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Hiperinflação... nem todos viveram, mas as histórias contadas sobre a época fazem com que o termo por si só seja assombroso. Não por coincidência, muito influenciador tem tratado sobre o tema, afinal, é o medo que gera engajamento. O pessimismo faz as pessoas parecerem mais inteligentes com todas suas voltas em torno de cenários catastróficos. A questão é: inflação alta não significa hiperinflação.

Vivemos em um momento de inflação altíssima, de fato. Quem viveu a década de 80 e 90 sabe que a inflação de hoje é brincadeira de criança perto do que ocorreu naquela época, mas ainda assim uma inflação alta traz o temor do retorno de uma hiperinflação. Com isso, tivemos a ideia de pegar três gráficos referentes a hiperinflação de décadas recentes e explicar um pouco sobre cada uma.

Hiperinflação existe, assim como a chance dela voltar – mas o que poucos falam, é que essa chance é remota, próxima de zero, e tudo tem que dar muito, mas muito errado, além do Estado realizar um esforço imenso para isso acontecer, imprimindo dinheiro de uma forma que atropele toda a estrutura do Sistema Financeiro moderno.

Antes de mais nada: cada gráfico possui no eixo vertical a quantidade de dinheiro circulante na base monetária. Nós tiramos os valores por conta dos números estratosféricos, mas você entenderá o ponto mesmo assim.

O primeiro gráfico se refere ao período de 1986 (Plano Cruzado) até junho de 2022 – o presente.

São 36 anos corridos, passando pelo Cruzado (1986), Cruzado Novo (1989), Cruzeiro (1990), Cruzeiro Real (1993) e pela atual moeda que usamos hoje, o Real (1994). Nosso cenário econômico antes do Plano Real era uma zona – 5 trocas de moeda em 36 anos ilustram muito bem isso.

No gráfico, você deve conseguir ver três pontos mais altos: um em 1988, um em 1992 e um em 1994. Foram três momentos em que o Brasil imprimiu dinheiro descontroladamente, atingido mais de quatrilhões de unidade monetária em circulação em cada período – sendo 1992 o pior ano, com uma alta que chega a distorcer todo o gráfico. O motivo para a impressão de dinheiro da época era o de sempre: descontrole dos gastos públicos, descontrole da dívida e planos econômicos mal sucedidos. A mentalidade era: “acabou o dinheiro? Imprime mais!” – não havia qualquer mecânica que impedisse que o Estado emitisse moeda como bem entendesse. Existia nesse tempo também um mecanismo chamado “conta única”, que nada mais era do que uma forma que o Banco do Brasil tinha acesso ao Banco Central do país para imprimir dinheiro quando quisesse para emprestar dinheiro para todo mundo – principalmente bancos públicos e empresários próximos (e corruptos) do governo.


O segundo gráfico nós elaboramos para dar um zoom na situação inflacionária. Ele se refere a impressão de moeda de 1989 até 1993.

Com o zoom, fica evidente como mais uma vez o que causou a hiperinflação da época foi uma impressão desenfreada de dinheiro. Entre 1992 e 1993 o gráfico se inclina de forma tão violenta que fez de novo com que a base monetária atingisse valores obscenos. Mais uma vez, dinheiro sendo impresso para arcar com a falta de responsabilidade do Estado com a saúde financeira das contas públicas somado a facilidade que os políticos tinham acesso na época via a conta única do Banco do Brasil. Era uma ideia simples e cômica: “precisa de dinheiro? Imprime!” – e assim caminhava a economia do país, com qualquer cargo um pouco mais elevado da esfera pública conseguindo dinheiro infinito para suas regalias.

Foram planos econômicos atrás de planos econômicos atacando os sintomas, e não a doença – em vez de reestruturar a economia do país, fechar a torneira de impressão de dinheiro estabelecer regras claras e transparentes sobre o cenário monetário nacional, tudo que os políticos faziam era trocar o nome da moeda e cortar alguns zeros.

