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Investimento na bolsa de valores, caso tenha o conhecimento necessário, definitivamente é uma das melhores formas para proteger o capital contra a inflação no longo prazo – é uma lógica simples: você investe em empresas que repassam a inflação aos seus produtos, e como acionista você se protege recebendo parte do lucro das operações.

Indo pouco além, existem também os títulos de renda fixa para proteger o investidor desse tipo de problema. Entre eles: investimentos que rendem o CDI, a taxa mais conhecida, benchmark de muitos investimentos.

Num levantamento considerando a rentabilidade do índice da bolsa de valores entre 1995 e 2021, foi identificado que a o índice rendeu 2.309%, enquanto no mesmo período, o CDI mais de 4.000%. Sim, quase o dobro do quanto rendeu o índice da bolsa no período. Mas talvez essa comparação seja um erro e possa causar algumas distorções e vieses nas análises. Daremos nosso ponto de vista sobre o assunto.

O primeiro ponto: o CDI passado dificilmente se repetirá.

Durante um longo tempo, o nosso país teve uma inflação violentamente alta, refletindo o passado conturbado com trocas de moedas, hiperinflação, instabilidade políticas entre outros problemas. Foi somente em 1994, com o plano real já em vigor e operante, que o cenário monetário brasileiro começou a entrar nos eixos, com o regime bandas cambiais (o governo definia um câmbio máximo e mínimo e não deixava que ele passasse desses valores) até 1999.

Somado a todos esses eventos citados acima, o governo abandonou o regime de bandas cambiais, resultando numa forte desvalorização da nossa moeda, dando origem ao evento da maxidesvalorização do real. Como forma de enfrentar todo esse cenário, a solução encontrada foi simples: SELIC nas alturas.

Perceba pelo primeiro gráfico que a SELIC entre 1995 e 1999 era altíssima ainda buscando controlar a inflação e a desvalorização cambial do período, uma época que o Brasil não tinha reservas, saia de uma recente troca de moeda pela sétima vez seguida e soltava a taxa de câmbio do país. Resumindo: a SELIC ficou altíssima durante esse período para enfrentar problemas pontuais.

Passado alguns anos, com a economia já estabilizando com a nova moeda acomodada, a taxa de câmbio menos atacada e a economia brasileira com fundamentos mais sólidos, a SELIC passou a caminhar para patamares ainda mais baixos, sendo necessário uma taxa de juros menor para remuneração dos seus títulos públicos, afinal, o investidor tinha mais confiança no país.

Para isso, elaboramos outros dois gráficos: a SELIC desde 1995 em janelas de médias de 2 anos e janelas de médias de 5 anos. Nos três gráficos, fica evidente a tendência de queda da SELIC ao passar do tempo, sendo que considerando janelas mais alongadas, fica ainda mais claro.

O ponto central da ideia aqui é: o início do plano real com a troca do sistema de câmbio do país acabou gerando uma distorção nesse tipo de análise de rentabilidade do CDI. Sem dúvidas: o investidor que teve dinheiro atrelado ao CDI desde 1995 conseguiu ganhar muito dinheiro, mas como todo investidor sabe, rentabilidade passada não significa rentabilidade futura. Dificilmente o Brasil terá um CDI tão alto quanto teve no passado pelo simples fato de não precisar.

O país hoje é outro, tem fundamentos mais sólidos, quase US$ 400 bilhões em reservas, uma moeda estável (sim, apesar da inflação, acredite, o real é extremamente estável em termos históricos e relativos), uma taxa de câmbio flutuante sem que haja intervenções que cause grandes desvalorizações e uma SELIC de 40% novamente é extremamente improvável.

Ou seja: não espere que o CDI renda o mesmo tanto que rendeu no passado. Em uma análise macro, a probabilidade disso acontecer é baixíssima, visto que a transição de moeda e regime de câmbio ocorrida em 1995 não ocorrerá novamente. Esse CDI passado suja completamente as comparações entre CDI e bolsa do período.

