Sinais...
Atualmente o mercado passa por forte oscilação – num sobe e desce forte das ações, a incerteza sobre uma recessão global respinga na bolsa de valores de absolutamente qualquer país. Pouca coisa se salva. Então, toda essa incerteza do cenário macro acaba transmitindo a nós o mesmo grau de dúvida sobre o cenário.
A grande dúvida é: “será que vale a pena investir agora?”. Bem, o momento perfeito não existe. Independente da experiência do investidor e de quantos anos ele tem de mercado, ele nunca saberá quando estamos no fundo ou no topo do mercado. O que se pode saber é quando o ativo tem um preço mais aproximado daquilo que pode ser avaliado como justo, e quando o ciclo está em um momento que proporciona maior margem de segurança no preço dos ativos. E existem alguns pontos que indicam isso.
Howard Marks trata muito sobre isso no seu livro “O Mais Importante para o Investidor” (e aqui fica a recomendação de leitura, uma das centenas de obras recomendadas na biblioteca de nosso site): em momentos de euforia, o mercado tende a ter maior quantidade de IPOs realizados. 2020 e 2021 ilustram esse momento na nossa bolsa.
Com toda a euforia, o mercado sai comprando tudo o que vê pela frente, os ativos ficam mais caros, a margem de segurança no preço tende a diminuir fortemente e o que tudo isso indica é que o ciclo está em um momento de alta.
No lado oposto, existem movimentos que evidenciam quando o mercado provavelmente está barato. Movimentos de compras relevantes por parte de grandes companhias, aquisições, fusões e afins. Esses movimentos tem ocorrido com frequência em 2022 – e é justamente disso que a tabela acima trata.
Até o momento, em 2022, já foram realizados 16 grandes negócios na bolsa brasileira no que tange a compra relevante de participação ou integral de companhias. Essas compras podem sinalizar de certa forma a identificação de oportunidades por parte da gestão das respectivas companhias. Em outras palavras, talvez o mercado esteja tão barato que até mesmo os gigantes do mundo corporativo já estão colocando seus bilhões para jogo para aproveitar as oportunidades.
Como dito, não significa certeza, mas sim mais uma evidência de um momento de oportunidade no mercado. Da mesma forma que os gigantes identificam a euforia para vender seus peixes por valores mais caros, eles também tendem a identificar o medo e o terror para comprar ativos mais baratos. Entende a dinâmica aqui?
Na tabela foram incluídas compras de participações relevantes nos controles acionários, aquisições totais e fusões. No caso da Hypera, que não lista nenhuma adquirida, se refere as notícias de que a companhia está para realizar uma fusão ainda em disputa, talvez com o Grupo NC (EMS) ou com a Eurofarma.
São sinais, evidências. Nada de certezas – números e dados que podem auxiliar na percepção sobre o atual momento de mercado, onde acaba ocorrendo centenas de ruídos.
Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
www.findocs.com.br
Atualmente o mercado passa por forte oscilação – num sobe e desce forte das ações, a incerteza sobre uma recessão global respinga na bolsa de valores de absolutamente qualquer país. Pouca coisa se salva. Então, toda essa incerteza do cenário macro acaba transmitindo a nós o mesmo grau de dúvida sobre o cenário.
A grande dúvida é: “será que vale a pena investir agora?”. Bem, o momento perfeito não existe. Independente da experiência do investidor e de quantos anos ele tem de mercado, ele nunca saberá quando estamos no fundo ou no topo do mercado. O que se pode saber é quando o ativo tem um preço mais aproximado daquilo que pode ser avaliado como justo, e quando o ciclo está em um momento que proporciona maior margem de segurança no preço dos ativos. E existem alguns pontos que indicam isso.
Howard Marks trata muito sobre isso no seu livro “O Mais Importante para o Investidor” (e aqui fica a recomendação de leitura, uma das centenas de obras recomendadas na biblioteca de nosso site): em momentos de euforia, o mercado tende a ter maior quantidade de IPOs realizados. 2020 e 2021 ilustram esse momento na nossa bolsa.
Com toda a euforia, o mercado sai comprando tudo o que vê pela frente, os ativos ficam mais caros, a margem de segurança no preço tende a diminuir fortemente e o que tudo isso indica é que o ciclo está em um momento de alta.
No lado oposto, existem movimentos que evidenciam quando o mercado provavelmente está barato. Movimentos de compras relevantes por parte de grandes companhias, aquisições, fusões e afins. Esses movimentos tem ocorrido com frequência em 2022 – e é justamente disso que a tabela acima trata.
Até o momento, em 2022, já foram realizados 16 grandes negócios na bolsa brasileira no que tange a compra relevante de participação ou integral de companhias. Essas compras podem sinalizar de certa forma a identificação de oportunidades por parte da gestão das respectivas companhias. Em outras palavras, talvez o mercado esteja tão barato que até mesmo os gigantes do mundo corporativo já estão colocando seus bilhões para jogo para aproveitar as oportunidades.
Como dito, não significa certeza, mas sim mais uma evidência de um momento de oportunidade no mercado. Da mesma forma que os gigantes identificam a euforia para vender seus peixes por valores mais caros, eles também tendem a identificar o medo e o terror para comprar ativos mais baratos. Entende a dinâmica aqui?
Na tabela foram incluídas compras de participações relevantes nos controles acionários, aquisições totais e fusões. No caso da Hypera, que não lista nenhuma adquirida, se refere as notícias de que a companhia está para realizar uma fusão ainda em disputa, talvez com o Grupo NC (EMS) ou com a Eurofarma.
São sinais, evidências. Nada de certezas – números e dados que podem auxiliar na percepção sobre o atual momento de mercado, onde acaba ocorrendo centenas de ruídos.
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Hoje as 19h00 teremos uma aula ao vivo sobre renda fixa dada pelo Guilherme.