E então, o terceiro e último gráfico: do início do Plano Real (1994) até hoje, junho de 2022.
Diferente do gráfico 2, o gráfico 3 nos remete a um período de análise de 27 anos. É perceptível como a base monetária no plano real foi estável – crescendo lentamente, ano a ano, sem impressão descontrolada e com regras mais duras e precisas. O único período que torna o gráfico um pouco mais preocupante, foi o de 2020, refletindo a pandemia e os mais de R$600 bilhões que o Estado teve que imprimir para lidar com toda a conjuntura extraordinária do período. Considerando um não recorrente, é claro como a base monetária do plano real é controlada, sem as loucuras de impressão de moeda desenfreada que acometeram os planos passados.

Com o plano real, houve uma mudança estrutural na economia do país: não era mais permitido imprimir dinheiro para cobrir déficit público, o orçamento da união foi revisto, a conta única do Banco do Brasil foi extinta (aquela anomalia que permitia que políticos imprimissem dinheiro) e o cenário macro da economia do país passou a ser valorizada, e não tratada como algo irrelevante. O Brasil se tornou um país completamente diferente.

Nosso ponto aqui é: quem fala sobre hiperinflação com naturalidade achando que temos alguma chance real de voltar ao cenário que vivemos entre 1980 e 1990, não faz a mínima ideia sobre o que está falando.

O que permitiu o desenhar de uma hiperinflação no passado, foi um Brasil completamente desestruturado, desorganizado, destruído e que não existe mais. Obviamente que não somos uma Suíça ou qualquer outro paraíso de primeiro mundo, mas pare e pense na loucura que era viver num Brasil onde políticos conseguiam utilizar uma conta pública para imprimir dinheiro como bem entendessem por meio do Banco do Brasil. Percebe a diferença?

A inflação que temos hoje é sim por conta de impressão de dinheiro descontrolada – 2020 fez com que os governos do mundo inteiro injetassem dinheiro em suas economias para enfrentar os problemas desconhecidos que a pandemia estava para causar. Foi um erro sem tamanho, mas infelizmente faz parte e ninguém sabia sobre o futuro. Além desse dinheiro impresso, hoje vivemos alguns outros problemas como quebra na cadeia de produção, guerra e conflitos geopolíticos – mais fatores inflacionários.

Desde o ano passado a torneira de dinheiro fácil foi fechada e o dinheiro parou de ser impresso. A base monetária já parou de ser expandida e não há qualquer vestígio de impressão de dinheiro descontrolada (realmente descontrolada, e não impressão de dinheiro normal como vemos por aí na casa de alguns poucos bilhões) como houve em tempos passados.

Uma hiperinflação não é algo impossível – nada é. Nosso ponto é que essa tratativa sobre a hiperinflação que alguns tem dado praticamente normalizando o assunto, é algo injusto. Pessoas que não estudaram o período econômico ou sequer sabem as causas da hiperinflação de tempos passados, enxergar uma inflação subindo, ouvem um influenciador falando sobre hiperinflação e no 1+1 passam a acreditar que o mundo está acabando. É um terro que pode destruir e corroer uma pessoa por dentro a troco de engajamento.

Enfrentamos uma inflação alta – o mundo tem enfrentado, na verdade, mas isso não significa hiperinflação. Hiperinflação está ligada a impressão desvairada e maluca de moeda – coisa que nos dias de hoje dificilmente aconteceria. Como falamos, existem mecânicas e todo um sistema que impossibilita que alguém ensandecido aperte um botão para imprimir dinheiro com a mesma facilidade que se manuseia um micro-ondas desde 1994, não em vão o Plano Real deu tão certo. Inflação alta não significa hiperinflação. Em algum momento os preços vão se acomodar ao novo patamar de moeda circulante e a inflação irá cessar. A base monetária já parou de ser expandida faz um tempo, não em vão a inflação desacelerou. Infelizmente o preço dessas medidas estúpidas do Estado são pagar por nós, mas ainda assim, não absorva a narrativa de uma hiperinflação no Brasil como se ela acontecesse por acidente.
Hiperinflação acontece única e exclusivamente com impressão desenfreada de dinheiro – e ainda estamos muito, muito, muito longe disso. A base monetária brasileira está estável desde novembro de 2020.