O segundo ponto é: a dívida do país.
Como o quarto gráfico mostra, a dívida brasileira tem crescido muito com o tempo. Infelizmente o Banco Central não disponibiliza os dados da dívida com números antes de 2006, mas a tendência da dívida fica evidente: cada vez maior nos últimos anos.

Se a dívida cresce, significa que o país terá que gastar mais com juros, ou seja: uma SELIC demasiadamente alta se torna um problema impossível de lidar. É completamente impossível o Brasil arcar com uma dívida pública com uma SELIC de 40% ao ano como tivemos em 1999. Uma SELIC mais baixa facilita o pagamento da dívida e mitiga o risco de insolvência do país. De fato: praticamente toda a dívida brasileira é em moeda própria e basta imprimir mais dinheiro para pagá-la, mas convenhamos que imprimir dinheiro desenfreadamente irá gerar problemas tão grandes quanto a de uma moratória da dívida. Ou seja, é extremamente improvável que o Banco Central eleve a SELIC a patamares que tivemos há algumas décadas por ser algo insustentável. Hoje o país não permite uma SELIC nesse patamar e certamente é algo que o BCB evita.

O terceiro e último ponto: o viés do índice.

Como sempre falamos, esse tipo de estudo é realizado utilizando o índice da bolsa, o Ibovespa. Se você estuda, certamente você não investe no índice, mas estrutura uma carteira diversificada contemplando uma gama de setores e empresas de bons fundamentos que não reflete o índice em si, que por sua vez é horrível, extremamente concentrado e dependente de commodities – ou seja, uma carteira de bons fundamentos estruturada nessa época, certamente bateu o CDI com folga. E não falamos sobre reinvenção da roda ou estratégias mirabolantes, mas o simples que sempre deu certo: investimento em empresas com histórico sólido, lucrativas, baixa dívida, alavancagem saudável etc.

Esperamos que tenha ficado claro o cerne desse artigo: mais importante do que saber os números, é compreender a origem deles. Sim, o CDI bateu a bolsa com folga desde 1995, mas poucos compreendem porque a SELIC foi tão alta nesse meio tempo, as razões macroeconômicas e conseguem apurar quais as chances disso ocorrer novamente.

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Opinião e análise breve – WEG ($WEGE3) – 2T/2022

Mais um trimestre se passando, mais um trimestre forte da WEG – dessa vez, com as manchetes nos sites de investimentos causando preocupação. Se você acordou e abriu algum site de notícias, hoje pela manhã viu em letras garrafais: queda de lucro de 19,5% no resultado da WEG em comparação ao mesmo trimestre do ano passado.

A manchete não está errada – mas o número engana. Pois bem, na nossa breve análise e opinião da empresa, você entenderá.

No 2T22, a WEG entregou uma receita operacional líquida recorde – mais uma vez – de R$ 7.2 bilhões, apresentando um crescimento de 25% em relação ao 2T21. A receita cresceu tanto no mercado externo (+12%) quanto no mercado interno (+41%), sendo que a receita da companhia segue muito bem dividida, com metade vindo em moeda nacional e metade vindo em outras moedas (predominantemente dólares, o que é uma vantagem gigante para a WEG).

Como citamos no 1T22, com a queda do dólar, a WEG tende a perder parte da receita, afinal, ela venderá os mesmos produtos por um valor menor: enquanto no 2T21 o dólar médio foi de R$ 5,29, no 2T22 o dólar médio foi de R$ 4,93. Mesmo com essa queda de 6,9%, ainda assim a empresa conseguiu entregar um aumento de receita forte, o que é um ótimo indicativo de que face uma possível valorização mais forte do real, não ocorrerá grandes problemas.

Destrinchando um último ponto sobre a receita da companhia: lembramos que a WEG ganha dinheiro com 4 pilares diferentes – equipamentos eletrônicos industriais, GTD (geração, transmissão e distribuição de energia), motores comerciais e tintas e vernizes. Os dois primeiros representam 87,2% do faturamento total da empresa e cresceram forte comparado ao 2T21, com a administração destacando atividade industrial que surpreendeu as projeções aqui no Brasil. O segmento de motores comerciais no consolidado manteve estabilidade e o segmento de tintas e vernizes teve uma alta de 30% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, crescimento também forte, mas lembrando que o segmento representa apenas 4,7% do faturamento total da companhia.