Trataremos sobre critérios de alocação, como investir, se está na hora de investir em prefixados, mostraremos como a renda fixa não é tão fixa assim (e isso leva muita gente a perder dinheiro por descuido básico) e que investir em renda fixa não é somente escolher o título com maior taxa, sentar e esperar. Dependendo da tratativa, renda fixa é tão complexa quanto a renda variável.
O momento para a renda fixa é excelente e merece ser aproveitado também, mas não é tão simples quanto as corretoras tentam te vender.
Enfim: uma conversa abrangente sobre investimentos em renda fixa, oportunidades e tudo aquilo que não te contaram. Traga suas dúvidas!
Tão importante quanto ganhar dinheiro, é saber cuidar dele. Venha fazer parte da nossa comunidade, são mais de 250h de aulas e novos conteúdos toda semana!
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O momento para a renda fixa é excelente e merece ser aproveitado também, mas não é tão simples quanto as corretoras tentam te vender.
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Gráfico de correlação entre o CDI (SELIC) e o IBOV.
Lembrando que uma das principais razões do desabe do mercado de ações de um país, é a alta na taxa de juros. Uma vez que os agentes econômicos possuem a opção de investir na renda fixa livre de riscos para rentabilizar com altas taxas, muitos migram parte do capital que está no mercado de renda variável para a renda fixa.
Existe um problema nisso: ficar migrando seu dinheiro de investimento para investimento e girando seu patrimônio de acordo com os ciclos, provavelmente vai te fazer perder muito dinheiro.
Existem alguns problemas: (I) taxas. Agentes econômicos realmente grandes não pagam tantas taxas quanto nós, pequenos e pessoas físicas. Quem possui fundo de investimento não paga IR sobre as operações, ou seja, o custo envolvido em ficar girando o patrimônio é menor. (II) imprevisibilidade: todos conhecem esses ciclos. Todos sabem que hoje a SELIC está em 13,25% e que estamos próximos do topo. Todos sabem que em algum momento ela irá começar a cair, afinal, economicamente dizendo, é completamente insustentável manter uma taxa de juros nesse patamar por muito tempo. Querer ser o mais esperto da sala e vender seus ativos de renda fixa quando os juros começarem a cair, será tarde demais.
Os gigantes do mercado possuem ferramental e relações que os levam a tomar decisões com uma antecedência bem maior a de qualquer outro agente menor do mercado. Quando os juros começarem a cair, provavelmente os grandes já estarão alocados na renda variável precificando o fundo da SELIC para o período e você estará comprando ativos com menor margem de segurança.
É por isso que sempre falamos: aproveite a renda fixa do momento, mas não negligencie a renda variável.
O investidor passa por um duro momento nessas épocas porque quando a renda fixa está extremamente atrativa, significa que a renda variável está ainda mais – ora, o mercado se ajusta e passará a cobrar maior prêmio de risco e desconto sobre ações e afins. Isso significa que as ações provavelmente estão ainda mais baratas.
Boa parte dos que estão no mercado ainda não pegaram ciclos de alta de juros nem bull market, então a dica que podemos dar é: em algum momento o ciclo vai virar (a cada 4 anos alguém fala que o Brasil vai acabar, acostume-se) e o juros começará a cair. Esse é o momento que as taxas mais gordas da renda fixa passam a sumir e o investidor que se acha mais esperto e a frente do mercado irá decidir começar a investir em renda variável. Tarde demais, o investidor que se acha o mais esperto da sala investirá num ciclo de alta, e nisso ele pratica o erro que a maioria dos investidores praticam ao diversificar os investimentos, de não pensar de forma anticíclica.
Nunca se esqueça dessa frase: se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais. Se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais. Se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais.
Invista em renda fixa, aproveite as taxas, os prefixados e diversifique, mas não se esqueça: a economia é feita de ciclos, assim como o mercado, e você não vai querer ser aquele cara que compra na alta e vende na baixa se achando o mais esperto. O mercado sempre olha anos à frente. Não tente ser o mais esperto da sala, apenas faça o simples que funciona e respeite seu asset location.
Nesse exato momento que você lê isso, provavelmente há algum gestor de fundo multibilionário com uma equipe de 50 ou mais cabeças estimando cenários de juros para que ele se posicione bem antes, roubando cada mínimo pedaço de oportunidade que as pessoas acham que existe nessa brincadeira de começar a comprar ações e fundos imobiliários só quando a taxa de juros começar a cair. Não deixe que seja tarde demais.
Lembrando que uma das principais razões do desabe do mercado de ações de um país, é a alta na taxa de juros. Uma vez que os agentes econômicos possuem a opção de investir na renda fixa livre de riscos para rentabilizar com altas taxas, muitos migram parte do capital que está no mercado de renda variável para a renda fixa.
Existe um problema nisso: ficar migrando seu dinheiro de investimento para investimento e girando seu patrimônio de acordo com os ciclos, provavelmente vai te fazer perder muito dinheiro.
Existem alguns problemas: (I) taxas. Agentes econômicos realmente grandes não pagam tantas taxas quanto nós, pequenos e pessoas físicas. Quem possui fundo de investimento não paga IR sobre as operações, ou seja, o custo envolvido em ficar girando o patrimônio é menor. (II) imprevisibilidade: todos conhecem esses ciclos. Todos sabem que hoje a SELIC está em 13,25% e que estamos próximos do topo. Todos sabem que em algum momento ela irá começar a cair, afinal, economicamente dizendo, é completamente insustentável manter uma taxa de juros nesse patamar por muito tempo. Querer ser o mais esperto da sala e vender seus ativos de renda fixa quando os juros começarem a cair, será tarde demais.
Os gigantes do mercado possuem ferramental e relações que os levam a tomar decisões com uma antecedência bem maior a de qualquer outro agente menor do mercado. Quando os juros começarem a cair, provavelmente os grandes já estarão alocados na renda variável precificando o fundo da SELIC para o período e você estará comprando ativos com menor margem de segurança.