Lembrando que investir é essencial para se proteger de cenários inflacionários. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é cuidar bem dele. Saber investir é o que fará com que seu dinheiro não seja destruído pela inflação – até mesmo em cenários hiperinflacionários carteiras de investimentos bem estruturadas sobrevivem e crescem. Aprenda a investir, o maior arrependimento do investidor é sempre o fato de não ter começado antes.

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Resultado dessa fusão entre a Fleury e a Hermes Pardini, criando um colosso no setor.

Vamos abordar sobre esse teme no debate de domingo, tratando cada ponto nos detalhes. Posteriormente gravaremos uma aula para a plataforma, também.

Se você ainda não faz parte, venha.

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Estimativa de preço dos combustíveis com esse novo corte de impostos.

Esse corte tende a causar uma inflação negativa (deflação) em julho, então caso ocorra, não se assuste - é um não recorrente.
Ainda sobre queda de commodities e precificação de recessão nos EUA...

Algumas commodities desabando em relação ao pico das últimas 52 semanas. Todos esses valores serão determinantes na decisão do Banco Central do Brasil para o próximo movimento da SELIC (que com esse corte de impostos nos combustíveis e energia elétrica, já indica provável pico da taxa).
Sobre os ciclos dos fundos imobiliários.

Fundos imobiliários tem sido cada vez mais escolhidos pelos investidores de longo prazo.

O potencial deles é claro: você pode investir nos melhores imóveis dos melhores bairros do país de forma completamente acessível. Cotas de fundos que possuem os melhores prédios da Faria Lima de São Paulo são negociadas abertamente no mercado. Galpões logísticos de extrema importância para o funcionamento do e-commerce, os melhores shoppings do país... tudo isso acessível com pouquíssimo dinheiro, com reajuste de aluguéis seguindo a inflação e valorização do patrimônio como qualquer imóvel físico tem.

A questão é: essa valorização não surge instanteneamente. É por isso que tanto investidor se da mal com fundos imobiliários, esperando algo que definitivamente não acontecerá no curto prazo. Para isso, é necessário entender os ciclos do mercado imobiliário.

Assim como qualquer outro mercado existente, o mercado imobiliário também segue ciclos.

Resumidamente, o ciclo imobiliário é resumido em quatro fases: a recuperação, a expansão, a superoferta e a recessão.

Na recuperação, há uma queda da vacância. Não há novas construções no setor, logo a queda da vacância ocorre pelo aumento da procura por imóveis somada a inexistência de criação de novos estoques.

Na expansão, com o mercado identificando esse aumento da procura e queda da vacância sem qualquer novas construções nos horizontes, começam então as novas obras. A vacância aqui ainda cai, visto que leva tempo até que novos imóveis sejam levantados. Com a quantidade de imóveis se expandindo, vamos para a próxima fase...

A superoferta. Com toda a euforia que o mercado passa vendo uma demanda tão alta por novos imóveis e uma queda da vacância indicando que a procura continuará alta (o que implica em mais dinheiro por metro quadrado e mais dinheiro ganho com aluguéis), mais obras são realizadas do que a capacidade do mercado realmente absorver. Eis que surge o nome: superoferta. Nesse ponto do ciclo, as novas construções começadas anteriormente começam a ser entregues, enquanto mais construções seguem em andamento. A entrega aumenta o estoque de metro quadrado disponível, que como consequência, tende a aumentar a vacância.
Que nos faz chegar na recessão. Com abundância de imóveis disponíveis e vacância alta, o poder de barganha fica na mão dos inquilinos, e não dos proprietários de imóveis. Com isso, as obras iniciadas anteriormente continuam sendo entregues, mas as obras começam a cessar, afinal, já há muito estoque de imóveis disponível no mercado.

No fim, retornamos ao ponto de recuperação, onde não há novas construções e a vacância entra em queda, visto que o mercado começa a se ajustar novamente e os metros quadrados criados a serem absorvidos.

Percebe como funciona? Não existe bonança ininterrupta no mercado imobiliário! Assim como qualquer outro mercado, ele segue ciclos – e é importante que você entenda isso para não panicar achando que é o fim do mundo no setor imobiliário ou algo do tipo.