Na parte de custos, houve queda da margem bruta de 3,0pp (de 30,4% para 27,4%) que provavelmente será o ponto que mais incomodará o mercado: essa perda de margem ocorreu principalmente pelos fatores que sempre citamos aqui, pressão de custos e inflação. A companhia destacou um aumento forte principalmente no preço do cobre e do aço, que são os dois principais insumos que ela utiliza. O ponto positivo vem sobre a linha de despesas gerais e administrativas, que antes representava 11,2% da receita da companhia, e no trimestre representou apenas 10%, tendo queda trimestre a trimestre e demonstrando o compromisso da gestão em controlar os custos que estão sob seu alcance.

O lucro líquido é a pegadinha que gerou as manchetes: no trimestre houve queda de 19,5% do lucro líquido em relação ao 2T21, em R$ 913 milhões. O que as manchetes não dizem é: no 2T21 houve reconhecimento de créditos tributários que inflaram o lucro da companhia, tornando a comparação distorcida.

Se desconsiderar esse não recorrente do 2T21, o lucro da WEG subiu 6,6% mesmo com todas as adversidades de queda do câmbio, desaceleração econômica e inflação batendo nos custos. Ou seja, não se preocupe: se você ainda é um investidor iniciante e tem dificuldade em captar alguns detalhes nos resultados, sim a WEG aumentou seu lucro no trimestre desconsiderando o fator não recorrente do 2T21.

Outros pontos interessantes que valem ser mencionados: a WEG está investindo forte em outros mercados e honrando seu compromisso em aumentar sua presença global: foi R$ 1.2 bilhão investido em bens de capital e infraestrutura nos últimos 12 meses, contemplando fábricas do México, Índia, China, EUA e principalmente Brasil, que foi responsável por 55% desse investimento total.

Finalizando, a empresa também anunciou pagamento de R$ 553 milhões em dividendos a ser pagos no dia 17 de agosto, equivalente a R$ 0,13 por ação.
Resumindo, achamos o resultado da WEG muito bom para o trimestre – bem forte, sendo sinceros, considerando os temores recessivos do exterior. Quem lê só manchetes, como sempre se assusta, deixando passar batido o fator não recorrente que gerou essa queda de lucro na comparação com o mesmo trimestre do ano passado e deixa de saber o fato de que a companhia bateu mais recordes nos resultados.

Para o próximo trimestre, esperamos menor pressão nos custos da companhia, visto que o ferro tem caído bem de preço e o cobre tem desabado, caindo mais de 30% do valor que estava até algumas semanas atrás. Isso aliviará muito os custos da empresa, considerando ser os dois principais insumos que ela utiliza.

Ainda assim, o horizonte futuro é desafiador: com uma recessão batendo na porta das principais economias do globo, o investimento em bens de capital tende a cair, e consequentemente as empresas compram menos dos produtos que a WEG vende. Se o próximo trimestre vier com desaceleração, não se assuste. Não é uma certeza, afinal, a WEG é uma máquina que surpreende em todo trimestre, mas lembre-se que em cenário recessivo empresas que vendem bens de capital tendem a vender menos.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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As últimas semanas foram acaloradas no campo do debate tributário: apesar do atual governo estar cortando diversos impostos desde 2021, foi com o corte do ICMS sobre os combustíveis, a energia elétrica e o gás de cozinha que o assunto entrou em voga e mais uma vez um assunto que deveria ser tratado unicamente sob o ponto de vista econômico (e suas consequências) virou briga política, clubismo e desinformação.

Não entraremos nesse mérito: pouco nos importa se é uma medida eleitoreira, se o corte está sendo feito para angarias votos ou coisas do tipo. Nos trataremos sob a lente econômica e falaremos sobre algo que muitos não sabem (e ainda insistem em debater com completa convicção): corte de impostos pode também aumentar a arrecadação de um país e gerar justamente o efeito que a maioria teme, de que o país vai quebrar e ficar sem dinheiro para pagar contas.