É por isso que sempre falamos: aproveite a renda fixa do momento, mas não negligencie a renda variável.
O investidor passa por um duro momento nessas épocas porque quando a renda fixa está extremamente atrativa, significa que a renda variável está ainda mais – ora, o mercado se ajusta e passará a cobrar maior prêmio de risco e desconto sobre ações e afins. Isso significa que as ações provavelmente estão ainda mais baratas.
Boa parte dos que estão no mercado ainda não pegaram ciclos de alta de juros nem bull market, então a dica que podemos dar é: em algum momento o ciclo vai virar (a cada 4 anos alguém fala que o Brasil vai acabar, acostume-se) e o juros começará a cair. Esse é o momento que as taxas mais gordas da renda fixa passam a sumir e o investidor que se acha mais esperto e a frente do mercado irá decidir começar a investir em renda variável. Tarde demais, o investidor que se acha o mais esperto da sala investirá num ciclo de alta, e nisso ele pratica o erro que a maioria dos investidores praticam ao diversificar os investimentos, de não pensar de forma anticíclica.
Nunca se esqueça dessa frase: se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais. Se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais. Se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais.
Invista em renda fixa, aproveite as taxas, os prefixados e diversifique, mas não se esqueça: a economia é feita de ciclos, assim como o mercado, e você não vai querer ser aquele cara que compra na alta e vende na baixa se achando o mais esperto. O mercado sempre olha anos à frente. Não tente ser o mais esperto da sala, apenas faça o simples que funciona e respeite seu asset location.
Nesse exato momento que você lê isso, provavelmente há algum gestor de fundo multibilionário com uma equipe de 50 ou mais cabeças estimando cenários de juros para que ele se posicione bem antes, roubando cada mínimo pedaço de oportunidade que as pessoas acham que existe nessa brincadeira de começar a comprar ações e fundos imobiliários só quando a taxa de juros começar a cair. Não deixe que seja tarde demais.
Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
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image_2022-07-11_10-07-37.png
2.9 MB
Gráfico interessante criado pela TradingView com o histórico dos últimos 106 anos do mercado acionário americano relacionando centenas de eventos políticos, sociais e econômicos de cada época.
A definição da frase: "o mercado sobe caindo".
A definição da frase: "o mercado sobe caindo".
O banho de sangue no cenário de commodities, a projeção de inflação e como fica o Brasil nessa história
Com os temores de recessão nos EUA e Europa e desaceleração econômica na China, o preço das commodities tem desabado nos últimos 30 dias. Com diversas commodities caindo ainda mais do que 20% (e algumas bem mais, como o algodão caindo 35% e o óleo de palma caindo 40%), a primeira percepção que temos é – “amém, finalmente um sossego para a inflação!” – o que de fato está certo. Mas a análise não para por aí.
A princípio, a queda no preço das commodities de fato causará uma queda na inflação. Significa queda de custo na veia quando se refere aos principais bens de uma economia: petróleo, ferro, soja, açúcar, trigo, milho e afins. Toda essa queda tende a ser repassada pro preço dos produtos (não de forma integral) ou ao menos causam a estabilidade dos preços, fazendo com que parem de subir.
Esse movimento de forte queda de preço das commodities unido a alta da taxa de juros no país, tende a de fato causar um arrefecimento no cenário inflacionário, ou seja, espera-se que a inflação no Brasil realmente já tenha atingido o pico (que foi lá em abril, na casa dos 12,1%, sendo que atualmente estamos em 11,9%) e os próximos meses sejam mais calmos (ainda mais com as últimas medidas de corte de impostos nos combustíveis, energia elétrica e gás de cozinha que levarão o país a uma deflação em julho e agosto).
A questão é: nem tudo na vida são rosas, não é mesmo?
De um lado, o Brasil ganha com a queda da inflação com menor pressão sobre o preço das commodities, mas você deve se lembrar que o Brasil é um país que também ganha muito dinheiro vendendo justamente esses bens que estão desabando de preço, logo... o Brasil também perde forte com a queda do preço dos principais bens que ele exporta.
O Brasil sendo um país de commodities tende a gerar menos dinheiro em sua balança comercial, tendo em vista que o petróleo, o minério de ferro e algumas commodities agrícolas estão negociando em patamares de preços mais baixos. Esse cenário faz com que o país tenha um cenário fiscal mais desafiador, com menos dinheiro entrando em suas contas e consequentemente maior ceticismo do mercado sobre o real futuro do desempenho econômico brasileiro.
Essa desconfiança faz com que o câmbio seja pressionado, visto que mais dinheiro de investidor do exterior começa a sair do país vendo que as principais engrenagens que geravam bilhões de lucros estão desacelerando, por assim dizer.
Percebe a relação? De um lado, nós ganhamos muito com uma inflação pressionando menos nossos orçamentos. De outro, nos perdemos muito porque as empresas de commodities são as principais portas de entradas do capital externo, e se o gringo passa a considerar as empresas de commodities como empresas que não valem a pena investir (afinal, seus lucros caem quando o preço das commodities caem), o câmbio passa a ser pressionado, consequentemente pressionando mais ainda a inflação.
O que nós queremos que você compreenda para ler esse texto é: a relação entre queda de commodities e alta de commodities não é uma razão perfeita.
Não é porque as commodities estão desabando que o país se beneficiará maravilhosamente com queda da inflação nem porque as commodities estão voando que o país se beneficiará maravilhosamente com superávits em suas contas públicas. A relação não é tão exata assim.
Os próximos meses serão desafiadores, e um Brasil com ciclo de commodities em baixa sempre tem problemas para conseguir desempenhar em suas contas públicas. Como sempre, não se trata de um texto para aterrorizar, induzir ou influenciar em qualquer tomada de decisão, mas sempre lembrar: quando se trata de economia, não existe certeza nem exatidão.
Não se agarre em nenhuma narrativa que você ver por aí, seja ela extremamente otimista ou extremamente pessimista. O segredo sempre é o ceticismo.
