até que o ponto de equilíbrio da companhia seja atingido novamente. O melhor indicador possível para identificar isso é o fato de que mesmo com os aumentos de preços dos produtos, o volume por litro vendido segue subindo forte, o que expressa claramente a capacidade da companhia em repasse inflacionário aos seus produtos.
Na linha de lucro líquido, sem grandes surpresas: a Ambev atingiu também recorde de lucro histórico para o trimestre, atingindo R$3.1 bilhões e crescendo 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Em tempos adversos, nunca da para esperar um desempenho excelente do segmento de bebidas por dois motivos: o primeiro, a tendência a diminuição de consumo de algumas linhas (como o de cerveja entre outros produtos alcoólicos, que é o caso da Ambev), o segundo, a inflação, que no curto prazo tende a esmagar as margens até que as empresas consigam repassar os custos em totalidade. Mesmo sem esperar esse desempenho, a Ambev tem surpreendido positivamente atravessando o cenário inflacionário conseguindo realizar a manutenção das margens somado a um crescimento de volume de vendas. Vamos aos números.
Na linha de volume produzido, a Ambev atingiu um recorde histórico para o trimestre: foram 42.2 milhões de hectolitros vendidos, um crescimento de 6,1% comparado ao último trimestre. Os destaques de volume vão para o segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil, com +16,5%, cerveja no Brasil, com +8,5%, a América Latina, com +1,5%, com crescimento mesmo face a adversidade do problema hiperinflacionário argentino (que é um mercado significativo para a companhia). Na ponta negativa, houve queda de volume vendido na América Central e Caribe e no Canadá, com quedas de 10,5% e 2,9%, respectivamente. Essa queda é explicada por dois fatores: (I) problemas de cadeia logística na América Central, com escassez de garrafas de vidro, e (II) inflação reduzindo o consumo no Canadá, sendo que a companhia até evidência o problema estrutural com o fato de que a Ambev ganhou market share no período mesmo com queda de volume vendido, o que indica claramente o fato de que todo o segmento está passando pelo problema.
Com todo esse aumento de volume vendido, a companhia atingiu também recorde de receita líquida pro segundo trimestre de um ano. Houve crescimento expressivo de 14,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$18 bilhões, sendo que todas as linhas de vendas apresentaram aumento de receita (mesmo com queda de volume em na América Central e Canadá) expressando o sucesso do repasse de inflação aos produtos. Na ponta negativa, a margem bruta da companhia, já que estamos falando de inflação. Houve queda ligeira de 1,4pps (de 49,3% para 47,9%) da margem bruta, refletindo ainda a inflação batendo forte nas margens da companhia.
O custo por produto vendido (principal fator que ataca as margens) teve um crescimento de 17,7% comparando ao mesmo trimestre do ano passado. O problema não é surpresa, são as commodities e a escassez de alguns produtos batendo nas margens. Como citamos, na própria América Central houve escassez de garrafas de vidro a ponto de parar a produção da companhia em alguns momentos (não em vão houve queda de volume vendido por lá), a queda por si só já significa que as garrafas estão sendo vendidas a preços maiores e consequentemente as margens apertam.
O ponto positivo nessa relação é: mesmo com toda a alta de custos e a margem sendo atacada pela inflação, a Ambev está conseguindo repassar os preços – e vai continuar repassando, até que o ponto de equilíbrio da companhia seja atingido novamente. O melhor indicador possível para identificar isso é o fato de que mesmo com os aumentos de preços dos produtos, o volume por litro vendido segue subindo forte, o que expressa claramente a capacidade da companhia em repasse inflacionário aos seus produtos.
Na linha de lucro líquido, sem grandes surpresas: a Ambev atingiu também recorde de lucro histórico para o trimestre, atingindo R$3.1 bilhões e crescendo 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Nosso ponto de vista sobre o resultado da companhia é simples: no cenário caótico e adverso que a economia se encontra, demonstrar crescimento sólido como a Ambev tem demonstrado, já diz muito sobre a qualidade da empresa. É uma companhia que está atravessando inflação na veia de seus produtos (milho e trigo foram as commodities que mais subiram no último trimestre, mas caíram forte no último mês, então espere um cenário mais positivo para o 3T22), uma hiperinflação na argentina, escassez de alguns materiais e ainda assim consegue atingir recorde de volume vendido, receita e lucro líquido. Realmente respeitável.
Sobre dívida, caixa e afins, não vemos necessidade de análise, visto que a companhia é uma gigante sólida que sequer possui dívidas – e esse é inclusive um dos seus grandes benefícios.
Não enxergamos nenhum risco em relação a toda aqueles boatos que ocorriam há alguns anos tratando sobre perda de mercado por conta da Heineken, artesanais e afins. Até o momento, o filme tem sido de ganho de mercado com perda de margem por conta de inflação – e tenha certeza, se a maior empresa do planeta no seu segmento sofre nas margens com toda sua capacidade de barganha, as menores sofrem bem mais. Como dissemos, no 3T22 há grandes chances de uma folga nas margens por conta da queda do preço do trigo e do milho entre outras commodities, mas o cenário nesse aspecto anda completamente incerto, então é só uma ideia a ser considerada mesmo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Sobre dívida, caixa e afins, não vemos necessidade de análise, visto que a companhia é uma gigante sólida que sequer possui dívidas – e esse é inclusive um dos seus grandes benefícios.
Não enxergamos nenhum risco em relação a toda aqueles boatos que ocorriam há alguns anos tratando sobre perda de mercado por conta da Heineken, artesanais e afins. Até o momento, o filme tem sido de ganho de mercado com perda de margem por conta de inflação – e tenha certeza, se a maior empresa do planeta no seu segmento sofre nas margens com toda sua capacidade de barganha, as menores sofrem bem mais. Como dissemos, no 3T22 há grandes chances de uma folga nas margens por conta da queda do preço do trigo e do milho entre outras commodities, mas o cenário nesse aspecto anda completamente incerto, então é só uma ideia a ser considerada mesmo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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