Em nossa página, num story, respondemos a pergunta se um seguidor sobre isso de forma resumida, sucinta, sem muitas explicações, dada a falta de espaço do local. Atendendo a pedidos de outros seguidores, nos aprofundaremos um pouco mais no tema.

O gráfico acima se chama Curva de Laffer. A Curva de Laffer é amplamente conhecida no campo econômico, sendo criada em 1974, pelo economista Arthur Laffer. Com sua ilustração simples, ele diz muito: no eixo horizontal, está a carga tributária, que vai de 0% a 100%, enquanto no eixo vertical, a quantidade arrecadada.

O formato em sino da curva significa o seguinte: se a carga tributária é 0%, o dinheiro que o Estado arrecadará é 0, afinal, não há alíquota de arrecadação. Se a carga tributária é 100%, o dinheiro que o Estado arrecadará também é 0, afinal, quem trabalhará tendo que dar 100% do seu esforço para o Estado?

No meio da curva, há o ponto ótimo: um nível onde a carga tributária consegue maximizar a quantidade arrecadada. Diferente do que a maioria pensa, mais carga tributária não significa mais arrecadação.

Dependendo do atual nível de tributação que o país se encontra, se você reduz a carga, haverá aumento de arrecadação pois sobrará mais dinheiro na mão da população para o consumo. Veja, pense que da noite para o dia, passou a sobrar 10% mais de dinheiro na sua mão, resultante da queda de impostos. Provavelmente você utilizará parte desse dinheiro para consumir, ou seja, haverá mais dinheiro rodando na economia, que consequentemente ocasionará mais consumo, mais investimentos e mais produção. Todo esse efeito, causa o crescimento do PIB, o aumento da atividade econômica e advinhe: o resultado final é aumento de arrecadação! Haverá, de fato, queda no percentual de carga tributária, mas por conta do maior estímulo econômico, a atividade cresce e consequemente o Estado passa a ganhar mais dinheiro com o volume da atividade. Percebe como não é uma relação exata?

Em contrapartida, num cenário onde as pessoas já são enforcadas com impostos demais, um aumento acabará desestimulando ainda mais o trabalho, o investimento e o consumo, que como consequência vai gerar queda na arrecadação, afinal, por que raios alguém vai trabalhar e investir mais se o Estado é quem tá levando a maior parte?

É justamente por isso que esse tipo de assunto não deve ser politizado. A Curva de Laffer é uma relação simples que absolutamente qualquer pessoa que quer falar sobre política deveria compreender. Mais imposto não significa maior arrecadação, assim como menos imposto não significa menos arrecadação.

A economia não é um jogo exato.

É por isso que estamos vendo tantos cortes de impostos ocorrendo há algum tempo – hoje o atual governo está apostando que a atividade econômica continuará forte, e todos esses cortes fortalecerão ainda mais a economia e causarão aumento de arrecadação na ponta final. Ressaltando – isso é o esperado, não necessariamente o que vai ocorrer. Só o tempo dirá se a estratégia dará certo.
Indo um pouco além, o resultado de arrecadação do mês de junho ilustra um pouco sobre o que tratamos aqui. No mês passado o Governo Federal arrecadou R$ 181 bilhões. Sim, você não leu errado, R$ 181 bilhões em um único mês, foi o recorde da série histórica que começou a ser mensurada em 1995, no ínicio do plano real. Esse valor significa uma alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado e já é um número ajustado pela inflação, ou seja, é 18% de aumento real do número. As projeções trabalhavam com números na casa dos R$ 170 bilhões e eram de viés pessimista justamente refletindo parte de centenas de corte de impostos que estão ocorrendo.

Ressaltando, mais uma vez: esse assunto não deve ser tratado sob a lente política, mas sob a lente econômica. É um assunto que tange a economia. São números, dados. Pouco importa o seu lado, sua ideologia ou o que você acredita – números não possuem partido e devem ser tratados de forma completamente imparcial.