Com os temores de recessão nos EUA e Europa e desaceleração econômica na China, o preço das commodities tem desabado nos últimos 30 dias. Com diversas commodities caindo ainda mais do que 20% (e algumas bem mais, como o algodão caindo 35% e o óleo de palma caindo 40%), a primeira percepção que temos é – “amém, finalmente um sossego para a inflação!” – o que de fato está certo. Mas a análise não para por aí.
A princípio, a queda no preço das commodities de fato causará uma queda na inflação. Significa queda de custo na veia quando se refere aos principais bens de uma economia: petróleo, ferro, soja, açúcar, trigo, milho e afins. Toda essa queda tende a ser repassada pro preço dos produtos (não de forma integral) ou ao menos causam a estabilidade dos preços, fazendo com que parem de subir.
Esse movimento de forte queda de preço das commodities unido a alta da taxa de juros no país, tende a de fato causar um arrefecimento no cenário inflacionário, ou seja, espera-se que a inflação no Brasil realmente já tenha atingido o pico (que foi lá em abril, na casa dos 12,1%, sendo que atualmente estamos em 11,9%) e os próximos meses sejam mais calmos (ainda mais com as últimas medidas de corte de impostos nos combustíveis, energia elétrica e gás de cozinha que levarão o país a uma deflação em julho e agosto).
A questão é: nem tudo na vida são rosas, não é mesmo?
De um lado, o Brasil ganha com a queda da inflação com menor pressão sobre o preço das commodities, mas você deve se lembrar que o Brasil é um país que também ganha muito dinheiro vendendo justamente esses bens que estão desabando de preço, logo... o Brasil também perde forte com a queda do preço dos principais bens que ele exporta.
O Brasil sendo um país de commodities tende a gerar menos dinheiro em sua balança comercial, tendo em vista que o petróleo, o minério de ferro e algumas commodities agrícolas estão negociando em patamares de preços mais baixos. Esse cenário faz com que o país tenha um cenário fiscal mais desafiador, com menos dinheiro entrando em suas contas e consequentemente maior ceticismo do mercado sobre o real futuro do desempenho econômico brasileiro.
Essa desconfiança faz com que o câmbio seja pressionado, visto que mais dinheiro de investidor do exterior começa a sair do país vendo que as principais engrenagens que geravam bilhões de lucros estão desacelerando, por assim dizer.
Percebe a relação? De um lado, nós ganhamos muito com uma inflação pressionando menos nossos orçamentos. De outro, nos perdemos muito porque as empresas de commodities são as principais portas de entradas do capital externo, e se o gringo passa a considerar as empresas de commodities como empresas que não valem a pena investir (afinal, seus lucros caem quando o preço das commodities caem), o câmbio passa a ser pressionado, consequentemente pressionando mais ainda a inflação.
O que nós queremos que você compreenda para ler esse texto é: a relação entre queda de commodities e alta de commodities não é uma razão perfeita.
Não é porque as commodities estão desabando que o país se beneficiará maravilhosamente com queda da inflação nem porque as commodities estão voando que o país se beneficiará maravilhosamente com superávits em suas contas públicas. A relação não é tão exata assim.
Os próximos meses serão desafiadores, e um Brasil com ciclo de commodities em baixa sempre tem problemas para conseguir desempenhar em suas contas públicas. Como sempre, não se trata de um texto para aterrorizar, induzir ou influenciar em qualquer tomada de decisão, mas sempre lembrar: quando se trata de economia, não existe certeza nem exatidão.
Não se agarre em nenhuma narrativa que você ver por aí, seja ela extremamente otimista ou extremamente pessimista. O segredo sempre é o ceticismo.
Ainda assim, seguimos positivos em termos de expectativa do cenário econômico do país para os próximos meses e a percepção de que a bolsa brasileira está barata continua. Apesar da queda das commodities, o patamar de preço segue alto e com as gigantes do país gerando centenas de bilhões de lucro. Vale mencionar também que empresas fora desse escopo de commodities também tem demonstrado preços bem atrativos.
Como sempre falamos: diversifique seus investimentos e você sempre deitará a cabeça no travesseiro com total tranquilidade na hora de dormir. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é sabe cuidar dele – o maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
Diversifique, siga sua estratégia para dormir tranquilo independente do cenário e venha aprender conosco.
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Como sempre falamos: diversifique seus investimentos e você sempre deitará a cabeça no travesseiro com total tranquilidade na hora de dormir. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é sabe cuidar dele – o maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
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Com o minério de ferro desvalorizando tanto... será que a Vale continuará lucrativa?
Antes de mais nada, mesmo que você não invista em Vale, a leitura vale a pena – principalmente se você pretende investir em empresas de commodities um dia. Vamos lá.
A alta do ciclo de commodities atraiu muitos investidores ainda novos de bolsa a se aventurarem no conturbado segmento de mineração, em especial, a Vale. Conturbado, no caso, por uma razão: sua alta volatilidade de acordo com os ciclos.
É um segmento simples de entender, pegando a Vale como referência: se o minério de ferro sobe de preço, a ação valoriza. Se o minério de ferro cai de preço, a ação despenca. O movimento reflete basicamente o fato de que quanto maior o preço do minério de ferro, mais a Vale irá ganhar dinheiro, e consequentemente, o investidor que comprou as suas ações, também. Mas isso praticamente todo mundo já sabe. A questão é: nem todos sabem o que está causando a queda do minério e até que ponto a Vale continuará sendo lucrativa.
Pois bem, detalharemos em duas partes.
1: O que está causando essa queda: explicar queda de preço é algo difícil, afinal, o curto prazo é um verdadeiro rodeio de aleatoriedades, ainda assim, quando tratamos de commodities, fica mais fácil, refletindo a economia real de forma mais clara.