O ciclo é só um processo natural. É justamente por isso que investidores de imóveis de longo prazo são vencedores e ganham bastante dinheiro: independente dos ciclos, eles estão com seus imóveis valorizando, repassando inflação aos aluguéis, passando pela crise e saindo mais fortes. Nos fundos imobiliários, o mesmo acontece, mas a percepção que você tem é diferente por conta da altíssima liquidez existente.

Ciclos não se aplicam somente a bolsa de valores, mas para quase qualquer mercado. Entender do ciclo imobiliário é de suma importância para você não cair nas narrativas que menosprezam investimentos no segmento. Não há sequer um investimento que nunca oscile negativamente. Simplesmente não há. Até renda fixa com marcação na curva e variação de taxa de juros te proporcionará momentos de bonança ou vacas magras.

Todo ciclo faz parte do jogo – e você compreender isso te colocará a frente de muita gente no mercado – uma vantagem, por assim dizer.
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Tabela interessante de rentabilidade dos IPOs realizados em 2021.

De 43 IPOs, apenas 4 estão no positivo,
Sinais...

Atualmente o mercado passa por forte oscilação – num sobe e desce forte das ações, a incerteza sobre uma recessão global respinga na bolsa de valores de absolutamente qualquer país. Pouca coisa se salva. Então, toda essa incerteza do cenário macro acaba transmitindo a nós o mesmo grau de dúvida sobre o cenário.

A grande dúvida é: “será que vale a pena investir agora?”. Bem, o momento perfeito não existe. Independente da experiência do investidor e de quantos anos ele tem de mercado, ele nunca saberá quando estamos no fundo ou no topo do mercado. O que se pode saber é quando o ativo tem um preço mais aproximado daquilo que pode ser avaliado como justo, e quando o ciclo está em um momento que proporciona maior margem de segurança no preço dos ativos. E existem alguns pontos que indicam isso.

Howard Marks trata muito sobre isso no seu livro “O Mais Importante para o Investidor” (e aqui fica a recomendação de leitura, uma das centenas de obras recomendadas na biblioteca de nosso site): em momentos de euforia, o mercado tende a ter maior quantidade de IPOs realizados. 2020 e 2021 ilustram esse momento na nossa bolsa.

Com toda a euforia, o mercado sai comprando tudo o que vê pela frente, os ativos ficam mais caros, a margem de segurança no preço tende a diminuir fortemente e o que tudo isso indica é que o ciclo está em um momento de alta.

No lado oposto, existem movimentos que evidenciam quando o mercado provavelmente está barato. Movimentos de compras relevantes por parte de grandes companhias, aquisições, fusões e afins. Esses movimentos tem ocorrido com frequência em 2022 – e é justamente disso que a tabela acima trata.

Até o momento, em 2022, já foram realizados 16 grandes negócios na bolsa brasileira no que tange a compra relevante de participação ou integral de companhias. Essas compras podem sinalizar de certa forma a identificação de oportunidades por parte da gestão das respectivas companhias. Em outras palavras, talvez o mercado esteja tão barato que até mesmo os gigantes do mundo corporativo já estão colocando seus bilhões para jogo para aproveitar as oportunidades.

Como dito, não significa certeza, mas sim mais uma evidência de um momento de oportunidade no mercado. Da mesma forma que os gigantes identificam a euforia para vender seus peixes por valores mais caros, eles também tendem a identificar o medo e o terror para comprar ativos mais baratos. Entende a dinâmica aqui?

Na tabela foram incluídas compras de participações relevantes nos controles acionários, aquisições totais e fusões. No caso da Hypera, que não lista nenhuma adquirida, se refere as notícias de que a companhia está para realizar uma fusão ainda em disputa, talvez com o Grupo NC (EMS) ou com a Eurofarma.

São sinais, evidências. Nada de certezas – números e dados que podem auxiliar na percepção sobre o atual momento de mercado, onde acaba ocorrendo centenas de ruídos.

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Hoje as 19h00 teremos uma aula ao vivo sobre renda fixa dada pelo Guilherme.