Ao menos, essa é a estratégia esperada com tantos cortes de impostos. Se vai ocorrer ou não, ninguém sabe. Há completa chance de daqui 6 meses voltarmos a esse assunto e mostrarmos gráficos falando sobre queda forte na arrecadação e aumento da dívida pública, como há também chance de voltarmos e falarmos sobre queda da dívida e que a arrecadação segue atingindo patamares recordes.

É obrigação de absolutamente qualquer governo cortar impostos quando há bonança nas contas públicas – caso contrário, deixamos de ser contribuintes e nos tornamos meros escravos de uma elite minúscula que enxergará orçamentos cada vez maiores como oportunidade de gastos, e não como oportunidade de corte de impostos para honrar suas obrigações e dívidas.

Tema sobre os riscos, mas jamais deixe de falar sobre números.

Reforçando: evite a politização do assunto. Estamos falando sobre políticas públicas, dados econômicos, arrecadação federal, ciências econômicas. O mérito do debate aqui não cabe a absolutamente nenhum contraponto político, mas ao racional das medidas de cortes em relação ao atual cenário que o país se encontra e possíveis riscos/benefícios.

Mensalmente publicamos um relatório tratando sobre dados econômicos, de forma didática, explicando conceitos importantes para todos que investem.

Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.

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Levantamento de variação de preço das principais commodities relacionando com o pré-guerra e começo do ano.

Relação simples: queda de preço de commodity significa maior pressão deflacionária, mas também maiores obstáculos para o Brasil em termos fiscais, como já escrevemos aqui em um texto citando a relação entre commodity alta e aumento de arrecadação do país.
Estudo de análise interessante realizado pela Wealth High Governance sobre o atual patamar de preço da bolsa brasileira.

Levantando a média de preço sobre lucro estimado (isso é, considerando o lucro dos próximos 12 meses) dos 11 principais setores da bolsa, atualmente 9 estão negociando abaixo da média dos últimos 5 anos, sendo eles o setor de utilities (que reúne energia, saneamento e relacionados) e o setor de telecomunicação.

Os demais setores negociam entre -2% e -52%, que é o caso do setor de energia – lembrando que quando nos referimos ao setor de “energia”, tratamos sobre segmentos de petróleo, gás e relacionados – termo padrão utilizado na bolsa americana (enquanto utilities se refere a geração, transmissão e distribuição de energia, como citado).

Indo um pouco além, outro gráfico interessante publicado pela gestora foi o de preço sobre lucro da bolsa brasileira nos últimos 20 anos.

Atualmente o IBOV negocia num preço sobre lucro de 5,8x, abaixo do fundo do COVID de 8,5x e em patamar próximo a Crise do Subprime em 2008.

Três pontos interessantes a citar:

(I) Considerando fator de regressão a média, como já falamos diversas vezes, nossa bolsa está extremamente barata. Isso não significa que ela não possa ficar ainda mais – ela pode, e muita gente confunde isso. Estar barata não significa que ela não possa ficar mais, e esses indicadores são apenas evidenciais.

(II) O setor de energia precisa ser avaliado com maior cautela. Uma máxima simplifica o racional sobre oportunidades no setor: tratando-se de commodities, preço sobre lucro baixo sempre expressa que o mercado já precifica uma queda futura no preço das commodities, e consequentemente queda no lucro dessas companhias. No Brasil há também o agravante da intervenção estatal na Petrobras, o que precifica ainda mais pra baixo, visto que praticamente todo o segmento é composto pela companhia. Alguns enxergam riscos, outros enxergam oportunidades – cabe ao seu apetite.

(III) Essa é uma análise mais abrangente, tratando sobre o índice e os setores. Não significa necessariamente que toda companhia de telecomunicação ou do segmento de energia elétrica está caro nem que os demais setores estão exageradamente baratos. Investir é como jogar poker, você coloca as probabilidades ao seu favor, sendo que os números ajudam muito na identificação desse tipo de oportunidade.