O que você precisa entender é: a China é a principal determinante no preço do minério de ferro no mercado global. Sendo a principal consumidora, o ritmo da sua economia é que dita o caminho que o preço do minério de ferro traçará. Se você tem memória boa, deve se lembrar que o setor imobiliário chinês está passando por um período turbulento, com uma queda forte de venda de imóveis, bolhas estourando, o governo brecando parte da construção do setor entre outros pontos. Fora isso, a China tem realizado uma série de medidas extremamente restritivas (e até exageradas) de isolamento social como fruto de sua política de Covid Zero. Em resumo, algumas províncias estão sendo completamente trancadas por conta de meia dúzia de casos de Covid.
Todo esse cenário chinês causa uma queda forte no consumo de ferro entre outros derivados, afinal, é um freio no setor que mais consome esse bem, um freio em investimento em infraestrutura e um freio na economia como um todo, com a população ficando trancada em casa.
O resultado disso? Desde a máxima registrada no ano, o minério de ferro já tombou quase 30%, sendo negociado atualmente próximo a US$ 100 por tonelada.
Os dados do último trimestre do país também desanimaram o mercado: o PIB caiu 2,6% em relação ao trimestre anterior e o investimento imobiliário caiu 9,4% e a venda de novos imóveis caíram 18,3%.
O resumo da opera é o que o investidor de Vale deve entender é: a China é quem dita o preço do minério. Desaceleração significa menos consumo de ferro, e consequentemente menos lucro para a vale.
2. Até que ponto a Vale suporta essa queda: esse é um ponto que pouco investidor da companhia realmente sabe, apesar de simples, e é obrigatório de se saber. A Vale tem 68% da sua receita vindo da venda do minério de ferro, ou seja, o principal driver de seu lucro é o preço do minério de ferro. Com o minério tombando, a empresa lucrará menos.
Sob essa perspectiva, o mais importante é você saber: o custo de extração e comercialização do minério de ferro pela Vale, é de US$ 45 por tonelada. Hoje o preço da tonelada do minério, como mencionamos, está muito, mas muito acima disso. Pouco mais do que o dobro, alias. Ou seja: contanto que o minério continue acima desse patamar de custo citado, a empresa conseguirá gerar bons resultados.
É obvio que como acionista, você quer ver o minério negociando a US$ 200 a tonelada e a Vale gerando lucros exorbitantes, é o cenário perfeito onde ela consegue distribuir mais de 20% de dividendos ao ano e fazer recompras multibilionárias de ações, mas independente disso, negocie o minério na casa dos US$ 200 ou US$ 80, a Vale continuará sendo uma empresa que gera bilhões de reais de lucro.
Antes de mais nada, mesmo que você não invista em Vale, a leitura vale a pena – principalmente se você pretende investir em empresas de commodities um dia. Vamos lá.
A alta do ciclo de commodities atraiu muitos investidores ainda novos de bolsa a se aventurarem no conturbado segmento de mineração, em especial, a Vale. Conturbado, no caso, por uma razão: sua alta volatilidade de acordo com os ciclos.
É um segmento simples de entender, pegando a Vale como referência: se o minério de ferro sobe de preço, a ação valoriza. Se o minério de ferro cai de preço, a ação despenca. O movimento reflete basicamente o fato de que quanto maior o preço do minério de ferro, mais a Vale irá ganhar dinheiro, e consequentemente, o investidor que comprou as suas ações, também. Mas isso praticamente todo mundo já sabe. A questão é: nem todos sabem o que está causando a queda do minério e até que ponto a Vale continuará sendo lucrativa.
Pois bem, detalharemos em duas partes.
1: O que está causando essa queda: explicar queda de preço é algo difícil, afinal, o curto prazo é um verdadeiro rodeio de aleatoriedades, ainda assim, quando tratamos de commodities, fica mais fácil, refletindo a economia real de forma mais clara.
O que você precisa entender é: a China é a principal determinante no preço do minério de ferro no mercado global. Sendo a principal consumidora, o ritmo da sua economia é que dita o caminho que o preço do minério de ferro traçará. Se você tem memória boa, deve se lembrar que o setor imobiliário chinês está passando por um período turbulento, com uma queda forte de venda de imóveis, bolhas estourando, o governo brecando parte da construção do setor entre outros pontos. Fora isso, a China tem realizado uma série de medidas extremamente restritivas (e até exageradas) de isolamento social como fruto de sua política de Covid Zero. Em resumo, algumas províncias estão sendo completamente trancadas por conta de meia dúzia de casos de Covid.
Todo esse cenário chinês causa uma queda forte no consumo de ferro entre outros derivados, afinal, é um freio no setor que mais consome esse bem, um freio em investimento em infraestrutura e um freio na economia como um todo, com a população ficando trancada em casa.
O resultado disso? Desde a máxima registrada no ano, o minério de ferro já tombou quase 30%, sendo negociado atualmente próximo a US$ 100 por tonelada.
Os dados do último trimestre do país também desanimaram o mercado: o PIB caiu 2,6% em relação ao trimestre anterior e o investimento imobiliário caiu 9,4% e a venda de novos imóveis caíram 18,3%.
O resumo da opera é o que o investidor de Vale deve entender é: a China é quem dita o preço do minério. Desaceleração significa menos consumo de ferro, e consequentemente menos lucro para a vale.
2. Até que ponto a Vale suporta essa queda: esse é um ponto que pouco investidor da companhia realmente sabe, apesar de simples, e é obrigatório de se saber. A Vale tem 68% da sua receita vindo da venda do minério de ferro, ou seja, o principal driver de seu lucro é o preço do minério de ferro. Com o minério tombando, a empresa lucrará menos.
Sob essa perspectiva, o mais importante é você saber: o custo de extração e comercialização do minério de ferro pela Vale, é de US$ 45 por tonelada. Hoje o preço da tonelada do minério, como mencionamos, está muito, mas muito acima disso. Pouco mais do que o dobro, alias. Ou seja: contanto que o minério continue acima desse patamar de custo citado, a empresa conseguirá gerar bons resultados.