Trataremos sobre critérios de alocação, como investir, se está na hora de investir em prefixados, mostraremos como a renda fixa não é tão fixa assim (e isso leva muita gente a perder dinheiro por descuido básico) e que investir em renda fixa não é somente escolher o título com maior taxa, sentar e esperar. Dependendo da tratativa, renda fixa é tão complexa quanto a renda variável.

O momento para a renda fixa é excelente e merece ser aproveitado também, mas não é tão simples quanto as corretoras tentam te vender.

Enfim: uma conversa abrangente sobre investimentos em renda fixa, oportunidades e tudo aquilo que não te contaram. Traga suas dúvidas!

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Gráfico de correlação entre o CDI (SELIC) e o IBOV.

Lembrando que uma das principais razões do desabe do mercado de ações de um país, é a alta na taxa de juros. Uma vez que os agentes econômicos possuem a opção de investir na renda fixa livre de riscos para rentabilizar com altas taxas, muitos migram parte do capital que está no mercado de renda variável para a renda fixa.

Existe um problema nisso: ficar migrando seu dinheiro de investimento para investimento e girando seu patrimônio de acordo com os ciclos, provavelmente vai te fazer perder muito dinheiro.

Existem alguns problemas: (I) taxas. Agentes econômicos realmente grandes não pagam tantas taxas quanto nós, pequenos e pessoas físicas. Quem possui fundo de investimento não paga IR sobre as operações, ou seja, o custo envolvido em ficar girando o patrimônio é menor. (II) imprevisibilidade: todos conhecem esses ciclos. Todos sabem que hoje a SELIC está em 13,25% e que estamos próximos do topo. Todos sabem que em algum momento ela irá começar a cair, afinal, economicamente dizendo, é completamente insustentável manter uma taxa de juros nesse patamar por muito tempo. Querer ser o mais esperto da sala e vender seus ativos de renda fixa quando os juros começarem a cair, será tarde demais.

Os gigantes do mercado possuem ferramental e relações que os levam a tomar decisões com uma antecedência bem maior a de qualquer outro agente menor do mercado. Quando os juros começarem a cair, provavelmente os grandes já estarão alocados na renda variável precificando o fundo da SELIC para o período e você estará comprando ativos com menor margem de segurança.

É por isso que sempre falamos: aproveite a renda fixa do momento, mas não negligencie a renda variável.

O investidor passa por um duro momento nessas épocas porque quando a renda fixa está extremamente atrativa, significa que a renda variável está ainda mais – ora, o mercado se ajusta e passará a cobrar maior prêmio de risco e desconto sobre ações e afins. Isso significa que as ações provavelmente estão ainda mais baratas.

Boa parte dos que estão no mercado ainda não pegaram ciclos de alta de juros nem bull market, então a dica que podemos dar é: em algum momento o ciclo vai virar (a cada 4 anos alguém fala que o Brasil vai acabar, acostume-se) e o juros começará a cair. Esse é o momento que as taxas mais gordas da renda fixa passam a sumir e o investidor que se acha mais esperto e a frente do mercado irá decidir começar a investir em renda variável. Tarde demais, o investidor que se acha o mais esperto da sala investirá num ciclo de alta, e nisso ele pratica o erro que a maioria dos investidores praticam ao diversificar os investimentos, de não pensar de forma anticíclica.

Nunca se esqueça dessa frase: se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais. Se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais. Se a renda fixa está atrativa, a renda variável está ainda mais.

Invista em renda fixa, aproveite as taxas, os prefixados e diversifique, mas não se esqueça: a economia é feita de ciclos, assim como o mercado, e você não vai querer ser aquele cara que compra na alta e vende na baixa se achando o mais esperto. O mercado sempre olha anos à frente. Não tente ser o mais esperto da sala, apenas faça o simples que funciona e respeite seu asset location.