Como sempre, parece tecla já batida e assunto saturado tratar sobre isso, mas vale sempre refrescar a memória e citar pontos básicos como o fato de que as melhores oportunidades aparecem em momentos de incerteza (não espere ações por preços atrativos com um cenário limpo e de calmaria) e que os melhores aportes foram feitos em 2002, 2008, 2014 e 2020 – momentos em que ninguém sabia sobre como seria o futuro e o mercado queimava em crise. Não tente encontrar o fundo para começar a investir, se você já identifica boas oportunidades e acredita que essa é só mais uma crise que vai passar (afinal, sempre passam), aproveite.

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Opinião e análise breve – Telefônica ($VIVT3) – 2T/2022

A Vivo é gigante. Junto da Claro, Tim e Oi, as quatro dominam praticamente 90% do mercado de telecomunicação brasileiro. Não em vão alguns investidores gostam tanto de investir em empresas desse setor: normalmente são empresas gigantes, sólidas, num setor extremamente regulamentado e de difícil entrada de novos competidores.

No segundo trimestre de 2022, os resultados da Telefônica reforçaram isso. Um trimestre sem surpresas, onde o crescimento seguiu em linha com o esperado, mas com um detalhe: a aquisição da Oi móvel – que apesar de obrigatório, nem todo investidor da companhia sabe, mas a Vivo ganhou alguns milhões de clientes no trimestre porque ela comprou parte da Oi Móvel. Enfim, falaremos sobre.

No 1T22 a Vivo atingiu um recorde de acessos de clientes, em 114 milhões. Um crescimento de 14 milhões comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo 12.6 milhões não-orgânicos com a aquisição da Oi Móvel – ou seja, houve crescimento também orgânico.

A receita ao analisar o resultado da companhia, é importante sempre realizar sob dois prismas: o móvel e o fixo. A companhia teve crescimento tanto de forma orgânica quanto não-orgânica em ambas as linhas. Na receita móvel houve crescimento de 16% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que sem a contabilização dos clientes da Oi Móvel, seria de 9,4% (ligeiramente abaixo da inflação, um ponto negativo, embora compreensível dado o momento). Um dado interessante a destacar que acaba passando despercebido é o churn (taxa de cancelamento) dos serviços pós-pagos, que tem caído de forma consistente, de 1,5% no 1T21 para 1,1% no 2T22, parece pouco, mas para uma base de clientes de milhões, representa um avanço enorme.

A linha de receita fixa apresentou tímido crescimento de 1,7% no total (lembrando que é a menor parte da receita da companhia, representando em torno de 30% da receita total). A parte positiva foi o crescimento da receita da fibra ótica, que cresceu quase 10% comparado ao 2T21 e a expansão da rede: a quantidade de casas passadas cresceu 22% (de 17.3 milhões para 21 milhões) enquanto a quantidade de casas conectadas passou de 4 para 5 milhões crescendo 25% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Lembrando que casas passadas significa potenciais novos clientes, isso é, domicílios que já possuem a tecnologia a disposição e só falta a conversão do cliente. A parte ruim foi a queda da receita não essencial da parte fixa, com queda de 17,1%, mas compreensível por tratar de serviços que não tardarão para sumir.

Os custos foram onde a inflação bateu e um dos destaques negativos do trimestre: o crescimento foi de 12,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Os três principais motivos: (I) aumento de custo de produtos vendidos, vide aparelhinhos de internet, TV e afins que ficaram mais caros, (II) aumento de custo de serviços com custos terceirizados e licenças necessárias para o funcionamento da companhia e (III) aumento com o pessoal provindo de reajuste salarial, benefícios e distribuição de lucros. Esse crescimento é tolerável porque constata o problema que sempre citamos nas análises, da inflação batendo. Inflação não dura pra sempre e em um período de calmaria, o custo crescerá em menor ritmo, além do que nesse trimestre houve o não-recorrente de reajuste salarial. Vale considerar também o fato da aquisição da Oi Móvel, que demandou uma contratação de novos funcionários por conta da expansão forte da companhia.