É obvio que como acionista, você quer ver o minério negociando a US$ 200 a tonelada e a Vale gerando lucros exorbitantes, é o cenário perfeito onde ela consegue distribuir mais de 20% de dividendos ao ano e fazer recompras multibilionárias de ações, mas independente disso, negocie o minério na casa dos US$ 200 ou US$ 80, a Vale continuará sendo uma empresa que gera bilhões de reais de lucro.
Por que tudo isso importa? Porque em momentos como o de agora, o investidor iniciante tende a panicar, praticando o algoritmo da pobreza, vendendo na baixa e comprando na alta.
Todo ciclo é completamente imprevisível, de commodities, especialmente, porque pouco se tem ideia sobre a real capacidade dos governos em atenuar recessões, estimular os mercados e interferir no funcionamento dos agentes econômicos.
Se você investe na Vale, pense que a empresa é como uma montanha-russa: na baixa do ciclo você ganhará dinheiro, mas na alta, ganhará ainda mais. Machuca ver seu investimento desvalorizar 50%? É claro que machuca. Mas no longo prazo, o que vai te enriquecer é justamente manter a ação em carteira, aportando em momentos de baixa, recebendo as toneladas de dividendos que a empresa paga e reinvestindo.
Esse texto não significa que o minério entrou numa tendência de baixa – pelo contrário, ressaltamos o ponto sobre a imprevisibilidade dos ciclos. A volatilidade de algumas commodities está gigante atualmente, mas achamos justo escrever esse texto em um tempo onde tanto falam sobre investimento em commodities, especialmente a Vale, que é um colosso não só brasileiro, mas global.
Você não é gestor de fundo de investimento, você não precisa justificar sua rentabilidade e muito menos acertar fundos e topos. Use isso ao seu favor, é uma vantagem que poucos investidores exploram.
No mais, fique tranquilo: investir numa empresa que vende minério de ferro é investir numa empresa que produz um bem que provavelmente nunca deixará de ser usado... ou não tão cedo. Não é exagero dizer que a Vale é uma das empresas mais seguras do país. Se você investe nela e ainda é novo no mercado, aperte o cinto e contemple o caos. A volatilidade sempre fez parte do jogo no mercado das commodities.
A título de curiosidade: de ciclo em ciclo e com toda a volatilidade, desde 1998 as ações da Vale renderam 13.489%, o equivalente a 23% ao ano.
Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
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Todo ciclo é completamente imprevisível, de commodities, especialmente, porque pouco se tem ideia sobre a real capacidade dos governos em atenuar recessões, estimular os mercados e interferir no funcionamento dos agentes econômicos.
Se você investe na Vale, pense que a empresa é como uma montanha-russa: na baixa do ciclo você ganhará dinheiro, mas na alta, ganhará ainda mais. Machuca ver seu investimento desvalorizar 50%? É claro que machuca. Mas no longo prazo, o que vai te enriquecer é justamente manter a ação em carteira, aportando em momentos de baixa, recebendo as toneladas de dividendos que a empresa paga e reinvestindo.
Esse texto não significa que o minério entrou numa tendência de baixa – pelo contrário, ressaltamos o ponto sobre a imprevisibilidade dos ciclos. A volatilidade de algumas commodities está gigante atualmente, mas achamos justo escrever esse texto em um tempo onde tanto falam sobre investimento em commodities, especialmente a Vale, que é um colosso não só brasileiro, mas global.
Você não é gestor de fundo de investimento, você não precisa justificar sua rentabilidade e muito menos acertar fundos e topos. Use isso ao seu favor, é uma vantagem que poucos investidores exploram.
No mais, fique tranquilo: investir numa empresa que vende minério de ferro é investir numa empresa que produz um bem que provavelmente nunca deixará de ser usado... ou não tão cedo. Não é exagero dizer que a Vale é uma das empresas mais seguras do país. Se você investe nela e ainda é novo no mercado, aperte o cinto e contemple o caos. A volatilidade sempre fez parte do jogo no mercado das commodities.
A título de curiosidade: de ciclo em ciclo e com toda a volatilidade, desde 1998 as ações da Vale renderam 13.489%, o equivalente a 23% ao ano.
Se você ainda não conhece nossa plataforma de educação financeira, venha conhecer: são mais de 250h de aulas, textos, relatórios e uma comunidade de milhares de assinantes – feita de investidores para investidores – para aprender sobre. Sem enrolação e com a atenção que você merece. O maior arrependimento do investidor é não ter começado antes.
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Sem muitos rodeios hoje, mas uma simples tabela do tamanho do problema inflacionário que o planeta enfrenta atualmente.
Um quadro com o avanço inflacionário das principais economias do globo dos últimos 24 meses.
Os números explicam boa parte do temor sobre recessão: para levar esses números para baixo, o mercado espera que sejam tomadas cada vez mais medidas de desestímulo ao consumo, o que consequentemente significa queda de produção – e então recessão.
O país de destaque é a Arábia Saudita, pelo motivo obvio de uma economia pautada no petróleo.
Lembrando: os ciclos sempre mudam. Aproveite as oportunidades e não seja o investidor arrependido.
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Um quadro com o avanço inflacionário das principais economias do globo dos últimos 24 meses.
Os números explicam boa parte do temor sobre recessão: para levar esses números para baixo, o mercado espera que sejam tomadas cada vez mais medidas de desestímulo ao consumo, o que consequentemente significa queda de produção – e então recessão.
O país de destaque é a Arábia Saudita, pelo motivo obvio de uma economia pautada no petróleo.
Lembrando: os ciclos sempre mudam. Aproveite as oportunidades e não seja o investidor arrependido.
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Investimento na bolsa de valores, caso tenha o conhecimento necessário, definitivamente é uma das melhores formas para proteger o capital contra a inflação no longo prazo – é uma lógica simples: você investe em empresas que repassam a inflação aos seus produtos, e como acionista você se protege recebendo parte do lucro das operações.