Nesse exato momento que você lê isso, provavelmente há algum gestor de fundo multibilionário com uma equipe de 50 ou mais cabeças estimando cenários de juros para que ele se posicione bem antes, roubando cada mínimo pedaço de oportunidade que as pessoas acham que existe nessa brincadeira de começar a comprar ações e fundos imobiliários só quando a taxa de juros começar a cair. Não deixe que seja tarde demais.
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Gráfico interessante criado pela TradingView com o histórico dos últimos 106 anos do mercado acionário americano relacionando centenas de eventos políticos, sociais e econômicos de cada época.

A definição da frase: "o mercado sobe caindo".
O banho de sangue no cenário de commodities, a projeção de inflação e como fica o Brasil nessa história

Com os temores de recessão nos EUA e Europa e desaceleração econômica na China, o preço das commodities tem desabado nos últimos 30 dias. Com diversas commodities caindo ainda mais do que 20% (e algumas bem mais, como o algodão caindo 35% e o óleo de palma caindo 40%), a primeira percepção que temos é – “amém, finalmente um sossego para a inflação!” – o que de fato está certo. Mas a análise não para por aí.

A princípio, a queda no preço das commodities de fato causará uma queda na inflação. Significa queda de custo na veia quando se refere aos principais bens de uma economia: petróleo, ferro, soja, açúcar, trigo, milho e afins. Toda essa queda tende a ser repassada pro preço dos produtos (não de forma integral) ou ao menos causam a estabilidade dos preços, fazendo com que parem de subir.

Esse movimento de forte queda de preço das commodities unido a alta da taxa de juros no país, tende a de fato causar um arrefecimento no cenário inflacionário, ou seja, espera-se que a inflação no Brasil realmente já tenha atingido o pico (que foi lá em abril, na casa dos 12,1%, sendo que atualmente estamos em 11,9%) e os próximos meses sejam mais calmos (ainda mais com as últimas medidas de corte de impostos nos combustíveis, energia elétrica e gás de cozinha que levarão o país a uma deflação em julho e agosto).

A questão é: nem tudo na vida são rosas, não é mesmo?

De um lado, o Brasil ganha com a queda da inflação com menor pressão sobre o preço das commodities, mas você deve se lembrar que o Brasil é um país que também ganha muito dinheiro vendendo justamente esses bens que estão desabando de preço, logo... o Brasil também perde forte com a queda do preço dos principais bens que ele exporta.

O Brasil sendo um país de commodities tende a gerar menos dinheiro em sua balança comercial, tendo em vista que o petróleo, o minério de ferro e algumas commodities agrícolas estão negociando em patamares de preços mais baixos. Esse cenário faz com que o país tenha um cenário fiscal mais desafiador, com menos dinheiro entrando em suas contas e consequentemente maior ceticismo do mercado sobre o real futuro do desempenho econômico brasileiro.

Essa desconfiança faz com que o câmbio seja pressionado, visto que mais dinheiro de investidor do exterior começa a sair do país vendo que as principais engrenagens que geravam bilhões de lucros estão desacelerando, por assim dizer.

Percebe a relação? De um lado, nós ganhamos muito com uma inflação pressionando menos nossos orçamentos. De outro, nos perdemos muito porque as empresas de commodities são as principais portas de entradas do capital externo, e se o gringo passa a considerar as empresas de commodities como empresas que não valem a pena investir (afinal, seus lucros caem quando o preço das commodities caem), o câmbio passa a ser pressionado, consequentemente pressionando mais ainda a inflação.

O que nós queremos que você compreenda para ler esse texto é: a relação entre queda de commodities e alta de commodities não é uma razão perfeita.

Não é porque as commodities estão desabando que o país se beneficiará maravilhosamente com queda da inflação nem porque as commodities estão voando que o país se beneficiará maravilhosamente com superávits em suas contas públicas. A relação não é tão exata assim.


Os próximos meses serão desafiadores, e um Brasil com ciclo de commodities em baixa sempre tem problemas para conseguir desempenhar em suas contas públicas. Como sempre, não se trata de um texto para aterrorizar, induzir ou influenciar em qualquer tomada de decisão, mas sempre lembrar: quando se trata de economia, não existe certeza nem exatidão.

Não se agarre em nenhuma narrativa que você ver por aí, seja ela extremamente otimista ou extremamente pessimista. O segredo sempre é o ceticismo.