O lucro líquido da companhia por sua vez teve uma queda de 44,6%, atingindo os R$746 milhões no trimestre. A principal razão da queda do lucro foi o crescimento de despesas financeiras, que consumiu quase metade da linha final no trimestre, crescendo 282% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$601 milhões.
Em linhas gerais, sem grandes surpresas na análise do resultado da companhia pro trimestre. A receita segue subindo e os pontos de atenção para os próximos trimestre se resumem a sinergia da aquisição dos clientes da Oi Móvel (são 13 milhões de novos clientes que a Vivo colocou dentro de casa) e o endividamento.

Não se assuste com gasto financeiro, dívidas e afins, desde que a empresa demonstre capacidade de lidar com isso contratando dívidas de forma inteligente, que é o que a Vivo tem feito. Hoje o setor de Telecom brasileiro passa por dois grandes fatores de mudança: (I) a migração dos clientes da Oi para as demais operadoras (foi criado um consórcio para comprar os 41 milhões de clientes da Oi móvel, sendo que a Vivo levou 13 milhões) e (II) o surgimento do 5G. As empresas estão se endividando e investindo para se atualizar em relação ao 5G, sendo algo praticamente obrigatório. Isso explica o gasto financeiro desse trimestre, inclusive, mas não negligenciando o aumento da SELIC somado ao IPCA alto, que também eleva o custo da dívida da companhia.

Enfim – a empresa passa por grandes mudanças, não se assuste com maior volatilidade dos resultados no curto prazo e entenda sobre as licenças do 5G para conseguir compreender melhor a situação da companhia. Setor de telecom é isso, se mexe pouco, vez ou outra tem que tirar um dinheiro maior para atualizar sua tecnologia e o cenário brasileiro goza de um “benefício” de ser um mercado com praticamente um oligopólio, o que consequentemente torna as gigantes do segmento mais seguras e máquinas de imprimir dinheiro e dividendos.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Gráfico de simples entendimento sobre os ciclos da bolsa.

Juros longo sobe, bolsa de valores cai.

As partes em verde são os ciclos de queda da taxa de juros dos títulos NTNB, enquanto as partes em vermelho, são os ciclos de alta da taxa de juros dos títulos NTNB.

(I) Não estamos passando pelo fim do mundo – as taxas já passaram dos 10%, atingiram seu ponto de inflexão e caíram. 6% não é a hecatombe econômico como dizem por aí, sendo bem sincero, é até que normal para o padrão brasileiro.

(II) Não é a primeira vez nem a última que as taxas apertam assim. São ciclos, eles vêm e vão e a sistemática é sempre a mesa, com euforia desmedida nos momentos de queda com a bolsa de valores explodindo em rentabilidade e depressão e pessimismo exagerado com a bolsa de valores afundando em rentabilidade.

(III) Ciclos duram meses ou anos. Com exceção da crise do Subprime e da pandemia de 2020 que foram “relâmpagos” no mercado que causaram incertezas e sustos por se tratarem de cisnes negros (no caso de 2008, mais por conta da falência do setor bancário americano que surgiu do nada), não espere que os ciclos virem em questão de dias. Se você quer investir em renda variável, se prepare para ciclos que duram anos, tenha paciência. É o mínimo e o mais necessário para jogar o jogo, e caso você não tenha, é recomendável que nem se envolva.

No mais, o mesmo ciclo duradouro que te faz ver seu patrimônio desvalorizar em dado momento, irá virar e causar o efeito contrário em algum momento. O jogo do longo prazo consiste unicamente em você direcionar seus esforços em controlar aquilo que está sob seu alcance e suportar esses ciclos.

Não é o fim do mundo e em algum momento o ponto de inflexão irá chegar, as taxas vão cair e a bolsa voltar a subir. Não queira ser o investidor que toma a decisão de aproveitar as oportunidades da bolsa de valores tarde demais.

Lembre-se dessa relação e sua vida nos investimentos ficará mais simples: spread NTNB longa sobe, bolsa desce. Spread NTNB desce, bolsa sobe.

“It's the cycle, stupid!”

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