Indo pouco além, existem também os títulos de renda fixa para proteger o investidor desse tipo de problema. Entre eles: investimentos que rendem o CDI, a taxa mais conhecida, benchmark de muitos investimentos.
Num levantamento considerando a rentabilidade do índice da bolsa de valores entre 1995 e 2021, foi identificado que a o índice rendeu 2.309%, enquanto no mesmo período, o CDI mais de 4.000%. Sim, quase o dobro do quanto rendeu o índice da bolsa no período. Mas talvez essa comparação seja um erro e possa causar algumas distorções e vieses nas análises. Daremos nosso ponto de vista sobre o assunto.
O primeiro ponto: o CDI passado dificilmente se repetirá.
Durante um longo tempo, o nosso país teve uma inflação violentamente alta, refletindo o passado conturbado com trocas de moedas, hiperinflação, instabilidade políticas entre outros problemas. Foi somente em 1994, com o plano real já em vigor e operante, que o cenário monetário brasileiro começou a entrar nos eixos, com o regime bandas cambiais (o governo definia um câmbio máximo e mínimo e não deixava que ele passasse desses valores) até 1999.
Somado a todos esses eventos citados acima, o governo abandonou o regime de bandas cambiais, resultando numa forte desvalorização da nossa moeda, dando origem ao evento da maxidesvalorização do real. Como forma de enfrentar todo esse cenário, a solução encontrada foi simples: SELIC nas alturas.
Perceba pelo primeiro gráfico que a SELIC entre 1995 e 1999 era altíssima ainda buscando controlar a inflação e a desvalorização cambial do período, uma época que o Brasil não tinha reservas, saia de uma recente troca de moeda pela sétima vez seguida e soltava a taxa de câmbio do país. Resumindo: a SELIC ficou altíssima durante esse período para enfrentar problemas pontuais.
Passado alguns anos, com a economia já estabilizando com a nova moeda acomodada, a taxa de câmbio menos atacada e a economia brasileira com fundamentos mais sólidos, a SELIC passou a caminhar para patamares ainda mais baixos, sendo necessário uma taxa de juros menor para remuneração dos seus títulos públicos, afinal, o investidor tinha mais confiança no país.
Para isso, elaboramos outros dois gráficos: a SELIC desde 1995 em janelas de médias de 2 anos e janelas de médias de 5 anos. Nos três gráficos, fica evidente a tendência de queda da SELIC ao passar do tempo, sendo que considerando janelas mais alongadas, fica ainda mais claro.
O ponto central da ideia aqui é: o início do plano real com a troca do sistema de câmbio do país acabou gerando uma distorção nesse tipo de análise de rentabilidade do CDI. Sem dúvidas: o investidor que teve dinheiro atrelado ao CDI desde 1995 conseguiu ganhar muito dinheiro, mas como todo investidor sabe, rentabilidade passada não significa rentabilidade futura. Dificilmente o Brasil terá um CDI tão alto quanto teve no passado pelo simples fato de não precisar.
O país hoje é outro, tem fundamentos mais sólidos, quase US$ 400 bilhões em reservas, uma moeda estável (sim, apesar da inflação, acredite, o real é extremamente estável em termos históricos e relativos), uma taxa de câmbio flutuante sem que haja intervenções que cause grandes desvalorizações e uma SELIC de 40% novamente é extremamente improvável.
Ou seja: não espere que o CDI renda o mesmo tanto que rendeu no passado. Em uma análise macro, a probabilidade disso acontecer é baixíssima, visto que a transição de moeda e regime de câmbio ocorrida em 1995 não ocorrerá novamente. Esse CDI passado suja completamente as comparações entre CDI e bolsa do período.
O segundo ponto é: a dívida do país.
Indo pouco além, existem também os títulos de renda fixa para proteger o investidor desse tipo de problema. Entre eles: investimentos que rendem o CDI, a taxa mais conhecida, benchmark de muitos investimentos.
Num levantamento considerando a rentabilidade do índice da bolsa de valores entre 1995 e 2021, foi identificado que a o índice rendeu 2.309%, enquanto no mesmo período, o CDI mais de 4.000%. Sim, quase o dobro do quanto rendeu o índice da bolsa no período. Mas talvez essa comparação seja um erro e possa causar algumas distorções e vieses nas análises. Daremos nosso ponto de vista sobre o assunto.
O primeiro ponto: o CDI passado dificilmente se repetirá.
Durante um longo tempo, o nosso país teve uma inflação violentamente alta, refletindo o passado conturbado com trocas de moedas, hiperinflação, instabilidade políticas entre outros problemas. Foi somente em 1994, com o plano real já em vigor e operante, que o cenário monetário brasileiro começou a entrar nos eixos, com o regime bandas cambiais (o governo definia um câmbio máximo e mínimo e não deixava que ele passasse desses valores) até 1999.
Somado a todos esses eventos citados acima, o governo abandonou o regime de bandas cambiais, resultando numa forte desvalorização da nossa moeda, dando origem ao evento da maxidesvalorização do real. Como forma de enfrentar todo esse cenário, a solução encontrada foi simples: SELIC nas alturas.
Perceba pelo primeiro gráfico que a SELIC entre 1995 e 1999 era altíssima ainda buscando controlar a inflação e a desvalorização cambial do período, uma época que o Brasil não tinha reservas, saia de uma recente troca de moeda pela sétima vez seguida e soltava a taxa de câmbio do país. Resumindo: a SELIC ficou altíssima durante esse período para enfrentar problemas pontuais.
Passado alguns anos, com a economia já estabilizando com a nova moeda acomodada, a taxa de câmbio menos atacada e a economia brasileira com fundamentos mais sólidos, a SELIC passou a caminhar para patamares ainda mais baixos, sendo necessário uma taxa de juros menor para remuneração dos seus títulos públicos, afinal, o investidor tinha mais confiança no país.
Para isso, elaboramos outros dois gráficos: a SELIC desde 1995 em janelas de médias de 2 anos e janelas de médias de 5 anos. Nos três gráficos, fica evidente a tendência de queda da SELIC ao passar do tempo, sendo que considerando janelas mais alongadas, fica ainda mais claro.
O ponto central da ideia aqui é: o início do plano real com a troca do sistema de câmbio do país acabou gerando uma distorção nesse tipo de análise de rentabilidade do CDI. Sem dúvidas: o investidor que teve dinheiro atrelado ao CDI desde 1995 conseguiu ganhar muito dinheiro, mas como todo investidor sabe, rentabilidade passada não significa rentabilidade futura. Dificilmente o Brasil terá um CDI tão alto quanto teve no passado pelo simples fato de não precisar.
O país hoje é outro, tem fundamentos mais sólidos, quase US$ 400 bilhões em reservas, uma moeda estável (sim, apesar da inflação, acredite, o real é extremamente estável em termos históricos e relativos), uma taxa de câmbio flutuante sem que haja intervenções que cause grandes desvalorizações e uma SELIC de 40% novamente é extremamente improvável.
Ou seja: não espere que o CDI renda o mesmo tanto que rendeu no passado. Em uma análise macro, a probabilidade disso acontecer é baixíssima, visto que a transição de moeda e regime de câmbio ocorrida em 1995 não ocorrerá novamente. Esse CDI passado suja completamente as comparações entre CDI e bolsa do período.
O segundo ponto é: a dívida do país.
Como o quarto gráfico mostra, a dívida brasileira tem crescido muito com o tempo. Infelizmente o Banco Central não disponibiliza os dados da dívida com números antes de 2006, mas a tendência da dívida fica evidente: cada vez maior nos últimos anos.
Se a dívida cresce, significa que o país terá que gastar mais com juros, ou seja: uma SELIC demasiadamente alta se torna um problema impossível de lidar. É completamente impossível o Brasil arcar com uma dívida pública com uma SELIC de 40% ao ano como tivemos em 1999. Uma SELIC mais baixa facilita o pagamento da dívida e mitiga o risco de insolvência do país. De fato: praticamente toda a dívida brasileira é em moeda própria e basta imprimir mais dinheiro para pagá-la, mas convenhamos que imprimir dinheiro desenfreadamente irá gerar problemas tão grandes quanto a de uma moratória da dívida. Ou seja, é extremamente improvável que o Banco Central eleve a SELIC a patamares que tivemos há algumas décadas por ser algo insustentável. Hoje o país não permite uma SELIC nesse patamar e certamente é algo que o BCB evita.
O terceiro e último ponto: o viés do índice.
Como sempre falamos, esse tipo de estudo é realizado utilizando o índice da bolsa, o Ibovespa. Se você estuda, certamente você não investe no índice, mas estrutura uma carteira diversificada contemplando uma gama de setores e empresas de bons fundamentos que não reflete o índice em si, que por sua vez é horrível, extremamente concentrado e dependente de commodities – ou seja, uma carteira de bons fundamentos estruturada nessa época, certamente bateu o CDI com folga. E não falamos sobre reinvenção da roda ou estratégias mirabolantes, mas o simples que sempre deu certo: investimento em empresas com histórico sólido, lucrativas, baixa dívida, alavancagem saudável etc.
Esperamos que tenha ficado claro o cerne desse artigo: mais importante do que saber os números, é compreender a origem deles. Sim, o CDI bateu a bolsa com folga desde 1995, mas poucos compreendem porque a SELIC foi tão alta nesse meio tempo, as razões macroeconômicas e conseguem apurar quais as chances disso ocorrer novamente.
Conhecimento é o que fará com que você ganhe dinheiro. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é saber cuidar dele. Venha fazer parte do nosso time e pare de depender de dicas.
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Se a dívida cresce, significa que o país terá que gastar mais com juros, ou seja: uma SELIC demasiadamente alta se torna um problema impossível de lidar. É completamente impossível o Brasil arcar com uma dívida pública com uma SELIC de 40% ao ano como tivemos em 1999. Uma SELIC mais baixa facilita o pagamento da dívida e mitiga o risco de insolvência do país. De fato: praticamente toda a dívida brasileira é em moeda própria e basta imprimir mais dinheiro para pagá-la, mas convenhamos que imprimir dinheiro desenfreadamente irá gerar problemas tão grandes quanto a de uma moratória da dívida. Ou seja, é extremamente improvável que o Banco Central eleve a SELIC a patamares que tivemos há algumas décadas por ser algo insustentável. Hoje o país não permite uma SELIC nesse patamar e certamente é algo que o BCB evita.
O terceiro e último ponto: o viés do índice.
Como sempre falamos, esse tipo de estudo é realizado utilizando o índice da bolsa, o Ibovespa. Se você estuda, certamente você não investe no índice, mas estrutura uma carteira diversificada contemplando uma gama de setores e empresas de bons fundamentos que não reflete o índice em si, que por sua vez é horrível, extremamente concentrado e dependente de commodities – ou seja, uma carteira de bons fundamentos estruturada nessa época, certamente bateu o CDI com folga. E não falamos sobre reinvenção da roda ou estratégias mirabolantes, mas o simples que sempre deu certo: investimento em empresas com histórico sólido, lucrativas, baixa dívida, alavancagem saudável etc.
Esperamos que tenha ficado claro o cerne desse artigo: mais importante do que saber os números, é compreender a origem deles. Sim, o CDI bateu a bolsa com folga desde 1995, mas poucos compreendem porque a SELIC foi tão alta nesse meio tempo, as razões macroeconômicas e conseguem apurar quais as chances disso ocorrer novamente.
Conhecimento é o que fará com que você ganhe dinheiro. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é saber cuidar dele. Venha fazer parte do nosso time e pare de depender de dicas.
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